Os pedestres, novos reis dos destinos turísticos?

A Rue Cremieux, rua de pedestres em Paris

Quando fundou, em parceria com a Air France uma agencia de receptivo onde queria mostrar sua reconhecida criatividade, Gilbert Trigano fez questão de colocar os passeios guiados a pé como alguns dos produtos bandeira da nova empresa. Era o ano de 1976, e mais uma vez, ele foi pioneiro a se lançar numa aventura que a Tourisme France International continuou durante quase trinta anos. Mesmo na época dos ônibus de turismo ou dos carros de aluguel, o  inventor do Club Med já tinha percebido que os passeios a pé eram para o visitante a melhor forma de explorar um destino, de assimilar o seu ambiente, de sentir os seus cheiros, de vibrar aos sons da sua música, de mergulhar na sua cultura e de se comunicar com os seus moradores. Quarenta anos depois, reforçada pelas exigências ambientais e a procura de exercícios físicos, a ideia seduziu muitos grandes destinos que estou desenvolvendo a sua “caminhabilidade”.

A rua Saint Paul no centro histórico de Montreal

Cada vez mais preocupadas pela sua sustentabilidade, muitas cidades estão relembrando que andar a pé é o jeito mais simples de se locomover, tanto para os moradores que para os turistas. Elas desenvolvem a sua “caminhabilidade” – termo traduzido do inglês walkability, a capacidade para um destino de facilitar  a locomoção dos pedestres. Para o trabalho, os estudos ou os lazer, andar a pé necessita segurança, distancias curtas, serviços e meio ambiente agradáveis.  O site Walk Score classifica as cidades americanas, canadenses a australianas em função dessa “walkability” (tendo também outros ranking sobre a qualidade do transito urbano e as facilidades para os ciclistas). Cada cidade recebe uma nota em função das infraestruturas ajudando os pedestres a caminhar, bem como da proximidade dos serviços e das lojas, sejam padarias, supermercados, farmácias, bancos, restaurantes, shopping e parques.

Mais de 500 cidades já assinaram a carta Walk21

Sendo 100 a nota máxima, as cidades com índice superior a 90 são consideradas os paraísos dos pedestres, aquelas com índices de 70 a 89 muito boas para caminhar. Com menos de 50, uma cidade privilegia o papel dos carros e dos transportes coletivos. Nessa classificação, Montreal conseguiu em julho desse ano chegar a 70 pontos, fruto de um longo trabalho que começou em 2006, com a Declaração dos direitos do Pedestre  (Charte du piéton). Depois de dez anos, a prefeitura lançou um  Programa de implantação de ruas para pedestres ou para usos mistos para ajudar os distritos da cidade nos seus projetos  de infraestruturas viárias, de arquitetura urbana, de arborização, de parques ou até de animações artísticas ou musicais. 45 ruas já foram assim entregas para pedestres, representando quase sete quilômetros de caminhadas (e de alegrias) para os moradores e os visitantes.

Nova Iorque amplia as áreas reservadas aos pedestres

Nos Estados Unidos, o ranking de Walkscore coloca Nova Iorque em primeiro lugar com 89,2 pontos, na frente de San Francisco (86) e de Boston (80,9). A Big Apple começou a sua transformação urbana em 2007 com a ampliação da área pedestre de Times Square. Durante o verão 2009, Broadway foi fechada para o transito, e foram construídas áreas exclusivas temporárias ou permanentes. Foi também em 2009 que foi aberto o primeiro trecho da Highline, esse viaduto abandonado pelos trens que virou uma das mais concorrida caminhada dos nova-iorquinos e dos visitantes. Outras áreas de pedestres foram instaladas na cidade, por exemplo na 23, nos arredores do edifício Flatiron, onde a Prefeitura instalou verdadeiras praças para pedestres com mesas, cadeiras e guarda-sóis. 

