Diversificação da hospedagem virou chave do sucesso do turismo francês!

Paris plage, uma nova imagem da cidade luz!      @Loic Lagarde

Enquanto a França reencontra os turistas internacionais – 6% de crescimento das chegadas no primeiro semestre, com um destaque especial para o Brasil que teve um aumento de 22,7%, e um novo recorde de 89 milhões de turistas anunciados pelo ministro das relações exteriores-, uma das suas principais ambições é de oferecer hospedagens em sintonia com as novas exigências dos viajantes. Junto com os investimentos para melhorar a qualidade e a quantidade, os esforços bem sucedidos para diversificar as hospedagens são uma das principais razões da volta dos turistas tanto em Paris que nos principais destinos franceses.

O Restaurante do Mama Shelter de Paris

A criatividade dos novos alojamentos turísticos pode ser comprovada em muitos projetos, dos hotéis boutique até os “Mama Shelter” ou os “glamping”, mas duas categorias estão se destacando nesses esforços bem sucedidos combinando iniciativa dos profissionais e responsabilidade das autoridades para ampliar uma oferta respondendo a procura de viajantes  cada vez mais diversificados. O sucesso da “Distinction Palace” contribuiu muito para consolidar a liderança de Paris e da França na hotelaria de altíssimo padrão. Criada em 2014, essa categoria muito especial, premiando estabelecimentos já titulares de 5 estrelas assim selecionados por uma comissão de personalidades independentes, ja reune 23 hotéis – 10 em Paris, 12 nos outros destinos da Franca metropolitana e um em Saint Barthelemy.

As Sources de caudalie, um dos Palaces premiados em 2016

Exclusividade francesa, os “Palaces” foram não somente um reconhecimento do “savoir faire” desses profissionais do luxo, mas também um forte incentivo a renovação ou até a abertura de novos estabelecimentos. Em 2016, sete hotéis ganharam a distinção, vários deles muito acostumados  com brasileiros como o Eden Roc na Riviera, o Cheval d’Argent en Saint Barthelemy ou as Sources de Caudalie perto de Bordeaux. Para 2017 e 2018 mais candidatos estão se preparando, especialmente os lendários Hotel Lutetia e Hotel de Crillon. Construído em 1758, essa prestigiosa mansão, que foi transformado em hotel de luxo em 1909 e participou da aventura da Route du Bonheur e dos Relais & Châteaux, reabriu agora depois de dois anos de renovação.

O Hotel de Crillon agora renovado

As obras combinaram o total respeito da faixada e das partes tombadas do Hotel, as necessárias inovações para atender as exigências dos viajantes do século 21, e criatividade de grandes designers para os restaurantes (Minossian), os quartos (Vergniol) e as suites assinadas pelo Karl Lagerfeld que dedicou uma delas a sua gata Choupette …. O novo Crillon tem assim menos quartos (124 em vez de 147), mas com 33 suites e 10 suites “Signature” de altíssimo padrão. O restaurante gastronômico não fica mais no salão dos Embaixadores mas numa sala menor chamada L’Ecrin com o jovem chef Christopher Hache e uma adega de 43.000 garrafas. Nas novidades mais esperadas constam um bar espetacular,  uma piscina e um spa (num segundo subsolo cavado especialmente), bem como um “cigar loundge” para os amadores de charutos. Detalhes que ajudarão a reforçar a imagem de Paris no segmento de turismo de luxo.

Bordeaux, cidade pioneira na regulamentação dos alugueis C2C

Mas o provável novo recorde de turistas internacionais que a França deve atingir esse ano se deve também ao espetacular sucesso  de hospedagens alternativos que mostram a forte diversificação da oferta francesa. Assim a hospedagem não comercial (parentes e amigos), que chega a 34% dos pernoites, com um forte crescimento nos últimos anos  junto aos viajantes vindo da Asia ou das Américas ((o não comercial representa hoje 22,5% dos 8,2 milhões de pernoites de turistas brasileiros na França).  Assim os alugueis “de pessoa a pessoa” da AirBnb e dos seus concorrentes. Representando hoje 26,7% dos pernoites comerciais, essa forma de hospedagem atrai especialmente os  turistas provenientes dos Estados Unidos, da Australia e do Brasil (seriam mais de 1,5 milhões de pernoites de brasileiros). Agora mais regulamentada para respeitar tanto os concorrentes que os moradores, ela deve continuar a crescer, contribuindo a ampliar e diversificar a oferta de hospedagem na França. Uma diversificação que atrai novos viajantes e  consolida a  liderança francesa no turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

