Jogos Olímpicos Paris 2024, e se for também longe de Paris?

 

Para os turistas, Paris em julho terá um acesso difícil

Esperando 15 milhões de fãs para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos,  Paris vai ser a partir do dia 26 de julho o centro do universo esportista. Para muitos viajantes, será também um sonho inacessível, uma cidade onde transportes, hotéis, restaurantes e atrações serão além de lotados, e os preços altos serão desanimadores. De fato, segundo Frederic Hocquard, prefeito adjunto de Paris, os hotéis aumentaram em um ano de 314%, a AirBnb quase dobrou suas tarifas médias, e até o emblemático tíquete de metrô vai subir de 2,15 à 4 Euros durante a temporada dos Jogos. Para quem quer mesmo viajar para França e participar deste grande evento, existem porém várias alternativas.

Lille investiu na promoção dos seus momentos olímpicos junto a seus moradores

Se os Jogos 2024 são parisienses, várias disciplinas olímpicas precisaram ser deslocadas para outros lugares. Foram assim escolhidas nove cidades francesas onde será possível de assistir as provas de basquete, de handebol, de futebol, de vela, de tiro ou de surfe. No norte da França, Lille mobilizou autoridades e moradores  para receber 52 jogos de basquete e de handebol. Do 27 de julho até o 11 de Agosto, eventos, jogos e provas deveriam atender 100.000 visitantes por dia, que poderão também aproveitar a animação da cidade velha e da “Grand Place”,  a riqueza cultural do Museu de Arte Moderna ou a alegre simplicidade da sua gastronomia harmonizada com cerveja.

Em Bordeaux, a chama olímpica será do futebol

Reunindo agora 28 equipes (16 masculinas e 12 femininas), o futebol é o esporte que se espalhou no maior número de cidades francesas. Além de Paris, 6 outras cidades foram selecionadas em função da qualidade das infraestruturas, da sua história futebolística e da sua capacidade de atendimento. Bordeaux, Nantes, Saint Etienne, Lyon, Nice e Marselha. Se a seleção masculina do Brasil está fora da competição pela primeira vez desde 2004, as mulheres estão qualificadas e vão fazer seus dois primeiros jogos em Bordeaux. Para os torcedores, será uma boa oportunidade para visitar a capital mundial do vinho, seu centro histórico animado e comercial, sua “Cité du Vin” e seu teatro. Nos arredores, pode almoçar na praça frente a igreja troglodita de Saint Emilion, seguir os passos do Rei da Inglaterra nos vinhedos de Smith Haut Laffite ou caminhar no balneário de Arcachon.

Nice, a cidade de Garibaldi, será a sede de 6 jogos de futebol

As brasileiras poderão depois jogar em Lyon, Nantes e até em Paris, dependendo da classificação. Em Lyon, do 24 de julho ao 8 de agosto, 11 jogos são previstos, com destaque para as seleções francesa e argentina. Estão também no calendário duas semifinais bem como a briga pela medalha de bronze feminina, uma programação intensa que deve porém deixar aos visitantes o tempo de saborear os encantos da capital francesa da gastronomia. A menos de uma hora de trem ou de carro, Saint Etienne sediará 6 jogos, honrando seu passado futebolístico bem como seu presente de cidade do design. Do 24 de julho até 8 de agosto,  Nantes vai aproveitar os Jogos para mostrar a riqueza do seu património bretão – na cultura, na arquitetura, e na gastronomia-, bem com um rico movimento cultural acumulado em torno das heranças de Jules Verne e de Leonardo da Vinci. E para quem preferir a Riviera, Nice,  está recebendo 6 jogos do dia 24 de julho até o dia 31, uma semana para aproveitar a “Promenade des anglais”, as arenas de Cimiez ou o velho porto perto do qual ficava a casa onde nasceu o Garibaldi.

Em Marselha, Nossa Senhora da Guarda vigiará as provas náuticas

Além do futebol, Marselha acolherá outros esportes onde os brasileiros poderão se destacar. Famosa pelo seu porto, a mais antiga cidade da França, fundada por marinheiros gregos em 600 a.C., vai receber do 28 de julho até o 8 de agosto todos os esportes de sailing, incluindo o windsurfe, o kitesurfe e muitos outros.  Com os barcos saindo da marina de Roucas Blanc, as competições poderão ser vistas da beira mar, seja das áreas reservadas para os 12.000 compradores de entradas, seja gratuitamente das praias do Prado e da Corniche. Para os visitantes, a estadia em Marselha será uma boa ocasião para caminhar no antigo porto, visitar o Museu das Civilizações do Mediterrâneo, passear na trilhas das Calanques, e mais importante ainda: subir na basílica para pegar uma benção da Nossa Senhora da Guarda, padroeira da cidade.

