A Amazonia pode não estar em chamas, mas o turismo brasileiro não deve correr risco!

Tweet do Presidente francês ilustrando as queimadas de 2019

As fotos assustadoras de queimadas (antigas ou recentes) na Amazônia brasileira podem ser uma distorção da realidade – os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de fogo está muito longe dos picos atingidos entre 2002 e 2007 –, mas são também, infelizmente, uma fonte de grande preocupação. Em primeiro lugar é a angústia dos moradores da região, sejam índios, caboclos ou habitantes das grandes cidades, que estão vendo o seu meio ambiente e a sua qualidade de vida ameaçados. É a tristeza de todos os brasileiros que ficam solidários e preocupados com o futuro desse patrimônio nacional cuja soberania traz a responsabilidade de proteger e desenvolver. É, no mundo inteiro, a incompreensão dos amigos do Brasil e dos defensores do meio ambiente que só recebem notícias distorcidas e ausências de soluções.

O Belle Amazon num dos roteiros nas comunidades do Tapajós

Além de compartilhar essa tristeza e essa solidariedade, os profissionais do turismo são também colocados à frente das consequências dessa emoção mundial sobre o setor, tanto emissivo quanto receptivo. As trocas de mensagens e de vexames entre os responsáveis políticos deixam apreensivos os viajantes brasileiros sobre o atendimento em vários países da linha de frente da luta ecológica, e muitos parceiros estrangeiros ficam preocupados em vir fazer promoção no Brasil para não associar a sua imagem a um assim chamado desastre ecológico. Para o turismo receptivo, as consequências dos artigos negativos das revistas do trade internacional podem ser maiores ainda, não somente na Amazônia mas também nas outras regiões do País.

80% dos desmatamentos ocorrem ao longo das estradas como a Cuiabá Santarém

Mesmo se as soluções estão muito além do turismo, os profissionais brasileiros devem também contribuir nesta batalha de comunicação. Não devem desprezar as críticas nem as suas fontes. Mesmo ilustradas com imagens antigas, mesmo baseadas em estatísticas distorcidas, mesmo motivadas pelo forte antagonismo político contra o atual governo, as emoções são sinceras e devem ser respondidas com atenção e pedagogia. A primeira reação deve ser, sem dúvida, de não negar o problema. Há, sim, incêndios na Amazônia, milhares de queimadas causadas pelo preparo das roças de índios ou caboclos até grandes ações de desmatamento ilegal. Estas últimas são reais no sul do Pará, no Acre ou em Rondônia e nas beiras das grandes estradas como a Cuiabá – Santarém, onde o cultivo da soja está se aproximando do Parque do Tapajós.

No Parque do Jaú, a imensidão das áreas protegidas

Mas é importante, ao mesmo tempo, informar as operadoras e agências de viagens da Europa ou América do Norte do tamanho exato do problema e, especialmente, do fato que 85% dos 4 milhões de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica são ainda hoje completamente preservados, e que os 25 milhões de habitantes da região (dos quais 250 mil índios) estão comprometidos com o desenvolvimento sustentável. Devemos lembrar a todos que não houve incêndios incontroláveis na ilha de Marajó, nas margens do Tapajós ou do Rio Negro, e que Manaus e Belém não tiveram nenhuma destruição dos seus fascinantes patrimônios. A todos aqueles que querem ajudar a Amazônia devem dizer que o turismo é um dos setores mais envolvidos na valorização do meio ambiente, bem como na ajuda às comunidades ribeirinhas ou aos moradores das cidades da região. No Marajó, em Belém, no Tapajós, em Manaus, no Rio Negro, em Novo Airão, Barcelos ou no Acre, o turismo continua sendo uma formidável oportunidade de desenvolvimento que deve tirar as lições da crise atual, mas não merece ser afetada por ela.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Longe das queimadas, o Mercado Adolpho Lisboa, um dos mitos mor do turismo amazônico

 

O Tropical de Manaus, saudades de um sonho que não pode acabar

Frente as águas negras do Rio, o Tropical de Manaus

Que tristeza de ler hoje, no querido  jornal manauara A Critica, que o Tropical Hotel de Manaus irá a leilão no dia 25 de julho, e que valor arrecadado será utilizado para o pagamento de dívidas trabalhistas em processos que tramitam no tribunal regional do trabalho. Mesmo esperada desde a suspensão das atividades do hotel em maio – quando a luz foi cortada por falta de pagamento-, essa noticia abalou todos os profissionais do turismo bem como os apaixonados pela Amazonas. Emblemático da nossa saudosa VARIG, o Tropical de Manaus marcou os anos dourados do turismo de Manaus, quando o sucesso da Zona Franca, os oito voos diários para São Paulo, e as ligações internacionais da própria VARIG, mas também da Braniff, da LAP e da Air France atraiam turistas do mundo inteiro no coração da Amazônia brasileira.