O glamping, glamour e camping, chegou com toda força

O turismo sustentável, a experiência local e os novos caminhos da autenticidade

A padaria com o melhor bolo de avelã, segredo de morador de Auzances

A busca da autenticidade é tão antiga que as próprias viagens, sendo uma preocupação constante dos turistas, bem como dos profissionais que sempre alegaram procurar a verdade e a originalidade dos destinos, a identidade das suas tradições, a especificidade das suas culturas. Mas durante muitos anos,  a procura dessa autenticidade foi muito mais uma afirmação sem conteúdo, ou uma jogada de marketing, que uma verdadeira oferta feita aos viajantes. Em alguns casos, incapazes de encontrar uma definição do turismo autentico nos grandes destinos  integrando a mundialização, as operadoras reduziam as ofertas de autenticidade a viagens caríssimas em regiões exóticas de difícil acesso.

Pierre Eloy e Sophie Moreau no seminario da Globe Veilleur

Reforçada pela recusa da globalização e pela procura de destinos diferenciados, o turismo autêntico encontrou um novo reforço na sustentabilidade, no respeito da cultura local e na interação com os moradores. A autenticidade se define agora pela densidade dos encontros, pela sinceridade dos intercâmbios, ou pela emoção das lembranças.  A importância dos atores locais na oferta de produtos autênticos foi assim demonstrado no ultimo debate da  Globe Veilleur em Montreal. Os palestrantes, Pierre Eloy, dos Agitadores de destinos numéricos , e Sophie Moreau, do turismo de Ancenis, na região dos Castelos do Loire, lembraram que os profissionais do turismo  são  vendedores de sonhos, e devem ser criativos para construir, com os moradores,  experiências juntando destinos, encontros e boas surpresas.

Viver uma experiência com os locais, as ofertas da AirBnb

Airbnb é um exemplo de ofertas autênticas bem sucedidas. O seu site valoriza a cultura de cada destino, com propostas de intercâmbio com “especialistas da vida local” cujos nomes, fotos e historias fazem parte dos descritivos das atividades. As experiências temáticas são cada vez mais criativas, no culinário, nas degustações, nos passeios, no esporte, na arte ou no shopping. Com um sucesso ligado a sua estreita relação com os moradores, a empresa demonstrou que os viajantes confiam mais nas dicas daqueles que vivem o dia a dia de uma cidade. Os profissionais  devem se lembrar que são também moradores e que devem então se apresentar como tais, personalizando as suas próprias historias e suas ofertas.

O Collector verão 2017 da OnlyLyon

Para comunicar a autenticidade, a criatividade encontra-se também nas formas de comunicação. Cada vez mais abandonado pelos destinos e pelas operadoras, os guias impressos viraram um destaque para aqueles que souberam explorar-lo para materializar suas ofertas. Assim a cidade de Lyon publica duas vezes por ano o guia “Collector” que apresenta restaurantes ou lojas selecionadas para os turistas e os moradores, valorizando as novidades, as promoções e as dicas  “Only Lyon” .  Assim também a  operadora da SNCF (os trens franceses), voyages-sncf.com,  está editando uma nova coleção de guias  « Emmenez-moi à » (Me leve para…) . Com visuais originais, eles listam endereços culturais ou gastronômicos, contam experiências e apresentam mapas.

O guia “Nos coins préférés” da Secretaria de Turismo de Ancenis

Na busca da autenticidade, os próprios funcionários de atendimento têm um papel importante, virando “concierge’ do destino, ajudando na experiência vivida pelo viajante. O turismo do Queensland procura ideias nas contas das redes sociais dos visitantes – oferecendo por exemplo uma camiseta autografada do seu time de rugby  a uma torcedora vindo para assistir a um jogo e que tinha publicado muitos posts valorizando o destino. Em Ancenis, na região dos Castelos do Loire, os funcionários do escritório de turismo foram solicitados para propor um mapa dos seus lugares prediletos. Chamado de « Nos coins préférés » , o documento  parece cochichar no ouvido dos visitantes alguns segredos que os moradores aceitaram de dividir, pequenas propostas de vida local que viram grandes experiências de autenticidade.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Aude Lenoir  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

 

A VizEat, a economia participativo fazendo sucesso na gastronomia!

