Longe das multidões, as tendências pós crise abram oportunidades para destinos mais exclusivos

 

Há 675 anos, o castelo de la Treyne domina o vale do rio Dordogne

Nas novas tendências que se destacam nas viagens pós Covid 19, uma das mais fortes parece ser a fobia do “overturismo”, a procura de destinos turísticos fugindo as grandes multidões, a preferência anunciada por hospedagens, restaurantes, ou eventos de menores tamanhos, mas com sérias garantias de saúde ou segurança. A primeira vista parece ser um paradoxo, os grandes destinos tradicionais, Estados Unidos, Italia ou França serem ,talvez, os grandes favorecidos por essa revolução. A França por exemplo têm alguns lugares sofrendo de overturismo, mas 80% do seu território recebem somente 20% dos turistas enquanto essas mesmas regiões escondem lugares excepcionais pelas suas riquezas naturais, culturais ou humanas.

Stéphanie Gombert em La Treyne com Jean-Philippe Pérol e Caroline Putnoki

Assim o vale do rio Dordogne, terra de castelos que se estendea da Auvergne até  Bordeaux, onde o turista pode se emocionar com as pinturas pré-históricas da gruta de Lascaux, sentir a espiritualidade de Rocamadour ou das capelas dos caminhos de Santiago, descobrir os vinhedos de Cahors e o Malbec original, ou confirmar se o “foie gras” e as trufas do Perigord são as melhores da França. Os hotéis da região são sempre pequenas unidades, aproveitando antigas fazendas ou castelos onde a imponência da arquitetura foi combinada com o conforto moderno. No mais prestigioso estabelecimento do vale, o Château de la Treyne, a proprietária Stéphanie Gombert aceitou de explicar como a crise está transformando o turismo na região.

O parque, um dos cenários do almoço pique nique chique

Jean-Philippe Pérol: Você vai reabrir em julho o Château de la Treyne. Como vai ser essa reabertura pós covid 19 e quais vão ser as mudanças no atendimento e nos serviços?

Stéphanie Gombert: O nosso atendimento será ainda mais caloroso e tivemos que ser criativos. As normas sanitárias obrigam todos os funcionários a usar luvas e mascaras, e a ter menos proximidade. Assim quando um hospede será acompanhado até o seu quarto, teremos que ficar do lado de fora. No restaurante, as regras obrigam a muitas mudanças. Reduzimos de 50% o número de mesas para respeitar uma distança minima de um metro e meia, cancelamos os cardápios e colocamos tudo em QR code para evitar contatos desnecessários. Para o almoço, inventamos de propor um pique nique chique, com dez mesas espalhadas nos 120 hectares da propriedade, uma no terraço, uma em baixo do tricentenário cedro-do-Libano do parque, uma na pequena praia de frente para o rio Dordogne. O almoço será colocado na mesa de uma vez para reduzir os contatos. Para os cafés da manhã, Yvonne, nossa responsável, nunca gostou de bufês e sempre servimos nas mesas.Agora que virou obrigatório, vimos que fomos pioneiros.

O restaurante redesenhado para respeitar as novas normas sanitárias

JPP: A volta a normalidade deve ser demorada, e vai começar com os clientes de proximidades. Quando espera rever as clientelas distantes, incluindo os brasileiros, e que ações podem acelerar essa volta?

SG: Temos sorte porque o mercado francês representa 50% dos nossos visitantes, e vamos logo contar com eles. Os brasileiros são uns dos nossos melhores clientes vindo de longe, que gostam da nossa natureza, das belezas da nossa arquitetura, das nossas paisagens e mais ainda da cozinha francesa. Queremos que eles voltem o mais rapidamente possível, mas sabemos que isso vai depender da retomada e das condições dos voos transatlânticos. Os voos devem ficar mais caros, com mais normas sanitárias, e as contrapartidas das ajudas governamentais devem ser mais investimentos na sustentabilidade – e mais aumentos dos preços das passagens.  É provável que não vamos ter brasileiros esse ano, mas contamos com eles para 2021, se o transporte aéreo ajudar.

Todos diferentes, os quartos homenageam a história do castelo

JPP: Em uma pesquisa recente, os agentes de viagens brasileiros definiram com uma forte tendência o recuso do overturismo e a procura de destinos seguros mas longe das multidões. Você acha que o Château de la Treyne está pronto para aproveitar essa oportunidade?

SG: Nosso castelo pertence desde 1992 a uma maravilhosa associação, Relais & Châteaux, que tem 580 membros no mundo inteiro. A grande maioria desses hotéis e restaurantes estão localizados no campo, cercados pela natureza e com capacidade média de 30 quartos. Com uma localização exclusiva, La Treyne tem 17 suites, bem longe do turismo de massa. Nossos clientes estão procurando beleza, sinceridade, “savoir-vivre”, autenticidade até na originem dos produtos que oferecemos. Há anos começamos a trabalhar com pequenos produtores da região que abastecem o hotel em frutas e verduras, seguindo o ritmo das estações.

Em Rocamadour, as emoções da Fé

JPP: A mesma pesquisa mostra que as viagens serão ainda mais valorizados depois da crise, e que os viajantes vão querer mais experiências “transformacionais”. Quais são as dicas de atividades marcantes que você pode aconselhar a seus visitantes brasileiros?

