Sustentabilidade, bem estar, “coolcations”, inclusão e luxo: novas tendências do turismo de aventura

A Amazônia é o novo foco do turismo internacional de aventura

Focando a Amazônia e o ecoturismo, a nova campanha internacional da Embratur apostou não somente sobre uma região do Brasil que vai atrair em 2025 a atenção do mundo inteiro, mas também numa temática cada ano mais popular. Em pleno crescimento, o turismo de natureza e de aventura conhece porém profundas transformações. Uma pesquisa recente da conceituada “Chaire de tourisme Transat” de Montreal mostra assim que o setor deve se adaptar levando em consideração as exigências dos viajantes, as conexões com outras atividades e as projeções de mudanças climáticas. Cinq principais tendências estão se destacando nos estudos e nas entrevistas da pesquisa publicada no caderno Tendências e perspectivas  2028 .

Foz de Iguaçu, um dos mais sustentáveis destinos do Brasil

O turismo de aventura é por essência ligado a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental. Ele ajuda a espalhar o turismo em todos os territórios, em pequenos grupos compatíveis com a proteção dos ecosistemas e da biodiversidade. Nos próximos anos, com as mudanças climáticas,  o setor terá que avaliar, em cada destino turístico, o impacto das mudanças climáticas sobre as infraestruturas, as vias de acesso, e até a perenidade de certos lugares ou pontos de atrações. Os profissionais terão que adaptar seus produtos e serviços, e ao mesmo tempo continuar satisfazendo as expectativas dos seus clientes. 

No Kibili House, o bem estar completa a aventura

Para 35 % dos associados da Adventure Travel Trade Association (ATTA), interrogados em janeiro desse ano, o bem estar vai ser um componente cada vez mais importante do turismo de aventura. Se a combinação da natureza com a saúde não é uma ideia nova, os profissionais destacam agora a procura dos viajantes para  conteúdos atrativos,  transformadores para a saude e o bem estar do corpo e da mente. As experiências devem incluir intercâmbios enriquecedores com os moradores, bem como impactos positivos duradouros para o destino e as comunidades. O ritmo dos itinerários deve incluir bastante tempo livre encontros inesperados ou momentos de bem estar pessoal. 

Novas clientelas necessitam atenções especiais

Os benefícios reconhecidos do contato com a natureza sobre a saude e a qualidade de vida vão atrair novas clientelas para o turismo de aventura, independentemente das suas origens, capacidades físicas, idades ou preferências pessoais. Será importante, na medida do possível, facilitar os acessos para crianças, pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, melhorar a inclusão com serviços adaptados, gratuitamente ou a custo baixo.  A diversificação dos turistas de aventura se anota também pelo crescimento de grupos pequenos – familiares, amigos ou colegas- que pedem propostas, atividades e experiências personalizadas.

Scandinavia, paraiso das coolcation

A onda das “coolcations” favorece os destinos escandinavos

Para mais da metade dos profissionais que responderam a pesquisa da Adventure Travel Trade Association, o  aquecimento global vai favorecer o turismo fora dos picos da temporada de verão, os viajantes procurando cada vez mais a frescura da primavera ou do outono, e até o frio do inverno, com “coolcations” (cool vacations, ferias no frio). A preocupação com o calor vai ser também abrir oportunidades para descobrir ou redescobrir destinos com clima mas fresco, tanto a nível doméstico que internacional. Os países do Norte da Europa bem como várias companhias de cruzeiros já estão surfando nessa onda que já atinge regiões da França, da Espanha, do Canadá ou dos Estados Unidos, bem como destinos do Brasil. 

No Mirante do Gavião, aventura já combina com gastronomia e luxo

Segundo o Ministerio do turismo do Quebec, 80% das atividades características do turismo de aventura estão em forte crescimento, seja o camping, a pescaria, o surfe, a escalada, e, em primeiro lugar, as trilhas e caminhadas. A  Adventure Travel Trade Association (ATTA) aponta no mesmo tempo que os turistas combinam cada vez mais essas atividades com cultura, gastronomia e até luxo. As ofertas devem assim incluir a historia e a cultura local, experiências gastronómicas, e conforto das hospedagens e dos transportes, sempre com qualidade e as vezes com luxo.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

A resiliência das viagens de incentivo

O relatório anual do Incentive Travel Index é muito esperado pelos profissionais

Se a revolução das maneiras de trabalhar – home office, teletrabalho ou workation- parecia impactar o futuro das viagens de negócios, a última pesquisa do Incentive Travel Index, realizada em 2023 pelas conceituadas  Incentive Research FoundationFoundation of the Society for Incentive Travel Excellence, mostra a resiliência e a evolução, das viagens de incentivo. Para 74% dos 2400 executivos entrevistados na America do Norte (52%), na Europa (21,2%) e em mais de 30 mercados emergentes,  o setor saiu reforçado e ficou mais estratégico depois da crise. 2025 é visto com bastante otimismo, pelo numero de viagens que deverão ser organizados, pelo numero de participantes de cada viagem, e pelos gastos medios por participante. 

