Acordo Mercosul/ União Europeia: o turismo também?

Depois quase 20 anos, a perspectiva de um acordo histórico

Assinado  no último dia de Junho depois de quase 20 anos de negociação, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não deixou ninguém indiferente. De ambos lados do Oceano Atlantico e do Ecuador, políticos e defensores de interesses corporativistas já estão brigando – muitas vezes sem nem ter lido o texto – para defender ou atacar a sua ratificação pelo 31 países da nova área de libre comercio. Trata-se de o intercambio comercial de Euros 122 bilhões entre o segundo e o sexto maiores blocos econômico do mundo, o acordo não toca o diretamente o turismo, porém vai tem um impacto significativo na vida (e, portanto, nas viagens) de quase 800 milhões de pessoas, cancelando 91% dos direitos alfandegários, cuidando de bem estar e de liberdade dos consumidores, assim como de proteção do meio ambiente.

Os vinhos e os queijos franceses devem beneficiar-se com a queda das taxas

Desta forma, o consumidor brasileiro vai ver nos próximos anos o preço dos carros, das roupas e dos sapatos europeus cair em 35%, dos queijos franceses ou holandeses em 28%, dos vinhos franceses, portugueses ou italianos em 27%, do chocolate belga em 20%, dos biscoitos dinamarqueses entre 16 a 18%, e dos remédios franceses ou alemães em 14%. Ao mesmo tempo, a Europa ampliará as cotas e acabará com as taxas que hoje bloqueiam as exportações de setores extremamente competitivos, principalmente (mesmo se não somente) o agronegócio cujas produções de frango, carne bovina ou suína, sucos naturais ou frutas, têm a qualidade, o preço e o respeito da sustentabilidade  para competir com os melhores produtos da agricultura europeia.

A competitividade do agronegócio brasileiro deve aproveitar a abertura

A proteção das origens é um ponto crucial do acordo, sejam geográficas (Parme, Porto, Camembert ou whisky irlandês) ou “apelações” especificas (cachaça brasileira, vinho de Mendoza argentino), bem como a proteção das marcas ou dos direitos autorais. De forma geral, os serviços, que representam hoje mais do quarto dos intercâmbios entre a Europa e o Mercosul, não foram esquecidos no acordo. Correios, bancos, seguros, telecomunicações, transportes, investimentos ou aberturas de filiais serão facilitados. A grande maioria das empresas tanto do Mercosul quanto da Europa sendo pequenas ou medias, é prevista uma série de medidas para melhorar a sua competitividade e para ajudá-las a aproveitar as novas oportunidades que surgirão.

O e-comercio deve ser muito impactado pelo acordo

Mesmo se as viagens internacionais e o turismo não são mencionados em lugar nenhum, o acordo deve, com certeza, impactá-los por duas series de razões. Em primeiro lugar algumas das medidas anunciadas se aplicam também ao setor. As novas regras referentes ao e-comercio, suprimindo bloqueios desnecessários, dando mais garantias jurídicas as empresas e protegendo os dados dos consumidores vão ter consequências para as OTA (agencias on line), as operadoras e até as agencias tradicionais. As novas regras referentes a circulação de profissionais, a instalação ou a transferência de funcionários  devem incentivar as viagens de negócios bem como multiplicar os encontros MICE. Em segundo lugar, e mais importante ainda, o acordo Mercosul- Europa deve criar um clima de segurança e de otimismo, fortalecendo o Real, impulsionando a Bolsa. Serão, com certeza, fatores essenciais para o tão esperado crescimento do turismo receptivo e exportativo entre ambos os blocos. Aos profissionais resta torcer pela ratificação para aproveitar essa imensa oportunidade.

Jean-Philippe Pérol

Em três números, os motivos para o Brasil ser otimista

Globalia/Air Europa, líder consolidado na Espanha, e challenger ambicioso na América latina

Juan José Hidalgo, fundador da Globalia, e seu filho Javier, CEO do grupo

Air Europa opera exclusivamente com Dreamliners

Para sustentar esse crescimento de 8,5% da sua oferta 2019 a partir do seu hub de Madri, a Air Europa está ampliando sua frota. Já contando com  oito Boeing 787-8 Dreamliners e quatorze Boeing 787-9 Dreamliners, a companhia está esperando mais dezessete outros Dreamliners serão entregues daqui para 2022. Agora membro de Sky Team ao lado da Air France e da Delta, Air Europa tem grandes perspectivas na Europa e na América Latina. No Brasil, incentivada pelo novo governo, e possibilitada pela nova legislação, a abertura de uma filial brasileira vai permitir a oferta de voos domésticos. Essa atuação no mercado interno deve, na expectativa da ANAC, deve levar a Air Europa a dobrar de 18 para 36 seu número de voos entre Europa e Brasil.