SG: O Château de La Treyne fica em cima de um barranco caindo no rio Dordogne, uma biosfera excepcional tombada pela UNESCO, onde muitas atividades esportivas e náuticas podem ser praticadas. A natureza oferece outras emoções excepcionais nas grutas como Padirac, ou nas reproduções de arte rupestre de Lascaux 4.  A região esbanja uma cultura e uma arquitetura peculiar em cidades pequenas como Sarlat ou Les Eyzies. A espiritualidade se encontra em inúmeros trechos dos caminhos de Santiago que podem ser percorridos nos arredores, e mais ainda no extraordinário santuário de Rocamadour que foi na Idade Media o mais importante da França e que hoje ainda mexe com a fé do viajante.

Jean-Philippe Pérol

Stéphanie Gombert e seu marido Philippe são proprietários do Château de la Treyne. Alemã radicada na França, encontrou seu futuro marido quando preparava um master de história e literatura na Universidade de Paris Sorbonne. Depois de uma experiência de quinze anos no setor de eventos, é desde 2003 diretora do Hotel e Restaurante  Château de la Treyne (www.chateaudelatreyne.com) e duas residências exclusivas  (www.chateaudubastit.fr & www.chartreusedecales.com.).  

SAINT MARTIN, DICAS E EXPERIÊNCIAS

Além de lua de mel ou de surfe, Tahiti para famílias?

Lua de mel em Bora Bora Foto @marcgerard

Quem sonha em lua de mel coloca Tahiti e suas ilhas, com certeza, como um dos destinos mais procurados do mundo. A beleza das paisagens de  Bora Bora ou Moorea, os tons de azul e a pureza das suas águas, a onipresença dos seus colares ou das suas coroas de flores, e o atendimento sempre carinhoso dos seus moradores criaram a imagem de romantismo desde a chegada dos primeiros europeus  que pensavam ter reencontrado uma nova Citera, a ilha de Vênus. E desde os anos 1960, quando a construção do aeroporto de Papeete abriu a região para o turismo internacional, a maioria dos visitantes que chega na Polinésia francesa são jovens que acabaram de se casar, ou menos jovens de todas as idades, nacionalidades ou comunidades que querem renovar seus votos de amor, combinando uma ocasião especial com um lugar único.

Desafio dos JO 2024, Teahupoo atrai surfistas do mundo inteiro

Nos últimos anos, o Tahiti seduziu porem outros viajantes. Foram com toda lógica aventureiros ou esportistas, mergulhadores procurando as emoções do recifes de corais de Rangiroa ou surfistas atrás das impressionantes ondas de Teahupoo (aquelas que já foram selecionadas para as provas de surfe dos Jogos Olímpicos de Paris 2024). Mais recentemente, apareceram visitantes até então inesperados, famílias com crianças  vindas não somente da França mas também da Europa, da América do norte, da Ásia e até do Brasil. Pertencendo a uma geração acostumado a viajar desde a adolescência, esses novos pais querem continuar a viajar mesmo com filhos pequenos, e escolheram o Tahiti pela tranquilidade, pelas atividades existantes, pelas facilidades de alojamento e ,mais ainda, pela atenção dada às crianças na cultura local.

Não tem idade para começar o caiaque

As crianças de todas as idades amam as areias cor-de-rosa de Tikehau e Rangiroa, brancas de Moorea e Bora Bora, ou até as pretas da ilha de Tahiti, as praias sempre tranquilas sem nenhuma preocupação de overturismo. As águas quentes e muito seguras são uma alegria para eles e uma tranquilidade para os pais. Muitas atividades náuticas podem ser feitas com crianças mesmo pequenas, seja observar baleias (em Tahiti, Rurutu ou Moorea) ou golfinhos (em Tahiti ou Rangiroa), alimentar arraias (em Bora Bora ou Moorea), seja simplesmente  nadar vendo os peixes coloridos em cima dos aquários naturais das lagoas cercadas de arrecifes de corais (Rangiroa, Bora Bora).  Essas atividades bem como todos os passeios de barco respeitam as rígidas normas francesas  de segurança, tendo sempre equipamentos adaptados aos turistas mirins.

Os quartos do Manava têm espaços para todos

Hospedagens e restaurantes deixam as famílias muito à vontade.  Com quartos geralmente espaçosos (não somente nos estabelecimentos de alto luxo, mas também em locais mais em conta como os hotéis Manava do Tahiti ou de Moorea, o Kia Ora de Rangiroa ou o Pearl de Tikehau), os hotéis são bem adaptados – sendo melhor pegar bangalôs na praia que sobre palafitas se as crianças foram muito pequenas. A grande oferta de AirBnb (mais de 300 opções) e as numerosas pensões de família são também opções interessantes se forem bem pesquisadas com um profissional antes de fazer a escolha. E se os pais podem confiar nos serviços de babysitters e aproveitar um jantar romântico a dois, as crianças amarão um piquenique em família num “motu” (por exemplo o Coco Beach de Moorea) ou uma refeição descontraída no ambiente popular das famosas “roulottes”.