A pesquisa ouviu 2400 executivos do setor em mais de 40 paises

O relatório mostra também que novas tendências estão aparecendo. As viagens de incentivo continuam com seu papel de motivação e de prêmios para os funcionários, os parceiros ou os fornecedores, em relação a realização de metas comerciais ou financeiras predefinidas. Mas as viagens devem ser mais que um simples “team building”, os participantes pedem agora experiências mais longas, mais espetaculares, em cenários marcantes. Com o teletrabalho diminuindo os encontros físicos de colegas ou superiores, 79% dos participantes da pesquisa acham que a necessidade de reunir as equipes é um dos fatores principais da nova popularidade das viagens de incentivo.

Millenials já definam novas tendências das viagens de incentivo

Todas as gerações continuam de ser interessadas, mas a pesquisa Incentive Travel Index mostrou uma atração um pouco maior junto aos mais jovens. Os millenials (nascidos de 1981 a 1995) e a geração Z (nascidos de 1995 a 2009) são 93% a achar estas premiações extremamente ou muito atraentes, enquanto esses números são somente de 86% junto aos baby boomers e a geração X, a razão sendo que os seniors já tiveram muitas experiências de viagens e são assim mais difícil de impressionar. Juniors ou senior têm porem as mesmas prioridades para essas viagens: 81% querem experiências únicas, 80% preferem hospedagens e atividades de luxo, 76% pedem para levam um acompanhante, 74% procuram conteúdos culturais e … 85% querem tempo livre para atividades próprias.

Muitos fatores ainda podem mudar as tendências de destinos

Se 59% prevêem um crescimento dos seus orçamentos em 2024, e 64% em 2025, vários fatores ainda podem influenciar as decisões, e poderiam levar a considerar as viagens de incentivo como despesas mais fúteis e menos atraentes. Será necessário vigiar as mudanças políticas, a instabilidade das relações internacionais, as tensões do mercado do trabalho, e em primeiro lugar para 76% dos entrevistados, a inflação  dos preços do setor. Os profissionais são especialmente preocupados com as tarifas dos hotéis que poderiam, segundo o  Hotel Monitor 2024 da American Express GBT subir em media esse ano de 17,5%. Para superar esses desafios, eles pensam que será talvez necessário escolher lugares mais próximos ou até reduzir os numeros de pernoites.

Em lugares inéditos e inovadores, fortes parcerias são imprescindíveis

Nas suas respostas, os responsáveis  destacam a importância da escolha do destino como fator chave do sucesso de uma viagem de incentivo. 71% deles acham que o lugar deve ser inédito ou pelo menos inovador, e os roteiros estimulantes e animados. O suporte dos órgãos oficiais de turismo é considerado um fator chave, essencial para 51% na expertise do local, para 48% no apoio junto aos receptivos, para 46% na organização das visitas, para 23% no apoio financeiro e para 21% nas negociações com os hotéis. Para todos os participantes , é somente através de fortes parcerias que o sucesso das viagens de incentivo poderá continuar a demonstrar a sua resiliência e garantir seu crescimento.

 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Julie Payeur na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Overturismo : o malthusianismo não pode resolver

Nas Baleares, os protestos do moradores impressionaram as midias

Com o sucesso da temporada de verão no hemisfério norte, o overturismo voltou a mobilizar as mídias internacionais. As taxas de Veneza, os tapumes do Monte Fuji, a água potável de Barcelona, os protestos das ilhas Baleares, os lixos do Monte Everest e os AirBnb de Nova Iorque, foram numerosas situações durante os quais, moradores e políticos se juntaram para tentar combater a superlotação turística. Esquecendo os benefícios trazidos pelo setor em termos de infraestruturas ou de lazeres, e seu peso na economia e nos empregos, todos se focam sobre os seus impactos negativos sobre a vida local: inflação dos aluguéis de apartamentos, fechamento de comércios, falta de segurança pública, transito parado nas ruas ou até nas calçadas. A rejeição manifestada pela imprensa preocupa os profissionais do setor que multiplicam os esforços em termos de sustentabilidade para evitar que a aversão ao turismo ameaça o seu futuro promissor.

Turistas indianos agora impulsionam o turismo em Veneza

Essa preocupação  é ainda mais legítima devido ao potencial gigantesco de crescimento do turismonacional e internacional. A OMT, organização mundial do turismo, destaca que os fluxos de turismo internacional – 25 milhões em 1050- já passaram dos níveis de pre-pandemia, 1,5 bilhões em 2024, e que chegarão a 1,8 bilhões em 2030. Este crescimento, virá em primeiro lugar, das classes emergentes das novas potências econômicas, hoje China, Brasil, Turquia, México, India ou Indonésia, futuramente Egito, Vietnã ou Nigéria, que desejam e poderão descobrir os lugares emblemáticos do turismo mundial. Além disso, novos fluxos estão também surgindo. Nos países desenvolvidos, o acesso ao turismo de lazer vai ainda se expandir. Atualmente, somente 60% das famílias aproveitam as ferias para viajar enquanto os especialistas preveem que a tendência é de chegar a 80%. E as novas formas de teletrabalho já estão inventando novas modalidades de viagem ( como os chamados “workations” ) que vão pressionar ainda mais os destinos chave e os lugares instagramizados.

