Gustave Eiffel, muito além da torre

Sempre jovem, a torre só escapou da destruição pela vontade do Eiffel

Mesmo se já atraiu quase dois milhões de cinéfilos, o filme não é completamente fiel a realidade histórica e aos três anos de trabalho realizados pelas equipes de Eiffel para ganhar a licitação da obra. Ele acerta porem quando descreve as dúvidas iniciais sobre o projeto, bem como as inúmeras dificuldades técnicas, financeiras e políticas que teve que enfrentar durante a construção, e até a inauguração no dia 31 de março de 1889. Aproveitando o lançamento, o Escritório de turismo de Paris  criou o roteiro mostrando não somente os locais onde o filme foi realizado, mas também algumas outras obras marcantes do Eiffel.

A ponte Eiffel, no Parque das Buttes Chaumont

Eiffel deixou sua marca em numerosos edifícios parisienses, da sinagoga da rua des Tournelles até a loja “Le Bon Marche”, do “Shack” até a sede do “Crédit Lyonnais”. No coração do  parque das Buttes-Chaumont, o roteiro destaca a Ponte Eiffel, uma passarela de 63 metros de comprimento construída para a Exposição Universal de 1867. Inaugurada pelo Napoleão III, é famosa pela armação metálica verde e os tijolos vermelhos que lembram as cores das arvores do Parque. Prevista no início para o transito de veículos, completamente reconstruída em 1956, ela é hoje aberta exclusivamente aos pedestres querendo  passear nas “Buttes”  Puebla e Fessart.

Paradis Latin - 2020 L'Oiseau Paradis, Paris

Destruído em 1870, o Paradis Latin foi reerguido pelo Eiffel em 1887

Construído durante o Segundo Império, o Paradis Latin é o mais antigo cabaré de Paris. Destruído durante a guerra de 1870, ficou abandonado durante 17 anos. Pensando na Exposição Universal de 1889,  Gustave Eiffel reconstruí o teatro em 1887. A obra ficou famosa pelas colunas metálicas apoiadas nas muralhas das fortificações do rei Philippe Auguste, que ficam no subsolo do edifício, e pelo pé direito excepcionalmente alto. Fala-se que o Eiffel queria esta extraordinária altura da sala não somente para permitir espetáculos de acrobacias, mas ainda para competir tecnologicamente com a ousadia arquitetural das catedrais.

O Printemps foi pioneiro nas estruturas metálicas do Eiffel

Reconstruído em 1882 depois de um incêndio, Le Printemps Haussmann  é considerado como um dos primeiros prédios de Paris a ter estruturas metálicas até na fachada, fazendo do ferro  um material nobre e um componente chave da decoração, tanto nas vigas que nas escadas. A presença dessa grande loja de departamento no roteiro do Escritório de turismo de Paris se deve também ao fato que o fundador do Printemps, Jules Jaluzot, foi um grande apoiador do projeto do Eiffel, conseguindo para a sua loja a exclusividade da venda das medalhas comemorativas .

La Samaritaine, da humildade do Evangelho a audácia do templo do luxo | "Le Blog" do Pérol

Hoje renovada pelo grupo LVMH, a Samaritaine foi mesma inspirada pelo Eiffel

Fundada em 1870 por Ernest Cognacq e Marie-Louise Jaÿ, a Samaritaine é uma loja de departamento mas também uma obra mestre juntando “art nouveau” e “art deco”.  Gustave Eiffel inspirou o arquiteto belgo Frantz Jourdain, fascinado pelo seu trabalho e sua tecnologia. Foram suas oficinas que realizaram as estruturas metálicas e as escadas de ferro bem visíveis, numa composição trazendo espaço e luz. Comprado em 2005 pelo grupo LVMH,  que decide em 2005 de aproveitar a sua exclusiva localização e seu excepcional acervo arquitetural, a Samaritaine reabriu em 2021 e virou um icônico projeto parisiense de renovação.

No mercado municipal de Manaus, a herança de Gustave Eiffel

De 1870 e 1880, a empresa Eiffel encontrou um sucesso mundial, com obras cada vez mais complexas e espetaculares. Se a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, é uma escultura de Bartholdi, toda a estrutura foi elaborada por Gustave Eiffel. A partir de 1872 começaram a surgir propostas de outros países. Foram por exemplo a Estação Ferroviária de Budapeste, ou a Ponte Maria Pia sobre o Douro, no Porto. No Brasil foram realizados  dois faróis em Salinópolis, no Pará, e em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Em Manaus, o Mercado Adolpho Lisboa levou a assinatura do Eiffel, e  poderia ser a última etapa do extraordinário roteiro do genial engenheiro que embelezou Paris.

