Nos vinhedos de Mendoza, o céu do Aconcagua é o limite!

Sob o olhar do Aconcagua, a Sentinela de Pedra, os vinhedos de Mendoza

Se Napoleão I teve uma importância decisiva na historia do Brasil a provocar o exílio do Dom João VI para o Rio de Janeiro, o seu sobrinho Napoleão III teve um impacto indireto quase tão grande na historia da Argentina. Perseguindo os republicanos antes mesmo do seu golpe do 2 de dezembro 1852, ele provocou o exílio do agrônomo Michel Aimé Pouget que trazia nas suas bagagens um grande savoir faire e alguns pés de “Cot”, uma variedade de uva francesa tanina de casca negra e grossa, também conhecida como Malbec. Depois de uma rápida estadia no Chile, o francês escolheu Mendoza onde criou uma escola de agronomia, iniciando o sucesso da sua “uva francesa” que se espalhou em toda região e em até 80% dos vinhedos argentinos.

1884 de Mallman, uma típica mas criativa surpresa gastronômica de Mendoza

Seguindo as grandes tendências da vinicultura mundial, Mendoza virou as costas a partir dos anos 80 a produção intensiva de vinhos de baixa qualidade. Talvez lembrando do glorioso passado do Cahors (o mais famoso dos vinhos franceses feitos com Malbec),  atraiu investidores e wine makers internacionais, e decidiu apostar no enoturismo. Nos arredores da cidade, três micro regiões estão se destacando hoje, cada uma com seu terroir, suas paisagens, seus vinhos e suas ofertas especificas. Alem da própria cidade de Mendoza, onde se escondem boas surpresas gastronômicas, o viajante vai assim poder escolher -ou acumular- experiências em Maipú, Luján de Cuyo e Valle de Uco, as múltiplas opções e as distancias deixando impreterível a assistência de um especialista.

Degustação na adega Susana Balbo

Próximo dos bairros populares da periferia, Maipú foi a primeira região vinícola de Mendoza, é a sede dos mais antigas vinhedos, e foi o local onde o vinho argentino começou nos anos 80 a sua revolução da qualidade. Com uma impressionante arquitetura inspirada das pirámidas maias, a bodega de Cadena Zapata foi pioneira tanto nos vinhos pontuados pelo Parker que nas visitas de enoturismo. Alem de degustações tradicionais, é possível aproveitar o restaurante do seu omnipresente enólogo Alejandro Vigil para uns tastings combinando de três a cinco vinhos do grupo (inclusive o excelente Gran Enemigo Gualtallary) com pratos inspirados do culinário da região. É tambem em Maipú que Susana Balbo, grande figura do enoturismo argentina, tem sua famosa bodega.

A interessante e pedagogica adega de Terrazas de los Andes

Mais ao Sul, Luján de Cuyo atraiu marcas de prestigio, inclusivo o charmoso Cavas Relais Châteaux, opção privilegiada para ficar no meio dos vinhedos. Foi o terroir escolhido pelo grupo LVMH para seus empreendimentos Terrazas de los Andes e Cheval des Andes. Instalada nos antigos galpões de uma vinícola construída em 1898, completamente renovados em 1999, a bodega de Terrazas oferece uma visita com muito conteúdo, mostrando não somente o processo dos vinhos atuais, mas também as experiências realizadas. Um restaurante gastronômico oferece uma bem sucedida harmonização com pratos criativos. A  sede requintada do Cheval des Andes fica a pouca distancia, e ajuda a entender porque esse (grande) vinho, agora blend elegantíssimo de Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, mereceu a parceria da Cheval Blanc.

A impressionante entrada da bodega Monteviejo em Clos de los Siete

Nos pés da Cordilheira, o Valle de Uco foi o terroir escolhido em 1999 pelo famoso enólogo Michel Rolland para sediar o deslumbrante Clos de los Siete. Com mais seis amigos de Bordeaux, plantaram 850 hectares de Malbec, mas também de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Viognier, Chardonnay, Petit Verdot e Cabernet Franc. Alem do Clos de los Siete, quatro propriedades fazem seus próprios vinhos : a Bodega Rolland, a Monteviejo, a DiamAndes, e a Cuvelier de los Andes. As bodegas são ainda mais impressionantes que os vinhos, com um destaque para a DiamAndes. A imponência da sua arquitetura, a sua imensa terraza com vista para os Andes e os vinhedos, as suas obras de arte, o seu bar restaurante aconchegante, e sua adega que parece sair diretamente de um filme do George Lucas, tudo mostra ao viajante que ele está mesmo num novo mundo do vinho onde só o ceu do Aconcaguá é o limite.

