No Benim, turismo de memória e trilhas espirituais nas raizes do Candomblé

Uidá, a porta do não retorno

Da cidade de Abomei, até o porto de Uidá, uma trilha de 125 quilometros é a grande esperança do turismo do Benim. Seguindo um traçado definido por um sobrevivente da última travessia de um navio negreiro americano, Cudjo Lewis, essa trilha foi o caminho onde pisaram mais de um milhão de escravos vendidos pelos Reis do Daomé aos traficantes portugueses, ingleses, holandeses, franceses, dinamarqueses e brasileiros instalados no então Forte de São João Baptista de Ajudá. E durante duzentos anos, apoiados num temido exercito cujas tropas de elite eram amazonas guerreiras, a dinastia Fon jogou nesses caminhos escravos capturados no Norte do pais ou nos estados vizinhos de Allada, Oyo ou Ketu.

Os palacios dos Reis de Abomei, inscritos no patrimonio mundial

O patrimônio cultural do Benim faz sonhar os profissionais do turismo que já viram as chegadas internacionais  aumentar de 25% nos últimos seis anos. No inicio da trilha, em Abomei, os palácios dos doze reis que se sucederam de 1625 à 1900, seus recintos e seus baixos relevos, já foram restaurados e são agora inscritos pela UNESCO ao património mundial da humanidade. E em Uidá os fãs do turismo memorial poderão não somente visitar a cidade velha ou o antigo Forte português, mas também passar por baixo da “Porta do não-retorno”, erguida em 1995 pela própria UNESCO em homenagem as vítimas do comercio atlântico de escravos.

Influência brasileira na peculiar mesquita de Porto Novo

Alem do turismo de memória, o Benim é também para o turista brasileiro um destino único pela influência que o Brasil teve nas populações e na cultura local. Descendentes de escravos libertados ou de traficantes, milhares de beninenses se orgulham das suas origens brasileiras, começando com mais de 400 sobrenomes de origem portuguesa. Alguns deles – os chamados “Agudás” – festejam o Carnaval e homenageiam a Nossa Senhora do Bonfim. Em Porto Novo, a influencia da arquitetura colonial luso-brasileira é visível em varias casas  do século bem como na surpreendente mesquita construída a partir de 1911, inspirada da Catedral de Salvador da Bahia. E algumas casas antigas de Uidá teriam acolhidas os exilados da Revolta dos Malês.

Templo de Legba (Exú) em Abomei

Alem do turismo memorial e de intercâmbio cultural, o Benim oferece ao turista brasileiro uma volta para as raízes das religiões afro-brasileiras. A trilha definida pelo Cudjo Lewis começa em Abomei perto de um templo de Legba (Exú) e acaba em Uidá no Templos das serpentes, com dezenas de pitões vivos honrando Dan/Oxumaré, e um iroko sagrado velho de 600 anos. No nome das batalhas dos guerreiros da etnia Fon (Jejê), encontra se a origem dos escravos mandados para o Brasil – Oyo, Ketu, Abeokuta …- que levaram do outro lado do Atlântico os seus orixás. A grande festa do vodú é o dia 10 de janeiro, um festival onde os brasileiros vão reconhecer sem dificuldades o nome das divinidades locais, como Ogum, deus do Ferro, ou Xangô, deus do Trovão.

Templo vodú em Uidá

Hoje o maior edifício religioso de Uidá é a basílica da Imaculada Conceição, mas o Benim continua guardando uma especificidade espiritual que deve muito a seu passado afro-brasileiro.  E se o pais conta agora com 30% de católicos, 20% de muçulmanos e alguns protestantes, ele tem também 100% de “vodunsi”. Uma unanimidade espiritual que ajuda a esquecer as feridas do passado.

Jean Philippe Pérol

Os Agudás festejando o Bonfim

 

Chacha I, brasileiro, mestiço, traficante mas vice rei e heroi dos Agudás

 

 

 

 

 

 

Norwegian Argentina abrindo caminho para novos destinos, com oportunidades para Tahiti e o Caribe francês

A Norwegian Air Argentina chegando com rotas inéditas

Enquanto as companhias low-costs estão multiplicando as aberturas de linhas entre a Europa e as Américas, incluindo o Brasil com os voos da Joon/Air France para Fortaleza, a Norwegian quer fazer de 2018 o ano de todos os sucessos. Hoje terceira low cost europeia, anunciou a abertura de mais 12 rotas para os Estados Unidos, saindo de Amsterdã, Madri e Milão. De Paris, a  dinâmica companhia norueguesa anunciou agora voos diretos para oito aeroportos americanos: Nova Iorque (JFK e Newark), Boston, Fort Lauderdale, Orlando, Denver, Los Angeles e Oakland. Norwegian surpreendo também seus concorrentes com o lançamento de uma classe Premium, com mais de um metro de espaço para as pernas, novos equipamentos de vídeo e wifi a bordo.

