O teletrabalho, uma oportunidade para o turismo?

Pela janela do seu novo teletrabalho….

A Wine Paths destacando o Top Five das tendências do enoturismo para 2020

A Puglia, nova tendencia do enoturismo italiano

Começando uma nova década, o enoturismo se consolida como uma das grandes temáticas de viagem dos próximos anos, e alguns destinos já estão sendo destacados pelos especialistas. A Wine Paths, o site de referencia das viagens com temática de vinhos ou de bebidas espirituosas, que promove 52 regiões produtoras, famosas ou escondidas, anticipa que cinco delas deveriam surpreender em 2020. A liderança, ficou sem surpresa na Itália, ainda muito focada nos conceituados vinhos da Toscana , mas que deve agora atrair com outras regiões produtoras ainda esquecidas dos enoturistas. Valorizando as paisagens tranquilas e as maravilhas de vinicolas até então discretas do extremo sul da Itália, a Puglia, com vinhos fortes, elaborados a partir de uvas Sangiovese e Montepulciano, e harmonizados com um surpreendente culinário local, deve assim encabeçar o Top Five.

Piquenique harmonizado na beira do Rio Uruguai

O Uruguai se consolidou nos últimos anos como um grande destino do enoturismo internacional, tanto pelos seus vinhos encorpados que aproveitam a uva “Tannat”, que pela beleza dos seus imponentes  rios  ou a riqueza das suas numerosas especies de pássaros coloridos que derem o nome a este pequeno pais. Sobrevoado de balão ou de avião, percorrido nas suas rotas dos vinhos, o Uruguai é conhecido pelas belezas naturais, a  arquitetura colonial, as praias, a vida urbana, a simpatia dos moradores e seu ambiente agradavelmente antiquado. Com uma estabilidade social e uma democracia consensual, o pais oferece a seus visitantes uma invejável segurança. Um quadro ideal para visitar, em Carmelo ou Maldonado, algumas das mais premiadas e das mais criativas vinícolas do novo mapa mundial do enoturismo.

O oeste irlandês é a terra das tradições célticas e do “whiskey”

Considerada a mais selvagem e paradoxalmente a mais hospitaleira das regiões irlandesa, o Oeste irlandês é também conhecido pelo seu whiskey doce e frutado. A sua fama vem talvez dos seus numerosos pequenos vilarejos interligados por estradas espetaculares  que atravessam vales isolados, morros escuros, campos de flores amarelas e correntezas de aguas claras. A cidade principal, Galway, foi escolhida como capital europea da cultura em 2020 e vai ter uma programação intensa focada nos jovens, com destaque para espetáculos de teatro, música, dança e exposições, para seus famosaos pubs e sua gastronomia tradicional. O ponto alto da viagem é sempre a visita das destilarias de uísque irlandês, sendo a ajuda de um especialista local  sempre recomendada.

As adegas de Jerez na Andaluzia

A região de Cadiz, na Andaluzia, merece mesmo ser um dos destinos mais procurado pelos enoturistas em 2020. A fama do “triângulo Sherry” – e dos seus múltiplos vinhos fortificados Jerez, Xeres ou Sherry – se espalhou no mundo inteiro há séculos. Essa tradição se viva durantes as visitas das vinícolas, muitas delas com espetaculares adegas centenárias lembrando que Jerez de la Frontera tem uma longa história para contar desde a epopéia da Reconquista. Cadiz é não somente um outro ponto perfeito para excursões exclusivas, mas também uma cidade histórica com um grande acervo arquitetura, ruas estreitas que acabam na muralhas medievais, bares e restaurantes animados, feiras livres de peixes e praias encantadoras  banhadas pelo Oceano Atlântico.