Jean-Philippe Pérol

No Cavas Relais Châteaux, enoturismo combina também com tango

A adega futurista de Diamandes

Brindando com Renaud da Diamandes e Jorge da Wine Paths

A visita do autor em Mendoza foi organizada e acompanhada pelo Jorge Barceló, Director da Wines and Adventures of the Andes e especialista local da Wine Paths

Saint Emilion, história medieval, vinhedos tombados pela UNESCO e vinícolas de vanguarda

O campanário da igreja monolítica de Saint Emilion Credit OT Saint-Emilion_Steve Le Clech©

Desenhar um roteiro enoturístico nos arredores de Bordeaux é sem dúvidas uma tarefa muito pessoal, a escolha dependendo em primeiro lugar das preferências de cada um. Preferências entre as “appelations” – Entre deux mers, Medoc, Graves ou Rive droite-, preferências  entre as atividades a combinar com as degustações – cultura, shopping, praias ou simples passeios -, preferencias entre as visitas dos Châteaux ou a descoberta dos  vilarejos. Mas qual que seja o seu roteiro, ele não pode dispensar o encantadora cidade medieval de Saint Emilion. Cercada dos vinhedos epónimos, plantados principalmente de merlot (79%), cabernet franc (15%), e cabernet sauvignon, a cidade domina um planalto com sua arquitetura em pedras de cantaria.

Frente a Praça do Mercado, a Capela da Trinidade

Tombada pela UNESCO em 1999, Saint Emilion seduz o visitante com ruas estreitas subindo entre casas de pedras, mosteiros ou conventos centenários, lojas ou armazéns de vinhos. Depois de caminhar pela parte alta da cidade, vale a pena aproveitar a linda vista da Praça des Créneaux, e descer a rua do Tertre de la Tente, uma ladeira escorregante que leva até a Praça do Mercado. Lá fica a Capela da Trindade, com suas únicas pinturas da Idade Media, bem como a entrada da imperdível atração arquitetura da cidade: a igreja monolítica, com seu coro de onze metros de altura cavado no barranco, a maior igreja do género na Europa, construída a partir do século XI em cima do túmulo de um monge bretão chamado Emilion.

A simpatia dos restaurantes da Praça do Mercado

Se existem vários grandes restaurantes gastronômicos (inclusivo dois estrelados Michelin, o Relais & Châteaux Hostellerie de Plaisance e o Logis de la Cadène), e se algumas vinícolas dos arredores oferecem excelentes opções de almoços harmonizados com vista nos vinhedos ou nas adegas, os restaurantes da Praça são sempre minha escolha preferida. No ambiente descontraído das mesas espalhadas na calçada,  o meu predileto Le Bouchon apresenta não somente uns pratos simples da região – por exemplo um Foie Gras com frutas da estação-, mas um cardápio de vinhos excepcional, com preços interessantes dando oportunidades de provar tanto um Côtes de Castillon, um Roc de Cambes, um Tertre Roteboeuf ou um Cheval Blanc.

As adegas do Château Beauséjour

Além da cidade de Saint Emilion, a UNESCO também tombou os seus vinhedos, centenas de propriedades com nomes famosos no mundo inteiro ou ainda quase desconhecidos. Sendo recomendado de fazer reservas, e de ser aconselhado na escolha das adegas a visitar, é sempre mas fácil pedir a um especialista para organizar o seu roteiro.  Assim a Wine Paths , que escolheu duas vinícolas bem diferentes e extremamente interessantes pode ser o melhor caminho. A primeira é o Château Beauséjour Becot, um Premier Grand Cru Classé e uma propriedade onde o vinho já era produzido desde a época dos romanos. As impressionantes adegas cavadas na pedra calcaria oferecem perfeitas condições para  guardar as garrafas de vinho que os próprios donos estão elaborando.

A vinícola do Chateau La Dominique desenhada pelo Jean Nouvel

Para a segunda visita da tarde, o Chateau La Dominique é uma espetacular opção da Wine Paths. Considerada uma das mais belas propriedades de Saint Emilion desde o século XVIII, essa vinícola foi completamente renovada em 2013 quando os donos decidiram construir novos galpões combinando beleza, modernidade nos equipamentos e integração com a paisagem. O arquiteto Jean Nouvel venceu o desafio e conseguiu erguer frente aos vinhedos um prédio único, criativo, moderno, funcional, luminoso e além disso lindo, uma obra de arte considerada hoje uma das mais espetaculares adegas da região de Bordeaux. Um lugar ideal para degustar esse Grand Cru e fechar com chave de ouro um roteiro em Saint Emilion.

Um roteiro “História medieval e vinícolas modernas” consta nas ofertas da  Joelle,  especialista da Wine Paths em Saint Emilion, e pode ser reservado no site (com almoço numa vinícola, e visitas/degustações no Château Beauséjour Becot e no Château La Dominique).

Karisma hotéis e resorts, luxo e inovação no Mar do Caribe

No El Dorado Maroma, encontram-se os Palafitos, os primeiros bangalôs sobre as águas do Caribe

Impressionado pelo interesse dos turistas brasileiros para os destinos caribenhos, o grupo hoteleiro euro-colombiano Karisma decidiu investir no Brasil, escolhendo a agência boutique Cap Amazon para desenvolver um ambicioso plano de promoção. Com forte atuação na Riviera Maia, Colômbia, Jamaica e República Dominicana,  a Karisma gerencia uma coleção de hotéis e resorts de destaque, todos premiados com 4 ou 5 estrelas, com serviços claramente segmentados para clientelas específicas. As vinte propriedades únicas são  classificadas em sete marcas, cada uma com características próprias: El Dorado Spa & Resorts; Azul Beach Resorts; Karisma Villas; Generations Resorts; Allure Hotels; Hidden Beach Resort e Nickelodeon Hotels & Resorts.