Buenos Aires Londres, primeiro voo programado, no dia da Saint Valentin

Mas a grande novidade para Norwegian será o inicio das operações da sua filial argentina, aberta em setembro do ano passado e que vai começar a voar de Buenos Aires para Londres no dia 14 de fevereiro , oferecendo passagens a partir de 340 Euros. O projeto argentino, onde será investido 4,3 bilhões de USD nos próximos dez anos, é extremamente ambicioso, as previsões para 2024 sendo de 70 aviões, com uma rede regional, sul-americana e intercontinental para quatro continentes, e um total de 17 milhões de passageiros. As autorizações dadas em dezembro pelo ministério argentino dos transportes surpreenderam pelo numero de rotas concedidas, um total de 152, com 72 domesticas e 80 internacionais, 51 das quais estão hoje sem concorrente.

Os argentinos já lideram as 100.000 chegadas internacionais em Fortaleza

O Brasil pode talvez lamentar que um investimento desta importância escapou para o vizinho “hermano”, especialmente quando se sabe que os primeiros estudos e contatos tinham sido feitos há três anos no Brasil pelos executivos europeus e norte americanos da empresa. Mas,  mesmo sediada em Buenos Aires, a Norwegian Air Argentina deve trazer uma grande contribuição para o turismo brasileiro, abrindo mais ainda o seu maior . São previstas 13 voos saindo de Buenos Aires para São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Natal, Maceió, Porto Alegre,Porto Seguro, Salvador e Recife. Dois voos sairiam de Córdoba para São Paulo e Salvador, e um de Mendonza para São Paulo.

Tahiti e suas ilhas (acima Tikehau) no calendário da Norwegian

As novas rotas planejadas pela Norwegian vão também trazer novas ofertas de voos mais diretos (especialmente se a empresa consegue autorizações de “quinta liberdade”da ANAC)  e/ou mais baratos para os brasileiros. Alem de destinos tradicionais como Paris, Miami, Nova Iorque, Roma ou Madri, aonde a competição será acirrada com LATAM ou Aerolínas,  são programadas novidades como Moscou, Perth, Honolulu, Kiev, Oslo ou Tel Aviv, hoje sem concorrentes diretos. A França “ultramarina” poderia também ser uma das grandes favorecida pelo dinamismo da companhia norueguesa. Papeete, na Polinésia francesa, é uma das rotas autorizadas – um incremento da oferta atual que poderia consolidar o impressionante sucesso de Taiti nos últimos dois anos.

O hotel La toubana, charme e bom gosto na Guadalupe

O Caribe francês poderia também ganhar uma grande oportunidade no mercado Argentino (e talvez no Brasil). A Norwegian vai competir na rota de Saint Martin, destino bem conhecido dos argentinos, tanto do lado francês que do lado holandês, tanto como ponto de transito para Saint Barthelemy que de saída para numerosos cruzeiros. Já bem instalada na Martinica e na Guadalupe, onde opera rotas para Estados Unidos, Canadá e França, a nova low-cost conseguiu autorizações para Fort de France e Pointe à Pitre. Para essas ilhas francesas que sempre sonharam em receber turistas da América do Sul, mas nunca tiveram ligações regulares (Saint Martin e a Guadalupe tiveram só charters, a Martinica tem um charter semanal da MSC), a chegada da Norwegian Air Argentina pode ser o inicio de uma grande arrancada tanto na Argentina que no Brasil.
Jean-Philippe Pérol

La Samanna em Saint Martin, com reabertura prevista nos próximos meses

 

 

Sucessos, alegrias e grandes experiências de viagens, nossos votos para 2018!

 

Foto: Ruy Tone

Para todos nossos amigos e colegas do trade turístico, para todos nossos amigos que gostam de viajar, esperamos que 2018 seja um grande ano para o turismo, levando muitos brasileiros nos quatro cantos do Brasil e do mundo, e trazendo na Amazônia, em Fortaleza, no Rio ou no Sul do pais os turistas internacionais que o Brasil merece.  Para todos, desejamos um ano de sucessos profissionais, de realizações pessoais, de muitos momentos de alegria, e de grandes experiências de viagens.

Bonne Année!

