De Florença a Nice, o excepcional roteiro do Tour de France 2024

Depois de Copenhagen 2022 e Bilbao 2023, o Tour escolheu Florença para 2024

Enquadrado nas exigências de segurança dos Jogos Olímpicos de Paris, e querendo comemorar o centenário da primeira vitória italiana no “Tour de France”, a mais famosa corrida ciclista do mundo escolheu para 2024 um itinerário fora do comum começando na cidade italiana de Florença, com uma saída adiantada para o dia 29 de Junho. A homenagem ao vencedor de 1924, Ottavio Bottechia, seguirá na Itália com as três primeiras etapas da corrida, passando por Rimini, Cesenatico, Bolonha, e Torino. Serão associados outros grandes corredores italianos como  Gino Bartali, Gastone Nencini (vencedor do Tour 1960), Marco Pantani e o lendário Fausto Coppi.

O peculiar itinerário do Tour 2024

Nos pés da Croix de Lorraine, um esperado momento de grande emoção

Nos 80 anos da liberação da França, os organizadores não poderiam deixar de homenagear estes eventos históricos. Programaram assim uma chegada em Colombey les deux Églises, o pequeno vilarejo onde o General de Gaulle, chefe da Resistência durante a guerra e depois presidente da República, tinha a sua residência, e onde foi erguida uma imensa “Croix de Lorraine”. Colocada pela primeira vez no itinerário do Tour, Colombey será um momento de grande emoção para os participantes, os torcedores presentes e para os milhões de telespectadores.

Auzances, pela primeira vez no percurso do Tour

A partir de Orleans, o Tour 2024 mesclou grandes etapas espetaculares – especialmente desfiladeiros místicos dos Pireneus ou dos Alpes, o Tourmalet ou o Braus -, cidades marcadas por homenagens – como Saint Lary onde será inaugurada uma estátua do grande corredor francês Poulidor que se destacou lá a 50 anos-, e novidades inesperadas. Assim a Combraille terá pela primeira vez da sua (longa) história a oportunidade de hospedar a 11a etapa, saindo de Evaux les Bains, passando por pequenas estradas da Auvergne e acabando na pequena estação de esqui de Lioran. Talvez como piscar de olhos para a América latina, a 18a etapa acabará em Barcelonette, vilarejo de onde muitos emigrantes saíram para fazer  grandes fortunas no México.

A Praça Massena em Nice será o cenário da chegada

Foi porém na escolha das últimas etapas do Tour 2024 que os organizadores fizeram a maior inovação. Sem a opção de Paris que hospedava a chegada desde a primeira edição em 1903, escolheram Nice e sua região. Com o forte suporte das autoridades locais, os organizadores anunciaram dois dias percorrendo os desfiladeiros do interior, com os destaques da subida para a estação de esqui de Isola 2000 na 19a etapa e do desafio de Couillole no dia seguinte. Para o “grand final”, não podia ter uma melhor escolha que a Praça Massena. Levando o nome de André Massena, Marechal favorito de Napoleão – que o chamava de “filho querido da Vitória” -, a mais imponente praça de Nice será o cenário da  chegada da última batalha entre os corredores, 34 km de um espetacular contra-relógio de 34 km de Monaco a Nice.