Uma das 837 agencias da Halcón Viajes

Mas as ambições do grupo Globalia na América latina não param na aviação. Durante a sua última viagem em Panamá para abertura das rotas de Panamá City e Medellin, Javier Hidalgo, herdeiro e CEO, anunciou que o objetivo do grupo na América latina era não somente de abrir novas rotas para Air Europa, mas de abrir, em cada um desses destinos, hotéis da sua subsidiária  Be Live. Será assim mais fácil de combinar os pacotes que serão vendidos pela Travelplan, operadora fundada em 1988 pelo pioneiro e proprietário Juan José Hidalgo, pelas 837 agencias de viagens da Viajes Ecuador e da Halcón Viajes, ou pela agencia de vendas on-line Tubillette.com, as subsidiárias do hoje primeiro grupo turístico espanhol.

O Be Live Tuxpan em Varadero

Com a mesma lógica que inspirou outros grandes grupos, a Globalia quer acelerar o crescimento da sua filial hoteleira Be Live. A Be Live hotels possui, gerencia ou aluga 32 hotéis de 4 ou 5 estrelas, na Espanha, no Portugal, no Marrocos e na América latina. Já com sete propriedades em Cuba, seis na República Dominicana e uma no México, o grupo está negociando um hotel no Panamá, um destino que a Globalia julga ter um potencial excepcional de crescimento, comparável à Cancun ou Ponta Cana. Confirmando a confiança do grupo na América latina e no Brasil, outras aberturas estão previstas nos próximos anos em Iguaçu, Lima, Buenos Aires, Montevideo, Assunção, Fortaleza, Recife e São Paulo.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Turismo, liberdade e responsabilidades nos destinos de risco

O Parque da Pendjari é uma das esperanças do turismo do Benim

O sequestro de dois turistas franceses no Benim (o outrora Daomé) levou um final feliz – a liberação dos reféns – mas no mesmo tempo trágico – a morte do guia de turismo que os acompanhava e de dois militares que participaram da operações de resgate.  Frente a presencia do Presidente Macron na recepção dos sobreviventes desses dramáticos acontecimentos, um duro debate está sendo travado na França sobre as responsabilidades desse drama. Será que pesam sobre os turistas que foram passear de forma irresponsável numa area desaconselhada, ou sobre do Ministério das Relações exteriores que desaconselhou, mas não proibiu, a seus cidadãos de viajar para um pais ameaçado pela guerrilha islamista?  Será que o governo pode proibir as viagens para algum lugar?

Os refens recebidos com honra mas responsabilizados

Na França, como nos Estados Unidos ou no Brasil, o governo publica informação sobre a segurança dos destinos. Lá foram definidos quatro níveis de risco para os viajantes: cuidados normais em verde, reforçados em amarelo, desaconselhados em laranja, e totalmente desaconselhados em vermelho.  Frente as criticas sobre essas informações meramente facultativas, o Ministro Jean-Yves Le Drian lembrou que sempre chamou a atenção das agências de viagens sobre as suas responsabilidades com os possíveis riscos. Falou que a legislação poderia ser reforçada, com mais regiões classificadas como totalmente desaconselhadas. Mas mesmo assim, descartou por enquanto a ideia de proibir a cidadãos franceses de viajar para esses lugares.

O mapa oficial da segurança na África ocidental

Os profissionais do turismo concordam com essa visão. Jean-Pierre Mas, Presidente da maior associação de agentes de viagens, se recusou a falar de proibição e mesmo de aumento das áreas totalmente desaconselhadas. Acha que as agencias têm que ser ligadas com a atualidade. Devem se recusar a oferecer pacotes para os destinos potencialmente perigosos, avisar os viajantes mas deixar para cada um a decisão final, aceitando ou não os riscos que existem em qualquer viagem de negocio ou de lazer. Grandes operadoras acham também que os avisos do Ministério são justificados e devem ser levados em consideração, mas que não são infalíveis. não podem ser responsabilizado. Numa sociedade que recusa hoje qualquer fatalidade, deve ser aceita  a ideia que a responsabilidade de uma viagem é do proprio viajante.

A liberação dos reféns foi uma operação complexa

O choque da morte dos dois militares levou porém muitos políticos a falar de proibição total das viagens nas zonas classificadas como totalmente perigosas, e o Ministro poderia encontrar nessa medida forte uma resposta a emoção da opinião pública. Cada viajante pode e deve ser colocado frente as suas responsabilidades, mas o direito de cada cidadão de ser protegido pelo seu governo não pode ser pago pela restrição do seu direito de ir e vir. Seria sem duvidas um golpe grave contra a liberdade e contra o turismo.