Os Champs Elysées só para pedestres

Em Paris, a prefeita anunciou em 2017 o projeto “Paris piétons”, uma série de medidas incluindo a assinatura da Carta Internacional Walk21. Vários projetos foram lançados: travessias do anel rodoviário, trilhas verdes aproveitando as grandes avenidas, uma grande área exclusiva para pedestres no bairro do Marais. Algumas áreas serão fechadas ao transito durante os finais de semana, outras durante alguns feriados excepcionais, incluindo os próprios Champs Elysées, ampliando experiências anteriores. Painéis com mapas especificos e sugestões de roteiros para caminhadas turísticas ajudarão visitantes e moradores a descobrir a cidade luz de forma diferente, aquela mesma que o Trigano tinha imaginado há mais de 40 anos.
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Esse artigo foi adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Club Med inventando agências em apartamentos butique

Club Med compte déployer une dizaine d’appartements-boutiques en France d’ici 2021 - Appartement boutique des Champs-Elysées - Photo Shérif Scouri Club Med

Apartamento butique do Club Med nos Champs-Elysées

Atender os seus clientes num apartamento butique espaçoso e bem localizado é uma das novas ideias do Club Med para mostrar a consideração que os “gentis organizadores” estão agora dando para seus “gentis membros”.   Com o espírito de inovação que sempre foi a marca registrada desde seu carismático  líder Gilbert Trigano,  o Club quer reinventar não somente as viagens do futuro mas também a relação com os seus clientes, começando pelas suas agencias onde são realizadas 25% das vendas. Depois do sucesso do primeiro apartamento butique nos Champs Elysées, aberto em outubro 2015, foi decidido de ampliar a experiência e de abrir uns dez desses pontos de vendas do futuro até 2021.

No térreo do novo apartamento butique, a Grande Epicerie

Localizado no sofisticado “Seizième” de Paris, em cima da nova sucursal da procuradíssima La Grande Épicerie, o segundo apartamento butique do Club Med foi aberto no último mês de Abril e oferece um espaço de 300 metros quadrados consagrado a criação e a personalização da viagem de amanha. Uma decoração requintada, incluindo até uma obra do famoso escultor César, cria um ambiente de luxo sempre ligado com a historia da marca e dos seus resorts, onde o cliente se sente considerado e pode “viajar antes de começar sua viagem” em cada um dos momentos que ele passa nessa agencia muito pouco convencional.

O novo apartamento butique na Avenida Paul Doumer

Para ajudar os visitantes a criar suas próprias viagens, vários espaços foram agenciados. A sala de estar inspira encontros e descobertas para uns momentos descontraídos com bebidas quentes, refrigerantes e doces a vontade. Na cozinha aberta são oferecidas degustações de produtos dos resorts, por exemplo o azeite  “Opio en Provence” vindo do campos de oliveiras do próprio Club, ou organizadas eventos  gastronômicos ou enológicos. Um sala de reuniões é dedicada a reuniões com parceiros, incluindo conferencias em “petit comité” para apresentar destinos. E para mostrar que o tempo não é contado, uma biblioteca  é também a disposição dos clientes.

Um dos sete pontos de atendimento do apartamento butique

No espaço principal, os especialistas da agencia ajudam os visitantes a personalizar os seus projetos e a reservar suas viagens. Os resorts podem ser visitados em realidade virtual com os capacetes Samsung Gear VR. Se todos os Clubs são acessíveis, a clientela mais sofisticada, que continua procurando um atendimento em agencias, deve privilegiar os “5 Tridents” ou os “Espace 5 Tridents”. O apartamento butique vai também valorizar as próximas inaugurações de resorts que vão responder as mais exigentes expectativas: assim o  Cefalù da Sicília em junho, o Arcs Panorama em dezembro, ou os espaços renovados de La Reserve no Rio das Pedras, de Turks & Caicos no Caribe ou de La Pointe aux Canonniers em Maurício. 

