Lyon, o destino urbano 2016 dos World Travel Awards!

Competindo com uma lista de 15 “nominees” onde constava Londres, Berlin, Veneza ou Lisboa,  Lyon ganhou no ultimo dia 4 de Setembro o prestigioso titulo de melhor destino de “city break” da Europa na cerimonia dos  World Travel Awards, organizada esse ano na Sardenha. Antiga capital da Gália, orgulhosa da sua longa tradição de metrópole comerciante, conhecida no mundo inteiro pela qualidade da sua gastronomia, Lyon teve nos últimos dez anos um crescimento impressionante do seu turismo, já destacado pela mídia internacional, passando de  2 milhões de turistas a mais de 5,5 milhões – com 30% de turistas internacionais-, e sendo uma das cinco cidades francesas mais visitada pelos brasileiros.

Sobrados antigos no bairro da Croix Rousse

Sobrados antigos no bairro da Croix Rousse

As raízes desse sucesso podem ser procuradas em 1998, quando o velho  centro de Lyon foi inscrito no Patrimônio mundial pela UNESCO. A cidade iniciou então um programa de renovação dos monumentos históricos e do seu patrimônio arquitetural, desde o bairro de Fourvière com seu teatro romano até os “traboules”, sobrados coloridos da época do Renascimento. Dentro dos projetos mais espetaculares, destaca se os cais dos rios Rhone e Saone do bairro da Confluence com seu impressionante Museu . Mas alem dessas coleções – ou dos incontornáveis museus de arte moderno ou das belas artes -, Lyon mostra uma excepcional animação cultural com milhares de eventos, a começar pelo Festival das Luzes de Fourvière e seus 3 milhões de visitantes, a bienal da Dança, a bienal de Arte contemporâneo , ou as festas de “La Sucrière” que recebem as maiores estrelas da musica popular francesa.

O Bouchon de l’Opera, um típico “bouchon” de Lyon

A fama adquirida por Lyon deve muito a sua posição  de capital gastronômica da França. Não somente pelo Paul Bocuse, ou pelos 19 restaurantes com estrelas Michelin da região metropolitana, mas pelos seus 4000 restaurantes e especialmente os seus famosos “bouchons”. Lugares emblemáticos da alegria de bem viver e de bem comer dos moradores, os “bouchons”  são caracterizados pela sua decoração pitoresca com toalhas de quadradinhos brancos e vermelhos, o seu cardápio tradicional, seus vinhos regionais e seu serviço generoso e amigável vindo da época dos “canuts”, os tecelãs da seda.

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O sucesso de Lyon com a nomeação pelos World Travel Awards foi também um trabalho de marketing de destino com uma marca, OnlyLyon, reunindo todos os profissionais da cidade, da região, do aeroporto e até da universidade, que se juntaram para valorizar as novidades no urbanismo e na arte de viver tanto para os moradores que para os turistas internacionais. Um trabalho de lobbying intenso e de promoção internacional foi coordenado pela OnlyLyon e seu Diretor Geral, Francois Gaillard, com a ajuda de embaixadores da nova marca, personalidades da cultura ou dos esportes como a grande estrela do basquete francês Tony Parker.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Charlotte Herrero no diário on line francês Le Figaro 

O mercado Paul Bocuse

O mercado Paul Bocuse

 

 

Cartão postal da Île de Ré

Brasil à Francesa

DSCN8441Entre vinhedos e salinas, a Île de Ré, na região Charente-Maritime, frente à La Rochelle, oferece um charme ao qual não resisti! Pequenas ruas cheias de casas enflorescidas cada uma mais linda que outra. As leis de proteção ambiental e arquitetural protegeram o patrimônio e a natureza e reforçaram  o estilo de viver característico do litoral atlântico. Em agosto passado, paramos alguns dias na casa de amigos, localizada no chiquerimo vilarejo de Ars-en-Ré onde se escondem os mais discretos artistas parisienses e os políticos, longe de Saint-Tropez e do tumultuo da Côte d’Azur. Aqui, você troca a Ferrari para a Mehari, e vai na feira de rua comprar ostras de bicicleta.DSCN8464

