Hotel ou barco, qual opção para viver a Amazônia brasileira?

A vila flutuante da Jangada de Jules Verne

No seu famoso livro “La Jangada”, Jules Verne descrevia a maneira então mais luxuosa de viajar e de descobrir a Amazônia. Numa balsa de 300 metros de comprimentos e de 20 de largura, com uma casa grande, dois alojamentos para 80 empregados,  uma cabine de comando, vários armazéns e uma capela, o herói Joam Garal descia o Solimões, parava em São José da barra do Rio Negro (hoje Manaus) e seguia o Amazonas até chegar a Belém. Hospedado com o máximo de conforto permitido na época, dispondo de varias canoas para descer em terra, fez uma viagem extraordinária, parando onde queria para explorar a selva, mergulhar nos rios, visitar as cidades e entrar em contato com as comunidades ribeirinhas.

O Mirante do Gavião e sua arquitetura inspirada dos barcos regionais regionais

Sem essa opção, o viajante moderno tem que escolher entre navegar num barco ou se hospedar num hotel, escolher entre a cidade e a selva, entre a terra e a água. Numa região aonde o nível dos rios variam cada ano de 6 a 17 metros segundo as estações do ano, mudando completamente as paisagens e os hábitos de vida das populações, a época da viagem vai também ajudar na escolha. De setembro a fevereiro é época de praias, de abril a agosto, tempo de igapós. O nível das águas, e a necessária ligação com o rio, deixam poucas opções de hotéis com localizações capazes de seduzir o viajante o ano inteiro. É porem justamente o atrativo dos dois melhores estabelecimentos de luxo da Amazônia, ambos em Nova Airão, o Mirante do Gavião e o Anavilhanas lodge, ambos escondidos nas arvores mas olhando para o Rio Negro.

O Belle Amazon num dos roteiros da Turismo Consciente

Para viver as experiências da Amazônia, o barco oferece uma opção diferente ao viajante. Escolhido pelo seu conforto e sua segurança, com motor potente mas pouco calado, ele pode levar grupos pequenos nos cantos mais escondidos de uma região onde o respeito da natureza e dos moradores descarta o turismo de massa. O barco permite o acesso a lugares ou comunidades inacessíveis por terra, libera dos constrangimentos ligados as flutuações do nível das águas ou aos tempos de chuva. Mais ainda, ele é o lugar privilegiado para sentir a imensidade dos rios, suas praias, suas intimidades com a floresta, e aproveitar esse extraordinário sentimento de grandeza e de liberdade que eles só oferecem na Amazônia brasileira.

Com a Turismo Consciente, força dos momentos passados numa aldeia Mundurucu

Que seja o hotel ou o barco, a escolha do viajante experiente deve levar em consideração as três imprescindíveis características de um bom roteiro amazônico: permitir a descoberta dos rios e da mata, oferecer um máximo de conforto e se possível de luxo, integrar uns intercâmbios autênticos e sinceros com as comunidades. Caboclas, quilombolas ou indígenas, essas comunidades hospedem os melhores guias para entender e aproveitar esse tão peculiar mundo da Amazônia brasileira. O barco é assim indispensável, tanto para transporte que para hospedagem, mesmo quando parte da estada é feita nos hotéis (e restaurantes!) de Manaus, Alter do Chão e Belém, ou nos requintados hotéis de selva de Nova Airão, Autazes ou Barcelos.

Por-do-sol no Rio Tapajós

Para viver o mundo amazônico descrito com tanto pioneirismo pelo Jules Verne, tanto o hotel que o barco podem ser a chave de uma viagem extraordinária. Pela liberdade de ir e vir que ele oferece, pela sua capacidade de transformar tempos de transportes ou traslados em passeios, pelo simplicidade de ter uma hospedagem só durante todo um roteiro, pela praticidade dos acessos que ele permite o ano inteiro, pela corrente que ele favorece entre os participantes e até com os tripulantes, confesso minha preferência pelo barco, reforçada na minha última experiência na Turismo Consciente. Quatro dias a bordo do Belle Amazon durante os quais tomamos banho de rio, jogamos futebol com os índios Mundurucus, trançamos chapéus de palha numa comunidade, seguimos nove quilômetros de trilha, e fizemos um churrasco na praia tomando aulas de carimbó. De dar ciúme para o Joam Garal?

Jean Philippe Pérol

Turismo Consciente, a emoção de um encontro com uma artesã de Urucureá

Acessível com os barcos da Katerre, a cachoeira do Parque do Araçá

O luxo amazônico no Anavilhanas Lodge

Em Budapeste, espírito de liberdade e charme da peculiaridade

O Palácio de Buda e a Ponte das Correntes

Chegando em Budapeste, o visitante logo percebe a força da diferença. Se os prédios históricos, as ruas, as lojas ou os passantes lembram uma bela e animada grande capital européia, a cidade e seus habitantes mostram logo as suas peculiaridades. A língua não tem nenhuma ligação com os outros idiomas da Europa, somente um distante parentesco com o finlandês e mais distante ainda com o turco. E nem o inglês, nem o francês ou nem o alemão podem ajudar a entender ou a decifrar o húngaro. A historia do país ainda comemora Átila, lembrando na Europa inteira como o “mangual” de Deus, ele é aqui um herói cujo nome ainda é muito comum. Depois dessas singulares raízes, o reinado foi fundado no século X  por invasores vindo da Ásia central, e ainda ficou durante 380 anos  sob os domínios turcos e austríacos, cujos legados ainda impressionam o viajante.

