Malaysia airlines, Germanwings, toda segurança deve ser revista?

GERMANWINGS

A queda do voô da Germanwings e a morte dos 149 passageiros foi um choque terrível para todos os viajantes. Os últimos instantes revelados pelas gravações,a loucura do co-piloto, o desespero do piloto e os gritos dos passageiros, a incapacidade da Germanwings a perceber a patologia e a tendência ao suicídio do seu funcionário, ou o silencio dos médicos frente a tamanho risco , todas as ultimas revelações deixaram milhões de pessoas abismadas frente a falhas de segurança que as autoridades aeronáuticas e as companhias aéreas – nesse caso uma das mais prestigiosas- foram incapazes de prevenir. Claro que medidas já estão sendo estudadas, a primeira dela – a permanência obrigatória de duas pessoas no cockpit – jà sendo sugerida pela comissão europeia e aplicada por algumas empresas, incluindo a Air France e a KLM.

VÔO DA MALAYSIA AIRLINES

Vai porem precisar de muito mais para reestabelecer a confiança. Alem do crash do vôo 9525 de Barcelona para Dusseldorf, ninguém consegue até hoje entender como o vôo da Malaysia Airlines 370 – e seus 239 tripulantes e passageiros – desapareceu completamente há mais de um ano numa área vigiada pelas mais importantes forças armadas do planeta, com investimentos bilionários em radares ultra-sofisticados, em drones ou em satélites espiões. MH-17-FLight-PathNão foi também fornecida nenhuma explicação dos especialistas holandeses sobre a responsabilidade do derrubamento do vôo MH 17 e das 289 vítimas, nem sobre a ausência de qualquer proibição de sobrevoar uma área onde aviões de guerra e mísseis se enfrentavam há meses. Ainda misteriosos, esses dois dramas só provocaram nessa data estudos sobre as possibilidades de mudar as caixas negras prolongando as baterias, de exigir a emissão permanente de dados sobre a posição dos aviões ou até sobre os seus dados de vôo, ou até de permitir aos controladores de tomar os comandos a distância.

A falta de transparência, os poucos resultados, e as imensas falhas reveladas nesses três dramas levem porem a uma pergunta. Desde o 11 de Setembro, imensos investimentos foram realizados para melhorar a segurança dentro dos aeroportos, empresas especializadas forneceram centenas de milhares de funcionários, fabricantes venderam milhares de maquinas ou de scanners.SCANNER AEROPORTOS Centenas de milhões de viajantes fizeram bilhões de horas de fila para tirar cintos e sapatos,  e pagaram outros bilhões de taxas para contribuir a um mundo mais seguro. Como pode ser que as mesmas autoridades que imporem caríssimas máquinas de Raios x (talvez perigosas para a saúde dos passageiros e dos funcionários) nos aeroportos, foram incapazes de exigir que o copiloto do avião duma grande companhia aérea voasse com seus testes psicológicos e seus exames de saúde em dia? Como pode ser que radares de altíssima precisão não conseguem definir aonde sumiu um avião de passageiros? Como pode deixar uma área de guerra ser sobrevoada por vôos comerciais? Com tanto esforços pagos tão caro no solo, como podem existir falhas tão importantes no ar? As centenas de famílias dos desaparecidos e os 3 bilhões de passageiros anuais estão esperando as respostas.

Jean-Philippe Pérol

 

 

Na Thomas Cook, a “Pop-up store” anuncia a nova agencia de viagem!

 

www.antoinecibert.com

Nascer do sol na capital da Auvergne. Foto Antoine Cibert

Como será a agencia de viagem do futuro? A Thomas Cook France, herdeira do famoso grupo fundado pelo próprio Thomas Cook em 1841, decidiu tentar uma experiência inédita. Thomas CookNo shopping de Nacarat, perto de Clermont Ferrand, capital da Auvergne, inaugurou uma “pop-up store”, loja efémera que ficará aberta até o final de junho. Aproveitando a clientela de forte poder aquisitivo que frequenta as 78 lojas – algumas de marcas muito conhecidas como Sephora, Swarowski, Zara, H&M  ou Leroy Merlin- , a Thomas Cook quer atrair para as suas agencias de viagem um publico mais jovem e até então mais acostumado a comprar suas viagens diretamente na internet.

