Comprar vinhos na França, as sugestões 2018 de “De vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Nas mil opções de shopping atraente na França, os vinhos continuam de ser uma das mais vantajosas para os brasileiros que podem levar na volta até doze litros, dentro do limite dos USD 500 autorizados. Cada ano, temos a mesma pergunta: qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Sempre aconselhei de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas vinícolas, Se os preços não são muito diferenciados, a riqueza do encontro, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, já tive experiências inesquecíveis com Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, com Chateau La Coste na Provence, com Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, com Chateau de Pommard, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha.

Sala de degustação do Château Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a “Vinothèque” e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia, ou a extraordinária “Bordeauxthèque” das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin  oferece seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Tem uma excepcional adega de vinhos raros, e divide pessoalmente a sua paixão oferecendo degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Lionel aceitou de fazer com exclusividade para nos uma sugestão para uma cesta de vinhos combinando com as quotas da alfândega brasileira (comprando duas garrafas de cada vinho selecionado dará exatamente USD 500!).

A seleção 2018 de De Vinis Illustribus:

La Parde de HAUT-BAILLY 2009 : 51 $

O segundo vinho do Château Haut-Bailly, elaborado com 44% de cabernet sauvignon, 45% de merlot e 16% de cabernet franc. O 2009, ano excepcional em Bordeaux, é um vinho denso, com fortes sabores de frutas maduras, taninos suaves, e o defumado típico dos vinhos de Pessac-Léognan. Pode ser bebido já, mas pode também ser guardado alguns nos.

L’Enchentoir 2010 : 31 $

Com 100% de cabernet franc, esse vinho é um Saumur (Vale do Loire) bem estruturado que está chegando a seu ápice. Com um gosto poderoso e sabores de cogumelos, ele pode acompanhar pratos com especiarias ou carnes fortes. Pode também ser bebido agora ou guardado até 10 anos.

Savigny-les-Beaune “les Goudelettes”  2015 : 36 $

Um safra excepcional desse pinot noir guloso, suave e elegante, típico dos melhores Bourgogne. Feito para acompanhar carne branca ou aves. Pode ser bebido agora mas ainda tem um bom potencial de guarda.

Pouilly-Fuissé “Les Reisses” DENOGENT 2015 : 41 $

Elaborado com 100% de chardonnay, esse lindo Bourgogne branco é no mesmo tempo doce, redondo e rico. Pode ser servido como aperitivo ou para acompanhar um peixe grelhado ou um queijo tipo Comté.

Meursault “La Barre” MILLOT 2015 : 47 $

Um grande Meursault da Côte de Beaune na Borgonha, um chardonnay cujas vindimas são feitas a mão. Uma cor amarela quase dourada, um corpo firme e uma harmonia total, com sabores de manteiga fresca e notas de grelhados… Um Bourgogne perfeito e uma grande safra.

BANYULS  “Quintessence” 2013 : 41 $

Um vinho tinto adocicado, um verdadeiro vinho do Porto a francesa. Elaborado com Grenache noir, ele é um companheiro inseparável  dos queijos “azuis” tipo Roquefort ou Bleu d’Auvergne. Uma iguaria quando harmonizado com chocolates pretos.

Obrigado Lionel, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

Viajantes, roteiros e enocultura, as novas rotas do enoturismo mundial olham para o Brasil!

A Napa Valley, região pioneira do enoturismo

Celebração do Dia do Vinho, multiplicação das rotas dos vinhos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo ou no sertão de Pernambuco, assinatura de um convênio entre a Embratur e a Ibravin, wine tours, produtos vedetes na FITUR de Madrid, o enoturismo no Brasil está de vento em popa. Já sendo quase um milhão a visitar mais de 1.100 vinícolas brasileiras, os enoturistas brasileiros estão também chamando a atenção dos profissionais de muitas regiões do mundo. Tanto para o mercado doméstico que para o mercado internacional, o crescimento dessa temática de viagem no Brasil segue as novas tendências que surgiram em Napa Valley, na Toscana ou em Bordeaux, e que a Organização Mundial do Turismo (OMT) destaca agora no Uruguai, na Croácia ou até na Geórgia.

Arte nos vinhedos na “Floresta dos 5 sentidos” das Sources de Caudalie

A primeira tendência que impulsa o enoturismo é a diversificação de seus fãs. Antes quase exclusivamente enófilos – amadores de vinhos, conhecedores ou sócios de clubes de degustação -, os enoturistas não são hoje obrigatoriamente conhecedores, mas sempre bons vivants, cultos e curiosos, atraídos pela arte e pelos prazeres da mesa. Mesmo nas vinícolas, eles vão procurar por uma história, uma arquitetura, pelas tradições locais, as obras artísticas, ou por uma experiência com os moradores. As paisagens espetaculares – no Vale do Douro, em Mendonça, na Alsácia ou em Lavaux – são trunfos importantes, assim como características únicas: vinhedo mais setentrional em Sabile (Letônia), vinhedo mais velho em Maribor (Eslovênia), maior adega do mundo em Cricova (Moldávia), vinhedos dos “fins do mundo” na Patagônia (Argentina) ou em Rangiroa (Polinésia Francesa).