A Arvore da vida, obra de arte e de memória do escultor Imre Varga

Numa visita a capital magyar, são assim imprescindíveis o Palácio Real e o Morro do Castelo com seus 600 anos de arquitetura e sua vista imponente sobre Pest o a Ponte das Cadeias, o Parlamento onde fica a famosa coroa do primeiro rei cristão – Santo Estevão ,  bem como a Basílica do mesmo nome. Na Praça dos heróis, construída para comemorar os 1000 anos da Hungria, o arcanjo Gabriel domina as estátuas dos construtores da identidade e da liberdade húngara, desde Arpad até os mártires dos dois levantes de 1848 e 1956 contra os invasores austríacos e russos. O passado trágico é também lembrado nos jardins da grande sinagoga onde uma espectacular obra de arte, a Arvore de vida, lembra o extermínio pelos alemães de mais de meio milhão de judeus húngaros em julho 1944.

Rugas fürdö, banho turco herdado da ocupação otomana

Do longo domínio dos Otomanos, e de numerosas fontes de águas quentes, Budapeste herdou a paixão dos banhos e dezenas de piscinas de agua quente, numerosos spas, bem como quatro “banhos turcos”. Assim os Banhos de Rugas, construídos em 1550,  ainda mostram a arquitetura original, e guardam um ambiente que os próprios moradores gostam de aproveitar. Mais recentes, e inspirados da arquitetura austríaca do final do século XIX, os banhos de Széchenyi são também uma excelente opção, especialmente no verão com as suas grandes piscinas quentes a céu aberto. Para comungar com os húngaros, os visitantes podem também dividir uma outra paixão nacional. A  música é sempre presente, seja com pequenos orquestras de rua, muitas vezes ciganos, no emblemático Bastão dos Pescadores, caminhando nas ruas animadas do centro histórico ou ouvindo sinfonias na imponente Ópera inaugurada em 1884.

No Bastião dos Pescadores, encontro com músicos ciganos

 A peculiaridade da Hungria se encontra também no seu culinário e nos seus vinhos. Realçados com páprika e especiarias próprias, repolho recheado, goulash, massas caseiros, sopa de feijão branco, embutidos ou salames são as bases de uma gastronomia que os húngaros apresentam com muito orgulho a seus visitantes. Se eles podem oferecer uns excelentes vinhos tintos – blends de uvas nacionais ou excelente Cabernet Franc – para acompanhar os seus pratos, os húngaros tem um verdadeiro culto pra o mais famoso dos seus vinhos, o Tokay Aszú. Vinho branco reforçado de uvas com alto grão de podridão nobre, com forte sabores de damasco, ele teria sido chamado pelo Louis XIV de “Rei dos vinhos, vinho dos Reis”. Perfeito com uma sobremesa, pode ser pedido para acompanhar um rocambole de sementes de papoula na doceria Gerbeaud, imperdível tradição de Budapeste .

E quando provar lo, para brindar  com o seu anfitrião, é só dizer saúde em húngaro: Eguèshèguèdrè!

Jean-Philippe Pérol

No Mercado Central, o páprika e as peculiares especiarias magiares

 

Repolho recheado e goulash de frango, as delicias da cozinha caseira

Alter do Chão, além das praias, a História da Amazônia brasileira

 

A praia da Ilha do Amor em Alter do Chão

Pode ter sido uma surpresa para muitos leitores do New York Times ler na edição de 20 de março deste ano que Alter do Chão merecia de ser listada entre as melhores cidades de praia do mundo. É mesmo difícil, para quem não conhece a Amazônia,  imaginar que águas azuis podem banhar praias de areias brancas a quase mil quilômetros do mar, no coração da floresta equatorial. É, porém, isso que os visitantes podem aproveitar em Alter, caminhando à beira do rio Tapajós,  mergulhando nas águas transparentes, praticando o paddle ou o kite surf, tomando sol na Ilha do Amor, ou simplesmente sentando num dos charmosos bares que ficam frente  ao Lago Verde ou o vilarejo de Pindobal.