 

 

Turismo França Brasil, quais votos para 2017?

ecard2017Depois de um ano 2016 muito difícil e um recuo de 5 a 7% do número de visitantes internacionais, e mais de 15% para os visitantes brasileiros, é tempo de esperar para 2017 um grande ano para o turismo francês. Muitas medidas tomadas devem ajudar os turistas a voltar: a segurança foi melhorada, os aeroportos e as estações de trem ganharam em acessibilidade e conforto, o shopping foi facilitado, os preços ficaram mais atraentes, e – mais importante ainda – profissionais e moradores conseguiram uma reconhecida melhoria do atendimento. E, já que estamos ainda em tempo de Ano Novo, podemos fazer alguns votos para que 2017 seja, para os profissionais e viajantes, um grande ano do turismo franco-brasileiro.

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Paris, sempre liderando os destinos de sonho

Que o Real continue forte e que a economia brasileira volte a crescer, dando a oportunidade à classe media de multiplicar as viagens para o exterior. Se o turismo é hoje um hábito de consumo totalmente integrado à cultura da sociedade brasileira, e se Paris é sempre um dos destinos mais sonhados, as viagens só poderão se realizar se a situação econômica melhorar e, mais ainda, mostrar claros sinais de crescimento para os próximos meses e anos.

Marseille, capital europea da culture e dos esportes!

Marselha, capital europeia da cultura e dos esportes!

Que os atores do turismo mundial e as companhias aéreas continuem a confiar no potencial do Brasil como grande mercado emissor, investindo tanto na oferta de produtos e serviços para brasileiros que na promoção dos seus destinos. A França continua com um objetivo de 1,5 milhão de turistas brasileiros na próxima década, e o Brasil continua sendo uma prioridade para as principais grandes “marcas” do turismo francês – Paris, Bordeaux, Provence, Alpes Mont Blanc, Champagne ou Vale de Loire – , incluindo os destinos do ultra-mar – Tahiti, Martinica, Saint Martin ou Saint Barth.

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Em Tahiti, as inesquecíveis experiências da França ultramarina

Que a França volte a ser o destino preferido dos brasileiros na Europa, não somente pelo carinho que sempre recebeu nos corações verde-amarelos, mas também pelas experiências únicas de viagem que ela oferece hoje, pela diversidade das suas paisagens, pela criatividade cultural que ela está demonstrando, pela  autenticidade  dos seus vinhos e da sua gastronomia, e mais ainda pelo atendimento especial que os franceses sempre gostam de oferecer a cada tão querido visitante vindo do Brasil.

Disneyland Paris faz 25 anos em 2017

Disneyland Paris, 25 anos em 2017

Esses votos estão dando os primeiros sinais de realização. As chegadas de Brasileiros na França deram um pulo de 8% durante o mês de dezembro, e as perspectivas para os próximos meses estão claramente em alta (mais de 30%). Para todos então, um Feliz 2017, com muitas realizações pessoais e profissionais, novas  experiências de viagem, e …. BIENVENUE EN FRANCE!

Jean-Philippe Pérol

Le Havre na Normandia, comemorando 500 anos em 2017

Le Havre na Normandia, comemorando 500 anos em 2017

 

Trump vai mesmo impactar o turismo internacional?

O Trump Presidente poderia prejudicar o Trump hoteleiro

O Trump Presidente poderia prejudicar o Trump hoteleiro

Talvez por ter acontecido no fechamento do WTM de Londres, encontro-mor do turismo mundial, o resultado das eleições americanas foi também nos últimos dias o grande assunto das conversas dos profissionais. Uma pesquisa feita nos corredores do Salão tinha revelada que só 7% do trade internacional apoiava o excêntrico bilionário, e que os outros o julgava misógino , racista, sem experiência política, vulgar, e intelectualmente vazio.  Agora que Trump foi eleito, e sabendo que nenhum responsável do turismo esperava esse resultado, a grande pergunta é de saber até onde essa vitoria poderá impactar os fluxos turísticos internacionais!

O WTM de Londres, grande encontro do turismo mundial

O WTM de Londres, grande encontro do turismo mundial

Se Trump cumpre as suas promessas de campanha, deve reforçar os controles sobre a entrada dos franceses e dos alemães, exigir passaporte biométrico para qualquer isenção de visto, construir um muro para impedir as entradas de mexicanos, controlar de forma estrita os brasileiros, desconfiar dos chineses, e proibir as entradas de qualquer muçulmano.  Num total de 78 milhões de turistas entrando nos Estados Unidos, mais da metade seriam assim submetidos a algum tipo de constrangimento. E  cinco dos de maiores mercados emissores para os Estados Unidos são na lista negra do magnata. Segundo o relatório anual da WTM, o resultado das eleições americanas pode assim ter grandes consequências sobre o turismo mundial.