Adegas desenhadas pelo Santiago Calatrava, em Ysios

O novo enoturista procura também novidades arquiteturais, uma tendência que começou na Espanha com as adegas de Ysios, do Santiago Calatrava, e o Hotel Bodega de Marques de Riscal, do Gehry. Vários projetos de Museus do Vinho seguem a mesma tendência, o mais espetacular até hoje é a “Cité du Vin“, em Bordeaux. Às vezes chamado de Guggenheim do vinho, obra dos arquitetos Legendre e Desmazières, a Cité consegue unir uma espetacular localização na beira do Rio, uma construção emblemática, bem como um conteúdo pedagógico e lúdico. As construções que revolucionaram o enoturismo são também hotéis oferecendo hospedagem de qualidade, gastronomia estrelada e experiências do mundo do vinho, incluindo o bem-estar trazido pelas uvas. Além do pioneiro de Bordeaux, o Château Smith Haut Lafitte com o Hotel Palace Les Sources de Caudalie e o SPA Caudalie, o Yeatman Hotel do Porto ou o Meadowood da Napa Valley são alguns dos grandes estabelecimentos construídos em torno do vinho.

Adegas da LVMH em Reims

A ligação entre o enoturismo e a cultura é uma outra tendência forte, com uma importante contribuição da UNESCO que listou no Patrimônio da Humanidade os kvevris da Geórgia, os climats da Borgonha, a vite ad alberello de Pantelleri, os terraços de Lavaux e os coteaux, maisons et caves da Champagne. Em cada região produtora de vinho, cada vinícola, cada aldeia e cada produtor têm uma experiência para oferecer. Em sua história, em sua cultura, poderá contar e ensinar ao visitante não somente as especificidades de seu vinho, mas também o seu patrimônio enocultural único. O foco crescente dado pelos profissionais às possibilidades de compras nas próprias adegas aumenta ainda mais o impacto do enoturismo na economia da região, bem como das próprias vinícolas – que chegam a vender 15% e mais das suas produções aos enoturistas.

Vinhedos perto de Bento Gonçalves

Com um mercado em crescimento, o Brasil está mostrando sua nova força nos mercados mundiais do enoturismo, sediando encontros de especialistas, palestras abertas a públicos de profissionais ou de amadores, ou congressos nacionais ou internacionais, com um foco em Bento Gonçalves e na região pioneira do Vale dos Vinhedos.Em São Paulo, o INVINO Wine Travel Summit reunirá no dia 16 de Setembro, expositores vindos de todo o País e do mundo inteiro com agentes de viagem e operadores brasileiros cuidadosamente escolhidos. Alem de descobrir as grandes novidades dos melhores “wine tours”, será também uma verdade experiência enogastronômica com degustações e harmonizações. As novas rotas do enoturismo estão mesmo olhando para Brasil!

Jean-Philippe Pérol

O Hotel Adega Marques de Riscal, obra do arquiteto Gehry

A “Cité du Vin” em Bordeaux

https://www.invino.travel/

 

Castelos, hotéis e AirBnb, uma nova experiência que só Alain Ducasse podia oferecer!

Quarto no Pombal do Château de Courban

Quarto no Pombal do Château de Courban na Borgonha

O grupo californiano AirBnb vai mais uma vez surpreender tanto os seus seguidores como seus detratores, assinando um acordo de parceria com  Châteaux & Hôtels Collection, um grupo francês reunindo 500 restaurantes ou estabelecimentos hoteleiros, presidido pelo famosíssimo  e muito influente chef Alain Ducasse. Ambas inovadoras e pioneiras, as duas empresas vão trabalhar juntas para oferecer aos viajantes não somente quartos únicos em todos os endereços Châteaux & Hotels Collection da França, bem como experiências exclusivas em Paris.

O restaurante parisiense Citrus Etoile

O restaurante parisiense Citrus Etoile

AirBnb vai comercializar no seu site de reservas os hotéis da rede – cada estabelecimentos podendo oferecer seja alguns seja todos seus quartos. E Alain Ducasse criou quatro roteiros especialmente para AirBnb, como acompanhar o chef Gilles Epié numa feira livre e depois na cozinha do seu restaurante Citrus l’Étoile, descobrir a “Manufacture de Chocolat” Alain Ducasse ou visitar os bastidores da sua escolha de cozinha e participar de uma degustação. com a diretora Alexandra Legrand. Mas alem de ser a primeira vez que um acordo comercial liga a AirBnb e um dos grandes atores do setor turístico da França, essa parceria representa para cada um dos dois grupos uma virada estratégica importante.