Festa religioso de Sairé, evento mor da cultura Borari

Ganhando fama como “Caribe da Amazônia”, Alter do Chão impressiona também pela riqueza histórica da vila e de toda a região do Tapajós. Fundada em 1626, foi local de uma missão jesuíta, onde se agruparam índios Borari, que foram catequizados e  tiveram que aprender o nheengatu, mas conseguiram conservar suas tradições. Hoje seus descendentes, numerosos na população,  perpetuam a cultura de seus ancestrais, em eventos populares como o “Festival Borari”, que acontece todos os anos no mês de julho, e o “Sairé”, uma das festas religiosas mais antigas dos Boraris, realizada no mês de setembro. A festa reúne rituais indígenas e tradições católicas, rezas em nheengatu, latim e português, com agradecimento a Tupã pela fartura da colheita. Tem também seus momentos profanos com danças regionais e o festival dos Botos com dois grupos competindo ao som do carimbó, encenando para o publico de moradores e de turistas as encantarias do mundo Borari .

Wickham, herói ou bandido, do Tapajós ao Jardim Botânico de Londres

Foi também nas margens do Tapajós que começou em 1876 a maior tragédia da história econômica da Amazônia. Encarregado pelo Cônsul inglês em Belém de encontrar sementes de seringueira, o famoso aventureiro Wickham conseguiu ajuda de ex-confederados instalados em Boim – vila ribeirinha do alto Tapajós -, que indicaram as terras altas como lugar preferencial, e de índios Tapuia, que recolheram e embrulharam as tão delicadas sementes.  Se é provável que não foram contrabandeadas e que as autoridades paraenses estavam perfeitamente a par dos acontecimentos,  as 70.000 sementes que atravessaram o Atlântico  entraram na história como o símbolo de uma biopirataria que transferiu para a Ásia, depois de 1912, o domínio da produção de borracha, e levou à falência a quase totalidade dos seringais da Amazônia.

Na beira do Tapajós, o urbanismo do Oeste americano

Pensando que as terras de origem das sementes do Wickham eram o melhor local para suas plantações no Brasil, foram também às margens do Tapajós que Henry Ford escolheu para o seu projeto Amazônico. A oito horas de barco de Alter do Chão, os enviados do lendário empresário receberam do corrupto governador do Pará mais de 10.000 quilômetros quadrados, isenções alfandegárias e privilégios fiscais em troca da promessa de plantar 400 hectares de seringueiras e, mais ainda, de reproduzir na selva Amazônica o urbanismo do oeste americano. Sem nenhum conhecimento e sem nenhuma concessão ao clima, à agronomia, às condições sociais e à cultura da região, o sonho utópico do Ford virou um fracasso de USD 20 milhões.

Em Belterra, as mesmas casas que no Michigan ou no Canadá

Hoje o visitante ainda pode ver em Fordlândia a caixa d’água, a igreja e as casinhas abandonadas,  as ruínas dos edifícios saqueados pelo funcionários inconformados com o policiamento de suas vidas, bem como as raras seringueiras que sobreviveram às invasões de lagartas e aos ataques do inevitável fungo. Em Belterra, construída com mais respeito à natureza amazônica, as seringueiras também morreram e as máquinas foram abandonadas, mas a cidade sobreviveu. As casas, a prefeitura, a igreja batista, o museu, a caixa d’água e até os hidrantes ainda ligam moradores e turistas ao projeto utópico de Henry Ford, testemunhando que, na luta entre o então maior empresário do mundo e as forças da natureza das margens do Tapajós, venceu a selva.
Jean-Philippe Pérol

No meio das seringueiras doentes, o maquinário abandonado

Carcassona, inscrita duas vezes ao Patrimônio da UNESCO

O luar iluminando a cidade de Carcassona

Enquanto a UNESCO está sendo violentamente criticada pelo Presidente Trump pelas suas escolhas patrimoniais,  Carcassona festeja os vinte anos da sua inscrição ao Património mundial da humanidade mostrando os acertos dessa lista que conta hoje mais de mil monumentos. A cidade fortificada recebe hoje mais de 2 milhões de turistas – sendo a quinta cidade mais visitadas da França, e o reconhecimento da sua importância cultural pela UNESCO foi sem duvidas um fator chave da sua popularidade junto aos viajantes franceses e internacionais. Sendo ainda atravessada pelo “Canal du Midi” – outro monumento francês pertencendo ao Patrimônio mundial- o conjunto oferece um acervo cultural único e duas vezes premiado.

As impressionantes muralhas da cidade fortificada

Conhecidas desde os últimos séculos do Império Romano, as fortificações foram reforçadas de 1082 a 1209 pela dinastia dos Viscondes de Trencavel que tentavam consolidar um estado independente entre a França e a Espanha. Tendo tolerado nas suas terras a heresia dos Cátaros e seu ascetismo místico, o ultimo visconde – Raymond Roger Trencavel-, teve que enfrentar a partir de 1209 uma cruzada militar que acabou com a devolução do seu feudo para o Rei da França. Durante os reinados de Saint Louis e dos seus sucessores, a cidade fortificada foi ampliada para corresponder a seu novo estatuto de fortaleza real, e uma segunda muralha de 3 quilômetros e 32 torres foi erguida. Um novo centro urbano, a Bastide Saint-Louis, foi construído, dando ao conjunto o aspecto que ele tem até hoje.