Visita 360 do apartamento butique

Se esse segundo apartamento butique confirmar o sucesso do primeiro, o Club Med planeja abrir mais dez nas principais cidades da França até 2021, substituindo ou não as agencias próprias tradicionais. Não tem data marcada para adaptar esse novo conceito de atendimento ao cliente no Brasil. Mas, nesse grupo que sempre foi líder em inovação e pioneirismo, o diretor geral do Club no Brasil, Janyck Daudet, deixou claro que os apartamentos butique, sua extreme atenção a experiência do viajante antes e durante sua decisão de viajar, e seu foco na clientela sofisticada, pode muito em breve substituir ou completar os tradicionais pontos de vendas do grupo.

Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

O Club Med campeão do turismo nas montanhas francesas

O Club de Val Thorens, o novo xodó dos esquiadores brasileiros

Se o Club Med é conhecido em primeiro lugar pelos seus resorts de praia – no Brasil em Itaparica, Rio das Pedras e Trancoso -, ou de campo – em breve em Mogi das Cruzes-, ele é também no mundo um líder em turismo de neve. Acabou de anunciar grandes ambições na montanha – especialmente nos Alpes franceses onde os 16 clubes apresentaram os excelentes resultados da estação de esqui 2016. Mesmo se a neve chegou tarde, os clubes da França fecharam o inverno com uma taxa de ocupação de 90%, uma alta de 3% em relação a 2015. Os resultados foram muito espetaculares em alguns mercados, dentro dos quais a Bélgica (+30%), os Estados Unidos (+30%) e o Brasil que surpreendeu com mais de 45% de crescimento.

O Club de Valmorel

O Club de Valmorel

Com alto padrão, com todo o equipamento previsto e as aulas incluídas, oferecendo uma experiência única de férias sem nenhum constrangimento, os Club Med dos Alpes franceses estão seduzindo os turistas que já colocaram Peisy-Vallandry e Valmorel no Top 10 Trip Advisor dos melhores hotéis franceses para famílias. O sucesso desses clubes de inverno devem se prolongar nos próximos três anos com seis aberturas, uma na Itália, uma no Japão e uma na China. Querendo consolidar sua liderança nas férias de esqui na França, três clubes serão inaugurados em Samoens-Morillon (2017), em Les Arcs 1650 (2018) e num lugar a ser definido nos Alpes do Sul (2020), um investimento global de Euros 300 milhões.

Gilbert e Serge Trigano apresentando o CLUB MED ONE

Gilbert e Serge Trigano apresentando o CLUB MED ONE

Fundado em 1950 pelo pioneiro Gerard Blitz, virando a partir de 1954, com o gênio criativo e o entusiasmo do Gilbert Trigano, um símbolo de liberdade e de felicidade, o Club Med foi durante três décadas um desbravador de destinos e de lugares excepcionais. Trigano inventou novas formas de turismo, do resort esportivo até o mini club para crianças, do all inclusive até os colares de pérolas substituindo o dinheiro. A alegria descontraída comunicada aos “Gentils Membres” pelos “Gentils Organisateurs” virou um verdadeiro símbolo duma época de liberdade sem preocupações. Mas, o aumento dos custos de pessoal, as novas exigências dos viajantes em termo de serviços, a volta de férias mais focadas nas famílias levaram a uma longa crise a partir da segunda metade dos anos 70, levaram a muitas tentativas de diversificação – no turismo receptivo (Tourisme France International, em parceria com a Air France), nos cruzeiros (O navio Club Med One), nas residências hoteleiras (Maeva) ou até nos hotéis (em Neuilly, perto de Paris) -, tentativas nem sempre bem sucedidas.

Hoje, a estratégia do CEO da empresa, Henri Giscard d’Estaing, e dos novos acionistas chineses, é claramente focada em resorts de alto padrão para famílias, com serviços mais personalizados e total segurança. O esqui é assim um dos produtos privilegiados que o próprio Henri fez questão de apresentar num clipe de lançamento. Com a França sendo o primeiro destino do Club Med com 24 estabelecimentos, com os BRICS – especialmente a China e o Brasil – como mercados prioritários, os Alpes franceses devem continuar nos próximos anos a crescer como um dos destinos favoritos dos “Gentils Membres” brasileiros querendo aproveitar em família as delícias do inverno no hemisfério norte.

