Homens e mulheres no coração do turismo pós crise …

Hoje não se vende as qualidades do hotel, se fala do hoteleiro @latoubana

Aceleradora de tendências, a crise do Covid obriga todos os profissionais a repensar suas ofertas, seus públicos alvo, bem como suas estratégias de marketing para responder às novas procuras dos viajantes que vão compor a retomada. Já anunciado há alguns anos, o foco no lado humano do turismo, dos consumidores até os funcionários e os moradores, o “marketing humanizado” está tomando uma dimensão fundamental. Segundo o marqueteiro Olivier Coullerez, presidente e fundador da agência Espresso Communications, «hoje a ideia não deve ser de vender as qualidades de um hotel, mas de falar do hoteleiro  ».

Para mostrar a resiliência do turismo, e a força do seus atores, a  GLP Films  realizou vários clipes mostrando homens e mulheres que tiveram papéis de destaque no desenvolvimento do seu destino. Com o hashtag  #TourismStrong , são assim popularizadas “success stories” de atores locais na Uganda, no Peru, na Costa Rica, no Brasil ou em Nova Iorque. Além da história de cada profissional envolvido, uma atenção particular é dada aos esforços que foram feitos para promover os “savoir-faire” regionais, através da criação de plataformas especializadas. No estado australiano do New South Wales por exemplo, a organização Culture Maps Central NSW promove as empresas locais de arte e cultura com um mapa interativo valorizando as ofertas.

Helsinki procurando turistas combinando com seus valores

Pensando na retomada, muitos destinos estão trabalhando em definir melhor os seus visitantes internacionais, destacando aqueles que se identificam com os valores da região ou das experiências propostas. Na Finlândia, Laura Aalto, diretora do turismo de Helsinki, lembra que a estratégia de marketing da cidade é construída em torno de visitantes fiéis que se identificam com seus valores: confiança, inovação, abertura de espírito, e sustentabilidade. Os visitantes devem também integrar a comunicação. Visit Florida desenvolveu uma parceria com Outbound Collective, uma operadora especializada em atividades esportivas. Para atrair novos clientes, 12 especialistas vindos de minorias hoje pouco representadas estão apresentando nas mídias sociais experiências personalizadas.

As novas oportunidades do teletrabalho

O turismo pós Covid vai também levar a uma gestão mais humana dos fluxos, espalhar os viajantes em regiões hoje menos visitadas, incentivar as visitas durante a baixa estação, e parar de promover os lugares e as datas que provocaram tensões com os moradores. Com a explosão do teletrabalho, a crise abriu novas oportunidades de longas estadias que alguns destinos, como  Barbados, a  Estónia  ou o Massif de Charlevoix, no Québec , e algumas plataformas ,como Booking.com, souberam aproveitar. O turismo de amanhã já está se definindo, sempre amarrado em experiências humanas, interativas, baseado no respeito de valores sociais sustentáveis e  autênticas que devem integrar não somente a oferta de produtos e serviços mas também a própria promoção.

 

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

A urgência (e a simplicidade) da volta do certificado internacional de vacinacão

Aceito por 194 países, o Certificado da OMS é uma opção imediata

Enquanto as variantes do Covid se espalham pelo mundo e adiam mais uma vez as perspectivas de retomada, muitos profissionais estão pedindo que seja lançado com urgência um “passaporte sanitário” que abriria sem restrições para as pessoas vacinadas o acesso as companhias aéreas e aos destinos. A ideia já foi lançada pela Grécia em maio do ano passado mas não chegou a convencer os outros países da União Europeia. Alguns destinos menores – e mais dinâmicos – criaram porem o seu proprio documento, foi assim o caso das Ilhas Seychelles, da Dinamarca ou da Islândia. Sempre pioneiro quando se trata de promoção turística, esse país nórdico emitiu quase 5000 “passaportes” e está negociando a sua aceitação a nível internacional.

A Inglaterra já está testando o Covipass

Outros países já estão trabalhando sobre o fornecimento de documentos que poderiam restabelecer a confiança e reabrir as fronteiras. A Inglaterra, líder europeia com mais de 10 milhões de vacinações, já está testando um passaporte biométrico. Israel pretende distribuir cadernos verdes liberando das restrições de circulação (mas não das máscaras nem das regras de distanciamento) quem já recebeu as duas doses da vacina. Em teste a nível nacional, o caderno poderia depois ser usado para as viagens internacionais. Na Índia, o ministério da saude estuda um QR code, associado ao número de celular e a carteira de identidade, que poderá ser usado como um passe digital para todas as pessoas vacinadas no pais.

O Commonpass já foi testado em Outubro pela United Airlines

Os profissionais também estão se movimentando, e vários projetos já estão sendo estudados a nível internacional. A ECTAA (European Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations) está tentando de convencer a União Europeia de relançar a proposta feita pela Grécia. O Forum de Dávos apoia o projeto suíço CommonPass, um aplicativo interligando centros de vacinações, testes de laboratórios e atestados de saude dos países, que gera um QR code confirmando que o viajante está en conformidade com a legislação do destino. A IATA (International Air Transport Association), trabalha no IATA Pass Travel, um aplicativo dando também as últimas informações sobre viagens internacionais, testes de laboratórios e comprovantes de vacinações, informações que podem ser retransmitidas com segurança as companhias aéreas e as autoridades.

A OMS apoia um aplicativo para modernizar seu Certificado

Frente a urgência da situação e ao risco de colapse do setor,  alguns especialistas pedem para soluções mais fáceis de por em prática, com simples adaptações de procedimentos já existindo. O Alexandre Demaille, da empresa francesa RapideVisa,  lembrou que já existe o  Certificado Internacional de Vacinação, documento reconhecido por 194 países que comprova a vacinação contra doenças. Criado nos anos 60 para erradicar a varíola, ele é ainda exigido por alguns países para se proteger da febre amarela ou  da cólera. Os centros habilitados a emitir esse certificado poderiam simplesmente adicionar as vacinas anti Covid a essa lista. Essa solução simples e rápida é apoiada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Modernizada com um aplicativo e um QR code, poderia restabelecer a confiança dos viajantes, dos moradores e dos profissionais no mesmo ritmo das vacinações.

Jean Philippe Pérol