Virtuoso fechou um acordo com o “AirBnb da comida”

Mostrando a crescente aproximação dos profissionais do turismo com a economia colaborativa, Virtuoso assinou um acordo de referenciamento com o aplicativo VizEat. Start up fundada há três anos pelos franceses Jean-Michel Petit e Camille Rumani, a VizEat vai assim poder oferecer  suas experiências culinárias através das 400 agencias da  prestigiosa marca, sendo 30 agencias no Brasil. Sempre preocupada com a qualidade dos serviços propostos pelos seus 1700 fornecedores, Virtuoso destacou que o conceito inovador da VizEat respondia perfeitamente a duas grandes tendências do turismo do século XXI: o turismo culinário e o turismo sustentável, na sua dimensão de encontros com os moradores.

Jantar VizEat em Paris

Com somente três anos de vida, a VizEat tem hoje  22.ooo anfitriões em mais de 110 países, incluindo 5000 na França, e foi citada  pelo Tim Cook da Apple como sendo o terceiro aplicativo mais popular de 2016. O projeto nasceu do encontro de Jean-Michel Petit – que voltava do Peru onde ficou apaixonado pela hospitalidade e a cozinha dos índios do Lago Titicaca- e de Camille Rumani – amadora da cultura e da gastronomia chinesa. Em busca de autenticidade, tiveram uma ideia simples mas muito original: criar uma plataforma onde viajantes procurando uma experiência culinária local e moradores amando dividir sua paixão pela cozinha poderiam encontrar-se em volta de uma refeição.

Tour culinário na Aquitânia

Chamada de “AirBnb da comida”, a VizEat tem agora websites em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e chinês. Em 2015, depois de comprar o seu concorrente Cookening virou líder europeu e começou a oferecer experiências em outros países, abrindo escritórios na Espanha, na Itália, na Alemanha e na Inglaterra. Alem do acordo com Virtuoso, Jean-Michel e Camille querem multiplicar parcerias com profissionais do turismo,  hoteleiros, operadoras, receptivos, organizadores de eventos ou agencias MICE. Aproveitando um aumento de capital, querem investir em cursos de cozinha, eventos gastronómicos ou tours culinários.

Jantar do David, da VizEat de Londres

O crescimento do “local dining” preocupa os restaurantes tradicionais que temem o impacto que a economia colaborativa pode ter sobre a sua atividade, mostrando o exemplo das consequências do sucesso da AirBnb sobre a hotelaria tradicional. Os sindicatos do setor estão reclamando da concorrência desleal dos anfitriões da VizEat que, segundo eles,  não pagam as devidas taxas, não respeitam as regras de higiene ou de segurança. Argumentam que o site pega uma comissão de 20% sobre o preço da refeição, mas não tem controle de qualidade. Em vários países, e especialmente na França, eles pedem as autoridades para pelo menos impor a todos os atores o mesmo respeito da legislação e da proteção do consumidor,  com os mesmos controles.

Os fãs de “fooding”  estão porem entusiastas tanto pela simplicidade do site  que pela transparência da relação com os anfitriões que comunicam com antecedência informações sobre o cardápio bem como fotos do ambiente. Para os donos da VizEat, dois fatores explicam o sucesso do “local dining”. O primeiro é de ser um evento importante de uma viagem, uma experiência que pode ser escolhida e preparada com antecedência. O segundo é que um jantar na casa de um morador é não somente uma aventura culinária mas um intercâmbio humano. Os viajantes sempre lembram que entraram numa casa como estrangeiros e saíram como velhos amigos.

 

Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

Castelos, hotéis e AirBnb, uma nova experiência que só Alain Ducasse podia oferecer!

Quarto no Pombal do Château de Courban

Quarto no Pombal do Château de Courban na Borgonha

O grupo californiano AirBnb vai mais uma vez surpreender tanto os seus seguidores como seus detratores, assinando um acordo de parceria com  Châteaux & Hôtels Collection, um grupo francês reunindo 500 restaurantes ou estabelecimentos hoteleiros, presidido pelo famosíssimo  e muito influente chef Alain Ducasse. Ambas inovadoras e pioneiras, as duas empresas vão trabalhar juntas para oferecer aos viajantes não somente quartos únicos em todos os endereços Châteaux & Hotels Collection da França, bem como experiências exclusivas em Paris.