As 21 etapas do “Tour de France” 2024

  • 1era etapa, sábado 29 de junho : Florence-Rimini (206 km)
  • 2a etapa, dimanche 30 juin : Cesenatico-Bologne (200 km)
  • 3a etapa, lundi 1er juillet : Plaisance-Turin (229 km)
  • 4a etapa, mardi 2 juillet : Pinerolo-Valloire (138 km)
  • 5a etapa, mercredi 3 juillet : Saint-Jean-de-Maurienne-Saint-Vulbas (177 km)
  • 6a etapa, jeudi 4 juillet : Mâcon-Dijon (163 km)
  • 7a etapa, vendredi 5 juillet : Nuits-Saint-Georges-Gevrey-Chambertin contre-la-montre individuel (25 km)
  • 8a etapa, samedi 6 juillet : Semur-en-Auxois-Colombey-les-Deux-Eglises (176 km)
  • 9a etapa, dimanche 7 juillet : Troyes-Troyes (199 km)
  • Descanço em Orléans, le lundi 8 juillet
  • 10a etapa, mardi 9 juillet : Orléans-Saint-Amand-Montrond (187 km)
  • 11a etapa, mercredi 10 juillet : Evaux-les-Bains-Le Lioran (211 km)
  • 12a étape, jeudi 11 juillet : Aurillac-Villeneuve-sur-Lot (204 km)
  • 13a etapa, vendredi 12 juillet : Agen-Pau (171 km)
  • 14a etapa, samedi 13 juillet : Pau-Saint-Lary-Soulan (152 km)
  • 15a etapa, dimanche 14 juillet : Loudenvielle-Plateau de Beille (198 km)
  • Descanço em  Gruissan, le lundi 15 juillet
  • 16a etapa, mardi 16 juillet : Gruissan-Nîmes (187 km)
  • 17a etapa, mercredi 17 juillet : Saint-Paul-Trois-Châteaux-Superdévoluy (178 km)
  • 18a etapa, jeudi 18 juillet : Gap-Barcelonnette (179 km)
  • 19a etapa, vendredi 19 juillet : Embrun-Isola 2000 (145 km)
  • 20a etapa, samedi 20 juillet : Nice-Col de Couillole (133 km)
  • 21a etapa, dimanche 21 juillet : Monaco-Nice, contre-la-montre individuel (34 km)

Os países (proporcionalmente) menos turísticos do mundo, uma lista com algumas surpresas!

Barco de passeio no Bangladesh

Barco de passeio no Bangladesh

Para muitos viajantes, o pior pesadelo  é de encontrar outros turistas, e o sonho seria de visitar lugares onde a proporção de turistas em relação a população esteja a menor possível. why-now-is-the-time-to-visit-cuba1Nos últimos meses aparecerem assim artigos ou promoções incentivando a viajar para Cuba “antes que seja tarde demais”, antes que a autenticidade da ilha desaparece com invasão de 2, 3 ou 5 milhões de turistas americanos. Querendo ajudar os amadores de destinos exclusivos a encontrar lugares preservados, o site de analise de dados econômicos  Priceonomics publicou a lista dos 25 países os menos turísticos do mundo. Para estabelecer esse ranking muito peculiar, os técnicos dividiram o numero de habitantes de cada pais pelo numero de turistas publicado pela OMT – organização mundial do turismo.

O Taj Mahal no por do sol

O Taj Mahal no por do sol

O destino vencedor é o Bangladesh, o oitava pais mas populoso do mundo, com 160 milhões de habitantes mas que recebe somente 125.000 turistas, menos que o vizinho Butão, um atraso que as autoridades querem compensar com uma nova campanha de promoção “Visite Bangladesh antes dos turistas”. A campanha do BengladeshMesmo com cada visitante podendo se perder no meio de 1273 moradores, será porem difícil para o pais compensar a sua péssima imagem,  a sua falta de preparo frente aos desastres naturais, a sua insegurança e o atraso em infraestruturas publicas e turísticas. Vários países dessa lista dos “Top menos” – a Guinea, a Moldávia, a Serra Leoa, o Niger, a Papuásia ou o Tajiquistão – enfrentem problemas similares. Mais surpreendentes são as presença de potências turísticas como a Índia ou o Quênia, talvez prejudicadas pela  importância das suas populações. É mais surpreendente ainda a vigésima terceira posição do Brasil que recebe somente um turista para cada 32 habitantes, uma posição que não pode ser justificada somente com a distancia dos grandes centros emissores da Europa e da América do Norte .