Os danos das declarações do candidato – e as prováveis decisões do Presidente – podem ser catastróficas para a imagem dos Estados Unidos nos grandes mercados emissores, os novos valores não correspondendo mais com os ideais que os visitantes estão procurando. Temida pelos responsáveis de Visit USA ou de Brand USA, esse risco já está virando realidade. Uma pesquisa da Travelzoo mostrou que 20%  dos britânicos estão descartando viajar agora para os Estados Unidos, e a maioria pensa que o turismo americano vai ser prejudicado. Paradoxo surpreendente, o empresário Trump será mais prejudicado ainda pela queda da imagem dos Estados Unidos, a metade dos clientes das agencias de viagens inglesas declaram não querer mais se hospedar nos hotéis do magnata.

O turismo canadense aproveitando o novo cenário?

O turismo canadense aproveitando o novo cenário?

Enquanto o turismo mundial continuará a crescer nos próximos anos, as possíveis dificuldades dos Estados Unidos poderão ser aproveitadas por alguns dos seus concorrentes. É o caso do Canada que constatou nos últimos dias, das Províncias Marítimas até Montréal e  Vancouver, um boom das reservas vindo não somente da Inglaterra e da Europa, mas também dos próprios Estados Unidos. No Brasil, se o cambio ajudar e o Dolar se fortalecendo frente ao Euro, a Europa poderia ser a grande favorecida. É so relembrar o impacto do saudoso Bush sobre as viagens internacionais. Durante as suas presidências, o numero de brasileiros indo para os Estados Unidos perdeu a liderança, passando de 740.000 entradas a 770.000, enquanto as viagens para Europa tinham cresceram de 600.000  a mais de 1.000.000. O ranking  se inverteu de novo em 2015, 2,2 milhões contra 1,8 milhões, pelo carisma do Obama. Em 2018, o Canadá, a França, o Portugal ou a Itália terão talvez de agradecer o Donald.

Jean-Philippe Pérol

Em Paris, a opção de juntar a Torre Eiffel e a estátua da Liberdade!

Em Paris, a opção de juntar a Torre Eiffel e a estátua da Liberdade!

Esse artigo foi inspirado de dois artigos em francês , um  de Michäel Boumal na revista profissional online Pagtur, e um outro no l’Echo Touristique  

Em tempo de crises, a OMT destaca a resiliência, a busca de segurança e a dinâmica regional do turismo internacional

Menos turistas na França em 2016, mesmo se a liderança continuará

Menos turistas na França em 2016, mesmo se a liderança continuará

Enquanto o turismo internacional enfrenta no Brasil (e na França) um clima de morosidade, a Organização Mundial do turismo acabou de publicar resultados animadores do primeiro semestre , uma alta de 4% em relação a 2016 com um total de chegadas de turistas passando de 540 a 561 milhões. Comemorando esses números, o Secretario Geral da Organização, Taleb Rifai, destacou a resiliência da economia turística, continuando a criar milhões de empregos em tempos de crise, interligando pessoas de todas origens em tempos de guerra e de insegurança.  Lembrou que o turismo voltará a crescer mais ainda se os governos conseguem trabalhar juntos para melhorar  a tranquilidade e a segurança que aparecem sempre como os primeiros critérios de decisão dos viajantes.

Com 7,9% de crescimento, Tahiti contribui ao sucesso da região Asia Pacifico

Com 7,9% de crescimento, Tahiti contribuiu ao sucesso da Ásia Pacifico

 

Os grandes destinos turísticos tiveram resultados muito diferenciados. Os maiores crescimentos -9%-  foram registrados na Ásia e no Pacifico. Com um forte  impulso das chegadas provenientes da própria região, a dinâmica foi compartilhada por quase todos, com destaque para a Austrália, a China e o Vietnã.  A Europa ficou com um crescimento de somente 3%, mas com grande desigualdade. Enquanto a Escandinávia ou a Republica Tcheca  registrava  altas de 5%, os países do Mediterrâneo cresciam de 2%, e os da faixada atlântica ficaram  em somente 1%. Na África, os destinos ao sul do Saara conheceram um impressionante sucesso com 12% de turistas internacionais a mais, mas a África do Norte e o Egito, desgastados pela insegurança, sofreram um queda de 9% que colocou o setor em crise. A mesma queda, pelas mesmas razões, foram observadas pela OMT nos países do Oriente Médio. Nas Américas, as chegadas de turistas internacionais seguiram o crescimento mundial, com uma alta de 4%, sendo mais forte na América Latina (+7%), incluindo no Brasil.