A primeira viagem do Thomas Cook para trabalhadores ingleses

Diante dessas tendências inevitáveis, a turismofobia não é alimentada apenas pelo bem estar dos moradores. Uma parte significativa da revolta divulgada pela mídia  está relacionada a uma resistência ideológica à democratização das viagens. Nos anos 1870, na Inglaterra, as elites já se opuseram à revolução que o Thomas Cook iniciou quando levou  trabalhadores a viajar de trem para lugares até então exclusivo da “gentry”. Em 1936, na França, prefeitos de balneários famosos anunciaram que não desejavam ver as suas praias invadidas por “congés payés” (gente com ferias remuneradas) que eram incompatíveis, segundo eles, com o nível exigido dos seus visitantes. E hoje, mesmo se o artigo 24 da Declaração universal dos direitos humanos oficializa desde 1948 o direito as ferias e ao lazer, a ideia de um direito universal ao turismo ainda não é completamento aceita.

Greenpeace pede uma quota de 4 viagens de avião durante a vida toda

É necessário enfrentar os problemas causados pela lotação excessiva de turistas,  mas de maneira diferente, sem focar exclusivamente sobre necessárias (?) reduções de viagens que serão derrubadas pela crescente democratização internacional e doméstica dos lazeres. Muitos profissionais sugerem então de parar de considerar o “overturismo” como um fenômeno global, lembrando que a imensa maioria dos lugares turísticos é bem administrada e ainda tem muita capacidade para crescimento sustentável. Assim a solução para a superlotação não é restringir o número de turistas discriminando os “farofeiros”, ou  impor uma redução de atividades do setor. É importante levar em consideração o local, seus arredores, a época do ano, o dia da semana, o momento do dia, o nível de receitas e o perfil dos visitantes, para orientar os fluxos da maneira mais adaptada a um crescimento inevitável, mas sustentável, de qualidade e para todos.

A Itália já aposta no underturismo

Deve se reconhecer o papel pioneiro das elites que estabeleceram muitos dos grandes destinos turísticos desde que a aristocracia inglesa inventou a “Côte d’Azur”, e que ainda hoje são responsáveis por uma grande parte dos investimentos e da economia do setor, inclusive na descoberta de novos destinos. Simultaneamente, o turismo continuará a crescer, e o foco deve ser na grande maioria dos territórios que ainda sofrem de “undertourism” – na França, 80% do país … Com uma nova visão, os profissionais podem ajudar a comunicar soluções que combinem o desenvolvimento do setor e a satisfação das aspirações de moradores e turistas. E devem lembrar que o turismo não é apenas um setor líder da economia global, mas também uma aspiração transformadora que pode ser regulamentada , porem não  bloqueada por um malthusianismo. Lembrando com Gilbert Trigano que o turismo é “a maior ideia desde a invenção da felicidade”,  sua vocação deve continuar a ser universal.

 Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

Viagens de negócios na pós pandemia, euforia ou cautela?

Nova Iorque, destino líder tanto nas viagens de negócios que no bleasure

As TMC, “Travel Management Compagnies”, estão surpreendendo os observadores do turismo internacional. Enquanto todas as pesquisas projetava uma queda de 20 à 25% das viagens de negócios depois da crise do Covid, as grandes empresas do setor anunciaram crescimentos de dois dígitos da suas atividades em 2023, e parecem extremamente animadas não somente para 2024 mas também nas projeções de faturamento a medio prazo. Olhando as novas tendências que caracterizam  essas viagens, especialmente dos viajantes mais jovens, bem como a evolução dos preços dos principais fornecedores – companhias aéreas e hotéis-,  poderia ser que a euforia dos mas otimistas seja compatível com a cautela dos mais céticos?

O controle das despesas continua sendo uma ferramenta chave das TMC

Uma pesquisa internacional da SAP Concur, a maior plataforma de gestão de dados corporativos, sobre a evolução das despesas de viagens das empresas européias, mostrou mudanças importantes de 2019 para 2023. As passagens aéras, primeira despesa corporativa, subiram em media de 10% em relação ao nível pre pandemia, uma alta mais marcante ainda no ano passado. A SAP Concur avisa porém que essa inflação dos custos é geral, sendo ainda mais alta nos gastos de alimentação – que aumentaram de 30%-, e mesmo nas despesas de hospedagem – 21% acima dos níveis de 2019. No Brasil, a evolução é ainda mais marcante, especialmente para o transporte aéreo que sofreu uma inflação de 14% neste mesmo período.