Mas se Carcassona parece ainda hoje mostrar a gloria de Saint Louis, Rei da França, é porque ela foi completamente restaurada logo no século XIX, em 1853, quando o arquiteto Viollet le Duc conseguiu convencer Napoleão III de financiar as obras de reabilitação, uma obra gigantesca que demorou quase 60 anos mas já atraiu 50.000 turistas em 1913! Agora as ruas estreitas da cidadela, as salas abertas para as visitas (sendo a mais procurada a Camera Rotunda e suas pinturas murais), e a basílica romana e gótica com seus espetaculares vitrais são lotadas de visitantes durante o dia. Mas, a noite,  são exclusivas dos 35 moradores e dos hospedes dos dois hotéis que ficam dentro da cidade fortificada, o MGallery Hotel de la Cité e o Best Western Le Donjon.

A Praça Carnot e a Fonte de Neptuno

Atravessando o Rio Aude, a antiga Bastide Saint Louis é hoje o centro da cidade, com suas ruas herdadas do século XIV vibrando de vida e de cultura. Feiras livres, pequenos empórios, lojas inesperadas, livrarias e terraços de cafés acolhedores são paradas obrigatórias depois de uma visita do Museu das Belas Artes, ou de um passeio nas margens do Canal do Midi. E se Carcassona têm dois restaurantes gastronômicos estrelados pela Michelin (La table de Frank Putelat et le Domaine d’Auriac), vale a pena experimentar nos pequenos bares ou bistrôs as duas especialidades da região: o seu vinho, o “Cité de Carcassonne”, produzido nos 160 hectares de vinhedos que cercam a cidade, e seu “cassoulet”,  esse prato mítico da cozinha occitana que alguns fãs gostariam de inscrever como terceiro Patrimônio mundial de Carcassona.

Jean Philippe Pérol

O porto fluvial de Carcassona no Canal du Midi

A alma de Carcassona se encontra também lendo a historia dos cátaros

 

Rangiroa, do outro lado do mundo, enoturismo com golfinhos e baleias!

Entre a lagoa e o Oceano, os vinhedos de Rangiroa

Para quem gosta de vinhos diferentes, o “Special Blend” da Bodega del fin del Mundo é sem dúvida uma excelente opção. Nos confins da Patagônia Argentina, em San Patricio del Chanar, alguns pioneiros conseguiram colher uvas dos melhores vinhedos da região – Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot – e compor o vinho único, aromático, tânico e sensual, que seduz não somente pela sua potência, mas também pela sua origem tão peculiar. Mas, pelo menos pela geografia, esse vinho da Patagônia tem agora um concorrente muito sério para o título de vinho proveniente da última adega do fim do mundo. Na ilha de Rangiroa, no arquipélago das Tuamutus, na Polinésia Francesa, um destemido empreendedor, Dominique Auroy, e um enólogo vindo da Alsácia, Sebastien  Thepenier, estão produzindo três brancos e um rosé, única vinícola num raio de 5 a 10 mil quilômetros nesses confins do mundo do Pacífico Sul.

Os quatro rótulos produzidos em Rangiroa

Depois de experimentar dezenas de uvas em várias ilhas da Polinésia, Dominique Auroy ficou convencido de que o terroir de coral de Rangiroa era o melhor lugar para implantação dos vinhedos, selecionando três variedades para compor o seu “Vin de Tahiti”: Carignan, Grenache e  Muscat. O clima regular e com pouca chuva oferece também a possibilidade de duas safras por ano. O sucesso foi rápido, e a produção subiu para 38.000 garrafas. Depois de descartar os tintos que não chegavam à qualidade requerida, quatro rótulos se destacaram: o “Blanc de Corail”, muito mineral mas com sabores de agrumas, e o “Clos du Récif” , com notas de baunilha, sendo os dois premiados em 2008 e 2009 com a medalha de prata das Vinalies Internationales. O rosé “Nacarat” tem sabores de frutas vermelhas, e o branco doce é um perfeito companheiro para um aperitivo ou um prato tahitiano de frutos do mar.

Le mur de requins de Rangiroa @GIE Tahiti tourisme/Philippe Bacchet

 Mas se Rangiroa pode ser colocada agora nos roteiros do enoturismo internacional, a fama da ilha vem em primeiro lugar pelos seus extraordinários spots de mergulho. Para principiantes ou profissionais, a lagoa oferece emoções múltiplas com muitos tipos de peixes, tubarões, barracudas, golfinhos, tartarugas, desde o spot tranquilo do “Aquarium” para um snorking em família, até a “parede de tubarões” que encontra-se a uns 50 metros de profundidade, perto da famosa passe de Tiputa. É nessa passe, bem como na segunda passe do atol – Avatoru -, que são organizadas as principais saídas dos seis clubes de mergulho. Qual que seja a excursão escolhida, e a hora do dia ou da tarde, a caçada dos tubarões (ponta negra, cinza, martelo, seboso ou limão) é sempre o momento mais espetacular, quando eles espalham as “perches pagaies”, os  “chinchars”, as  “caranges”, ou os “napoleões”.

