Viagens de negócios e video-conferências, qual futuro depois da retomada?

Montpellier, cidade sede da Chaire Pegase de pesquisa turística

Representando 25% dos viajantes e gastando mundialmente USD 1.400 bilhões por ano, os homens e as mulheres de negócios contribuíam por 55 à 75% das receitas das companhias aéreas. Com a crise do Covid, e a redução dos riscos e gastos das empresas, essas viagens despencaram de mais de 70%, numa clara ameaça a economia do setor. Enquanto a retomada parece por enquanto limitada ao lazer, e a video-conferencia instalada para ficar, a Chaire Pégase, centro de pesquisas da universidade de turismo de Montpellier na França, publicou um estudo mostrando as tendências e as consequências dessa competição entre o video e o presencial .

Video-conferências entraram para ficar

Antes da crise, 35% das empresas já tinham começado a utilizar as video-conferências, para reduzir seus custos financeiros, humanos e ambientais. Mas a tendência se acelerou. Nos últimos 15 meses, a maioria das viagens de negócios foram canceladas, seja por necessidade de redução de custos (31%), por precaução sanitária (71%), impossibilidade de viajar (55%), ou vontade de contribuir ao meio ambiente (22%). Em 53% dos casos, essas viagens foram substituídas por video-conferências, os participantes elogiando essa evolução por ser menos cansativa (65%), e permitindo um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (66%). Mas a substituição tem seus inconvenientes, 82% dos interessados são saturados com as video-conferências, a falta de comunicação com os colegas (73%), a perda de oportunidades para atingir suas metas (64%), e as dificuldades de ganho de novos clientes (60%).

As grandes feiras são um dos setores mais ameaçados

A pesquisa da Chaire Pegase mostra porém uma grande diversidade de opiniões e de comportamentos em função dos tipos de viagens, do setor econômico e do tamanho da empresa. Para os entrevistados, as viagens ligados a intervenções técnicas (59%), a prospeção comercial e as vendas (59%), bem como ao relacionamento com os clientes  (50%) serão os mas rápidos a recomeçar. Devem seguir depois as reuniões internas nas filiais pertencendo a um mesmo grupo. Os eventos profissionais, feiras, salões, conferências (27%), e os incentivos (30%) voltarão somente num segundo tempo, bem como os eventos ligados a formação (21%) que podem ser realizados em formatos híbridos.

Reuniões internos são as mais propicias a video-conferencias

A retomada das viagens de negócios depende também dos setores de atividades das empresas. Segundo a McKinsey, as construtoras, as imobiliárias, as farmacêuticas devem ser as primeiras a liberar as viagens enquanto os setores energético e têxtil devem demorar mais, bem como os serviços e a pesquisa científica que terão mais facilidade para seguir nas video-conferencias. O tamanho das empresas sera um outro fator diferenciador. Com mais recursos, as grandes empresas vão poder reiniciar suas viagens de negócios logo depois da crise, enquanto as pequenas estruturas terão que reconstruir os seus caixas antes de pensar em investir mais que o mínimo indispensável

40% das viagens de negócios substituídas por video-conferencias?

As video-conferencias mudaram  mesmo a economia do setor. No curto prazo, 70% dos entrevistados pensam viajar menos até o final da crise, e 42% acham que essa situação vai perdurar. A pesquisa da Chaire Pégase prevê no logo prazo uma queda 40% das viagens de negócios enquanto o turismo de lazer vai recuperar a partir de 2024 as previsões de crescimento anterior a crise. Uma boa noticia para as companhias low cost, mas uma forte preocupação para as companhias aéreas tradicionais como Air France ou Lufthansa que construíram seus modelos econômicos em cima desses viajantes. No mundo pós Covid, terão não somente de repensar os serviços oferecidos aos homens de negócio  com  uma melhor segmentação, mas também dar uma atenção muito maior aos turistas de lazer que o sucesso das video-conferencias não deveria atingir.

Jean-Philippe Pérol

Para os agentes de viagem, a retomada é agora

Desde que a atividade turística foi a perto de zero no início da pandemia no Brasil, a pergunta que todo o trade fazia era: quando será a retomada? Questão difícil de responder, muitas vezes especialistas faziam apostas, mas pouco das projeções se concretizou. Agora, porém, com uma parte da população vacinada, os agentes de viagens – principal canal de comercialização de produtos turísticos, estão mais otimistas.

A mais recente edição do TERMÔMETRO DO TURISMO – projeto de pesquisa feito em conjunto pela CAP AMAZON e pelo MERCADO & EVENTOS – mostra que o pessimismo está ficando para trás. A pesquisa consulta exclusivamente agentes de viagens de todo o País e contou com mais de 100 respostas.