As viagens de avião são as mais prejudicadas pelos cortes

Depois da euforia, as despesas de viagens de negócios voltarão talvez em 2024 aos volumes anteriores a crise, mas este resultado é principalmente a consequência da inflação que compensou uma queda do número de viagens estimada em quase 20%. No Brasil, uma recente pesquisa da ABRAJET mostra dados um pouco mais otimistas, com números de transações das TMC em queda de somente 12,6% de 2023 para 2019. Essa queda se deve tanto as restrições de despesas que ao sucesso das videoconferências (vistas por 31% das empresas como uma alternativa as viagens) e ao crescimento da “consciência ecológica”. Reais ou comunicadas, as preocupações  com o meio ambiente ou a  descarbonização levam muitas empresas a reduzir suas viagens, especialmente aquelas realizadas de avião. É assim que hoje 43% dos viajantes de negócios declaram que estão viajando menos pelas suas empresas que há 5 anos atras.

Novas tendências vão mudar o perfil das viagens profissionais

Mas, mesmo se o número anterior de viagens profissionais deve somente ser reencontrado a nível mundial depois de 2028, várias novas tendências devem ajudar as TMC a defender suas posições de destaque no setor das viagens e do turismo. As viagens continuam de ser um componente chave da vida das grandes empresas, ajudando a consolidar as parcerias com clientes e fornecedores. Além disso, o interesse pelas viagens  como fator de desenvolvimento pessoal é agora um argumento importante para atrair e desenvolver os talentos dos colaboradores. E, depois da crise, a combinação de negócios e lazer – o “bleasure”- é cada vez mais aceita, sendo hoje utilizado cada dois ou três meses por mais da metade dos viajantes.

Inovar com personalização, eficácia e sustentabilidade é o novo desafio.

Tradicionalmente focadas na gestão das despesas de viagem dos seus clientes, ajudando a definir previsões corretas, políticas eficientes e controles de conformidade, os TMC insistem hoje na exigência de combinar essas tarefas com a garantia de oferecer também aos viajantes a segurança, a saúde e o bem estar. Com a flexibilidade e a personalização cada vez maior das políticas das empresas, a oferta de serviços para as viagens pessoais dos dirigentes e/ou dos funcionários abriu novas oportunidades, seja para os próprios TMC, seja para filiais especializadas. Assim como as tendências pós-pandemia ou o “bleasure”, as ofertas de viagens de lazer personalizados – já exploradas no passado com sucessos variáveis pela Amex ou a Wagons lits- podem ajudar  a compensar o inevitável recuo do número de viagens profissionais.  Mesmo para os mais cautelosos, as oportunidades assim oferecidas podem incitar, senão a euforia, pelo menos ao certo otimismo?

Jean Philippe Pérol

O novo ranking do turismo na América Latina

A energia mágica de Teotihucán

Publicando as suas esperadas estatísticas 2023, a ONU turismo (ex OMT, Organização Mundial do Turismo) mostrou muita confiança nos resultados da América latina. Superando a pandemia,  essa região do mundo se firmou com suas grandes variedades de belezas naturais, de  experiências culturais e humanas, e de riquezas patrimoniais ou históricas. O novo ranking da ONU turismo destacou evidentemente o México,  um pais que voltou a ser o líder indiscutível do setor, disparando na frente do segundo colocado – a popular Republica Dominicana- e longe do terceiro – a criativa e diversa Colombia.

A República Dominicana se consolidou num tranquilo segundo lugar

Com mais de 38 milhões de entradas, já superando de 13,4% os números de 2019, o turismo internacional do México registrou um aumento de 6,1% em relação a 2022, principalmente nos três paises que representam mais de 76% dos seus visitantes: Estados Unidos, Canada e Columbia. Os números mostram que esses três mercados de proximidade cresceram de 23 à 27% em relação a 2019, sendo responsáveis  pelo sucesso da recuperação pos pandemia de 13,4% do setor, compensando a demora da retomada dos viajantes internacionais oriundos do resto do mundo.

Perto de Cancun, o excepcional acervo maia de Tulum

Perto de Cancun, o excepcional acervo maia de Tulum

Procurando praias, cidades históricas, sítios arqueológicos únicos, cozinha peculiar e festas autenticas, os turistas se concentram principalmente em três regiões do Mexico. Em primeiro lugar se destaca Cancún, a Riviera Maia e o Yucatan, com quase 50% das entradas de turistas, onde os atrativos do Caribe se juntam com as ruinas excepcionais de Tulum, Chichen Itza, Uxmal ou Palenque. Vem depois com 20% das chegadas a cidade de Mexico e seu acervo de turismo urbano combinando as heranças de Teotihuacan e de Tenochtitlan, as arquiteturas coloniais, e um dinamismo envolvente. Com um dinamico coquetel de praias, aventuras e enoturismo, a Baja California vem em terceiro lugar com 11% dos viajantes internacionais.

A experiência exclusivo do por de sol em Los Cabos

O ranking estabelecido pelo relatório da ONU turismo surpreendeu muitos especialistas. O Peru ficou no décimo lugar, um posicionamento decepcionante para um pais já conhecido pela riqueza da sua herança cultural, as suas infraestruturas hoteleiras de qualidade, uma gastronomia que se firmou nos últimos anos e umas campanhas de promoção emblemáticas. O Brasil do seu lado segue num modesto quinto lugar, longe do seu potencial de primeira potência da América latina, e da sua oferta tão abrangente.