Com 40.000 habitantes, Chateauroux é a menor das cidades olímpicas de Paris 2024

Duas outras cidades francesas vão acolher provas olímpicas. Na primeira, Chateauroux,  serão realizadas do 27 de Julho até o 5 de Agosto as competições de tiro ao alvo, três brasileiros devem participar. Os visitantes poderão aproveitar o pequeno mas interessante Museu Bertrand onde é exposta “Sakuntala”, uma das melhores obras da escultora Camille Claudel (essa obra tem uma outra versão em mármore chamada “Vertumnus et Pomona”, exposta no Museu Rodin em Paris).  Chateauroux fica perto de Bourges e da sua famosa catedral, bem como  do Vale de Loire, a menos de uma hora de carro dos castelos de Chenonceaux, de Chambord ou de Cheverny, imprescindíveis etapas num roteiro de verão para o sudoeste francês.

Nas águas de Tahiti, uma mítica prova de surfe

A bela surpresa dos Jogos Paris 2024 é a localização escolhida para as competições de surfe. A 15.700 km da capital francesa, na ilha de Tahiti, do dia 27 de julho até o 4 de agosto, os melhores surfistas do mundo competirão pelas medalhas nas ondas míticas de Teahupo’o. Três áreas com acessos livres são previstas para os fãs, na própria praia de Teahupo’o bem como na praia de Taharu’u  e nos jardins de Paofai. A proximidade da capital, Papeete, oferecerá aos turistas bastante opções de hospedagem, mas dará também a oportunidade de aproveitar sua lagoa, suas montanhas, seu urbanismo e seu povo antes de seguir para as belezas de Bora-Bora, de outras  imprescindíveis ilhas da Polinésia francesa, ou de voltar para Paris para a cerimônia de encerramento dos Jogos no dia 11 de agosto no Stade de France.

Jean Philippe Pérol

 

Boicotar ou não boicotar os turistas russos?

Na França, Courchevel era um dos destinos favoritos dos Russos

No complicado contexto da invasão na Ucrânia,  a Rússia anunciou que o seu turismo emissivo atingiu em 2023 24 milhões de viagens internacionais, um crescimento de 16,4% em relação a 2022, mas um resultado ainda longe dos quase 48 milhões que saíram do país em 2019, antes do Covid-19 e dos boicotes impostos depois do início da guerra. Nessa época, o turismo russo representava 3% do turismo mundial. Os destinos vizinhos – Turquia, Finlândia, Cazaquistão, Ucrânia e Estônia- lideravam as preferencias dos russos, mas países ocidentais como França, Itália, Espanha e Suiça brigavam para atrair estes clientes prontos a gastar fortunas nos palácios das capitais ou nos resorts luxuosos de Courchevel, Ibiza, Saint Tropez, Marbella, Gstaadt ou Veneza.

A Riviera turca atraindo cada vez mais os turistas russos

Tudo mudou no dia 24 de fevereiro de 2022. A guerra levou quase todos os países da Europa e da América do Norte a um boicote quase total dos intercâmbios de transporte e de turismo com a Federação Russa. Essa decisão não somente atrasou a recuperação das viagens internacionais mas ainda modificou bastante os destinos desses polêmicos turistas, com um novo ranking mostrando claramente os ganhadores. São a Turquia, com 6,3 milhões de visitantes e um crescimento de +20,7% em relação a 2022, os Emirados Árabes com 1,7 milhão e +42,5%, a Tailândia com 1,48 milhão e +240,6%, o Egito com 1,28 milhão e +35,4%, a China com quase um milhão e + 420%, as Maldivas com 209.1oo e +3.6%, o Sri Lanka com 197.000 e +116,4%, Cuba com 185.000 e +240%, e a Indonésia com 160.000 e +115%. Com 106.000 chegadas, o Brasil recebe hoje 5 vezes mais russos que antes da crise.

