No ranking das marcas mais poderosas do mundo, a surpreendente Aeroflot!

American Airlines, a marca mais valiosa do transporte aéreo em 2017

Enquanto os ranking de empresas ou de marcas estão virando uma tradição do inicio do ano em todos os setores, a empresa inglesa Brand Finance publicou seu Brand Strength Index -BSI-, com avaliações financeiras mas também analises de marketing e de serviços. O tradicional ranking dos “most valuable Brands” lista em 2017 mais de 3500 marcas, todas as grandes empresas internacionais, incluindo as companhias aéreas ou as operadoras. O primeiro lugar mudou, a Google passando na frente da Apple com o valor da sua marca chegando a USD 109 bilhões, seguindo da Amazon, da ATT e da Microsoft. No Top 500, as brasileiras ficam longe, Itaú no 220º lugar, Bradesco no 287º, Claro no 302º, Banco do Brasil no 319º, e Petrobrás no 321º.

A TUI, única marca de turismo no Top 500

Pela valorização da marca, aparecem no ranking somente uma operadora, a TUI (no 458º lugar), e nove companhias aéreas, com os Estados Unidos e a China mostrando as suas forças. O primeiro lugar mudou em 1917, passando para American Airlines agora valorizada em USD 9,8 bilhões. Atrás vêm a Delta, a United, a Emirates (que perdeu o primeiro lugar), a Southwest, as três chinesas China Southern, China Eastern, e Air China, e em nono lugar a British Airways. Nenhuma brasileira apareceu nessa lista, e a Air France ficou somente como 24ª marca. Esse primeiro ranking sendo somente financeiro, os especialistas esperam também cada ano a segunda classificação da Brand Finance,  o ranking das marcas mais poderosas,  valorizando mais as expectativas e as satisfações do viajante.

Aeroflot, marca mais poderosa da aviação em 2017

Esse “Brand Strength Index”, lista das marcas mas poderosas, leve em consideração critérios de qualidade como os investimentos em marketing, a fidelidade dos consumidores, o retorno dos investidores e o empenho dos colaboradores. Para o setor da aviação, são analizados uns trinta fatores, seja o tamanho e a idade da frota, a política de segurança, o numero de funcionários, os investimentos, a apreciação da IATA e a nota das agencias de notação financeira. O resultado 2017 foi uma surpresa, colocando em primeiro lugar, a companhia russa Aeroflot que tinha chegada somente em 26º lugar considerando o valor das marcas, mas tomou a liderança desse ranking das marcas mais poderosas.

O Tupolev 144, o “Concordski” que marcou a historia da Aeroflot

Fundada em 1923, herdeira dos tempos da economia soviética, a Aeroflot vai com certeza surpreender até os viajantes mais experientes com essa premiação. Se alguns fatores de sucesso jà eram conhecidos, como a sua liderança no mercado interno, seus 43 milhões de passageiros, ou a posição geográfica estratégica da Russia, outros só aparecerem desde os anos 90. A companhia tem o cobiçado AAA nas agencias de notação, as suas normas de segurança são dentro das mais rigorosas do mundo, só teve um acidente nos últimos 20 anos, sua frota de 190 aviões (em grande maioria Airbus) é uma das mais jovens, seu serviço de bordo é considerado impecável e ela pertence desde 2006 a aliança Skyteam.

Aeroflot com o Skytrax Award 2016

Escolhida em 2016 como melhor companhia da Europa oriental, Aeroflot ganhou em 2017 esse título de marca mais poderosa do mundo na frente da Aeromexico, da American Airlines, da China Southern Airlines, da Delta Air Lines, da Emirates, da Jetblue Airways, da Southwest, da Turkish Airlines, e da Westjet Airlines.

Поздравляем наших удивляющих друзей из Аэрофлота!*

*(Parabens,  surpreendentes amigos da Aeroflot!)

Adotados em 2016, os uniformes fazem a unanimidade dos viajantes

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne  

As companhias low cost chegando até nas grandes alianças!