Mendoza lidera o enoturismo argentino, mas a hora é também  de Salta

Hoje grande pais de enoturismo pela justa fama dos vinhos da região de Mendoza – que combinam um excepcional “terroir” argentino, o tanino e as cores do Malbec, e o “savoir faire” de investidores internacionais-,  a Argentina está agora mostrando a sua diversidade com novos destinos na Patagónia e nas províncias do Norte. Em 2020, a Wines Adventure, maior receptivo de enoturismo argentino, aponta o sucesso de  Salta onde encontram se alguns dos mais altos vinhedos do mundo ,produzido vinho branco Torrontes bem como tintos encorpados com uvas Cabernet, Malbec e Tannat. Itinerários nas vinícolas do Norte argentino podem também incluir as cataratas de Iguaçu, do lado argentino e do lado brasileiro.
E pensando no Brasil, será que a lista do Top Five 2021 da Wine Paths poderá incluir seu primeiro brasileiro?
Esse artigo foi traduzido da enews da Wine Paths editada no dia 10 de janeiro

O turismo espacial já está chegando!

Hoteis só para mulheres podem virar tendência?

 

A Ásia lidera a tendencia de hotéis exclusivos para mulheres

Quartos de hotéis só para mulheres já foram adotados há anos pelos marqueteiros, mas essa tendência foi reforçada desde 2014 pelo número crescente de mulheres viajando sozinhas. Segundo a Organização Mundial do Turismo, esse número passou de 59 milhões a 138 milhões em três anos, com um destaque para os mercados da Europa onde o crescimento é espetacular e onde as ofertas estão se multiplicando. São por exemplo sites de hospedagem exclusivamente femininos. Na França Christina et Derek Boixiere abriram em abril desse ano www.la-voyageuse.com, com oferta de quartos para alugar ou de apartamentos para dividir, e na Inglaterra existe agora www.maiden-voyage.com , um site especializado em apresentar soluções as numerosas mulheres viajando sozinha para negócios.

O hotel Bella Sky Comwell tem um andar inteiro de quartos para mulheres

Na Dinamarca, o hotel Bella Sky Comwell reservou todo o décimo sétimo andar para mulheres. Os quartos têm secador de cabelos Dyson, lixas de manicure e amostras de produtos de tratamento de pele. Mesmo por ter perdido um processo por discriminação e ter que abrir as reservas para os homens, o hotel continua de oferecer os vinte quartos feminizados. Em Vancouver, no Canadá, o Georgian Court Hotel tem um andar com 18 quartos exclusivos para mulheres. Além de segurança reforçada, os apartamentos oferecem tapete de ioga, cabides de cetim e amenities especificos. Ainda no Canadá, o International Hotel de Calgary reservou um andar para sua clientela feminina, com tapete de ioga no quarto, chapinha de cabelo no banheiro e garrafa de vinho branco no minibar. E para recusar de antemão qualquer acusação de discriminação, o International Hotel reservou um outro andar só para homens.

A Índia continua a ser pioneira em hospedagem para mulheres

Na Índia, as mulheres que viajam valorizam muito a tranquilidade e a segurança. Desde 2005, o grupo ITC oferecem andares exclusivos em todos os seus hotéis. A cadeia de luxo Lemon Tree Hotels  têm áreas reservadas para as mulheres nas 19 unidades da rede, aonde elas encontram não somente uma segurança reforçada mas também grandes espelhos, ou cofre para joias, e ainda podem pedir táxis com motoristas mulheres. Em Nova Deli, o Leela Palace New Délhi abriu o Kamal, um andar seguro exclusivo para mulheres, com acesso particular para o spa e uma hora de tratamento de cortesia. No Kerala, a sociedade de desenvolvimento do turismo (KTDC) abriu em Thiruvananthapuram o “Hostess”, o primeiro hotel não somente exclusivo para mulheres, mas onde o pessoal é exclusivamente feminino.

A segurança é o primeiro requisito das mulheres que procuram hotéis exclusivoe

Outros países da Ásia entraram na onda das acomodações exclusivas de mulheres. Em Cingapura, o hotel Naumi recebe seus hóspedes no bairro central dos negócios,  personalizando os quartos para mulheres com produtos de aromaterapia. No bairro de Wanchai em Hong Kong, o Fleming personaliza os banheiros com  kit de maquiagem e aparelhos para massagear as pernas. O Lotte Hotel Seoul na Coreia do Sul, e o,hotel Hongta em Xangai na China têm andares exclusivos para mulheres. Em outros destinos, hotéis inteiros são reservados para mulheres. É o caso do Bliss Sanctuary  na cidade de Seminyak em Bali na Indonésia. No Japão, perto de uma estação de trem de Tóquio, o hotel Nine Hours Woman Kanda é o primeiro de país a aceitar exclusivamente uma clientela feminina.