Retomada do turismo

Na opinião de 62% dos profissionais, a retomada ocorre agora no segundo semestre de 2021. Mais especificamente, 35% projetam o aquecimento das vendas neste terceiro trimestre e 27% para os últimos três meses do ano. Para uma parte dos agentes – que corresponde a 10% do total – a retomada já aconteceu no primeiro semestre, enquanto 11% acredita que esta página já ficou para trás e apontam que a retomada começou em 2020. Mais cautelosos, 17% esperam uma volta somente em 2022.Nordeste continua líder na preferência dos viajantes

Em relação aos destinos mais procurados, o nacional segue sendo a maior aposta. Dentro do Brasil, o Nordeste está ainda na liderança, com 53%, mas menor do que na edição de março, quando apareceu com 66%. Em seguida o Sudeste está voltando, passando de 14 para 27%. Depois vem o Sul- puxado por Gramado- que passou de 16 para 18%. Centro Oeste e Norte aparecem com somente 1% cada.No internacional, o Caribe é o destino mais produrado

No que diz respeito ao exterior, já é possível perceber o efeito dos destinos que já estão abertos para brasileiros. O Caribe- com México e as quarentenas para os EE UU- é líder com 47%, sendo que na pesquisa anterior, tinha aparecido com 30%. Europa passou de 23 para 20%, com forte domínio do Portugal, a América do Sul de 24 para 7% devido ao fechamento de quase todas as fronteiras, e América do Norte de 13 para 18%, aproveitando o impacto das vacinas.

Para os agentes, o lazer irá liderar a retomada

Os segmentos que mais devem viajar, na opinião dos agentes segue liderado pelo lazer com 47%, seguido de Família e Amigos com 32%. Depois vêm Corporativo (10%, em queda), Cruzeiros (9%, voltando a crescer) e Mice (2%).

27% das agências irão operar no regime de home office definitivamente

O home office vem para ficar

Otimismo aparece também na previsão de faturamento das agências

Otimismo aparece também na previsão de faturamento das agências

Em relação ao faturamento, há também melhores perspectivas. 35% dos agentes espera resultados um pouco acima do mesmo período do ano passado. Outro dado importante é que 32% dos pesquisados já estão operando normalmente, enquanto 61% estão em home office (27% de forma definitiva) e 7% encerraram as atividades, porém, com uma parte da população vacinada, os agentes de viagens – principal canal de comercialização de produtos turísticos, estão mais otimistas.

O turismo com 100 milhões de empregos a reconstruir

 

Egito, um dos destinos em destaque em 2021

Na véspera da alta temporada do hemisfério Norte, nos raros destinos internacionais abertos, os poucos viajantes vão com certeza amar os preços imbatíveis dos aviões e dos hotéis, a exclusividade das visitas de monumentos e atrações, a volta da natureza nos parques e jardins, ou a atenção especial dos guias e dos garçons. Menos visível para os visitantes, eles não poderão ver o outro lado da moeda desse “underturismo brutal”, o desaparecimento de muitos pequenos empregos que alegram o turista como motoristas, empregados, artesãos,  motoristas, vendedores de rua, artistas, animadores ou músicos.

Veneza saindo do overturismo e repensando uma nova relação entre turistas e moradores

Segunda uma estimativa do WTTC, o World Tourism and Travel Council, a queda de 74% do turismo internacional em 2020 já levou a destruição de 62 milhões de empregos, um número que poderia mesmo ter sido maior sem as medidas de apoio ao setor de muitos governos. A Organização Mundial do Turismo acredita porém que esses números são subestimados devido ao atraso da retomada, e já projeta para o final desse ano mais de 100 milhões de desempregados. Um cenário negro dentro do qual a OCDE teme que a metade das pequenas e médias empresas do setor desaparecem antes de 2022.  

As Ilhas do Tahiti souberam aproveitar o turismo para preservar seu patrimônio cultural

A crise do turismo impacta toda a economia de muitos países onde o setor representa não somente 10% do PIB, mas também a primeira fonte de divisas,  e até 25% dos empregos gerados nos últimos 5 anos. Em agosto 2020, um relatório da ONU chamou a atenção dos governos sobre a importância desses empregos, especialmente na África e na Oceania. Mesmo pouco qualificados, eles oferecem verdadeiras perspectivas de formação e de carreira para jovens sem diplomas, mulheres, populações rurais, povos autóctones e grupos marginalizados. São também essenciais a preservação do patrimônio natural e cultural. 