O restaurante parisiense Citrus Etoile

O restaurante parisiense Citrus Etoile

AirBnb vai comercializar no seu site de reservas os hotéis da rede – cada estabelecimentos podendo oferecer seja alguns seja todos seus quartos. E Alain Ducasse criou quatro roteiros especialmente para AirBnb, como acompanhar o chef Gilles Epié numa feira livre e depois na cozinha do seu restaurante Citrus l’Étoile, descobrir a “Manufacture de Chocolat” Alain Ducasse ou visitar os bastidores da sua escolha de cozinha e participar de uma degustação. com a diretora Alexandra Legrand. Mas alem de ser a primeira vez que um acordo comercial liga a AirBnb e um dos grandes atores do setor turístico da França, essa parceria representa para cada um dos dois grupos uma virada estratégica importante.

Paris, primeiro destino mundial da AirBnb

Paris, primeiro destino mundial da AirBnb

Para AirBnb, essa parceria é uma sequencia lógica do crescimento da Trips, a sua plataforma de planejamento de viagem. Já contando com posadas, “bed and breakfast” e pensões, o próximo passo tinha que ser  ampliar a oferta de hotéis. Com  Châteaux & Hôtels Collection, os clientes vão ter acesso a novas experiências de qualidade. Na hora onde seu modelo econômico sofre de mudanças nas legislações nos grandes destinos turísticos mundiais, AirBnb pode fazer desse acordo um passo importante para competir com as grandes OTA, Booking et Hotels.com. O prestigio de Alain Ducasse pode também ser decisivo para mostrar ao setor hoteleiro, até então extremamente hostil, que sinergias são possíveis entre a economia participativa e as hospedagens tradicionais.

Novas perspectivas se abram também para Châteaux & Hôtels Collection. Os  viajantes qui visitam o site ou frequentam as hospedagens da AirBnb (só na França seriam 10 milhões) vão descobrir os seus endereços. Pelo menos numa primeira fase, os 400 hoteleiros da rede oferecerão em prioridade os quartos mais originais e inéditos como um pombal ou a torre de um castelo do Renascimento, mas a escolha será de cada estabelecimento. Concordando com AirBnb sobre a necessidade de comunicar com os viajantes duma forma diferente, consciente das revoluções trazidas pelas grandes plataformas de reservas, a rede presidida pelo Ducasse vai, com essa inesperada parceria, conseguir um novo posicionamento, tanto em relação aos seus outros parceiros na distribuição que junto aos novos viajantes do século XXI.

Jean-Philippe Pérol

O Castelo de Besseuil, Château Hotel na Borgonha

O Castelo de Besseuil, Château Hotel na Borgonha

 

 

Barcelona cansada do turismo?

A Sagrada Familia

A Sagrada Familia

A nova prefeita de Barcelona, Ada Colau, deve apresentar nas próximas semanas um projeto de “des-crescimento turistico”, parte do programa que a ajudou a ser eleita nas eleições de 2015. Pode parecer estranho numa cidade que é considerado um exemplo-mor do turismo internacional, um modelo de estratégia de desenvolvimento que começou com os J.O. de 1992, atraindo hoje 29 milhões de turistas e sustentando 160.000 empregos, 14% do seu PIB, mas a capital catalã parece hoje vitima do seu sucesso. E um sucesso que deve ainda se ampliar com novas oportunidades trazidas pelas companhias low cost, e pelos cruzeiros atraídos pelo terminal marítimo onde quase 3 milhões de passageiros devem chegar esse ano.

"Turisme és misèria" nas paredes de Barcelona

“Turisme és misèria” nas paredes de Barcelona

Mas, desde 2014, os moradores, os comerciantes e as associações de bairros (El Raval, Barceloneta ou Barri Gotic) se queixavam do disparo dos alugueis, da transformação de mais de 30.000 apartamentos em residência de turismo, da inflação da alimentação, da saturação dos transportes coletivos, das brigas noturnas, e do congestionamento dos lugares turísticos nos arredores da Rambla, da Sagrada Familia ou do Parque Guell. Nas ruas do centro, e até no famoso mercado La Boqueria, os comercios tradicionais – a vida e a alma da cidade – estariam se transformando em lojas de souvenirs, em fast-food, em locadoras de bicicletas ou em discotecas para « turismo de borrachera ».