Jean Philippe Pérol

No site do Itamaraty, o Benim com nível 3 de segurança (alto grau de cautela)

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

As trilhas, um turismo de pouco investimento e muita notoriedade


O GR 20 da Córsega, o Graal das trilhas francesas

Caminhar está na moda. Na América do Norte e na Europa, atraiu em 2018 de 15 à 30% dos turistas, levando muitos destinos a aproveitar a notoriedade das suas trilhas. Alem dos Caminhos de Santiago, o GR20 na Córsega, o Inca Trail do Peru ou o Long Trail na California  foram muito importantes para o desenvolvimento do turismo das suas regiões. Viraram atrativos e fontes de renda para municípios isolados onde  os moradores ajudam a criar experiências memoráveis. E novas trilhas estão virando destaques, como o  Grand Sentier no Canada,  o Great Ocean Walk na Australia ou os caminhos da peregrinação Shikoku no Japão. No Brasil o caminho da Mata Atlântica se prepara a percorrer 3800 quilômetros, virando ícone para cinco estados, do Parque Estadual do Desengano-RJ até o Parque Nacional dos Aparados da Serra-SC.

O caminho Inca cujas pedras levam para os misterios de Machu Pichu

Segundo um relatório de fevereiro 2019 da Organização Mundial do Turismo, as trilhas estão ganhando popularidade porque se encaixam nas novas tendencias do turismo: a procura do bem estar e dos cuidados do seu corpo, o sucesso do “slow travel” e do turismo de aventura, a vontade de intercambio com os moradores. São atividades chaves para o  turismo transformacional e ajudam a construir um ecoturismo com as menores pegadas ecológicas possíveis. O turismo de caminhada aproveita também o crescimento de novas modalidades esportivas, como a “trail running” – corrida “fora de pista”, em caminhos montanhosos com fortes declives -, ou  o “Nordic trail” – caminhada livre em qualquer tipo de terreno com o auxílio de dois bastões semelhantes aos utilizados no esqui -.

A Chapada Diamantino mostra uma grande variedade de trilhas

A OMT demostrou que as trilhas tragam muitos benefícios para os destinos que escolham de investir nessa atividade. Alem de interessar um publico muito importante e diverso – jovens, melhor idade, famílias, alta renda ou popular-, elas:

  • representam investimentos muito menor que outras modalidades esportivas,
  • exigem poucas infraestruturas pesadas ou operações logísticas complexas.
  • sendo bem administradas, são atividades eco responsáveis
  • combinam com as ofertas turísticas anteriores, ajudando a esticar as estadias e até as temporadas
  • são  muito utilizadas pelos proprios moradores para suas atividades esportivas ou seus lazeres

Os destinos bem sucedidos nesse mercado conseguiram preencher pelo menos quatro critérios imprescindíveis.

  • A atratividade: a fama das trilhas depende em primeiro lugar da beleza das suas paisagens, bem como da força dos pontos de interesso cultural que elas interligam. O máximo de manutenção e o mínimo de asfalta são também dois requisitos importantes.
  • Os serviços : a sinalização, a proximidade de instalações sanitárias, as opções de hospedagem devem responder as necessidades dos “hikers”.
  • A segurança : um policiamento eficaz, um nivel de (boa) frequentação suficiente,  uma reputação de tranquilidade junto aos moradores e ao público potencial  devem mostrar que as trilhas são perfeitamente seguras de dia e de noite, mesmo para quem viaja só.
  • O marketing e a promoção : a boa informação do público, as campanhas ou as promoções ajudam a construir a notoriedade. Os países escandinavos investiram muito na ajuda previa aos visitantes. Assim a Visit Greenlandpublica l’Ultimate Greenland Hiking Guide e  aconselha até sobre os comportamentos frente a um urso polar. Outros líderes do setor, o Peru ou a Noruega mostram nos seus sites como se preparar a enfrentar suas trilhas.

Os caminhos da fé levando para Santiago

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Politica vai mesmo impactar o turismo no Brasil?