POP STORE CLERMONT

Mesmo se inspirado do design das lojas tradicionais da empresa, a pop-up store tem um visual muito aberto e bem aconchegante, deixando os clientes a vontade para sonhar e criar os seus roteiros de viagens. Numa tela digital, a Thomas Cook apresenta os últimos clips das suas campanhas publicitarias bem como vídeo dos parceiros ou dos destinos selecionados. thomas-cook-agence-ephemere-2Travel Glass (óculos com visão 360 graus) ficam a disposição dos visitantes para umas visitas inovadoras de locais ou de hotéis. As ofertas das operadoras são todas exclusivas, ou pelas tarifas concedidas ou pelos produtos apresentados, alguns tendo sido adaptados para ter saídas do aeroporto de Clermont Ferrand. Alem de grandes operadoras como a Jet tours (antiga subsidiaria da Air France, que chegou a ter charters para o Brasil), a Disney e Cruzeiros Costa apoiaram esse operação pioneira. E o Club Med – que pertence agora ao chinês Fosun, também acionista da Thomas Cook – não podia deixar de estar presente, apresentando um concurso de fotos de viagens.

Club Med Chine

A presencia do grupo chinês na mais antiga agencia de viagem do mundo vai sem duvida multiplicar as inovações nessa anciã do turismo mundial. A Fosun, que comprou 4,8% do grupo mas quer subir para 10% e mais, já anunciou alguns eixos de crescimento. Maiores sinergias para distribuição do Club Med, melhor aproveitamento dos sites de vendas on-line, crescimento das atividades de receptivo e investimentos conjuntos na hotelaria jà foram alguns das possibilidades levantadas. Nessa nova estratégia mundial, a pequena Pop-up store de Clermont Ferrand pegou uma importância inesperada. No Brasil, onde grandes movimentos envolvendo operadoras, agencias on line e agencias tradicionais estão sendo esperados pelo mercado, essas ideias novas também podem vingar.

Jean-Philippe Pérol

PUY DE DÔME E VULCANIA

Qual seria a melhor companhia aérea na classe econômica?

airfrance_4x3_lapremiere-uk_2400

As grandes companhias aéreas internacionais estão brigando há anos para subir nos pódios das melhores Primeira Classe (o World Airline Awards 2014 foi da Singapore Airlines) ou das melhores Business (o mesmo Awards 2014 foi da Qatar Airways), fazendo das “La Première” um eixo central de comunicação. Lembrando que 90% dos passageiros só usam a classe econômica,  a empresa de marketing  Skift.com publicou um inédito ranking nessa categoria. World Airlines Award 2014Claro que o World Airline Award não esquece de premiar também a melhor Classe econômica (em 2014 Asiana, Garuda e Turkish), mas a inovação da Skift foi de escolher fazê-lo não com votos aleatórios mas com critérios objetivos apoiados na experiência completa do viajante nos voos de longa distância.

A metodologia do Skift Airlines Ratings só leva em consideração as companhias aéreas com um grande números de voos e de destinos, incluindo voos intercontinentais. SKIFT-RATINGS-logoAlgumas companhias domésticas, ou de menor porte, não foram incluídas mesmo oferecendo serviços de qualidade. Onze critérios foram escolhidos, sendo que o primeiro, as facilidades de bagagens, só constam como referência. A pontuação começa com o website que devem ser não somente eficiente, mas fácil e agradável para o passageiro. A American Airlines, a Air France e a Lufthansa se saíram bem nesse critério.

O conforto das poltronas foi analisado com três fatores: o pitch, a distância entre as poltronas, a largura das poltronas, e o próprio conforto. economy_smart_seatEsse critério tendo uma importância chave nos voos de longa distância, ele pesou muito na pontuação. As notas são muito influenciadas pelo numero de cadeiras por fila (8, 9 ou 10), e as companhias que operam com o A380 têm uma indiscutível vantagem. As exigências de custo devem limitar os esforços para melhor o conforto, mas as companhias norte americanas não se saíram bem nesse critério.

O serviço de comidas e bebidas não foi julgado em função da qualidade gastronômica ou enológica dos cardápios, sempre muito discutível, mas da apresentação dos pratos, premiando os mais apetitosos, e da qualidade do serviço das tripulações. Nesse item, se destacaram as companhias do Oriente médio, e surpreendentemente a Qantas. Bandeja da Qatar AirwaysO divertimento a bordo, importante nos voos de longa distancia, deu nota máxima para American, Etihad, Emirates e Qatar Airways, tanto na qualidade dos equipamentos que na variedade dos programas apresentados. O critério “wi-fi” destacou os esforços das companhias tanto pela conectividade a bordo que pelos aplicativos.

O ultimo critério, a qualidade do design interno dos aviões, foi o único a ser muito subjetivo. Foram julgados os últimos lançamentos, e os aviões mas novos, de cada companhia, mesmo quando a frota inteira ainda não beneficiava desses novos padrões. Turkish, South African e Etihad tiraram as melhores notas.

Cabina da classe econômica da S.A.A.