Os dois cenários da OMT para 2021

As perspectivas a curto prazo continuam pessimistas. Depois de anunciar uma queda de 87% do turismo internacional em janeiro, a OMT publicou dois cenários para 2021. O primeiro seria de uma retomada a partir de julho, com um aumento de 66% das chegadas em relação a 2020 – ainda inferior de 55% aos níveis anteriores a crise  O mais provável seria no entanto o segundo, uma volta ao normal a partir de setembro, um aumento das chegadas de somente 22% em relação a 2020 – inferior de 67% aos níveis de 2019.  A saída definitiva da crise seria assim projetada para janeiro ou abril de 2022. 

O turismo pos Covid ainda deve ser redesenhado

Com a normalidade ainda demorando a voltar, muitos dos seus profissionais obrigados a encontrar empregos em outras atividades ou perdendo fé no futuro do setor,  o turismo corre o risco de perder os homens e as mulheres que são a sua maior riqueza. Mesmo com as dramáticas circunstâncias atuais, ninguém deve porém perder a esperança. Em primeiro lugar porque os fluxos de turismo internacional vão voltar a crescer, a projeção da OMT de 1,8 bilhão de turistas para 2030 sendo somente recuada de dois ou três anos, permitindo a recuperação dos 100 milhões de empregos perdidos . Em segundo lugar porque o turismo vai acelerar uma extraordinária mutação – ecológica, social, cultural e comportamental- que vai ser para todos os profissionais do setor, e especialmente os mais jovens,  um desafio apaixonante.

Jean-Philippe Pérol

Emoções transformacionais e exclusividade,  tendências para ser respondidas

A renovação urbana, grande vencedora da pandemia?

No coração de Manhattan, a 42nd é agora deserta

Apresentado um relatório sobre o crise do Covid nos centros urbanos, o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, lembrou que as grandes cidades são as mais atingidas, concentrando até 90% dos casos. Os confinamentos pararam com o coração das suas atividades. Com os trabalhadores, os visitantes, os estudantes e até os moradores cada vez mais raros nas ruas, comércios e restaurantes estão sofrendo com as indispensáveis precauções sanitárias, ou são obrigados a fechar pelo menos provisoriamente. Em muitos países,  ajudas governamentais ainda estão evitando fechamentos definitivos, mas a retomada será muito difícil.

A crise acelerou a popularidade das ciclovias

Muitas prefeituras tentaram com sucesso de adaptar a utilização do seu espaço público as necessidades da luta contre a epidemia, investindo em transporte mais seguros com a aceleração de projetos antigos ou o lançamento de novas iniciativas : ampliação das áreas pedestres e das ciclovias, construção de pontos de abastecimentos de veículos elétricos, aberturas de terraços nas calçadas e nas praças públicas. Em uma conjuntura normal, essas idéias encontram fortes resistências mas com a crise foram facilitados pela urgência de ajudar o acesso seguro aos comércios locais, elos chaves da vitalidade das ruas dos centros urbanos.

O centro histórico de Québec enfrenta a queda do turismo

Além do comércio e dos restaurantes, as prefeituras devem também agir para ajudar o setor hoteleiro dos centros urbanos que estão em situação crítica. Além de muitos hotéis fechados, as taxas de ocupação de 2020 estão raramente ultrapassando 40% nos dias de pique, e caindo a menos de 20% em destinos acostumados a receber turistas internacionais – 18% por exemplo em Montreal. 2021 começou pior ainda, e mesmo Paris, primeira cidade turística mundial, estava em janeiro com uma taxa oscilando entre 34% para os hotéis mais populares, até 7% para os 5 estrelas que são as maiores fontes de visitantes para as lojas e os restaurantes das ruas comerciais.

Montreal é a cidade mais verde do Canada

No Canadá, os profissionais pensam que a crise vai acelerar algumas tendências do urbanismo que já preexistiam: construções mais sustentáveis, desenvolvimento da agricultura urbana, ampliação dos parques e das áreas arborizadas, apoio a todos os tipos de transportes a propulsão elétrica. Um grupo de 50 especialistas e personalidades assinaram uma Declaração 2020 para a resiliência das cidades canadenses. Eles estão pedindo uma economia verde, limpa e com poucas emissões de carbone, listando 20 medidas para assegurar uma urbanização responsável, acelerar a “decarbonização” e aderir de vez ao crescimento sustentável.

Paris projetando um futuro dinâmico, acolhedor e verde

A agonia dos centros urbanos não começou com a pandemia. Os shopping centers das periferias bem como o e-comércio já estão esvaziando as ruas há anos. A crise do Covid acelerou o movimento mas provocou também uma maior conscientização e muitas vezes uma forte mobilização dos profissionais. No Canadá, foi publicado o relatório Devolvendo a rua principal que apresenta ações para dinamizar o coração das grandes cidades.  No Québec, uma outra iniciativa junta apresentações de projetos de cidades com centros renovados, dinâmicos, motores da  economia turística, onde cultura e gastronomia são autênticos e vibrantes, onde os moradores são felizes, orgulhosos de viver e de receber os turistas.