Paris, primeiro destino mundial da AirBnb

Paris, primeiro destino mundial da AirBnb

Para AirBnb, essa parceria é uma sequencia lógica do crescimento da Trips, a sua plataforma de planejamento de viagem. Já contando com posadas, “bed and breakfast” e pensões, o próximo passo tinha que ser  ampliar a oferta de hotéis. Com  Châteaux & Hôtels Collection, os clientes vão ter acesso a novas experiências de qualidade. Na hora onde seu modelo econômico sofre de mudanças nas legislações nos grandes destinos turísticos mundiais, AirBnb pode fazer desse acordo um passo importante para competir com as grandes OTA, Booking et Hotels.com. O prestigio de Alain Ducasse pode também ser decisivo para mostrar ao setor hoteleiro, até então extremamente hostil, que sinergias são possíveis entre a economia participativa e as hospedagens tradicionais.

Novas perspectivas se abram também para Châteaux & Hôtels Collection. Os  viajantes qui visitam o site ou frequentam as hospedagens da AirBnb (só na França seriam 10 milhões) vão descobrir os seus endereços. Pelo menos numa primeira fase, os 400 hoteleiros da rede oferecerão em prioridade os quartos mais originais e inéditos como um pombal ou a torre de um castelo do Renascimento, mas a escolha será de cada estabelecimento. Concordando com AirBnb sobre a necessidade de comunicar com os viajantes duma forma diferente, consciente das revoluções trazidas pelas grandes plataformas de reservas, a rede presidida pelo Ducasse vai, com essa inesperada parceria, conseguir um novo posicionamento, tanto em relação aos seus outros parceiros na distribuição que junto aos novos viajantes do século XXI.

Jean-Philippe Pérol

O Castelo de Besseuil, Château Hotel na Borgonha

O Castelo de Besseuil, Château Hotel na Borgonha

 

 

Destinos turísticos e gastronomias regionais, os sucessos interligados

 

Degustação de ostras no Etang de Thau

Degustação de ostras no Etang de Thau

A gastronomia e as bebidas locais enriquecem o patrimônio turístico e são sempre parte das campanhas promocionais, como sendo experiências-chave para aproveitar um destino. Uma boa chucrute vai ser um grande momento de uma viagem para Estrasburgo, um Grand Cru degustado no Bar da Praça de Saint-Emilion justificará uma viagem para Bordeaux, um copo de Chablis com uma “gougère” será um parada obrigatória na Borgonha, uma cavaquinha grelhada frente ao porto de Saint-Tropez ficará como a sua melhor imagem da Côte d’Azur, bem como um prato de ostras na beira do Etang de Thau agregará a noite inesquecível que vai lhe fazer lembrar para sempre sua viagem para Montpellier.

Paul Bocuse em Lyon, capitale francesa da gastronomia

Paul Bocuse em Lyon, capital francesa da gastronomia

Para 67% dos viajantes, a gastronomia é um critério importante para selecionar o seu destino, sendo sempre entre os dez mais citados. E para os brasileiros, a culinária francesa é a quinta razão mais lembrada para justificar uma viagem para França, 59% deles colocando experiência gastronômicas nos seus roteiros. Os sucessos  recentes de Lyon ou de Bordeaux junto aos turistas vindo do Brasil se devem sem dúvidas em grande parte para a primeira ao prestígio do Paul Bocuse, das suas grandes mesas estreladas (ou dos seus pequenos “bouchons”), e para a segunda a justificada fama dos vinhos de Pomerol, de Côtes de Bourg, de Pessac Leognan ou de Margaux.

O Rosé , seduzindo por ser o espirito da Provence

O Rosé, seduzindo por ser o espírito da Provence

Se é então indiscutível que a culinária reforça a atratividade dos destinos, não se deve subestimar o quanto a imagem de um destino pode ajudar na divulgação dos produtos regionais. O exemplo mais famoso é talvez o Rosé de Provence. Produzido há mais de dois milênios, esse Rosé é hoje um sucesso mundial, 141 milhões de garrafas, 16 milhões das quais são exportadas (1,7% no Brasil). Esse sucesso se deve talvez à qualidade das suas uvas, ao charme das suas cores, ou a originalidade dos seus aromas. Mas, quem gosta desse vinho gosta antes de tudo da Provence. Beber esse Rosé com alguns amigos em dia de sol é beber a Provence, beber as oliveiras, os campos de lavanda, beber os jogadores do “bocha” na praça do vilarejo ou o canto das cigarras. A força da imagem da região deu ao seu vinho um prestígio que o transformou.

