Vendas diretas das operadoras, uma tendência irresistível?

Consumidor europeu na briga das agencias e das companhias pelas vendas diretas

Com viajantes cada vez mais informados e mais atentos para encontrar o melhor preço, as vendas diretas viraram um assunto de primeira importância para todos os atores do trade. No meio de uma polêmica com as agências europeias sobre a transparência e o custo de tais vendas, as companhias aéreas vêem nessa comercialização sem intermediários não somente um meio de reduzir seus custos, mas também uma ferramenta para criar ligações diretas com seus clientes.  Segundo um estudo da IATA de 2016,  as companhias aéreas já antecipam para 2021 a seguinte repartição de suas vendas: 9% de vendas com as OTA (-2%), 21% com as agências corporate (+1%), 16% com as agências tradicionais (que teriam uma queda de 4% de sua participação no mercado) e 52% de vendas diretas (+5%), um número que até pode ser superado no Brasil, onde algumas companhias já passam de 45%.

O espaço Braztoa no WTM Latin América

A batalha das vendas diretas deve em breve mudar de campo e as Operadoras serão, talvez, os atores que irão enfrentar agora as maiores mudanças. Sempre discretas sobre seus projetos de desenvolvimento em direção ao consumidor – e ainda no Brasil muito respeitosas às agências de viagem -, elas podem antecipar as evoluções olhando as tendências dos grandes mercados emissores. Assim, na França, a Associação das Operadoras (SETO, equivalente da BRAZTOA) mostrou as mudanças dos comportamentos de compra dos viajantes nos últimos cinco anos e a conclusão mais forte foi um espetacular crescimento das vendas diretas, que passaram de 31% a 45% entre 2012 e 2017, e até de 56% a 68% se incluir as agências pertencentes a estas operadoras.

Evolução por canal das vendas das operadoras francesas de 2012 a 2016

Os grandes vencedores desse novo mapa da distribuição são os sites B2C das operadoras, que dobraram sua faixa de mercado. As agências tradicionais continuam sendo o primeiro canal de vendas – especialmente nos pacotes mais caros-, mas são as grandes perdedoras, com uma queda de 27,3% em quatro anos. Estas evoluções não impedem, porém, as operadoras de serem muito cautelosas e de respeitar os comportamentos dos viajantes. Consumidores cada vez mais atentos, eles seguem utilizando vários canais, procurando na web, olhando nas mídias sociais, pedindo conselhos e dicas a um agente capacitado, reservando no call center ou se juntando a um grupo organizado por sua empresa. E, se o crescimento das vendas diretas é uma tendência irresistível nos mercados internacionais, os agentes tradicionais deveriam continuar a atrair os consumidores mais exigentes.

Jean-Philippe Pérol

Com 335.000 pacotes, as Ilhas Canárias são o destino mais vendido pelas operadoras francesas

Três boas razões para acreditar em 2 bilhões de turistas daqui a 2025!

Sempre jovem, a torre Eiffel pronto a continuar como ícone de turismo mundial

A torre Eiffel pronta a continuar como ícone do turismo mundial

Projetando cerca de 2 bilhões de turistas internacionais para 2025, esperando um espetacular crescimento das despesas de viagem, os especialistas lembram que três tendências estão sustentando a evolução do turismo mundial: a expansão das classes emergentes, o envelhecimento das populações, e o progresso das comunicações. Já observados há uma década, esses fatores foram também destaques de uma pesquisa conjunta do cartão Visa e da Oxford Economics, “International Outbound travel projections”, cujos resultados foram publicados no ultimo mês de julho.