Luxo e privacidade na praia do Azul Negril – Jamaica

Empresa jovem – o seu primeiro hotel foi incorporado em 2000-, a Karisma faz questão de ser uma rede pioneira com práticas inovadoras, várias delas iniciadas na Riviera Maia. Foi assim com o Gourmet Inclusive que redefiniu todo o conceito “all inclusive” com toque de luxo e qualidade gastronômica, serviço “a la carte” a altura dos seus 5 estrelas, foi assim com as swim-up suítes (cujos terraços abrigam piscinas privativas), ou com a ousada iniciativa do primeiro resort naturista localizado na Riviera Maia – o Hidden Beach.  Através de parcerias estratégicas, o grupo inovou também trazendo a experiência Nickelodeon para a marca Azul Beach Resort, com a presença dos icônicos personagens do canal infantil e com decoração temática.

No Sul da Riviera Maia, a magia única de Tulum

Em 2017, Karisma deu um passo a frente, com a abertura do primeiro e único hotel com bangalôs sobre as águas no Caribe, o  Palafitos, localizado na belíssima praia de Maroma, entre Cancún e Playa del Carmen, a uma hora do sitio mágico de Tulum. Interligados com o resort El Dorado Maroma, as trinta suites esbanjam luxo e inovações: area de 75 metros com terraço privativo, piscina exclusiva de borda infinita, jacuzzi, pisos de cristal, chuveiros externo “águas do amor” e mordomo 24 horas. Um restaurante “Haute Cuisine” oferece café da manha, almoço e jantar a la carte, mas quem fica no mínimo cinco noites pode também aproveitar um jantar degustação privativo servido pelo próprio chefe na intimidade do seu bangalô.

Frente a Fortaleza de Cartagena, a piscina do Allure Canela

Karisma pretende expandir a sua rede e abrir novas propriedades no México, nas ilhas do Caribe, na Europa, e na América do Sul. Alem de acreditar no Brasil – que oferece para os destinos vizinhos do Caribe da América do Sul um potencial único de novos viajantes-, a empresa quer também participar da expansão do turismo domestico no Brasil. Vendo nas belezas naturais dos  7.400 quilômetros de praias do litoral brasileiro imensas perspectivas de desenvolvimento, a Karisma está aberta a novos investimentos. Não seria então uma surpresa de ver uma das suas marcas inaugurar um resort no Brasil num futuro próximo.

A difícil mas bem sucedida combinação da gastronomia com o all inclusive

Hotel ou barco, qual opção para viver a Amazônia brasileira?

A vila flutuante da Jangada de Jules Verne

No seu famoso livro “La Jangada”, Jules Verne descrevia a maneira então mais luxuosa de viajar e de descobrir a Amazônia. Numa balsa de 300 metros de comprimentos e de 20 de largura, com uma casa grande, dois alojamentos para 80 empregados,  uma cabine de comando, vários armazéns e uma capela, o herói Joam Garal descia o Solimões, parava em São José da barra do Rio Negro (hoje Manaus) e seguia o Amazonas até chegar a Belém. Hospedado com o máximo de conforto permitido na época, dispondo de varias canoas para descer em terra, fez uma viagem extraordinária, parando onde queria para explorar a selva, mergulhar nos rios, visitar as cidades e entrar em contato com as comunidades ribeirinhas.

O Mirante do Gavião e sua arquitetura inspirada dos barcos regionais regionais

Sem essa opção, o viajante moderno tem que escolher entre navegar num barco ou se hospedar num hotel, escolher entre a cidade e a selva, entre a terra e a água. Numa região aonde o nível dos rios variam cada ano de 6 a 17 metros segundo as estações do ano, mudando completamente as paisagens e os hábitos de vida das populações, a época da viagem vai também ajudar na escolha. De setembro a fevereiro é época de praias, de abril a agosto, tempo de igapós. O nível das águas, e a necessária ligação com o rio, deixam poucas opções de hotéis com localizações capazes de seduzir o viajante o ano inteiro. É porem justamente o atrativo dos dois melhores estabelecimentos de luxo da Amazônia, ambos em Nova Airão, o Mirante do Gavião e o Anavilhanas lodge, ambos escondidos nas arvores mas olhando para o Rio Negro.

O Belle Amazon num dos roteiros da Turismo Consciente

Para viver as experiências da Amazônia, o barco oferece uma opção diferente ao viajante. Escolhido pelo seu conforto e sua segurança, com motor potente mas pouco calado, ele pode levar grupos pequenos nos cantos mais escondidos de uma região onde o respeito da natureza e dos moradores descarta o turismo de massa. O barco permite o acesso a lugares ou comunidades inacessíveis por terra, libera dos constrangimentos ligados as flutuações do nível das águas ou aos tempos de chuva. Mais ainda, ele é o lugar privilegiado para sentir a imensidade dos rios, suas praias, suas intimidades com a floresta, e aproveitar esse extraordinário sentimento de grandeza e de liberdade que eles só oferecem na Amazônia brasileira.