Na lagoa de Rangiroa, a caminhada de mãe e filha

A tranquilidade das ilhas e a atenção dada às crianças na cultura local são os mais fortes argumentos para escolher o Tahiti e as suas ilhas como destino de uma viagem em família. Nos hotéis, nos restaurantes ou nas lojas, o pessoal sempre responde com gentileza e eficiência aos pedidos ou as exigências dos pequenos turistas. Os próprios taitianos, grandes consumidores de turismo local, em geral em família, aceitam com muita espontaneidade de enturmá-los seja para correr na areia, pular na piscina, brincar de pega pega perto das “roulottes” ou dividir os brinquedos. E a atenção dada as crianças vira também uma oportunidade  para um papo descontraído com os pais,  uma ocasião de descobrir que o Brasil, nessa região do mundo, continua com um extraordinário capital de simpatia dos moradores de todas as idades.

Jean Philippe Pérol

As areias brancas de Tikehau

 

No Kia Ora, pai e filha experimentando a moda tahitiana

Comprar vinhos na França, e as sugestões 2019 de “De Vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Se vinhos de grandes qualidades podem ser encontrados mais perto, em Mendonça, no Vale de Colchagua, ou até nos arredores de São Paulo, os vinhos continuam sendo para os brasileiros uma das mais vantajosas opções de shopping na França. Podendo trazer de uma viagem internacional até doze litros, dentro do limite dos US$ 500 autorizados, volta cada ano a mesma pergunta: quais vinhos escolher, eonde comprá-los? O melhor conselho é de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas próprias vinícolas. Se os preços não são muito diferenciados, a beleza dos locais, a riqueza dos encontros, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, Château La Coste na Provence, Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha oferecem assim experiências inesquecíveis.

Sala de degustação do Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a Vinothèque e a espetacular L’intendant que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia ou a Bordeauxthèque das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “De Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin e sua esposa Dominique oferecem seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Lionel tem uma excepcional adega de vinhos raros e divide sua paixão oferecendo pessoalmente, com sua esposa Dominique, degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Degustação no De Vinis Illustribus

Pelo quarto ano consecutivo,  Lionel aceitou mandar as suas sugestões, uma seleção de seis vezes duas garrafas  cabendo nos US$ 500 autorizados pela Receita Federal. A seleção 2019 de DE VINIS ILLUSTRIBUS é a seguinte:

Champagne rosé GEOFFROY  : US$ 47

Um rosé elaborado com 100% de pinot noir Premier Cru. Com uma linda cor framboeza e bolinhas finas, redondo e suavo, esse champagne repleto de aromos de frutas é perfeito para um aperitivo festivo.

Meursault rouge “Les Criots” MILLOT  : US$ 37

Um raridade, esse vinho tinto representa somente 1% da apelação Meursault onde o domínio dos vinhos brancos é absoluto. Fácil de beber, impressionante de frutas vermelhas, este vinho elegante e suave é típico do pinot noir da Borgonha: fruta, fruta e ainda fruta. É perfeito para uma harmonização com vitela ou aves.  

Lionel escolheu dois Meursault na sua seleção 2019

Château MAUCAILLOU  2005 : US$ 51

Na margem esquerda de Bordeaux, tocando o terroir de Margaux, Moulis produz vinhos poderosos, densos, com bom potencial de guarda. O château MAUCAILLOU combina 58% de cabernet sauvignon, 35% de merlot e 7% de petit Verdot. Sua safra 2005, que recebeu 90/100 da revista Wine Spectator é um sucesso absoluto. Um nariz complexo abre com aromas de framboesa, cassis e cerejas. Na boca, esse vinho é amplo, com taninos macios. Um grand Bordeaux.

“Quadratur” COUME DEL MAS  2016 : US$ 37

Proveniente dos terroirs de xistos da região de Roussillon, esse vinho potente e concentrado combina uvas grenache e mourvèdre. Sua profundidade e seus taninos  permitem evoluções com a guarda, mas este Quadratur já oferece muito prazer quando harmonizado com cordeiro ou pratos com especiarias.

Meursault “Les Petits Charrons” MILLOT 2017 : US$ 42

Um grande Meursault  Côtes de Beaune, com vindimas feitas a mão que valorizam a quintessência do chardonnay. Com visual amarelo pálido, nariz rico e promissor, este vinho desenvolve aromas de flores brancas, de pêssegos e de amêndoas. O melhor da Borgonha numa grande safra.

INOPIA 2015 : US$ 28

Uma raridade vindo do Sul da França mas elaborado por  Lucien LE MOINE, um famoso viticultor vindo da Borgonha, com uvas grenache e syrah. Esse Côtes du Rhône tinto tem sabores de frutas vermelhas, de azeite e de mato da Provence. de fruits noirs, d’olive et de garrigue. Rico porém bem balanceado, é o companheiro ideal de pratos com especiarias.