Jean-Philippe Pérol

Temporada de neve 2017!

 

Cannes, Bordeaux ou o Mont-Blanc, os primeiros destinos bem sucedidos de 2015

 

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As famosas cabanas de pescadores da lagoa de Arcachon

Enquanto Paris está entregue a alguns irredutíveis moradores e a sábios turistas vindo do mundo inteiro, mais especialmente da América do Norte, da China e do Brasil,  a maioria das regiões francesas estão recebendo mais visitantes esse ano. Três delas parecem ser as grandes tendências desse verão. O primeiro lugar da Côte d’Azur se consolidou, e , atrás, dois destinos estão  se destacando: a Aquitânia (Bordeaux, Biarritz e arredores), e os Alpes (mais especificamente o Mont-Blanc).

Cannes

O porto de Cannes

Na Riviera francesa, 78% dos profissionais já estão satisfeitos com a temporada (eram somente 62% o ano passado). David Liénard, prefeito de Cannes e Presidente do Comitê Regional do turismo, confirmou que todas clientelas estão em alta, desde os acampamentos de mochileiros franceses ou holandeses até as caríssimas suítes dos luxuosos hotéis da Croisette. Uma delegação da Arábia saudita, foco de uma grande polêmica depois de ter privatizado uma praia da região, deixou mais de 10 milhões de dólares para a economia local. Enquanto o aeroporto de Nice registrou uma queda de 1% das suas chegadas, os pequenos aeroportos de Cannes ou Saint Tropez estão registrando um forte crescimento do movimento de jatos particulares.

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O Hotel du Palais, o palace de Biarritz

O turismo na Aquitânia permanece há vários anos o sucesso dos vinhos da sua capital , Bordeaux. Segundo os responsáveis do turismo da região, dois terços dos profissionais do turismo já estão satisfeitos, com alguns destaques. A cidade de Pau, capital do BearnO Bearn, perto da fronteira espanhola, aproveitou o “Tour de France”,  famosa corrida ciclista, para mostrar seu vinho branco, o Jurançon, suas montanhas, seu patrimônio histórico ou sua proximidade de Lourdes, para milhares de fãs franceses e europeus. A um passo de Bordeaux, a lagoa de Arcachon, famosa pelas suas ostras e suas badaladíssimas barracas de pescadores tombadas pelo patrimônio nacional, conhece uma das melhores temporadas da sua história. Juntamente com os vilarejos do País Basco e a encantadora Biarritz, Arcachon tem o recorde de 90% de profissionais satisfeitos!

Mont-Blanc

O Mont-Blanc, mais alta montanha da França e da Europa

O aquecimento global, e os recordes de calor do verão francês, transformaram o clima fresco das montanhas no melhor argumento promocional para atrair os visitantes na região do Mont-Blanc. “As reservas demoraram, mas já ultrapassaram o nível do ano passado, sendo a meteorologia o primeiro fator favorável”, explicou Michel Giraudy, presidente de France Montagnes, à associação encarregada da promoção da montanha francesa. Courchevel no verão francêsFamosas pelo seu turismo de inverno e suas pistas de esqui, estações como Val d’Isère ou Tignes estão atraindo durante o verão famílias e amadores de atividades esportivas. A grande procura de appart hoteis, de chalés ou de apartamentos – em crescimento de 20% esse ano – virou um atrativo importante das montanhas francesas. Apostando na fama internacional do Mont-Blanc, e contando cada vez mais com eventos esportivos e culturais durante o verão,  Giraudy acha que esse turismo ativo e familiar vai também atrair visitantes internacionais. Já acostumados com Courchevel, Megève, ou Chamonix, apaixonados pelos Club Med de Valmorel ou Val Thorens, os brasileiros estão sendo esperados de braços abertos.