Com a Turismo Consciente, força dos momentos passados numa aldeia Mundurucu

Que seja o hotel ou o barco, a escolha do viajante experiente deve levar em consideração as três imprescindíveis características de um bom roteiro amazônico: permitir a descoberta dos rios e da mata, oferecer um máximo de conforto e se possível de luxo, integrar uns intercâmbios autênticos e sinceros com as comunidades. Caboclas, quilombolas ou indígenas, essas comunidades hospedem os melhores guias para entender e aproveitar esse tão peculiar mundo da Amazônia brasileira. O barco é assim indispensável, tanto para transporte que para hospedagem, mesmo quando parte da estada é feita nos hotéis (e restaurantes!) de Manaus, Alter do Chão e Belém, ou nos requintados hotéis de selva de Nova Airão, Autazes ou Barcelos.

Por-do-sol no Rio Tapajós

Para viver o mundo amazônico descrito com tanto pioneirismo pelo Jules Verne, tanto o hotel que o barco podem ser a chave de uma viagem extraordinária. Pela liberdade de ir e vir que ele oferece, pela sua capacidade de transformar tempos de transportes ou traslados em passeios, pelo simplicidade de ter uma hospedagem só durante todo um roteiro, pela praticidade dos acessos que ele permite o ano inteiro, pela corrente que ele favorece entre os participantes e até com os tripulantes, confesso minha preferência pelo barco, reforçada na minha última experiência na Turismo Consciente. Quatro dias a bordo do Belle Amazon durante os quais tomamos banho de rio, jogamos futebol com os índios Mundurucus, trançamos chapéus de palha numa comunidade, seguimos nove quilômetros de trilha, e fizemos um churrasco na praia tomando aulas de carimbó. De dar ciúme para o Joam Garal?

Jean Philippe Pérol

Turismo Consciente, a emoção de um encontro com uma artesã de Urucureá

Acessível com os barcos da Katerre, a cachoeira do Parque do Araçá

O luxo amazônico no Anavilhanas Lodge

A Córsega, destino destaque da Forbes para 2018!

As torres, testemunhas do passado genovês

Agora destacada pela atualidade politica – os lideres pro-autonomia ganharam as ultimas eleições-, a Córsega está crescendo como destino turístico internacional. Na sua edição do 11 de Fevereiro, o magazine Forbes selecionou a “Ilha da Beleza” como o lugar mais deslumbrante para visitar em 2018. A seleção da conceituada revista, com foco nas paisagens, na cultura e na gastronomia, tinha como outros finalistas a Sicília, o Vale do Douro, a cidade austríaca de Innsbruck e o cantão suíço de Vaud. O destaque dado para Córsega foi talvez aquele “ooh-la-la”de uma geografia exuberante e diversa, com mais de 1500 quilômetros de litoral pitoresco, praias de cartão postal, rios cintilantes, trilhas desafiadoras, florestas exuberantes e montanhas acidentadas.

Em Ajáccio, as Jornadas napoleónicas comemoram o Imperador

Para Forbes, a personalidade peculiar da Córsega tem suas raízes próprias, mas integrou a alegria de viver e o carisma a francesa, bem como a historia e  a cultura italiana, visíveis nas torres ou nas fortalezas genoveses , e nos antigos vilarejos agarrados nos morros. Destino único e cativante, a Ilha surpreende até pela sua bandeira, a cabeça de mouro com uma faixa na testa, símbolo herdado seja da luta contra os mouros invasores seja do domínio dos reis aragoneses. A gloria passada é encontrada também em Ajáccio, cidade natal do Napoleão, que seduz pela sua catedral, sua fortaleza e mais ainda pelos bares espalhados na Praça do Maréchal Foch.

As praias cercam a cidade de Porto Vecchio

Nos pontos altos do patrimônio cultural da Córsega, os jornalistas destacaram Bonifácio e suas falésias brancas, Porto Vecchio e seu colar de praias charmosas, Corte, a capital histórica, e sua fortaleza cercada de imponentes montanhas, Cargese orgulhosa do seu passado grego, e Bastia com a faixada artística da igreja de São João Batista. A atualidade da cultura local impressionou também esses visitantes, seja pelos numerosos eventos organizados pelas prefeituras, ou pela presencia da musica tradicional, cantos polifônicos masculinos que são ouvidos em concertos ou improvisados em festas de família, nas albergues e até nos bares frente as praias.

Patrimônio arquitetural e “maquis” ao longo das trilhas

O parques naturais da ilha foram também lembrados pela Forbes, pelo  deslumbrante Golfo de Porto, inscrito no património mundial pela UNESCO, ou pelas trilhas mágicas onde  os esportistas podem caminhar, andar de bicicleta, olhar os pássaros, ou simplesmente cheirar os perfumes da vegetação característica da região, o “maquis” – um ecosistema as vezes comparado a caatinga nordestina. É nesse mato que se encontram as castanhas portuguesas, que os moradores utilizam para fazer farinha, e os diferentes tipos de mel,  os escuros “miellats du maquis”, ou os perfumados méis de primavera.