PAISES DO “TOP MENOS” Turistas  (2014) Habitantes RATIO H./Tur
1 Bangladesh 125.000 159.078.000 1.273
2 Guinea 33.000 12.276.000 372
3 Moldavia 11.000 3.556.000 323
4 India 7.679.000 1.295.292.000 169
5 Serra Leoa 44.000 6.316.000 144
6 Niger 135.000 19.114.000 142
7 Etiopia 770.000 96.959.000 126
8 Chade 122.000 13.587.000 111
9 Madagascar 222.000 23.572.000 106
10 Mali 168.000 17.086.000 102
11 Burkina Faso 191.000 17.589.000 92
12 Bielorussia 137.000 9.470.000 69
13 Sudão 684.000 39.350.000 58
14 Costa do Marfim 471.000 22.157.000 47
15 Tanzania 1.113.000 51.823.000 47
16 Benin 242.000 10.598.000 44
17 Papuasia 182.000 7.464.000 41
18 Angola 595.000 24.228.000 41
19 Tadjikistão 213.000 8.296.000 39
20 Venezuela 857.000 30.694.000 36
21 Nepal 790.000 28.175.000 36
22 Quenia 1.261.000 44.864.000 36
23 Brasil 6.430.000 206.078.000 32
24 Uganda 1.266.000 37.783.000 30
25 Ilhas Salomão 20.100 572.000 28

Utilizando a mesma metodologia, Priceonomics publicou também a lista dos 25 países recebendo o maior numero de turistas por habitantes. Os vencedores não são as tradicionais maiores potências turísticas, França, Estados Unidos, China, Itália ou Espanha, mas pequenos países da Europa e do Caribe que souberam aproveitaram ao máximo seus recursos turísticos, sendo a Andorra o pais campeão. Igreja de São Estevo (Andorra)Esse pequeno principado dos Pirenéus, independente desde o Carlos Magno, e cujos co-presidentes são o Presidente da França e o bispo de Urgell na Espanha,  recebe mais de 2 milhões de visitantes para seus 73.000 habitantes, sendo o turismo responsável por 75% da sua economia. Na lista constam também pequenos pais de sucesso como Aruba, Hong Kong, Mônaco ou Bahrein, bem como destinos confirmados como Áustria, Grécia ou Croácia. Primeiro do ranking mundial pelo numero de turistas recebidos, a França não entrou nesse “Top 25” devido a importância da sua população, mas as projeções para 2020 – 100 milhões de turistas- devem lhe permitir de chegar perto.

Jean-Philippe Pérol

PAISES DO “TOP MAIS” Turistas (2014) Habitantes RATIO Tur/H
1 Andorra 2.363.000 73.000 32
2 Aruba 1.072.000 103.000 10
3 Monaco 329.000 38.000 9
4 Bahrein 10.452.000 1.362.000 8
5 Palau 141.000 21.000 7
6 Malta 1.690.000 427.000 4
7 Hong Kong 27.770.000 7.242.000 4
8 Bahamas 1.427.000 383.000 4
9 Bermuda 224.000 65.000 3
10 Icelandia 998.000 327.000 3
11 Maldivas 1.205.000 401.000 3
12 Austria 25.291.000 8.546.000 3
13 Curação 452.000 156.000 3
14 Croatia 11.623.000 4.238.000 3
15 Antigua 249.000 91.000 3
16 Seichelas 233.000 91.000 3
17 São Marino 75.000 32.000 2
18 Estonia 2.918.000 1.315.000 2
19 Montenegro 1.350.000 622.000 2
20 Singapora 11.864.000 5.470.000 2
21 Chipre 2.441.000 1.154.000 2
22 St Kitts 113.000 55.000 2
23 Grecia 22.033.000 10.870.000 2
24 Irlanda 8.813.000 4.616.000 2
25 Luxemburgo 1.038.000 556.000 2

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional francesa l’Echo Touristique