Dubai tentando atrair turismo e negócios russos

Aproveitando este sucesso, vários destes destinos já anunciaram que querem se abrir ainda mais ao turismo russo. O Ministro do Turismo do Egito projeta 3 milhões de viajantes russos em 2028, a autoridade de turismo da Tailândia já anunciou uma meta de mais de 2 milhões de entradas logo em 2024, o governo de Cuba assinou um acordou para receber em média 500.000 turistas russos por ano, e a Turquia prevê um crescimento de 10 a 30% em 2024. Dubai oferece vantagens para as viagens de negócios combinando com luxo e segurança, a Tunísia liberou os vistos, e vários países como a Índia, Birmania, Omã, Sri Lanka, Irã e Marrocos estão conversando com o governo russo.

O turismo em Chipre sofreu com o fim dos passaportes dourados

Com motivos políticos ou éticos, o boicote teve consequências importantes para o turismo dos destinos que tinham mais investido no mercado russo. Assim nos Estados Unidos que passaram de 300.000 turistas russos em 2017 a menos de 50.000 em 2022, e em quase todos os países da União Europeia que perderam quase 85% desses fluxos, com um impacto forte nas receitas considerando a forte proporção do segmento luxo e o alto gasto médio por dia. Na Europa, Chipre foi um dos destinos mais impactados, com seu turismo dependendo mais de 30% dos russos, e o setor imobiliário tendo beneficiado dos “passaportes dourados” vendidos por Euros 2,5 milhões a ricos investidores.

Influenciadora russa teve que pedir perdão à arvore sagrada de Bali

Não se pode analisar o impacto destas brutais mudanças dos fluxo turísticos da Rússia sem considerar também o impacto que tiveram para as populações dos destinos e para as outras comunidades. Na hora do overturismo e da crescente preocupação pelo equilibro local, os novos turistas russos tiveram as vezes dificuldades para entender as exigências culturais ou religiosas dos moradores. Em Bali, na Índia ou no Sri Lanka, turistas e locais se desentenderam e as autoridades tiveram que interferir para colocar panos quentes. No Sri Lanka e no Egito, incidentes entre turistas russos e ucranianos tiveram que ser resolvidos. Nos países da Europa, mais implicados no boicote, a situação politica levou a incidentes discriminatórios contra os russos que deixarão marcas no futuro.

A Igreja Russa, um dos pontos esperando a volta dos turistas russos em Nice

O balanço do boicote é hoje difícil de fazer pelas suas múltiplas motivações. Mas, para o setor, ele representa em primeiro lugar um prejuízo importante para o turismo mundial – aproximadamente 20 milhões de viajantes e quase US$ 20 bilhões de receitas a menos, boa parte para os grandes destinos da União Europeia. Mesmo repudiando a guerra e a falta de respeito do direito internacional, os profissionais e os viajantes só podem lamentar que problemas políticos entre governos prejudiquem as atividades de milhares de profissionais que trabalham num setor que se caracteriza justamente por ser uma indústria de paz, de intercâmbio multicultural e de liberdade individual.

Jean Philippe Pérol

De Florença a Nice, o excepcional roteiro do Tour de France 2024

Depois de Copenhagen 2022 e Bilbao 2023, o Tour escolheu Florença para 2024

Enquadrado nas exigências de segurança dos Jogos Olímpicos de Paris, e querendo comemorar o centenário da primeira vitória italiana no “Tour de France”, a mais famosa corrida ciclista do mundo escolheu para 2024 um itinerário fora do comum começando na cidade italiana de Florença, com uma saída adiantada para o dia 29 de Junho. A homenagem ao vencedor de 1924, Ottavio Bottechia, seguirá na Itália com as três primeiras etapas da corrida, passando por Rimini, Cesenatico, Bolonha, e Torino. Serão associados outros grandes corredores italianos como  Gino Bartali, Gastone Nencini (vencedor do Tour 1960), Marco Pantani e o lendário Fausto Coppi.

O peculiar itinerário do Tour 2024

Nos pés da Croix de Lorraine, um esperado momento de grande emoção

Nos 80 anos da liberação da França, os organizadores não poderiam deixar de homenagear estes eventos históricos. Programaram assim uma chegada em Colombey les deux Églises, o pequeno vilarejo onde o General de Gaulle, chefe da Resistência durante a guerra e depois presidente da República, tinha a sua residência, e onde foi erguida uma imensa “Croix de Lorraine”. Colocada pela primeira vez no itinerário do Tour, Colombey será um momento de grande emoção para os participantes, os torcedores presentes e para os milhões de telespectadores.