Mesmo com seu acervo excepcional, o Brasil não passa de um quinto lugar

Segundo a ONU turismo, o ranking dos paises da América Latina que receberam o maior numero de turistas em 2023 é o seguinte :

1) Mexico : 38,33 milhões

2) República Dominicana : 7,16 milhões

3) Colombia : 4,40 milhões

4) Argentina : 3,89 milhões

5) Brasil : 3,63 milhões

6) Jamaica : 2,48 milhões

7) Uruguai : 2,43 milhões

8) Costa Rica : 2,35 milhões

9) Chile : 2,03 milhões

10) Peru : 2,01 milhões

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

Nova Iorque e Singapura agora destinos mais caros do mundo

Líder durante muitos anos, Singapura agora empata na liderança

Nos fatores que impactam a escolha dos destinos de viagens, os preços comparativos são cada vez mais decisivos e as fortes evoluções da era post pandemia poderiam anunciar novas tendências. De acordo com o Índice mundial do custo de vida , publicado pela Unidade de Inteligência da revista inglesa The Economist (EIU), a inflação mundial foi de 9% en 2022. A guerra na Ucrânia, as sanções ocidentais contre a Rússia, o disparo do petróleo e das commodities, bem como a subido dos juros e as variações de câmbio levaram a uma crise mundial. O relatório do EIU destaca assim que os aumentos de preços nas 172 cidades onde foram feitos os levantamentos foram os mais altos registrados nos últimos 20 anos, mexendo na tradicional e esperada lista dos destinos mais caros do mundo.

Nova Iorque seria agora a cidade mais cara do mundo

A maior novidade desse ranking vem de Nova Iorque. Mesmo se sempre apareceu no topo da lista – era em sexto lugar no ano passado-, a Big Apple chega pela primeira vês em primeiro lugar, empatando com Singapura. Puxadas pela valorização do dólar americano frente as principais divisas internacionais, outras cidades estado-unidenses aparecem também nas dez primeiras da lista: Los Angeles no quarto lugar e São Francisco no oitavo. No geral, as 22 cidades dos Estados Unidos onde a pesquisa foi feita esse ano tiveram fortes aumentos de custos e subiram no ranking, especialmente Portland, Boston, Chicago e Charlotte. 

As crises politicas não tiraram Hong Kong dos destinos mais caros

Há muitos anos destacada nas campeãs de preços altos, a Ásia se beneficiou esse ano das evoluções cambiais. Vencedora de 2021, Tel Aviv caiu para a terceira posição, e somente Hong Kong se manteve na lista das dez cidades mais caras, enquanto Tóquio, Osaka, Pequim, Shanghai, Guangzhou e Seúl tiveram fortes quedas dos seus índices de preços que foram impactados pelas depreciações das suas moedas em relação ao dólar americano. É interessante anotar que o índice concorrente do The Economist, o ECA International, dando menos importância aos fatores cambiais e aos produtos de luxo importados, continua colocando cinco cidades da Ásia no topo da sua lista.

O Londres post Brexit ficou muito mais barato

Na Europa, pelo menos enquanto se trata de custo de vida, Londres parece ter beneficiado do Brexit. Saiu do topo da carestia e ficou em vigésimo sétimo lugar, longe das 4 cidades do Top 10. As duas grandes cidades da Suiça, Zurique e Genebra, são agora as mais caras da Europa, seguidas de Paris e Copenhagen. Com a guerra e uma inflação acelerada, as capitais dos países do leste, inclusivo Moscou e São Petersburgo, experimentaram aumentos significativos do custo de vida. Mas ao contrário, mesmo com um aumento medio de 22% do preço da gasolina, as quedas do Euro, da Libra e do Franco suíço fizeram muitas destinos europeus, como Estocolmo, Lyon ou Luxemburgo, cair de posição na lista

Tunisia é destaque dos destinos mais baratos

Para preparar suas viagens de 2023, o relatório do The Economist mostra algumas oportunidades. Excluindo uma dramatização da guerra,  a inflação deve diminuir para 6,5%, os preços dos combustiveis e dos produtos alimentares cair. Os bloqueios das cadeias de suprimentos ou de logistica devem ser superados, trazendo mais otimismo para os consumidores. Os viajantes deveriam também aproveitar as oportunidades,  seja nos tradicionais destinos europeus ( França, Espanha, Portugal) agora mais acessíveis, seja nos destinos mais baratos da lista oferecendo, na Tunísia, na Índia, ou na Ásia central, excepcionais custo/benefícios.