Obrigado Lionel pelas suas sugestões 2019, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

Globalia/Air Europa, líder consolidado na Espanha, e challenger ambicioso na América latina

Juan José Hidalgo, fundador da Globalia, e seu filho Javier, CEO do grupo

Air Europa opera exclusivamente com Dreamliners

Para sustentar esse crescimento de 8,5% da sua oferta 2019 a partir do seu hub de Madri, a Air Europa está ampliando sua frota. Já contando com  oito Boeing 787-8 Dreamliners e quatorze Boeing 787-9 Dreamliners, a companhia está esperando mais dezessete outros Dreamliners serão entregues daqui para 2022. Agora membro de Sky Team ao lado da Air France e da Delta, Air Europa tem grandes perspectivas na Europa e na América Latina. No Brasil, incentivada pelo novo governo, e possibilitada pela nova legislação, a abertura de uma filial brasileira vai permitir a oferta de voos domésticos. Essa atuação no mercado interno deve, na expectativa da ANAC, deve levar a Air Europa a dobrar de 18 para 36 seu número de voos entre Europa e Brasil.

Uma das 837 agencias da Halcón Viajes

Mas as ambições do grupo Globalia na América latina não param na aviação. Durante a sua última viagem em Panamá para abertura das rotas de Panamá City e Medellin, Javier Hidalgo, herdeiro e CEO, anunciou que o objetivo do grupo na América latina era não somente de abrir novas rotas para Air Europa, mas de abrir, em cada um desses destinos, hotéis da sua subsidiária  Be Live. Será assim mais fácil de combinar os pacotes que serão vendidos pela Travelplan, operadora fundada em 1988 pelo pioneiro e proprietário Juan José Hidalgo, pelas 837 agencias de viagens da Viajes Ecuador e da Halcón Viajes, ou pela agencia de vendas on-line Tubillette.com, as subsidiárias do hoje primeiro grupo turístico espanhol.

O Be Live Tuxpan em Varadero

Com a mesma lógica que inspirou outros grandes grupos, a Globalia quer acelerar o crescimento da sua filial hoteleira Be Live. A Be Live hotels possui, gerencia ou aluga 32 hotéis de 4 ou 5 estrelas, na Espanha, no Portugal, no Marrocos e na América latina. Já com sete propriedades em Cuba, seis na República Dominicana e uma no México, o grupo está negociando um hotel no Panamá, um destino que a Globalia julga ter um potencial excepcional de crescimento, comparável à Cancun ou Ponta Cana. Confirmando a confiança do grupo na América latina e no Brasil, outras aberturas estão previstas nos próximos anos em Iguaçu, Lima, Buenos Aires, Montevideo, Assunção, Fortaleza, Recife e São Paulo.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

No Vale de Colchagua chileno, liderança e diversidade do enoturismo

No Vale de Colchagua, paisagens que parecem ajudar os vinhos a se realizar

Já consagrado como produtor de alguns dos melhores vinhos do mundo, exportando a quase totalidade da produção dos seus 150.000 hectares de vinhedos espalhados em mais de 1000 quilômetros, o Chile está também virando nos últimos dez anos um dos maiores destinos do enoturismo internacional. Mas o número de vinícolas interessantes e acolhedoras, bem como as distancias, obrigam o viajante a escolher, da costa pacífica até os Andes e do Atacama até as terras austrais, quais vales e vinícolas ele deve visitar. Perto de Santiago, as opções são múltiplas e diversas, e as escolhas as vezes guiadas pelos encontros. Foi assim que, pelas premiações do Clos Apalta, a personalidade marcante do dono da Santa Cruz, as dicas recolhidas durante Invino e as sugestões personalizadíssimas  da especialista Carul Brugnara, esse roteiro se orientou para o Vale de Colchagua.

Frente ao Hotel Santa Cruz, a pitoresca Praça de Armas

Se varias propriedades da região oferecem excelentes opções de hospedagem – inclusive B&B de luxo ou hotéis boutique-, o Hotel Santa Cruz na praça principal da capital do Vale, agrade os viajantes que apreciam um estabelecimento a um preço razoável, num ambiente familiar – as crianças parecem extremamente bemvindas-, e extremamente chilena pela clientela, a decoração e o culinário. A localização central permite de aproveitar as lojas e os restaurantes de Santa Cruz, o museu ou o Casino. Ambos, bem como o Hotel e o vinhedo de Santa Cruz pertencem ao benfeitor da cidade, Carlos Cardoen, um chileno de origem belga com uma polémica carreira no comercio internacional, milionário até hoje perseguido pela justiça americana, mas que decidiu investir parte da sua fortuna num sonho de promoção da cultura chilena e da cidade de Santa Cruz.

Na sede da Santa Cruz, os Percherons esperando o passeio

A vinícola Santa Cruz guarda as características du grupo. A historia e a cultura chilenas são presentes com três pequenos ocas-museus sobre os povos rapa-nui, aimara, e mapuche, ou com um observatório acolhendo uma exposição permanente de meteoritos. As famílias gostam das atividades inesperadas: o teleférico com visão privilegiada das parreiras, um mini zoológico, uns passeios de carretas puxadas por cavalos “Percherons”, ou um museu automóvel. Mas a vinícola brilha também com destino de enoturismo pela qualidade dos seus vinhos, umas visitas e umas degustações no quadro acolhedora da casa grande, e um museu do vinho recém inaugurado. Construídos para o uso particular da família de Carlos Cardoen, um pequeno hotel boutique de três quartos está agora a disposição dos viajantes querendo silencio e privacidade entre os vinhedos e as trilhas percorrendo as colinas. 