Com esses critérios, o titulo de melhor companhia aérea na classe económica para os voos de longa distancia ficou empatado entre a Etihad and Qatar Airways, com 61 pontos sobre um total possível de 73, somente um ponto na frente de Turkish Airlines, Emirates Airlines, e All Nippon Airways (ANA). A vitória apertada mostrou a importância dos mínimos detalhes para fazer a diferença. Nas grandes regiões geográficas, foram premiadas a American para America do Norte, a Turkish na Europa, a South African na África. Na América Latina a Avianca levou o titulo, 7 pontos na frente da AeroMexico e 13 na frente da LAN/TAM….Saudades….

VARIG_Brasil_Boeing_747-341_(PP-VOA_24106_701)_(6382736855)

Skift achou também necessário premiar a aliança com os melhores resultados regionais. O prêmio mundial da melhor Economy Class foi assim concedido para Star Alliance que teve quatro dos seus membros nos vencedores regionais, sendo curiosamente a United Airlines muito mal colocada em relação a seus parceiros.

Mesmo discutível e devendo ser aperfeiçoar no futuro, esse ranking da Skift tem o grande mérito de tentar ser objetivo e de focar a importância do serviço oferecido na classe econômicas. COMANDANTE ROLIM No Brasil tem-se que se torcer para ver a volta do serviço excepcional que as companhias internacionais nacionais chegaram a oferecer na grande época da Varig ou, mais recentemente, na auge da TAM e do tapete vermelho do saudoso Comandante Rolim.

O quadro completa da classificação da Skift Airlines Rating:

ranking

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre no magazine on-line Pagtour.

Tahiti, pelo menos uma vez na vida!

DSCN0981

Desde 2013 e a Copa das Confederações, quando o seu time fez história no Recife ao marcar o seu primeiro gol oficial fora do seu continente, Tahiti está olhando cada vez mais para o Brasil. Já são quase três mil brasileiros que viajaram para lá esse ano, e as ambições dos taitianos são de dobrar esse numero nos próximos anos. Com uma imagem tão especial, especialmente mas não somente para lua-de-mel, com suas 118 ilhas cercadas de areias brancas ou negras, e suas águas declinando todos os tons de azul, a Polinésia francesa é um destino que já faz sonhar quase todos os viajantes. Difícil talvez é escolher um roteiro, e decidir como chegar lá.

Com uma estadia média de nove ou dez dias, a primeira decisão importante e de escolher as suas ilhas prediletas. Duas já são imprescindíveis. Bora Bora é o clichê que não pode ser perdido. Imortalizada pelos aviadores americanos que tiveram aí uma base militar durante a segunda guerra, ela é o cartão postal da Polinésia. presidential-overwaterNos seus hotéis com quartos de palafitas (O Hilton é espetacular), pode-se mergulhar no lagão, nadar com as arraias ou dar comida para os tubarões. As pequenas ilhotas – mutu- são lugares ideais para um piquenique ou um churrasco de peixes. Alugar um Buggy para uma volta da ilha é uma ocasião de descobrir não somente os antigos centros religiosos hoje abandonados (mesmo se nem sempre bem cuidados), mas também uma multidão de lojas de artesanato. A ilha principal, DSCN1262Tahiti, é muitas vezes esnobada pelos turistas, talvez por ser a capital. Mas é um ponto obrigatório já que todos os voos chegam em Papeete, e merece ser aproveitada em qualquer roteiro. As suas praias de areia negra podem agradar não somente os surfistas e a ilha oferece paisagens surpreendentes, jardins românticos, e os sortudos poderão talvez ver uma ou duas baleias se aproximar do litoral. Na cidade, duas visitas são paradas obrigatórias: visitar uma “bijouterie” para sonhar frente as pérolas negras, e conhecer as “roulottes”, as barraquinhas da Praça Vaiete onde turistas e moradores se encontram no final do dia para tomar um drinque ou ter um jantar descontraído.

A dúvida do viajante vai começar então na escolha da terceira ilha. Huahine é uma excelente opção porque além dos clichês de praia e de mar, de lindas paisagens e de uma vegetação luxuriante, ela tem uma das mais ricas heranças culturais e arqueológicas.DSCN0869 Com a indispensável ajuda de um guia qualificado, o visitante poderá descobrir os marae (antigos altar de sacrifícios humanos) ou as armadilhas de pescaria e suas estranhas anguilhas domesticadas com olhos azuis. Os nativos explicam que esse  clima de segredos e de descobertas,  junto com a forma muito especial da sua montanha principal, deram origem ao nome desse ilha: a ilha mulher.