O Québec investindo em “rues conviviales” para renovar os centros urbanos

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Pesquisa internacional mostra um otimismo razoável sobre a retomada do turismo

A esperada pesquisa do “World Travel Monitor” sobre as viagens internacionais em 2020 confirmou os números já conhecidos, e deu algumas prudentes esperanças. O turismo foi mesmo um dos setores econômicos mais atingidos no mundo, com uma queda média das viagens internacionais de 70%, com diferenças significativas segundo os continentes. A queda foi mais importante na Ásia com quase 80% , depois na América Latina com 70%, na América do Norte com 69%, a Europa tendo a menor queda com 66%. A geografia explica talvez essas diferenças, as viagens de carro – mais importantes no turismo internacional na Europa- caindo somente de 58% enquanto as viagens de avião sofrem muito mais com um recuo de 74%.

A procura de viagens mudou com a crise

As viagens de lazer foram as mais atingidas, com uma queda de 71%, mais que as viagens de negócios que caíram de 67% (mas serão provavelmente mais penalizadas no médio e longo prazo), e mais as viagens de amigos e familiares que recuaram de  62%. Dentro das viagens de lazer, a queda foi bem menor para a procura de natureza(-53%). Como era de se esperar, o transporte aéreo sofreu o maior recuo mundial – 74%-, enquanto o transporte terrestre caiu de somente 58%. As diferenças foram também importantes nas hospedagens, com a hotelaria mostrando ocupações com queda recorde de 73%, muito superior a seus concorrentes, seja aparthotéis, AirBnb ou particulares . A pesquisa mostrou enfim que o viajante 2020 gastou 14% a menos, mas a queda foi principalmente a consequência do declíno das viagens intercontinentais.

Na Ásia, o turismo urbano deve ser a tendência 2021

Os resultados da pesquisa da IPK mostram um certo otimismo em relação a 2021. O grande obstáculo para a retomada sendo o Covid e não a crise econômica, e com 90% dos entrevistados aceitando de ser vacinados, os 62% que estão com vontade de viajar este ano dependem agora somente da disponibilidade da vacina. As intenções de viagem post Covid são mais fortes para as visitas a parentes e amigos, e para as férias na praia. Na Ásia, há uma tendência importante para o turismo urbano. Nos outros mercados, na Europa e nas Américas, como foi levantado em pesquisas no Brasil, nota-se também um crescimento da procura de ecoturismo e de bem estar.

Personalização, conteúdo e exclusividade são as tendências do turismo de luxo

Além desse otimismo razoável, e de novas exigências de sustentabilidade ou de turismo de luxo,  a  pesquisa destacou os destinos mais procurados para 2021. Nos cinco continentes, os turistas têm uma preferência marcada para os países próximos, mas essa tendência é muito mais forte na Europa. Os líderes do turismo europeu, a Espanha, da Itália, da França e da Alemanha devem assim ser os primeiros a aproveitar uma retomada cujo ritmo só será definido pela disponibilidade das vacinas: iniciada em 2021, seria completa em 2022 ou no mais tardar em 2023. Um otimismo (muito) razoável.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Agentes de viagens esperam recuperação mais lenta

 

Os agentes de viagens estão se mostrando mais pessimistas

A quinta rodada da pesquisa TERMÔMETRO DO TURISMO, uma parceria entre o MERCADO & EVENTOS e a CAP AMAZON, mostra que há uma incerteza muito grande por parte dos agentes de viagens em relação a recuperação do setor. Entre os respondentes, 32% acreditam que a retomada das viagens ocorrerá apenas no segundo semestre de 2021; 27% apostam no segundo trimestre e 26% acredita que isso ocorrerá apenas em 2022. Para 9% a retomada teve início em 2020 e os outros 6% disseram que a retomada ocorre neste primeiro trimestre. Os dados foram colhidos em fevereiro e os resultados englobam um universo de mais de 300 agências de todo o Brasil. Do total de empresas que responderam, 85% têm menos de dez funcionários; outros 9% têm de dez a 50 e os outros 6% contam com mais de 50 colaboradores. 76% são especializados em lazer, 12% corporativo e 12 em outros nichos específicos.