Juntando tradições e inovações, o Museu da Moda de Paris é também obra do Eiffel

 

 

Em Manaus, um novo ciclo do turismo?

O Caxirí, um grande endereço da gastronomia amazonense

Pode parecer um paradoxo, mas somente alguns meses depois do chocante fechamento do mítico Hotel Tropical, Manaus parece aproveitar um grande momento de renovação turística. A cidade, descrita na sua infância pelo génio criativo de Jules Verne, e  marcada no seu auge pela extravagancia de Eduardo Ribeiro, sempre acumulou projetos ou realizações  que favorecerem o urbanismo, a vida cultural, as tradições culinárias e o turismo. Mas, desde do fim do ciclo da zona franca comercial, na época de ouro durante a qual o barco Jumbo da Selvatur levava 300 visitantes por dia para Janauari, a Air France pousava duas vezes por semana, e oito voos por dia chegavam de Sao Paulo, parece que nunca teve tantas novidades hoteleiras e gastronômicas, e tantas ambições  para o turismo do Amazonas .

A Casa Perpetua, a aconchegante herança da borracha

As novidades hoteleiras estão pipocando, mas duas delas mostram claramente as novas tendencias que Manaus está seguindo nas reabilitações exemplares do Largo São Sebastião e das cercanias do Teatro Amazonas. A saudade assumida da grandeza do inicio do seculo passado se vê na Casa Perpetua aonde a empresaria Claudia Mendonça conseguiu transformar uma mansão construída em 1897 pelo desembargador Vidal Pessoa num aconchegante hotel boutique. Com o apoio dos atuais proprietários,  herdeiros do segundo dono, o libanês de cultura francesa François Harb, a casa conseguiu acomodar oito quartos, dois salões, um restaurante e um charmoso patio com uma mini piscina. Dos tradicionais assoalhos bicolores até os impressionantes pé direitos, a arquitetura interna e a decoração são piscar de olhos a época gloriosa (e confusa) da cidade.

O domo do restaurante do Juma Opera olhando as telas do Teatro

Esperado há quase 15 anos, a abertura do Hotel Juma Opera demorou mas não decepcionou os fãs do bem conceituado lodge pertencendo ao mesmo grupo. Escolhendo um casarão do centro histórico, espetacularmente localizado frente a “Opera”, os arquitetos decidiram de manter o espírito da época da borracha, mas de combinar lo com uma decoração apurada, moderna, e com muita inspiração amazônica nas fotos, nos objetos e no ambiente. Um grande lance foi a construção do restaurante no patio, com  uma enorme cúpula de aço e vidro que responde a cúpula coberta de telhas coloridas da Alsácia  do Teatro Amazonas. Assinando um cardápio de pratos regionais,  a chefe Sofia Bendelak mostrou as suas ambições de se juntar ao grupo dos melhores restaurantes gastronômicos amazônicos que já conta com dois grandes talentos manauaras no Banzeiro e no Caxirí.

No mercado municipal, a escola de Gustave Eiffel

A espetacular reabilitação do centro de Manaus se vê também descendo para a beira rio e chegando no Mercado Adolfo Lisboa, cuja beleza a moda de Eiffel combina hoje com um ambiente seguro e limpo. E o visitante tem agora varias opções para beber um suco de taperebá olhando os numerosos “motores de linha” prontos a zarpar para as cidades do interior. A riqueza cultural da cidade encontra aqui a beleza  do Rio Negro, os trunfos do Amazonas para virar um destino turístico “top of mind” no Brasil e no exterior. Há muito tempo sonho de desenvolvimento sustentável da região, o turismo precisa confirmar esse novo impulso resolvendo o seu maior problema, a conectividade. Pronto a oferecer o que for necessário aos possíveis candidatos, a Presidente da Amazonastur, Rosilene Medeiros, conta com um apoio total do governo estadual para aumentar suas ligações aéreas internacionais com os Estados Unidos, o Caribe, e – pourquoi pas?- l’Europe.