A Rambla durante o mês de Agosto

A Rambla durante o mês de Agosto

Querendo preservar a identidade de Barcelona, capital do Mediterrâneo da festa, do sol, da praia e da vida cultural, a prefeita já suspendeu 38 projetos hoteleiros – inclusive um Four Seasons -, mandou controlar a legalidade dos alugueis de apartamentos e multou a AirBnb. No seu projeto final, a cidade terá o zoneamento em três áreas, reduzindo a oferta de apartamentos na cidade velha, bloqueando o crescimento nos bairros da Sagrada Família e da Vila Olímpia, e autorizando de forma controlado o desenvolvimento na periferia. Esta sendo também estudada uma taxa especial para os cruzeiristas cujas receitas, juntas com as outras taxas turísticas, seriam agora utilizadas não mais para promoção mas exclusivamente para melhorias das infra-estruturas.

O Parque Guell, escolhido por 2,6 milhões de visitantes

O Parque Guell que atrai 2,6 milhões de visitantes

Barcelona vai  dar uma importante virada em direção a um turismo sustentável, mais em fase com os seus moradores. Mas as decisões que serão tomadas pela perfeita, os vereadores, o Consorcio Turismo Barcelona e o recém criado Conselho municipal do turismo (onde encontram-se moradores, ecologistas, hoteleiros e comerciantes) deverão respeitar duas considerações. A primeira é a importância do turismo como primeira atividade econômica da cidade, tanto nos hotéis que conseguem agora manter uma taxa anual de ocupação de 85%, no porto que recebe 750 escales de 40 navios gerando 400 milhões de euros de receitas, que nos milhares de restaurantes ou de comércios. Mas esse sucesso, especialmente junto aos “melhores” turistas, só poderá perdurar se a cidade guardar as suas características, preservar o seu patrimônio e seu modo de viver, respeitar a diversidade dos seus bairros, aproveitar os seus comércios e suas animações genuínas, e acima de tudo, continuar com a participação e o carinho dos seus moradores.

A animação do mercado La Boqueria

Barcelona vai sem duvidas contribuir a inventar um novo turismo urbano mais sustentável e mais respeitoso do jeito de viver dos seus habitantes. A capital catalã está sendo seguindo com muita atenção  por cidades como Amsterdã, Bruges, Berlim, Roma, Lisboa ou até Veneza. Todas elas querem também seguir um caminho combinando, de um lado, o sucesso económico, e , do outro, o bem estar dos moradores cuja felicidade é , cada vez mais, um componente chave de um destino turístico bem sucedido.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog  “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Por do Sol em Barcelona

Por do Sol em Barcelona

No Japão, um projeto para reinventar Airbnb?

O projeto de casa coletiva de Yoshino

Imagem do projeto inovador da Airbnb em  Yoshino

No que parece ser uma grande virada estratégica, Airbnb, o gigante da economia colaborativa, está lançando o projeto “Samara”, a construção de um centro de hospedagem na pequena cidade de Yoshino,  a 500 quilômetros  de Tóquio mas somente 60 quilômetros  de Osaka. Esse primeiro alojamento, que esta programado para abrir em outubro desse ano, vai ser um espaço coletivo aonde os visitantes poderão se hospedar, um  ponto de encontro e de integração social onde os moradores poderão passear. Apoiado pela prefeitura que ofereceu o terreno, o projeto quer contribuir para o crescimento econômico,  ampliando a oferta turística dessa região conhecida pelas suas flores de cerejeiras e suas florestas de cedros, mas com pouca infraestrutura hoteleira, contribuindo para o desenvolvimento econômico.

O interior do Casa das Cedras do arquiteto

O interior da Casa dos Cedros, do arquiteto Go Hasegawa

Concebida em colaboração com o arquiteto japonês Go Hasegawa, a “Casa dos cedros” quer ir alem dos conceitos de hospedes, empregados, vizinhos ou proprietários. Ela foi desenhada em primeiro lugar para a vila de Yoshino e para os seus moradores, escolhendo para cada detalhe da sua estrutura as necessidades da comunidade e o respeito das suas tradições. Assim se explicam a grande mesa para o jantar comunitário,  as vigas e as tábuas de cedro vindo das florestas dos arredores, ou os peixes ornamentais trazidos dos rios do município.   Os hospedes poderão fazer as suas reservas para o Yoshino  Cedar House na Airbnb, mas deverão viver essa experiência com os moradores que assegurarão os serviços. As receitas serão também creditadas para a comunidade.