O Presidente Giscard num seringal do Mamuri em 1978

A tristeza leva a perguntar quais são as razões que levaram a esse desastre. Alem do desaparecimento da VARIG e das dificuldades da Tropical hotéis, o hotel da Ponta Negra fechou também pelo paradoxo da queda do turismo na Amazonia brasileira num momento da historia aonde o eco-turismo e o turismo verde atraiam cada vez mais viajantes. Enquanto Manaus recebeu nos anos 70 e 80 o Presidente da França, o Rei da Suécia ou o Chanceler da Alemanha, enquanto artistas, escritores, ricos e famosos do mundo inteiro se hospedavam nos quartos do Tropical, são hoje os lodges da Costa Rica, do Vietnã ou da Indonesia  que recebem os maiores fluxos de ecoturistas. E quando esses escolham mesmo de ficar na Amazônia, percebe se a concorrência das Amazônias peruana, colombiana, equatoriana, surinamense ou até francesa.

O charme e o luxo sustentável do Mirante do Gavião

O turismo em Manaus tem porem umas imensas oportunidades com a atualidade das preocupações internacionais para preservar a floresta amazônica, e com a procura de destinos turísticos respondendo as novas tendências do ecoturismo. Num setor de concorrência extrema, o sucesso virá pelos números projetos que já existem, tanto de alojamento – do EcoPark ao Mirante do Gavião, do Juma Lodge ao Hotel Amazônia, ou do Anavilhanas Lodge ao novo Casa Perpetua-, de lazeres  – do Museu da Borracha e do MUSA ao Festival de Ópera-, de cruzeiros – da Katerre ao Aria ou ao Belle Amazon-, ou de restaurantes – do Caxirí ao Banzeiro-. Eles já estão mostrando que o setor soube evoluir, e criar produtos e serviços oferecendo as experiencias que os viajantes procuram.

A Pousada Uacari, a excelência em termo de turismo sustentável

Para crescer mesmo, e deixar a gente sonhar numa reabertura de um grande hotel international na Praia da Ponta Negra, o turismo na Amazônia terá talvez que aproveitar três ideias. A primeira é que a expectativa internacional de proteção do meio ambiente nessa região é imensa, trazendo um dever de excelência nesse setor. O desenvolvimento do turismo será olhada de muito perto, e qualquer desrespeito das práticas exemplares em termo de sustentabilidade, qualquer aceitação de atividades ecologicamente incorretas, terão um enorme impacto em comunicação, e afugentarão os viajantes. A segunda é que o turismo de Manaus só pode ser exclusivo, os fluxos serão sempre pequenos porque o acesso é difícil e as experiencias intimistas. Com poucos visitantes, devem se privilegiar o luxo e o charme. E os produtos e serviços têm que ser de forte valor agregado para trazer ao estado e aos  habitantes os retornos econômicos indispensáveis.

O Teatro Amazonas foi decisivo para construir o mito de Manaus

A terceira ideia é que, marcas excepcionalmente conhecidas no mundo inteiro, Manaus e a Amazônia devem. para voltar a atrair os fluxos de viajantes que necessitam, apostar não somente na natureza, nas matas e nos rios, mas também nas suas Historias – a riqueza do patrimônio, começando pelo Teatro, ou a força do passado terrível do ciclo da borracha-, e nos seus povos – tradições culturais ou, mais ainda, vida autentica das suas comunidades ribeirinhas. Morreu o Hotel Tropical, mas os ingredientes de um novo ciclo do turismo em Manaus existem e podem deixar acreditar que o Fenix pode talvez pousar um dia na praia da Ponta Negra.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Barco regional de alto padrão, o Belle Amazon navegue nos rios Amazonas, Tapajós e Rio Negro

Air France e o Brasil, uma longa história de amor, até quando?

A chegada do voo inaugural de Concorde no Rio

A Air France sempre foi no Brasil uma companhia aérea diferente. Me lembro duma pesquisa feito nos anos 70 que mostrava as imagens de dezoito grandes companhias internacionais operando no Brasil, então lideradas pela VARIG, a Pan Am, a TAP, a Iberia, a Lufthansa, a Alitalia e a BCAL. Todas elas eram avaliadas com uma série de critérios – da qualidade do serviço a bordo até a segurança-, e na avaliação geral a Air France só tinha um concurrente pela frente. Não era nenhuma companhia européia ou americana, era a própria VARIG. Os grandes eventos organizados pela empresa francesa – os  charmosos 2000 “muguets” distribuídos para o Primeiro de Maio, ou os baladíssimos “Prêmio Molière” de São Paulo, Rio e até Manaus- contribuíam a consolidar a imagem de uma empresa peculiar no coração dos brasileiros.