Auzances, pela primeira vez no percurso do Tour

A partir de Orleans, o Tour 2024 mesclou grandes etapas espetaculares – especialmente desfiladeiros místicos dos Pireneus ou dos Alpes, o Tourmalet ou o Braus -, cidades marcadas por homenagens – como Saint Lary onde será inaugurada uma estátua do grande corredor francês Poulidor que se destacou lá a 50 anos-, e novidades inesperadas. Assim a Combraille terá pela primeira vez da sua (longa) história a oportunidade de hospedar a 11a etapa, saindo de Evaux les Bains, passando por pequenas estradas da Auvergne e acabando na pequena estação de esqui de Lioran. Talvez como piscar de olhos para a América latina, a 18a etapa acabará em Barcelonette, vilarejo de onde muitos emigrantes saíram para fazer  grandes fortunas no México.

A Praça Massena em Nice será o cenário da chegada

Foi porém na escolha das últimas etapas do Tour 2024 que os organizadores fizeram a maior inovação. Sem a opção de Paris que hospedava a chegada desde a primeira edição em 1903, escolheram Nice e sua região. Com o forte suporte das autoridades locais, os organizadores anunciaram dois dias percorrendo os desfiladeiros do interior, com os destaques da subida para a estação de esqui de Isola 2000 na 19a etapa e do desafio de Couillole no dia seguinte. Para o “grand final”, não podia ter uma melhor escolha que a Praça Massena. Levando o nome de André Massena, Marechal favorito de Napoleão – que o chamava de “filho querido da Vitória” -, a mais imponente praça de Nice será o cenário da  chegada da última batalha entre os corredores, 34 km de um espetacular contra-relógio de 34 km de Monaco a Nice.

As 21 etapas do “Tour de France” 2024

  • 1era etapa, sábado 29 de junho : Florence-Rimini (206 km)
  • 2a etapa, dimanche 30 juin : Cesenatico-Bologne (200 km)
  • 3a etapa, lundi 1er juillet : Plaisance-Turin (229 km)
  • 4a etapa, mardi 2 juillet : Pinerolo-Valloire (138 km)
  • 5a etapa, mercredi 3 juillet : Saint-Jean-de-Maurienne-Saint-Vulbas (177 km)
  • 6a etapa, jeudi 4 juillet : Mâcon-Dijon (163 km)
  • 7a etapa, vendredi 5 juillet : Nuits-Saint-Georges-Gevrey-Chambertin contre-la-montre individuel (25 km)
  • 8a etapa, samedi 6 juillet : Semur-en-Auxois-Colombey-les-Deux-Eglises (176 km)
  • 9a etapa, dimanche 7 juillet : Troyes-Troyes (199 km)
  • Descanço em Orléans, le lundi 8 juillet
  • 10a etapa, mardi 9 juillet : Orléans-Saint-Amand-Montrond (187 km)
  • 11a etapa, mercredi 10 juillet : Evaux-les-Bains-Le Lioran (211 km)
  • 12a étape, jeudi 11 juillet : Aurillac-Villeneuve-sur-Lot (204 km)
  • 13a etapa, vendredi 12 juillet : Agen-Pau (171 km)
  • 14a etapa, samedi 13 juillet : Pau-Saint-Lary-Soulan (152 km)
  • 15a etapa, dimanche 14 juillet : Loudenvielle-Plateau de Beille (198 km)
  • Descanço em  Gruissan, le lundi 15 juillet
  • 16a etapa, mardi 16 juillet : Gruissan-Nîmes (187 km)
  • 17a etapa, mercredi 17 juillet : Saint-Paul-Trois-Châteaux-Superdévoluy (178 km)
  • 18a etapa, jeudi 18 juillet : Gap-Barcelonnette (179 km)
  • 19a etapa, vendredi 19 juillet : Embrun-Isola 2000 (145 km)
  • 20a etapa, samedi 20 juillet : Nice-Col de Couillole (133 km)
  • 21a etapa, dimanche 21 juillet : Monaco-Nice, contre-la-montre individuel (34 km)

Nice lamentando a ausência dos turistas russos

A igreja Saint Nicolas, testemunha de uma longa amizade franco-russa

Em Nice, o pioneirismo no turismo virando patrimônio da UNESCO

A orla marítima da cidade é o coração do projeto

Na lista dos 34 sítios promovidos pela UNESCO no último dia 27 de Julho, constam não somente o jardim Roberto Burle Marx do Rio de Janeiro, legado do paisagista brasileiro que criou o conceito de jardim tropical moderno, mas  também três maravilhas culturais da França. Viraram assim patrimônio da humanidade o farol de Cordouan ,- construído perto de Bordeaux, na foz do rio Gironde, no final do século XVIII-, a cidade termal de Vichy,- com seus 2000 anos de termalismo e seu urbanismo misturando Segundo Império e Art Nouveau-, e parte da área urbana de Nice, premiada pela sua arquitetura de estância de inverno que nasceu aproveitando o clima e as paisagens excepcionais da Riviera.