Embutidos da Córsega

Ingredientes únicos somente encontrados na ilha, tradições gastronômicas específicas, encontros com as culinárias francesa e italiana, a cozinha da Córsega surpreendeu e agradou os jornalistas da Forbes, com guisado de javali, cordeiro assado, vitela com azeitonas, ou torta de farinha de castanha. Cada prato pode ser harmonizado com um dos vinhos locais, elaborados com uvas originais,  Niellucciu ou Sciaccarellu para os tintos,  Vermentinu para os brancos. Pouco conhecidos, os vinhos corsos são porem interessantes e calorosos, especialmente quando acompanhando os bem temperados embutidos da Corsega – presuntu, copa ou salsichão- , ou os inesquecível brocciu, queijo de leite de ovelha comprado nas feiras livres diretamente dos produtores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da Laura Menske na revista Forbes 

Os cantos polifônicos, orgulho da cultura corsa

Comprar vinhos na França, as sugestões 2018 de “De vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Nas mil opções de shopping atraente na França, os vinhos continuam de ser uma das mais vantajosas para os brasileiros que podem levar na volta até doze litros, dentro do limite dos USD 500 autorizados. Cada ano, temos a mesma pergunta: qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Sempre aconselhei de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas vinícolas, Se os preços não são muito diferenciados, a riqueza do encontro, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, já tive experiências inesquecíveis com Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, com Chateau La Coste na Provence, com Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, com Chateau de Pommard, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha.

Sala de degustação do Château Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a “Vinothèque” e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia, ou a extraordinária “Bordeauxthèque” das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin  oferece seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Tem uma excepcional adega de vinhos raros, e divide pessoalmente a sua paixão oferecendo degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Lionel aceitou de fazer com exclusividade para nos uma sugestão para uma cesta de vinhos combinando com as quotas da alfândega brasileira (comprando duas garrafas de cada vinho selecionado dará exatamente USD 500!).

A seleção 2018 de De Vinis Illustribus:

La Parde de HAUT-BAILLY 2009 : 51 $

O segundo vinho do Château Haut-Bailly, elaborado com 44% de cabernet sauvignon, 45% de merlot e 16% de cabernet franc. O 2009, ano excepcional em Bordeaux, é um vinho denso, com fortes sabores de frutas maduras, taninos suaves, e o defumado típico dos vinhos de Pessac-Léognan. Pode ser bebido já, mas pode também ser guardado alguns nos.

L’Enchentoir 2010 : 31 $

Com 100% de cabernet franc, esse vinho é um Saumur (Vale do Loire) bem estruturado que está chegando a seu ápice. Com um gosto poderoso e sabores de cogumelos, ele pode acompanhar pratos com especiarias ou carnes fortes. Pode também ser bebido agora ou guardado até 10 anos.

Savigny-les-Beaune “les Goudelettes”  2015 : 36 $

Um safra excepcional desse pinot noir guloso, suave e elegante, típico dos melhores Bourgogne. Feito para acompanhar carne branca ou aves. Pode ser bebido agora mas ainda tem um bom potencial de guarda.

Pouilly-Fuissé “Les Reisses” DENOGENT 2015 : 41 $

Elaborado com 100% de chardonnay, esse lindo Bourgogne branco é no mesmo tempo doce, redondo e rico. Pode ser servido como aperitivo ou para acompanhar um peixe grelhado ou um queijo tipo Comté.

Meursault “La Barre” MILLOT 2015 : 47 $

Um grande Meursault da Côte de Beaune na Borgonha, um chardonnay cujas vindimas são feitas a mão. Uma cor amarela quase dourada, um corpo firme e uma harmonia total, com sabores de manteiga fresca e notas de grelhados… Um Bourgogne perfeito e uma grande safra.

BANYULS  “Quintessence” 2013 : 41 $

Um vinho tinto adocicado, um verdadeiro vinho do Porto a francesa. Elaborado com Grenache noir, ele é um companheiro inseparável  dos queijos “azuis” tipo Roquefort ou Bleu d’Auvergne. Uma iguaria quando harmonizado com chocolates pretos.

Obrigado Lionel, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

5 dicas para aproveitar uma viagem numa região de vinhos

Degustação no Chateau Franc Mayne em Saint Emilion

De Bordeaux até a Toscana, ou do Vale do Douro até a Napa Valley, as regiões produtoras de vinho são cada vez mais procuradas para prazerosas experiências de viagem. Uma boa planificação é, porém, necessária para poder aproveitar ainda mais cada momento das férias. Segundo as operadoras especializadas, as regiões do mundo onde estão localizados os melhores vinhedos agradam a qualquer público e são geralmente extremamente pitorescas, sem precisar ser um enófilo experiente para aproveitar um roteiro de enoturismo. Conselheira em viagem “Food and Wine” na Alpine Travel of Saratoga, agência Virtuoso da Califórnia, Lynda Turley listou algumas dicas básicas para garantir o sucesso de uma viagem focada em vinhedos, vinícolas, adegas e vinhos.

A Napa Valley, região pioneira no enoturismo

Três é o limite

Para Lynda, mesmo os mais convictos conhecedores de vinhos não devem visitar mais de três vinícolas durante um dia. Se passar deste número e multiplicar as visitas, as lembranças vão se misturar e será difícil de se lembrar de cada um dos vinhos degustados.