A Ponta da Air France em Fernão de Noronha

Essa ligação especial tem raízes na história da Air France no Brasil que começou em 1927 quando a então Aeropostale ligava Paris a Dakar e, depois de uma travessia do Atlantico em navios “aviso”, Natal a Rio de Janeiro. Os brasileiros viram os aviões da Air France sobrevoar Fernando de Noronha, pousar nas praias de Caravelas e  ter sua base carioca no Campo dos Afonsos. O pioneirismo da empresa voltou a empolgar o Brasil quando a companhia escolheu o Rio de Janeiro para inaugurar o primeiro voo comercial do Concorde no dia 21 de janeiro de 1976. Foi ainda a primeira companhia aérea que inaugurou no dia 31 de Março 1977 um voo internacional entre a Amazônia brasileira e a Europa, ligando Manaus a Paris duas vezes por semana. E, voltando para o Nordeste com sua parceira KLM no último 3 de Maio, fez agora de Fortaleza um novo hub de transporte aéreo internacional.

Jean-Marc Janaillac anunciou sua demissão dia 4 de Maio

Apoiada na excepcional posição da própria França – no Brasil, um dos dois primeiros destinos europeus -, e reforçada pela qualidade crescente dos seus serviços, esse lugar especial da Air France no coração dos brasileiros leve hoje a uma tristeza e uma preocupação frente aos recentes acontecimentos. As greves repetitivas lideradas por pilotos cujos salários podem ultrapassar 100.000 reais por mês, e o voto de 55% do pessoal contra o plano de reformas, levaram o novo Presidente, Jean Marc Janaillac, a pedir demissão, abrindo uma crise inédita e uma queda de mais de 10% das ações da empresa. Paradoxo da história, os funcionários da KLM, empresa comprada pela Air France em quase falência em 2004 mas que soube fazer as reformas necessárias, denunciaram a atitude irresponsável dos seus colegas.

Chegada em Fortaleza do primeiro voo Paris Fortaleza do grupo Air France

Já visto em muitas empresas aéreas, especialmente na América do Sul, o cenário de uma empresa do setor incapaz de aceitar as indispensáveis mudanças, e então desaparecendo, é muito conhecido. Do Brasil vimos assim sumir Cruzeiro do Sul, Transbrasil, VASP, VARIG, as vizinhas Pluna, LAP, LADECO, Ecuatorian, Fawcett ou VIASA, e as internacionais Pan Am, Braniff, SAS, BCAL, Swissair ou SABENA. O Ministro da fazenda da França, Bruno Lemaire, lembrou claramente que  a sobrevivência da empresa estava em questão e que o governo francês, dono de somente 14,3% do capital, não iria pagar os prejuízos e as dívidas da outrora companhia nacional. Mesmo recusados por todos e pouco prováveis, os piores cenários, a separação da KLM e um destino de tipo ALITALIA ou VARIG, foram imaginados por alguns analistas.

Um desafio: convencer os pilotos que Guiness de salários não permitem greves.

Em nome dos milhões de brasileiros que já voaram nas asas da Air France desde o Rio, São Paulo, Recife, Campinas, Belém, Brasília ou Fortaleza, em nome dos milhares de funcionários brasileiros que já trabalharam nos seus escritórios, nas suas escalas ou até a bordo, vamos torcer para que a crise atual seja superada e que nossa querida Air France volta com o pioneirismo, a criatividade, a seriedade, o bom atendimento e a fé no Brasil que ela sempre demonstrou. Sim, amamos a Air France, e queremos amar la para sempre!

Jean-Philippe Pérol

 

O Dreamliner agora nas rotas Brasil da Air France

 

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

No Rio Negro, os caminhos do Eldorado revisitados com charme e sustentabilidade

A piscina e o restaurante do Mirante do Gavião

Desde que foi descoberto em 1541 pelo Francisco Orellana, o Rio Negro sempre atraiu  viajantes e aventureiros. Espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses  procuraram – e nunca encontraram-  as riquezas do El Dorado e os caminhos do lago Manoa. Procuraram – e encontraram- o canal do Cassiquiare, mítico defluente que interliga as bacias do Orinoco e do Rio Negro, delimitando as Guianas.  Nos primeiros tempos da colonização portuguesa, quando a capital ainda era Barcelos e quando Airão Velho ainda não tinha sido invadida pela (falsa) lenda das formigas, o Rio Negro foi a rota principal dos desbravadores buscando das “drogas do sertão”. E mesmo depois dos dois ciclos da borracha, os viajantes continuaram a percorrer o rio, procurando seja os peixes ornamentais seja os mistérios da Bela Adormecida ou dos Seis Lagos.

Por do sol em São Gabriel da Cachoeira

O turismo virou nos últimos anos uma das principais atividades da bacia do Rio Negro, com uma oferta dividida entre a pesca esportivo do Tucunaré na região de Barcelos – em barcos ou nos lodges especializados-, e as trilhas de aventura levando para São Gabriel e o Pico da Neblina. Mas frente as incertezas das pescarias – mudanças nos ritmos das águas e rarefação dos peixes grandes, e as precárias infraestruturas de turismo de aventura, era hora de ver novas opções aparecer, um turismo sustentável trazendo benefícios econômicos  e respeitando não somente os ecossistemas da região, mas  também o desenvolvimento sócio cultural das comunidades ribeirinhas. Essa escolha, combinada com o charme e até o luxo de um empreendimento excepcional, foi feita pelo Mirante do Gavião Amazon Lodge.