As grandes alianças desafiadas pelas low-cost

As grandes alianças enfrentando os desafios das low-cost

Com o crescimento das low-cost nos voos intercontinentais, as barreiras entre as grandes companhias tradicionais e as recém chegadas estão pouco a pouco desaparecendo. Vencendo os seus preconceitos, muitas empresas regulares estão até abrindo subsidiarias para competir com o novo modelo econômico da bem sucedida Norwegian. E até  a Air France conseguiu convencer os seus pilotos de aceitar a criação da “Boost”, filial low-cost que aproveitará ganhos de produtividade de 15% para abrir (ou reabrir) rotas hoje deficitários  – Brasilia ou Recife podendo ser opções de curto ou médio prazo. Para quebrar as barreiras, um outro sinal muito forte do novo olhar sobre as low-cost está sendo dado com a provável entrada de companhias a baixo custo nas grandes alianças internacionais.

Oneworld, procurando parcerias em pais emergentes

Oneworld, procurando parcerias em pais emergentes

A Oneworld, impressionada pelos mercados que as low-cost ganharam nos últimos anos, está procurando parceiras nos países emergentes. Bem posicionada na América Latina com a LATAM, está olhando principalmente na China, na Índia e na África, em lugares aonde essa aliança está sendo distanciada pelas suas concorrentes da Skyteam e da Star Alliance. Varias negociações estão perto de ser fechadas com companhias africanas, as dificuldades maiores sendo de respeitar as posições dos parceiros regionais.

Jazz, subsidiaria low cost da Air Canada

Jazz, subsidiaria low cost da Air Canada

A Star Alliance está mais adiantada na sua colaboração com as low-cost. Em 2016 ela iniciou parcerias  com a companhia sul-africana Mango, empresa domestica que está se desenvolvendo no internacional, e com a chinesa Juneyao Airlines, empresa de Xangai operando em 35 cidades da China e em Hong Kong. A Star Alliance também inovou montando novas parcerias com as subsidiarias low-cost dos atuais sócios da aliança. Deverá ser em breve o caso da Scoot de Singapore Airlines, da EuroWings da Lufthansa ou da Jazz de Air Canada.

U-Fly, primeira aliança de companhias low-cost

U-Fly, primeira aliança de companhias low-cost

Alem de bater na porta das grandes alianças, as companhias low-cost estão criando suas próprias alianças. Em janeiro de 2016, 4 empresas operando no sul da China lançaram a primeira aliança de low-cost, U-Fly, juntando  HK Express, Lucky Air, Urumqi Air e West Air. Essa aliança foi logo superada pela Value Alliance que agremiou em Maio 2016 8 companhias da Asia mas tambem do Oriente médio e do Pacifico: Cebu Pacific, Jeju Air, Nok Air, NokScoot, Scoot, Tigerair Singapour, Tigerair Australia et Vanilla Air. Quarta aliança mundial em termos de passageiros, cobrindo 160 destinos com frotas juntando 176 aparelhos, a Value Alliance não anunciou programa de fidelidade, mas tem muitos projetos, especialmente na área da informática, que mostram que as companhias low-cost querem integrar, até nas alianças, o mundo dos grandes da aviação comercial internacional.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Value Alliance now challenging the biggest traditional careers

Value Alliance desafiando até as maiores companhias tradicionais

Cobrar pela sua bagagem, agora um negócio de US$ 67,4 bilhões!

Champagne para todos?

Champagne para todos?

Quem não gostou da última decisão da ANAC de autorizar, a partir do 14 de Março, a cobrança do despacho de bagagens,  vai ser talvez decepcionado ao saber que a cobrança de serviços anexos pelas companhias aéreas ainda cresceu em 2016, devendo chegar a US$ 67,4 bilhões. Na sua pesquisa anual junto às 67 maiores empresas de transporte aéreo internacional, a IdeaWorksCompany/Car Trawler mostrou que essas receitas, incluindo vendas a bordo e vendas ligadas a programas de milhas, deverão chegar a 17,81 US$ por passageiro, sejam 9,1% das receitas globais das companhias aéreas. Um crescimento de 13,8% em um ano.