Gráfico 1

“Na última pesquisa, que foi feita entre novembro e dezembro, o mercado estava começando a esquentar e os agentes já estavam caminhando com clientes voltando a viajar. Desta vez, sentimos que a conjuntura é muito diferente, com esta nova onda da Covid-19 muitos países se fecharam e as restrições são enormes. Agora não é só não poder sair, também não tem muito onde ir. É um pessimismo que vai muito além do Turismo e atinge todos os setores”, destacou Jean-Phillipe Pérol, diretor da Cap Amazon. Para o diretor de Redação do M&E, Anderson Masetto, a situação é parecida com o início da pandemia, quando as principais notícias eram as de fechamento de fronteiras, hotéis e atrativos. “Estamos vendo notícias iguais no início da pandemia. Tudo isso começou com o surgimento das novas variantes, primeiro a do Reino Unido e depois a do Brasil. As fronteiras começara ser fechadas e temos hoje poucos países que aceitam receber pessoas que estiveram no Brasil. O fato é que as pessoas estão cansadas, mas enquanto a situação não estiver minimamente controladas, as viagens estarão cada vez mais restritas, infelizmente. Mas por outro lado, a campanha de vacinação já começou e vemos uma porta de saída”, afirmou.

Gráfico 4

O pessimismo se reflete também na previsão de faturamento. Embora o maior percentual (36%) acredite que será um pouco maior do que no ano passado, é necessário lembrar que a comparação é com 2020, quando as vendas despencaram. Outros 26% vêem um faturamento muito abaixo e 15% um pouco abaixo. Para 14% será igual e 6% um pouco acima. Faturamento menor também leva as agências a buscarem uma redução de custos. Gráfico 5O número de empresas operando em home office aumentou em relação a última pesquisa de 68% para 72%. 25% estão operando normalmente, enquanto 3% estão fechadas. “Mesmo antes da pandemia, esta era uma tendência observada em outros países e que a gente já esperava que fosse acontecer aqui. A pandemia acelerou esta tendência”, ressaltou Masetto. “Também acredito que a crise está acelerando fenômenos que já estavam a caminho. O crescimento dos chamados home agents é um fenômeno importante nos Estados Unidos e aqui é uma adaptação a evolução do mercado, não apenas por conta da pandemia”, complementou Pérol.

Gráfico 3

A pesquisa abordou ainda as tendências. Os agentes foram perguntados para quais destinos acreditam que a recuperação será mais rápida. O campeão, novamente, foi o Nordeste, com 65% das respostas, seguido do Sul com 16%, Sudeste com 14%, Centro Oeste com 3% e Norte com 2%.

Os destinos caribenhos – incluindo o México- seguem líderes das preferências

No caso do internacional, Caribe, incluindo o México, está na frente com 30%. Em seguida vem América do Sul, com 24%; Europa, com 23%; Europa, com 23%; e América do Norte em forte alta com 13%. Os demais destinos somaram 10%. O primeiro segmento a retomar, para as agências pesquisadas são o lazer com 44%, visita a familiares e amigos com 34%, corporativo com 15%, cruzeiros com 4%, e feiras e MICE, com 2%.

Novas tendências vão impactar a retomada

Na opinião das agências consultadas, a retomada é mais uma vez foi recuada, em média, para o segundo semestre deste ano, um pessimismo marcante em relação a pesquisa anterior. Por outro lado, ainda impactada pelo fechamento de fronteiras, a procura de destinos favorece o doméstico. “O pessimismo é também ligado ao fato que as os setores mais “agenciados” (corporativo, cruzeiros e internacional) não estão dando sinais significativos de saída da crise. Além disso, a retomada do doméstico é mais difícil de ser captada pelos agentes”, finalizou Pérol.

Veja aqui a apresentação completa dos resultados:

Democratas ou Republicanos, destinos são também Política?

A imagem do Presidente impacta a imagem do pais e do destino

As últimas eleições americanas, e a acirrada disputa que acabou com a vitória de Joe Biden, foram seguidas com muita atenção – e as vezes com muita paixão – pelos profissionais do turismo do mundo inteiro. Agentes de viagem ou hoteleiros sabem que as futuros decisões dos responsáveis políticos impactam de forma decisiva as escolhas dos viajantes. Com rumos diferentes dados pelos governos ao crescimento econômico,  aos índices da bolsa, ao valor de câmbio, as infraestruturas, bem como a imagem do país e de seu “comandante-em-chefe”, os fluxos de turistas podem aumentar, diminuir ou simplesmente mudar de destinos.

O dinamismo de Wall Street impacta diretamente as viagens dos americanos

Se olhar por exemplo os fluxos de turistas norte americanos para Europa nos últimos trinta anos, pode observar que dois desses fatores explicam as flutuações do número de viajantes. O valor do câmbio do USD frente as moedas européias e depois para o EUR, combinado com o nível do índice da bolsa de  Nova Iorque, definem assim claramente as evoluções anuais, baixando até menos de 10 milhões quando for desfavoráveis como em 2003 ou 2008, e subindo até um teto de 18 milhões quando a força do USD se junta com o otimismo de Wall Street, o que foi o caso em 2000, 2007 ou 2018.