A igreja Saint Nicolas num cartão postal de 1932

Trabalhando há 13 anos sobre essa nomeação, o prefeito de Nice, Christian Estrosi, comemorou um evento excepcional, único na historia de “Nissa la bella” pela sua repercussão internacional. Extremamente detalhada, a decisão da UNESCO não se refere a toda cidade, mas exclusivamente as áreas urbanizadas desde o final do século XVIII, bairros onde os primeiros turistas deixaram um rico patrimônio. Eram aristocratas ingleses ou russos, milionários  austríacos ou americanos, que seguiam os passos da Imperatriz Josephine, dos tsars da Russia e da Rainha Vitória, construindo palácios, casas, hotéis ou igrejas, com uma arquitetura cosmopolita original.

O Castelo do inglês (ou Castelo cor de rosa), folia arquitetural de 1856

Icomos, o conselho internacional dos monumentos e sítios que analisou o dossiê, deu a maior importância a definição do perímetro escolhido – que devia ser estritamente ligado ao desenvolvimento turístico da cidade-, e aos esforços bem sucedidos pela sua preservação – garantido pelos compromissos da prefeitura nesse sentido. Foi necessário fortes apoios dos países participando do voto – especialmente da Russia, muito ligado a essa página da história de Nice– para chegar ao compromisso final, a escolha de uma área de 522 hectares de património mundial cercada de 4.243 hectares de áreas protegendo a coerência arquitetural e urbanística do conjunto.

A beleza natural do parc da Colline du Château

Para inscrever Nice na lista do Patrimônio mundial, a UNESCO destacou seu pioneirismo e seus atrativos específicos. A cidade aproveita uma paisagem excepcional e um clima ensolarado. O urbanismo  aproveita harmoniosamente a localização entre mar e montanhas, com avenidas e passeios concebido desde 1831 para atrair os visitantes. Nice foi pioneira em “vegetalizar” suas ruas, plantando arvores e palmeiras, bem como um imenso jardim botânico. O patrimônio arquitetural impressiona, tanto pelas origens italianas, russas, ou inglesas, que pela diversidade de estilos, neo-classicismo, Art Nouveau, Art Déco ou modernismo, que esbanjam um peculiar arte de viver, um exotismo e um bem estar que sempre fascinou turistas e artistas do mundo inteiro.

A praça Massena, o “filho querido da vitória”

A área inscrita pela UNESCO inclui desde uma parte da cidade medieval, com o Cours Sleya, os Ponchettes, a Opera, e toda a orla até a icônica Promenade des Anglais, e o Cours Albert 1ero. Não podia deixar de fora a famosa Place Massena – nome do general mais querido do Napoleão, o “filho querido da Vitória”. E pela outrora Avenida da Vitória, hoje chamada de Jean Medecin, chega-se a Basílica Nossa Senhora da Assunção e, depois de entrar na Avenida Thiers, a estacão de trem e a Basílica russa de Saint Nicolas. A UNESCO aceitou também de incluir alguns pontos mais periféricos como o bairro de Cimiez, suas arenas romanas e seu (ex) hotel Excelsior Regina que hospedou três vezes a Rainha Vitória.

Na praça Garibaldi, a estátua do herói dos dois mundo

Gauchos e catarinenses  lamentarão (juntos com uruguaios, italianos, franceses e amantes da Liberdade do mundo inteiro) que a praça Garibaldi não foi inclusa nessa área. Mesmo com muita insistência da delegação francesa, os especialistas alegaram que, mesmo batizada do nome do herói dos dois mundos, a praça foi inaugurada em 1773, seja antes da era do turismo de estância de inverno que a UNESCO premiou. O prefeito prometeu porem que vai tentar uma redefinição do perímetro premiado até o próximo mês de dezembro. Candidata a capital europeia da cultura em 2028, Nice terá ainda muitas ocasiões de prestigiar o mais famoso dos seus filhos.