O hotel Som Dona, na Ilha de Majorca, na Espanha

A Espanha, que já mostrou o espírito inovador dos seus hoteleiros com os hotéis Axel “heterofriendly”, insistiu na criatividade com o hotel Som Dona Women only. Localizado perto de Porto Cristo na ilha de Majorca, aceita somente mulheres de mais de 14 anos. Com 39 quadros, uma piscina, um spa, uma biblioteca e um terraço em cima do telhado, esse hotel de 39 quartos de quatro estrelas criou um novo espaço para as mulheres que querem desconectar do estresse da rotina cotidiana. O bem estar da clientela feminina é a primeira preocupação do hotel, com foco no bem-estar – massagens, tratamento de beleza, jacuzzi e solarium – e na gastronomia – com pratos equilibrados e produtos vindo da  agricultura sustentável local. Da Espanha, a moda dos hotéis reservados para mulheres pode chegar à América do Sul ?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Turismo culinário combinando tradição, criatividade e autenticidade


Segundo o último relatório da World Food Travel Association, é essencial agir para preservar e desenvolver a autenticidade culinária de um território, realçando uma gastronomia local que seja não somente o fruto da história e da herança cultural, mas também o resultado da criatividade das suas comunidades. Para que o visitante, quando saborear os pratos locais, entenda melhor o destino que escolheu visitar, é necessário investir na educação e o envolvimento dos moradores, no interesse dos jovens pela culinária regional,  e na elaboração de um plano de longo prazo associando todos os atores. Essa combinação abre novas perspectivas para que os atores do turismo aproveitem plenamente a riqueza de um patrimônio culinário autêntico, um caminho que países como o Vietnã ou o Peru seguiram recentemente.

Fonte : Youtube 

Neste outono, os irlandeses estão festejando sua gastronomia com a campanha “Taste the Island”, onde  Fáilte Ireland convida a dividir os tesouros culinários da ilha. Quem quiser participar da campanha deve assinar um compromisso destacando a prioridade para os suprimentos locais, a valorização dos produtos da região, bem como a organização de pelos menos um evento consagrado a cultura gastronômica, as comunidades e os lugares turísticos da proximidade. As entreprises participantes são convidados a uma capacitação e recebem uma “caixa de ferramentas” com conselhos personalizados para propor experiências combinando com suas atividades. Este projeto de três anos tem como objetivo de criar uma rede de embaixadores, promover a história culinária da Irlanda e atrair visitantes fora da alta temporada. 

O Centro Culinário basco em São Sebastião

A educação dos jovens é um dos caminhos mais importantes para construir uma identidade culinária. Num relatório publicado em 2019, a Organização Mundial do Turismo e o Centro culinário basco de São Sebastião recomendaram que a gastronomia esteja incluída nos cursos escolares. No Japão, terra de gastronomia, várias cidade seguem esse caminho. Taki tem uma escola profissional com um restaurante aberto ao público que serve mais de 200 refeições por dia. Nigata se autodefine como um centro de criação de cultura culinária, e trabalha com os jovens logo no primário. Seu “Agri Park” oferece atividades agrícolas e aulas focadas em alimentação e cultura biológica. E como não falar do Brasil, onde dezenas de restaurantes são administrados pelo SENAC, com os serviços dos jovens alunos elogiados até no Trip Advisor?

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Os jovens chefs rebeldes das Flandres

Na Bélgica, uma associação de 53 jovens chefs oferece duas vezes por ano uma iniciação à cozinha flamenga a jovens de 18 a 34 anos . A campanha, gerenciada pela Visit Flanders, tem a ambição de oferecer à oferecer aos jovens consumidores o acesso a pratos de alta gastronomia com preços acessíveis. Esses chefs, embaixadores dos seus destinos, são conhecidos pela assinatura « Flanders Kitchen Rebels ». Essas iniciativas, muitas vezes apoiadas em novas técnicas ou tecnologias, necessitam novas formações. LABe, um  laboratório de inovação aberta na encruzilhada da gastronomia e da transformação digital, foi criado na Espanha. Além de uma incubadora de ideias, o projeto integrou um restaurante com ingredientes fornecidos pelos produtores locais, um local de experimentação e de validação para os chefs e as start-ups.