Famílias com renda superior a 20.000 USD por ano (em milhões)

Famílias com renda superior a 20.000 USD por ano (em milhões), nos mercados desenvolvidos e nos mercados e emergentes

O crescimento econômico vai levar cada vez mais consumidores a uma faixa de renda superior a 20.000 USD por ano aonde se encontram 80% dos viajantes internacionais, responsáveis por 90% das despesas. Projetando esse dados no futuro, Visa calculou que a metade das famílias terão como arcar com pelo menos uma viagem em 2015, sendo que uma em cada oito viajará mesmo. Um terço dessas viagens serão internacionais, com uma média de gastos superior a 5.300 USD.

Os dez países com as maiores despesas de viagem em 2015

Os dez países com as maiores despesas de viagem em 2015 (en bilhões de USD)

Os países emergentes terão um lugar de destaque nesse novo cenário, sendo então responsáveis por 45% dos 1.500 bilhões de USD de despesas do turismo internacional. Com um viajante em cada seis, China será o primeiro mercado emissor mundial com 255 bilhões, 86% a mais que em 2015, muito à frente dos Estados Unidos. Dois outros BRICS estarão presentes no Top Ten dos mercados: a Rússia, com o maior crescimento dos próximos 10 anos, e o Brasil que chegará, segundo a pesquisa da Visa, a 38 bilhões de USD de gastos de viagens internacionais.

Os dez países com o maior numero de viajantes de mais de 65 anos em 2025

Os dez países com o maior numero de viajantes de mais de 65 anos em 2025

Com a (ainda) crescente esperança de vida, e uma grande vontade de viajar da “melhor idade”, os turistas de mais de 65 anos vão ganhar muito mercado até 2025, devendo chegar a representar 13% das viagens internacionais nessa data. Podendo viajar fora da alta temporada, escolhendo estadas longas, eles serão provenientes principalmente da Europa ou da América do Norte, mas terão preferências de viagens diferenciadas.

A França iniciou em Setembro uma campanha de promoção do turismo de saúde

A França iniciou em setembro uma campanha de promoção do turismo de saúde

Enquanto alguns percorrerão o mundo, continuando a dar preferência para circuitos de ônibus ou cruzeiros marítimos e fluviais, outros vão dar um impulso excepcional ao turismo de saúde. Segundo a organização Patients Beyond Borders, as viagens com essa finalidade já representam vários bilhões de USD, mas devem crescer de 25% nos próximos anos, principalmente para os Estados Unidos. Alguns países como Tailândia, Singapura ou a Espanha estão também bem posicionados e a França mostrou recentemente que quer virar um dos líderes do setor.

O Airbus A380 da Air France

O Airbus A380 da Air France, tecnologia aproximando os destinos

Além do poder aquisitivo das classes emergentes e da vontade de viajar da melhor idade, os avanços tecnológicos  vão também ajudar a atingir os 2 bilhões de turistas em 2025, reduzindo as distâncias com voos mais diretos e baixo consumo energético. Nos últimos 5 anos, mais de 2.500 novas rotas aéreas foram abertas, e a abertura de 340 aeroportos está prevista nos próximos dez anos, facilitando as viagens. A conectividade globalizada e a proliferação dos smartphones não somente ajudam a escolher os destinos e a preparar as viagens, mas ainda favorecem a espontaneidade e permitem personalizar os roteiros, incentivando e tranquilizando o viajante.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da  Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Turismo francês: pesquisa on-line ajuda a definir novos desafios.

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Quando o próprio Presidente da Republica declara, na frente de todos os seus embaixadores, que o turismo virou uma grande prioridade nacional, esse setor pega logo um novo impulse. Foi isso que aconteceu na França. Depois dessa declaração oficial de François Hollande, todos os profissionais ficaram convencidos que, mesmo com uma liderança mundial aprovada por 83 milhões de visitantes, tinha que se preparar para o futuro. Para preservar esse primeiro lugar, precisava melhorar ainda mais a oferta turística,  e atender as novas expectativas dos turistas, vindo tanto dos mercados tradicionais que dos BRICS .

logo-assises-371x269Para traduzir esse voto em ações concretas, foi programada pela Ministra Sylvia Pinel uma convenção national do turismo. Marcada para o próximo mês de Abril, essas ‘Assises nationales du tourisme’ reunirão todos os atores públicos e privados para finalizar e anunciar um projeto claro e ambicioso. Dentro dos objetivos destacam se a emergência de novos destinos, uma nova estratégia para eventos e encontros de negocios, e a melhoria do atendimento.