A excelência do almoço harmonizado do Relais Châteaux Lapostolle

Produzindo o Clos Apalta, blend de Carmenere, Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot que foi considerado o melhor vinho do mundo em 2005, a vinícola Lapostolle/ Clos Apalta é uma das etapas imprescindíveis do enoturismo no Vale de Cochalgua. A vinícola surgiu da paixão de dois franceses, Alexandra Marnier-Lapostolle e Cyril de Bournet, que compraram a propriedade em 1994 e decidiram, com a ajuda do famoso enólogo Michel Rolland, construir um lugar de excelência tanto nos vinhos – hoje 100% orgânicos-, que na arquitetura -com as vigas de madeira da adega  erguidas para o ceu-, e até no processo sofisticado de produção utilizando a força da gravidade. O pequeno Hotel é um Relais & Châteaux, com somente 4 quartos mas que brilha pela atenção do seu serviço e a perfeição do seu almoço harmonizado com 4 vinhos excepcionais.

O imperdível restaurante de Mallmann na vinícola Montes

Moderna e marqueteira, a vinícola Montes alimenta também algumas polemicas. Críticos acham que o fogo as vezes queima, que as tradições orientais do Feng Shui não trouxeram nada a historia da vinicultura ou que a musica religiosa levanta mais a alma do que o vinho. A beleza, a criatividade e a qualidade do local mostram porem ao visitante que o local é imperdível na rota dos vinhos de Colchagua. O restaurante, com sua espetacular fogueira marca do Francis Mallmann, merece a sua fama gastronômica e ainda oferece uma vista excepcional. Com a sua decoração ousada de inspiração chinesa, a vinícola impressiona desde o inicio da visita. A degustação, realizada na adega com muita atenção e profissionalismo, é um momento de emoções não somente pela qualidade dos vinhos mas pela beleza dos barris pintados e a inspiração dos cantos gregorianos.

Na Casa Silva, vinho, tradições e ambiente de happy fe

Com seu próprio campo de polo, e um dos seus melhores vinhos glorificando as cinco gerações que se sucederam desde a chegada do pioneiro Emile Bouchon em 1892, a Casa Silva respira o sucesso familial e a tradição. Mais antiga vinícola do Vale, conseguiu fazer do seu Altura, blend de carmenere, cabernet sauvignon e petit verdot, produzido com safras excepcionais e envelhecido em barris de carvalho francês, um vinho respeitado no mundo inteiro. A historia é também presente no hotel, antiga casa da família de estilo colonial que se orgulha de ser centenário  e de manter a decoração e o requinte acumulados. Talvez justamente pelo caracter familial, é recomendado, para o restaurantes, os tours ou até as visitas, de fazer as reservas com antecedência. Será uma boa dica para uma nova viagem, necessária para conhecer melhor  esse Vale de Colchagua, justamente premiado como uma das melhores regiões vinícola e enoturistica da atualidade.

Jean-Philippe Pérol

Na volta, a difícil escolha: qual vinho beber primeiro?

De Porto Rico a Salvador, e de Olkhon a Tahiti, os 52 destinos 2019 do New York Times

Salvador, único destino brasileiro da lista

Publicando a sua seleção 2019 dos 52 destinos sugeridos para o ano, o New York Times conseguiu mais uma vez inovar e surpreender. Iniciada em outubro, e liderado pela editora chefe do caderno de turismo do jornal, o processo mobilizou não somente a equipe nova iorquina mas os correspondentes, jornalistas e fotógrafos que o NYT tem nos cinco continentes. Alem dos critérios próprios de cada destino, foram também avaliados as novidades do local, o seu acervo cultural, a sua sustentabilidade, bem como os seus cuidados com o overturismo. É provável que nenhum turista – a não ser Sebastian Modak, o jornalista que foi escolhido para isso – vai visitar esses 52 lugares, mas a lista será sem dúvidas uma fonte de inspiração para muitos viajantes que querem seguir os novos trends do turismo mundial.

A Grécia, um dos destinos esquecidos nessa seleção 2019

O sério do jornal e a transparência do processo não impedem as primeiras críticas sobre as escolhas feitas. A lista é sem dúvidas muito “americana” com 11 destinos estadounidenses e 2 canadenses. A Europa é bem representada com 19 destinos, mas a Ásia (6), a América latina (4), a África (2), e o Oriente Medio (4) não parecem despertar o mesmo interesse. E se alguns destinos são incontestáveis boas dicas para 2019, outras parecem ter sido escolhidas somente para esbanjar originalidade, impedindo talvez a entrada de concorrentes mais atraentes e mais promissores. A notoriedade do New York Times e a qualidade do trabalho da equipe da editora chefe fazem assim mesmo da publicação das “52 places to go in 2019” um evento para todos aqueles que querem seguir os novos trends do turismo mundial.