Para quem está procurando os hotéis de altíssimo padrão, a terceira ilha dum roteiro tahitiano pode ser escolhida entre Tahaa, ilha sagrada dos antigos polinésios onde se esconde um requintado Relais Chateaux Taha’a Resort and Spa, e Tetiaroa , a ilha do Marlon Brado onde foi construído o hotel The Brando, o mais luxuoso resort dos mares do sul, milagre de design, de conforto, de tecnologia e de respeito ao meio ambiente.

letahaa-spa-1-gd

©R&C Le Taha’a Island Resort & Spa

Na espera duma ligação aérea entre São Paulo e Papeete (se fala há anos dum voo direto que continuaria depois até Xangai), a primeira opção de voo para Tahiti é o voo semanal da LAN Chile via Santiago de Chile. Uma viagem de somente 16 horas e que oferece a opção de combinar com a Ilha de Páscoa, mas com uma conexão muito demorada em Santiago e o risco dum único voo. A rota via Los Angeles é um pouco mais demorada, mas tem a vantagem de ter mais de um voo por dia, a Air Tahiti Nui e a Air France tendo conexões com os voos da American Airlines.

Tahiti é sem duvida uma viagem excepcional, romântica e sensual, o destino por excelência duma lua de mel fora do comum ou de comemoração dum grande momento da vida. DSCN1107E se tiver a oportunidade de poder repetir para um segundo roteiro, aproveite as ilhas esquecidas na primeira viagem, não perca Moorea, ou tente viver a experiência diferente das Ilhas Marquezas que tanto fascinaram os artistas Jacques Brel ou Paul Gauguin,

 DSCN1161

Air France: frente aos desafios, a força da palavra France

 

france_is_in_the_air-reseau_012

Numa época não muito distante, as grandes companhias aéreas só dependiam de grandes destinos, de grandes mercados e da notoriedade herdada desde a era dos seus pioneiros. Foi na Europa principalmente o caso da Air France, da Lufthansa e da British Airways que dominaram o crescimento da aviação até os últimos anos. 0Os tempos estão mudando, e hoje os três grupos são duplamente ameaçados, dum lado pelo sucesso da companhias low-cost que esta prejudicando seus voos intra-europeus, e do outro lado pelo poderoso crescimento das companhias do Oriente Médio que competem com as suas ofertas para a Ásia e até parte da África..

Na Europa as companhias low-cost, lideradas pela Ryan Air e Easy Jet, jà abocanharam em 2013 mais de 32% do mercado. Nas distancias de menos de três horas, lá onde os trens bala (o TGV francês ou seus concorrentes alemão ou espanhol) também ameaçam os voos tradicionais, a única chance para  Lufthansa ou Air France é de desenvolver as suas próprias filiais low cost. Já estão investindo na Transavia ou na GermanWings , assumindo o risco de enfrentar os poderosos sindicatos de pilotos.OLYMPUS DIGITAL CAMERA E são cientes que os seus futuros nos voos de curto e médio alcance dependem desse sucesso. Para 2015, Lufthansa está até preparando uma experiência « low cost » com sete Airbus densificados para o Oriente Médio, o Caribe e a América do Norte, mesmo sabendo que esse modelo econômico nunca foi bem sucedido em longas distancias.

Burj-Dubai-by-numbers

Mas é provavelmente frente ao Qatar, aos Emirados ou a Turquia que acontecerá a grande briga para o futuro das três maiores companhias europeias. Cada semana a Qatar Airways, a Emirates ou a Etihad são noticias de grandes jornais ou de revistas internacionais. Elas compram aparelhos novos, abram rotas cada vez mais distantes – inclusive no Brasil-, e ganham prêmios pela qualidade excepcional dos seus serviços de bordo. A concorrência é em parte desleal: essas companhias tem dinheiro a custo zero para comprar aviões novos, seu combustível tem preços baixíssimos, e os aeroportos do Golfo tem tarifas muito especiais. Podem parecer companhias piratas, mas não se pode também negar que elas tem verdadeiros vantagens, não somente em termo de produtos, mas também pela eficiência dos seus hubs, especialmente entre a Europa e a Asia.

O paradoxo é que a Air France ou a Lufthansa foram as primeiras a inventar hubs muito sofisticados, apostando numa dinâmica de conexões e não mais (ou não somente) numa lógica de mercados. L1030981Era arriscado porque se a Franca, a Alemanha ou a Inglaterra  são justamente alguns dos poucos países que podem se vangloriar de ser no mesmo tempo grandes destinos internacionais e mercados emissores de primeira linha, a lógica do hub é aberta a todos.

Para alimentar esses hubs de Doha, Dubai, Abu Dhabi ou até Istambul, as companhias do Oriente Médio não somente multiplicam os voos mas também  investem em companhias europeias. Etihad já é o maior acionista da Air Berlin e da Alitalia, certamente com a intenção de consolidar sua plataforma de Abu Dhabi.Airbus_A380-861_Emirates_A6-EDX_Expo_2020_Dubai_sticks_(8504819706) Grandes clientes da Airbus, investidores nos grandes hotéis de Londres ou Paris, desenvolvendo suas atividades no catering com Dnata ou Air Chefs, todas essas companhias vão continuar a se desenvolver entre a Europa e a Ásia, sonhando talvez repetir o cenário Qantas (a companhia australiana abandonou seus voos para Europa e só alimenta agora o hub de Dubai…).

