Wine Paths trazendo experiências inovadoras para o mundo do enoturismo

 

Frente as Sources de Caudalies, as obras de arte dos vinhedos de Smith Haut Lafitte

Destacada nas pesquisas pelo seu vinho (o vinho francês mais popular no mundo e no Brasil, na frente do Champagne e do Bourgogne), Bordeaux sempre quis ser inovadora e multi cultural quando se tratou de enoturismo. Foi là que nasceu há quase 40 anos International Wine Tours, a primeira operadora especializada, então filial da Wagons lits, que oferecia roteiros em grandes regiões vinícolas dos cinco continentes. Agora na era das novas formas de distribuição e das plataformas receptivas,  esse pioneirismo se confirmou com a criação da Wine Paths, uma rede de profissionais do enoturismo oferecendo experiências personalizadas em 11 países do mundo.

Passeios a cavala nos vinhedos de Diamandes

As inovações da Wine Paths começam pelo cuidado em escolher os vinhedos e as adegas, uma tarefa que contou com a expertise do premiadíssimo enólogo Michel Rolland. Tendo participado a criação de vinhos em mais de 250 vinícolas de 21 países, ele fez questão de colocar seus favoritos na seleção da Wine Paths. Os serviços escolhidos são também marcados pela experiência do fundador da empresa, Stephane Tillement. Com 30 anos no turismo de luxo, dono desde 2002 da Mauriac voyages – uma das mais conceituadas agências de Bordeaux, Stephane criou relações de confiança com exigentes e criativos parceiros dos mundos do turismo, do vinho, dos destilados e da gastronomia.

Piquenique nos vinhedos da Barossa Valley (Australia)

Combinando desde a sua origem em 2017 os dois “savoir faire” do vinho e do turismo, a Wine Paths oferece experiências nos mais procurados destinos de enoturismo. São 150 vinícolas nas regiões produtoras da Argentina, da Austrália, do Chile, da Califórnia, da Nova Zelândia, da África do Sul, da Itália, do Portugal, da Espanha e da França, escolhidas não somente pelos seus vinhos, mas também pela qualidade dos serviços oferecidos nos arredores pelos parceiros locais. Foram assim selecionados hotéis, restaurantes estrelados, ou adegas capazes de propor emoções ou surpresas, desde um rali nos vinhedos do Franschhoek até uma aula de empanadas na Argentina ou um circuito de mountain bike nas estradas da Alsácia.

O restaurante Conversa em Valbuena, no Ribera del Duero

Com ambição de ser a mais internacional e a mais sofisticada das plataformas de enoturismo, a Wine Paths quer oferecer serviços extremamente personalizados. Cada proposta, seja um voo de balão em Cognac, um passeio a cavalo na Sicília, um itinerário de bicicleta na Rioja, ou um safári aéreo na Austrália, deve se adaptar a cada cliente específico. Essa exigência de qualidade atraiu os 284 parceiros, inclusive alguns que nunca tinham sido presentes numa plataforma de enoturismo, por exemplo os Champagne de Bollinger ou os vinhos do Château Mouton Rothschild. Novos parceiros deveriam ser anunciados esse ano, reforçando as ambições dos fundadores de fazer de Wine Paths um verdadeiro “Guia Michelin” do enoturismo.

Descobrir os vinhedos com luxo e criatividade

Para responder aos pedidos de viajantes procurando as melhores experiências de vinhos, de destilados ou de harmonizações gastronômicas, Wine Paths continua a sua procura de novas  parcerias internacionais. A Escócia -e suas rotas de uísque- é um dos projetos mais adiantados. Com quase um milhão de enoturistas e centenas de vinícolas abertas a visitas, o Brasil deve em breve integrar esses novos rumos, acessando as viagens luxuosas e criativas desenhadas pelos especialistas do grupo, e talvez amanhã colocar suas próprias rotas de vinho a disposição dos enoturistas do mundo inteiro nessa plataforma inovadora.

Jean Philippe Pérol

Na África do Sul, vinhedos pode combinar com aventura

Air France e o Brasil, uma longa história de amor, até quando?