Porto Rico liderando os destinos 2019 do NYT

Porto Rico, Hampi (na Índia) e Santa Barbara são os três destinos que dividem o pódio. Porto Rico parece ter sido mais premiado pela sua garra em se recuperar dos estragos feitos pelo furacão Maria, já que nenhuma das três novidades anunciadas – A programação do  Centro de Bellas Artes Luis A. Ferré , o anuncio do novo centro de lazer de San Juan, o District Live! , ou a nova escala dos navios de cruzeiros em Port das Américas, no litoral sul da ilha-, parece justificar a transformação do pequeno Estado associado na maior e mais excitante atração do turismo mundial. Hampi, sitio  tombada pela UNESCO agora mais acessível e com algumas infraestruturas novas, merece atrair os apaixonados de cultura indiana com suas mil construções preservadas desde o século XVI. Ao contrario parece surpreendente que um simpático foodie market seja suficiente  para por Santa Barbara em terceiro lugar.

As Ilhas de Tahiti foram merecidamente confirmadas na lista

A lista muitos acertos merecedores. O New York Times premiou alguns destinos tradicionais mas que devem ser relembrado como os Açores, Zadar e a costa da Croácia, o Irã, Tunis, Cadiz, ou as Ilhas de Tahiti. Lembrou também que grandes experiências podem ser vividas fora das grandes capitais, em Plovdiv na Bulgária, em Lyon ou Marselha na França, em Aalborg na Dinamarca ou em Perth na Austrália. Deve ser anotado alguns premios de criatividade, como as Ilhas Maluinas, a trilha de Paparoa (na Nova Zelândia), a ilha de Olkhon (no meio do lago Baical), ou o vale de Elqui no deserto do Atacama. O Brasil só teve um destino na lista, Salvador de Bahia, mas com um brilhante décimo quarto lugar apoiado na sua nova Casa do Carnaval , na abertura dos Fera Palace Hotel e do Fasano Salvador, ou do sucesso da franco-brasileira  Regata Transat Jacques Vabre. E agora, quais destinos brasileiros entrarão na lista 2020?

Jean-Philippe Pérol

Olkhon no lago Baical, uma escolha prêmio de criatividade!

Cartagena das Índias: história, prazer de viver, arte e criatividade

O imponente Castelo San Felipe domina a cidade e o porto

Do terraço do Hotel Allure Canela, a visão do Castelo São Felipe de Barajas lembra ao visitante a potencia e a riqueza passadas da cidade de Cartagena das Índias. Construída a partir de 1656, depois dos ataques dos piratas ingleses – o famoso Drake saqueou a cidade em 1586 -, a fortaleza não evitou uma conquista francesa em 1697, mas protegeu perfeitamente depois dessa data o maior porto da América espanhola. Em baixo das suas muralhas e dos seus 73 canhões, passavam as exportações de ouro e prata vindo de Nova Granada, mas também do Equador e do Peru, bem como os terríveis comboios de escravos africanos mandados para as minas ou as plantações de cana de açúcar. Maior construção humana do continente americano, o Castelo é hoje Património da Humanidade.

Os casarões coloridas

O passado dourado de Cartagena encontra-se dentro dos onze quilômetros de muralhas que cercam a cidade fortificada. Nas ruas estreitas, cada casarão, cada varanda florida e cada portão de madeira maciça tem uma historia para contar que o turista vai descobrir caminhando nas ruas ou entrando nos pátios das casas antigas hoje transformadas em pousadas, lojas ou restaurantes. Os locais mais vibrantes são sem dúvidas as praças. Frente a igreja Santo Domingo e sua escultura de Botero, frente ao Palácio da Inquisição e seu parque arborizado, palenqueiras, músicos, camelôs, guias e garçons agitam a multidão onde se mistura moradores, turistas nacionais, ou visitantes liderados por americanos, franceses e brasileiros. Todos se encontrarão depois em cima das muralhas para apreciar o por do sol no Café del Mar.

Os animados por do sol do Café del Mar

 

O pátio onde o Sofitel Santa Clara esbanja beleza e arte de viver

Se por momentos ameaçada pelo overturismo – a concentração dos fluxos nas ruas do centro e a insistência dos camelôs podem incomodar -, Cartagena surpreende pela diversidade e a qualidade dos seus serviços, dos seus restaurantes e dos seus hotéis. Dentro do centro histórico, as opções de hospedagem não faltam, das tradicionais pousadas até os modernos e convenientes Allure, ou o antiquado mas charmoso Relais Chateaux Casa Pestagua. Mas, seja para uma estadia, uma refeição ou pelo menos uma visita, nenhum visitante pode deixar de conhecer o Sofitel Santa Clara, merecidamente consagrado como o melhor hotel da América do Sul. Antigo Convento das Irmãs Clarissas construído em 1621 – data agora lembrada pelo nome do imperdível, restaurante gastronômico-, o hotel esbanja beleza, bom gosto, e o cuidado permanente de um pessoal excepcionalmente atencioso.

A criatividade nas ruas de Cartagena

Orgulhosa da sua historia,  Cartagena mostra aos visitantes uma atualidade e uma criatividade que se encontram nas ruas, nos bares, nos restaurantes e mais ainda nas lojas. Os fãs de shopping ficam surpresos. Numa cidade turística onde seria esperado de encontrar somente o costumeiro “artesanato mundializado”, com seus objetos fabricados na Ásia ou copiados de reportagens da CNN, as boas surpresas não param. São bijuterias e jóias de ouro ou esmeraldas inspiradas tanto da ourivesaria precolombiana que das tendências atuais, são lojas e galeria de moda onde jovens designers apresentam roupas, chapéus, bolsas, acessórios  ou objetos de decoração juntando raízes – indígenas, coloniais ou “republicanas”- , e modernidade global. E mesmo se as boas praias deve ser procuradas fora da cidade – até Barranquilla ou Santa Marta– , os ritmos da cúmbia lembram que Cartagena é também a capital do Caribe colombiano.