 

As 10 cidades mais caras do mundo em 2022, no ranking do The Economist

1. Nova Iorque

1. Singapura (empate)

3. Tel Aviv, Israel

4. Hong Kong

4. Los Ángeles (empate)

6. Zúrique

7. Genebra

8. São Francisco

9. París

10. Copenhagen

10. Sídnei (empate)

 

As 10 cidades mais baratas do mundo em 2022, no ranking do The Economist

161. Colombo (empate)

161.Bangalore (empate)

161. Alger  (empate)

164. Chennai

165 Ahmedabad

166. Almaty

167. Karachi

168. Tashkent

169. Tunis

170. Teheran

171. Tripoli

172. Damasco

 

Segurança dos destinos prefigura novas tendências?

Os Emirados Arabes Unidos são considerados o destino mais seguro

Preocupação crescente dos viajantes, a segurança é hoje um fator importante na hora de escolher um destino turístico. Lançado em 2009, o indice de criminalidade publicado no site da Numbeo é por isso mencionado ou utilizado por muitos jornais e revistas internacionais incluindo a BBC, Time, Forbes, The Economist, The New York Times, The China Daily, The Washington Post, USA Today e muitos mais. Baseado nos indices de criminalidade (incluindo drogas, corrupção e discriminação), mas também no sentimento de insegurança dos visitantes, o indice 2022 trouxe algumas surpresas e muitas confirmações que podem explicar ou influenciar algumas tendências.

O mapa mundi da segurança traga algumas surpresas

Com 435 cidades avaliadas, a pesquisa confirma, como era de esperar, que a América Latina e a África são as regiões mais inseguras, ocupando os últimos lugares da lista. De forma mais surpreendente, a América do Norte tem indices ruins ou pelo menos extremamente diferenciados. E se a Europa e a Oceania são globalmente mais seguras, com certas diferencias regionais,  a surpresa vem da boa colocação da Ásia e mais ainda do Oriente Médio com vários destinos turísticos  onde os viajantes encontram a segurança que responde as suas expectativas.

Os indices por pais destacam a Europa e o Oriente Médio

O ranking dos países, acumulando acima cidades seguras em azul e inseguras em vermelho, vem confirmando este quadro. Nos destinos mais tranquilos, e como era de se esperar, destacam-se os Emirados Arabes Unidos, a Suiça, os Países Baixos e a  Noruega, mas também alguns países que não tinham essa  fama, como a Turquia ou a Romênia. A China , a Alemanha, a Nova Zelândia confirmam as suas imagens de tranquilidade. As surpresas vêm dos grandes destinos turísticos. No Sul da Europa, a Espanha fica em sexto lugar enquanto a Itália e mais ainda a França constam com o Brasil e a África do Sul nos países mais problemáticos. Umas más colocações divididas com dois outros gigantes do turismo internacional, o Mexico e os Estados Unidos.

Quebec se firma no top do ranking por cidades

Dominado pelas cidades suíças e emiratis, o ranking por cidades mostra porem uma grande diversidade, mesmo em países globalmente mal colocados. Quebec no Canadá é assim no pódio da lista, Irvine na California ou Merida no Mexico são extremamente bem avaliadas.  Na França, Brest (na Britânia) está nas vinte primeiras, Estrasburgo e Bordeaux ficam com indice de segurança acima da media. No Reino Unido, enquanto Londres fica atras de Medellin, Edimburgo está muito bem colocada. Na Itália, Trieste esta bem avaliada em quinquagésima quinta posição, e Florença surpreende. No Brasil, Florianópolis e Curitiba destoam das outras capitais brasileiras que dividem as piores posições da lista.

Florianópolis é a cidade brasileiro melhor colocada no ranking

A pesquisa e a classificação da Numbeo devem ser analisadas com um certo cuidado, mas a preocupação com a segurança é uma das mais fortes tendências da retomada pós Covid. Já é um dos motivos do sucesso de vários destinos, seja Dubai, a Suiça, a Croácia, a Noruega, a China (e Taipé) ou a Nova Zelândia.  Nos grandes países turísticos, a segurança deve voltar a ser uma prioridade na França, nos Estados Unidos ou na Itália, onde podem ajudar ao crescimento de novos pontos de atração, mais tranquilos e longe do overturismo. As exigências de experiências seguras estão assim abrindo mais oportunidades no Pais Basco, em Taipé, no Quebec, na Alsácia, na California, em Bordeaux, nos países bálticos, ou em Florianópolis.
AS 20 MAIS E AS 20 MENOS DO RANKING DE SEGURANÇA

Viagens de negócios e video-conferências, qual futuro depois da retomada?

Montpellier, cidade sede da Chaire Pegase de pesquisa turística

Representando 25% dos viajantes e gastando mundialmente USD 1.400 bilhões por ano, os homens e as mulheres de negócios contribuíam por 55 à 75% das receitas das companhias aéreas. Com a crise do Covid, e a redução dos riscos e gastos das empresas, essas viagens despencaram de mais de 70%, numa clara ameaça a economia do setor. Enquanto a retomada parece por enquanto limitada ao lazer, e a video-conferencia instalada para ficar, a Chaire Pégase, centro de pesquisas da universidade de turismo de Montpellier na França, publicou um estudo mostrando as tendências e as consequências dessa competição entre o video e o presencial .