A Volvic no Japão, ligando sua imagem com os vulcões da Auvergne

A Volvic no Japão, ligando sua imagem à dos vulcões da Auvergne

Muitos pratos ou produtos das gastronomias tradicionais devem sua popularidade à atratividade das imagens dos seus países ou das suas regiões de origem, consolidadas através do turismo, de lembranças de férias ou de festas inesquecíveis. Na França, é assim que a Córsega exporta os seus embutidos, a Britânia sua cidra, a Auvergne suas águas minerais, o Pais Basco o seu queijo de ovelha, ou os Alpes sua “fondue” ou seu Genepi. Exemplos que mostram que se a gastronomia é um grande atrativo dos destinos, o sucesso turístico pode também ser um grande atrativo para a divulgação de gastronomia de um território.

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

A influência dos destinos sobre a valorização das suas respectivas culinárias é ainda mais forte quando se trata de viajantes ou de consumidores com raízes familiares. E, devo confessar que a minha paixão pelo “Pâté de pommes de terre”, que eu já dividi com amigos em Nova Iorque, Quito, Manaus ou São Paulo, se deve muito mais ao meu amor e ao meu orgulho das minhas origens na Auvergne que pela qualidade gastronômica dessa torta de batatas coberta de creme de leite. Mais um destino que soube ajudar a popularizar a sua culinária!

Jean-Philippe Pérol

Chablis com "Gougère", o pão de queijo a francesa

Chablis com “Gougère”, o pão de queijo à francesa

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Cassoulet, pimentas e Gevrey Chambertin, sugestões brasileiras para a feijoada a francesa

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Cassoulet com pimentas e Gevrey Chambertin 2004

Cassoulet e Gevrey-Chambertin, uma sugestão para um domingo de noite

de Edson Costa, enólogo, gourmet, musicólogo e poeta.

Reza uma das lendas mais difundidas do cassoulet que Castelnaudary, cidade situada na região de Occitânia, foi cercada durante a Guerra dos Cem Anos pelos ingleses que dominavam o sudoeste desde Bordeaux,  e ficou semanas sem abastecimento. A população, para não passar fome, fazia ensopados com tudo que houvesse a disposição: feijões brancos (típicos da agricultura local), pedaços de carne de porco, aves, legumes… Assim teria nascido um dos pratos mais tradicionais da França. E Castelnaudary ficou conhecida como a capital mundial desta iguaria.

A cidade de Castelnaudary, na beira do Canal do Midi

A cidade de Castelnaudary, na beira do Canal do Midi

A lenda é muito discutida até hoje. Os historiadores lembram que o feijão chegou na Europa vindo das Américas, seja  depois do Cristovo Colombo, e que receitas parecidas, mas a base de favas, são conhecidas na região desde o século X. Mas o cassoulet virou famoso, e é um prato tão importante na cultura local que três cidades desta região disputam a fama de fazer o melhor de todos. Para manter a paz regional, os franceses decidiram que o cassoulet é o Deus da gastronomia, e as três cidades são o Pai (Castelnaudary), o Filho  (Carcassonne) e o Espírito Santo (Toulouse].

A Confraria do Cassoulet de Castelnaudary

A Confraria do Cassoulet de Castelnaudary

Guardadas as devidas e necessárias tradições, cada Chef tem sua receita para a elaboração dessa feijoada a francesa. Nesta proposta, personalizada mas inspirada da receita original da Grande Confraria do Cassoulet de Castelnaudary , foram incluídos: feijão branco, coxa de pato confitada e assada, costela de porco, linguiça calabresa, costeleta de porco defumada, lombo de porco, alho assado, bacon em pedaços, cebola roxa, sal e pimenta do reino moída na hora. Todo servido na “cassole”, o prato de cerâmica tradicional cuja origem vem do século XIV.

O castelo de Gevrey-Chambertin

O castelo de Gevrey-Chambertin na Borgonha

Para harmonizar o cassoulet com um vinho, as escolhas tradicionais são o Cahors ou o Corbières, mas vale a pena de fazer outras experiências. Vale combinar com um Gevrey Chambertin, o vinho que era o favorito do Napoleão, aqui um Racines du temps do René Bouvier, safra 2004.  Com seus vinhedos situado perto de Cluny – sede da famosa abadia e das ruinas da maior catedral do Ocidente cristão-, esse “terroir” caracteriza-se por apresentar vinhos unicamente tintos. São vinhos de longa guarda, potentes, estruturados, tânicos e ao mesmo tempo aveludados, de cor intensa, e com aromas e sabores de cassis, cereja, alcaçuz e couro, mas que também são capazes de desenvolver aromas terciários na maturidade, como de mata e de caça.