Jean-Philippe Pérol

O St Dom concept store

 

A loja Lili Duran Studio

Luxo e vinho, boas opções e oportunidades para Natal, Reveillon e as ferias de verão!

O hotel Castilla Termal Monasterio de Valbuena

Com Natal e as ferias chegando, é tempo de programar suas próximas viagens, talvez uma “viagem-presente” inovadora como uma experiência de enoturismo juntando uma hospedagem de luxo e um grande vinhedo. Foi assim que a WinePaths, plataforma de acesso ao melhor do mundo dos vinhos e dos licores, selecionou sete ofertas exclusivas capazes de satisfazer os mais exigentes dos enoturistas brasileiros durante esse verão.

Uma grande oportunidade de se hospedar perto do pitoresco vilarejo de Montalcino na Toscana e de participar do concorrido « Benvenuto Brunello », evento de lançamento do novo Brunello de Montalcino

Benvenuto Brunello
15 de Fevereiro de 2019 – 19 de Fevereiro de 2019

Preços para 4 pessoas  €2990 por dia, incluindo 3 noites nas  Villas de Brunello, a visita da vinícola, uma degustação dos vinhos acompanhados de queijos, aceites e embutidos, e o acesso exclusivo para o evento e a festa Benvenuto Brunello para 4 pessoas

Reserva agora
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Perto de Franschhoek, o canto mais francês da África do Sul, Mont Rochelle abra os seus vinhedos com 150 anos de tradições  para combinar enogastronomia, passeios e Spa.
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Mont Rochelle 3 por 2
1 de Novembro 2018 – 30 de Abril 2019 

Preços a partir de €425 por quarto e por noite na base de duas pessoas, iincluindo 3 noites pelo preço de duas, a visita da vinícola e a degustação de vinhos premiados, o acesso a academia, ao campo de tênis e a piscina.
O final do ano é um dos momentos mais mágicos para visitar Meadowood, a propriedade icônica da Napa Valley, ganhando ainda um voucher de USD 100 por dia e por quarto para abater das atividades na região.
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Experiências Natalinas
1 de Dezembro 2018– 31 de Dezembro 2018
Preços sob consultas, iincluindo as atividades Culinário da temporada de Festas, Decoração de biscoitos caseiros, Doces e sobremesas (pelo próprio chef de Meadowwod)

Hotel moderno desenhado pelo Jean Nouvel, o Saint James aproveita essa época do ano para levar seus hóspedes na feira livre onde o seu chef seleciona os seus produtos e conversa com os produtores.

Feria livre dos produtores
8 de Dezembro de 2018 até 6 de Abril de 2019

Preços sob consulta, incluindo o alojamento em quarto de luxo com café da manhã, visita guiada da feira livre e encontros com os produtores que abastecem o hotel, almoço no bistrô Le Café de l’Espérance

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Primeiro hotel termal de 5 estrelas de Castela e Leão, o hotel Monasterio era um mosteiro cisterciense do século XII que foi convertido num exclusivo complexo turístico e termal, e que oferece um ambiente excepcional para o Reveillon de Natal.

Reveillon de Natal especial
24 e 25 de Dezembro de 2018
Preços sob consulta, incluindo o café da manha bem como a ceia de Natal, um acesso ilimitado a piscina termal e ao spa, bem como o play center para crianças

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O Six Senses Douro Valley está situado numa quinta do século XIX, totalmente renovada, localizada numa colina, em pleno vale do Rio Douro, olhando para os morros cobertos de vinhas e para o rio Douro que corre a seus pés.

Presente dos seis sentidos
1 de Novembro de 2018 até 31 de Março de 2019
Preço sob consulta incluindo 2 ou 3 noites no hotel, um tratamento no Spa e uma degustação de vinho para duas pessoas.

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SOURCES DE CAUDALIE, BORDEAUX, FRANCE

No meio dos vinhedos do Smith Haut Lafitte, as Sources de Caudalie conseguem juntar o luxo e a perfeição de um Palace com o ambiente charmoso e aconchegante perfeito. Para Natal e o Reveillon, duas ofertas estão sendo propostas  para esses momentos especiais .
Natal em família a partir de 1.460 € para quatro pessoas:
– Uma noite na Grande Suite decorada com árvore de Natal
– Café da manhã para toda a família
– Ceia de Natal no restaurante La Table du Lavoir ou no duas estrelas Michelin, La Grand’Vigne (bebidas não incluídas)
– Café da manhã no La Grand’Vigne (bebidas não incluídas)
– Presentes surpresa para toda a família!
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Ano Novo, a partir de 1.386 € para duas pessoas:
– Duas noites na Grande Suite
– Café da manhã
– Almoço no La Table du Lavoir, bebidas não incluídas
– Ceia de Réveillon no restaurante duas estrelas Michelin, La Grand’Vigne ou  La Table du Lavoir (bebidas não incluídas)
– Brunch no primeiro dia do ano, com taça de champanhe no La Table du Lavoir ou La Grand’Vigne
– Um presente surpresa para as festas!
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Nos vinhedos de Mendoza, o céu do Aconcagua é o limite!