A chegada do voo inaugural de Concorde no Rio

A Air France sempre foi no Brasil uma companhia aérea diferente. Me lembro duma pesquisa feito nos anos 70 que mostrava as imagens de dezoito grandes companhias internacionais operando no Brasil, então lideradas pela VARIG, a Pan Am, a TAP, a Iberia, a Lufthansa, a Alitalia e a BCAL. Todas elas eram avaliadas com uma série de critérios – da qualidade do serviço a bordo até a segurança-, e na avaliação geral a Air France só tinha um concurrente pela frente. Não era nenhuma companhia européia ou americana, era a própria VARIG. Os grandes eventos organizados pela empresa francesa – os  charmosos 2000 “muguets” distribuídos para o Primeiro de Maio, ou os baladíssimos “Prêmio Molière” de São Paulo, Rio e até Manaus- contribuíam a consolidar a imagem de uma empresa peculiar no coração dos brasileiros.

A Ponta da Air France em Fernão de Noronha

Essa ligação especial tem raízes na história da Air France no Brasil que começou em 1927 quando a então Aeropostale ligava Paris a Dakar e, depois de uma travessia do Atlantico em navios “aviso”, Natal a Rio de Janeiro. Os brasileiros viram os aviões da Air France sobrevoar Fernando de Noronha, pousar nas praias de Caravelas e  ter sua base carioca no Campo dos Afonsos. O pioneirismo da empresa voltou a empolgar o Brasil quando a companhia escolheu o Rio de Janeiro para inaugurar o primeiro voo comercial do Concorde no dia 21 de janeiro de 1976. Foi ainda a primeira companhia aérea que inaugurou no dia 31 de Março 1977 um voo internacional entre a Amazônia brasileira e a Europa, ligando Manaus a Paris duas vezes por semana. E, voltando para o Nordeste com sua parceira KLM no último 3 de Maio, fez agora de Fortaleza um novo hub de transporte aéreo internacional.

Jean-Marc Janaillac anunciou sua demissão dia 4 de Maio

Apoiada na excepcional posição da própria França – no Brasil, um dos dois primeiros destinos europeus -, e reforçada pela qualidade crescente dos seus serviços, esse lugar especial da Air France no coração dos brasileiros leve hoje a uma tristeza e uma preocupação frente aos recentes acontecimentos. As greves repetitivas lideradas por pilotos cujos salários podem ultrapassar 100.000 reais por mês, e o voto de 55% do pessoal contra o plano de reformas, levaram o novo Presidente, Jean Marc Janaillac, a pedir demissão, abrindo uma crise inédita e uma queda de mais de 10% das ações da empresa. Paradoxo da história, os funcionários da KLM, empresa comprada pela Air France em quase falência em 2004 mas que soube fazer as reformas necessárias, denunciaram a atitude irresponsável dos seus colegas.

Chegada em Fortaleza do primeiro voo Paris Fortaleza do grupo Air France

Já visto em muitas empresas aéreas, especialmente na América do Sul, o cenário de uma empresa do setor incapaz de aceitar as indispensáveis mudanças, e então desaparecendo, é muito conhecido. Do Brasil vimos assim sumir Cruzeiro do Sul, Transbrasil, VASP, VARIG, as vizinhas Pluna, LAP, LADECO, Ecuatorian, Fawcett ou VIASA, e as internacionais Pan Am, Braniff, SAS, BCAL, Swissair ou SABENA. O Ministro da fazenda da França, Bruno Lemaire, lembrou claramente que  a sobrevivência da empresa estava em questão e que o governo francês, dono de somente 14,3% do capital, não iria pagar os prejuízos e as dívidas da outrora companhia nacional. Mesmo recusados por todos e pouco prováveis, os piores cenários, a separação da KLM e um destino de tipo ALITALIA ou VARIG, foram imaginados por alguns analistas.

Um desafio: convencer os pilotos que Guiness de salários não permitem greves.

Em nome dos milhões de brasileiros que já voaram nas asas da Air France desde o Rio, São Paulo, Recife, Campinas, Belém, Brasília ou Fortaleza, em nome dos milhares de funcionários brasileiros que já trabalharam nos seus escritórios, nas suas escalas ou até a bordo, vamos torcer para que a crise atual seja superada e que nossa querida Air France volta com o pioneirismo, a criatividade, a seriedade, o bom atendimento e a fé no Brasil que ela sempre demonstrou. Sim, amamos a Air France, e queremos amar la para sempre!

Jean-Philippe Pérol

 

O Dreamliner agora nas rotas Brasil da Air France

 

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

130 milhões de viagens de chineses em 2017, umas idéias para o Brasil?