Saint Jean Pied de Port, nos caminhos de Santiago

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original do diário francês Le Figaro

A Martinica, entre a Pompei tropical e o Paris do Caríbe

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

Para os brasileiros, a Martinica será sem dúvidas a grande novidade dos cruzeiros caribenhos do verão.  A partir do 19 de dezembro, a MSC Cruzeiros oferecerá um roteiro completo de sete noites, saindo de Fort de France e  com escalas em varias ilhas francesas – alem da Martinica, Saint Martin, Saint Barthelemy e a Guadalupe. mscA viagem aérea de ida e volta entre São Paulo e Fort de France, aproveitará um vôo da companhia Gol, fretado pela MSC e que ligará diretamente as duas cidades pela primeira vez. Ainda pouco conhecida no Brasil – ainda que todos já cantaram Chiquita Bacana ou Banana Real -, a Martinica acredita que o sucesso dessa operação será uma grande oportunidade para os brasileiros descobrir melhor um destino que já foi  conhecido como o Paris das Antilhas.

Martinique - Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Martinique – Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Mas que suas praias pretas ou brancas,  seu mar turquesa, ou suas flores exuberantes que encantaram o Cristovo Colombo e lhe deram o seu nome (Madinina, a Ilha das Flores) , foi o vulcão Montagne Pelée (a Montanha Pelada) que marcou a historia da Martinica. A sua então capital, Saint Pierre, era em 1902 a cidade mais rica e mais avançada do Caríbe. Tinha industrias de açúcar e de rum, tinha um porto modernismo, ruas pavimentas com  iluminação publica, tinha um bondinho, um jardim botânico e um teatro de 800 lugares copiado do teatro de Bordeaux.Saint Pierre, o dia seguinte No dia 8 de Maio, as 7h52 da manhã, o Paris tropical virou a Pompei do Caríbe. Vindo do cratera do vulcão, uma nuvem de cinzas e de gases, com uma temperatura de mais de 1000 graus, arrasou todos os prédios, fundiu grades e portas de ferros, e matou todos os seus 30.000 habitantes.  A cidade foi reconstruída, perdeu o seu status de capital da ilha para Fort de France, mas a visita dos seus monumentos reconstruídos – Igreja ou Câmara de comercio, dos seus dois museus históricos , a caminhada nas ruínas e a visão da prisão onde era encarcerado Louis Cyparis, o único sobrevivente (protegido pelas paredes dos subterrâneos, ele saiu ileso depois do calor derreter todas as grades), são momentos de grande emoção para o visitante.

A Camara de comercio e a igreja de Saint-Pierre

A igreja e a Câmara de comercio de Saint Pierre

Com os navios da MSC acostando no centro de Fort de France, os brasileiros vão poder caminhar nesse cidade que guardou o espírito parisiense que rodeava as ruas de Saint Pierre. Mesmo misturando as culturas francesa e “créole”, mesmo vibrando tanto com a melodias francesas que com os ritmos do Zouk local, A igreja de BalataFort de France continua com um “je ne sais quoi” de Paris. Pode ser a igreja de Balata que lembra o Sagrado Coração de Montmartre, pode ser a presencia permanente da Josephine, esposa do Napoleon nascida na Ilha, pode ser as estilosas butiques com famosas marcas francesas, pode ser suas numerosas opções de restaurantes. Talvez, mais do que isso, deve ser a paixão pela cultura, a procura permanente pela elegância , e essa pitada de arrogância parisiense que os moradores porem gostam, espírito caribenho obriga, de abandonar frente aos visitantes.

Jean-Philippe Pérol

A praia do Club Med

A praia do Club Med

Na Thomas Cook, a “Pop-up store” anuncia a nova agencia de viagem!