Pensar em contratar um guia

Quase todas as regiões produtoras de vinho têm serviços de guias especializados que conhecem as vinícolas e têm laços de trabalho ou de amizade com os produtores. Alguns destes guias são também motoristas e poderão assim livrar o visitante do terrível dilema: beber ou dirigir. Mesmo que o custo possa parecer pesado – uma média de US$ 500 por dia -, é um excelente investimento, especialmente quando se trata de um pequeno grupo de amigos ou de colegas que podem dividir a despesa. Lynda lembra que os guias realçam a experiência dos viajantes, oferecendo uma visão local e contatos mais estreitos com os moradores. Eles podem ser reservados com antecedência com a agência de viagem ou no próprio destino com o concierge do hotel ou na vinícola.

Degustação na Vinícola Guaspari, em Espirito Santo do Pinhal

Regiões muito famosas, como a Toscana, a Provence ou Napa Valley podem ser invadidas pelos turistas. Se não for possível escolher uma época de baixa estação para viajar, é aconselhável agendar visitas em vinícolas menos conhecidas, onde os proprietários ou os enólogos terão mais disponibilidade para falar de seus vinhos e de seus segredos de fabricação. Uma outra opção interessante pode ser escolher regiões de vinhos menos conhecidas, como Santa Cruz Mountains, na Califórnia; Monticello, na Virgínia; Languedoc, na França;  ou Montevideu, no Uruguai.

Reservar antecipadamente

Muitas vinícolas famosas só aceitam visitas pré agendadas e as reservas devem ser feitas com algumas semanas de antecedência. Para evitar transtornos, e decepções, é importante reservar também um restaurante nas vizinhanças, em geral sempre lotado na alta estação.

Bodega do Borgo San Felice, Relais Châteaux na Toscana

Organizar outras atividades

Muitas destas regiões de vinhedos oferecem aos viajantes numerosas opções de lazer além do vinho, algumas são destinos turísticos perfeitos até para quem não bebe. Napa Valley tem uma rica oferta artística e muitas galerias de arte de alto nível. Alguns dos seus resorts, como o Meadowood Napa Valley, oferecem restaurantes estrelados, e spas com tratamentos à base de uvas. Em Bordeaux, a cidade brilha por sua arquitetura, sua vida cultural e sua gastronomia. Nos seus arredores o Sources de Caudalie tem o spa onde as sementes de uva são uma fonte de rejuvenescimento.  As colinas da Toscana ou da Borgonha atraem ciclistas, e muitas fazendas da Provence seduzem os turistas com degustações de azeites ou de queijos de cabra.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Shivani Vora no New York Times do 28 de Dezembro 2017

Rangiroa, do outro lado do mundo, enoturismo com golfinhos e baleias!

Entre a lagoa e o Oceano, os vinhedos de Rangiroa

Para quem gosta de vinhos diferentes, o “Special Blend” da Bodega del fin del Mundo é sem dúvida uma excelente opção. Nos confins da Patagônia Argentina, em San Patricio del Chanar, alguns pioneiros conseguiram colher uvas dos melhores vinhedos da região – Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot – e compor o vinho único, aromático, tânico e sensual, que seduz não somente pela sua potência, mas também pela sua origem tão peculiar. Mas, pelo menos pela geografia, esse vinho da Patagônia tem agora um concorrente muito sério para o título de vinho proveniente da última adega do fim do mundo. Na ilha de Rangiroa, no arquipélago das Tuamutus, na Polinésia Francesa, um destemido empreendedor, Dominique Auroy, e um enólogo vindo da Alsácia, Sebastien  Thepenier, estão produzindo três brancos e um rosé, única vinícola num raio de 5 a 10 mil quilômetros nesses confins do mundo do Pacífico Sul.

Os quatro rótulos produzidos em Rangiroa

Depois de experimentar dezenas de uvas em várias ilhas da Polinésia, Dominique Auroy ficou convencido de que o terroir de coral de Rangiroa era o melhor lugar para implantação dos vinhedos, selecionando três variedades para compor o seu “Vin de Tahiti”: Carignan, Grenache e  Muscat. O clima regular e com pouca chuva oferece também a possibilidade de duas safras por ano. O sucesso foi rápido, e a produção subiu para 38.000 garrafas. Depois de descartar os tintos que não chegavam à qualidade requerida, quatro rótulos se destacaram: o “Blanc de Corail”, muito mineral mas com sabores de agrumas, e o “Clos du Récif” , com notas de baunilha, sendo os dois premiados em 2008 e 2009 com a medalha de prata das Vinalies Internationales. O rosé “Nacarat” tem sabores de frutas vermelhas, e o branco doce é um perfeito companheiro para um aperitivo ou um prato tahitiano de frutos do mar.

Le mur de requins de Rangiroa @GIE Tahiti tourisme/Philippe Bacchet

 Mas se Rangiroa pode ser colocada agora nos roteiros do enoturismo internacional, a fama da ilha vem em primeiro lugar pelos seus extraordinários spots de mergulho. Para principiantes ou profissionais, a lagoa oferece emoções múltiplas com muitos tipos de peixes, tubarões, barracudas, golfinhos, tartarugas, desde o spot tranquilo do “Aquarium” para um snorking em família, até a “parede de tubarões” que encontra-se a uns 50 metros de profundidade, perto da famosa passe de Tiputa. É nessa passe, bem como na segunda passe do atol – Avatoru -, que são organizadas as principais saídas dos seis clubes de mergulho. Qual que seja a excursão escolhida, e a hora do dia ou da tarde, a caçada dos tubarões (ponta negra, cinza, martelo, seboso ou limão) é sempre o momento mais espetacular, quando eles espalham as “perches pagaies”, os  “chinchars”, as  “caranges”, ou os “napoleões”.