A ilha foi fortificada no final do século 17 pelo famoso Vauban e os oito quilômetros de muralhas e o porto fortificado de Saint Martin, foram decretadas em 2008 “patrimônio mundial da humanidade”. O farol das baleias é…

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Em Aubusson, heranças de tecelãs, de templários e de pedreiros

 

Mas antiga tapeçaria de Aubusson

O “Millefleurs à la Licorne”, a mais antiga tapeçaria de Aubusson

Se não se sabe exatamente as origens da tapeçaria de Aubusson, –  artesãos árabes perdidos depois da derrota de Poitiers em 732, tecelãs flamengos contratados no século XIV, ou tradições milenares vindo da qualidade das águas ácidas do Rio Creuse- , é certo que a nova “Cité Internationale de la Tapisserie” abrira suas portas no início de Julho desse ano. Jean LurçatDeclarada pela UNESCO patrimônio imaterial da humanidade em 2009, a peculiar tapeçaria dos confins da Auvergne e do Limousin – e sua tecelagem em teares horizontais – vai assim oferecer a seus moradores e a seus visitantes um centro inovador misturando informação, pesquisa, formação profissional e um museu interativo. Alem de três peças excepcionais no seu hall de entrada – Aurore, premiada na Exposição de 1900, O Pássaro de Georges Braque, e uma das primeiras obras do mestre Jean Lurçat -, a Cité vai ter um acervo de 350 tapeçarias cobrindo sete séculos de Historia.

A futura Cité Internationale da tapeçaria de Aubusson

A futura Cité Internationale da tapeçaria de Aubusson

Com esse atrativo dinâmico, juntando tradições com modernidade e criação contemporânea , Aubusson quer construir uma nova imagem para seduzir seus futuros visitantes. Até agora, sendo exclusiva de uma clientela regional de conhecedores da tapeçaria, Arquitetura medieval em Aubussonela quer atrair novos viajantes, mais internacionais, mais interessados pela descoberta de expressões artísticas originais, mais dispostos a descobrir todas as riquezas do “savoir-faire” premiado pela UNESCO. Turistas mais interessados a procurar, nas numerosas lojinhas das ruas estreitas da cidade, as produções do artesanato local inspirado da lã, das tecelagens, das gravuras, sejam produções novas ou peças antigas encontrados num brechó ou num antiquário.

A ponte no Rio Creuse

A ponte no Rio Creuse

A Historia dos artesãos da Creuse, outrora Marche ou Combraille, é também marcada pelo “savoir-faire” dos seus pedreiros. Famosos por ter construídos todos os grandes monumentos de Paris, os “maçons creusois” mostraram os seus talentos nas igrejas romanas,  ou nas casas e nos castelos  dos dois ordens guerreiros, Templários e Hospitaleiros, que os poderosos monges-soldados administravam em toda a região da “Língua da Auvergne” . TORRE ZIZIM (PRINCIPE DJEM)No século XV, Pierre d’Aubusson, senhor da cidade, chegou a ser Grão Mestre dos Hospitaleiros, conseguiu vencer o cerco imposto poderoso sultão turco Bayezid “O Trovão”. Na volta,  trouxe  de Rhodes o imperial irmão “Djem”, encarcerado numa torre (a “Tour Zizim”)  que mandou arrumar especialmente  e que ainda pode ser visitada em Bourganeuf. Na própria cidade de Aubusson, o velho castelo, as faixadas de pedra, a torre do Relógio ou a ponte no Rio Creuse são para o viajante um perfeito cenário para curtir a memória  desses artesãos, pedreiros ou tecelãs, que a “Cité Internationale de la Tapisserie” vai ajudar a valorizar.