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Gevrey-Chambertin Racines du Temps 2004

O Domaine René Bouvier é uma empresa familiar fundada em 1910 pelo avô de Bernard Bouvier, Henry Bouvier na Côte de Nuits, Borgonha, França. Tem 13 hectares de Pinot Noir e 4 de Chardonnay Noiret 4 para um total de 18 DOCs na Borgonha, Cotes de Nuits Villages, Fixin, Marsannay e Gevrey-Chambertin, todas com Premier cru e Grand Cru. O Gevrey-Chambertin Racines Du Temps René Bouvier 2004, como é determinado na Borgonha, é um vinho varietal Pinot Noir (100%) que envelheceu em barricas novas de carvalho francês por 18 meses.

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Tempero a brasileira: molho de pimenta  dedo de moça

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Tempero a brasileiro: molho de pimenta murupi

Um cassoulet servido na "Cassole"

Um cassoulet servido na “Cassole”

Parabéns, Rio de Janeiro!

Os fogos da Ceremônia de abertura

Os fogos da cerimônia de abertura

Desagradando os (numerosos) pessimistas, os Jogos Olímpicos 2016 começaram impressionando o mundo. Se certos problemas organizacionais – apartamentos inacabados ou poluição das aguas- e falhas de comunicação – os cangurus dos australianos- ainda foram destaques de algumas mídias, a imprensa internacional é unânime a destacar um sucesso de organização e  de criatividade. E se o balanço geral do imenso investimento que o Brasil escolheu de fazer ainda demorará para ser feito, dois pontos positivos já parecem ganhos.

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O primeiro é a impressionante renovação do Rio de Janeiro, simbolizada pela ousadia e a beleza do Museu do Amanhã. Alem da fascinante obra do Calatrava, os visitantes estão redescobrindo a beleza da Praça XV e de todo o centro da cidade, anotando que Copacabana levanta a saudade do seu passado glorioso, vendo que a Tijuca é a maior floresta urbana do mundo. Turistas e moradores aproveitam as novas infraestruturas e as vias de transportes alternativas. Com o acesso facilitado pelo BRT, novos hotéis e com uma verdadeira explosão imobiliária, a Barra da Tijuca é de repente vista como a oportunidade para o Rio se transformar num Miami da América do Sul. E os investimentos feitos em treinamento de pessoal ou ensino de idiomas estrangeiros contribuirão também a melhorar os serviços oferecidos  na cidade maravilhosa.

Artistas de Parintins dando um show na ceremonia de abertura

Artistas de Parintins dando um show na cerimonia de abertura

A festa de abertura é o segundo grande sucesso do Brasil nesses primeiros momentos dos Jogos. A criatividade , a profundidade, a alegria e a perfeita realização não deveria ter surpreendido ninguém num pais capaz de organizar o Carnaval do Rio ou o Festival de Parintins. A equipe criativa formada pelos cineastas Fernando Meirelles e Andrucha Waddington, a diretora e cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Deborah Colker  conseguiu imaginar e montar um evento com conteúdo e emoção. Com um orçamento muito controlado, foram não somente mandadas duas mensagens para o mundo – a importância da ecologia e da preservação do meio ambiente solenizada na COP 21, a força e o exemplo da tão peculiar miscigenação brasileira – mas onde a alegria da musica, da dança e dos visuais também  não faltaram em nenhum instante. A força dessas imagens será agora sem duvidas um dos grandes acervos do Rio de Janeiro, “lembrado por muitas gerações”, segundo o enviado especial do diário americano USA Today.

O espaço turismo do Club France

O espaço turismo do Club France no Rio 2016

No Club France, um espaço de lazer, de convivialidade e de imersão na cultura francesa, aberto ao publico pelo Comité Olímpico Francês, e inaugurado pelo Presidente da Republica que queria marcar seu apoio a candidatura de Paris para os Jogos de 2024, o turismo francês também quis marcar presencia. Um amplo estande de informação apresenta aos visitantes as novidades dos parceiros presentes – os hotéis Accor  bem como Nice, a Provence, os Alpes, a Borgonha ou Toulouse. Uma exposição de foto da fotógrafa Maia Flor mostra também vários monumentos através de um olhar artístico carregado de emoção. A excelente reatividade dos cariocas deixa a pensar que a França, e seus grandes destinos turísticos vão também tirar um excelente proveito do sucesso desses Jogos Olímpicos – talvez até 2024 !

Jean-Philippe Pérol

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

Slow travel: na França, a tendência já pegou!