Golfinho pulando na passe Tiputa

Além do enoturismo e do mergulho, Rangiroa, segundo maior atol de coral do mundo com mais de 250 quilômetros de circunferência, vale também pelas suas belezas naturais. A lagoa azul – uma pequena lagoa dentro da lagoa principal – ou as areias cor-de-rosa, são os passeios mais procurados pelos numerosos casais em lua-de-mel. E, para quem quiser mesmo descansar, que tal tomar um copo de “Blanc de Corail” nas famosas cadeiras laranja da Pousada “Le Relais de Josephine”, esperando uma baleia ou olhando para os golfinhos que brincam de entrar e sair pela passe de Tiputa.

Manuia!*

Jean-Philippe Pérol

*Saude em tahitiano

No Relais de Josephine, o lugar certo para esperar baleias e golfinhos

No Rio Negro, os caminhos do Eldorado revisitados com charme e sustentabilidade

A piscina e o restaurante do Mirante do Gavião

Desde que foi descoberto em 1541 pelo Francisco Orellana, o Rio Negro sempre atraiu  viajantes e aventureiros. Espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses  procuraram – e nunca encontraram-  as riquezas do El Dorado e os caminhos do lago Manoa. Procuraram – e encontraram- o canal do Cassiquiare, mítico defluente que interliga as bacias do Orinoco e do Rio Negro, delimitando as Guianas.  Nos primeiros tempos da colonização portuguesa, quando a capital ainda era Barcelos e quando Airão Velho ainda não tinha sido invadida pela (falsa) lenda das formigas, o Rio Negro foi a rota principal dos desbravadores buscando das “drogas do sertão”. E mesmo depois dos dois ciclos da borracha, os viajantes continuaram a percorrer o rio, procurando seja os peixes ornamentais seja os mistérios da Bela Adormecida ou dos Seis Lagos.

Por do sol em São Gabriel da Cachoeira

O turismo virou nos últimos anos uma das principais atividades da bacia do Rio Negro, com uma oferta dividida entre a pesca esportivo do Tucunaré na região de Barcelos – em barcos ou nos lodges especializados-, e as trilhas de aventura levando para São Gabriel e o Pico da Neblina. Mas frente as incertezas das pescarias – mudanças nos ritmos das águas e rarefação dos peixes grandes, e as precárias infraestruturas de turismo de aventura, era hora de ver novas opções aparecer, um turismo sustentável trazendo benefícios econômicos  e respeitando não somente os ecossistemas da região, mas  também o desenvolvimento sócio cultural das comunidades ribeirinhas. Essa escolha, combinada com o charme e até o luxo de um empreendimento excepcional, foi feita pelo Mirante do Gavião Amazon Lodge.

Cada detalhe do Mirante combina luxo e sustentabilidade. É a própria arquitetura do hotel, desenhado pelo Atelier O’Reilly mas inspirado dos barcos regionais e que foi realizado por marceneiros de Nova Airão. São os jardins paisagistas que respeitaram toda vegetação inicial, não sendo cortada uma só arvore durante a construção, e oferecem a cada hospede uma perfeita privacidade. São os quartos amplos com uma decoração regional enriquecida com alguns acessórios de conforto internacional -como um banheiro com ofurô- e uma varanda para gozar da vista espetacular. Surpresa ainda no restaurante gastronómico, com um cardápio assinado pela Debora Shornik misturando ingredientes amazônicos e receitas internacionais, e onde os pratos são servidos “a francesa”.

A suite Samauma do Mirante do Gavião

Nos novos caminhos turísticos abertos pelo Mirante do Gavião, as atividades e as excursões são também um grande ponto de destaque. O viajante vai descobrir  não só a natureza selvagem, mas também os seus moradores e as comunidades que vivem em comunhão com o rio e a floresta. Os guias e os tripulantes, todos oriundos da região, desenharam roteiros exclusivos durante os quais os intercâmbios,  espontâneos ou preparados na Fundação Almerinda Malaquias que trabalha em Nova Airão para reconciliar turismo, meio ambiente, geração de rendas, e respeito as culturas dos moradores. Com charme e sustentabilidade, o exemplo do Mirante do Gavião mostra que turismo pode ser um Eldorado do século 21,  abrindo novos caminhos nas beiras do Rio Negro.

Jean-Philippe Pérol

O Jacareaçu da Katerre com seus itinerarios saindo do Mirante

Tahiti procurando um elenco muito especial para sua próxima campanha: você!

A Campanha da Tahiti turismo

A Campanha Duas Histórias, um Mana, da Tahiti turismo

Desde o ano passado, Tahiti colocou no ar uma nova campanha mostrando porque a Polinésia francesa, famosa no mundo inteiro por ter sido a primeira a oferecer aos turistas os bangalôs sobre as águas azuis dos seus atóis, continua sendo um destino único frente a novos concorrentes. É única pela diversidade das suas paisagens – do cartão postal de Bora Bora até as praias, o mar e a exuberante natureza  de cada uma das suas 118 ilhas – mas também pela cultura do seu povo, a força e a generosidade que os polinésios acreditam tirar do “Mana”, o sopro de vida das suas religiões tradicionais, próximo do “Axé” brasileiro. Os primeiros clipes da campanha “Duas Historias, um Mana” mostraram casais vivendo – alternativamente separados ou juntos- verdadeiras imersões nas ilhas e nas suas culturas.