Golfinho pulando na passe Tiputa

Além do enoturismo e do mergulho, Rangiroa, segundo maior atol de coral do mundo com mais de 250 quilômetros de circunferência, vale também pelas suas belezas naturais. A lagoa azul – uma pequena lagoa dentro da lagoa principal – ou as areias cor-de-rosa, são os passeios mais procurados pelos numerosos casais em lua-de-mel. E, para quem quiser mesmo descansar, que tal tomar um copo de “Blanc de Corail” nas famosas cadeiras laranja da Pousada “Le Relais de Josephine”, esperando uma baleia ou olhando para os golfinhos que brincam de entrar e sair pela passe de Tiputa.

Manuia!*

Jean-Philippe Pérol

*Saude em tahitiano

No Relais de Josephine, o lugar certo para esperar baleias e golfinhos

Comprar vinhos na França, umas sugestões para 2017…

De Vinis Illustribus, 48, rue de la Montagne Sainte Geneviève

Se tem mil opções de shopping atraente na França, os vinhos são com certeza uma das mais vantajosas para os brasileiros que podem levar de volta até doze litros, dentro do limite dos USD 500 autorizados. Mas qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Claro que o mais divertido é de se informar e de comprar no próprio vinhedo.Sonhar em Saulieu ...Muitos Châteaux de Bordeaux, a maioria dos produtores da Borgonha, as grandes Maisons da Champagne e muitas pequenas propriedades de todas as regiões recebem os visitantes para degustações e vendas de vinho. É uma escolha gratificante, não somente pela compra, mas também pelo contato com o produtor, as explicações do processo de fabricação específico a cada “terroir” e as visitas das  adegas. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, alguns vinhedos oferecem uma experiência inesquecível. PETIT HAUT LAFITTESmith Haut Lafitte e Lynch Bages em Bordeaux, Chateau La Coste na Provence, Ruinart e Moët et Chandon na Champagne, o Chateau de Pommard ou  Drouhin Laroze na Borgonha são alguns desses lugares excepcionais. Se os preços não são muito diferenciados, a descoberta de “deuxième” ou “troisième” vinho  sempre justifica a visita (por exemplo o Petit Haut Lafitte, o Hauts de Lagrange ou o La Goulée).

A sessão de vinhos de um hipermercado Leclerc

Lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim , em Paris , recomende-se a Lavinia, ou, em Bordeaux, a Vinothèque e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. As ruas de Saint Émilion escondem varias pequenas lojas onde tem vinhos pouco conhecidos, e ótimos negócios para fazer. Na França inteira, as lojas Nicolas, os supermercados Monoprix tem sempre ofertas interessantes.  As promoções mais surpreendentes são porem encontradas durante as “Foire aux vins” , uma tradição dos armazéns Leclerc desde 1973. Assim em 2016 foi possível aproveitar um Saint-émilion grand cru Château Boutisse 2014 a EUR 15,95, um Graves Château de Chantegrive 2012  a EUR 12,50, um Bourgogne Santenay premier cru Muzard Les Cabottes Vieilles vignes 2014 a EUR 19,50, e mesmo um Saumur-Champigny Domaine Filliatreau Les Ecois 2015 a EUR 6,95 ou um Saint-Chinian-Roquebrune Col de l’Estrade 2014 a EUR 5,75!

A charmosa e excepcional adega de De vinis illustribus

Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin começou sua atividade oferecendo “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Continuou ampliando a oferta para vinhos raros, e acabou decidindo de dividir a sua paixão pelo vinho oferecendo degustações para grupos ou individuais. Com um serviço muito personalizado, ele tenta também oferecer para cada cliente uns vinhos combinando com seus gostos, sua carteira, e sua personalidade. Esse ano, ele aceitou mais uma vez de fazer uma sugestão da melhor cesta de vinhos combinando com as quotas da alfândega brasileira (comprando duas garrafas de cada vinho selecionado dará exatamente USD 500!).

A seleção 2017 de DE VINIS ILLUSTRIBUS:

 Château Jean FAURE 2009 : USD 48 Um Grand Cru Classé, localizado perto do prestigiosos CHEVAL BLANC . Um Saint-Emilion  2009, rico e profundo, que pode ser bebido logo, mesmo se é melhor esperar.De_Vinis_Illustribus-Lionel_Michelin_commenting_a_wine_tasting

Domaine TEMPIER 2012 : USD 33 Contando com três uvas, 75% de Mourvèdre, 15% de Grenache e 10% de Cinsault, esse Bandol é frutado e generoso, ideal para carne ou pratos temperados.

 Domaine LA BARROCHE 2013 : USD 48 Um grande Châteauneuf-du-Pape, cheio de frutas maduras com notas de cacau, para beber com comidas fortes.

 Château LES ORMES DE PEZ 2002 : USD 48  Do mesmo dono que o LYNCH BAGES, esse Saint-Estephe é um grande clássico do vinhedo de Bordeaux, com sabores de moka, de tabaco, e de torrado, redondo e com lindos taninos.