Os chineses liderando o crescimento do turismo mundial

Os chineses liderando o crescimento do turismo mundial

A evolução dos mercados emissores confirmou as tendências que o dinamismo  das economias e a força das moedas já tinham indicadas. A China, hoje líder mundial, aumentou de 20% seus gastos em viagens internacionais no primeiro trimestre do ano. Aproveitando a evolução do dólar, os Estados Unidos, segundo mercado, gastaram 8% a mais até julho, e a Alemanha 4%. Nos destaques anota-se os fortes crescimentos das viagens internacionais na Espanha (+20%), na Noruega (+11%) e da Austrália (+10%). E como era de se esperar, as maiores quedas foram observadas na Rússia e no Brasil (- 28,6% de janeiro a agosto).

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A OMT é também otimista para o segundo semestre do ano, tradicionalmente mais forte, especialmente nos países do hemisfério norte. Os especialistas já anotaram que o crescimento continuou em julho e agosto, e que as reservas para os últimos meses do ano seguem a mesma tendência. Um clima de otimismo poderia até impactar os fluxos de turistas internacionais para a Ásia, o Pacifico, a África e as Américas. A evolução da Europa e do Meio Oriente é vista com mais cautela, mas pode até surpreender  se foram superados o impacto dos eventos trágicos que abalaram a imagem de segurança desses destinos.

O bem sucedido êxito dos JO vai beneficiar o turismo brasileiro

Crescimento e criação de empregos mesmo em tempo de crise, segurança como critério-mor da escolha dos destinos, peso cada vez maior dos mercados asiáticos, fluxos intra-regionais  crescentes, especialmente na América latina, a publicação pela OMT do balance do primeiro semestre desse ano traz não somente otimismo para o turismo internacional, mas também algumas ideias de prioridades para argumentar novas estratégias e aproveitar novas oportunidades.

Jean-Philippe Pérol

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A Turquia, um dos destinos turísticos mais atingidos no Oriente Medio

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Ranking ICCA: Berlim, Paris e Barcelona na liderança dos eventos internacionais

Visto de Paris com o Palais des Congrès

Vista de Paris com o Palais des Congrès

Salientando que 2016 foi um ano excepcional, com mais de 12.000 congressos e convenções internacionais e um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, a ICCA publicou hoje os seus esperados rankings dos países e das cidades que receberam esses eventos. Javits Center NYCNa lista dos países, as novidades são poucas: os Estados Unidos continuando a liderar, seguidos da Alemanha. A Inglaterra ficou em terceiro, subindo de uma posição e passando a Espanha. Atrás, a França, a Itália, o Japão e a China se mantiveram. Nos vinte maiores receptores, anota-se o crescimento da Bélgica e da Coreia, bem como a queda da Suíça. Ultrapassado pelo Canada, o Brasil conseguiu porém ficar numa honrosa décima primeira posição com 292 eventos.

O Salão ITB 2016 em Berlin

O Salão ITB 2016 em Berlin

As maiores mudanças foram no ranking das cidades, com Berlim ganhando três posições e chegando ao primeiro lugar, na frente de Paris que ficou em segundo, Barcelona subindo duas posições e ficando em terceiro. O top ten ainda inclui Viena, Londres, Madri, Singapura, e Istambul, entrando também pela primeira vez Lisboa e Copenhague. cidade-de-spMesmo com cautela, lembrando que esses números só se referiam a eventos organizados por associações internacionais, de forma regular, e rodando no mínimo entre três países, o CEO Martin Sirk da ICCA salientou também que os resultados de 2015 mostraram novas tendências. Os eventos estão se espalhando num número crescente de destinos internacionais, cidades menos concorridas conseguindo atrair cada vez mais os organizadores que parecem estar dando mais oportunidades para outsiders – talvez uma chance para São Paulo e Rio. Ao mesmo tempo, os eventos não registrados na contagem da ICCA, seja por não responderem a seus critérios, seja por serem organizados diretamente pelos destinos, estão cada vez mais numerosos.