O selo de qualidade Savor Japan

Segundo a OMT, a pesquisa, o inventario e a análises dos atores do turismo culinário são as fases-chaves para criar construir a cultura gastronômica de um destino. Um exemplo bem sucedido é o Taste the Atlantic – A Seafood Journey, lançado pelo Fáilte Ireland na rota turística  Wild Atlantic Way.  Vinte e oito restaurantes foram apresentados a 21 produtores para oferecer aos visitantes peixes, carnes, frutas ou legumes do dia vindo dos arredores. No Quebec, além dos selos de origem dos vinhos e das cidras “de gelo”, foi criada uma rede chamada Arrivage, para colocar em contato direto os restaurantes e os produtores. No Japão, um selo de qualidade garantindo a autenticidade culinária foi criado pelo governo. O Savor Japan – Explore Regional Flavors  é dado às regiões ou entidades valorizando especificamente os produtos locais.

A comida autêntica do SENAC, quinto restaurante de SLZ segundo Trip Advisor

Os moradores têm um lugar de destaque na estratégia culinária de um destino. São anfitriões, visitantes, e embaixadores que podem e devem se apropriar da história, e promovê-la. No Canadá, uma nova estratégia turística prestigia os produtores e os restaurantes locais. O turismo culinário, seja nas fazendas, na beira mar ou nas cidades, beneficia com incentivos para os investimentos, especialmente quando se trata de circuitos gastronômicos,  de experiências culinárias nativas ou de especialidades locais, de festivais alimentícios, e de mercados livres . Essas iniciativas criam o contexto favorável para que surjam autenticidades culinárias que poderão misturar tradição e criatividade antes de se espalhar nas comunidades, nos jovens e nos visitantes.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Kate Germain na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Um túnel e uma ligação ferroviária atravessando o estreito de Gibraltar?

Em Gibraltar, os últimos canhões ingleses vigiando os últimos macacos, ou vice versa?

Assim com o Eurotunel, o seu precursor interligando a França e a Inglaterra, e antes mesmo de ter a sua construção confirmada, o túnel atravessando o estreito de Gibraltar já tem uma mitologia e uma longa historia. Reatando as duas colunas de Hércules, seguindo por baixo do mar a travessia vitoriosa das tropas do Tarik, lembrando para Espanha (e até para o Portugal) o seu épico passado nas costas marroquinas e ao Marrocos as suas ligações européias, o projeto tinha sido lançado em 1979.  Os reis Juan Carlos e Hassan II assinaram o acordo  no embalo da então candidatura do Marrocos a União europeia, e os primeiros estudos  definiram em 1994  o tipo de obra – o túnel e não uma ponte- bem como o trajeto, a profundidade submarina exigindo um túnel de 38 quilômetros dos quais 27 em baixo do mar, seguindo um itinerário, já imaginado em 1895, entre Tarifa e o cabo Malabata.

Da Andaluzia até a costa tangerina, 35.000 ferrys atravessam o estreito cada ano

O interesse de uma ligação terrestre entre a Espanha e o Marrocos ficou ainda maior com a abertura de negociações para relançar a ferrovia transmagrebina de 2350 quilômetros interligando o Marrocos, a Argélia e a Tunísia, muito ativa até os anos sessenta quando parou em consequência de vários conflitos. Com o apoio da União do Magrebe árabe, e um financiamento de 3,8 bilhões de dólares do Banco Africano de Desenvolvimento, as obras para sua reinauguração deveriam ser realizadas em três etapas: a reabilitação de 363 quilômetros da ferrovia Marrocos Argélia, fechada desde 1994 depois de conflitos políticos entre os dois países, a reabertura de 503 quilômetros da ferrovia Argélia Marrocos, suspensa em 2004 por motivos econômicos, e finalmente a interligação completa  da transmagrebina, incluindo um trecho de alta velocidade de Tanger a Casablanca.

