Occitânia, as viagens que fazem você crescer

Carcassone, um dos lugares mais emblemáticos da região

Sendo o catalizador de uma verdadeira revolução do turismo mundial, o Covid 21  está obrigando os destinos a ter criatividade para antecipar a mutação dos fluxos turísticos e se reposicionar frente a procura de novas experiências. Se destinos mais exclusivas, na Europa do Norte, no Pacífico ou no Caribe, são pioneiros na antecipação desse novo turismo, os lideres tradicionais não querem ficar de fora. Na França, a Occitânia – região de Toulouse, Lourdes e Carcassone – está  liderando o lançamento dessas ideias novas. Depois de mudar seu nome de “Comité regional de tourisme” para “Comité regional de turismo e lazeres”, dando um foco forte no turismo local e no doméstico, mostrou outras frentes criativas.

O “aligot”, prato tradicional disputado entre a Occitânia e a Auvergne

Se o tempo é de turismo de proximidade, a Occitânia não perdeu oportunidade enquanto se trata de se promover nos mercados distantes. Enquanto alguns (raros) países ainda não reconheceram a vitória de Biden, os dirigentes da região já mandaram para o futuro presidente dos Estados Unidos uma pequena cesta de recordações do terroir: sopa de “pistou”, “aligot” (purê de batata com queijo Cantal), flor de sal da Camargue, e, claro, o tão famoso Cassoulet -a feijoada francesa. As iguarias foram acompanhadas de uma carta de parabéns que destacava os produtos da região, solicitando isenções de taxa de importação e lembrando que os turistas americanos continuarão a ser muito bem vindos.

Lourdes continua sendo o segundo destino turístico da França

As novas viagens devem ter sentido, oferecer encontros e permitir descobertas, respeitando autenticidade e durabilidade  dos destinos. Dona de um patrimônio natural, cultural e humano excepcional, enriquecido desde os caminhos de Santiago e tendo em Lourdes a experiência do segundo destino turístico da França, a Occitânia notou que seus valores tradicionais – agora chamadas de “Occitalité”, misturando convivialidade, responsabilidade, generosidade, hospitalidade – respondem perfeitamente a essas novas tendências. Esse novo turismo é extremamente bem recebido pelos atores locais – moradores e profissionais – pelo seu impacto positivo sobre as oportunidades sociais, o desenvolvimento econômico ou a viabilização de projetos sustentáveis.

A nova proposta occitana: as viagens que fazem você crescer

Para colocar sua região no Top 10 dos destinos turísticos da Europa, os responsáveis da Occitânia apostam que esse conceito de “Occitalité” vai ajudar a diferenciar a sua oferta. Escolhendo como leme ” As viagens que fazem crescer”, mostra uma resposta a tendencia definida por um especialista como  “o fim do turismo e a volta das viagens”,  a nova procura de turismo transformacional. Uma experiência que vai fazer crescer o viajante pela espiritualidade sempre presente da região, pelo ritmo dos encontros, pela ética encontrada no respeito das culturas e da sustentabilidade. Com uma impressionante diversidade na sua oferta, espiritual, cultural, gastronômica, enoturísticas, nas praias, nas montanhas ou nas cidades, de carro, de bicicleta, de peniche ou a pé caminhando nas trilhas, essa experiência pode ser oferecida de forma personalizada para cada viajante.

Jean-Philippe Pérol

No vale do rio Dordogne, o requintado Chateau de la Treyne

Esse artigo foi redigido a partir de um comunicado de imprensa mandado por Jean Pinard, Diretor Geral do “Comité regional de turismo e lazeres” da região Occitânia

 

Longe das multidões, as tendências pós crise abram oportunidades para destinos mais exclusivos

 

Há 675 anos, o castelo de la Treyne domina o vale do rio Dordogne

Nas novas tendências que se destacam nas viagens pós Covid 19, uma das mais fortes parece ser a fobia do “overturismo”, a procura de destinos turísticos fugindo as grandes multidões, a preferência anunciada por hospedagens, restaurantes, ou eventos de menores tamanhos, mas com sérias garantias de saúde ou segurança. A primeira vista parece ser um paradoxo, os grandes destinos tradicionais, Estados Unidos, Italia ou França serem ,talvez, os grandes favorecidos por essa revolução. A França por exemplo têm alguns lugares sofrendo de overturismo, mas 80% do seu território recebem somente 20% dos turistas enquanto essas mesmas regiões escondem lugares excepcionais pelas suas riquezas naturais, culturais ou humanas.

Stéphanie Gombert em La Treyne com Jean-Philippe Pérol e Caroline Putnoki

Assim o vale do rio Dordogne, terra de castelos que se estendea da Auvergne até  Bordeaux, onde o turista pode se emocionar com as pinturas pré-históricas da gruta de Lascaux, sentir a espiritualidade de Rocamadour ou das capelas dos caminhos de Santiago, descobrir os vinhedos de Cahors e o Malbec original, ou confirmar se o “foie gras” e as trufas do Perigord são as melhores da França. Os hotéis da região são sempre pequenas unidades, aproveitando antigas fazendas ou castelos onde a imponência da arquitetura foi combinada com o conforto moderno. No mais prestigioso estabelecimento do vale, o Château de la Treyne, a proprietária Stéphanie Gombert aceitou de explicar como a crise está transformando o turismo na região.