Os chineses já representam 30% do turismo da Tailândia

As primeiras estimativas do turismo chinês para 2017 chegam a 130 millions de viajantes, com despesas globais de 285 bilhões de USD, mantendo a China como primeiro mercado mundial. As expectativas são hoje de 200 milhões de turistas chineses para 2020, turistas cobiçados por todos os grandes destinos. Mas a Europa terá talvez que esperar um pouco, a maioria deles escolhendo a Ásia, mais próxima e mais acessível. Assim a metade desses turistas não viajaram alem de Hong Kong (47 milhões), Macau (20 milhões) ou Taiwan, (3 milhões), e no Top 10 dos seus destinos preferidos, todos são asiáticos com exceção dos Estados Unidos e da França. No Top 20, também dominado pelos países vizinhos, só deveriam entrar ainda a Rússia, as Ilhas Maldivas, a Alemanha e a Suíça.

Oito países asiáticos no Top 10 dos viajantes chineses

Mesmo alem da grande China, essas viagens internacionais são concentradas em poucos destinos, cinco deles somando mais de 50% dos viajantes. Tailândia é hoje o destino que recebe mais turistas chineses, mais de 10 milhões. Representando quase um terço dos visitantes, eles empurraram o Reinado no Top 10 do turismo mundial e mais ainda no pódio nos países com as maiores receitas de turismo internacional, passando até a França. No Japão , os 7 milhões de visitantes vindo da China ajudaram o pais a virar em cinco anos um grande destino turístico.  Tradicionalmente muita apreciada pela sua cultura, a Coreia do Sul sofreu das ameaças de guerra com seu vizinho do Norte, e, se atraiu 4,2 milhões de chineses em 2017, deve ser esse ano passada pelo dinamismo do turismo vietnamita que cresceu 48,6%.

Turistas Chineses na Baia de Ha Long (Viet Nam)

Os vizinhos da China estão também tentando seduzir os seus turistas, investindo e antecipando as novas tendências: roteiros personalizados, serviços de melhor qualidade, menos shopping e mais experiências e intercâmbios. A Indonésia quer investir em dez “novas ilhas de Bali”. Os países da ASEAN vão investir mais de USD 100 bilhões para construir em aeroportos, ligações ferroviárias, hotéis e parques temáticos adaptados aos clientes chineses. Nos principais sítios turísticos do Japão, as lojas oferecem mais serviços em chinês, guias de compras em chinês estão sendo distribuídos, e milhares de comerciantes estão aderindo aos sistemas de pagamentos chineses Alipay e Wechat, aplicações multifunções que estão se espalhando em 30 países da região.

VisitBrasil marcando presencia na China

Para o Brasil, esses resultados impressionantes do primeiro parceiro dos BRICS deve levar a duas observações. A primeira é a fraqueza do fluxo de chineses para o Brasil, menos de 60.000. Um número difícil de comparar com os resultados dos países asiáticos ou dos grandes destinos europeus ou norte americanos, mas que fica complicado de entender quando se pensa no milhão de turistas chineses visitando a distante África do Sul. Para atingir a meta do plano Brasil Turismo, 12 milhões de visitantes até 2022, a China será com certeza a chave do sucesso. A segunda observação é o imensa potencial de viagens que os países vizinhos oferecem para um mercado emissor amadurecendo. Enquanto na China e no mundo inteiro 80% das viagens internacionais são concentrados em países limítrofes, no Brasil essa proporção é somente de 50%. Colômbia, Peru, Chile, Argentina ou Uruguai têm talvez ideias a buscar nos vizinhos da China …

Jean-Philippe Pérol

O turismo brasileiro para Colômbia dobrou em 5 anos

 

 

 

 

 

Eleições, tempo de dúvidas e de esperanças

Eleições presidenciais vão tambem impactar os rumos do turismo

Para os profissionais do turismo e para todo o setor, época de voto é sempre um momento difícil, onde se misturam sentimentos de dúvidas e de esperanças. Se este ano as tendências estão mais imprevisíveis que nunca e, sem sair de uma neutralidade absoluta, algumas considerações podem ser feitas sobre o que o turismo brasileiro pode esperar das eleições do próximo mês de outubro.  A primeira é de torcer para a própria campanha não atrapalhar as viagens. Épocas de mudanças politicas são sempre complicadas para os grandes executivos do setor público ou privado, e as viagens de negócios ou de “bleisure”, e até as viagens de luxo, podem se retrair de setembro a dezembro, assim como acontece em todos os países.

Com menos 3,8% em 2018, o turismo americano mede o impacto Trump.