A imprensa internacional não poupou o vencedor da eleição presidencial

Lendo as grandes mídias internacionais, do New York Times a El Pais ou do Haaretz ao Le Monde, uma onda de reprovação contra o resultado das últimas eleições presidenciais no Brasil estaria chacoalhando a imagem do nosso Brasil, ameaçando também as nossas exportações e mais ainda o nosso turismo. No Brasil, a UOL deu espaço a essas noticias, focando na França e num possível  boicote de potenciais turistas franceses decepcionados, frustrados ou amedrontados pelas temáticas de campanha do Jair Bolsonaro. Várias ligações ou post nas redes sociais de amigos ou parentes preocupados com minha situação pessoal – como viver agora num país onde o exercito já estava nas ruas (!) e onde as liberdades mais fundamentais eram desrespeitadas (!) – me mostraram que as informações, reais ou fake, tinham de ser consideradas: a chegada de turistas estrangeiros poderão mesmo ser prejudicada?

Segurança é um critério chave para escolher ou não um destino de viagem

Se o fato de ser estrangeiro obriga a não opinar sobre os assuntos políticos brasileiros e a respeitar as escolhas democráticas, várias observações podem ser feitas a respeito do impacto para o turismo. A primeira é de lembrar que as decisões dos turistas ao escolherem as suas viagens internacionais dependem também de fatores objetivos, sendo para o Brasil especialmente a segurança e  os custos do aéreo. Ainda é cedo para saber se o próximo governo conseguirá melhorar essa situação, mas parece que está extremamente preocupado em conseguir resultados, tanto em reduzir a criminalidade que pesa nas vendas do Rio de Janeiro e das capitais nordestinas, tanto nos preços dos vôos internacionais e domésticos que prejudicam o pais inteiro e mais ainda destinos turísticos mais remotos na Amazônia, no Centroeste ou no Sul.

Nos EEUU de Trump, o turismo já mostrou ser maior que a política

Refletir sobre politica e turismo é também olhar o impacto mútuo que já marcou outros destinos. É lembrar o sucesso do turismo internacional em países cujo cunhos democráticos já foram (com ou sem razão) discutidos, seja destinos lideres como a China, a Tailândia, a Turquia ou a Malásia, seja destinos tradicionais como Cuba, Marrocos, Egito ou Israel, seja destinos novos como Vietnã, Maldivas ou Irã. Mais interessantes é comparar as perspectivas brasileiras com as consequências sobre o turismo de votos populares na Inglaterra ou nos EE-UU. Na primeira, a decisão do Brexit em 2016 foi anunciada pela mídia européia como um desastre para o turismo local.  Os números não concordaram, mostrando 4,3% de crescimento em 2017 e 4,4% em 2018. Nos Estados Unidos, teve um impacto negativo da eleição do Trump – somente 0,7% de crescimento em 2017-, mas se devia também a outros fatores como as restrições de vistos impostos a vários países, e as previsões para 2018 já superam 6%.

A alegria brasileira nas campanhas da Embratur

Mesmo limitadas nas suas consequências efetivas, as  declarações de boicote das viagens para o Brasil não devem ser desprezadas, mas até levadas em consideração nas futuras campanhas de promoção internacionais que o setor espera do novo governo. Para sair do patamar limitado de 7 milhões de turistas – e chegar aos 10 ou até 15 milhões que suas riquezas naturais, culturais e humanas merecem, o Brasil deverá  não somente convencer que as preocupações de insegurança e de carestia já pertencem ao passado, mas também mostrar que ele continua sendo o pais da alegria e da liberdade de viver, o pais onde cada visitante, qual que sejam suas origines ou suas opções pessoais, é mesmo recebido com um carinho único!

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Wine Paths trazendo experiências inovadoras para o mundo do enoturismo

 

Frente as Sources de Caudalies, as obras de arte dos vinhedos de Smith Haut Lafitte

Destacada nas pesquisas pelo seu vinho (o vinho francês mais popular no mundo e no Brasil, na frente do Champagne e do Bourgogne), Bordeaux sempre quis ser inovadora e multi cultural quando se tratou de enoturismo. Foi là que nasceu há quase 40 anos International Wine Tours, a primeira operadora especializada, então filial da Wagons lits, que oferecia roteiros em grandes regiões vinícolas dos cinco continentes. Agora na era das novas formas de distribuição e das plataformas receptivas,  esse pioneirismo se confirmou com a criação da Wine Paths, uma rede de profissionais do enoturismo oferecendo experiências personalizadas em 11 países do mundo.

Passeios a cavala nos vinhedos de Diamandes

As inovações da Wine Paths começam pelo cuidado em escolher os vinhedos e as adegas, uma tarefa que contou com a expertise do premiadíssimo enólogo Michel Rolland. Tendo participado a criação de vinhos em mais de 250 vinícolas de 21 países, ele fez questão de colocar seus favoritos na seleção da Wine Paths. Os serviços escolhidos são também marcados pela experiência do fundador da empresa, Stephane Tillement. Com 30 anos no turismo de luxo, dono desde 2002 da Mauriac voyages – uma das mais conceituadas agências de Bordeaux, Stephane criou relações de confiança com exigentes e criativos parceiros dos mundos do turismo, do vinho, dos destilados e da gastronomia.