Os banheiros da Casa dos Cedros

Os banheiros no estilo tradicional

O projeto inovador da Airbnb foi muito bem recebido no Japão, um pais com falta de hotéis tradicionais para receber turistas nacionais e internacionais cada vez mais numerosos ( 28% de crescimento esse ano), e que tem agora o objetivo de de receber 40 milhões de turistas para 2020. Antes mesmo da inauguração dessa primeiro Casa, a Airbnb já anunciou que está estudando projetos parecidos em vários países do mundo, na Inglaterra, na Korea, na Espanha, na Itália e na França. Enquanto o crescimento da empresa parece hoje sofrer de reações negativas de residentes e autoridades de grandes cidades, esse projeto “Samara” abre novas perspectivas, criando um estoque de apartamentos proprios e ajudando a revigorar  pequenas comunidades rurais com um turismo respeitando o meio ambiente e as tradições culturais dos moradores. Bem sucedida, a experiência de Yoshino poderá também ajudar a Airbnb  a se reposicionar ou até a se reinventar.

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Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Charlotte Herrero no jornal francês Le Figaro on line 

 

 

Quem ganhou o UEFA Euro 2016 (alem do Portugal, claro)?

Duas Tour Eiffel com as cores dos dois finalistas do Euro 2016

Duas “Tour Eiffel” com as cores dos dois finalistas do Euro 2016

Se o Portugal foi o grande e merecido vencedor do Euro 2016, os troféus dos maiores retornos econômicos serão muito mais difíceis de definir. Com um investimento publico de quase 2,0 bilhão de Euros, principalmente gastos na renovação dos dez estádios, governo federal, regiões e municípios terão que mostrar aos moradores que as melhorias nas infra-estruturas urbanas, as despesas locais dos organizadores e dos torcedores, e os ganhos em termo de imagem para cada uma das cidades-sede justificaram o dinheiro investido.  O balanço final demorará alguns meses, e relançará a polêmica sobre o custo dos grandes eventos internacionais, mas os primeiros dados já apontam para alguns vencedores.

Toulouse nas cores do Euro 2016

Toulouse na hora do Euro 2016

Os hotéis e os restaurantes foram claramente os mais beneficiados, e o Euro 2016 ajudou a recuperar um setor que esta sofrendo esse ano das consequências da conjuntura internacional, dos atentados, das greves e do mau tempo. Os profissionais são porem muito divididos. LensDe um lado fiquem os parisienses para os quais o Euro 2016 ajudou somente em termos, já que os torcedores afugentaram boa parte dos clientes tradicionais e que a concorrência da Airbnb foi muito prejudicial, deixando as preços por quarto ainda 12% abaixo do nível do ano passado. Nas outras cidades, o impacto foi muito positivo, seja em Toulouse ou Marselha pelas boas receitas, seja em Lens, Lille, Nice ou Bordeaux pelo excepcional crescimento (mais de 20%) dos fluxos turísticos.

A Fan Zone de Lyon, na Praça Bellecour

A Fan Zone de Lyon, na Praça Bellecour

Alem da hotelaria, outros setores do turismo aproveitaram o Euro 2016. Para os bares e restaurantes, Pizza Hut anunciou ter vendido 600.000 pizzas -20% a mais que o ano passado, e seu concorrente Domino’s Pizza chegou a 130.000 encomendas – um novo recorde- na noite da final França Portugal. As cervejarias ainda não publicaram números mas já anunciaram que os torcedores alemães, britânicos ou irlandeses , Os animados torcedores irlandesescom um consumo três ou quatro vezes superiores aos franceses, permitiram um forte crescimento das vendas. Para as transportadores, o Euro foi também uma grande oportunidade e a SNCF (a empresa estatal de trens representada no Brasil pela Rail Europe) registrou uma media de 14.000 passageiros por jogo. O numero de viagens para Marselha cresceu 56%, para Nice 58%, e a cidade de Lens sendo a recordista com um fluxo de passageiros multiplicado por sete em relação a 2015. Os taxis também aproveitaram, bem como seus concorrentes da Uber  que registraram crescimentos de 10 a 20%.