Para o turismo exportativo, as eleições sempre impactam de forma muito indireta (nos países democráticos), porque as viagens internacionais são ligadas a três fatores que não dependem especificamente do turismo: a taxa de câmbio, o crescimento econômico e a oferta de voos. O atores do setor devem esperar do novo governo medidas certas para que o câmbio fique estável e assegure  o poder aquisitivo dos brasileiros no exterior, ações para que se renove a confiança dos investidores e acelere o crescimento da economia, e para que aumente a renda das classes emergentes, que são a chave do crescimento do mercado. Enfim, é fundamental que a politica de abertura dos céus para novas transportadoras, inclusive low-costs, seja mantida e até ampliada.

A Segurança é a primeira preocupação dos viajantes

É, sem dúvidas, no turismo receptivo que os profissionais podem ter as maiores expectativas. A transversalidade do setor faz com que as medidas mais necessárias dependam de quase todos os setores do governo. Mais ainda que um ministério próprio, a maior esperança deve ser de ter um futuro presidente pronto a definir o turismo como prioridade nacional, favorecendo seu crescimento através da educação, das infraestruturas de transportes, do urbanismo, da política fiscal, dos investimentos ou das relações exteriores. E, antes de tudo, da segurança pública. É uma urgência para o turismo nacional, que precisa de estradas seguras e de destinos sem riscos. É uma urgência para o turismo internacional, assustado pelos recordes de criminalidade atingidos no Rio de Janeiro e nas grandes cidades do Nordeste.

Presencia nas Feiras internacionais é ponto chave para o trade

As eleições poderão talvez ajudar os novos governos a tomar medidas para favorecer o turismo sem corporativismo e com muita criatividade. O esperado ministro do turismo deve, antes de tudo, convencer os responsáveis políticos em todos os níveis, bem como a mídia, as populações dos destinos e as comunidades, sobre a força do turismo como alavanca do bem-estar e do progresso socioeconômico. Os profissionais devem também torcer  para que este novo ministro seja capaz de levantar os recursos necessários  indispensáveis para ninguém precisar escolher entre o apoio aos investimentos, a formação de pessoal e a promoção internacional. Não há dúvidas de que todas as promessas de campanha incluirão todos esses itens e muito mais. A esperança do setor deve ser de que elas sejam cumpridas desta vez.

Jean Philippe Pérol

“El riesgo es querer quedar te”, a famosa e bem sucedida campanha da Colômbia

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Quem são os ecoturistas?

Costa Rica, destino pioneiro do ecoturismo

O ecoturismo vai crescendo junto com a consciência ecológica das populações. Ele junta, segundo a OMT, “todas as formas de turismo viradas para o meio ambiente e nas quais a principal motivação do turista é de observar a natureza bem como os modos de vida tradicionais”. Respeitando os ecossistemas e as culturas locais, o ecoturismo favorece o crescimento económico sustentável das comunidades envolvidas. Em algumas regiões do mundo – por exemplo no Canada, na Nova Zelândia ou no Brasil-, se fala até de turismo comunitário, quando esses produtos e serviços turísticos diferenciados são oferecidos com a participação ativa de comunidades como atores do seu próprio turismo.

Encontro com comunidade do Rio Canumã (AM)

O ecoturista é um viajante procurando meio ambiente e atividades desde que apareceu, há trinta anos atrás, mas sua maneira de viajar está evoluindo muito nos últimos anos. Alem de solteiros ou casais, viajam famílias com crianças, grupos de amigos e grupos multigeracionais. Aos tradicionais “back-packers” se juntaram também os “flash-packers”, novos aventureiros fãs de liberdade, de emoções e de encontros, mas com recursos suficientes para exigir serviços, conforto e segurança. Em função do seu envolvimento na defesa da ecologia e do tipo de atividades que ele pratica, o Observatório do Consumo Responsável da Universidade de Montreal definiu uma tipologia do ecoturista que pode ajudar tanto os profissionais que os próprios viajantes.

Observar baleias ou caminhar nas trilhas, ecoturismo em Taití!

Segunda essas pesquisa, o primeiro perfil de ecoturista é o convencional. Ele quer em primeiro lugar relaxar e descobrir lugares diferentes e novas paisagens. Ele não é um militante do meio ambiente, quer aproveitar a natureza mas não quer sacrificar o seu conforto e sua segurança. Ele gosto de pacotes turísticos incluindo algumas atividades, em grupo ou com amigos. O ocasional não é também muito motivado pelas considerações ecológicas ou comunitárias. Mas que um encontro com a natureza ou as populações locais, o ecoturismo é para ele uma desculpa para praticar suas atividades favoritas – caminhada, arvorismo, escalada, mergulho, caiaque, surfe ou asa delta.