Elizabeth e Michel, o primeiro casal selecionado

Elizabeth e Michel, o primeiro casal selecionado

Estreando esta semana a série de três vídeos, confira a viagem do casal francês Michel e Elisabeth. Em sua chegada em Tahiti foram logo surpreendidos, pois suas viagens começariam separadas. Eles foram enviados para vivenciar diferentes experiências, em diferentes ilhas. Elisabeth viveu uma imersão na dança e na música da Polinésia, passeios de bicicleta em surpreendentes paisagens, e desfrutou do pôr do sol a beira-mar… Enquanto que Michel desbravou as florestas em um 4×4, mergulhou com tubarões e se aventurou nas cachoeiras … E dentre as atividades que ambos realizaram, as escolhidas foram feitas para que ambos pudessem conhecer varias faces de Tahiti, vivenciando assim o “Mana”, a força e  a presença espiritual que abraça e conecta todos os seres.

A procura de elenco, nova fase da campanha

A procura de elenco, nova fase da campanha

E com isso, o Tahiti inicia já esta semana a busca pelo novo elenco dessa campanha mundial “Duas Histórias/Um Mana”. Se os três primeiros casais foram escolhas de marketing, tanto pelos perfis que pelos países de origem, da Mering Carson, agência responsável pela campanha, os três próximos elencos estão abertos a todas as candidaturas. Serão agora selecionados  três casais ou famílias, vindos de qualquer país do mundo, que poderão estrelar nos próximos clipes de promoção das Ilhas de Tahiti. Os candidatos selecionados, casais ou famílias de turistas “verdadeiros”, “comuns”, terão suas experiências compartilhadas permitindo que pessoas do mundo todo possam vivenciar o que eles estarão sentindo e fazendo, se imaginando no mesmo cenário.

Thom e Jeff, um dos casais das próximas series

Thom e Jeff, um dos casais das próximas series

Para se candidatar e participar dos capítulos 4, 5 e 6 da série “Duas Histórias/Um Mana”, famílias ou casais devem criar um vídeo de 15 segundos dizendo:
1 – o que asas Ilhas de Tahiti os inspira
2 – quais seriam suas 3 atividades favoritas no Tahiti.
E depois depois devem postar o vídeo nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram) utilizando o hashtag #TakeMeToTahiti. A data limite de postagem dos vídeos é o dia 5 de abril de 2017. Os casais e famílias escolhidos para fazer parte do elenco serão anunciados em Abril. Eles passarão dez dias nas Ilhas de Tahiti, em Junho, tendo suas aventuras e experiências filmadas e compartilhadas no mundo inteiro, levadas pelo sopro do “Mana”.

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Nos altares de pedra, nas aguas azuis, nas matas fechadas, a força envolvente do Mana

Lembrando da bem sucedida e mundialmente premiada campanha do Queensland “O melhor emprego do mundo” que gerou em 2009 1,4 milhão de participações e 35.000 videos, os organizadores são confiantes no sucesso.  E com a popularidade de Tahiti no Brasil –  quase 250.000 fãs na página Facebook da Tahiti turismo, podemos torcer para ter brasileiros no próximo elenco de “Duas Histórias/Um Mana”. Você?

Como participar para entrar da seleção do elenco

Como participar para entrar da seleção do elenco

 

 

 

Lyon, o destino urbano 2016 dos World Travel Awards!

Competindo com uma lista de 15 “nominees” onde constava Londres, Berlin, Veneza ou Lisboa,  Lyon ganhou no ultimo dia 4 de Setembro o prestigioso titulo de melhor destino de “city break” da Europa na cerimonia dos  World Travel Awards, organizada esse ano na Sardenha. Antiga capital da Gália, orgulhosa da sua longa tradição de metrópole comerciante, conhecida no mundo inteiro pela qualidade da sua gastronomia, Lyon teve nos últimos dez anos um crescimento impressionante do seu turismo, já destacado pela mídia internacional, passando de  2 milhões de turistas a mais de 5,5 milhões – com 30% de turistas internacionais-, e sendo uma das cinco cidades francesas mais visitada pelos brasileiros.