Obama se empolgou pela promoção do turismo nos EEUU

Além das suas decisões e dos seus sucessos, os dirigentes democratas ou republicanos influenciam as viagens com sua própria imagem. Olhando a dura concorrência da Europa e dos Estados Unidos para o  primeiro lugar dos seus destinos junto aos viajantes brasileiras, é assim interessante de ver como os brasileiros votaram com as suas viagens. Atrás da Europa no início dos anos 90, os Estados Unidos passaram na frente durante a cia do Clinton. A liderança se inverteu na presidência do Bush, até que a chegada do Obama voltou a por os Estados Unidos no primeiro lugar, posição que eles perderam depois da eleição do Trump. Os jogos estão agora abertos para 2021….

As escolhas politicas americanas impactam os destinos europeus

Uma pesquisa realizada alguns anos atrás pela Atout France nos Estados Unidos mostrou que a própria escolha dos destinos depende também dos perfis políticos dos viajantes. 78% dos entrevistados declaravam que suas convicções partidárias influenciavam as suas viagens. Dos quatro grandes destinos europeus dos estadunidenses, a Inglaterra era “vermelha” (preferida por 87% dos republicanos e somente 18% dos democratas) assim como, em menor escala, a Alemanha (24% dos republicanos e 18% dos democratas), enquanto a França e a Itália eram azuis de forma arrasadora (respectivamente 8% republicana e 73% democrata para a primeira, 14% republicana e 57% democrata para a segunda). Será que viagem é mesmo também politica?

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Uma retomada começando pelo turismo domestico, apenas em 2021 e fugindo do overturismo?

 
Pesquisa foi feira em parceria pelo M&E e pela Cap Amazon

Mais uma rodada da pesquisa TERMÔMETRO DO TURISMO, realizada em parceria pelo Mercado & Eventos e pela Cap Amazon, foi divulgada nesta quarta-feira (30). Os resultados mostram que s agentes de viagens estão mais pessimistas em relação a retomada do que nos levantamentos anteriores. Para 45% dos profissionais que responderam o questionário, a volta das viagens e das vendas ocorrerá no primeiro semestre de 2021, 19% apostam no segundo semestre do ano que vem, enquanto outros 19% apontam o mês de dezembro. Foram ouvidos cerca de 300 profissionais de todo o Brasil, com ênfase em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Manaus e Belém. Das agências pesquisadas, 74% são especializadas em lazer, 9% em corporativo e 17% especializada em nichos específicos. A grande maioria (90%) tem menos de dez funcionários, 8% de dez a 50% e 2% mais de 50. As respostas foram colhidas entre os dias 10 a 30 de setembro. “Lá no começo da pandemia, todos achavam que era uma crise forte, mas que iria passar em um tempo menos. Agora, os agentes de viagens estão percebendo que as perspectivas são muito imprevisíveis”, disse Jean Phillipe Pérol, diretor da Cap Amazon. “Os agentes estão bastante pessimistas se compararmos com a primeira pesquisa, realizada em maio”, completou o executivo, lembrando que na época a maioria apontou que a retomada teria início no mês de setembro.

Anderson Masetto, editor chefe do Mercado & Eventos, acredita que os resultados atuais apontam mais para uma realidade mais clara do que um aumento do pessimismo. “Em maio, tínhamos o exemplo de países que já tinham saído da crise. Na China, onde tudo começou, por exemplo, ela demorou um tempo menor. Agora, as vendas já estão acontecendo e, por isso, o agente de viagens consegue ter uma perspectiva melhor sobre o que deve acontecer nos próximos meses”, explicou. Outra hipótese levantada por Pérol é o fato da retomada já ter começado e estar sendo encaminhada pelos destinos domésticos, uma vez que – antes da pandemia – muitas destas vendas acabavam não passando pelas mãos dos agentes de viagens. “A diferença de percepção da retomada em maio e agora pode vir deste fato”, disse. A oferta de produtos é outro fator que também pode justificar este pessimismo maior do agente de viagens. Segundo Pérol, os voos, por exemplo estão acontecendo, mas em um volume muito menor do que em 2019.