 Meursault “Les Petits Charrons” 2014 : USD 43  um Bourgogne branco, um chardonnay excepcional com vindimas feitas a mão. De cor dourada, com sabores de torrado, de manteiga fresca, e toques de cítricos no final.

 Marsannay “Les Longeroies” 2014 : USD 30 um raro vinho branco da Côte de Nuits, um Marsannay 100% chardonnay elaborado par um jovem produtor muito talentoso. De cor clara e brilhosa, sabores minerais e  aromas de flores brancas. A saborear com peixes, com aves ou com queijos de massa dura.

Então Boas compras e “à  votre santé”!

Jean-Philippe Pérol

 Esse artigo foi publicado pela primeiro vez nesse Blog no dia 26 de Julho de 2014, e foi atualizado em 2015 e agora em 2017  para levar em consideração novas propostas do Lionel Michelin.

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Os vinhos raros do Lionel Michelin

No Museu do Exército, a herança parisiense da guerra de 1870 e da “Commune”

 

“Année terrible”, assim que a chamava o Victor Hugo, 1870 foi na França o ano da primeira grande e humilhante derrota frente a Alemanha,  seguida  do inicio da atroz guerra cicil que arrasou Paris na primavera 1871. Pouco conhecidos dos próprios parisienses, e menos ainda dos visitantes, a Guerra de 70 e a “Commune de Paris” são as temáticas de uma exposição no Museu do Exército, nos Invalides. Até o dia 31 de julho essa exposição vai apresentar fotografias e peças referentes a esses conflitos, dando os quadros históricos e os pontos de vista dos dois países: para a Alemanha o longo processo de unificação de 1813 até a proclamação final de 1871 na Galeria dos Espelhos em Versalhes, para a França o ciclo das revoluções  patrióticas e sociais, da tomada da Bastilha em 1789 até o triunfo da Republica em 1879.

No bairro de La Défense, a estátua comemorativa da batalha

A exposição lembra os numerosos lugares de Paris e da sua região cuja historia é ligada com os dramas de 1870. As vezes chamado hoje de Manhattan parisiense, o bairro de la Défense deve seu nome a defesa heróica dos seus habitantes contra as tropas alemães, e a uma estátua comemorativa que foi erguida em 1880. Retirada em 1965 durante a construção do novo bairro de negócios, ele faz hoje parte do conjunto da Fonte de Agam, na Esplanada da Defense. Do outro lado de Paris, a resistência aos invasores é também lembrada na Praça Denfert Rochereau com a replica do Leão de Belfort, estátua gigante do Auguste Bartholdi (o escultor da estátua da Liberdade), que comemora o invicto defensor da cidade da Alsácia.

O Palacio dos Tuileries, destruido durante a Commune

A guerra civil, a semana sangrenta e os massacres dos revolucionários são também lembrados em vários cantos da capital. Andando nos jardins dos “Tuileries”, os visitantes podem imaginar o Palácio que ligava as duas asas do Louvre, que foi incendiado pelos parisienses e que o vitorioso “governo de Versalhes” propositalmente não quis reconstruir para que sejam lembradas as violências dos combates. Outros incêndios serão lembrados passando pela Prefeitura ou o Palácio de Justiça, outros massacres no Pantheon. E andando pelo cemitério do Pere Lachaise, onde muitos brasileiros visitam o túmulo do Allan Kardec, o visitante pode parar no famoso “Mur des fédérés” onde foram executados os últimos 147 revoltosos.

O Sacré Coeur de Montmartre, memória discutida mas popular de 1870/1871

A exposição não podia esquecer o Sacré Coeur de Montmartre, cuja construção foi decidida em 1871 como uma promessa do comerciante Alexandre Legentil, que queria que a França pedisse perdão dos pecados dos republicanos responsáveis, segundo ele, da derrota e da guerra civil. Com o apoio da igreja e da maioria ultra conservadora de Congresso, foi decidida a construção de uma basílica no mesmo lugar onde tinha começada a revolução parisiense, na época uma praça repleta de barracas de feirantes, e de bares populares. O Sacré Coeur de Montmartre foi logo um sucesso popular. Dez milhões de fieis fizeram doações para sua construção, e hoje a basílica é o segundo monumento religioso mais visitado da França com 11 milhões de entradas.

A barricada da Place Vendôme, foto do acervo doado pelo Dom Pedro II

Outros lugares de Paris ainda lembram essa época, inclusive a Place Vendôme então cercada de barricadas e onde a famosa coluna foi derrubada pelos revolucionários. Mas mesmo polêmico, gerando brigas entre liberais e patriotas ou entre socialistas e conservadores, mesmo se esse ano a Prefeita de Paris ainda recebeu um pedido de demolição da basílica, o Sacré Coeur ficou como a mais visível e a mais famosa memória dessas duas grandes feridas francesas que foram a Guerra de 1870 e a Commune de Paris. E, para o consenso, é possível caminhar pela Rua do 4-Septembre, que lembra a proclamação da República, essa herança de todos.

Jean-Philippe Pérol

A paz e a harmonia dos Jardins dos Tuileries