A prefeitura de Paris

A prefeitura de Paris

Assim, se Paris passou ao segundo lugar desse ranking perdendo 28 eventos ICCA, a cidade recebeu no ano passado um total de 1004 congressos nacionais e internacionais, quase 3% a mais que no ano anterior. Com uma media de 758 participantes, o total de congressistas chegou a 760.000 trazendo para a cidade uma renda global de quase 1,2 bilhão de Euros. 30175Esses eventos são hoje a grande prioridade do turismo parisiense, que vai aproveitar em breve da renovação total do Centro das Exposições da Porte de Versailles, bem como de novas capacidades hoteleiras. E, para reforçar a atratividade de Paris junto aos organizadores, a Prefeitura de Paris, a Câmara de Comercio e o Convention Bureau assinaram com 17 grupos hoteleiros da capital – representando 651 hotéis e 77.000 quartos – um compromisso para segurar bloqueios de quartos e tarifas competitivas, bem como para aumentar os esforços promocionais para buscar novos eventos. Uma estratégia de todos os atores do turismo parisiense para melhorar mais ainda a liderança da cidade luz – incluindo o ranking da ICCA.

Jean-Philippe Pérol

Os ranking cidades e países 2015 da ICCA

Os ranking cidades e países 2015 da ICCA

 

Os países (proporcionalmente) menos turísticos do mundo, uma lista com algumas surpresas!

Barco de passeio no Bangladesh

Barco de passeio no Bangladesh

Para muitos viajantes, o pior pesadelo  é de encontrar outros turistas, e o sonho seria de visitar lugares onde a proporção de turistas em relação a população esteja a menor possível. why-now-is-the-time-to-visit-cuba1Nos últimos meses aparecerem assim artigos ou promoções incentivando a viajar para Cuba “antes que seja tarde demais”, antes que a autenticidade da ilha desaparece com invasão de 2, 3 ou 5 milhões de turistas americanos. Querendo ajudar os amadores de destinos exclusivos a encontrar lugares preservados, o site de analise de dados econômicos  Priceonomics publicou a lista dos 25 países os menos turísticos do mundo. Para estabelecer esse ranking muito peculiar, os técnicos dividiram o numero de habitantes de cada pais pelo numero de turistas publicado pela OMT – organização mundial do turismo.

O Taj Mahal no por do sol

O Taj Mahal no por do sol

O destino vencedor é o Bangladesh, o oitava pais mas populoso do mundo, com 160 milhões de habitantes mas que recebe somente 125.000 turistas, menos que o vizinho Butão, um atraso que as autoridades querem compensar com uma nova campanha de promoção “Visite Bangladesh antes dos turistas”. A campanha do BengladeshMesmo com cada visitante podendo se perder no meio de 1273 moradores, será porem difícil para o pais compensar a sua péssima imagem,  a sua falta de preparo frente aos desastres naturais, a sua insegurança e o atraso em infraestruturas publicas e turísticas. Vários países dessa lista dos “Top menos” – a Guinea, a Moldávia, a Serra Leoa, o Niger, a Papuásia ou o Tajiquistão – enfrentem problemas similares. Mais surpreendentes são as presença de potências turísticas como a Índia ou o Quênia, talvez prejudicadas pela  importância das suas populações. É mais surpreendente ainda a vigésima terceira posição do Brasil que recebe somente um turista para cada 32 habitantes, uma posição que não pode ser justificada somente com a distancia dos grandes centros emissores da Europa e da América do Norte .

PAISES DO “TOP MENOS” Turistas  (2014) Habitantes RATIO H./Tur
1 Bangladesh 125.000 159.078.000 1.273
2 Guinea 33.000 12.276.000 372
3 Moldavia 11.000 3.556.000 323
4 India 7.679.000 1.295.292.000 169
5 Serra Leoa 44.000 6.316.000 144
6 Niger 135.000 19.114.000 142
7 Etiopia 770.000 96.959.000 126
8 Chade 122.000 13.587.000 111
9 Madagascar 222.000 23.572.000 106
10 Mali 168.000 17.086.000 102
11 Burkina Faso 191.000 17.589.000 92
12 Bielorussia 137.000 9.470.000 69
13 Sudão 684.000 39.350.000 58
14 Costa do Marfim 471.000 22.157.000 47
15 Tanzania 1.113.000 51.823.000 47
16 Benin 242.000 10.598.000 44
17 Papuasia 182.000 7.464.000 41
18 Angola 595.000 24.228.000 41
19 Tadjikistão 213.000 8.296.000 39
20 Venezuela 857.000 30.694.000 36
21 Nepal 790.000 28.175.000 36
22 Quenia 1.261.000 44.864.000 36
23 Brasil 6.430.000 206.078.000 32
24 Uganda 1.266.000 37.783.000 30
25 Ilhas Salomão 20.100 572.000 28