Sobrados antigos no bairro da Croix Rousse

Sobrados antigos no bairro da Croix Rousse

As raízes desse sucesso podem ser procuradas em 1998, quando o velho  centro de Lyon foi inscrito no Patrimônio mundial pela UNESCO. A cidade iniciou então um programa de renovação dos monumentos históricos e do seu patrimônio arquitetural, desde o bairro de Fourvière com seu teatro romano até os “traboules”, sobrados coloridos da época do Renascimento. Dentro dos projetos mais espetaculares, destaca se os cais dos rios Rhone e Saone do bairro da Confluence com seu impressionante Museu . Mas alem dessas coleções – ou dos incontornáveis museus de arte moderno ou das belas artes -, Lyon mostra uma excepcional animação cultural com milhares de eventos, a começar pelo Festival das Luzes de Fourvière e seus 3 milhões de visitantes, a bienal da Dança, a bienal de Arte contemporâneo , ou as festas de “La Sucrière” que recebem as maiores estrelas da musica popular francesa.

O Bouchon de l’Opera, um típico “bouchon” de Lyon

A fama adquirida por Lyon deve muito a sua posição  de capital gastronômica da França. Não somente pelo Paul Bocuse, ou pelos 19 restaurantes com estrelas Michelin da região metropolitana, mas pelos seus 4000 restaurantes e especialmente os seus famosos “bouchons”. Lugares emblemáticos da alegria de bem viver e de bem comer dos moradores, os “bouchons”  são caracterizados pela sua decoração pitoresca com toalhas de quadradinhos brancos e vermelhos, o seu cardápio tradicional, seus vinhos regionais e seu serviço generoso e amigável vindo da época dos “canuts”, os tecelãs da seda.

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O sucesso de Lyon com a nomeação pelos World Travel Awards foi também um trabalho de marketing de destino com uma marca, OnlyLyon, reunindo todos os profissionais da cidade, da região, do aeroporto e até da universidade, que se juntaram para valorizar as novidades no urbanismo e na arte de viver tanto para os moradores que para os turistas internacionais. Um trabalho de lobbying intenso e de promoção internacional foi coordenado pela OnlyLyon e seu Diretor Geral, Francois Gaillard, com a ajuda de embaixadores da nova marca, personalidades da cultura ou dos esportes como a grande estrela do basquete francês Tony Parker.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Charlotte Herrero no diário on line francês Le Figaro 

O mercado Paul Bocuse

O mercado Paul Bocuse

 

 

Barcelona cansada do turismo?

A Sagrada Familia

A Sagrada Familia

A nova prefeita de Barcelona, Ada Colau, deve apresentar nas próximas semanas um projeto de “des-crescimento turistico”, parte do programa que a ajudou a ser eleita nas eleições de 2015. Pode parecer estranho numa cidade que é considerado um exemplo-mor do turismo internacional, um modelo de estratégia de desenvolvimento que começou com os J.O. de 1992, atraindo hoje 29 milhões de turistas e sustentando 160.000 empregos, 14% do seu PIB, mas a capital catalã parece hoje vitima do seu sucesso. E um sucesso que deve ainda se ampliar com novas oportunidades trazidas pelas companhias low cost, e pelos cruzeiros atraídos pelo terminal marítimo onde quase 3 milhões de passageiros devem chegar esse ano.

"Turisme és misèria" nas paredes de Barcelona

“Turisme és misèria” nas paredes de Barcelona

Mas, desde 2014, os moradores, os comerciantes e as associações de bairros (El Raval, Barceloneta ou Barri Gotic) se queixavam do disparo dos alugueis, da transformação de mais de 30.000 apartamentos em residência de turismo, da inflação da alimentação, da saturação dos transportes coletivos, das brigas noturnas, e do congestionamento dos lugares turísticos nos arredores da Rambla, da Sagrada Familia ou do Parque Guell. Nas ruas do centro, e até no famoso mercado La Boqueria, os comercios tradicionais – a vida e a alma da cidade – estariam se transformando em lojas de souvenirs, em fast-food, em locadoras de bicicletas ou em discotecas para « turismo de borrachera ».

A Rambla durante o mês de Agosto

A Rambla durante o mês de Agosto

Querendo preservar a identidade de Barcelona, capital do Mediterrâneo da festa, do sol, da praia e da vida cultural, a prefeita já suspendeu 38 projetos hoteleiros – inclusive um Four Seasons -, mandou controlar a legalidade dos alugueis de apartamentos e multou a AirBnb. No seu projeto final, a cidade terá o zoneamento em três áreas, reduzindo a oferta de apartamentos na cidade velha, bloqueando o crescimento nos bairros da Sagrada Família e da Vila Olímpia, e autorizando de forma controlado o desenvolvimento na periferia. Esta sendo também estudada uma taxa especial para os cruzeiristas cujas receitas, juntas com as outras taxas turísticas, seriam agora utilizadas não mais para promoção mas exclusivamente para melhorias das infra-estruturas.