Ponte Canal de Briare

Ponte Canal de Briare

O “slow travel” , um jeito de viajar dando prioridade a qualidade das experiências de viagem, e não ao número de atividades planificadas num roteiro exageradamente intenso, já pegou nos Estados Unidos e na França. Para muitos viajantes brasileiros, acostumados a um turismo acelerado, onde cada visita é logo seguida de uma outra, onde cada paisagem é lançada no Facebook antes de ser vista, onde cada prato de restaurante é comentado no Instagram antes de ser provado, e cada sorriso fixado num selfie, essa tendência pode parecer um retrocesso num mundo cada vez mais acelerado e participativo. SLOW TURISMOAs pesquisas, porém, mostram que a tendência para o “slow mouvement” como nova forma de aproveitar melhor a vida,  já conhecida na gastronomia como “slow food”, começou a chegar no turismo. Uma pesquisa mostrou que são agora 53% dos viajantes que querem em primeiro lugar ficar sem estresse quando visitam um destino. Para eles, as viagens exageradamente organizadas, com atividades muito planificadas, perderem o seu sentido primeiro: relaxar!

O “slow travel” não é para visitar um destino, mas para viver-lo. Ele traz ricas experiências e muitas emoções, mas exige tempo, capacidade de improviso e respeito das tradições dos moradores. IMG_2775Em vez de reservar uma ou duas noites em cada hotel e atravessar correndo o maior número de cidades, a ideia vai ser de ficar o máximo possível no mesmo lugar, seja num hotel ou num apartamento alugado. Em alguns dias, o viajante pega os hábitos locais: tomar seu café ou seu aperitivo no bar da esquina, passear na feira livre do bairro ou do vilarejo, voltar nas lojas dos arredores para conversar com os comerciantes, ter o seu restaurante favorito onde é dada a preferência para a gastronomia da região.

Feira livre em Aix-en-Provence

Feira livre em Aix-en-Provence

O “slow travel” necessita também saber improvisar. Um encontro interessante com uns moradores, uma   compra imperdível numa loja escondida numa rua desconhecida, ou a descoberta de um monumento que não está nos roteiros tradicionais, só aparecem para quem está sem compromisso e com uma capacidade de aproveitar as oportunidades que vão aparecendo. Esse nova tendência ajuda também a baratear as viagens. Slow turismo perto de Smith Haut LaffiteFicar mais tempo no mesmo destino ajuda a negociar melhor os preços do hotel, a encontrar um apartamento bem localizado na Airbnb, ou a alugar uma casa com família ou amigos – permitindo também cozinhar. A boa integração no local ajuda também o turismo sustentável, facilitando o uso de transportes coletivos (sempre de difícil acesso numa viagem relâmpago) e ajudando assim o viajante no seu objetivo de participar da vida e da cultura local. E se o “slow travel” pode ser vivido em muitos destinos franceses, de Saint Germain des Prés até Bordeaux, de Aix en Provence até Biarritz, ou de Saint Paul de Vence até a Ile-de-Ré, ele pode também ser combinado com alguns tipos de ferias itinerantes tais como Vale e Loire de bicicleta ou os canais da Borgonha de barquinho. Viajando divagar, relaxando ao ritmo do “slow travel”, uma tendência que vai pegar também no Brasil.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Juliette Hochberg no jornal francês Le Figaro  

Navegando na Borgonha

Navegando na Borgonha

 

 

 

 

 

 

 

VISIT FRENCH WINE, o novo site de encontros entre turismo e vinho!

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Enoturismo na região de Bordeaux

Com os seus vinhos definidos pelos “terroirs”, a França é com certeza um dos países onde a combinação de um roteiro de viagem com uma descoberta de vinhedos é a mais atraente. O enoturismo da terra do Romanée Conti e do Beaujolais já atrai mais de 7,5 milhões de viajantes, sendo 3 milhões vindo do mundo inteiro – cerca de 30.000 do Brasil, mas ainda têm um extraordinário potencial de crescimento. EFlorence e Daniel Cathiardmpurrados pelo Conselho Superior do Enoturismo, presidido pela Florence Cathiard (dona do Château Smith Haut Lafitte), e pelo Cluster enoturismo da Atout France, liderado pelo Michel Bernard (do Château Beauchêne), 16 grandes marcas e 15 destinos vinícolas decidiram dar um novo impulso a essa atividade  que junta dois dos maiores sucessos da excelência francesa, o vinho e o turismo. Com uma oferta agora diversificada e consolidada, o lançamento do site visitfrenchwine.com mostrou a vontade dos vinhedos franceses de receber muito mais turistas internacionais.

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Os vinhedos de Saint Brice em Cognac

Vendo o sucesso de países concorrentes como os Estados Unidos na Napa Valley, Portugal no Vale do Douro ou a Argentina em Mendoza, um selo de qualidade “Vignobles et découvertes” foi lançado em 2009 para ajudar o visitante a escolher as vinícolas, as adegas, os passeios, os museus, os eventos, as festas, os Spas de “vinoterapia” e até os centros de congressos com as ofertas mais adaptadas para organizar os melhores roteiros de turismo e vinhos. logo_Vignobles et découvertes_pour plaque_0Outorgado pelo Conselho do Enoturismo para um prazo de 3 anos, o selo já é encontrado em 57 lugares da França. E se 61% dos visitantes ainda são franceses, todos eles já estão se preparando para um forte crescimento dos turistas vindo não somente da Europa mas também dos Estados Unidos, da China ou do Brasil. Profissionais desses países serão as vedetes do salão especializado, “Destination Vignobles”, que reunirá em Reims, dia 11 de Outubro, 120 expositores e 150 convidados.