Cada detalhe do Mirante combina luxo e sustentabilidade. É a própria arquitetura do hotel, desenhado pelo Atelier O’Reilly mas inspirado dos barcos regionais e que foi realizado por marceneiros de Nova Airão. São os jardins paisagistas que respeitaram toda vegetação inicial, não sendo cortada uma só arvore durante a construção, e oferecem a cada hospede uma perfeita privacidade. São os quartos amplos com uma decoração regional enriquecida com alguns acessórios de conforto internacional -como um banheiro com ofurô- e uma varanda para gozar da vista espetacular. Surpresa ainda no restaurante gastronómico, com um cardápio assinado pela Debora Shornik misturando ingredientes amazônicos e receitas internacionais, e onde os pratos são servidos “a francesa”.

A suite Samauma do Mirante do Gavião

Nos novos caminhos turísticos abertos pelo Mirante do Gavião, as atividades e as excursões são também um grande ponto de destaque. O viajante vai descobrir  não só a natureza selvagem, mas também os seus moradores e as comunidades que vivem em comunhão com o rio e a floresta. Os guias e os tripulantes, todos oriundos da região, desenharam roteiros exclusivos durante os quais os intercâmbios,  espontâneos ou preparados na Fundação Almerinda Malaquias que trabalha em Nova Airão para reconciliar turismo, meio ambiente, geração de rendas, e respeito as culturas dos moradores. Com charme e sustentabilidade, o exemplo do Mirante do Gavião mostra que turismo pode ser um Eldorado do século 21,  abrindo novos caminhos nas beiras do Rio Negro.

Jean-Philippe Pérol

O Jacareaçu da Katerre com seus itinerarios saindo do Mirante

Há 40 anos, o último Lima-Papeete-Tóquio da Air France

 

Ilha de Tahiti

A beleza da ilha de Tahiti vista pouco antes da aterrissagem

Nos meados de 1975, quando a Air France começou a estudar a abertura de uma rota inovadora entre Paris e Lima, apoiada na escala francesa de Caiena e pousando em Manaus, ela já tinha aberto há dois anos uma outra rota revolucionária na América do Sul. Era um voo Lima Papeete Tóquio, atravessando duas vezes por semana o Pacífico, e dando assim à Air France a possibilidade de chegar pela primeira vez no Tahiti – na época, área exclusiva da então outra grande companhia francesa, a UTA. Nas projeções dos marqueteiros que analisavam a abertura de Manaus, as duas linhas iam se reforçar mutuamente, tanto com os fluxos de passageiros viajando da Zona Franca para o Japão, quanto com as cargas dos intercâmbios entre a Amazônia e o Extremo Oriente – peixes ornamentais indo ou peças industriais  vindo.

Mas, as duas rotas nunca chegaram a operar juntas. Enquanto o primeiro B747 pousava em Manaus no dia 31 de março 1977, o B707 do Lima Papeete Tóquio parava de voar. Anunciada em janeiro pelo então Diretor Geral da Air France, Gilbert Pérol, essa decisão tinha sido uma imensa decepção para o pessoal da companhia. Pela sua rota excepcional – mais de vinte horas em cima do Pacifico -, pelo seu itinerário – sendo um dos últimos exigindo um navegador na tripulação técnica -, pela integração de Tahiti à “maior rede do mundo”, pelas tripulações com base em Lima e rotações de 15 dias em Tóquio e Papeete, o vôo tinha integrado em menos de quatro anos a história mítica da Air France, e os pilotos fizeram imediatamente uma greve de repúdio.

O Being 707 A, obsoleto logo no meio dos anos 70

O Boeing 707 A, obsoleto logo no meio dos anos 70

Mas a decisão foi mantida porque o prejuízo era muito importante, e porque não tinha perspectivas de equilíbrio a médio ou longo prazo com os Boeing 707 A obsoletos. A ocupação dos aviões era alta (mais de 80%, uma taxa excepcional na época), porém as receitas eram fracas com os maiores fluxos provenientes de imigrantes uruguaios indo para Austrália ou de coreanos vindo para o Brasil. Mas, no final, foram mesmo os custos que selaram o destino do Lima Papeete Tóquio. As tripulações reforçadas e dedicadas eram pouco aproveitadas, e os B707 A tinham um consumo de combustível insuportável depois da alta dos preços consecutivo ao primeiro choque petroleiro.

Xangai, agora com voos charters para Papeete

Xangai, agora com voos charters para Papeete

40 anos depois, o mito do vôo transpacífico via a Polinésia Francesa ainda perdura, não somente pela memória do Lima Tóquio da Air France, mas também pelos projetos que continuam aparecendo. Tendo sempre a ligação China América Latina – e às vezes China Brasil – como fonte de tráfego, esses projetos são por enquanto inviáveis, mas poderiam num futuro próximo se consolidar, mostrando assim que Air France tinha sido somente pioneira demais.