As receitas anexas das companhias triplicaram desde 2010

As receitas de “serviços opcionais” representam mais de US$ 44 bilhões, dois terços do total. São os despachos ou excessos de bagagens, as bebidas e a comida a bordo, a marcação dos assentos ou os upgrades, as vendas de duty-free e, cada vez mais, o wi-fi que cada vez mais companhias estão oferecendo. As outras receitas são provenientes da venda dos programas de Frequent Flyers (FFP) e das comissões recebidas sobre as vendas de serviços terrestres como reservas de hotéis ou de carros.

Repartição das receitas nas companhias tradicionais fora dos EE-UU

O relatório da IdeaWorksCompany mostra que todas as 178 empresas existentes não estão aproveitando da mesma forma essas novas fontes de receitas, três grupos se destacando com mais de 10% do seu faturamento global em serviços anexos. São as companhias low cost que chegam a uma média de 11,8% com uma política de ofertas “à la carte”, muita agressiva e muito bem aproveitada por empresas como Anadolu Jet, Cebu Pacific Air, ou VivaAerobus. Em segundo lugar ficam as grandes companhias americanas como Delta, United ou Alaska, com 12,3% do seu faturamento proveniente principalmente dos pagamentos de bagagens e dos programas de Frequent flyers. Na liderança, destacam-se com 25,5% algumas empresas – Spirit Airlines, Ryanair, Eurowings ou Flydubai, que fizeram dessas receitas um objetivo estratégico.

Receitas por tipo de companhia aérea

Para as companhias tradicionais, as receitas de serviços anexos só representam uma média de 5,8% do faturamento global, mas com um crescimento excepcional em relação a 2015. Com pagamento de bagagens quase generalizado, vendas de assentos, cobrança de vantagens anexas, propostas de wi-fi, Aerolíneas Argentinas, Air New Zealand, LOT Polish Airlines, Royal Jordanian mas também Austrian, Lufthansa,  SWISS e até Emirates estão agora priorizando o crescimento dessas receitas.

Spirit Airlines, campeã das receitas opcionais

Spirit Airlines, campeã das receitas opcionais com 43% do faturamento

A conclusão mais interessante do relatório da IdeaWorksCompagny se refere à atitude do novo viajante. Enquanto ele tenta desesperadamente encontrar as tarifas mais baratas, ele aceita ao mesmo tempo de pagar quase US$ 20 para serviços opcionais claramente identificados para melhorar seu conforto. Essa nova tendência não vai somente enriquecer a sua “experiência” durante o voo, vai também ajudar as companhias aéreas a melhorar suas rentabilidades, satisfazer os seus acionistas, tranquilizar seus funcionários, e garantir o futuro do setor. Então, obrigado à ANAC por deixar a Gol, a Latam ou a Azul cobrar a sua mala?

Cobrança do despacho de malas agora liberalizada pela ANAC

Cobrança do despacho de malas agora liberalizada pela ANAC

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Tatiana Rokou  no Travel Daily News International 

Um sucessor do Concorde a preços Virgin?

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O projeto de supersônico da Boom

Desde o dia 31 de Maio de 2013, quando o Concorde da Air France pousou pela ultima vez em CDG procedente de Nova Iorque, não faltaram nostálgicos e visionários para tentar relançar um projeto de avião comercial combinando velocidade superior a Mach 2 e viabilidade econômica. Um grupo de fãs ingleses  juntou 40 milhões de libras para por o próprio Concorde a voar de novo em 2019. AS2 da Aerion:AirbusA empresa americana Aerion projetou o AS2, um avião pequeno – 12 lugares-, voando somente a Mach 1,5 e custando 120 milhões de dólares, mas que já interessou a companhia de taxi aéreo Flexjet. A Lockheed já tem também seu projeto, e a Spike Aerospace de Boston trabalha com a ideia de um avião sem janelas. A própria Airbus imaginou um modelo parecendo um foguete que poderia voar a Mach 5, digno de ficção cientifica mas já protegido com vários brevês e patentes.