Etiopia crescendo como destino de ecoturismo

O terceiro perfil do ecoturista é o consciente mas não praticante. Ele é perfeitamente a par das exigências ecológicas e do impacto do turismo sobre o meio ambiente. Ele é aventureiro, quer praticar suas atividades, quer experiências culturais e encontros com moradores, mas não aceita de sacrificar conforto e bem estar em nome da proteção do meio ambiente. O mais convencido dos ecoturistas é o militante verde. Ele é não somente consciente do impacto do turismo sobre a natureza e sobre a sociedade, mas quer que toda a sua viagem seja em perfeito harmonia com suas convicções ecológicas. Todas as suas atividades devem ser em total respeito dos ecossistemas, com preferências para caminhadas, observações de animais, e acima de tudo para encontros com as comunidades.

Ecoturismo de aventura no Quebec

Com um controle cada vez mais forte do setor turístico, seja pela autoridades (Embratur no Brasil), pelas operadoras internacionais (a Francesa Voyageurs du Monde sendo uma grande pioneira), pelas associações nacionais (Ecotourisme Quebec no Canada, ABETA no Brasil) ou pelos próprios atores, o ecoturismo está ganhando credibilidade e confiança do consumidor no mundo inteiro. São oportunidades para países como o Canada, os Estados Unidos, a Austrália, a Nova Zelândia ou o Brasil que tem espaços protegidos, natureza selvagem, profissionais conscientes e comunidades de moradores mobilizadas. E se hoje os ecoturistas ainda são um nicho de mercado, a crescente preocupação dos viajantes com o futuro do planeta desenha imensas perspectivas.

Esse artigo foi  traduzido e adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Belle Amazon, ecoturismo e conforto com a Turismo consciente  

 

O Jacareaçú da Katerre e o Mirante do Gavião em Nova Airão (AM)

No Benim, turismo de memória e trilhas espirituais nas raizes do Candomblé

Uidá, a porta do não retorno

Da cidade de Abomei, até o porto de Uidá, uma trilha de 125 quilometros é a grande esperança do turismo do Benim. Seguindo um traçado definido por um sobrevivente da última travessia de um navio negreiro americano, Cudjo Lewis, essa trilha foi o caminho onde pisaram mais de um milhão de escravos vendidos pelos Reis do Daomé aos traficantes portugueses, ingleses, holandeses, franceses, dinamarqueses e brasileiros instalados no então Forte de São João Baptista de Ajudá. E durante duzentos anos, apoiados num temido exercito cujas tropas de elite eram amazonas guerreiras, a dinastia Fon jogou nesses caminhos escravos capturados no Norte do pais ou nos estados vizinhos de Allada, Oyo ou Ketu.

Os palacios dos Reis de Abomei, inscritos no patrimonio mundial

O patrimônio cultural do Benim faz sonhar os profissionais do turismo que já viram as chegadas internacionais  aumentar de 25% nos últimos seis anos. No inicio da trilha, em Abomei, os palácios dos doze reis que se sucederam de 1625 à 1900, seus recintos e seus baixos relevos, já foram restaurados e são agora inscritos pela UNESCO ao património mundial da humanidade. E em Uidá os fãs do turismo memorial poderão não somente visitar a cidade velha ou o antigo Forte português, mas também passar por baixo da “Porta do não-retorno”, erguida em 1995 pela própria UNESCO em homenagem as vítimas do comercio atlântico de escravos.

Influência brasileira na peculiar mesquita de Porto Novo

Alem do turismo de memória, o Benim é também para o turista brasileiro um destino único pela influência que o Brasil teve nas populações e na cultura local. Descendentes de escravos libertados ou de traficantes, milhares de beninenses se orgulham das suas origens brasileiras, começando com mais de 400 sobrenomes de origem portuguesa. Alguns deles – os chamados “Agudás” – festejam o Carnaval e homenageiam a Nossa Senhora do Bonfim. Em Porto Novo, a influencia da arquitetura colonial luso-brasileira é visível em varias casas  do século bem como na surpreendente mesquita construída a partir de 1911, inspirada da Catedral de Salvador da Bahia. E algumas casas antigas de Uidá teriam acolhidas os exilados da Revolta dos Malês.