 

www.antoinecibert.com

Nascer do sol na capital da Auvergne. Foto Antoine Cibert

Como será a agencia de viagem do futuro? A Thomas Cook France, herdeira do famoso grupo fundado pelo próprio Thomas Cook em 1841, decidiu tentar uma experiência inédita. Thomas CookNo shopping de Nacarat, perto de Clermont Ferrand, capital da Auvergne, inaugurou uma “pop-up store”, loja efémera que ficará aberta até o final de junho. Aproveitando a clientela de forte poder aquisitivo que frequenta as 78 lojas – algumas de marcas muito conhecidas como Sephora, Swarowski, Zara, H&M  ou Leroy Merlin- , a Thomas Cook quer atrair para as suas agencias de viagem um publico mais jovem e até então mais acostumado a comprar suas viagens diretamente na internet.

POP STORE CLERMONT

Mesmo se inspirado do design das lojas tradicionais da empresa, a pop-up store tem um visual muito aberto e bem aconchegante, deixando os clientes a vontade para sonhar e criar os seus roteiros de viagens. Numa tela digital, a Thomas Cook apresenta os últimos clips das suas campanhas publicitarias bem como vídeo dos parceiros ou dos destinos selecionados. thomas-cook-agence-ephemere-2Travel Glass (óculos com visão 360 graus) ficam a disposição dos visitantes para umas visitas inovadoras de locais ou de hotéis. As ofertas das operadoras são todas exclusivas, ou pelas tarifas concedidas ou pelos produtos apresentados, alguns tendo sido adaptados para ter saídas do aeroporto de Clermont Ferrand. Alem de grandes operadoras como a Jet tours (antiga subsidiaria da Air France, que chegou a ter charters para o Brasil), a Disney e Cruzeiros Costa apoiaram esse operação pioneira. E o Club Med – que pertence agora ao chinês Fosun, também acionista da Thomas Cook – não podia deixar de estar presente, apresentando um concurso de fotos de viagens.

Club Med Chine

A presencia do grupo chinês na mais antiga agencia de viagem do mundo vai sem duvida multiplicar as inovações nessa anciã do turismo mundial. A Fosun, que comprou 4,8% do grupo mas quer subir para 10% e mais, já anunciou alguns eixos de crescimento. Maiores sinergias para distribuição do Club Med, melhor aproveitamento dos sites de vendas on-line, crescimento das atividades de receptivo e investimentos conjuntos na hotelaria jà foram alguns das possibilidades levantadas. Nessa nova estratégia mundial, a pequena Pop-up store de Clermont Ferrand pegou uma importância inesperada. No Brasil, onde grandes movimentos envolvendo operadoras, agencias on line e agencias tradicionais estão sendo esperados pelo mercado, essas ideias novas também podem vingar.

Jean-Philippe Pérol

PUY DE DÔME E VULCANIA

Mais charme e luxo nos hotéis do Caríbe francês

 

Enquanto o Caríbe está agora muito perto de enfrentar profundas mudanças – principalmente, mas não somente, com a volta dos americanos em Cuba -, as ilhas francesas estão cada vez mais se posicionando na hotelaria de luxo ou pelo menos de charme.SERENO ST BARTH A menor delas, Saint Barthelemy, sempre se considerou como um destino exclusivo. Do mesmo tamanho que Fernando de Noronha, Saint Barth é uma parada do jet set international que gosta de se encontrar seja frente aos iates ancoradosLE SELECT no porto de Gustávia, seja no “popular” bar Le Select. A pequena ilha disponha de uma hotelaria excepcional, com sete estabelecimentos cinco estrelas, incluindo dois Relais Châteaux Eden Rock e Toiny, e o tão elegante Le Sereno. Algumas pequenas pousadas e muitas casas exclusivas completam a oferta de hospedagem, todas competindo para mostrar o charme especial dessa lugar cuja historia é dividida entre a França e a Suécia.