Na preparação desse evento, são previstos encontros e consultas com empresários, sindicatos, profissionais do ramo, jornalistas ou políticos. Brasileiros bandeira em ParisMas a novidade interessante é a vontade da ministra de consultar também os próprios turistas. Quem já viajou para França e gostou, quem viajou e não gostou, quem gostaria de viajar ou quem não quer, quem é agente de viagem ou quem é turista, francês ou estrangeiro, todos são convidados a dar suas impressões, sugestões ou palpites.

 

Para responder e participar,  só precisa  clicar no  http://br.rendezvousenfrance.com/inquerito/enquete-sobre-o-turismo  e tomar alguns minutas do seu tempo. Assim os participantes poderão dar informações importantes para os franceses conhecer melhor e atender  com mais atenção ainda os turistas brasileiros. GarçonDa resposta de cada um dependem talvez ideias ou  melhorias para a França continuar a se aprimorar, investindo o que for necessário para dar a seus visitantes o serviço atencioso, atual e acessível que  merecem no pais líder do turismo mundial. Merci!

Jean-Philippe Pérol

 

Classes emergentes brasileiras: para França, o futuro? para as operadoras, a esperança?

cvc-parisCerta de que o futuro do seu turismo receptivo está se preparando nos BRICS, Atout France está estudando de perto as evoluções das viagens provenientes desses países, que quase dobraram nos últimos cinco anos. Depois da China e da Rússia, foi lançada no mês passado uma pesquisa de mercado sobre o Brasil. Realizada em cooperação com nossos colegas do turismo suíço, ela tem como foco as viagens das novas classes emergentes brasileiras.

Envolvendo profissionais, aproveitando painéis de consumidores, baseada em seiscentas entrevistas de viajantes das classes B e C de seis cidades emissores (SÃO, RIO, BHZ, REC, CWB e ROA), essa pesquisa tem dois grandes objetivos:

avaliar o potencial de viagens para França e a Suíça dessas classes emergentes. Lembramos que o objetivo do turismo francês, 1,5 milhão de turistas brasileiros, só poderá ser atingindo se esses novos clientes continuarem a colocar Paris em primeiro lugar das preferências na Europa. Queremos também saber se eles vão poder ajudar a transformar Marselha, Bordeaux, Nice ou Lyon em grandes destinos turísticos internacionais.

antecipar o comportamento e os hábitos de consumo desses novos clientes para poder oferecer os serviços que eles estarão esperando. Isso ajudará não somente a melhorar a oferta em todos os destinos potenciais, mas também a preparar as promoções e os canais de distribuições certos.

Um ponto chave vai ser o de avaliar a evolução de consumo de pacotes. Marinheiros de primeira viagem, esses consumidores multiplicaram o mercado desses produtos que as clientelas tradicionais mais ricas e mais experientes tinham tendência a desprezar. Foi assim que surgiram oportunidades de crescimento que foram aproveitadas por grandes operadoras. Mas agora que estão se acostumando as viagens internacionais, agora que falam mais inglês ou francês, agora que sabem comparar todas as ofertas, como vão evoluir e onde vão comprar esses clientes?

São as respostas a essas muitas perguntas que vamos tentar encontrar nos resultados dessa pesquisa que serão apresentados no Brasil em fevereiro.

Uma coisa já é certa, o futuro da França como primeiro destino turístico mundial depende da sua capacidade a se adaptar as exigências desses novos consumidores vindo da China, da Rússia, da Índia e do Brasil. E as operadoras tem a mesma problemática.

Jean-Philippe Pérol