Jean-Philippe Pérol

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Em abril 1973, o selo peruano comemorativo da inauguração

 

Cartaz promocional do voo

Cartaz promocional do voo TYO PPT LIM

O Teatro Amazonas, o mito e o fascínio da “Opera de Manaus”

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As galerias do Teatro Amazonas

O mito do Teatro Amazonas – ou da “Ópera de Manaus”-, assim chamado na Europa ou nos Estados Unidos-, exerce um fascínio que parece não ter lógica. Carlos Fermín Fitzcarrald, o Fitzcarraldo, nunca poderia ter assistido a um espetáculo no Teatro que ainda não estava inaugurado quando ele passou em Manaus. Caruso nunca cantou no Teatro Amazonas, veio para o Brasil mas não saiu do Rio Janeiro. 00000305 - copie 2Sarah Bernard, a famosa atriz francesa, nunca viajou para Manaus e não poderia ter gritado para seu motorista a gloriosa frase “Chauffeur, à la forêt vierge!”. E no Amazonas da época da borracha, é provável que as tropas francesas que se apresentavam no Teatro fossem mais parecidas como as Folies Bergères que como os Balês do Palais Garnier. A ironia da História é que os dois cantores mais conhecidos que se apresentaram em Manaus foram talvez Mireille Mathieu em 1977 e Sacha Distel em 1978 , ambos levados pela Air France para eventos excepcionais do então tão concorrido Prêmio Molière.

O Teatro Amazonas

Vista geral do teatro com seu domo coberto de telas da Alsácia

Além do mito, o Teatro Amazonas atrai também por sua própria história. A partir da louca ideia lançada em 1881 de construir um teatro lírico em uma cidade com então 20.000 habitantes,IMG-20120513-00333 - copie  foram 17 anos para a construção com arquiteto e material vindo da Itália e da França, empurrada pela vontade do governador, Eduardo Ribeiro, até sua inauguração em dezembro de 1896. Transformado em entreposto de borracha na época da decadência, o Teatro começou a renascer nos anos 70 com a primeira renovação, e o voltou a brilhar nos últimos vinte anos com uma rica programação cultural. Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera reatou com a tradição lírica da “Ópera de Manaus”.

AMAZON SANTANA CRUISING IN JAU NATIONAL PARK

A beleza das matas e das águas navegando no Rio Jaú

Mas o mito do Teatro vem também do fascínio pela selva amazônica, da folia da expedição de Aguirre, da busca desesperada pelo Casiquiari, dos sonhos de Jules Verne, do drama dos seringueiros  ou da louca aventura de Galvez.Museu do Seringal em Manaus E o visitante sentado nas poltronas de veludo vermelho tira parte da sua emoção ao juntar a sofisticação do espetáculo com as emoções da descoberta das águas, das matas e das tradições dos ribeirinhos do Amazonas e do Rio Negro.  Assim para o Festival 2016, a Secretaria da Cultura, liderada pelo incansável e criativo Robério Braga, programa duas operas, Médée de Cherubini, e Adriana Lecouvreur de Cilea . BOTOCombinada com o encontro das águas, o espetáculo do botos cor de rosa, o emocionante Museu do Seringal ou a casa de farinha duma comunidade cabocla, a estada do visitante terá talvez como outro momento emocionante as músicas e danças  dos índios Dessana. Dando palestra no mundo inteiro, incluindo no famoso Musée des Arts Premiers de Paris, o Cacique Raimundo e sua família, recem-chegados do alto Rio Negro, conseguem manter em sua Oca as tradições culturais que também  são as raízes dos  mitos da Amazônia.

Jean-Philippe Pérol

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Danças dos Indios Dessana

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Barco acostado na Praia do Tupé

Concorde da Air France. Soy loco por ti, America!

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Na chegada do voo inaugural Paris México, traslados de carruagem para Gilbert Pérol e os convidados da Air France

Para os engenheiros da empresa francesa Sud Aviation, os voos supersônicos teriam sido uma historia bem europeia, com a então chamada “Super Caravelle” percorrendo trechos de medio alcance a uma velocidade acima do som. De Gaulle; vamos construir o ConcordeNo dia 29 de Novembro 1962, o casamento com a construtora inglesa BAC levou a decisão que o novo avião tinha que chegar até a América, e os ingleses aceitaram a sugestão do De Gaulle, de mudar o nome para Concorde – com um controvertido “e” no fim para guardar um jeito afrancesado.