Air France, British e Lufthansa estão assim frente ao enorme desafio, um luta pela sobrevivência que preocupa seus dirigentes e que deixam alguns observadores convencidos que algumas alianças ou fusões ainda podem aparecer seguindo os acontecimentos vistos nos Estados Unidos.

images (1)Mas os viajantes preferem os voos diretos. E pelo menos para a Air France, existem trunfos suficientes para enfrentar a dura concorrência tanto das low costs que das companhias do Golfo. Não se trata somente da qualidade do serviço ou da notoriedade, mas da vantagem de ter um nome integrando a palavra França, de ter sua base no aeroporto de Paris, ou de se apoiar no quinto mercado emissor e no primeiro destino turístico do mundo. A ultima campanha “France is in the air” parece confirmar que esse caminho esta sendo seguido!

Jean Philippe Pérol

Esse artigo é uma tradução e uma adaptação dum artigo original do Serge Fabre publicado na revista profissional on line PAGTOUR. Para acesso direto ao artigo original em francês, por favor clicar aqui.

2025: a França voltando com o sonho das Exposições Universais!

paris_1900_eiffel_view_11515

Sonhando com os 2 bilhões de turistas anunciados pela O.M.T. para daqui a 15 anos, o ministro francês Laurent Fabius acredita que a França só poderá manter a sua posição de primeiro destino turístico mundial se souber se organizar. Além de melhorar o atendimento, adaptar os grandes aeroportos e as principais estações de trens às exigências do viajante do século 21, ou mobilizar maiores recursos para a promoção, um dos grandes desafios será de atrair alguns dos grandes eventos internacionais previstos nos próximos anos. téléchargementDois encontros esportivos, a Eurocopa em 2016 e a Rydercopa (o encontro máximo do golfe) em 2018, já serão organizados na França. Mas lembrando o sucesso impressionante das comemorações do Bicentenário de 1789, ficou claro que o impulso duma grande manifestação cultural seria também considerável, ou até maior, tanto para renovar a imagem do pais como para ampliar os fluxos de turistas.

Uma das grandes oportunidades pela frente seria a Exposição Universal de 2025. A França está preparando a sua candidatura para esse grande evento que Paris já sediou seis vezes, mas sendo a ultima em 1900. Um relatório parlamentar que acabou de ser publicado por dois deputados, Fromantin et Leroux, lembrou que as exposições organizadas no século 19 foram ocasiões únicas tanto para a cultura da França como para suas indústrias e seu turismo.

extension-palais-du-trocadero-genie-du-corps-eleves-centre-michel-serres

O projeto levanta um entusiasmo sincero de todos os atores até agora envolvidos, seja empresários ou políticos, que acreditam no seu impacto tanto na economia como na imagem do país. Para depositar um dossiê completo até o final de 2016 – a decisão do Bureau Internacional das Exposições é prevista no mais tardar em 2019 – , os parlamentares insistiram particularmente em dois pontos. France_Pavilion_of_Expo_2010O primeiro é a mobilização de todos, desde os moradores, que terão um papel chave especialmente no atendimento dos turistas, até o próprio Presidente da Republica que deverá convencer o Buró da fiabilidade dos compromissos de investimentos, especialmente nas grandes infraestruturas de transportes como o Grand Paris Express ou as novas ligações diretas para os aeroportos. A segunda ideia seria de renovar com criatividade o modelo tradicional das exposições tal que foi visto ainda recentemente em Xangai. Em vez dum único local onde seriam agrupados todos os pavilhões dos países participantes, a Expo France 2025 seria distribuída em círculos concêntricos: Paris intramuros, o Grande Paris e as cidades da periferia, utilizando o patrimônio existente, e oferecendo para os expositores espaços perto de lugares ou monumentos famosos.$T2eC16Z,!y4FI,d9-C9OBSc6hiDEWQ~~60_35 O Brasil, que foi destaque nas exposições universais parisienses do século 19, em 1867, em 1878 com o próprio imperador Dom Pedro II, e em 1889 com um pavilhão que incluiu até um lago artificial com vitórias-régias , talvez poderá em 2025 voltar a ter seu pavilhão na frente da Torre Eiffel ?