O Marrocos quer fazer de Tanger um destino turístico completo

Interligando duas das maiores potencias turísticas do Mar Mediterrâneo, e dois grandes parceiros econômicos, o túnel tem muitos argumentos a seu favor. Segundo a estatal marroquina encarregada do projeto, os fluxos de passageiros e de carga, hoje de meio milhão de pessoas e de toneladas, poderiam ser multiplicados por 25 até o ano 2050. Os projetos de desenvolvimento econômico da região aproveitariam os novos fluxos vindo tanto da Europa como dos países vizinhos, reforçando a vocação de Tanger como cidade aberto ao mundo , dona de um imenso potencial especialmente turístico. Um projeto capaz, segundo o ex presidente do conselho espanhol José Zapatero, de mudar o futuro da Europa e da África.

Ceuta, um dos conflitos que pode bloquear o projeto

Os obstáculos até a inauguração são porem importantes. São em primeiro lugar as dificuldades técnicas para uma obra passando a quase 200 metros  abaixo do nível do mar, numa região de risco sísmico. São os problemas de financiamento de um projeto ainda não orçado mas que deve custar mais de 15 bilhões de euros que são poderão ser reunidos com um apoio maciço da União Européia e dos grandes bancos mundiais. Os maiores problemas parecem porem ser políticos: rivalidades dos países do Magrebe, conflitos territoriais persistentes em Ceuta, Melila ou Gibraltar, medos europeus da imigração clandestinas, criticas americanas ao trafico de drogas. Num projeto de tamanha importância econômica e geopolítica, terá que ser paciente.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Paloma, da onde sairia o túnel do lado espanhol

As ambições confirmadas da Espanha nos pódios do turismo mundial

A Plaza Mayor, coração turístico de Madrid

Dos três países que devem dividir em 2018 o pódio do turismo internacional, a Espanha foi a primeira a anunciar os seus resultados, um crescimento pequeno de 1,2 %  mas um novo recorde de 82,8 milhões de visitantes, provavelmente ainda atrás da França e numa briga apertada com os Estados Unidos pelo segundo lugar. O numero de excursionistas – visitantes sem pernoites, incluindo os cruzeiristas – também cresceu de 3,6%, chegando a  41,2 milhões. E com um gasto médio por pessoa de 1086 euros, as receitas estão se aproximando dos 90 bilhões de euros, recorde na Europa, somente superado a nível mundial pelas receitas do turismo norte americano. Talvez aproveitando as dificuldades politicas dos seus concorrentes francês e inglês, os resultados do mês de dezembro foram os mais espetaculares, com 9,7% de crescimento do numero de turistas.

Espanha faz parte de si, a campanha mundial de Turespaña

Os resultados por país de origem confirmam as previsões dos especialistas sobre a morosidade dos mercados da Europa, e o potencial dos BRICS. O Reino Unido se manteve na liderança com 18,5 milhões de turistas, mas em queda de 1,6%, uma queda observada também na Alemanha e nos países nórdicos. E com +0,7%, a França foi o único grande mercado de proximidade a ter um resultado positivo. Do lado dos mercados emergentes, a China cresceu de 3,9% – abaixo das expectativas das autoridades espanhóis, talvez por não ter conseguido resolver seus problemas de vistos, o México de 5,9% a Rússia de 6,3%, e a Índia de mais de 15%. O Brasil registrou um novo recorde, um impressionante crescimento de 19,1%. A surpresa mesmo foi porem as chegadas de turistas estadounidenses  que cresceram de mais de 12%, empurradas pela alta do dólar e  pela força crescente da comunidade hispânica naturalmente atraída pela Espanha.

A ministra Reyes Maroto apresentando os resultados do turismo 2018

Enquanto muitos países estão reduzindo as suas verbas ou até abandonando o marketing de destino, a ministra da industria, do comercio e do turismo, Reyes Maroto,  reafirmou que tinha um orçamento de 316 milhões de euros para não somente assegurar suas missões tradicionais mas ainda para reforçar algumas ações como a inovação tecnológica, a promoção internacional e os investimentos em novos modelos de destinos de turismo inteligente e sustentável. Verbas suplementares poderiam até ser mobilizadas se o impacto do Brexit se revelava muito negativo para o turismo inglês na Espanha. Lembrando que o turismo representava ao nível nacional 13% do Produto Interno Bruto, a ministra insistiu nas diferencias regionais que tem que ser consideradas para que o setor consegue continuar o seu papel no desenvolvimento dos territórios.