Templo de Legba (Exú) em Abomei

Alem do turismo memorial e de intercâmbio cultural, o Benim oferece ao turista brasileiro uma volta para as raízes das religiões afro-brasileiras. A trilha definida pelo Cudjo Lewis começa em Abomei perto de um templo de Legba (Exú) e acaba em Uidá no Templos das serpentes, com dezenas de pitões vivos honrando Dan/Oxumaré, e um iroko sagrado velho de 600 anos. No nome das batalhas dos guerreiros da etnia Fon (Jejê), encontra se a origem dos escravos mandados para o Brasil – Oyo, Ketu, Abeokuta …- que levaram do outro lado do Atlântico os seus orixás. A grande festa do vodú é o dia 10 de janeiro, um festival onde os brasileiros vão reconhecer sem dificuldades o nome das divinidades locais, como Ogum, deus do Ferro, ou Xangô, deus do Trovão.

Templo vodú em Uidá

Hoje o maior edifício religioso de Uidá é a basílica da Imaculada Conceição, mas o Benim continua guardando uma especificidade espiritual que deve muito a seu passado afro-brasileiro.  E se o pais conta agora com 30% de católicos, 20% de muçulmanos e alguns protestantes, ele tem também 100% de “vodunsi”. Uma unanimidade espiritual que ajuda a esquecer as feridas do passado.

Jean Philippe Pérol

Os Agudás festejando o Bonfim

 

Chacha I, brasileiro, mestiço, traficante mas vice rei e heroi dos Agudás

 

 

 

 

 

 

Norwegian Argentina abrindo caminho para novos destinos, com oportunidades para Tahiti e o Caribe francês

A Norwegian Air Argentina chegando com rotas inéditas

Enquanto as companhias low-costs estão multiplicando as aberturas de linhas entre a Europa e as Américas, incluindo o Brasil com os voos da Joon/Air France para Fortaleza, a Norwegian quer fazer de 2018 o ano de todos os sucessos. Hoje terceira low cost europeia, anunciou a abertura de mais 12 rotas para os Estados Unidos, saindo de Amsterdã, Madri e Milão. De Paris, a  dinâmica companhia norueguesa anunciou agora voos diretos para oito aeroportos americanos: Nova Iorque (JFK e Newark), Boston, Fort Lauderdale, Orlando, Denver, Los Angeles e Oakland. Norwegian surpreendo também seus concorrentes com o lançamento de uma classe Premium, com mais de um metro de espaço para as pernas, novos equipamentos de vídeo e wifi a bordo.

Buenos Aires Londres, primeiro voo programado, no dia da Saint Valentin

Mas a grande novidade para Norwegian será o inicio das operações da sua filial argentina, aberta em setembro do ano passado e que vai começar a voar de Buenos Aires para Londres no dia 14 de fevereiro , oferecendo passagens a partir de 340 Euros. O projeto argentino, onde será investido 4,3 bilhões de USD nos próximos dez anos, é extremamente ambicioso, as previsões para 2024 sendo de 70 aviões, com uma rede regional, sul-americana e intercontinental para quatro continentes, e um total de 17 milhões de passageiros. As autorizações dadas em dezembro pelo ministério argentino dos transportes surpreenderam pelo numero de rotas concedidas, um total de 152, com 72 domesticas e 80 internacionais, 51 das quais estão hoje sem concorrente.

Os argentinos já lideram as 100.000 chegadas internacionais em Fortaleza

O Brasil pode talvez lamentar que um investimento desta importância escapou para o vizinho “hermano”, especialmente quando se sabe que os primeiros estudos e contatos tinham sido feitos há três anos no Brasil pelos executivos europeus e norte americanos da empresa. Mas,  mesmo sediada em Buenos Aires, a Norwegian Air Argentina deve trazer uma grande contribuição para o turismo brasileiro, abrindo mais ainda o seu maior . São previstas 13 voos saindo de Buenos Aires para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Natal, Maceió, Porto Alegre,Porto Seguro, Salvador e Recife. Dois voos sairiam de Córdoba para São Paulo e Salvador, e um de Mendonza para São Paulo.

Tahiti e suas ilhas (acima Tikehau) no calendário da Norwegian

As novas rotas planejadas pela Norwegian vão também trazer novas ofertas de voos mais diretos (especialmente se a empresa consegue autorizações de “quinta liberdade”da ANAC)  e/ou mais baratos para os brasileiros. Alem de destinos tradicionais como Paris, Miami, Nova Iorque, Roma ou Madri, aonde a competição será acirrada com LATAM ou Aerolínas,  são programadas novidades como Moscou, Perth, Honolulu, Kiev, Oslo ou Tel Aviv, hoje sem concorrentes diretos. A França “ultramarina” poderia também ser uma das grandes favorecida pelo dinamismo da companhia norueguesa. Papeete, na Polinésia francesa, é uma das rotas autorizadas – um incremento da oferta atual que poderia consolidar o impressionante sucesso de Taiti nos últimos dois anos.