Jean Philippe Pérol

 

A espetacular piscina do Juma Opera

Sao Paulo, a Nova Iorque latina que inventa o amanhã…

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Se, na véspera da Copa, muitas duvidas aparecem na imprensa internacional (e brasileira) sobre a conjuntura ou até o futuro do Brasil, o diário francês “Le Figaro” publicou hoje uma elogia apaixonada de São Paulo. Lembrando que a cidade acolherá o jogo inaugural, o jornalista Jean-Pierre Chanial elogiou o vanguardismo, a criatividade e o dinamismo da cidade, sua energia para inventar hoje o mundo de amanha, definir novas tendências e ser uma Nova Iorque latina onde as coisas acontecem. Impressionado pelo seu gigantismo, sua área cinco vezes maior que Paris e sua aglomeração, seus 2578 arranha-ceús, suas 2000 boates, seu milhão de pizzas comidas cada dia ou suas pinturas de ruas, ele destacou algumas preferências para justificar esse amor a primeira vista: o futebol, o mercado municipal, a arte de rua da Vila Madalena, e a Avenida Paulista.

A paixão pelo futebol parece ao Chanial um dos fundamentos da sociedade paulista. No coração da cidade, ele achou que isso  reúne os executivos, os vendedores de rua, os loiros, os índios, os pretos ou os morenos de todas as miscigenações, os pedreiros ganhando 1000 reais por mês ou os engenheiros formados nos Estados Unidos. 20090604123647b2_0099Esse povo  construiu a capital econômica do Brasil mas sempre se lembra que o primeiro jogo de futebol aconteceu aqui em 1894. Em São Paulo o futebol tem seu museu,  um paraíso dos fãs de todas as idades onde o visitante é guiado por um Pelé virtual, e em São Paulo a Fifa se surpreendeu como o novo estádio do Corinthians que já está pronto para a Copa.

O Mercado municipal é para Chanial um verdadeiro Graal dos sabores, No imenso galpão de tijolos e de teto de vidro, a mortadela e os queijos italianos lembram que três milhões de paulistas são  descendentes dos imigrantes que vieram trabalhar nas fazendas de café no final do século XIX. Mais que os 250 feirantes, o que fascina o turista são uns vinte pequenos restaurantes, servindo por menos de dez reais pratos típicos preparadas por “mammas” que parecem chegar de Napoli, mexendo nas panelas ou assando as bruschettas sem perder a amabilidade e a sinceridade. Para ele, uma outra surpresa vem das paredes da cidade.

Podem ser simples palavras “sou eu, então é você”, “f… a policia”ou “arte não é crime”. Podem ser verdadeiros quadros “naif” ou abstratos, tipo quadrinhos ou realistas, mas as vezes impressionantes. Podem chegar a ser geniais, como é o caso no Beco do Batman, no bairro de Vila Madalena, onde as paredes dos sobrados viram explosões de formas e de cores, de sonhos e de desejos. Nessas ruas estreitas, não são os grandes arquitetos que assinam o novo look da cidade, mas pintores de rua como Nina Pandolfo ou Minhau, Chivitz. A cada esquina, o turista pode parar tomar uma cerveja num barzinho “bobo” onde cada jogo da Copa será com certeza uma grande festa.

Para o jornalista do Figaro, o ultimo imperdível da cidade é a Avenida Paulista, para ele o Champs Elysées de São Paulo…20090604121829b2_0030Saudades das mansões dos barões do café hoje quase desaparecidas, beleza imponente dos aranha céus que grandes arquitetos construíram para os maiores bancos do pais, ou lojas e restaurantes para todos os bolsos, impressionaram porem menos que a multidão nos calçadões. O balé dos colarinhos brancos grudados nos celulares e das fashionistas mostrando as grifes das suas bolsas, os olhares trocados de beleza mestiça, deram a Jean Pierre Chanial a impressão que era ai mesmo que São Paulo era pronta para enfrentar sem medo o seu destino.

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Merci, Monsieur Chanial, para essa animadora visão de São Paulo!

Jean Philippe Pérol

Para ler o artigo completo em francês: http://www.lefigaro.fr/voyages/2014/05/02/30003-20140502ARTFIG00243-so-paulo-rendez-vous-avec-la-demesure.php

Na mesmo edição do Le Figaro, ler também os outros artigos sobre a moda e os negócios em  Sao Paulo.