Piquenique nos vinhedos da Barossa Valley (Australia)

Combinando desde a sua origem em 2017 os dois “savoir faire” do vinho e do turismo, a Wine Paths oferece experiências nos mais procurados destinos de enoturismo. São 150 vinícolas nas regiões produtoras da Argentina, da Austrália, do Chile, da Califórnia, da Nova Zelândia, da África do Sul, da Itália, do Portugal, da Espanha e da França, escolhidas não somente pelos seus vinhos, mas também pela qualidade dos serviços oferecidos nos arredores pelos parceiros locais. Foram assim selecionados hotéis, restaurantes estrelados, ou adegas capazes de propor emoções ou surpresas, desde um rali nos vinhedos do Franschhoek até uma aula de empanadas na Argentina ou um circuito de mountain bike nas estradas da Alsácia.

O restaurante Conversa em Valbuena, no Ribera del Duero

Com ambição de ser a mais internacional e a mais sofisticada das plataformas de enoturismo, a Wine Paths quer oferecer serviços extremamente personalizados. Cada proposta, seja um voo de balão em Cognac, um passeio a cavalo na Sicília, um itinerário de bicicleta na Rioja, ou um safári aéreo na Austrália, deve se adaptar a cada cliente específico. Essa exigência de qualidade atraiu os 284 parceiros, inclusive alguns que nunca tinham sido presentes numa plataforma de enoturismo, por exemplo os Champagne de Bollinger ou os vinhos do Château Mouton Rothschild. Novos parceiros deveriam ser anunciados esse ano, reforçando as ambições dos fundadores de fazer de Wine Paths um verdadeiro “Guia Michelin” do enoturismo.

Descobrir os vinhedos com luxo e criatividade

Para responder aos pedidos de viajantes procurando as melhores experiências de vinhos, de destilados ou de harmonizações gastronômicas, Wine Paths continua a sua procura de novas  parcerias internacionais. A Escócia -e suas rotas de uísque- é um dos projetos mais adiantados. Com quase um milhão de enoturistas e centenas de vinícolas abertas a visitas, o Brasil deve em breve integrar esses novos rumos, acessando as viagens luxuosas e criativas desenhadas pelos especialistas do grupo, e talvez amanhã colocar suas próprias rotas de vinho a disposição dos enoturistas do mundo inteiro nessa plataforma inovadora.

Jean Philippe Pérol

Na África do Sul, vinhedos pode combinar com aventura

Air France e o Brasil, uma longa história de amor, até quando?

A chegada do voo inaugural de Concorde no Rio

A Air France sempre foi no Brasil uma companhia aérea diferente. Me lembro duma pesquisa feito nos anos 70 que mostrava as imagens de dezoito grandes companhias internacionais operando no Brasil, então lideradas pela VARIG, a Pan Am, a TAP, a Iberia, a Lufthansa, a Alitalia e a BCAL. Todas elas eram avaliadas com uma série de critérios – da qualidade do serviço a bordo até a segurança-, e na avaliação geral a Air France só tinha um concurrente pela frente. Não era nenhuma companhia européia ou americana, era a própria VARIG. Os grandes eventos organizados pela empresa francesa – os  charmosos 2000 “muguets” distribuídos para o Primeiro de Maio, ou os baladíssimos “Prêmio Molière” de São Paulo, Rio e até Manaus- contribuíam a consolidar a imagem de uma empresa peculiar no coração dos brasileiros.

A Ponta da Air France em Fernão de Noronha

Essa ligação especial tem raízes na história da Air France no Brasil que começou em 1927 quando a então Aeropostale ligava Paris a Dakar e, depois de uma travessia do Atlantico em navios “aviso”, Natal a Rio de Janeiro. Os brasileiros viram os aviões da Air France sobrevoar Fernando de Noronha, pousar nas praias de Caravelas e  ter sua base carioca no Campo dos Afonsos. O pioneirismo da empresa voltou a empolgar o Brasil quando a companhia escolheu o Rio de Janeiro para inaugurar o primeiro voo comercial do Concorde no dia 21 de janeiro de 1976. Foi ainda a primeira companhia aérea que inaugurou no dia 31 de Março 1977 um voo internacional entre a Amazônia brasileira e a Europa, ligando Manaus a Paris duas vezes por semana. E, voltando para o Nordeste com sua parceira KLM no último 3 de Maio, fez agora de Fortaleza um novo hub de transporte aéreo internacional.