Jean-Philippe Pérol

Curtindo as ruas de Aubusson

Curtindo as ruas de Aubusson

 

 

 

 

A Instagram desenhando novos roteiros nas cidades francesas

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O espelho d’agua de Bordeaux

O site de turismo Busbud, especializado em viagens de ônibus, divulgou em setembro umas listas com os lugares preferidos pelos usuários do Instagram em vários países do mundo, inclusive na França. Os resultados não deixaram de surpreender, mostrando talvez que as medias sociais e suas exigências em comunicação visual estão mudando os roteiros dos viajantes, favorecendo os destinos com as imagens mais espectaculares, e as cidades mais “instagramadas”. Efeito neblinaNo pódio das tendências , se Paris e a Torre Eiffel são a dupla vencedora, Bordeaux e Lyon se destacam com atrações mais inovadoras. Na beira da Garonne, venceu o espelho d’agua concebido em 2006 pelo paisagista Michel Corajaud. Inspirado pelo fenômeno da “acqua alta” da Praça San Marco em Veneza, ele usou uma pedra de granito coberta de dois centímetros de agua para gerar dois visuais diferentes, primeiro um espelho e depois  uma “neblina” subindo até dois metros de altura. Os 3450 metros quadrados da obra refletem o brilho da Praça da Bourse e as luzes dos cais num espetáculo que seduz tanto os moradores que os turistas.

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O Museu das Confluences de Lyon

Outrora considerada como muito conservadora, burguesa e convencional, Lyon atraiu os fãs de Instagram com seu novo Museu das Confluences, localizado no Encontro das águas do Rhône e da Saône. Se o museu tem um acervo de 2,2 milhões de objetos referentes a cinco séculos de historia da humanidade, foi sem duvidas a sua arquitetura revolucionaria  que atraiu as mídias sociais com mais de 50% dos “compartilhar” sobre as imagens de Lyon . O projeto da agencia austríaca CoopHimmelblau, juntando numa modernidade inédita  o Cristal e as Nuvens, o mineral e o aéreo, ajudou a criar uma nova aérea turística fora dos tradicionais bairros da Tête d’Or ou do Vieux-Lyon.

O centro dos correios de Lille

O Museu de Arte Moderno de Lille

No Top 10 dos destinos preferidos pelos fãs de Instagram, aparecem outras surpresas, atrações que não constavam das rotas tradicionais do turismo internacional, e pouco conhecidas dos turistas brasileiros com exceção talvez dos mais jovens. Assim o Museu de Arte Moderna de Lille, instalado num antigo centro de triagem dos correios, com instalações coloridas e auditório de musica eletrônica. O elefante do %22Voyage à Nantes%22Assim a Praça da Comédie em Montpellier, no coração da velha cidade medieval, frente a Opera Comédie. Assim a cidade de Nantes, com seu estádio mítico – La Beaujoire- e seu criativo roteiro “Le voyage”. Assim também as beiras do Rio Garonne em Toulouse onde moradores e turistas gostam de olhar o por do sol atrás da ponte Saint Pierre.

Petite France em Estrasburgo

O bairro da Petite France em Estrasburgo

Inovadores, os “instagramadores” são também as vezes mais rotineiros. Colocaram na lista dos seus lugares favoritos alguns destinos franceses que os turistas internacionais já consagraram. Gostaram de Estrasburgo e do bairro da “Petite France”, tombado pela UNESCO, dos seus canais e das suas casas medievais. Calanques de MarselhaGostaram de Marselha. Mas se a cidade está se renovando, foram as suas  enseadas – as famosas Calanques- que foram mais fotografadas, combinando as indicações da Instagram com a escolha dos 2 milhões de moradores e de turistas que vão passear, nadar ou velejar cada ano nesses barrancos brancos e nessas águas turquesa. A lista dos dez mais da Busbud na França fecha com um dos mais tradicionais clichê do turismo francês, a famosa Baie des Anges em Nice, com seus sete quilômetros de glamour. As novas mapas da Instagram também gostam de antigos roteiros.

A “Baie des Anges” em Nice

 

 

“Tour de France” 2016, privilegiando montanhas e riquezas turísticas

Mont-St-Michel

Depois de dois anos começando no exterior, na Holanda (Utrecht 2015) ou na Inglaterra (Leeds 2014), o “Tour de France” escolheu de homenagear uma das maiores atrações francesas, o Mont Saint Michel, para dar o inicio da sua 103a edição com uma etapa na Normandia, ligando a Maravilha do Ocidente e as praias do Dia D. O roteiro completo da mais prestigiosa corrida ciclista foi anunciado dia 20 de Outubro, com muitas surpresas para alegrar não somente os esportistas mas também os turistas.