CP CONCORDE RIO

Os americanos foram mais difíceis de convencer que os ingleses, e quando chegaram em 1975 os primeiros aviões, tanto da British Airways que o da Air France,  não tinham autorização para pousar em Nova Iorque. E enquanto os ingleses seguiram para o Oriente, de Bahrein a Singapura, a Air France decidiu honrar a sua gloriosa historia latino-americana. concorde ccs 1981Depois de Paris-Dakar-Rio (por pouco um Paris Recife Rio) no dia 21 de Janeiro 1976, foi assim abertas a rotas Paris-Santa Maria-Caracas no dia 9 de Abril do mesmo ano, uma decisão mais política que económica: os estudos de mercado assinalavam que a ocupação não passaria de 36%, uma estimativa que foi (infelizmente) perfeita. Se o voo era muito deficitário e fechou no dia primeiro de Abril de 1982, foi nessa rota que o Concorde quebrou os recordes dos seus voos mais longos. Dois deles (um programado, o outro por acaso) conseguiram fazer a ligação direta, seja  7780 km em 4 horas e 19 minutos, sem parar nos Açores.AF PUBLICIDADE CCSDepois da abertura de Nova Iorque em maio de 1976, a América Latina foi mais uma vez o destino final de uma rota do Concorde, com um voo Paris-Washington-México. Foi inaugurado no dia 20 de Setembro 1978,  amadrinhado pela então primeira dama Dona Carmen Romano de López Portillo. braniff2México ficava a somente 7 horas de Paris em vez de 12 horas e 20 minutos nos voos subsônicos. Em Março de 1981 Washington foi substituído por Nova Iorque, tanto para Dallas que para México, mas a crise económica levou o ano seguinte ao fechamento das duas rotas. 

As Américas foram sem dúvidas os destinos preferidos dos Concorde da Air France, não somente com um quase monopólio dos voos regulares (seis num total de sete), mas com muitas outras cidades recebendo voos excepcionais, GISCARD NO AEROPORTO DE MANAUStanto charters comerciais que fretados para viagens governamentais. Foi assim que o Concorde pousou em São Paulo (Viracopos) em 1971 numa viagem do então ministro francês da fazenda, Giscard d’Estaing, que voltou em outubro 1979 no Brasil, chegando de novo no supersónico mas voltando de Manaus num voo regular. Em 1975 pousou em Montreal, numa homenagem a inauguração do novo aeroporto de Mirabel. E em 1976 uma viagem presidencial o levou a Pointe-a-Pitre, Saint Martin, Nova Orleans, e Houston. Concorde em Foz de IguaçuVindo para Rio-92, o Presidente da França Mitterrand realizou o maior roteiro feito pelo Concorde nas Américas: Brasília, Rio, São Paulo, Recife, Bogotá e finalmente Cartagena. Os voos fretados abriram também mais de vinte escalas no continente: de Las Vegas a Acapulco ou San Juan,  de Iguaçu a remota Ilha de Páscoa! E se o Concorde da Air France parou de pousar nas Américas em novembro de 2003, a legenda que a Air France escolheu de escrever com ele no Novo Mundo  vai continuar ainda por muito tempo!

Jean-Philippe Pérol

Giscard d'Estaing chegando de Concorde em Viracopos

Giscard d’Estaing chegando de Concorde em Viracopos

Mirabel

14 Juillet: uma data, um desfile, uns fogos, uns bailes e muita festa!

 

feu d'artifice du 14 juillet 2012 sur le sites de la Tour Eiffel

O 14 de Julho, também chamado de Dia da Bastilha em alguns países amigos, virou festa national da França em 1880 com um voto da Câmara dos deputados que oficializou mas não deixou claro o motivo exato da escolha dessa data. Tomada da Bastilha Para alguns, era a comemoração do 14 de Julho 1789, a sangrenta tomada da fortaleza real da “Bastille”, símbolo da prepotência e do autoritarismo da monarquia, pelo povo parisiense que procurava armas para se opor as tropas militares hostis as reformas políticas. Charles_Thévenin_-_La_Fête_de_la_FédérationPara outros, era a festa da Federação, no dia 14 de Julho 1790, quando meio milhão de parisienses e de soldados “federais” vindo da França inteira assistiram a uma missa solene durante a qual o rei Louis XVI jurou fidelidade aos princípios da jovem Revolução.

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A festa do “14 Juillet” tem três imprescindíveis tradições. A primeira é o desfile militar, homenagem as Forças Armadas nas quais todo povo confiava nesse final do sigilo XIX para enfrentar a ameaça alemã e recuperar as “províncias perdidas”, a Alsácia e a Lorena.Desfile do 14 de Julho 2015 Até 1914 o desfile era no hipódromo de Longchamps, e foi a partir da vitoria de 1919 que ele virou tradição, descendo os Champs-Elysées.Banda das Agulhas Negras em Paris Juntos com os militares franceses, desfilem também tropas de países amigos – ingleses em 2004, africanos em 2010, argelinos o ano passado, mexicanos esse ano, e mesmo os cadetes brasileiros das Agulhas Negras em 2005! -.  O desfile é tradicionalmente encerrados pela Legião estrangeira – com um passo mais lento que as tropas regulares, ela não pode desfilar na frente -, pela Guarda Republicana a cavalo e pelos aviões da “Patrouille de France” (a esquadrilha da fumaça francesa).