O parque, um dos cenários do almoço pique nique chique

Jean-Philippe Pérol: Você vai reabrir em julho o Château de la Treyne. Como vai ser essa reabertura pós covid 19 e quais vão ser as mudanças no atendimento e nos serviços?

Stéphanie Gombert: O nosso atendimento será ainda mais caloroso e tivemos que ser criativos. As normas sanitárias obrigam todos os funcionários a usar luvas e mascaras, e a ter menos proximidade. Assim quando um hospede será acompanhado até o seu quarto, teremos que ficar do lado de fora. No restaurante, as regras obrigam a muitas mudanças. Reduzimos de 50% o número de mesas para respeitar uma distança minima de um metro e meia, cancelamos os cardápios e colocamos tudo em QR code para evitar contatos desnecessários. Para o almoço, inventamos de propor um pique nique chique, com dez mesas espalhadas nos 120 hectares da propriedade, uma no terraço, uma em baixo do tricentenário cedro-do-Libano do parque, uma na pequena praia de frente para o rio Dordogne. O almoço será colocado na mesa de uma vez para reduzir os contatos. Para os cafés da manhã, Yvonne, nossa responsável, nunca gostou de bufês e sempre servimos nas mesas.Agora que virou obrigatório, vimos que fomos pioneiros.

O restaurante redesenhado para respeitar as novas normas sanitárias

JPP: A volta a normalidade deve ser demorada, e vai começar com os clientes de proximidades. Quando espera rever as clientelas distantes, incluindo os brasileiros, e que ações podem acelerar essa volta?

SG: Temos sorte porque o mercado francês representa 50% dos nossos visitantes, e vamos logo contar com eles. Os brasileiros são uns dos nossos melhores clientes vindo de longe, que gostam da nossa natureza, das belezas da nossa arquitetura, das nossas paisagens e mais ainda da cozinha francesa. Queremos que eles voltem o mais rapidamente possível, mas sabemos que isso vai depender da retomada e das condições dos voos transatlânticos. Os voos devem ficar mais caros, com mais normas sanitárias, e as contrapartidas das ajudas governamentais devem ser mais investimentos na sustentabilidade – e mais aumentos dos preços das passagens.  É provável que não vamos ter brasileiros esse ano, mas contamos com eles para 2021, se o transporte aéreo ajudar.

Todos diferentes, os quartos homenageam a história do castelo

JPP: Em uma pesquisa recente, os agentes de viagens brasileiros definiram com uma forte tendência o recuso do overturismo e a procura de destinos seguros mas longe das multidões. Você acha que o Château de la Treyne está pronto para aproveitar essa oportunidade?

SG: Nosso castelo pertence desde 1992 a uma maravilhosa associação, Relais & Châteaux, que tem 580 membros no mundo inteiro. A grande maioria desses hotéis e restaurantes estão localizados no campo, cercados pela natureza e com capacidade média de 30 quartos. Com uma localização exclusiva, La Treyne tem 17 suites, bem longe do turismo de massa. Nossos clientes estão procurando beleza, sinceridade, “savoir-vivre”, autenticidade até na originem dos produtos que oferecemos. Há anos começamos a trabalhar com pequenos produtores da região que abastecem o hotel em frutas e verduras, seguindo o ritmo das estações.

Em Rocamadour, as emoções da Fé

JPP: A mesma pesquisa mostra que as viagens serão ainda mais valorizados depois da crise, e que os viajantes vão querer mais experiências “transformacionais”. Quais são as dicas de atividades marcantes que você pode aconselhar a seus visitantes brasileiros?

SG: O Château de La Treyne fica em cima de um barranco caindo no rio Dordogne, uma biosfera excepcional tombada pela UNESCO, onde muitas atividades esportivas e náuticas podem ser praticadas. A natureza oferece outras emoções excepcionais nas grutas como Padirac, ou nas reproduções de arte rupestre de Lascaux 4.  A região esbanja uma cultura e uma arquitetura peculiar em cidades pequenas como Sarlat ou Les Eyzies. A espiritualidade se encontra em inúmeros trechos dos caminhos de Santiago que podem ser percorridos nos arredores, e mais ainda no extraordinário santuário de Rocamadour que foi na Idade Media o mais importante da França e que hoje ainda mexe com a fé do viajante.

Jean-Philippe Pérol

Stéphanie Gombert e seu marido Philippe são proprietários do Château de la Treyne. Alemã radicada na França, encontrou seu futuro marido quando preparava um master de história e literatura na Universidade de Paris Sorbonne. Depois de uma experiência de quinze anos no setor de eventos, é desde 2003 diretora do Hotel e Restaurante  Château de la Treyne (www.chateaudelatreyne.com) e duas residências exclusivas  (www.chateaudubastit.fr & www.chartreusedecales.com.).