O circioto do Tour de France 2016

O circuito do Tour de France 2016

A montanha vai ser muito prestigiada. O “Tour de France” chegará no dia 14 de Julho no temido Mont Ventoux, e passará sua ultima semana nos arredores do Mont-Blanc. No total serão nove etapas de montanhas, as mais dramáticas mas as mais queridas dos torcedores, com vinte e nove passos e quatro linhas de chegadas nos topos em Andorra, no Mont Ventoux, em Finhaut-Emosson e em Saint-Gervais Mont-Blanc. Uma das duas etapas do famoso “contra o relógio” será também disputado  perto do Mont-Blanc. E se oito etapas foram desenhadas nas planícies para ajudar os “sprinters”, é claro que essa nova edição do “Tour” vai, segundo o próprio Christian Prudhomme, diretor da corrida, favorecer os especialistas da montanha, seja nos Alpes, nos Pirenéus ou nos vulcões da Auvergne.

Grotte Chauvet

A Caverna do Pont d’Arc, replica da “Grotte Chauvet”, patrimonio da UNESCO

Se o “Tour” guardou um toque internacional, com breves passagens na Espanha, em Andorra e na Suíça, ele deu, esse ano, um cuidado especial na valorização das novidades e nas riquezas do turismo francês. Além do Mont Saint Michel e das praias da Normandia, terá algumas paradas em lugares especiais  que vão alegrar os seus seguidores. DSCN0049 - copieDestacam-se assim Carcassonne – com as suas muralhas fortificadas patrimônio mundial da UNESCO -, a Gruta Chauvet – também recentemente listada pela UNESCO-, ou a estação de esqui de Megève tão querida pelos brasileiros. No meio das 273 candidaturas de municípios querendo receber o “Tour”, os organizadores também escolheram alguns charmosos vilarejos como Sainte-Marie-du-Mont (Normandia), Arpajon-sur-Cère (Auvergne), L’Isle-Jourdain (Midi Pyrénées), Villars-les-Dombes (Jura), Moirans-en-Montagne (Jura), Finhaut (Suiça) —, talvez para se preparar melhor com o contrasta da tradicional chegada nos Champs-Elysées em Paris.

Jean-Philippe Pérol

Chegada do Tour de France nos Campos Eliseus

Chegada do Tour de France nos Campos Elísios

 

 

Mazagão, do Marrocos ao Amapá, a glória de São Tiago!

MazagãoVisitando no Marrocos a charmosa cidade balneária de Al Jadida, o viajante brasileira fica surpreso em saber que a memoria desse antigo presidio português continua até hoje num recanto do Amapá. A historia começou em 1502 quando os portugueses construíram em Mazagão, no littoral marroquino, um porto fortificado, com poderosas muralhas e cisternas de agua potável, citerne-el-jadida1que desafiou os reis mouros até 1769. Nessa data, o Portugal, enfraquecido depois da destruição de Lisboa, decidiu abandonar a cidade cercada por um imenso exercito. Mas o Marquês de Pombal queria que o extraordinário espírito de luta desse ultimo presidio português continuasse a vingar. Ele  decidiu então transferir as últimas 340 famílias do outro lado do Atlântico para ser os guardiões da margem norte do Rio Amazonas onde ingleses, franceses e holandeses realizavam incursões armadas.

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Depois de duas paradas em Lisboa e Belém, os 2000 sobreviventes chegaram perto de Macapá, e em 1773 Mazagão ressuscitou nas terras tupiniquins. Os colonos reconstruíram a catedral, um teatro, e trouxeram também as suas tradições. IMG-20101227-00067 Assim, desde o ano de 1777, os mazaganenses continuam encenando a batalha de Clavijo, em 844, quando a aparição de São Tiago como um soldado lutando ao lado dos cristãos deu a vitoria para as tropas do Rei Ramiro. Hoje as Festas de São Tiago, as mais antigas desse género no Brasil, correm durante a segunda quinzena de junho. Os traslados da estátua do santo para Macapá e Novo Mazagão (hoje sede do município), a encenação da batalha são momentos de muita emoção, sendo o momento mais esperado o juramento  do santo feito por um figurante,  distante herdeiro dos fidalgos portugueses transferidos para Amazônia: “Puxo a espada da bainha, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O juramento de SantiagoJuro pela cruz da minha espada, que só a colocarei na bainha quando pôr fim a essa batalha com a minha vitória”. A festa tem também grandes momentos de alegria com as danças do Vominê, o grande Baile das Mascaras ou a Festa das Crianças, uma programação rica e completa que poderá em breve ajudar a atrair para a “cidade que atravessou o Atlântico” turistas vindos do Sul do Brasil ou da Guiana francesa vizinha.