Jean-Marc Janaillac anunciou sua demissão dia 4 de Maio

Apoiada na excepcional posição da própria França – no Brasil, um dos dois primeiros destinos europeus -, e reforçada pela qualidade crescente dos seus serviços, esse lugar especial da Air France no coração dos brasileiros leve hoje a uma tristeza e uma preocupação frente aos recentes acontecimentos. As greves repetitivas lideradas por pilotos cujos salários podem ultrapassar 100.000 reais por mês, e o voto de 55% do pessoal contra o plano de reformas, levaram o novo Presidente, Jean Marc Janaillac, a pedir demissão, abrindo uma crise inédita e uma queda de mais de 10% das ações da empresa. Paradoxo da história, os funcionários da KLM, empresa comprada pela Air France em quase falência em 2004 mas que soube fazer as reformas necessárias, denunciaram a atitude irresponsável dos seus colegas.

Chegada em Fortaleza do primeiro voo Paris Fortaleza do grupo Air France

Já visto em muitas empresas aéreas, especialmente na América do Sul, o cenário de uma empresa do setor incapaz de aceitar as indispensáveis mudanças, e então desaparecendo, é muito conhecido. Do Brasil vimos assim sumir Cruzeiro do Sul, Transbrasil, VASP, VARIG, as vizinhas Pluna, LAP, LADECO, Ecuatorian, Fawcett ou VIASA, e as internacionais Pan Am, Braniff, SAS, BCAL, Swissair ou SABENA. O Ministro da fazenda da França, Bruno Lemaire, lembrou claramente que  a sobrevivência da empresa estava em questão e que o governo francês, dono de somente 14,3% do capital, não iria pagar os prejuízos e as dívidas da outrora companhia nacional. Mesmo recusados por todos e pouco prováveis, os piores cenários, a separação da KLM e um destino de tipo ALITALIA ou VARIG, foram imaginados por alguns analistas.

Um desafio: convencer os pilotos que Guiness de salários não permitem greves.

Em nome dos milhões de brasileiros que já voaram nas asas da Air France desde o Rio, São Paulo, Recife, Campinas, Belém, Brasília ou Fortaleza, em nome dos milhares de funcionários brasileiros que já trabalharam nos seus escritórios, nas suas escalas ou até a bordo, vamos torcer para que a crise atual seja superada e que nossa querida Air France volta com o pioneirismo, a criatividade, a seriedade, o bom atendimento e a fé no Brasil que ela sempre demonstrou. Sim, amamos a Air France, e queremos amar la para sempre!

Jean-Philippe Pérol

 

O Dreamliner agora nas rotas Brasil da Air France

 

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

130 milhões de viagens de chineses em 2017, umas idéias para o Brasil?

Os chineses já representam 30% do turismo da Tailândia

As primeiras estimativas do turismo chinês para 2017 chegam a 130 millions de viajantes, com despesas globais de 285 bilhões de USD, mantendo a China como primeiro mercado mundial. As expectativas são hoje de 200 milhões de turistas chineses para 2020, turistas cobiçados por todos os grandes destinos. Mas a Europa terá talvez que esperar um pouco, a maioria deles escolhendo a Ásia, mais próxima e mais acessível. Assim a metade desses turistas não viajaram alem de Hong Kong (47 milhões), Macau (20 milhões) ou Taiwan, (3 milhões), e no Top 10 dos seus destinos preferidos, todos são asiáticos com exceção dos Estados Unidos e da França. No Top 20, também dominado pelos países vizinhos, só deveriam entrar ainda a Rússia, as Ilhas Maldivas, a Alemanha e a Suíça.

Oito países asiáticos no Top 10 dos viajantes chineses

Mesmo alem da grande China, essas viagens internacionais são concentradas em poucos destinos, cinco deles somando mais de 50% dos viajantes. Tailândia é hoje o destino que recebe mais turistas chineses, mais de 10 milhões. Representando quase um terço dos visitantes, eles empurraram o Reinado no Top 10 do turismo mundial e mais ainda no pódio nos países com as maiores receitas de turismo internacional, passando até a França. No Japão , os 7 milhões de visitantes vindo da China ajudaram o pais a virar em cinco anos um grande destino turístico.  Tradicionalmente muita apreciada pela sua cultura, a Coreia do Sul sofreu das ameaças de guerra com seu vizinho do Norte, e, se atraiu 4,2 milhões de chineses em 2017, deve ser esse ano passada pelo dinamismo do turismo vietnamita que cresceu 48,6%.