O Euro 2016 invadindo o varejo

O Euro 2016 invadindo o varejo

Outros setores da economia francesa aproveitaram o Euro 2016, as vendas de televisores das lojas Darty aumentaram de 50% e as vendas de material esportivo da Intersport de 6,4%, com um destaque para 50.000 camisetas oficiais do time francês. Os 5000 produtos labelizados pela UEFA somaram 500 milhões de Euros de vendas em roupas, brinquedos, presentes ou produtos alimentares. 2009792_les-produits-derives-de-leuro-sarrachent-aupres-des-fans-web-tete-0211065156726Mesmo assim, os economistas não esperam de imediato um impacto significativo sobre a economia francesa, e os  2,8 bilhões de Euros que foram anunciados deverão ser amplamente corrigidos tanto pelos efeitos sazonais que pelos efeitos negativos sobre os visitantes que não vieram, fugindo de multidões. Como sempre nos grandes eventos, o retorno poderá porem ser muito importante a médio e longo prazo. Sabendo aproveitar o impulso nas infraestruturas, a mobilização dos moradores e o rejuvenescimento da imagem da França bem como das dez cidades envolvidas nos jogos, o turismo pode ser o grande vencedor do UEFA Euro 2016.

Jean-Philippe Pérol

Festa de abertura do UEFA Euro 2016

Festa de abertura do UEFA Euro 2016

Esse artigo foi publicado na revista on-line de Mercados e Eventos no dia 18 de Julho 2016

Hoteleiros x Airbnb: depois dos Jogos, concorrentes ou complementares?

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A praia de Ipanema

Quarta cidade do mundo, atrás de Paris, Nova Iorque e Londres pelo número de quartos cadastrados na Airbnb, Rio de Janeiro preocupou o setor hoteleiro brasileiro assinando um espetacular acordo de colaboração com a controvertida empresa de hospedagem colaborativo para o período  dos Jogos Olímpicos. Rio OlimpicoJustamente preocupados com a desigualdade tributaria ou as diferencias nas garantias dadas aos hospedes, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) denunciou o impacto desses 25.000 quartos na ocupação hoteleira da capital carioca. A preocupação dos profissionais ficou ainda maior pensando no futuro pós olímpico. O setor vai não somente ter que enfrentar a concorrência dos 25.000 quartos da Airbnb, mas também a explosão da oferta dos hotéis construídos no embalo dos Jogos Olímpicos , outros 20.000 quartos a mais nos últimos cinco anos.

Oferta da Airbnb para os Jogos Olimpicos

Oferta da Airbnb para os Jogos Olímpicos

Enquanto os hoteleiros temem a concorrência da Airbnb, uma pesquisa inédita da empresa francesa  Coach Omnium, publicada em Abril desse ano, deve  interessar os profissionais brasileiros. Realizada na França onde a oferta da Airbnb já representa mais de 200.000 quartos, os resultados da pesquisa, baseada em 1178 entrevistas de viajantes franceses e estrangeiros bem como na análise das estatísticas da hotelaria, parecem mostrar que as clientelas são muito diferentes, e que os temores dos hoteleiros não são justificados.

Oferta Airbnb em Paris

Oferta Airbnb em Paris

Segunda a Coach Omnium, somente 21,9% dos clientes dos hotéis também utilizam a Airbnb. São para 85,7%  clientes de lazer, sendo 66% reservando um hotel somente uma vez por ano. Eles são jovens (79,5% tem de 18 a  35 anos), e justificam a escolha da Airbnb pelo preço (62,3%) mas também pelo espaço (24,7%), a cozinha (22,8%) ou o atendimento dos proprietários (21,2%). logo-coachomniumE mesmo se a Airbnb esta reivindicando uma clientela de negócios, somente 2,7% dessas estadias são por motivos profissionais, e 4,1% mistas (bleisure) . As análises das taxas de ocupação ajudam a comprovar que o impacto negativo para os hotéis  é praticamente nulo : enquanto a oferta de Airbnb na França passou de 5000 quartos  a mais de 200.000  de 2010 a 2015, essas taxas passaram de 59,0% a 59,2%, mostrando que eventuais perdas da industria hoteleira foram compensados com novos clientes.

Grand Hyatt do Rio de Janeiro

Grand Hyatt do Rio de Janeiro

Mesmo no quadro muito específico das novas capacidades de alojamento turístico  do Rio de Janeiro, a pesquisa mostra que os hotéis tradicionais e a Airbnb são produtos adaptados a clientes diferentes viajando em situações e com exigências diferentes, sendo mais complementares que concorrentes. Airbnb atrai novos viajantes que não frequentam – ou muito pouco – os hotéis, mas que são prontos a viajar para aproveitar ofertas . Ela impactaria pouco a atividade hoteleira, mas pesaria no seu futuro, ajudando com o seu novo tipo de relacionamento com os seus clientes, e sua nova forma de hospedagem, ao desenvolvimento do turismo doméstico e internacional.