Jean-Philippe Pérol

Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

#CotedAzurNow ou #ParisJeTaime, é só escolher!

http://www.cotedazur-now.com

Enquanto Paris e Nice estão tentando superar os dramas dos últimos atentados, o turismo para esses dois tão procurados destinos da França continuou a mover visitantes vindo dos quatro cantos do mundo, mas ainda não se recuperou completamente. Em Paris, apesar do sucesso do Euro 2016,  a frequentação caiu 6,4% no primeiro semestre. Em Nice, depois da terrível noite do 14 de Julho, a queda é de 20,5%, uma queda que atingiu também os outros destinos da Côte d’Azur. Em ambas cidades profissionais e autoridades se juntaram para lançar ações de promoções mostrando aos visitantes que são prontas a receber-los.

Terceira cidade turística da França com mais de 4 milhões de visitantes que contribuam com 1,5 bilhão de Euros para a economia da região, Nice  quer em primeiro lugar dar uma reviravolta na fuga da clientela internacional, lembrando seu charme a seus ricos habitués e até atraindo novos turistas.dpt06-actu-cotedazurnow-nice Aproveitando um financiamento de um milhão de Euros, uma campanha de comunicação foi lançada nas meadas de Setembro com o objetivo de divulgar uma imagem positiva da região, mostrando os moradores da Côte d’Azur orgulhosos de ser um grande e acolhedor destino turístico. Dando prioridade as mídias sociais, mas apoiado por anúncios nos grandes canais de televisão, ela seguirá o hashtag #CotedAzurNow, terá um vídeo viral e cartazes relembro esse video. Com o apoio da Atout France, Nice levará sua campanha de comunicação na Itália, na Alemanha, na Inglaterra, na Escandinávia, nos Estados Unidos, na Rússia, na China e no Brasil.

A criativa elegancia do clipe "Paris je t'aime"

A criativa elegancia do clipe “Paris je t’aime”

Para se reconciliar com os seus visitantes internacionais, Paris escolheu o romantismo e o sonho.  “Paris, je t’aime” é o nome do clipe de promoção que a prefeita da cidade luz, Anne Hidalgo, mostrou pela primeira vez no dia 22 de Setembro para imprensa internacional. logo-paris-je-taime-630x405-drObra do cineasta franco-argelino Jalil Jesper, que já visitou o Brasil em 2014 para promover o seu filme “Yves Saint- Laurent”, mostra Parisienses e turistas vivendo a cidade em alguns lugares emblemáticos. Em dois minutos e meia, com a musica “Just need your love” du grupo francês Hyphen Hyphen, o clipe mostra Paris com seus monumentos, suas lojas, seus restaurantes, mas também com o jeito de viver – ou de beijar- dos parisienses nos terraços  dos seus Cafés como nas beiras da Rio Sena ou do Canal Saint Martin. A divulgação já começou  essa semana nos aviões da Air France, nos Aeroportos de Paris, nas Galeries Lafayette de Paris, Berlin et Pequim, nos hotéis da Accor, bem como nas telas urbanas de JC Decaux de Milão, Xangai, Tóquio e Nova Iorque.

Então, para sua próxima viagem para França, vai ser só escolher entre a #CotedAzurNow  e #ParisJeTaime!

Jean-Philippe Pérol

Nice mostrando os momentos para compartir em família

Nice mostrando momentos para compartir em família

Parabéns, Rio de Janeiro!

Os fogos da Ceremônia de abertura

Os fogos da cerimônia de abertura

Desagradando os (numerosos) pessimistas, os Jogos Olímpicos 2016 começaram impressionando o mundo. Se certos problemas organizacionais – apartamentos inacabados ou poluição das aguas- e falhas de comunicação – os cangurus dos australianos- ainda foram destaques de algumas mídias, a imprensa internacional é unânime a destacar um sucesso de organização e  de criatividade. E se o balanço geral do imenso investimento que o Brasil escolheu de fazer ainda demorará para ser feito, dois pontos positivos já parecem ganhos.

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O primeiro é a impressionante renovação do Rio de Janeiro, simbolizada pela ousadia e a beleza do Museu do Amanhã. Alem da fascinante obra do Calatrava, os visitantes estão redescobrindo a beleza da Praça XV e de todo o centro da cidade, anotando que Copacabana levanta a saudade do seu passado glorioso, vendo que a Tijuca é a maior floresta urbana do mundo. Turistas e moradores aproveitam as novas infraestruturas e as vias de transportes alternativas. Com o acesso facilitado pelo BRT, novos hotéis e com uma verdadeira explosão imobiliária, a Barra da Tijuca é de repente vista como a oportunidade para o Rio se transformar num Miami da América do Sul. E os investimentos feitos em treinamento de pessoal ou ensino de idiomas estrangeiros contribuirão também a melhorar os serviços oferecidos  na cidade maravilhosa.