Nas pesquisas anteriores, os agentes de viagens apontaram as viagens pelo Brasil como o principal carro-chefe da retomada. Por isso, nesta terceira rodada foi incluída uma pergunta sobre quais regiões do País teriam uma volta mais rápida do fluxo de turistas. Como esperado o Nordeste ficou na liderança, com 37%, seguido do Sudeste, com 30%, Sul com 22% e Norte com 8%. O Centro Oeste ficou com 2%. “O doméstico é, de longe, o que está mais adiantado em termos de retomada. Aparentemente, o Nordeste é aquele que está aproveitando isso melhor”, destacou Pérol. “Nenhuma surpresa em ver o Nordeste na frente, mas é importante destacar o Sudeste em segundo lugar com 30%. A região é o maior pólo emissor do País e isso reflete a tendência de viagens a lugares próximos neste início de retomada, como o paulista viajando pelo próprio estado, por exemplo”, complementou Masetto. Para Pérol, existem dois fatores que podem ser explicados neste resultado. O primeiro é a viagem para a visita de familiares e amigos, colocada como uma das primeiras modalidades a retornar. O outro, que é um fenômeno mundial, são as viagens de carro para destinos a até 250 quilômetros de distância. “Isso aumentou muito e substitui, em muitos casos, a viagem de avião. Acredito que há muito mais paulistas que viajam para as praias próximas e interior hoje e o mesmo ocorre em outros estados. As pessoas estão indo conhecer pontos turísticos mais próximos”, contou. “Acredito que esta tendência irá continuar no pós-pandemia”, completou.

No caso das viagens internacionais, Portugal “roubou” a primeira colocação da América do Sul nesta terceira rodada. 21% dos agentes de viagens acredita que este será o destino a se recuperar mais rápido. Os destinos sulamericanos vêm em seguida com 19%, seguidos de América do Norte (18%) e Caribe (18%). 14% escolheram outro destino da Europa e 4% outros. Embora isso seja também reflexo da desaceleração da pandemia na Europa, o editor chefe do M&E acredita que estes resultados têm relação também com a oferta de voos. “Embora o desenrolar da pandemia pese, temos visto que as pessoas tem tido confiança nos protocolos e vão viajar. E, em paralelo a isso, os voos estão voltando, com companhias da Europa voltando a operar no Brasil e muitas que não voltaram ainda, já marcaram data. Portanto, é também uma questão de mobilidade. Antes não era possível chegar porque não tinha voos. Agora os voos estão aumentado gradativamente”, afirmou. Para Pérol outro ponto que contribui é que boa parte dos países da América do Sul permanece com as fronteiras fechadas. “Com a falta de previsão de abrir, a América do Sul caiu muito. Outro fator é que a Europa se tornou mais atraente do que os Estados Unidos por vários motivos, um deles é que a imagem do País caiu muito e a pandemia não está controlada, além do fato das fronteiras estarem fechadas”, explicou. “Outro fator é que há um número muito grande de brasileiros com passaporte europeu. Então, eles podem viajar com mais facilidade na Europa”, adicionou.

O primeiro segmento a viajar, para os agentes que participaram da pesquisa, é o lazer, com 41%, seguido da visita a família e amigos, com 35% e do corporativo com 16%. Os cruzeiros são apontados por 5%, feiras e MICE por 2% e 1% outros. O destaque é a queda do corporativo que registrou 30% em maio, 23% em julho e agora caiu ainda mais. “No início da crise os especialistas já diziam isso, mas na nossa pesquisa os agentes de viagens se mostraram mais otimistas. Agora, sentimos uma preocupação muito grande, porque pode ser um fenômeno que vai durar, uma vez que muitas empresas perceberam que podem substituir parte das viagens por reuniões virtuais”, reiterou Pérol. “Este foi o segmento mais atingido e deve passar por algumas mudanças mesmo no pós-pandemia”, completou.

Em relação a motivação e os temas das viagens, não há uma mudança significativa em relação as pesquisas anteriores. Entre as temáticas mais procuradas, os agentes de viagens apontam o Bem Estar (27%) como o preferido. Em seguida vem o Ecoturismo empatado com Negócios, ambos com 13%. Depois Cultura com 12% e Gastronomia com 9% são os mais citados. “O bem estar veio para ficar. Será uma condição básica para qualquer viagem. Esta é uma tendência muito forte que envolve spas e tudo que é ligado a saúde”, destacou Pérol.

Entre as novas tendências, 35% dos agentes de viagens acreditam que os destinos menos procurados terão a preferência no período pós-covid. Ao mesmo tempo, 34% cita a preocupação com a saúde e 20% a segurança. “Há uma evolução em relação ao overturismo. Isso já era tendência, mas hoje se tornou essencial. Acredito que esta é uma grande oportunidade para receptivos, pois isso vai aumentar o interesse para cidades menores e menos frequentados”, ressaltou Pérol.

O noticiário mostra o início de uma segunda onda da pandemia em diversos países da Europa. Os responsáveis pela pesquisa foram, então, questionados se isso pode se refletir nesta retomada e nos resultados do próximo TERMÔMETRO DO TURISMO. Para Masetto, a resposta é não. Para ele, há uma confiança muito grande nos protocolos e estão voltando às atividades que faziam antes, inclusive viajar. “Já foi muito noticiado o quanto é seguro estar dentro de um avião e também sobre a capacidade de proteção das máscaras. A não ser que as fronteiras sejam fechadas, as pessoas não irão mais adiar os seus planos”, ressalta. Pérol também é enfático. Para ele, “a retomada é irreversível”. Para ele, é claro que as pessoas irão escolher os destinos em função da situação sanitária dos países. “Estamos vendo na Europa que há uma resistência muito grande em fechar restaurantes e comércio para enfrentar esta segunda onda”, lembrou.