Turistas Chineses na Baia de Ha Long (Viet Nam)

Os vizinhos da China estão também tentando seduzir os seus turistas, investindo e antecipando as novas tendências: roteiros personalizados, serviços de melhor qualidade, menos shopping e mais experiências e intercâmbios. A Indonésia quer investir em dez “novas ilhas de Bali”. Os países da ASEAN vão investir mais de USD 100 bilhões para construir em aeroportos, ligações ferroviárias, hotéis e parques temáticos adaptados aos clientes chineses. Nos principais sítios turísticos do Japão, as lojas oferecem mais serviços em chinês, guias de compras em chinês estão sendo distribuídos, e milhares de comerciantes estão aderindo aos sistemas de pagamentos chineses Alipay e Wechat, aplicações multifunções que estão se espalhando em 30 países da região.

VisitBrasil marcando presencia na China

Para o Brasil, esses resultados impressionantes do primeiro parceiro dos BRICS deve levar a duas observações. A primeira é a fraqueza do fluxo de chineses para o Brasil, menos de 60.000. Um número difícil de comparar com os resultados dos países asiáticos ou dos grandes destinos europeus ou norte americanos, mas que fica complicado de entender quando se pensa no milhão de turistas chineses visitando a distante África do Sul. Para atingir a meta do plano Brasil Turismo, 12 milhões de visitantes até 2022, a China será com certeza a chave do sucesso. A segunda observação é o imensa potencial de viagens que os países vizinhos oferecem para um mercado emissor amadurecendo. Enquanto na China e no mundo inteiro 80% das viagens internacionais são concentrados em países limítrofes, no Brasil essa proporção é somente de 50%. Colômbia, Peru, Chile, Argentina ou Uruguai têm talvez ideias a buscar nos vizinhos da China …

Jean-Philippe Pérol

O turismo brasileiro para Colômbia dobrou em 5 anos

 

 

 

 

 

Eleições, tempo de dúvidas e de esperanças

Eleições presidenciais vão tambem impactar os rumos do turismo

Para os profissionais do turismo e para todo o setor, época de voto é sempre um momento difícil, onde se misturam sentimentos de dúvidas e de esperanças. Se este ano as tendências estão mais imprevisíveis que nunca e, sem sair de uma neutralidade absoluta, algumas considerações podem ser feitas sobre o que o turismo brasileiro pode esperar das eleições do próximo mês de outubro.  A primeira é de torcer para a própria campanha não atrapalhar as viagens. Épocas de mudanças politicas são sempre complicadas para os grandes executivos do setor público ou privado, e as viagens de negócios ou de “bleisure”, e até as viagens de luxo, podem se retrair de setembro a dezembro, assim como acontece em todos os países.

Com menos 3,8% em 2018, o turismo americano mede o impacto Trump.

Para o turismo exportativo, as eleições sempre impactam de forma muito indireta (nos países democráticos), porque as viagens internacionais são ligadas a três fatores que não dependem especificamente do turismo: a taxa de câmbio, o crescimento econômico e a oferta de voos. O atores do setor devem esperar do novo governo medidas certas para que o câmbio fique estável e assegure  o poder aquisitivo dos brasileiros no exterior, ações para que se renove a confiança dos investidores e acelere o crescimento da economia, e para que aumente a renda das classes emergentes, que são a chave do crescimento do mercado. Enfim, é fundamental que a politica de abertura dos céus para novas transportadoras, inclusive low-costs, seja mantida e até ampliada.

A Segurança é a primeira preocupação dos viajantes

É, sem dúvidas, no turismo receptivo que os profissionais podem ter as maiores expectativas. A transversalidade do setor faz com que as medidas mais necessárias dependam de quase todos os setores do governo. Mais ainda que um ministério próprio, a maior esperança deve ser de ter um futuro presidente pronto a definir o turismo como prioridade nacional, favorecendo seu crescimento através da educação, das infraestruturas de transportes, do urbanismo, da política fiscal, dos investimentos ou das relações exteriores. E, antes de tudo, da segurança pública. É uma urgência para o turismo nacional, que precisa de estradas seguras e de destinos sem riscos. É uma urgência para o turismo internacional, assustado pelos recordes de criminalidade atingidos no Rio de Janeiro e nas grandes cidades do Nordeste.

Presencia nas Feiras internacionais é ponto chave para o trade

As eleições poderão talvez ajudar os novos governos a tomar medidas para favorecer o turismo sem corporativismo e com muita criatividade. O esperado ministro do turismo deve, antes de tudo, convencer os responsáveis políticos em todos os níveis, bem como a mídia, as populações dos destinos e as comunidades, sobre a força do turismo como alavanca do bem-estar e do progresso socioeconômico. Os profissionais devem também torcer  para que este novo ministro seja capaz de levantar os recursos necessários  indispensáveis para ninguém precisar escolher entre o apoio aos investimentos, a formação de pessoal e a promoção internacional. Não há dúvidas de que todas as promessas de campanha incluirão todos esses itens e muito mais. A esperança do setor deve ser de que elas sejam cumpridas desta vez.