As Ilhas Canárias, onde o turismo internacional caiu 1,7% em 2018

As evoluções regionais  mostraram novas tendências do turismo na Espanha. Dos três destinos principais, as ilhas Canárias tiveram uma queda de 1,7%, as Baleares foram quase estáveis. O tradicional líder, a Catalunha,  parece porém ter recuperado nos últimos meses do ano o impacto negativo dos conflitos políticos e dos protestos dos moradores de Barcelona contra o overturismo. Mas foram nas outras comunidades que se encontraram os crescimentos mais significativos em 2018: +1,5%  na Andaluzia, +3,2% na Comunidade Valenciana, e um recorde de +6,3% no Grande Madrid que foi talvez o maior beneficiário do turismo vindo dos países emergentes. Para as autoridades e os profissionais espanhóis, umas boas noticias e a demonstração que suas anunciadas ambições de liderança do turismo europeu devem ser levadas a sério pelos seus concorrentes italiano e francês.

A Torre do Ouro na beira do Rio Guadalquivir em Sevilha

A França, de novo primeiro destino turístico mundial em 2013, verdade ou marmelada?

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Com 84,7 milhões de entradas de turistas internacionais, a França foi de novo, em 2013, o país mais visitado do mundo, à frente dos Estados Unidos (70 milhões) , da Espanha (61 milhões) e da China (51 milhões). Mesmo esperada, essa notícia, anunciada pelo próprio ministro da economia , mostrou o dinamismo do turismo francês que continua com a preferência dos viajantes do mundo inteiro. Com muitos mercados europeus  ainda em recuperação – com um crescimento médio de 1,2% -, esses resultados devem muito ao desempenho da  Alemanha (+6,4%) , da América do Norte (+5,8%) e mais ainda da China que cresceu de 23,4%. A Rússia e a Índia participam dessa euforia, o Brasil se consolidando numa nona posição mas sendo o único BRICS a não ter um crescimento de dois dígitos.

Entradas de turistas estrangeiros (em milhões)

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O sucesso da França deve muito a Paris, que se consolidou frente a Londres como primeira cidade turística do mundo com 47 milhões de visitantes em relação a sua concorrente inglesa com 35, mas também as regiões de Nice e de Lyon que atraem cada vez mais turistas. O objetivo do ministro Laurent Fabius, 100 milhões de turistas dos quais 1,5 milhões de brasileiros, deveria assim ser atingindo em 2022.

Receitas do turismo internacional (em bilhões de dólares)

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Mesmo positivos, esses números foram recebidos com muitas críticas de vários profissionais franceses. A principal é que a forca econômica do turismo deve ser medida pelas receitas e não pelo número de entradas. The Louvre, Paris, FranceNesse ranking os grandes vencedores são os Estados Unidos com mais de 200 bilhões de dólares, enquanto a França tenta encostar na Espanha  com 63 bilhões. A segunda crítica se refere a metodologia. Para a Organização Mundial do Turismo, qualquer viajantes que fica mais de uma noite é um turista. Mas os 84,7 milhões de turistas que entram a França não são todos interessados pelas belezas das suas paisagens  ou pela arte francesa de viver. 15 milhões estão somente em trânsito de uma ou duas noites, atravessando o território ou dormindo perto de um aeroporto no caminho de um outro destino final. Todos esses turistas também não se hospedem em hotéis ou resort, quase um terço escolhem hospedagens não comerciais.

Mas a metodologia é a mesma para todos, os passageiros com multi-destinos existem em todos os países, e a França é mesmo o primeiro destino turístico mundial. As críticas não são justificadas, – os números estão certos e não tem nenhum fundamento falar de “marmelada” na publicação dessas estatísticas, porém é importante  levá-las em consideração. A  satisfação dos resultados não deve esconder o trabalho a fazer para melhorar.IMG_2420 A França precisa mesmo aumentar suas receitas turísticas, incrementar a qualidade do seu atendimento, oferecer serviços ainda mais diversificados, continuar a renovar a sua oferta hoteleira e atrair turistas em mais regiões. A liderança é com certeza uma satisfação, mas também uma grande responsabilidade. E as estatísticas são necessárias tanto para medir as realizações tanto quanto para lembrar o percurso a seguir.