Avion fusée Airbus

O avião foguete da Airbus

Richard Branson anunciou agora uma parceria para viabilizar um novo projeto. O imprevisível dono da Virgin, que já queria em 2003 comprar os Concorde da British, ambiciona de relançar voos supersônicos,  mas com tarifas acessíveis: 5000 USD a ida e volta entre Londres e Nova Iorque, ou  7000 USD entre Los Angeles e Sidnei. Escolheu de apoiar o projeto de uma start up do Colorado, a”Boom”, e confirmou uma opção para dez aparelhos. Fundada por Blake Scholl, piloto e ex-executivo da Amazon, e um pequeno grupo de dez engenheiros especialistas  dos voos supersônicos, a “Boom” já conseguiu atrair vários grandes investidores da Silicon Valley e  está desenvolvendo um protótipo num galpão de Denver, no Colorado.

O avião da Boom imaginado no aeroporto de Londres

O avião da Boom imaginado no aeroporto de Londres

Para conseguir a façanha de construir um avião cruzando o Atlântico Norte em três horas e meia, e de viabilizar passagens aos preços da atual Classe Executiva, a “Boom” apostou em utilizar somente tecnologias já existentes, seja na parte aerodinâmica , nos materiais compósitos em fibra de carbono ou nos motores. Richard Branson e o seu GalacticCom o apoio do Branson, a filial da Virgin ” The Spaceship Company” vai também trazer sinergias na engenharia, no design, na produção, nos voos experimentais ou nas próprias operações. O avião poderá transportar 40 passageiros, sendo dez fileiras de quatro  poltronas, duas de cada lado do corredor. Com uma autonomia de sete horas (o dobro do Concorde), a  velocidade será de Mach 2,2 (um pouquinho acima do Concorde que voava a Mach 2), e a altitude de cruzeiro de 18.000 metros, dando – como no Concorde- para ver o céu quase preto e o horizonte bem curvo. A Virgin e a Boom estão programando para o final de 2017 o primeiro protótipo em Denver, mas se recusaram a dar uma data seja para o primeiro voo experimental ou seja para o inicio dos voos comerciais. Muito cautelosos, os especialistas pensam que, se esse projeto se realizar, a Virgin só poderá embarcar seu primeiro passageiro em 2025. Até lá, o Concorde continuará a ter o monopólio dos nossos sonhos aeronáuticos .

Jean-Philippe Pérol

Concorde da Air France, lindo e ainda pioneiro

Concorde da Air France, lindo e ainda pioneiro

 

 

 

Norwegian, a empresa low cost tentando (de novo) os voos de longa duração

Aeroporto Charles de Gaulle esperando Norwegian para Julho

Aeroporto Charles de Gaulle esperando Norwegian para Julho

Enquanto as companhias low cost se concentravam até agora nos voos de menos de 4 horas, o cenário mudou nos últimos dois anos. A companhia norueguesa Norwegian Air Shuttle, já conhecida por ter aberto 38 voos entre a Europa e os Estados Unidos, já presente entre Nova Iorque e Paris Orly, vai inaugurar no próximo mês de Julho vários voos entre o aeroporto Charles de Gaulle e os Estados Unidos. Norwegian em Nova IorqueLigando assim 7 vezes por semana Paris a Nova Iorque, Los Angeles e Fort Lauderdale, ela vai propor tarifas a partir de 179 euros por cada trecho, 33% mais baratas que as melhores ofertas das companhias regulares. Além de uma nova concorrente nas rotas do Atlântico Norte, a  aparição de low cost em voos de longo alcance – que já começou também na Inglaterra, e na Alemanha com a Eurowings – é mais uma ameaça para as grandes empresas tradicionais.