Video-conferências entraram para ficar

Antes da crise, 35% das empresas já tinham começado a utilizar as video-conferências, para reduzir seus custos financeiros, humanos e ambientais. Mas a tendência se acelerou. Nos últimos 15 meses, a maioria das viagens de negócios foram canceladas, seja por necessidade de redução de custos (31%), por precaução sanitária (71%), impossibilidade de viajar (55%), ou vontade de contribuir ao meio ambiente (22%). Em 53% dos casos, essas viagens foram substituídas por video-conferências, os participantes elogiando essa evolução por ser menos cansativa (65%), e permitindo um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (66%). Mas a substituição tem seus inconvenientes, 82% dos interessados são saturados com as video-conferências, a falta de comunicação com os colegas (73%), a perda de oportunidades para atingir suas metas (64%), e as dificuldades de ganho de novos clientes (60%).

As grandes feiras são um dos setores mais ameaçados

A pesquisa da Chaire Pegase mostra porém uma grande diversidade de opiniões e de comportamentos em função dos tipos de viagens, do setor econômico e do tamanho da empresa. Para os entrevistados, as viagens ligados a intervenções técnicas (59%), a prospeção comercial e as vendas (59%), bem como ao relacionamento com os clientes  (50%) serão os mas rápidos a recomeçar. Devem seguir depois as reuniões internas nas filiais pertencendo a um mesmo grupo. Os eventos profissionais, feiras, salões, conferências (27%), e os incentivos (30%) voltarão somente num segundo tempo, bem como os eventos ligados a formação (21%) que podem ser realizados em formatos híbridos.

Reuniões internos são as mais propicias a video-conferencias

A retomada das viagens de negócios depende também dos setores de atividades das empresas. Segundo a McKinsey, as construtoras, as imobiliárias, as farmacêuticas devem ser as primeiras a liberar as viagens enquanto os setores energético e têxtil devem demorar mais, bem como os serviços e a pesquisa científica que terão mais facilidade para seguir nas video-conferencias. O tamanho das empresas sera um outro fator diferenciador. Com mais recursos, as grandes empresas vão poder reiniciar suas viagens de negócios logo depois da crise, enquanto as pequenas estruturas terão que reconstruir os seus caixas antes de pensar em investir mais que o mínimo indispensável

40% das viagens de negócios substituídas por video-conferencias?

As video-conferencias mudaram  mesmo a economia do setor. No curto prazo, 70% dos entrevistados pensam viajar menos até o final da crise, e 42% acham que essa situação vai perdurar. A pesquisa da Chaire Pégase prevê no logo prazo uma queda 40% das viagens de negócios enquanto o turismo de lazer vai recuperar a partir de 2024 as previsões de crescimento anterior a crise. Uma boa noticia para as companhias low cost, mas uma forte preocupação para as companhias aéreas tradicionais como Air France ou Lufthansa que construíram seus modelos econômicos em cima desses viajantes. No mundo pós Covid, terão não somente de repensar os serviços oferecidos aos homens de negócio  com  uma melhor segmentação, mas também dar uma atenção muito maior aos turistas de lazer que o sucesso das video-conferencias não deveria atingir.

Jean-Philippe Pérol

Para os agentes de viagem, a retomada é agora

Desde que a atividade turística foi a perto de zero no início da pandemia no Brasil, a pergunta que todo o trade fazia era: quando será a retomada? Questão difícil de responder, muitas vezes especialistas faziam apostas, mas pouco das projeções se concretizou. Agora, porém, com uma parte da população vacinada, os agentes de viagens – principal canal de comercialização de produtos turísticos, estão mais otimistas.

A mais recente edição do TERMÔMETRO DO TURISMO – projeto de pesquisa feito em conjunto pela CAP AMAZON e pelo MERCADO & EVENTOS – mostra que o pessimismo está ficando para trás. A pesquisa consulta exclusivamente agentes de viagens de todo o País e contou com mais de 100 respostas.

Retomada do turismo

Na opinião de 62% dos profissionais, a retomada ocorre agora no segundo semestre de 2021. Mais especificamente, 35% projetam o aquecimento das vendas neste terceiro trimestre e 27% para os últimos três meses do ano. Para uma parte dos agentes – que corresponde a 10% do total – a retomada já aconteceu no primeiro semestre, enquanto 11% acredita que esta página já ficou para trás e apontam que a retomada começou em 2020. Mais cautelosos, 17% esperam uma volta somente em 2022.Nordeste continua líder na preferência dos viajantes

Em relação aos destinos mais procurados, o nacional segue sendo a maior aposta. Dentro do Brasil, o Nordeste está ainda na liderança, com 53%, mas menor do que na edição de março, quando apareceu com 66%. Em seguida o Sudeste está voltando, passando de 14 para 27%. Depois vem o Sul- puxado por Gramado- que passou de 16 para 18%. Centro Oeste e Norte aparecem com somente 1% cada.No internacional, o Caribe é o destino mais produrado

No que diz respeito ao exterior, já é possível perceber o efeito dos destinos que já estão abertos para brasileiros. O Caribe- com México e as quarentenas para os EE UU- é líder com 47%, sendo que na pesquisa anterior, tinha aparecido com 30%. Europa passou de 23 para 20%, com forte domínio do Portugal, a América do Sul de 24 para 7% devido ao fechamento de quase todas as fronteiras, e América do Norte de 13 para 18%, aproveitando o impacto das vacinas.