LA SAMANNA SAINT MARTIN

A vizinha Saint Martin se diferenciou da sua metade irmã Sint Marteen apostando também no luxo, com o espetacular La Samanna – do mesmo grupo do Copacabana Palace -, e mais ainda no charme de dezenas de pequenos hotéis ou de pousadas aconchegantes. LE PETIT HOTEL EM SAINT MARTIN FRANCÊSO Le Petit Hotel, que ganhou em 2013 o prêmio de excelência da Trip Advisor, fica na praia de Grand Case. Numa casa tradicional que foi completamente renovada em 2012, ele se destacou pelo atendimento personalizado e o charme do design dos seus nove quartos.

Na Martinica, que foi no século XIX a mais sofisticada das ilhas do Caríbe, a hotelaria pegou as mesmas tendências. Além do Relais Chateaux Le Cap Est Lagoon Resort et Spa, e de pequenos hotéis como o Plein Soleil, varias pousadas de charme foram abertas nos últimos anos. HABITATION THIERRY L ILETAs mais procuradas foram instaladas nas antigas “Habitations”. Essas são as tradicionais “casas grandes” das plantações de cana que fizeram a riqueza dos senhores de engenho, sendo o mais famoso o pai da Imperatriz Josefina, primeira e turbulenta esposa do Napoleão. A Habitation Lagrange e a Habitation de l’Ilet Thierry constam hoje como duas das mais charmosas pousadas da Martinica.

Sitting in the sea

Mas é talvez nas ilhas da Guadalupe que a virada para o charme do Caríbe francês é a mais espetacular. FLORES NO JARDIN MALANGAEnquanto muitos dos grandes hotéis de turismo de massa fecharam, começou a pipocar na ilha muitas pousadas oferecendo ambientes mais privativos, serviços personalizados e construções mais integradas as tradições e a historia da ilha. Assim são as deliciosas pequenas pousadas Le Jardin Malanga ou Le Diwali. Assim é o recentemente reformado La Toubana Hotel et Spa. Em cima de um barranco, na frente da praia (e do Club Med) de Sainte Anne, esse pequeno hotel respira um clima diferente, o bom gosto, o charme e a categoria trazidos pelos donos, Patrick e Corinne Vial-Collet. OS LEADERS DO LEADER HOTELMesmo sendo proprietários, com Daniel Arnoux, do maior grupo privado do Caríbe francês, eles estão sempre presentes e deram a La Toubana uma marca bem pessoal, na decoração e no serviço, na espetacular piscina, na adega do restaurante (onde grandes vinhos são vendidos a preço de custo), ou no ambiente atencioso e alegre bem franco-caribenho.

Sempre a procura de novidades, o turista gostando do Caríbe pode achar, nessas novas tendências da hotelaria das ilhas francesas, o tão desejado equilíbrio entre descontração e sofisticação, arte de viver e alegria.

Jean-Philippe Pérol

Sitting in the sea

Turismo e liberdade

 

PARIS EST CHARLIE

Não é talvez por acaso que a o turismo moderno só nasceu quando triunfava, na Europa e nas Américas, as novas ideias de progresso e de liberdade.Cook's Timetable cover - Dec 1888 Foi em julho 1841, depois das revoluções americana e francesa, depois da independência das ex-colonias espanhois e do Brasil, depois dos movimentos de 1830 e antes da “primavera dos povos” de 1848, que o Thomas Cook comercializou a primeira viagem organizada entre Leicester e Loughborough . A liberdade nunca deixou de marcar a historia do turismo. Depois da primeira guerra, em 1919, quando os primeiros escritórios de turismo no exterior abriram para acompanhar o inicio dos grandes fluxos de viajantes internacionais. TRIGANODepois da segunda guerra, quando o Trigano fez do Clube “a mais bela ideia desde a invenção da felicidade”. Nos anos dourados das “30 gloriosas”, quando empreendedores do turismo fundaram as grandes operadoras que ajudaram milhões de pessoas a descobrir essa maravilhosa liberdade: viajar.

