Bitcoin e blockchain, mais um Big Bang no trade turístico?

O Bermuda Belmont, pioneiro do bitcoin na hotelaria

O Newstead Belmont Hills, um dos mas conceituados resorts de Bermuda, anunciou em julho juntar-se aos primeiros hotéis do mundo a aceitar pagamentos em bitcoin. Se muitas empresas de turismo se interessaram com essa moeda e mais ainda pela sua revolucionária blockchain, quase todas estão ainda cautelosas frente a volatilidade das taxas de cambio, a insegurança dos atores desse mercado ainda imaturo, e a dificuldade de definir se a nova criptomoeda é uma revolução tecnológica ou um bolha financeira pronto de explodir a qualquer momento. A decisão do Belmont seguiu porem a convicção dos especialistas que acreditam não somente que o volume de negócios tratados com a nova moeda deve crescer muita rapidamente , mas ainda que ele tem o potencial de mudar os parâmetros do turismo, especialmente em tudo que se refere a intermediação e distribuição.

Winding tree, um project B2B baseado no blockchain

A curto prazo, a revolução trazida pelo bitcoin não é ligada em primeiro lugar ao seu impacto financeiro mas deve quase tudo ao blockchain, a tecnologia utilizada com seu acesso aberto, inviolável e transparente a todos os dados do seu histórico. Já mostrou suas primeiras aplicações práticas no turismo com melhoramentos dos programas de fidelidade, redução de custos de varias transações financeiras, ajuda no monitoramento das bagagens pelas companhias aéreas, controle dos fornecedores e até facilitação das filas de imigração, e a médio prazo essa tecnologia pode impactar todos os atores do transporte e do turismo. Makzim Ismaylov, fundador da Winding Tree, plataforma de viagens já usando o blockchain, pensa que o modo de trabalhar do setor vai ser radicalmente transformado, e outros especialistas chegam a anunciar mais um Big Bang no turismo.

O Bitcoin pode iniciar mais uma revolução na industria do turismo

As primeiras vítimas da revolução do bitcoin poderão ser os grandes distribuidores, especialmente na venda de hospedagens. Com preços transparentes acessíveis a todos, cortando os numerosos intermediários, acabando com os custos financeiros dos bancos ou dos cartões de credito, podendo gerenciar diretamente os programas de milhas, as plataformas de viagens combinando bitcoins e blockchain terão vantagens decisivas sobre os seus concorrentes, seja OTA, GDS ou brookers, se eles não se adaptam a essa nova tecnologia. Com a total transparência do valor agregado por cada ator, as agências de viagens deverão definitivamente abandonar a cultura de comissões para generalizar a cobrança dos seus serviços – uma pratica iniciada pela Wagons lits há mais de 30 anos, imposta há mais de 10 anos pelas companhias aéreas mas que ainda resiste nos cruzeiros e na hotelaria.

Lufthansa investe tanto no bitcoin e nas aplicações do blockchain

Tanto o bitcoin quanto o blockchain estão se espalhando na industria. Se a Expedia suspendeu o bitcoin das suas opções de pagamento depois de 4 anos de experiência, um crescente numero de sites de vendas on-line estão aceitando a moeda. É o caso de CheapAir.com, de Letsflycheaper.com e, em certos casos, de Virgin. Singapore Airlines está realizando testes em colaboração com KPMG e Microsoft, visando a transformar os seus créditos de milhas em criptomoeda. Lufhansa esta colocando os seus inventários diretamente a disposição de novos parceiros, e trabalha com a SAP sobre um “aviation blockchain challenge” em três direções: ideias para aprimorar a experiência dos seus viajantes, soluções especificas para incrementar a eficácia das operações, processos para melhorar a manutenção dos aviões e o controle dos fornecedores.

No Japão, mais de 260.000 lojas aceitam o bitcoin

Vários países estão também acreditando no bitcoin para estimular o seu turismo. Já é o caso do Japão, da Coreia, da Tailândia, de Malta, de Taiwan, do México, bem como do Havaí, e da Caribbean Tourism Organization. Eles acreditam nas imensas novas oportunidades geradas pelo bitcoin, e na forte atração que a cultura das criptomoedas gera hoje junto aos milênials. Aderir a essas tendencias ajudara a aproveitar esse novo Big Bang, e a atrair para o turismo parte  desse mercado blockchain que deve superar USD 2 trilhões até 2030.

No Japão, um projeto para reinventar Airbnb?

O projeto de casa coletiva de Yoshino

Imagem do projeto inovador da Airbnb em  Yoshino

No que parece ser uma grande virada estratégica, Airbnb, o gigante da economia colaborativa, está lançando o projeto “Samara”, a construção de um centro de hospedagem na pequena cidade de Yoshino,  a 500 quilômetros  de Tóquio mas somente 60 quilômetros  de Osaka. Esse primeiro alojamento, que esta programado para abrir em outubro desse ano, vai ser um espaço coletivo aonde os visitantes poderão se hospedar, um  ponto de encontro e de integração social onde os moradores poderão passear. Apoiado pela prefeitura que ofereceu o terreno, o projeto quer contribuir para o crescimento econômico,  ampliando a oferta turística dessa região conhecida pelas suas flores de cerejeiras e suas florestas de cedros, mas com pouca infraestrutura hoteleira, contribuindo para o desenvolvimento econômico.

O interior do Casa das Cedras do arquiteto

O interior da Casa dos Cedros, do arquiteto Go Hasegawa

Concebida em colaboração com o arquiteto japonês Go Hasegawa, a “Casa dos cedros” quer ir alem dos conceitos de hospedes, empregados, vizinhos ou proprietários. Ela foi desenhada em primeiro lugar para a vila de Yoshino e para os seus moradores, escolhendo para cada detalhe da sua estrutura as necessidades da comunidade e o respeito das suas tradições. Assim se explicam a grande mesa para o jantar comunitário,  as vigas e as tábuas de cedro vindo das florestas dos arredores, ou os peixes ornamentais trazidos dos rios do município.   Os hospedes poderão fazer as suas reservas para o Yoshino  Cedar House na Airbnb, mas deverão viver essa experiência com os moradores que assegurarão os serviços. As receitas serão também creditadas para a comunidade.

Os banheiros da Casa dos Cedros

Os banheiros no estilo tradicional

O projeto inovador da Airbnb foi muito bem recebido no Japão, um pais com falta de hotéis tradicionais para receber turistas nacionais e internacionais cada vez mais numerosos ( 28% de crescimento esse ano), e que tem agora o objetivo de de receber 40 milhões de turistas para 2020. Antes mesmo da inauguração dessa primeiro Casa, a Airbnb já anunciou que está estudando projetos parecidos em vários países do mundo, na Inglaterra, na Korea, na Espanha, na Itália e na França. Enquanto o crescimento da empresa parece hoje sofrer de reações negativas de residentes e autoridades de grandes cidades, esse projeto “Samara” abre novas perspectivas, criando um estoque de apartamentos proprios e ajudando a revigorar  pequenas comunidades rurais com um turismo respeitando o meio ambiente e as tradições culturais dos moradores. Bem sucedida, a experiência de Yoshino poderá também ajudar a Airbnb  a se reposicionar ou até a se reinventar.

Yoshino-Cedar-House-3-800x534

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Charlotte Herrero no jornal francês Le Figaro on line