Dreamliner da Norwegian

Dreamliner da Norwegian

Para competir com a Air France, desafiar a força das redes mundiais e oferecer um serviço competitivo mesmo se mínimo, Norwegian conseguiu reduzir os seus custos com três medidas. A primeira é de oferecer tarifas muito baixas, mas sem incluir nada além da passagem, de uma bagagem de cabina de 10 quilos, e do acesso a um excelente wifi a bordo. Qualquer outro serviço é cobrado: uma refeição 70 euros, uma mala no porão 70 euros, uma cadeira marcada 35 euros. As passagens não são reembolsáveis, têm suplementos para fones de ouvidos e até para cobertor, e uma sobretaxa é cobrada se pagar com cartão de crédito …

Hop, a fé da Air France nos low costs nos voos de curta distancia

Hop, a fé da Air France nos low costs para voos de curta distância

O segundo segredo dessas empresas low costs fica nos aviões escolhidos. Os Boeing 787-Dreamliner da Norwegian levam 291 passageiros (inclusive 32 numa classe Premium), em vez de somente 250 nas companhias tradicionais. Aviões da última geração, eles tem um consumo de querosene 15% mais baixo que os aparelhos da geração anterior, além de oferecer alguns serviços, especialmente o wifi, que ainda não são disponíveis em frotas mais antigas. Os custos da companhia estão também reduzidos pela estratégia escolhida para reduzir os custos de pessoal. Contratadas na Irlanda – sede da holding- ou nos Estados Unidos, as tripulações não serão enquadradas pelas pesadas leis trabalhistas francesas, nem influenciadas pelos poderosos sindicatos. A Norwegian espera assim rebaixar essas despesas de quase 50% em relação a Air France, diminuindo  seu peso de 30% a somente 16,3% em relação ao custo global dos voos.

Voo inaugural da Norwegian na Martinica

Voo inaugural da Norwegian para Martinica

Depois das empresas low cost na Europa e dos hubs das companhias do Golfo, o crescimento  da Norwegian ou da Eurowings é mais uma ameaça pesando no modelo tradicional da aviação internacional. Thierry Gargar do turismo da Guadalupe na inauguracão do voo da NorwegianO sucesso do modelo já experimentado em Londres, o rápido desenvolvimento internacional dessas companhias (a Norwegian já opera nas Américas, incluindo com voos entre  a Martinica, a Guadalupe e Boston, Baltimore ou Nova Iorque;  tem projetos em Bordeaux), mostra que essas novas ofertas dos low costs tenham a capacidade de seduzir os viajantes. Mesmo sabendo das dificuldades que o transporte aéreo a baixo custo sempre acaba enfrentando, e lembrando da pioneira Laker Airways ou da falida Zoom Airlines, a Air France e as grandes companhias regulares já estão cogitando uma resposta.

Jean-Philippe Pérol

O famoso explorador Thor Heyerdahl nas asas da Norwegian

O famoso explorador Thor Heyerdahl nas asas da Norwegian

 

2016, Ryan Air x Lufthansa: o mundo muda …

Aviões da Ryan Air

Aviões da Ryan Air

Quem já trabalhava no turismo em 1985 dificilmente imaginaria que os primeiros voos  da recém criada Ryan Air entre a Irlanda e a Inglaterra – com um pequeno Embraer de 15 lugares- anunciavam uma nova era da aviação na Europa. Embraer da Ryan Air em 1985Comemorando os seus 30 anos, a companhia irlandesa deve porém realizar a façanha de passar na frente da Lufthansa. Em 2015, ela encostou 105 milhões de passageiros contra 107 milhões e deveria inverter essas posições em 2016. Aproveitando o potencial das empresas low-costs na Alemanha (hoje elas têm somente 25% do mercado enquanto essa porcentagem chega a 50% no Reino Unido ou na Itália), Ryan Air está lançando  mais linhas e novas ofertas, fazendo sofrer sua concorrente e sua filial Eurowings.

Luzes da noite de Berlim

Fazendo do mercado alemão uma das suas prioridades, a estratégia da Ryan Air é primeiro de abrir novas linhas, incluindo o maior número possível de novas rotas. Será a única companhia a operar de Colônia para Copenhague, Varsóvia, Valença, Porto e Bergamo. Ryanair-Luftansa_01Em Hamburgo terá o monopólio dos voos para Madri e Barcelona. Com preços competitivos frente a TUI, Air Berlin e Eurowings, Ryan Air consegue mesmo excelentes resultados na rota muito concorrencial entre Colônia e a Grande Canária. Com um importante hub em Timisoará, ela se posicionou não somente nos voos da Romênia para Alemanha – Berlim e Frankfurt – , mas também nas principais rotas entre a Romênia e a Bélgica, a Inglaterra ou a Itália.