Artistas de Parintins dando um show na ceremonia de abertura

Artistas de Parintins dando um show na cerimonia de abertura

A festa de abertura é o segundo grande sucesso do Brasil nesses primeiros momentos dos Jogos. A criatividade , a profundidade, a alegria e a perfeita realização não deveria ter surpreendido ninguém num pais capaz de organizar o Carnaval do Rio ou o Festival de Parintins. A equipe criativa formada pelos cineastas Fernando Meirelles e Andrucha Waddington, a diretora e cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Deborah Colker  conseguiu imaginar e montar um evento com conteúdo e emoção. Com um orçamento muito controlado, foram não somente mandadas duas mensagens para o mundo – a importância da ecologia e da preservação do meio ambiente solenizada na COP 21, a força e o exemplo da tão peculiar miscigenação brasileira – mas onde a alegria da musica, da dança e dos visuais também  não faltaram em nenhum instante. A força dessas imagens será agora sem duvidas um dos grandes acervos do Rio de Janeiro, “lembrado por muitas gerações”, segundo o enviado especial do diário americano USA Today.

O espaço turismo do Club France

O espaço turismo do Club France no Rio 2016

No Club France, um espaço de lazer, de convivialidade e de imersão na cultura francesa, aberto ao publico pelo Comité Olímpico Francês, e inaugurado pelo Presidente da Republica que queria marcar seu apoio a candidatura de Paris para os Jogos de 2024, o turismo francês também quis marcar presencia. Um amplo estande de informação apresenta aos visitantes as novidades dos parceiros presentes – os hotéis Accor  bem como Nice, a Provence, os Alpes, a Borgonha ou Toulouse. Uma exposição de foto da fotógrafa Maia Flor mostra também vários monumentos através de um olhar artístico carregado de emoção. A excelente reatividade dos cariocas deixa a pensar que a França, e seus grandes destinos turísticos vão também tirar um excelente proveito do sucesso desses Jogos Olímpicos – talvez até 2024 !

Jean-Philippe Pérol

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

Quem ganhou o UEFA Euro 2016 (alem do Portugal, claro)?

Duas Tour Eiffel com as cores dos dois finalistas do Euro 2016

Duas “Tour Eiffel” com as cores dos dois finalistas do Euro 2016

Se o Portugal foi o grande e merecido vencedor do Euro 2016, os troféus dos maiores retornos econômicos serão muito mais difíceis de definir. Com um investimento publico de quase 2,0 bilhão de Euros, principalmente gastos na renovação dos dez estádios, governo federal, regiões e municípios terão que mostrar aos moradores que as melhorias nas infra-estruturas urbanas, as despesas locais dos organizadores e dos torcedores, e os ganhos em termo de imagem para cada uma das cidades-sede justificaram o dinheiro investido.  O balanço final demorará alguns meses, e relançará a polêmica sobre o custo dos grandes eventos internacionais, mas os primeiros dados já apontam para alguns vencedores.

Toulouse nas cores do Euro 2016

Toulouse na hora do Euro 2016

Os hotéis e os restaurantes foram claramente os mais beneficiados, e o Euro 2016 ajudou a recuperar um setor que esta sofrendo esse ano das consequências da conjuntura internacional, dos atentados, das greves e do mau tempo. Os profissionais são porem muito divididos. LensDe um lado fiquem os parisienses para os quais o Euro 2016 ajudou somente em termos, já que os torcedores afugentaram boa parte dos clientes tradicionais e que a concorrência da Airbnb foi muito prejudicial, deixando as preços por quarto ainda 12% abaixo do nível do ano passado. Nas outras cidades, o impacto foi muito positivo, seja em Toulouse ou Marselha pelas boas receitas, seja em Lens, Lille, Nice ou Bordeaux pelo excepcional crescimento (mais de 20%) dos fluxos turísticos.