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O Relais Châteaux Bernard Loiseau

No novo site www.visitfrenchwine.com, por enquanto em francês ou em inglês, mas em breve também em 17 idiomas, inclusive em português, os conteúdos serão selecionados para mostrar uma França calorosa, contemporânea, criativa, cultural, renovando sua oferta mesmo nas vinícolas ou no turismo. JPP ET ACHILLE NO SHLO site tem como ambição ajudar o visitante a definir e depois encontrar qual é a experiência que corresponderá melhor ao seu perfil e às suas vontades, levando ele em somente 3 cliques para uma seleção de ofertas dentro dos 18 vinhedos apresentados. Lugar de encontros entre o vinho, o turismo e os viajantes, o site vai também dar um destaque para as experiências de blogueiros convidados, bem como as opiniões de personalidades influentes no Facebook ou no Instagram (um hashtag #visitfrenchwine já está a disposição).

Jean-Philippe Pérol

Os vinhedos de Sainte Victoire

Os vinhedos de Sainte Victoire

Os 15 profissionais parceiros do projeto : AdVini (Gassier, Jeanjean, Ogier, Laroche, Cazes…), Gérard Bertrand, Château Smith Haut Lafitte, Château de Berne, Château Cordeillan Bages, Relais & Châteaux, Bernard Magret, Mumm, Perrier Jouet, Martell, Le Hameau Duboeuf, Le Château du Clos de Vougeot  , Rémy Martin,  Ackerman, Moet Hennessy (Moët&Chandon, Hennessy, Ruinart, Mercier, Dom Pérignon, Veuve Cliquot, Krug…).

Os 16 destinos participantes : Alsâcia, Armagnac, Beaujolais, Bergerac, Bordeaux, Borgonha, Champagne, Cognac, Languedoc, Pays d’Oc, Provence, Roussillon, Savóia, Sul Oeste, Vale do Loire, Vale do Rhône.

 o incrível panorama doRoyal Champagne


O incrível panorama do Relais & Châteaux Royal Champagne

VIAJAR? SÓ SE FOR DE BICICLETA!

Chambord

Símbolo do ecoturismo, económica, ecológica, invadindo até a Avenida Paulista, a bicicleta esta virando o xodó de muitos viajantes. Na hora do “Slow movement”, viajar de bicicleta significa escolher seu ritmo, tomar o tempo de aproveitar a paisagem, parar para tomar um banho de rio, visitar uma igreja, passear num vinhedo, conversar com os moradores ouVelib em Paris esperar o por do sol. Procurando uma viagem esportiva, pitoresca e original, o turista pode então viajar com a sua bicicleta, ou simplesmente alugar uma quando chegar ao seu destino, inclusive se esse é uma das grandes metrópoles que já organizou esse modo de transporte para seus próprios habitantes. Assim como o Bike Sampa ou o Bike Rio, exista o City Bike em Nova Iorque, o Bixi em Montreal, o Youbike em Taipei ou, claro, o Velib em Paris.

La Loire à velo

Nos quatro cantos da terra, existem agora magníficos roteiros de bicicleta, e a Europa esta investindo num grande projeto EuroVelo que vai abrir até 2020 70.000 km de ciclovias organizadas em torno de 14 “veloroutes”. Castelo de SaumurUma das mais famosa já é sem duvidas a “Loire à velo”. Seguindo o vale do Rio – agora patrimônio da UNESCO – , esse itinerário  representa mais de 800 km de ciclovias de Saint Nazaire e Nantes na Britânia até Nevers na Borgonha. A “Loire a velo” atravessa os grandes vinhedos e os mais famosos castelos do Val de Loire. Beneficiando de um acordo com as companhias ferroviárias, e da colaboração de 460 profissionais – hoteleiros, oficinas mecânicas, locadoras ou monumentos históricos -, recebeu o ano passado mais de 800.000 turistas vindo do mundo inteiro. IMG-20120609-00138Na França, são as regiões vinícolas que mais investiram na organização e nas ofertas de roteiros. Assim em Bordeaux, assim na Borgonha, com sua “Voie des vignes”, que criou um itinerário de 89 km de Dijon a Châlon, a percorrer em dois ou três dias com etapas que não precisam de nenhum comentário: Gevrey Chambertin, Chambolle Musigny, Vosne-Romanée, Savigny les Beaune, Pommard ou Meursault…