Utilizando a mesma metodologia, Priceonomics publicou também a lista dos 25 países recebendo o maior numero de turistas por habitantes. Os vencedores não são as tradicionais maiores potências turísticas, França, Estados Unidos, China, Itália ou Espanha, mas pequenos países da Europa e do Caribe que souberam aproveitaram ao máximo seus recursos turísticos, sendo a Andorra o pais campeão. Igreja de São Estevo (Andorra)Esse pequeno principado dos Pirenéus, independente desde o Carlos Magno, e cujos co-presidentes são o Presidente da França e o bispo de Urgell na Espanha,  recebe mais de 2 milhões de visitantes para seus 73.000 habitantes, sendo o turismo responsável por 75% da sua economia. Na lista constam também pequenos pais de sucesso como Aruba, Hong Kong, Mônaco ou Bahrein, bem como destinos confirmados como Áustria, Grécia ou Croácia. Primeiro do ranking mundial pelo numero de turistas recebidos, a França não entrou nesse “Top 25” devido a importância da sua população, mas as projeções para 2020 – 100 milhões de turistas- devem lhe permitir de chegar perto.

Jean-Philippe Pérol

PAISES DO “TOP MAIS” Turistas (2014) Habitantes RATIO Tur/H
1 Andorra 2.363.000 73.000 32
2 Aruba 1.072.000 103.000 10
3 Monaco 329.000 38.000 9
4 Bahrein 10.452.000 1.362.000 8
5 Palau 141.000 21.000 7
6 Malta 1.690.000 427.000 4
7 Hong Kong 27.770.000 7.242.000 4
8 Bahamas 1.427.000 383.000 4
9 Bermuda 224.000 65.000 3
10 Icelandia 998.000 327.000 3
11 Maldivas 1.205.000 401.000 3
12 Austria 25.291.000 8.546.000 3
13 Curação 452.000 156.000 3
14 Croatia 11.623.000 4.238.000 3
15 Antigua 249.000 91.000 3
16 Seichelas 233.000 91.000 3
17 São Marino 75.000 32.000 2
18 Estonia 2.918.000 1.315.000 2
19 Montenegro 1.350.000 622.000 2
20 Singapora 11.864.000 5.470.000 2
21 Chipre 2.441.000 1.154.000 2
22 St Kitts 113.000 55.000 2
23 Grecia 22.033.000 10.870.000 2
24 Irlanda 8.813.000 4.616.000 2
25 Luxemburgo 1.038.000 556.000 2

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional francesa l’Echo Touristique

Cidades ou regiões, o “new deal” dos destinos turísticos

O Mont Saint Michel, o monumento mais visitado da França fora de Paris

O Mont Saint Michel, campeão de visitas  no interior da França

Enquanto o cenário visto do Brasil pode parecer pessimista, a OMT acabou de revelar uma boa notícia, com 1,181 bilhão de entradas de turistas internacionais em 2015 e um crescimento de 4,4% do turismo mundial. Se a França deve confirmar sua liderança, os sucessos dos Estados Unidos, da China e de vários países do Sudeste da Ásia, guizhou-landscape-1800_x2as perturbações temporárias de novas potências turísticas como Turquia ou Dubai mostram porem que a concorrência entre os destinos receptores é cada vez mais forte. O quadro dado pelo OMT esconde na verdade evoluções bem maiores porque a competição pelos novos consumidores não é hoje tanto a nível de países, mas muito mais a nível de destinos turísticos. E na sua seleção dos 52 lugares a visitar em 2016, o respeitadíssimo New York Times definiu como “imperdíveis” somente 3 países frente a 18 cidades, 27 regiões, e 4 parques ou estações de esqui.

O Castelo de Chambord, destino Vale de Loire

O Castelo de Chambord, destino Vale de Loire

No mundo inteiro são assim uns 300 “destinos” que estão agora competindo pensando nos 1,8 bilhões de viajantes do final da próxima década. Para cada um desses destinos, será necessário adaptar a oferta para as novas exigências dos consumidores do século XXI, bem como valorizar os fatores de diferenciação que justificarão a escolha desses turistas. Os critérios para ser bem sucedidos são numerosos. São também muito diversos assim como pode ser observados nos quase 40 destinos que a França está promovendo nos mercados internacionais – de Paris ao Mont Saint Michel, de Bordeaux a Borgonha, da Auvergne a Martinica, dos Castelos do Loire até o Taiti, ou de Courchevel até Biarritz.