Veja como foi a apresentação dos resultados:

 

 

Viagens de negócios vão sobreviver a pandemia?

O glamour do Festival de Cannes transferido para 2021

Enquanto no inicio da crise as viagens de negócios pareciam os mais resilientes aos impactos do Covid19, somente 17% doa agentes de viagens brasileiros acham que esse setor está liderando a retomada. Na Europa, uma pesquisa feita pela Global Business Travel Association junto a profissionais do turismo, da hotelaria e do transporte aéreo revelou que 85% deles tiveram que enfrentar o cancelamento de todas ou da grande maioria das viagens corporativos, sendo que somente 12%  acreditava numa retomada das viagens internacionais em 2020, e 59% em 2021. No total, menos da metade dos entrevistados estavam esperando uma volta aos níveis pre-pandemia nos próximos 3 anos!

As reuniões virtuais agora incontornáveis mas nem sempre produtivas

Mesmo se muitas empresas ficaram interessadas pela queda espetacular dessas despesas provocada pela crise, elas acham que podem diminuir as viagens – sejam transportes, hospedagens e restaurantes- mas não podem cancelá-las. Encontros virtuais não sempre suficiente para medir riscos e oportunidades bem como para criar ou consolidar relações de confiança. Olhando o que aconteceu depois da crise financeira mundial de 2008, os consultores da McKinsey pensam assim que a retomada é certa, mas que será muito mais rápida para as viagens de lazer que para o setor corporativo onde poderia levar até cinco anos para ser completa.

As viagens  vão voltar, mas com normas diferentes

Mas se a retomada está chegando, e se os contatos reatados nas primeiras viagens de negócios serão com certeza produtivos, os especialistas são convencidos que ela será lenta e muito diversificada.  Em termos setoriais, as atividades mais atingidas pela crise não terão sempre os recursos necessários. Em termos geográficos, a China e os países do Sudeste da Ásia deveriam ser os primeiros a se abrir pelo seu controle da situação sanitária  e suas oportunidades de negócios. Ao contrário, e sempre segundo a McKinsey, os Estados Unídos e a América do Sul são áreas onde a volta a normalidade deveria demorar mais em função da evolução da luta contre o coronavirus.

O WTM LATAM, adiado para 2021 mas ganhando novas dimensões

Pesquisas e especialistas concordam porém para prever que quando a retomada chegar, as viagens corporativas não vão ser idênticas a aquelas que existiam ante da crise. Muitos encontros físicos serão mesmo transferidos em Skype, Zoom ou MS Team. Quando não for, essas viagens devem ser mais curtas, mais focadas nos centros industriais que nos centros urbanos, com reuniões em grupos menores, muitos cuidados com as normas sanitárias, e encontros sociais reduzidas ao necessário. Os congressos, as feiras e os salões serão os mais lentos a se reerguer, devendo se redimensionar em função dos novos protocolos, e ganhar dimensões virtuais ou multi-localizações. Para todos a sobrevivência necessitará muita criatividade.

Esse artigo foi inspirado de um artigo da revista francesa Courrier Internationsl

Começando a retomada, qual visão dos profissionais do turismo?

Os profissionais divergem sobre a retomada das viagens dos brasileiros. Qual é sua visão?

A primeira pesquisa de Mercado & Eventos e da Cap Amazon  sobre a sua visão do mercado brasileiro pós pandemia teve uma grande repercussão tanto na imprensa, nas mídias sociais e no próprio trade. De fato, os resultados mostraram a pertinência da visão de quem está na primeira linha da promoção e da venda das viagens, com informações importantes tanto sobre o novo calendário da retomada como sobre o impacto da crise e as novas tendências a curto e longo prazo.

Três meses depois, muita coisa já mudou e toda indústria de viagens está confrontado a esta nova realidade. Julgamos, então, importantíssimo ter outra vez a opinião dos profissionais da “linha de frente” sobre os novos comportamento dos viajantes e as perspectivas do próprio agente de viagens.

Desde já agradecemos a sua colaboração para este projeto com o preenchimento dessa pesquisa cujos resultados estabelecerão um verdadeiro termômetro do mercado brasileiro do ponto de vista dos próprios agentes.

Obrigado, e um grande abraço virtual a todos

Mercado & Eventos e Cap Amazon

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