O Being 747-8 "Queen of the Skies" da Lufthansa

O Being 747-8 “Queen of the Skies” da Lufthansa

Enquanto o domínio da Lufthansa e da Air Berlin, donas de 60% do mercado,  bloqueava o crescimento na Alemanha das companhias low-costs, os aeroportos entenderam agora que essas companhias são as únicas tendo a produtividade necessárias para impedir o fechamento de muitas rotas. Se a jurisprudência europeia proíbe agora os subsídios que ajudaram a abrir novos voos na Franca em cidades como Pau, Nîmes ou Angoulême, as tarifas aeroportuárias deveriam porem baixar e permitir um novo impulso a Easy Jet e a Ryan Air. A Lufthansa, através da sua subsidiaria Eurowings, ainda espera poder aproveitar essa oportunidade. Mas é pouco provável que seus preços sejam competitivos, e que a reconhecida qualidade alemã dos seus serviços ou das suas vantagens sejam suficientes para assegurar a liderança do grupo na Europa.

Mesmo se a França é agora o último mercado a resistir ao sucesso da Ryan Air, o mundo da aviação parece definitivamente transtornado. Veremos em 2016 a iconoclasta companhia irlandesa – que chegou a propor de vender lugares em pé nos seus aviões-  ficar na frente da Lufthansa, da Air France e da British no o primeiro lugar do pódio europeu. Por enquanto.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista online Pagtour

AIR FRANCE EASY JET

Concorde da Air France e Boeing da Easy Jet

Wi-Fi a bordo: em 2016, virando rotina?

Virgin America inflight wifi billboard

São hoje pelo menos sessenta companhias aéreas que oferecem serviços de Wi-Fi a bordo dos seus aviões. A plataforma de viagem routehappy.com acabou de publicar uma interessante pesquisa comparativa das suas ofertas, tanto nos voos de longas que de curtas distancias. O ranking assim estabelecido leva em consideração os equipamentos, a qualidade do serviço, mas também a oferta global de assentos (available seat miles ASM) de cada companhia, critérios que levam a calcular que 36% dos viajantes podem hoje se conectar com a Internet.Delta As três maiores companhias americanas lideram o ranking, a Delta ficando com uma pequena vantagem sobre United e  American. A Southwest é a quinta colocada, bem na frente da Virgin America que tem 100% de seus aviões equipados, mas com uma oferta global de assentos muito menor. A concorrência na América do Norte obrigou as companhias a acelerar seus investimentos em 2015, e seus passageiros tem hoje 76% de chances de ser beneficiado com uma conexão a bordo,  sendo esse numero reduzido a 24% nas companhias de outras regiões do mundo.

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Depois de Emirates, empatada com Etihad em sexto lugar, a Lufthansa oferece o Wi-Fi em 100% dos seus voos de longa distancia. Ela é uma das poucas companhias europeias  bem colocada, na frente de Aeroflot, Norwegian, Iberia, Aer Lingus ou Turkish. A pesquisa mostra também que duas das maiores companhias europeias e mundiais, a Air France e a British, mesmo dando prioridade para a clientela corporativa, ainda têm muita cautela quando se trata de Wi-Fi a bordo. Wi-Fi na Air FranceEm parceria com a telefônica francesa Orange, a Air France está testando a bordo de vários Airbus A320 um Wi-Fi de alta velocidade onde será até possível de assistir a televisão, uma tecnologia também testada pelos Trens de Grande Velocidade da SNCF. Com muita pressão dos passageiros – especialmente os Frequent flyers – , esse serviço está funcionando na Virgin America e vai começar em breve na Jet Blue. A Delta, a Aeromexico, a Virgin Atlantic e a Lufthansa estão também se preparando e vão obrigar as grandes concorrentes a encontrar em 2016 as soluções técnicas necessárias.