O hotel La toubana, charme e bom gosto na Guadalupe

O Caribe francês poderia também ganhar uma grande oportunidade no mercado Argentino (e talvez no Brasil). A Norwegian vai competir na rota de Saint Martin, destino bem conhecido dos argentinos, tanto do lado francês que do lado holandês, tanto como ponto de transito para Saint Barthelemy que de saída para numerosos cruzeiros. Já bem instalada na Martinica e na Guadalupe, onde opera rotas para Estados Unidos, Canadá e França, a nova low-cost conseguiu autorizações para Fort de France e Pointe à Pitre. Para essas ilhas francesas que sempre sonharam em receber turistas da América do Sul, mas nunca tiveram ligações regulares (Saint Martin e a Guadalupe tiveram só charters, a Martinica tem um charter semanal da MSC), a chegada da Norwegian Air Argentina pode ser o inicio de uma grande arrancada tanto na Argentina que no Brasil.
Jean-Philippe Pérol

La Samanna em Saint Martin, com reabertura prevista nos próximos meses

 

 

Sucessos, alegrias e grandes experiências de viagens, nossos votos para 2018!

 

Foto: Ruy Tone

Para todos nossos amigos e colegas do trade turístico, para todos nossos amigos que gostam de viajar, esperamos que 2018 seja um grande ano para o turismo, levando muitos brasileiros nos quatro cantos do Brasil e do mundo, e trazendo na Amazônia, em Fortaleza, no Rio ou no Sul do pais os turistas internacionais que o Brasil merece.  Para todos, desejamos um ano de sucessos profissionais, de realizações pessoais, de muitos momentos de alegria, e de grandes experiências de viagens.

Bonne Année!

 

 

Turismo França Brasil, quais votos para 2017?

ecard2017Depois de um ano 2016 muito difícil e um recuo de 5 a 7% do número de visitantes internacionais, e mais de 15% para os visitantes brasileiros, é tempo de esperar para 2017 um grande ano para o turismo francês. Muitas medidas tomadas devem ajudar os turistas a voltar: a segurança foi melhorada, os aeroportos e as estações de trem ganharam em acessibilidade e conforto, o shopping foi facilitado, os preços ficaram mais atraentes, e – mais importante ainda – profissionais e moradores conseguiram uma reconhecida melhoria do atendimento. E, já que estamos ainda em tempo de Ano Novo, podemos fazer alguns votos para que 2017 seja, para os profissionais e viajantes, um grande ano do turismo franco-brasileiro.

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Paris, sempre liderando os destinos de sonho

Que o Real continue forte e que a economia brasileira volte a crescer, dando a oportunidade à classe media de multiplicar as viagens para o exterior. Se o turismo é hoje um hábito de consumo totalmente integrado à cultura da sociedade brasileira, e se Paris é sempre um dos destinos mais sonhados, as viagens só poderão se realizar se a situação econômica melhorar e, mais ainda, mostrar claros sinais de crescimento para os próximos meses e anos.

Marseille, capital europea da culture e dos esportes!

Marselha, capital europeia da cultura e dos esportes!

Que os atores do turismo mundial e as companhias aéreas continuem a confiar no potencial do Brasil como grande mercado emissor, investindo tanto na oferta de produtos e serviços para brasileiros que na promoção dos seus destinos. A França continua com um objetivo de 1,5 milhão de turistas brasileiros na próxima década, e o Brasil continua sendo uma prioridade para as principais grandes “marcas” do turismo francês – Paris, Bordeaux, Provence, Alpes Mont Blanc, Champagne ou Vale de Loire – , incluindo os destinos do ultra-mar – Tahiti, Martinica, Saint Martin ou Saint Barth.

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Em Tahiti, as inesquecíveis experiências da França ultramarina

Que a França volte a ser o destino preferido dos brasileiros na Europa, não somente pelo carinho que sempre recebeu nos corações verde-amarelos, mas também pelas experiências únicas de viagem que ela oferece hoje, pela diversidade das suas paisagens, pela criatividade cultural que ela está demonstrando, pela  autenticidade  dos seus vinhos e da sua gastronomia, e mais ainda pelo atendimento especial que os franceses sempre gostam de oferecer a cada tão querido visitante vindo do Brasil.