Sob o olhar do Aconcagua, a Sentinela de Pedra, os vinhedos de Mendoza

Se Napoleão I teve uma importância decisiva na historia do Brasil a provocar o exílio do Dom João VI para o Rio de Janeiro, o seu sobrinho Napoleão III teve um impacto indireto quase tão grande na historia da Argentina. Perseguindo os republicanos antes mesmo do seu golpe do 2 de dezembro 1852, ele provocou o exílio do agrônomo Michel Aimé Pouget que trazia nas suas bagagens um grande savoir faire e alguns pés de “Cot”, uma variedade de uva francesa tanina de casca negra e grossa, também conhecida como Malbec. Depois de uma rápida estadia no Chile, o francês escolheu Mendoza onde criou uma escola de agronomia, iniciando o sucesso da sua “uva francesa” que se espalhou em toda região e em até 80% dos vinhedos argentinos.

1884 de Mallman, uma típica mas criativa surpresa gastronômica de Mendoza

Seguindo as grandes tendências da vinicultura mundial, Mendoza virou as costas a partir dos anos 80 a produção intensiva de vinhos de baixa qualidade. Talvez lembrando do glorioso passado do Cahors (o mais famoso dos vinhos franceses feitos com Malbec),  atraiu investidores e wine makers internacionais, e decidiu apostar no enoturismo. Nos arredores da cidade, três micro regiões estão se destacando hoje, cada uma com seu terroir, suas paisagens, seus vinhos e suas ofertas especificas. Alem da própria cidade de Mendoza, onde se escondem boas surpresas gastronômicas, o viajante vai assim poder escolher -ou acumular- experiências em Maipú, Luján de Cuyo e Valle de Uco, as múltiplas opções e as distancias deixando impreterível a assistência de um especialista.

Degustação na adega Susana Balbo

Próximo dos bairros populares da periferia, Maipú foi a primeira região vinícola de Mendoza, é a sede dos mais antigas vinhedos, e foi o local onde o vinho argentino começou nos anos 80 a sua revolução da qualidade. Com uma impressionante arquitetura inspirada das pirámidas maias, a bodega de Cadena Zapata foi pioneira tanto nos vinhos pontuados pelo Parker que nas visitas de enoturismo. Alem de degustações tradicionais, é possível aproveitar o restaurante do seu omnipresente enólogo Alejandro Vigil para uns tastings combinando de três a cinco vinhos do grupo (inclusive o excelente Gran Enemigo Gualtallary) com pratos inspirados do culinário da região. É tambem em Maipú que Susana Balbo, grande figura do enoturismo argentina, tem sua famosa bodega.

A interessante e pedagogica adega de Terrazas de los Andes

Mais ao Sul, Luján de Cuyo atraiu marcas de prestigio, inclusivo o charmoso Cavas Relais Châteaux, opção privilegiada para ficar no meio dos vinhedos. Foi o terroir escolhido pelo grupo LVMH para seus empreendimentos Terrazas de los Andes e Cheval des Andes. Instalada nos antigos galpões de uma vinícola construída em 1898, completamente renovados em 1999, a bodega de Terrazas oferece uma visita com muito conteúdo, mostrando não somente o processo dos vinhos atuais, mas também as experiências realizadas. Um restaurante gastronômico oferece uma bem sucedida harmonização com pratos criativos. A  sede requintada do Cheval des Andes fica a pouca distancia, e ajuda a entender porque esse (grande) vinho, agora blend elegantíssimo de Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, mereceu a parceria da Cheval Blanc.

A impressionante entrada da bodega Monteviejo em Clos de los Siete

Nos pés da Cordilheira, o Valle de Uco foi o terroir escolhido em 1999 pelo famoso enólogo Michel Rolland para sediar o deslumbrante Clos de los Siete. Com mais seis amigos de Bordeaux, plantaram 850 hectares de Malbec, mas também de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Viognier, Chardonnay, Petit Verdot e Cabernet Franc. Alem do Clos de los Siete, quatro propriedades fazem seus próprios vinhos : a Bodega Rolland, a Monteviejo, a DiamAndes, e a Cuvelier de los Andes. As bodegas são ainda mais impressionantes que os vinhos, com um destaque para a DiamAndes. A imponência da sua arquitetura, a sua imensa terraza com vista para os Andes e os vinhedos, as suas obras de arte, o seu bar restaurante aconchegante, e sua adega que parece sair diretamente de um filme do George Lucas, tudo mostra ao viajante que ele está mesmo num novo mundo do vinho onde só o ceu do Aconcaguá é o limite.

Jean-Philippe Pérol

No Cavas Relais Châteaux, enoturismo combina também com tango

A adega futurista de Diamandes

Brindando com Renaud da Diamandes e Jorge da Wine Paths

A visita do autor em Mendoza foi organizada e acompanhada pelo Jorge Barceló, Director da Wines and Adventures of the Andes e especialista local da Wine Paths