Fernando de Noronha nos grandes destinos de Trip Advisor

Fernando de Noronha nos grandes destinos de Trip Advisor

Visto do Brasil, dois fatores de sucesso parecem porém ser fundamentais. O primeiro é de conseguir juntar todos os atores de cada destino – profissionais, políticos e moradores ,– tanto para a construção dos produtos que para a promoção –, num projeto que vai assim beneficiar não somente os turistas mas a própria comunidade. O segundo é conseguir aproveitar e fortalecer as características do local – que sejam suas belezas naturais, suas tradições, seu artesanato, sua gastronomia e seu jeito de viver – sem esquecer de garantir os requisitos básicos como infraestruturas, saúde e segurança. Ilha de PascuaEssas características serão sem dúvidas indispensáveis aos novos destinos internacionais para integrar a lista dos países, das cidades ou das regiões conseguindo o seu desenvolvimento econômico e humano através do turismo. Mostrar sua personalidade, contar sua historia, e satisfazer as exigências básicas num consenso de todos será para cada destino a chave para se posicionar não somente frente a concorrentes mais ágeis, mas ainda frente aos paraísos artificiais ou as “Fakelandias”, de terra ou de mar, que atraiam pela garantia de lazer insosso, mas com risco zero.

Nessas novas regras do jogo dos destinos, o Brasil, e a França, com as suas excepcionais diversidades de regiões e cidades de renome internacional, têm, com certeza, grandes oportunidades de se posicionar.

Jean-Philippe Pérol

A Guiana Francesa, um "contrato de destino" de ecoturismo

A Guiana Francesa, um “contrato de destino” de ecoturismo

 Esse artigo foi publicado no Blog “Point de vue” da revista profissional Mercados e Eventos

Wi-Fi a bordo: em 2016, virando rotina?

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São hoje pelo menos sessenta companhias aéreas que oferecem serviços de Wi-Fi a bordo dos seus aviões. A plataforma de viagem routehappy.com acabou de publicar uma interessante pesquisa comparativa das suas ofertas, tanto nos voos de longas que de curtas distancias. O ranking assim estabelecido leva em consideração os equipamentos, a qualidade do serviço, mas também a oferta global de assentos (available seat miles ASM) de cada companhia, critérios que levam a calcular que 36% dos viajantes podem hoje se conectar com a Internet.Delta As três maiores companhias americanas lideram o ranking, a Delta ficando com uma pequena vantagem sobre United e  American. A Southwest é a quinta colocada, bem na frente da Virgin America que tem 100% de seus aviões equipados, mas com uma oferta global de assentos muito menor. A concorrência na América do Norte obrigou as companhias a acelerar seus investimentos em 2015, e seus passageiros tem hoje 76% de chances de ser beneficiado com uma conexão a bordo,  sendo esse numero reduzido a 24% nas companhias de outras regiões do mundo.

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Depois de Emirates, empatada com Etihad em sexto lugar, a Lufthansa oferece o Wi-Fi em 100% dos seus voos de longa distancia. Ela é uma das poucas companhias europeias  bem colocada, na frente de Aeroflot, Norwegian, Iberia, Aer Lingus ou Turkish. A pesquisa mostra também que duas das maiores companhias europeias e mundiais, a Air France e a British, mesmo dando prioridade para a clientela corporativa, ainda têm muita cautela quando se trata de Wi-Fi a bordo. Wi-Fi na Air FranceEm parceria com a telefônica francesa Orange, a Air France está testando a bordo de vários Airbus A320 um Wi-Fi de alta velocidade onde será até possível de assistir a televisão, uma tecnologia também testada pelos Trens de Grande Velocidade da SNCF. Com muita pressão dos passageiros – especialmente os Frequent flyers – , esse serviço está funcionando na Virgin America e vai começar em breve na Jet Blue. A Delta, a Aeromexico, a Virgin Atlantic e a Lufthansa estão também se preparando e vão obrigar as grandes concorrentes a encontrar em 2016 as soluções técnicas necessárias.

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A pesquisa de routehappy.com mostrou também que a concorrência em algumas rotas obriga as companhias a acelerar a oferta de Wi-Fi. É o caso de Nova Iorque a Dubai, de Los Angeles a Tóquio ou de Londres a Singapura que constam os maiores números de voos conectados, enquanto é difícil navegar na Internet de Londres para Hong Kong, ou nas principais conexões saindo de Paris. Wi-Fi-en-volA concorrência vai também provavelmente acelerar a gratuidade do serviço, hoje exclusiva dos passageiros da Primeira e da Executiva, mas que será com certeza ampliada em breve para todos os viajantes. No Brasil, a GOL saiu na frente, prometendo instalar o Wi-Fi até o final do primeiro semestre de 2016 em toda a sua frota, em parceria com a Gogo, que irá oferecer a tecnologia necessária e a transmissão de dados via satélite quando no ar. Se o Wi-Fi ainda não é rotina nos céus brasileiros, vai com certeza vira-lo em breve.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista de turismo on-line La Quotidienne

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