Assim que foi lembrado pela Organização mundial do turismo na sua Carta Magna, o turismo só existe com liberdade. TopSul Notícias - www.topsulnoticias.com.br - liberdade 4Para o viajante, tem que ter liberdade de sair, de passear, de cruzar as fronteiras. Ele precisa também ter liberdade de ir e vir no destino escolhido, falar ou fazer amizade com os outros turistas ou os moradores encontrados, ter acesso, quando querer, as informações ou meios de comunicações que precisa . E para os países receptores, o turismo responsável vira do mesmo jeito um extraordinário acelerador de progresso e de liberdade.

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Fanáticos não aceitam essas liberdades, deixando rastros de sangue que fizeram essa vez dezessete vitimas na França, tentando calar a imprensa e semear o ódio entre franceses de crenças diferentes. O imenso desfile de hoje , com mais de um milhão de participantes em Paris, Lyon, Bordeaux e Marselha, seguindo as marchas de ontem em milhares de cidades e de vilarejos, mostrou o quanto fracassaram. A França não vai renunciar a nenhuma das suas liberdades, nem para seus cidadãos, nem para seus moradores, nem para os seus visitantes.

Marche-republicaine

Os franceses estão ficando imensamente gratos pelas manifestações de solidariedade que chegaram do mundo inteiro, e, claro, especialmente do Brasil onde já recebemos no turismo francês mais de 400 mensagens de apoio de profissionais, de jornalistas ou de simples cidadãos.Génie_de_la_Liberté_973 A todos eles, queremos não somente transmitir nossos agradecimentos, mas também uma mensagem carregada por cada um dos participantes aos desfiles desse domingo. Com medidas de segurança reforçadas mas sem renunciar a esse clima de liberdade tão elogiado pelos nossos visitantes,  queremos continuar a dividir com eles esse jeito de viver. Bem vindo na Franca, et vive la Liberté!

Jean-Philippe Pérol

Esqui na França: as novas tendências e as estações mais procuradas nesse inverno.

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A Google acabou de publicar uma pesquisa sobre as preferências dos franceses para as estações de esqui desse inverno europeu, em exclusividade para a revista profissional L’Echo touristique. Plat, coqueO pódio das três vencedoras não mudou em relação ao ano passado, sendo La Clusaz, Val Thorens e Avoriaz as mais plebiscitada na Google . Sem surpresa também, todas as estações do Top 20 estao localizadas nos Alpes, e principalmente na Sabóia, mas pode se anotar algumas mudanças. Assim Chamonix passou Tignes para chegar em quarto lugar, e Meribel ganhou duas posições . Muito querida dos brasileiros, Courchevel caiu porem de 8% em volume e saiu do Top 10, e as quedas mais importantes  foram de Tignes (-17%) e Valmorel (-10%).

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O crescimento mais espetacular foi de  Val Thorens (+7%), que aproveitou não somente a abertura dum novo e requintadíssimo  Club Med mas também um excelente trabalho de promoção nacional e internacional (incluindo a vinda do seu chefe Jean Sulpice para uma semana gastronômica no Pullman da Accor de São Paulo. 

Ranking realizado em função do numero de pedido na Google feitos no mercado francês.

No geral, mesmo se somente quatro estações do top 20 têm um crescimento dos pedidos globais, e se a neve demorou um pouco para cair nos Alpes, 2015 deve ser um bom ano para o turismo do inverno na Franca.

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A pesquisa da Google também destacou uma outra tendência importante. Os internautas não estão agora procurando em primeiro lugar o tipo de hospedagem (61%, escolhendo chalés, hotéis ou apartamentos), mas um destino especifico (75% dos casos). No Brasil, as estações francesas mais procuradas continuam sendo Chamonix, Meribel, Courchevel, ou Megève, e a tendência dos últimos anos é um crescimento de outros estaçoes como Val Thorens, La Plagne ou Avoriaz. 20118191_1 As brigas entre os concorrentes, tanto franceses que internacionais, não é agora somente na qualidade das pistas ou das hospedagens, mas nos lazeres, nos SPA, nas lojas, nos restaurantes ou na vida noturna. A pesquisa da Google lembra que esqui não é mais esporte, é destino!

Jean-Philippe Pérol

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