O Parque Guell, escolhido por 2,6 milhões de visitantes

O Parque Guell que atrai 2,6 milhões de visitantes

Barcelona vai  dar uma importante virada em direção a um turismo sustentável, mais em fase com os seus moradores. Mas as decisões que serão tomadas pela perfeita, os vereadores, o Consorcio Turismo Barcelona e o recém criado Conselho municipal do turismo (onde encontram-se moradores, ecologistas, hoteleiros e comerciantes) deverão respeitar duas considerações. A primeira é a importância do turismo como primeira atividade econômica da cidade, tanto nos hotéis que conseguem agora manter uma taxa anual de ocupação de 85%, no porto que recebe 750 escales de 40 navios gerando 400 milhões de euros de receitas, que nos milhares de restaurantes ou de comércios. Mas esse sucesso, especialmente junto aos “melhores” turistas, só poderá perdurar se a cidade guardar as suas características, preservar o seu patrimônio e seu modo de viver, respeitar a diversidade dos seus bairros, aproveitar os seus comércios e suas animações genuínas, e acima de tudo, continuar com a participação e o carinho dos seus moradores.

A animação do mercado La Boqueria

Barcelona vai sem duvidas contribuir a inventar um novo turismo urbano mais sustentável e mais respeitoso do jeito de viver dos seus habitantes. A capital catalã está sendo seguindo com muita atenção  por cidades como Amsterdã, Bruges, Berlim, Roma, Lisboa ou até Veneza. Todas elas querem também seguir um caminho combinando, de um lado, o sucesso económico, e , do outro, o bem estar dos moradores cuja felicidade é , cada vez mais, um componente chave de um destino turístico bem sucedido.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog  “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Por do Sol em Barcelona

Por do Sol em Barcelona

O Club Med campeão do turismo nas montanhas francesas

O Club de Val Thorens, o novo xodó dos esquiadores brasileiros

Se o Club Med é conhecido em primeiro lugar pelos seus resorts de praia – no Brasil em Itaparica, Rio das Pedras e Trancoso -, ou de campo – em breve em Mogi das Cruzes-, ele é também no mundo um líder em turismo de neve. Acabou de anunciar grandes ambições na montanha – especialmente nos Alpes franceses onde os 16 clubes apresentaram os excelentes resultados da estação de esqui 2016. Mesmo se a neve chegou tarde, os clubes da França fecharam o inverno com uma taxa de ocupação de 90%, uma alta de 3% em relação a 2015. Os resultados foram muito espetaculares em alguns mercados, dentro dos quais a Bélgica (+30%), os Estados Unidos (+30%) e o Brasil que surpreendeu com mais de 45% de crescimento.

O Club de Valmorel

O Club de Valmorel

Com alto padrão, com todo o equipamento previsto e as aulas incluídas, oferecendo uma experiência única de férias sem nenhum constrangimento, os Club Med dos Alpes franceses estão seduzindo os turistas que já colocaram Peisy-Vallandry e Valmorel no Top 10 Trip Advisor dos melhores hotéis franceses para famílias. O sucesso desses clubes de inverno devem se prolongar nos próximos três anos com seis aberturas, uma na Itália, uma no Japão e uma na China. Querendo consolidar sua liderança nas férias de esqui na França, três clubes serão inaugurados em Samoens-Morillon (2017), em Les Arcs 1650 (2018) e num lugar a ser definido nos Alpes do Sul (2020), um investimento global de Euros 300 milhões.

Gilbert e Serge Trigano apresentando o CLUB MED ONE

Gilbert e Serge Trigano apresentando o CLUB MED ONE

Fundado em 1950 pelo pioneiro Gerard Blitz, virando a partir de 1954, com o gênio criativo e o entusiasmo do Gilbert Trigano, um símbolo de liberdade e de felicidade, o Club Med foi durante três décadas um desbravador de destinos e de lugares excepcionais. Trigano inventou novas formas de turismo, do resort esportivo até o mini club para crianças, do all inclusive até os colares de pérolas substituindo o dinheiro. A alegria descontraída comunicada aos “Gentils Membres” pelos “Gentils Organisateurs” virou um verdadeiro símbolo duma época de liberdade sem preocupações. Mas, o aumento dos custos de pessoal, as novas exigências dos viajantes em termo de serviços, a volta de férias mais focadas nas famílias levaram a uma longa crise a partir da segunda metade dos anos 70, levaram a muitas tentativas de diversificação – no turismo receptivo (Tourisme France International, em parceria com a Air France), nos cruzeiros (O navio Club Med One), nas residências hoteleiras (Maeva) ou até nos hotéis (em Neuilly, perto de Paris) -, tentativas nem sempre bem sucedidas.

Hoje, a estratégia do CEO da empresa, Henri Giscard d’Estaing, e dos novos acionistas chineses, é claramente focada em resorts de alto padrão para famílias, com serviços mais personalizados e total segurança. O esqui é assim um dos produtos privilegiados que o próprio Henri fez questão de apresentar num clipe de lançamento. Com a França sendo o primeiro destino do Club Med com 24 estabelecimentos, com os BRICS – especialmente a China e o Brasil – como mercados prioritários, os Alpes franceses devem continuar nos próximos anos a crescer como um dos destinos favoritos dos “Gentils Membres” brasileiros querendo aproveitar em família as delícias do inverno no hemisfério norte.

Jean-Philippe Pérol

Temporada de neve 2017!