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A pesquisa de routehappy.com mostrou também que a concorrência em algumas rotas obriga as companhias a acelerar a oferta de Wi-Fi. É o caso de Nova Iorque a Dubai, de Los Angeles a Tóquio ou de Londres a Singapura que constam os maiores números de voos conectados, enquanto é difícil navegar na Internet de Londres para Hong Kong, ou nas principais conexões saindo de Paris. Wi-Fi-en-volA concorrência vai também provavelmente acelerar a gratuidade do serviço, hoje exclusiva dos passageiros da Primeira e da Executiva, mas que será com certeza ampliada em breve para todos os viajantes. No Brasil, a GOL saiu na frente, prometendo instalar o Wi-Fi até o final do primeiro semestre de 2016 em toda a sua frota, em parceria com a Gogo, que irá oferecer a tecnologia necessária e a transmissão de dados via satélite quando no ar. Se o Wi-Fi ainda não é rotina nos céus brasileiros, vai com certeza vira-lo em breve.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista de turismo on-line La Quotidienne

Air France WiFi

Na asas da Ethiopian, a volta das Terras do Preste João!

Os vitrais do Afewerk Teklé

Vitrais do Afewerk Teklé na sede da O.U.A.

Enquanto Ejtihad, Emirates, Qatar Airways ou Turkish estão virando o pesadelo da Air France e das grandes companhias aéreas da Europa e da América do Norte, as plataformas de Abu Dhabi, Dubai, Manama e Istambul, poderão em breve ver surgir competidores. A expansão da Ethiopian Air Lines, mostrou aos  hubs do Oriente Médio uma nova ameaça vindo da Etiópia, o antigo Império do Hailé Selassié -o Ras Tafari-, que conhece há dez anos um crescimento econômico de dois dígitos e quer fazer de Addis Abeba a maior plataforma aeronáutica  da África.

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A Ethiopian voando para São Paulo

Em outubro, a companhia, membro da Star Alliance, recebeu o prêmio CAPA  de “Companhia aérea do Ano”. Num continente onde a saúde financeira da aviação é muito frágil, ela anunciou 175 milhões de dólares de lucro, se auto proclamando “maior companhia aérea da África”.Ethiopian logo Presente há dois anos no Brasil, a Ethiopian Airlines tem mesmo a ambição de virar uma grande companhia mundial, com um plano de desenvolvimento “Visão 2025” que prevê de passar  de 77 aparelhos a 150, com uma frota mais diversificados – hoje só de Boeing mas recebendo os primeiros Airbus a partir de maio de 2016. O sucesso da Ethiopian Airlines se deve em parte aos mesmos ingredientes que seus concorrentes do Oriente Médio, uma estratégia bem definida, uma frota nova,  muitos investimentos em tecnologia – com o único simulador de voo da Africa-, e uma formação do pessoal com um centro atendendo 1400 alunos que passará em breve a atender 4000.O simulador de voo da Ethipian O ponto chave é claramente a consolidação do hub de Addis Abeba, a capital bem localizada entre a Europa, a África, a Ásia e especificamente a China onde a Ethiopian Airlines jà tem voos para Pequim, Xangai, Hong Kong e Cantão. Recebendo hoje 6 milhões de passageiros, e esperando 20 milhões nos próximos anos, o governo anunciou a construção de um novo aeroporto, o maior do continente e o mais eficiente para a sua estratégia de hub.

O Leão de Juda em Addis Abeba

O Leão de Judá em Addis Abeba

Essas ambições estão sem dúvidas consolidadas pelas ambições políticas da Etiópia. Com seus quase 100 milhões de habitantes, seu dinamismo econômico e sua condição de capital da União Africana, o pais se orgulha do seu passado. Único do continente a nunca ter sido colonizado, cristão desde o século III, mítico na Europa  desde a procura das Terras do Preste João, o Império teve relações com o mundo ocidental desde o século XV. Castelo de Fasilidas em HararProcurando um aliado contra as potências muçulmanas , os portugueses trouxeram um apoio decisivo ao imperador Cláudio que venceu as tropas turcas e árabes em 1542/1543 numas batalhas onde morreu o Cristóvão da Gama, filho do Vasco. E se o assassinato do Hailé Selassié acabou com a dinastia dos descendentes de Salomão, a vontade da Etiópia de voltar a ser a grande potência regional é mais forte que nunca. Esse ambicioso projeto vai sem duvidas ajudar a Ethiopian Airlines a consolidar as rotas do seu hub  e a dominar os ceús do continente africano. Para as companhias do Golfo, uma nova ameaça vinda das Terras do Preste João!