Para os agentes, o lazer irá liderar a retomada

Os segmentos que mais devem viajar, na opinião dos agentes segue liderado pelo lazer com 47%, seguido de Família e Amigos com 32%. Depois vêm Corporativo (10%, em queda), Cruzeiros (9%, voltando a crescer) e Mice (2%).

27% das agências irão operar no regime de home office definitivamente

O home office vem para ficar

Otimismo aparece também na previsão de faturamento das agências

Otimismo aparece também na previsão de faturamento das agências

Em relação ao faturamento, há também melhores perspectivas. 35% dos agentes espera resultados um pouco acima do mesmo período do ano passado. Outro dado importante é que 32% dos pesquisados já estão operando normalmente, enquanto 61% estão em home office (27% de forma definitiva) e 7% encerraram as atividades, porém, com uma parte da população vacinada, os agentes de viagens – principal canal de comercialização de produtos turísticos, estão mais otimistas.

O turismo com 100 milhões de empregos a reconstruir

 

Egito, um dos destinos em destaque em 2021

Na véspera da alta temporada do hemisfério Norte, nos raros destinos internacionais abertos, os poucos viajantes vão com certeza amar os preços imbatíveis dos aviões e dos hotéis, a exclusividade das visitas de monumentos e atrações, a volta da natureza nos parques e jardins, ou a atenção especial dos guias e dos garçons. Menos visível para os visitantes, eles não poderão ver o outro lado da moeda desse “underturismo brutal”, o desaparecimento de muitos pequenos empregos que alegram o turista como motoristas, empregados, artesãos,  motoristas, vendedores de rua, artistas, animadores ou músicos.

Veneza saindo do overturismo e repensando uma nova relação entre turistas e moradores

Segunda uma estimativa do WTTC, o World Tourism and Travel Council, a queda de 74% do turismo internacional em 2020 já levou a destruição de 62 milhões de empregos, um número que poderia mesmo ter sido maior sem as medidas de apoio ao setor de muitos governos. A Organização Mundial do Turismo acredita porém que esses números são subestimados devido ao atraso da retomada, e já projeta para o final desse ano mais de 100 milhões de desempregados. Um cenário negro dentro do qual a OCDE teme que a metade das pequenas e médias empresas do setor desaparecem antes de 2022.  

As Ilhas do Tahiti souberam aproveitar o turismo para preservar seu patrimônio cultural

A crise do turismo impacta toda a economia de muitos países onde o setor representa não somente 10% do PIB, mas também a primeira fonte de divisas,  e até 25% dos empregos gerados nos últimos 5 anos. Em agosto 2020, um relatório da ONU chamou a atenção dos governos sobre a importância desses empregos, especialmente na África e na Oceania. Mesmo pouco qualificados, eles oferecem verdadeiras perspectivas de formação e de carreira para jovens sem diplomas, mulheres, populações rurais, povos autóctones e grupos marginalizados. São também essenciais a preservação do patrimônio natural e cultural. 

Os dois cenários da OMT para 2021

As perspectivas a curto prazo continuam pessimistas. Depois de anunciar uma queda de 87% do turismo internacional em janeiro, a OMT publicou dois cenários para 2021. O primeiro seria de uma retomada a partir de julho, com um aumento de 66% das chegadas em relação a 2020 – ainda inferior de 55% aos níveis anteriores a crise  O mais provável seria no entanto o segundo, uma volta ao normal a partir de setembro, um aumento das chegadas de somente 22% em relação a 2020 – inferior de 67% aos níveis de 2019.  A saída definitiva da crise seria assim projetada para janeiro ou abril de 2022. 

O turismo pos Covid ainda deve ser redesenhado

Com a normalidade ainda demorando a voltar, muitos dos seus profissionais obrigados a encontrar empregos em outras atividades ou perdendo fé no futuro do setor,  o turismo corre o risco de perder os homens e as mulheres que são a sua maior riqueza. Mesmo com as dramáticas circunstâncias atuais, ninguém deve porém perder a esperança. Em primeiro lugar porque os fluxos de turismo internacional vão voltar a crescer, a projeção da OMT de 1,8 bilhão de turistas para 2030 sendo somente recuada de dois ou três anos, permitindo a recuperação dos 100 milhões de empregos perdidos . Em segundo lugar porque o turismo vai acelerar uma extraordinária mutação – ecológica, social, cultural e comportamental- que vai ser para todos os profissionais do setor, e especialmente os mais jovens,  um desafio apaixonante.

Jean-Philippe Pérol

Emoções transformacionais e exclusividade,  tendências para ser respondidas