Disneyland Paris faz 25 anos em 2017

Disneyland Paris, 25 anos em 2017

Esses votos estão dando os primeiros sinais de realização. As chegadas de Brasileiros na França deram um pulo de 8% durante o mês de dezembro, e as perspectivas para os próximos meses estão claramente em alta (mais de 30%). Para todos então, um Feliz 2017, com muitas realizações pessoais e profissionais, novas  experiências de viagem, e …. BIENVENUE EN FRANCE!

Jean-Philippe Pérol

Le Havre na Normandia, comemorando 500 anos em 2017

Le Havre na Normandia, comemorando 500 anos em 2017

 

Trump vai mesmo impactar o turismo internacional?

O Trump Presidente poderia prejudicar o Trump hoteleiro

O Trump Presidente poderia prejudicar o Trump hoteleiro

Talvez por ter acontecido no fechamento do WTM de Londres, encontro-mor do turismo mundial, o resultado das eleições americanas foi também nos últimos dias o grande assunto das conversas dos profissionais. Uma pesquisa feita nos corredores do Salão tinha revelada que só 7% do trade internacional apoiava o excêntrico bilionário, e que os outros o julgava misógino , racista, sem experiência política, vulgar, e intelectualmente vazio.  Agora que Trump foi eleito, e sabendo que nenhum responsável do turismo esperava esse resultado, a grande pergunta é de saber até onde essa vitoria poderá impactar os fluxos turísticos internacionais!

O WTM de Londres, grande encontro do turismo mundial

O WTM de Londres, grande encontro do turismo mundial

Se Trump cumpre as suas promessas de campanha, deve reforçar os controles sobre a entrada dos franceses e dos alemães, exigir passaporte biométrico para qualquer isenção de visto, construir um muro para impedir as entradas de mexicanos, controlar de forma estrita os brasileiros, desconfiar dos chineses, e proibir as entradas de qualquer muçulmano.  Num total de 78 milhões de turistas entrando nos Estados Unidos, mais da metade seriam assim submetidos a algum tipo de constrangimento. E  cinco dos de maiores mercados emissores para os Estados Unidos são na lista negra do magnata. Segundo o relatório anual da WTM, o resultado das eleições americanas pode assim ter grandes consequências sobre o turismo mundial.

Os danos das declarações do candidato – e as prováveis decisões do Presidente – podem ser catastróficas para a imagem dos Estados Unidos nos grandes mercados emissores, os novos valores não correspondendo mais com os ideais que os visitantes estão procurando. Temida pelos responsáveis de Visit USA ou de Brand USA, esse risco já está virando realidade. Uma pesquisa da Travelzoo mostrou que 20%  dos britânicos estão descartando viajar agora para os Estados Unidos, e a maioria pensa que o turismo americano vai ser prejudicado. Paradoxo surpreendente, o empresário Trump será mais prejudicado ainda pela queda da imagem dos Estados Unidos, a metade dos clientes das agencias de viagens inglesas declaram não querer mais se hospedar nos hotéis do magnata.

O turismo canadense aproveitando o novo cenário?

O turismo canadense aproveitando o novo cenário?

Enquanto o turismo mundial continuará a crescer nos próximos anos, as possíveis dificuldades dos Estados Unidos poderão ser aproveitadas por alguns dos seus concorrentes. É o caso do Canada que constatou nos últimos dias, das Províncias Marítimas até Montréal e  Vancouver, um boom das reservas vindo não somente da Inglaterra e da Europa, mas também dos próprios Estados Unidos. No Brasil, se o cambio ajudar e o Dolar se fortalecendo frente ao Euro, a Europa poderia ser a grande favorecida. É so relembrar o impacto do saudoso Bush sobre as viagens internacionais. Durante as suas presidências, o numero de brasileiros indo para os Estados Unidos perdeu a liderança, passando de 740.000 entradas a 770.000, enquanto as viagens para Europa tinham cresceram de 600.000  a mais de 1.000.000. O ranking  se inverteu de novo em 2015, 2,2 milhões contra 1,8 milhões, pelo carisma do Obama. Em 2018, o Canadá, a França, o Portugal ou a Itália terão talvez de agradecer o Donald.

Jean-Philippe Pérol

Em Paris, a opção de juntar a Torre Eiffel e a estátua da Liberdade!

Em Paris, a opção de juntar a Torre Eiffel e a estátua da Liberdade!

Esse artigo foi inspirado de dois artigos em francês , um  de Michäel Boumal na revista profissional online Pagtur, e um outro no l’Echo Touristique