Assim que já foi visto no Brasil durante a Copa, ou que está sendo confirmado no Rio na preparação dos J.O., um projeto desse porte é também uma ocasião para reformar e aprimorar todos os serviços turísticos do pais. L-idee-d-une-exposition-universelle-a-Paris-fait-son-chemin_article_popinO ministro encontrará na preparação de ExpoFrance 2025, e nos 50 milhões de visitantes esperados, motivos para ampliar a capacidade hoteleira de Paris, autorizar a abertura de mais lojas e outlets nos domingos, desenvolver o ensino de línguas estrangeiras ou lançar uma grande campanha de sensibilização dos franceses a importância de melhorar ainda mais o atendimento aos turistas. A Air France, a Accor, a LVMH, a Renault e muitas grandes empresas já estão apoiando o projeto, e os parisienses, em geral muito relutantes, parecem gostar da ideia.

Jean-Philippe Pérol

 

O salão da Abav: uma longa historia e uns novos caminhos!

IMG_1482

Encerrando a Expo internacional 2014 da Abav, São Paulo mostrou pela terceira vez esse ano o quanto pode receber com sucesso um grande salão de turismo. Com  250 estandes e 3500 expositores, a feira registrou as entradas de mais de 41.000 profissionais, comemorando com recorde os seus 60 anos. foto 2Andando nos largos corredores, a beleza e até a imponência dos estandes deixavam aparecer algumas tendências. Os destinos de proximidade,  Argentina, Uruguai, Chile ou Colômbia, estão investindo com força no mercado Brasil e no seu potencial de novos viajantes. Os Estados Unidos, com os investimentos de Brand USA e  o dinamismo dos seus estados, estão mesmo querendo chegar em 2016 com 2 milhões de turistas brasileiros. Stand Saint-MartinAs grandes operadoras – CVC, Flytour, ou Hotel Urbano – mostraram a sua força exibindo não somente um leque de produtos cada vez mais amplo, mas também canais de distribuição diversificados – competindo tanto nas agencias tradicionais que nas vendas on-line. Primeiro mercado emissor do pais, São Paulo mostrou que reivindica agora com orgulho o seu primeiro lugar com destino de negócios e turismo, uma Nova Iorque latina com todos os trunfos para competir com os maiores destinos mundiais.

Se a Europa ficou mais discreta, a França fez questão de estar presente com seus parceiros tradicionais – Air France, Accor, Rail Europe – e uma delegação de profissionais num espaço VIP onde eram servidos Champagne e vinhos do Smith Haut Lafitte.IMG_2419 Prestigiada pela presença do ministro do turismo, Vinicius Lages, e do embaixador da França, Denis Pietton, Atout France animou um almoço debate sobre “investimentos turísticos e desenvolvimento regional”. Com palestra do Patrick Mendes da Accor, mostrou se, através do exemplo da Ibis ou das outras marcas do grupo, a importância dos investimentos hoteleiros para levar os turistas fora dos grandes eixos tradicionais, tanto na França que no Brasil.

Com um apoio excepcional do ministro Vinicius Lages que transferiu o seu gabinete no recinto do Anhembi, a Abav mostrou a sua força, e a presencia dos grandes lideres do turismo no Brasil foi impressionante. Mas, na concorrência entre os três grandes salões de turismo de São Paulo, os profissionais esperavam que o grande diferencial da Expo internacional fosse o comparecimento maciço dos agentes, a qualidade dos encontros e o apoio do publico durante os dois dias abertos a todos. Nesses três itens,  os participantes não foram unânimes, e ficou claro que ainda tem caminho para percorrer. Mesmo com um intensa programa de hosted buyers, os expositores nem sempre tiveram as visitas esperadas, e a interessante iniciativa da Vila do Saber ainda não atendeu as grandes expectativas. Sempre muito difícil a combinar, o atendimento a dois tipos de visitantes muito diferentes – profissional e publico – foi um desafio que muitos expositores não conseguiram vencer, muito estandes ficando vazios no final de semana.

?????

Na hora da Internet e do tempo contado, Expo internacional enfrenta os mesmos problemas que todos os grandes salões internacionais. Os organizadores do IFTM Top Résa de Paris, que encerrou dia 26 de Setembro, ficaram também preocupados pela dificuldade crescente de tirar os agentes de viagens das suas lojas, e pela concorrência de novos canais de comunicação B2B. IMG_2473Em Madrid ou em Berlin, os expositores se queixam cada vês mais da dificuldade de combinar os profissionais e o publico, sendo complicado de ter estandes, folhetos, animações e funcionários capazes de atender os dois. Evento do coração de todos os profissionais brasileiros, carregando a historia do turismo no Brasil, o salão da Abav, que mostrou na vinda para São Paulo todo o seu poder de rejuvenescimento, terá que encontrar suas próprias respostas e assim  continuar nos caminhos de sucesso.

Jean-Philippe Pérol

5173981-7720499 cópia

Quadro dos principais salões profissionais mundiais

Chicken or pasta?