Fogos de artificios em Carcassonne

As duas outras tradições que fazem a alegria dos moradores e dos visitantes são os fogos de artifícios e os bailes, ambos organizados em quase todos os 36.000 municípios do pais. Tradição da realeza francesa, que comemorava assim as vitorias militares, os casamentos ou os nascimentos da família real, os  fogos de artificio viraram durante a Terceira Republica uma tradição popular. Ela foi se repetindo desde a primeira festa do 14 de Julho, em 1880,  quando rodas de fogos escreverem na noite parisiense as palavras “Vive la République” para a alegria dos espectadores presentes.

Bailes populares 14 de Julho

Os bailes são os outros grandes momentos dos 14 Juillet, sendo o mais tradicional de todos o “Bal des Pompiers”, o baile dos bombeiros. Organizado desde os anos trinta em Paris, ele exista hoje em milhares de municípios que se orgulham dessa festa que junta a população, os turistas e os mais populares dos militares (pelo menos na França, mas também em muitos outros países) , os bombeiros. Baile dos bombeiros!Famosos pelos seus “accordeonistes” (sanfoneiros ), os bailes dos bombeiros se abriram agora as musicas mais contemporâneas, virando grandes eventos populares em cidades como Dijon, Nice, Estrasburgo, Toulouse ou Nancy.

14 de Julho em Manaus

O  “14 Juillet” é também festejando em muitos lugares do mundo, incluindo no Brasil onde São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Manaus tiveram eventos populares para comemorar uma festa nacional que quer, desde o seu inicio, ser a festa de todos os amantes da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

Jean Philippe Pérol

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Mundo, França, Brasil: novidades nos “10 mais” da Trip Advisor para 2015

A CIDADE VERMELHA

Mesmo se muitas escolhas são pouco transparentes e extremamente discutíveis, a publicação pela TripAdvisor dos destinos preferidos dos seus internautas é sempre um acontecimento importante para todos os quase 500 destinos avaliados nos quatro cantos do planeta. Publicados na ultima terca-feira, dia 24 de Março, os ” Traveler’s Choice 2015″ dos destinos turísticos integram os comentários dos viajantes sobre hotéis, restaurantes ou atrações turísticas que já foram premiados em janeiro e fevereiro.

Enquanto o ranking 2014 tinha destacado Istambul, Roma e Londres, o Top 10 dos Destinos 2015 premiou Marrakech, a cidade vermelha, capital do sul do Marrocos. LA MAMOUNIA RAKA praça Djemaa el Fna, seus carregadores de agua, seus encantadores de cobras, suas barracas coloridas, os souks cobertos, as palmeiras, os palácios e as muralhas encantaram os visitantes. A qualidade dos seus hotéis, inclusivo o renovado La Mamounia ou o espetacular Sofitel, bem como situação geográfica da cidade, portão de entrada do deserto e saída para as cidades de Ouarzazate e Zaghora, contribuíram muito para esse primeiro lugar.

A PRAÇA DJAMAA EL FNA

Em segunda posição chegou Siem Reap no Cambodia, um dos destinos que mais cresceu nos ultimas anos pela riqueza dos seus templos, mais especialmente dos mais famosos como Angkor Wat, Ta Prohm ou o Templo do Bayon. Nesses lugares abandonados e invadidos há séculos pela mata, reina um ambiente peculiar que foi explorado nos cenários de vários filmes, sendo os mais famosos o “Temple of Doom” do Indiana Jones e o “Tomb Raider” com a Angelina Jolie. Siem Reap foi também bem votado pela riqueza do seu mercado tradicional onde frutas, legumes ou peixes se misturam com estátuas, falsas ou verdadeiras, ou com roupas de seda. A aldeia flutuante dos pescadores do lago TonléSap foi também muito destacada pelos internautas.

ISTAMBUL, AS CISTERNAS

Istambul ficou em terceiro lugar. A outrora Constantinopla não perdeu nada da gloria do seu passado bizantino, seja na Igreja Santa Sofia, na Torre de Galatá, nas muralhas ou nas escondidas cisternas. OS SOUKS DE ISTAMBULOs otomanos conseguiram ampliar esse acervo com a Mesquita Azul, o palácio de Topkapi ou os míticos souks, santo paraíso de todas as compras. As ruas carregadas de Historia, as ilhas do Bosforo, os inúmerosos cafés onde se saboreia o café “turco”ou os chás de hortelã são as principais atrações citadas pelos turistas.

Com Paris no nono lugar e ainda sem nenhum brasileiro (isso também nem nos 25 primeiros), o top 10 dos melhores destinos do mundo vencedores dos “Traveler’s Choice 2015” fechou com  as cidades seguintes: 1 – Marrakech (Marrocos), 2 – Siem Reap (Cambodia), 3 – Istanbul (Turquia), 4 – Hanoi (Vietnã), 5 – Praga (República Checa), 6 – Londres (Inglaterra), 7 – Roma (Italia), 8 – Buenos Aires (Argentina), 9 – Paris (França) e 10 – Cape Town (Africa do Sul)

PARIS, LA PYRAMIDE

A Trip Advisor não publicou somente o seu ranking mundial, mas também o ranking de cada país. Na França, a novidade foi a volta de Marselha cuja ausência tinha sido denunciada o ano passado.  A escolha dos internautas ainda surpreendeu pela forte presencia dos destinos de esqui, Chamonix e Morzine rivalizando com Estrasburgo, Bordeaux ou Cannes no Top 10 dos Destinos   “Travelers’ Choice” da França: 1 – Paris, 2 – Nice, 3 – Marselha, 4 – Lyon, 5 – Bayeux, 6 – Chamonix, 7 – Estrasburgo, 8 – Bordeaux, 9 – Cannes e 10 – Morzine.