A Fan Zone de Lyon, na Praça Bellecour

A Fan Zone de Lyon, na Praça Bellecour

Alem da hotelaria, outros setores do turismo aproveitaram o Euro 2016. Para os bares e restaurantes, Pizza Hut anunciou ter vendido 600.000 pizzas -20% a mais que o ano passado, e seu concorrente Domino’s Pizza chegou a 130.000 encomendas – um novo recorde- na noite da final França Portugal. As cervejarias ainda não publicaram números mas já anunciaram que os torcedores alemães, britânicos ou irlandeses , Os animados torcedores irlandesescom um consumo três ou quatro vezes superiores aos franceses, permitiram um forte crescimento das vendas. Para as transportadores, o Euro foi também uma grande oportunidade e a SNCF (a empresa estatal de trens representada no Brasil pela Rail Europe) registrou uma media de 14.000 passageiros por jogo. O numero de viagens para Marselha cresceu 56%, para Nice 58%, e a cidade de Lens sendo a recordista com um fluxo de passageiros multiplicado por sete em relação a 2015. Os taxis também aproveitaram, bem como seus concorrentes da Uber  que registraram crescimentos de 10 a 20%.

O Euro 2016 invadindo o varejo

O Euro 2016 invadindo o varejo

Outros setores da economia francesa aproveitaram o Euro 2016, as vendas de televisores das lojas Darty aumentaram de 50% e as vendas de material esportivo da Intersport de 6,4%, com um destaque para 50.000 camisetas oficiais do time francês. Os 5000 produtos labelizados pela UEFA somaram 500 milhões de Euros de vendas em roupas, brinquedos, presentes ou produtos alimentares. 2009792_les-produits-derives-de-leuro-sarrachent-aupres-des-fans-web-tete-0211065156726Mesmo assim, os economistas não esperam de imediato um impacto significativo sobre a economia francesa, e os  2,8 bilhões de Euros que foram anunciados deverão ser amplamente corrigidos tanto pelos efeitos sazonais que pelos efeitos negativos sobre os visitantes que não vieram, fugindo de multidões. Como sempre nos grandes eventos, o retorno poderá porem ser muito importante a médio e longo prazo. Sabendo aproveitar o impulso nas infraestruturas, a mobilização dos moradores e o rejuvenescimento da imagem da França bem como das dez cidades envolvidas nos jogos, o turismo pode ser o grande vencedor do UEFA Euro 2016.

Jean-Philippe Pérol

Festa de abertura do UEFA Euro 2016

Festa de abertura do UEFA Euro 2016

Esse artigo foi publicado na revista on-line de Mercados e Eventos no dia 18 de Julho 2016

A França chora, mas será mais forte que os fanáticos que querem atingir-la

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Bandeira da França a meia haste na Embaixada em Brasília

O Embaixador da França Sr. Laurent Bili agradeceu de coração as inúmeras mensagens de condolências e de solidariedade recebidas pela Embaixada, por meio do governo brasileiro ou dos cidadãos brasileiros chocados como nós com esse ato bárbaro cometido em Nice. Essas mensagens mostram a profunda amizade que une os povos francês e brasileiro, amizade fundada nos valores partilhados de liberdade, igualdade e fraternidade e de recusa ao ódio e à intolerância. O Embaixador também desejou uma pronta recuperação ao cidadão brasileiro ferido em Nice ontem à noite. As famílias  sem notícias de seus familiares que estiverem em Nice podem contatar, do Brasil, o centro de ajuda às vítimas do Ministério francês das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Internacional pelo número +33 1 43 17 56 46.

O Presidente François Hollande lembrou num discurso solene que a França foi atingida no dia da sua festa nacional, o 14 de Julho, símbolo da liberdade, porque os Direitos Humanos são negados pelos fanáticos, o que faz dela necessariamente um alvo. Nessas circunstâncias, a segurança de todos, moradores e visitantes, necessita apresentar uma vigilância absoluta e uma determinação inabalável.
Inúmeras medidas foram tomadas, mas devemos, aumentar ainda mais nosso nível de proteção, especialmente durante o verão. Assim nós iremos primeiramente manter em alto nível a Operação Sentinela, que permite a mobilização de 10 mil militares, além dos policiais que serão reforçados pela “reserva operacional” que será deslocada para onde for necessário, especialmente no controle das fronteiras. Por fim, o estado de emergência, que deveria terminar em 26 de julho, será prorrogado por mais três meses. O Presidente lembrou que nada enfraquecerá a vontade de lutar contra o terrorismo e que a França continuará a enfrentar os criminosos nos seus esconderijos. Um Conselho de Defesa será realizado amanhã. Ele examinará todas as medidas já tomadas ou que acabaram de ser anunciadas. Ele possibilitará, assim, o deslocamento das forças de segurança  necessárias nos locais precisando  de mais proteção ou vigilância.

A França se entristece com essa nova tragédia. Ela está chorando, ela sofre, mas é forte e será sempre mais forte que os fanáticos que hoje querem atingi-la.

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