American_Airlines.Airline_meal.CDG-JFK.2010

Se o viajante é por natureza atraído pelas outras culturas, feliz de descobrir outras visões do mundo, interessado em novas experiências gastronômicas, aberto a  novos tipos de relacionamento,  ele  tem expectativas mais definidas quando se trata da sua companhia aérea. air-france-travel-2014-campaign4.jpg.pagespeed.ce_.BYdxf2h58qPode ter a sua companhia favorita, pode ter escolhido uma companhia bem específica para tal ou tal viagem, pode ser pelas milhas, pela imagem ou pelo serviço, mas a aviação ainda é um setor  onde a força – e até a magia – das marcas motivam o consumidor. Claro que as exigências mínimas são as mesmas, mas as expectativas são diferentes. O viajante não espera o mesmo serviço na TAM ou na Gol, o mesmo atendimento de bordo na Lufthansa ou na British, o mesmo cardápio na Air France ou na American, ou os mesmos aviões da Azul ou da Delta.

O crescimento das alianças – One World, Skyteam e Star Alliance -, e a multiplicação dos code-share, incluindo nos vôos domésticos brasileiros, estão complicando as escolhas e até desnorteando os consumidores. 1Nem todos sabem que o vôo Brasilia Rio de Janeiro Lufthansa LH2347 é operado pela TAM e que o check-in não será com padrão alemão. Ou que o vôo da Air France Manaus-Brasília AF2047 não tem nenhuma refeição inclusa a bordo já que é um vôo operado pela Gol. Pode estranhar também que um vôo da Delta, o DL6932, que dura mais de cinco horas, não possui poltronas reclináveis …

Difícil para o viajante nos voos domésticos de conexão, essa discrepância entre os parceiros das grandes alianças são ainda mais incompreensíveis quando os code share são numa mesma rota. As surpresas serão raramente agradáveis, seja os riscos de errar de terminal, de não encontrar o seu processo de check-in costumeiro, ou de descobrir que não vai viajar num Airbus novinho mas num velho 747. L1030980 - copieTalvez pior ainda, enquanto espera a chegada do seu jantar, sonhando com a voz da aeromoça dizendo com sotaque francês: ” O senhor já escolheu o seu prato principal?”, poderá ser acordado com uma voz grossa perguntando: “Chicken or pasta?”.

Com passageiros cada vez mais sensíveis a qualidade (ou a falta de qualidade) dos serviços oferecidos, é essencial não criar desilusões que pode ter graves consequências, especialmente a bordo. Nas ultimas semanas, dois aviões tiveram que fazer pousos forçados devido a passageiros furiosos. 1409055342000-Knee-DefenderUm voo da United Arlines Newark-Denver teve assim que pousar em Chicago. Inconformado com o pouco espaço entre as poltronas, um passageiro tinha utilizado um “Knee Defender”, um aparelho que impede o seu vizinho de frente de deitar a poltrona dele. O inventor, Ira Goldman, um homem de negócio de um metro e noventa, criou esse aparelho (que só custa 22 USD) porque não aguentava mais ver o espaço para as suas pernas ser reduzido cada ano, hoje até menos de 43 centímetros  em algumas companhias aéreas.

PREMIERE AIR FRANCE

É com certeza desaconselhável chegar a tal extremismo, mas por isso é necessário que as companhias respondem a essa preocupação dos consumidores. As alianças são necessárias e oferecem extraordinários vantagens para os viajantes, mas cada companhia parceira tem a sua historia, a sua imagem, os seus serviços e os seus clientes. As sinergias só podem existir e progredir na transparência e na definição de um padrão de qualidade  mínimo, com um code-share sendo também um quality-share para fazer de cada viagem uma boa experiência compartilhada.

Jean-Philippe Pérol

Primeiro de Maio na França: dia do Trabalho, do Amor e do Lirio-do-vale!

viewmultimediadocument

Desde 1886, o Primeiro de Maio  começou com um dia de lutas e de lágrimas entre policiais e sindicatos anarquistas para pouco a pouco virar no mundo inteiro o feriado do Trabalho e dos Trabalhadores. Na França, essa festa operária se juntou com uma velha tradiçã0 céltica de oferta de flores as moças solteiras no inicio da primavera, na época o Primeiro de Maio que era também a festa do Amor. O lirio-do-vale  (em francês Lys des Vallées ou Muguet) foi associado ao primeiro de Maio em 1561 quando o Rei Carlos IX, visitando a região de Grenoble, foi presenteado com essa flor e gostou tanto que mandou distribuir buquês a todas as damas da corte.

malheureusement-pour-ce-vendeur-de-muguet-le-cortege-ne-fait-que-passer-rue-jussieu-1974-archives-le-progres

O casamento entre o lirio-do-vale e o Dia do Trabalho só começou depois da segunda guerra, quando os participantes aos desfiles começar a trocar as flores vermelhas pelos “muguets”. As vendas dessas flores nas ruas, autorizadas pelas prefeituras, passaram também a ser uma grande atividade (e uma importante fonte de rendas) para os sindicatos e os partidos políticos de esquerda. Ainda hoje os franceses compram nesse dia mais de dois terços dos  “muguets”do ano, seja um faturamento de mais de 30 milhões de Euros.