Esse artigo foi inspirado  de um artigo original  na revista online Pagtour

A Barra da Tijuca, o desafio do turismo carioca

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Bleisure: viagem de negócios ou viagem de lazer? Os dois!

O Grand Palais, desde Napoleon III, recebendo feiras e exposições de Paris

O Grand Palais recebendo feiras e exposições desde Napoléon III

Enquanto as maiores agencias de viagem consideravam ainda há pouco que as barreiras entre viagens de negócios e viagens de lazer eram insuperáveis, uma recente pesquisa da Egencia (do Grupo Expedia) mostrou o forte crescimento das viagens combinadas, o “Bleisure” dos profissionais norte-americanos. bleisureO Bleisure é praticado hoje por 24% dos viajantes de negócios  franceses, 20% dos alemães e dos estadunidenses, 10% dos ingleses, e 25% dos brasileiros. Ele interessa os responsáveis das agências corporate que perceberem o potencial dessa nova tendência, e os hoteleiros  já anotaram a prorrogação de estadias para motivos particulares, bem como os pedidos crescente dos homens de negócios para atividades de lazer. Segundo uma pesquisa da BridgeStreet Global Hospitality 60% deles já fizeram uma viagem de tipo “Bleisure”, 54% com familiares, e 46% esticam a maioria das suas viagens de negócios para descobrir o local e suas ofertas culturais. As principais atividades procuradas são as visitas turísticas  (77%), os restaurantes (66%), os eventos culturais ou artísticas (66%), preferencialmente na mesma cidade.

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O Pullman Paris Tour Eiffel

Para atrair esses viajantes, os hotéis multiplicam as ofertas. O Orchard Hotel de Singapura criou um pacote “Bleisure experience” valorizando piscina e jacuzzi, incentivando a visitar a cidade e oferecendo um vale para um salão de beleza. Em São Francisco, o Hotel G promove o “Bleisure at the G” incluindo acesso aos transportes públicos e descontos em varias atrações turísticas.Meeting Room in Pullman concept Com o slogan “Work Hard Play Hard”, a marca Pullman, do grupo Accor, reinventou a sua proposta misturando os ambientes de trabalho e de lazer. Os lobbies dos hotéis, as suas salas de reuniões “Business playground”, os seus restaurantes ou bares foram redesenhados para satisfazer trabalho e divertimento. Com a oferta “Connectivity by Pullman“, conexões de alta velocidade são oferecidas nos quartos e em todas as áreas, com equipamentos desenvolvidos em parceria com a Microsoft e a Samsung. Querendo também atrair os clientes “Bleisure”, os hotéis canadenses Day Inn criaram uma tarifa “Ferias de negócios” 15% abaixo das melhores ofertas anteriores.

Bleisure by Millenium

A “Bleisure experience” da Millenium

Se o Bleisure era até agora promovido de forma discreta junto aos viajantes de negócios, ele é hoje integrado na comunicação e nas campanhas de muitos hotéis. O Ten Manchester Street de Londres aconselha a todos seus clientes de adicionar diárias pessoais às suas estadias profissionais. E o Bob Jacobs, vice presidente dos hotéis Sheraton e Westin para América do Norte, explicou que essas ofertas  são agora sempre incluídas nas propostas para grupos de incentivos, especialmente quando os participantes são jovens executivos da geração Y. Bleisure by AirBnb As agências de marketing especializadas aconselham de oferecer essas tarifas não somente na hora da reserva, mas também durante a estadia dos clientes, especialmente para os finais de semana. A oferta de condições especiais para famílias ou acompanhantes podem, ou até devem, ser integradas nos tarifários dos hotéis, mesmo quando caracterizados como hotéis “business”. Com os viajantes de negócios assumindo a procura de lazer, e os viajantes de lazer querendo continuar a seguir os seus negócios, as fronteiras entre os dois tipos de viajantes, até agora bem distintos, estão ficando flexíveis. Companhias aéreas, hotéis, operadores e agentes de viagem vão ter que se adaptar ao Bleisure. Os novos consumidores não aceitam ser categorizados e não querem limites para os serviços oferecidos. A pioneira Airbnb já avisou: o Bleisure em breve vai virar a regra!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Aude Lenoir no site profissional canadense Réseau de veille en tourisme –  Chaire de tourisme Transat

France Meeting Hub, encontros de turismo de negocios na Alsacia

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