Passeios de bicicletas em Bordeaux

Tem também muitas maneiras de viajar de bicicleta. Pode ser sozinho, muito organizado com os hotéis jà reservados em cada etapa, ou com uma barraca para escolher na ultima hora o acampamento mais conveniente. Tandem no por do solPode ser em casal – dividindo alegrias e correndo o risco de algumas pequenas brigas para definir o ritmo certo, a menos de escolher um tandem onde a harmonia é obrigatória. Pode ser em grupos organizados, inclusive de altíssimo padrão como por exemplo os itinerários mágicos da Butterfield and Robinson na Borgonha, na Alsácia, na Provence ou no Val de Loire. Qual que seja a sua escolha, todos esses cicloturistas estarão de acordo com o grande Albert Einstein que gostava de lembrar “a vida é igual a uma bicicleta, tem que ir para frente para não perder o equilíbrio .

Paaseando de bicicleta

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original publicado na revista on-line Pagtour

Os vinhedos da Champagne e da Borgonha no Patrimônio mundial da Humanidade!

Os %22climats%22 da Borgonha

Gastrónomos,  bons vivants, enófilos, ou simples amadores de bons vinhos e de festas alegres adoraram de ler ontem que  a UNESCO aprovou a entrada dos vinhedos da Champagne e da Borgonha  na lista do patrimônio mundial da Humanidade. Reunido em Bonn, na Alemanha, o comité do patrimônio  da organização internacional reconheceu que o conjunto dos vinhedos, das adegas, dos prédios históricos e do “savoir-faire” dessas duas regiões representavam paisagens culturais únicos no mundo.  Como cada um dos 1027 sítios já registrados (sendo 19 no Brasil), a Champagne e a Borgonha entraram na lista como uma homenagem a suas especificidades.

A abadia de Hautvillers visto do ceu photo_fenouil

A UNESCO explicou que a escolha da Champagne premiou seus “coteaux, maisons et caves” (sejam, vinhedos, casas de produção e comercialização, e adegas). Foram nesses lugares que foi desenvolvida o método de elaboração dos vinhos espumantes com a segunda fermentação, isso desde a sua invenção no século XVII até sua industrialização no decorrer do século XIX.

O beneditino Pierre Perignon

A inscrição dos Coteaux, Maisons et Caves de Champagne na lista do patrimônio se refira a três sítios cuidadosamente escolhidos no dossiê de candidatura. CIVC-DINER EN TETE A TETE-SIPA PRESS-JP BALTEL Paris-FRANCE, le 07/12/07O primeiro é o morro Saint Nicaise em Reims, com sua abadia de Saint Pierre d’Hautvillers onde o beneditino Pierre Perigon (mais famoso como Dom Perignon) teria inventado as seleções de uvas, a dupla fermentação, a rolha de curtiço e a taça flauta.  Na parte subterrânea do morro ficam as fabulosas adegas de Ruinart, Pommery, Clicquot et Heidsick. O segundo sitio inclui três vinhedos históricos da Champagne, Hautvilliers, Aÿ e Mareuil-sur-Aÿ, incluindo as adegas da Bollinger. Fort Chabrol em EpernayO terceiro é a Avenida da Champagne em Epernay, onde ficam as mais prestigiosas casas de negociantes bem como as seus quilômetros de adegas, seus espaços de vinificação e seus imponentes estoques de milhões de garrafas. O Fort Chabrol, centro de pesquisa enológica  foi também inscrito no projeto que cobre assim todo o processo de produção do Champagne.

O vinhedo de Clos Vougeot

Na Borgonha, a UNESCO homenageou os “Climats“, vinhedos cuidadosamente delimitados nas “Côtes de Nuits” e “Côtes de Beaune“, no Sul da capital, Dijon. A cada uma dessas propriedades – no total são 1247 – corresponde um tipo de solo, uma uva, e o “savoir-faire” dos homens que conseguiram assim dar a cada vinho um sabor único. Vinhedos da Bourgogne Essa nova paisagem cultural (é a categoria atribuída pela UNESCO) foi listada com duas partes diferentes. A primeira cobre todos os vinhedos bem como os centros de vinificação , quarenta vilarejos com nomes mágicos (Aloxe-Corton, Chambolle-Musigny, Gevrey-Chambertin, Pommard, Vosne Romanée …), bem como a cidade de Beaune. A segunda é o centro histórico de Dijon, a cidade onde a UNESCO reconheceu que foram tomadas as decisões políticas que, desde a época da gloria do Ducado de Borgonha, levaram a formação do sistema dos “climats”.

A França pode agora se orgulhar de 41 sitios classificados no Patrimonio cultural da Humanidade, três dos quais – os vinhedos da Champagne e da Borgonha, e a cidade de Saint Emilion- sendo uma homenagem a sua tradição vinícola.

Jean Philippe Pérol

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