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 Longe do Amapá, Al Jadida é hoje um grande centro turístico internacional. A cidade é inscrita ao patrimônio mundial da UNESCO, e os maiores edifícios construídos pelos português, do Bastião de São Sebastião até a Capela da Inquisição, das cisternas até a Porta do Mar por onde fugiram os mazaganenses, são visitados por viajantes do mundo inteiro. Al Jadida, as praiasE, ao Norte, as praias de Azemmour oferecem alguns dos melhores resorts do Marrocos, incluindo um Pullman Royal Golf e SPA . Mas as festas dos cavaleiros marroquinos não homenageiam mais o vencedor de Clavijo, elas louvam as vitorias dos mouros, e quem procura os juramentos de São Tiago terá mesmo que ir para Mazagão Velho.

 Jean-Philippe Pérol

Fantasia em Al Jadida

Os vinhedos da Champagne e da Borgonha no Patrimônio mundial da Humanidade!

Os %22climats%22 da Borgonha

Gastrónomos,  bons vivants, enófilos, ou simples amadores de bons vinhos e de festas alegres adoraram de ler ontem que  a UNESCO aprovou a entrada dos vinhedos da Champagne e da Borgonha  na lista do patrimônio mundial da Humanidade. Reunido em Bonn, na Alemanha, o comité do patrimônio  da organização internacional reconheceu que o conjunto dos vinhedos, das adegas, dos prédios históricos e do “savoir-faire” dessas duas regiões representavam paisagens culturais únicos no mundo.  Como cada um dos 1027 sítios já registrados (sendo 19 no Brasil), a Champagne e a Borgonha entraram na lista como uma homenagem a suas especificidades.

A abadia de Hautvillers visto do ceu photo_fenouil

A UNESCO explicou que a escolha da Champagne premiou seus “coteaux, maisons et caves” (sejam, vinhedos, casas de produção e comercialização, e adegas). Foram nesses lugares que foi desenvolvida o método de elaboração dos vinhos espumantes com a segunda fermentação, isso desde a sua invenção no século XVII até sua industrialização no decorrer do século XIX.

O beneditino Pierre Perignon

A inscrição dos Coteaux, Maisons et Caves de Champagne na lista do patrimônio se refira a três sítios cuidadosamente escolhidos no dossiê de candidatura. CIVC-DINER EN TETE A TETE-SIPA PRESS-JP BALTEL Paris-FRANCE, le 07/12/07O primeiro é o morro Saint Nicaise em Reims, com sua abadia de Saint Pierre d’Hautvillers onde o beneditino Pierre Perigon (mais famoso como Dom Perignon) teria inventado as seleções de uvas, a dupla fermentação, a rolha de curtiço e a taça flauta.  Na parte subterrânea do morro ficam as fabulosas adegas de Ruinart, Pommery, Clicquot et Heidsick. O segundo sitio inclui três vinhedos históricos da Champagne, Hautvilliers, Aÿ e Mareuil-sur-Aÿ, incluindo as adegas da Bollinger. Fort Chabrol em EpernayO terceiro é a Avenida da Champagne em Epernay, onde ficam as mais prestigiosas casas de negociantes bem como as seus quilômetros de adegas, seus espaços de vinificação e seus imponentes estoques de milhões de garrafas. O Fort Chabrol, centro de pesquisa enológica  foi também inscrito no projeto que cobre assim todo o processo de produção do Champagne.