Se é pouco conhecido no Brasil, o lirio-do-vale  aqui também tem uma historia. Durante muitos anos a Air France entregava a mais de mil mulheres as preciosas flores na manha do primeiro de Maio.  retard-muguet-inquiete-deja-1268039-616x380 Saindo dois dias antes de Nantes, onde são produzidas, elas chegavam na véspera no Brasil,  passavam milagrosamente pela alfândega, eram colocadas em caixinhas transparentes com fitinhas brancas  pelos funcionários da Air France todos mobilizados, e eram distribuídas de manha em São Paulo e no Rio de Janeiro. Saudades… Mas hoje, se for viajando pela França nesse Primeiro de Maio, não esquece de oferecer a pessoa amada essa florzinha que tem a magia de simbolizar no mesmo tempo o trabalho e o amor. Isso, só na França!

LR_210

Salões de turismo: o WTM surpreendendo e saindo na frente!

jn-89

Se os profissionais achavam que o Brasil sentia falta de um grande salão internacional de turismo a altura do crescimento do setor e dos seus sete milhões de viagens internacionais, o quadro mudou completamente. A chegada  em São Paulo da nossa querida Feira das Américas, o sucesso da requintada Travel Week e o lançamento da WTM com toda força da Reed Exhibition deram aos agentes de viagens, as operadoras, aos fornecedores  e a todos os destinos as opções de encontros e de negócios que eles precisavam.

World Travel Market Latin America 2014 - LogoPrimeiro dos três esse ano,  o WTM impressionou com a organização, a qualidade dos estandes e a globalização dos expositores. Um pessoal atencioso, um registro ágil, uma planta clara (com a Braztoa essa vez estrategicamente localizada e sem a  antiquada serpentina), e uns seminários bem preparados mostraram o profissionalismo da Reed. Os estandes surpreenderam pela qualidade do design e da montagem, seja a Alemanha, a Suíça, Israel, Nova Iorque, a Argentina , Santo Domingo ou Pernambuco.foto[1] A França apostou também pesado nessa segunda edição do WTM Latin America: em uma forte parceria com Accor e Air France, consegue uma visibilidade há muito tempo não alcançada nos seus salões brasileiros, e levou doze participantes franceses. Foram Marselha, Montpellier, Carcassonne, Midi-Pyrénées e dois destinos caribenhos, a Martinica e Saint Martin. A diversidade dos destinos  presentes mostrou que o mercado do Brasil interessa agora os quatro cantos do mundo.  GI_124_7fa19O Canadá vem com toda força. Empurrada pela novela da Globo que ajudou esse grande país turístico a passar os 100.000 turistas brasileiros, a Turquia se destacou, mas também a Rússia, a Jordânia, a Índia, a Coreia, a Grécia, o Marrocos, Dubai ou Abu Dhabi…

Ricardo-Hida-Ricardo-Bethel-Aida-Weinum-Jean-Philippe-PerolKate-Richardson-e-Jean-Bruno-Gillot

O sucesso do WTM só poderá porém ser definitivo se os visitantes forem mais numerosos. Pouco agentes, especialmente no último dia, estandes das operadoras visitados por muitos  fornecedores em vez de compradores, e estandes dos destinos assediados de vendedores de publicidade com crachás de jornalistas mostraram que os agentes de viagem brasileiros ainda não optaram pelo novo salão. A presença ainda discreta (ou mais focada no internacional) dos grandes estados turísticos brasileiros, bem como das grandes operadoras, talvez desanimou aqueles cujas vendas são mais focadas no doméstico… E a impossível localização no quase inacessível Transamerica desanimou muitos potenciais visitantes.

LR_270_a11c2

Para a próxima edição, já confirmada no Expocenter Norte do 22 ao 24 de Abril 2015, a frequentação deverá, sem dúvidas, melhorar muito. Terá talvez que ajudar os expositores inventando uma sinergia com a Travel Week agora pertencendo ao mesmo grupo mas com calendários conflitantes. fotoTerá também que convencer os agentes de viagens de se apropriar e de visitar um salão exclusivamente profissional e cuja dimensão meramente  internacional é mais complementar que concorrente do seu evento de classe, aberto ao público e muito focado no imenso mercado domestico. As oportunidades de crescimento do WTM Latin América são  muito promissoras, e, com mais de 25% dos expositores já de contrato assinado para 2015, ele saiu com certeza na frente para ser o grande salão internacional que o Brasil precisava há mais de dez anos. Parabéns!

Jean-Philippe Pérol