Jean Philippe Pérol

Turismo mundial: otimismo para 2014, olho na Espanha, na China e no Brasil…

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Segundo a Organização mundial do turismo, as chegadas de turistas quebraram um novo recorde em 2013 com 1087 milhões, 5%  a mais que em 2012.  Cliente OMTO secretário geral, Taleb Rifai,  lembrou que o que setor mostrou, numa conjuntura econômica difícil, que era capaz de adaptação e de dinamismo, criando milhões de empregos.  A Organização prevê para 2014 um crescimento 4 a 4,5%, maior do que as previsões anteriores de 3,8%. Sustentada  por 300 especialistas do setor, essa previsão destaca também que a Ásia deve ser a região com maior crescimento (5 a 6%), enquanto a Europa e as Américas devem ficar somente em 3 a 4%.

Essas estatísticas e as respectivas analises são detalhadas no site da OMT (http://media.unwto.org/fr/press-release/2014-01-20/le-tourisme-international-surpasse-les-attentes-avec-des-arrivees-en-hausse). Além de lembrar que a França guardou a liderança com 83 milhões de visitantes, devem ser talvez completadas com alguns  comentários  sobre a Espanha, a China e o Brasil.

O espetacular resultado da Europa, considerando a crise econômica que perdura, é em primeiro lugar o sucesso da Espanha que cresceu 5,6%, recebeu 60,6 milhões de turistas, e ficou em terceiro lugar, tirando a China do pódio da medalhas do receptivo mundial. Melhor ainda, suas receitas de turismo internacional chegaram a 45 bilhões de Euros, 9% acima de 2012. O Presidente do Conselho fez questão de anunciar que quase todas as comunidades tiveram recordes de chegadas, e que o turismo teve uma implicação chave na retomada da economia espanhola.

Nos mercados emissores, a China e a Rússia se destacaram com crescimento de mais de 25%. VUITTONCom 97 milhões de saídas e 102 bilhões de despesas no exterior, a China consolidou seu lugar de líder mundial. Os 100 milhões de turistas previstos para 2020 serão atingidos já esse ano e tem que pensar agora nos 200 milhões. É importante porem fazer duas observações:

– A primeira é que os números da OMT referente a China são um pouco distorcidos. Os 93 milhões não são na verdade saídas de turistas, mas saídas do território chinês, mesmo que por somente um dia (nos outros países não são considerados ‘turistas’, permanências abaixo de 24 horas). Mas importante ainda, viagens para Hong Kong, Macau e Taiwan são considerados internacionais e representam 71% das saídas de turistas chineses. O turismo internacional propriamente dito representa 30 milhões de saídas, um número ainda suficiente para ficar nos 10 grandes países receptores, mas muito mais modesto.

– O turismo internacional na China sendo muito recente (estagnou até 1998 em 5 milhões de saídas), se deve ter muita cautela quando se trata de projeções a longo prazo. Vimos na Europa ex-oriental uma explosão de viagens depois de 1989 que não perdurou. O primeiro lugar da China tanto no emissivo como no receptivo será em breve um fato consumado, mas o seu peso global ao longo prazo no turismo mundial , especialmente para os países mais distantes na Europa ou nas Américas, é ainda difícil de prever.

CAFE_ParisO comunicado da OMT fala pouco do Brasil além de um curto lembrete na última frase. É citada uma alta significativa nas despesas de turismo em sete países emergentes, o sétimo sendo justamente o Brasil com 14%. Projetando para 2014, podemos deduzir que as previsões são de um crescimento ainda forte do nosso turismo exportativo (mesmo se abaixo dos outros BRICS) , e de um pequeno aumento (2 a 3%) do turismo receptivo, o impacto da Copa devendo ser mais visível nos próximos anos. Vamos torcer!

Jean-Philippe Pérol