O vinhedo de Clos Vougeot

Na Borgonha, a UNESCO homenageou os “Climats“, vinhedos cuidadosamente delimitados nas “Côtes de Nuits” e “Côtes de Beaune“, no Sul da capital, Dijon. A cada uma dessas propriedades – no total são 1247 – corresponde um tipo de solo, uma uva, e o “savoir-faire” dos homens que conseguiram assim dar a cada vinho um sabor único. Vinhedos da Bourgogne Essa nova paisagem cultural (é a categoria atribuída pela UNESCO) foi listada com duas partes diferentes. A primeira cobre todos os vinhedos bem como os centros de vinificação , quarenta vilarejos com nomes mágicos (Aloxe-Corton, Chambolle-Musigny, Gevrey-Chambertin, Pommard, Vosne Romanée …), bem como a cidade de Beaune. A segunda é o centro histórico de Dijon, a cidade onde a UNESCO reconheceu que foram tomadas as decisões políticas que, desde a época da gloria do Ducado de Borgonha, levaram a formação do sistema dos “climats”.

A França pode agora se orgulhar de 41 sitios classificados no Patrimonio cultural da Humanidade, três dos quais – os vinhedos da Champagne e da Borgonha, e a cidade de Saint Emilion- sendo uma homenagem a sua tradição vinícola.

Jean Philippe Pérol

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Da França para Suíça, as novas surpresas dos velhos caminhos!

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A França e a Suíça iniciaram no Brasil uma campanha para promover as muitas opções de viagens conjugando a Torre Eiffel e a Jungfrau, a Bahnhofstrasse e o Boulevard Haussmann, ou o Reno e o Rhône. Bale e Paris, o Reno e a SenaApoiada pelas empresas ferroviárias  francesas e suíças,  aproveitando o clima do Dia dos Namorados, a promoção “Paris- Suiça, c’est l’amour” oferece descontos e roteiros especiais para quem quer combinar os dois países durante esse verão. Mas alem das rotas tradicionais, será também para os brasileiros a ocasião de descobrir a região francesa fronteiriça , Castelo de Jouxo Franco Condado de Borgonha, que está inaugurando novos caminhos turísticos. Irmão caçula do Ducado de Borgonha – rico do seus vinhos – , o Franco Condado tem um patrimônio arquitectural surpreendente, herdado tanto do seu passado militar – como o famoso Fort de Joux onde foi encarcerado Toussaint Louverture, herói da independência haitiana – , que da sua riqueza mineira – o  sal, o outrora “ouro branco”.

A VIA SALINA

A Via Salina turística

Seguindo a antiga trilha dos vendedores de sal, a Via Salina que ligava as minas de Salins a capital da Suíça – Berna -, a associação Terra Salina recriou um itinerário turístico que pode ser percorrido de carro, de bicicleta, ou melhor ainda a pé, aproveitando. Atravessando as montanhas do Jura,  eles levem dos centro de produção (Arc et Senans ou Salins) até as cidades compradoras, (Berna ou Neuchâtel), passando pelos mercados, as vias comerciais, os lugares de transito e os centros termais onde eram utilizadas as águas salgadas.

A casa do diretor das salinas reais de Arc et Senans

O ponto mais espetacular do roteiro turístico é Arc et Senans, um pequeno Versalhes no meio do nada, aprovado em 1772 pelo Rei Luis XV e construído pelo arquiteto Claude Nicolas Ledoux. Salinas reais de Arc en senanNum lugar escolhido pela proximidade das minas e de grandes florestas, prédios industriais, escritórios, casa grande do diretor e senzalas de operários desenham um majestoso meio circulo de edifícios neoclássicos. Inspirado das grandes ideias dos filósofos do século das luzes, o projeto inicial incluía também uma cidade utópica, mas a Revolução de 1789 prendeu o Ledoux e parou as obras. SALINS LES BAINSMais majestosas que rentáveis, as Salinas Reais foram fechadas em 1895, e foram aberto para o turismo nos anos setenta. Primeiro sitio industrial declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1982, elas abrigam hoje um hotel, um restaurante, uma residência de artistas e muitos eventos culturais. O roteiro da Via Salina segue por Salins les Bains, também patrimônio mundial da UNESCO pelas suas minas de sal, suas fortalezas onde eram recolhidas as impopulares taxas ( a “gabelle”), e sua igreja coberta de telhas amarelas. Aproveitando as fontes de agua salgada, um centro termal oferece vários tratamentos a base de sal, grandes momentos de descanso para quem está fazendo a trilha caminhando…