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No Brasil, o Top 10 dos Travelers’ Choice premiou mais uma vez os estados do Sul (quatro destinos nos dez primeiros) e do Nordeste (três). Com Gramado derrotando São Paulo na liderança, e a pernambucana Ipojuca tirando a baiana Trancoso, o ranking dos top destinos brasileiros mostrou ser muito disputado: 1 – Gramado RS, 2 – Rio de Janeiro RJ, 3 – São Paulo SP, 4 – Florianopolis SC, 5 – Foz de Iguaçu PA, 6 – Salvador BA, 7 – Jericoacoara CE, 8 – Ipojuca PE, 9 – Curitiba PA, e 10 – Fortaleza CE. Se, mesmo com a onda mundial do turismo sustentável, o Centro-oeste e a Amazônia ficaram fora dessa lista,  um importante consolo para o Amazonas foi porem de ver que Manaus foi a única cidade brasileira a ser citada na lista mundial dos destinos “tendências 2015”.

Jean-Philippe Pérol

TURISMO NO AMAZONAS, É HORA!

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Descartando de vir jogar em Manaus, Roy Hodgson, o técnico da seleção inglesa, pisou duas vezes na bola. Primeiro porque teve que engolir o resultado do sorteio que mandou a sua equipe jogar na Arena Amazônia, segundo porque mostrou que não está a par do retorno de Manaus nas rotas do turismo internacional. DSC04046Assim, é com toda lógica que o Amazonas vai ser o destino convidado na Feira Internacional de Turismo que começa em Lisboa dia 12 de Março. Empurrado pela força crescente do turismo ecológico, aproveitando a dinâmica da politica cultural do Estado e os seus numerosos festivais, facilitado pelas novas rotas aéreas vindo dos Estados Unidos e da Europa, o turismo tem agora trunfos para virar um motor de desenvolvimento sustentável para a Amazônia brasileira.

Os tradicionais passeios continuam imperdíveis. São as belezas naturais já elogiadas no livro do Jules Verne ‘A Jangada’, o Encontra das águas, as Vitoria Regia,  os passeios na selva ou nos igapós.DSCN0658 São as saudades da época da borracha quando o Amazonas era o segundo Estado mais rico da Federação, um esbanja de dinheiro ainda visível no Porto flutuante, no prédio da Alfandega, no Little Big Ben, e nas três jóias arquitecturais: o Teatro Amazonas e seu telhado vindo da Alsácia, o Palácio Rio Negro, e o Mercado Municipal, obra dum aluno de Gustave Eiffel, agora muito bem renovado.

 Mas além dos clássicos, queria sugerir três atividades  a incluir sempre que for possível. A primeira é um espetáculo no Teatro. São muitos eventos, de cinema, de jazz, de MPB, e o mais espetacular, o festival de opera que esse ano deve trazer o Carmen de Bizet. Reviver os sonhos extravagentes de Eduardo Ribeiro nesse ambiente extraordinário é para o visitante um momento mágico. c8A segunda surpresa são as praias. Me perdoe o Ceara e a Bahia, mas para mim as praias mas bonitas do Brasil são as praias do Rio Negro, praias de área branca que surgem nas beiras e no meio do Rio de setembro a março, oferecendo todos os esportes náuticos e todas as opções de banhos (inclusive com os botos cor de rosa…), em lugares exclusivos onde só chegara o seu barco. DSC04713A terceira oportunidade a não perder são as visitas das comunidades ribeirinhas, seja indígenas ou caboclas. Povos sofridos, que escreverem a heróica mas terrível historia da região ilustrada nos livros do Ferreira de Castro ou de Márcio Souza (não perder o Museu do Seringal ) , eles sempre tem historias a contar, espetáculos folclóricos a mostrar ou artesanato a oferecer. Inspiraram pintores amazonenses como Moacir Andrade ou Rui Machado. E na hora da ecologia e do eco turismo, o desenvolvimento da região tem que ser aprendido com eles, e para eles.

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O Amazonas tem também hoje uma importante oferta de hotéis (do imponente Hotel Tropical ao charmosíssimo Boutique Hotel Casa Teatro), e vários hotéis de selva de qualidade como o Ecopark ou o Anavilhanas Lodge. Numa região cuja força e beleza nasceram nas águas dos rios e dos igarapés, a melhor opção é porem o barco que oferece não so a hospedagem e um culinário regional, mas a chave para acessar a todas essas belezas que o técnico da seleção inglesa vai ser em breve tão feliz de descobrir.

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Jean-Philippe Pérol