Jean-Philippe Pérol

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O Imperador Hailé Selassie com o General de Gaulle em Paris em 1964. Atrás, o Gilbert Pérol, então Porta voz da presidência da Republica.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original do jornal francês Le Monde. O autor morou na Etiópia, sendo um ex-aluno do Liceu Guebre Maryam de Addis Abeba.

Transporte aéreo: o boom das receitas adicionais vai continuar!

Novo-cardápio-Gol

Quem não gostou de pagar 5 reais seu cafezinho na sua ultima viagem com a Gol vai ser decepcionado de saber que a cobrança de serviços anexos pelas companhias aéreas não para de crescer no mundo inteiro. Numa pesquisa feita junta as 63 maiores empresas de transporte aéreo internacional, a IdeaWorksCompany/Car Trawler mostrou que, pelo oitavo ano seguinte, essas receitas, incluindo vendas a bordo e vendas ligadas a programas de milhas, chegaram a 17,49 USD por passageiro, um crescimento de 8,5% em relação a 2013. air-journal_Ryanair-vs-easyJetNo geral, foram 38,1 bilhões de USD e um crescimento de 21% em um ano. “As receitas adicionais são hoje um indicador do sucesso comercial das empresas”, declarou Michael Cunningham, diretor comercial da CarTrawler. ” Elas não são mais uma característica das companhias low-cost porque todas as companhias aproveitam essa renda. A questão não é de saber quem cobra para os serviços, para se esses serviços são de qualidade. Segundo essa pesquisa, a procura de receitas adicionais aumentou ainda mais a concorrência entre as transportadoras tradicionais e as companhias low cost. E a competição criativa colocou essas receitas, bem como a tarificação extra do máximo possível de serviços, no coração da briga pelos lucros.

Top 10 das companhias aéreas: total das receitas anexas

Top 10 das receitas anexas, em valor

Se o top 10 das companhias aéreas com as maiores receitas adicionais é claramente liderado pelas empresas estadounidenses, se deve anotar a boa colocação da Air France que ficou em quarto lugar com 2,046 bilhões de USD. UNITED BAGAGENSOs detalhes dessas receitas não são fornecidos por todas as companhias que participaram da pesquisa. A partir do exemplo da Easy Jet, pode porem fazer uma estimativa: 50% desses valores provenham das bagagens, 20% de comidas e bebidas, 8% de lugares específicos ou de upgrades, 8% de outras compras a bordo e 14% de compras ligadas aos programas de “frequent flyers”.

Top 10 das companhias aéreas: percentagem das receitas anexas

Top 10 das receitas anexas, em percentagem

O top 10 muda porem completamente quando se mede o peso dessas receitas no faturamento global das empresas, as low costs voltando a liderar a lista e a Spirit, famosa pela sua agressividade nas vendas, sempre colocada em primeiro lugar. Mesmo quando voltaram a atacar também os segmentos de viagens de negócios, essas companhias continuam cobrando os seus serviços, as vezes (caso da Ryan Air ou da Easy Jet) cobrando um forfait anual de 200 USD incluindo automaticamente embarque prioritário, lugares específicos e bagagens suplementares. GOL NO ARNovos serviços vão ainda aumentar as ocasiões para o passageiro colocar a mão no bolso. Para as companhias, a mais promissora é o acesso a Internet que já esta sendo oferecido em alguns trechos por companhias como American Airlines, Lufthansa ou Air France, e que deve ser operacional em breve no Brasil. A Gol está com um projeto quase pronto, fruto de parceria com a empresa de conectividade em aeronaves Gogo, com preço  entre 10 e 20 dólares para passageiros esporádicos e entre 3 e 5 dólares para os passageiros mais frequentes. Ai os viajantes vão ter até saudades dos 5 Reais do cafezinho ….

Champagne para todos. So na Air France!

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original do L’Écho touristique