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Antes de chegar em Pontarlier e de passar do lado suíço, o viajante ainda tem que fazer uma imperdível parada em Ornans. Esse linda vilarejo fique um pouco fora da rota, mas além de ser um notável conjunto de edifícios tombados, Restaurante O Courbet em Ornanscom casas e sobrados alinhados na beira do rio Loue, ele é o lugar onde nasceu e viveu o Gustave Courbet. O mestre pintou não somente a polêmica “Origem do Mundo”, mas também muitas telas retratando as paisagens e os moradores da região. E no restaurante da cidade, o “Courbet”, claro, não se deve esquecer de provar o famoso “vin jaune”, o vinho amarelo , o famoso vinho do Jura que acompanha com perfeição o Comté, o queijo dessas montanhas que unem a França e sua amada vizinha Suíça.

Jean Philippe Pérol

Vinho Amarelo e Queijo Comté

Na Síria, um crime também contra a cultura da humanidade

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Alem de ser um desastre humanitário e político, a guerra na Síria é também uma catástrofe cultural sem precedentes no Oriente Médio. A UNITAR (órgão das Nações Unidas especializado em pesquisa) revelou em Beirute a situação dos 290 monumentos que componham o acervo desse pais, com origens nas primeiras grandes civilizações do mundo e nos grandes impérios que ocuparam essa região. Utilizando fotos feitas por satélites, os especialistas da ONU anunciaram que 24 monumentos foram completamente destruídos, e 189 parcialmente (incluindo o velho centro de Alepo com seus “souks” milenares, sua fabulosa mesquita dos Omiadas e sua cidadela). Outros 77 não foram fotografados mas são também provavelmente parcialmente destruídos.

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Segundo a UNITAR, esse relatório é um testemunho alarmante das destruições do imenso patrimônio cultural da Síria. Esforços sírios e internacionais tem que ser feitos para proteger essas áreas que tem uma incomensurável importância para historia da humanidade. Os combates entre as forças do governo sírio e as facões rebeldes, apoiadas pelos Estados Unidos e seus aliados, destruíram prédios e sítios históricos no pais inteiro. Bouguereau-Zenobia-1850 Em Palmira, antiga capital da Rainha Zenobia, túmulos e museus foram saqueados. O relatório insiste sobre os estragos nos sítios classificados pela UNESCO, especialmente na cidade de Alepo. Os rebeldes invadiram o Krak dos Cavaleiros, um castelo da época das cruzadas que o exercito regular conseguiu retomar em Março do ano passado depois dum bombardeio pesado. Os monumentos de Raqqa e de Bosra foram parcialmente destruídos pelos rebeldes. Os radicais islamistas estão também destruindo muitos edifícios antigos considerados hereges.

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O governo tenta proteger esse impressionante património onde constam sítios únicos como a Mesquita dos Omíadas (ou de São João Batista, uma das mais belas do mundo muçulmano), a cidade de Palmira (a mais extensa da época romana depois de Efeso), o Krak dos Cavaleiros  (o maior castelo da época dos cruzadas) ou a fortaleza do Rei Saladino. Saladin_and_GuyMaamoun Abdul Karim, diretor dos museus da Síria, é um dos homens que trabalham a proteger esse acervo. Ele já conseguiu colocar, em abrigos protegidos dos saqueadores, dezenas de milhares de peças, testemunhas dos 10.000 anos da historia da Síria. Nesse país com um extraordinário potencial turístico, onde há trinta anos a Air France chegou a erguer quatro hotéis Meridien, um imenso trabalho ainda precisa ser feito para proteger e amanha para restaurar um patrimônio que representa não somente uma das chaves do seu futuro, mas também uma herança de toda humanidade.

Traduzido e adaptado dum artigo original do New York Times 

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