Jean Philippe Pérol

“El riesgo es querer quedar te”, a famosa e bem sucedida campanha da Colômbia

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Quem são os ecoturistas?

Costa Rica, destino pioneiro do ecoturismo

O ecoturismo vai crescendo junto com a consciência ecológica das populações. Ele junta, segundo a OMT, “todas as formas de turismo viradas para o meio ambiente e nas quais a principal motivação do turista é de observar a natureza bem como os modos de vida tradicionais”. Respeitando os ecossistemas e as culturas locais, o ecoturismo favorece o crescimento económico sustentável das comunidades envolvidas. Em algumas regiões do mundo – por exemplo no Canada, na Nova Zelândia ou no Brasil-, se fala até de turismo comunitário, quando esses produtos e serviços turísticos diferenciados são oferecidos com a participação ativa de comunidades como atores do seu próprio turismo.

Encontro com comunidade do Rio Canumã (AM)

O ecoturista é um viajante procurando meio ambiente e atividades desde que apareceu, há trinta anos atrás, mas sua maneira de viajar está evoluindo muito nos últimos anos. Alem de solteiros ou casais, viajam famílias com crianças, grupos de amigos e grupos multigeracionais. Aos tradicionais “back-packers” se juntaram também os “flash-packers”, novos aventureiros fãs de liberdade, de emoções e de encontros, mas com recursos suficientes para exigir serviços, conforto e segurança. Em função do seu envolvimento na defesa da ecologia e do tipo de atividades que ele pratica, o Observatório do Consumo Responsável da Universidade de Montreal definiu uma tipologia do ecoturista que pode ajudar tanto os profissionais que os próprios viajantes.

Observar baleias ou caminhar nas trilhas, ecoturismo em Taití!

Segunda essas pesquisa, o primeiro perfil de ecoturista é o convencional. Ele quer em primeiro lugar relaxar e descobrir lugares diferentes e novas paisagens. Ele não é um militante do meio ambiente, quer aproveitar a natureza mas não quer sacrificar o seu conforto e sua segurança. Ele gosto de pacotes turísticos incluindo algumas atividades, em grupo ou com amigos. O ocasional não é também muito motivado pelas considerações ecológicas ou comunitárias. Mas que um encontro com a natureza ou as populações locais, o ecoturismo é para ele uma desculpa para praticar suas atividades favoritas – caminhada, arvorismo, escalada, mergulho, caiaque, surfe ou asa delta.

Etiopia crescendo como destino de ecoturismo

O terceiro perfil do ecoturista é o consciente mas não praticante. Ele é perfeitamente a par das exigências ecológicas e do impacto do turismo sobre o meio ambiente. Ele é aventureiro, quer praticar suas atividades, quer experiências culturais e encontros com moradores, mas não aceita de sacrificar conforto e bem estar em nome da proteção do meio ambiente. O mais convencido dos ecoturistas é o militante verde. Ele é não somente consciente do impacto do turismo sobre a natureza e sobre a sociedade, mas quer que toda a sua viagem seja em perfeito harmonia com suas convicções ecológicas. Todas as suas atividades devem ser em total respeito dos ecossistemas, com preferências para caminhadas, observações de animais, e acima de tudo para encontros com as comunidades.

Ecoturismo de aventura no Quebec

Com um controle cada vez mais forte do setor turístico, seja pela autoridades (Embratur no Brasil), pelas operadoras internacionais (a Francesa Voyageurs du Monde sendo uma grande pioneira), pelas associações nacionais (Ecotourisme Quebec no Canada, ABETA no Brasil) ou pelos próprios atores, o ecoturismo está ganhando credibilidade e confiança do consumidor no mundo inteiro. São oportunidades para países como o Canada, os Estados Unidos, a Austrália, a Nova Zelândia ou o Brasil que tem espaços protegidos, natureza selvagem, profissionais conscientes e comunidades de moradores mobilizadas. E se hoje os ecoturistas ainda são um nicho de mercado, a crescente preocupação dos viajantes com o futuro do planeta desenha imensas perspectivas.

Esse artigo foi  traduzido e adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Belle Amazon, ecoturismo e conforto com a Turismo consciente  

 

O Jacareaçú da Katerre e o Mirante do Gavião em Nova Airão (AM)