A KLM festejando 100 anos com muito para comemorar

 

A KLM fez questão de festejar os seus 100 anos

A KLM festejou seu centenário, querendo mostrar um pouco do seu passado e muito do seu futuro, analisando o desenvolvimento da empresa ao longo das décadas e o papel que desempenhou na aviação civil internacional antes e depois da associação com a Air France. Uma associação que não quer apagar as diferenças. Assim, enquanto a Air France, com a extraordinária herança francesa e latino americana da Latecoere e da Aeropostale, começou sua história em 1918, Koninklijke Luchtvaart Maatschappij revindica com justo orgulho de ser a mais velha companhia aérea que não trocou de nome. Foi em 1919 que oito investidores criaram a KLM e pediram ao jovem aviador Albert Plesman ser o primeiro diretor da empresa. Um ano depois, o 17 de Maio 1920, o piloto  Jerry Shaw realizava, num De Havilland DH-16, o primeiro voo da empresa entre os aeroportos de Londres e de Amsterdã.

“O centésimo aniversário é uma homenagem aos pioneiros da aviação da KLM, que literalmente colocaram a aviação civil no mapa em todo o mundo. Podemos nos orgulhar de nossa longa lista de conquistas”, declarou Pieter Elbers, presidente e CEO, que lembrou o nem sempre conhecido espirito pioneiro da sua empresa. KLM foi antes da guerra a primeira empresa a ter tripulação comercial especializada, foi em novembro 1945 a primeira a abrir as rotas do Extremo Oriente, e foi, em maio 1946, a primeira a abrir a rota entre a Europa Ocidental e a América do Norte. Nos anos 1970 foi a primeira empresa a participar da aventura do B747-200 que revolucionou o transporte (e o turismo) internacional e  fez disparar o crescimento do transporte de passageiros e de carga.

Dois aviões da Air France e da KLM em Schiphol no dia da OPA

Os anos 1980 e 1990 foram de muitas mudanças, com os choques do desenvolvimento do hub de Schiphol e do acordo com a companhia americana Northwest. O tráfego de passageiros dobrou de 1980 a 1990, mas a rentabilidade não seguiu acompanhando, a KLM tendo pouco viajantes para Amsterdã, e sendo mais procurada pelas passagens baratas  oferecidas aos mochileiros e aos religiosos (no Brasil então com a Raptim). Quando em abril 2004, a Air France lançou sua amigável oferta de compra, a empresa holandesa apresentava um pesado prejuízo de EUR 416 milhões para um volume de vendas de EUR 6,48 bilhões, enquanto a companhia nacional francesa se orgulhava de uma imagem e uma notoriedade excepcionais, com um lucro de EUR 120 milhões para EUR 12,68 bilhões de vendas.

O pessoal se orgulhou da volta por cima

A KLM aproveitou as oportunidades da generosa aliança com a Air France para se reerguer. Em 2019, destacando uma margem bruta de 9,8% contra somente 1,7% da companhia francesa, os resultados se inverteram, e a empresa holandesa se destacou também pela qualidade dos seus serviços e sua notoriedade. O governo holandês, com a cumplicidade dos dirigentes e dos pilotos da KLM, aumentou então a sua participação no capital da Air France-KLM sem avisar o governo francês. A paridade entre os dois países (cada um com 14% das ações do grupo) é a melhor demonstração do extraordinário caminho percorrido pela KLM. Na festa do centenário, o CEO Peter Elbers podia mesmo pedir  aos seus funcionários de ser “enérgicos e confiantes, prontos para enfrentar com otimismo os desafios da sustentabilidade e da inovação do novo século”.

Nos 100 anos da KLM, a tradicional casa Delftware é um palácio. Uma mensagem?

Desde a década de 1950, a KLM apresenta em torno do seu aniversário  casas em miniatura de porcelana Delftware, especialmente projetadas para os 800.000 passageiros da World Business Class em voos intercontinentais, com novas miniaturas adicionadas anualmente. De acordo com a tradição,  a KLM marcou seu centésimo aniversário com a apresentação de uma  nova casa de Delftware, aguardada ansiosamente por colecionadores fiéis em todo o mundo. A centésima miniatura  é uma réplica do Palácio Huis ten Bosch em Haia, o palácio do rei Willem-Alexander e sua família, cujo primeiro exemplar foi presenteada ao Ministro das Finanças dos Países Baixos  Wopke Hoekstra. Presente nas comemorações, Ben Smith, presidente do grupo Air France KLM, lembrou que era normal que cada governo protegesse a sua companhia de bandeira.

Esse artigo foi traduzido e inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

 

 

 

Virada de mesa nos ceús brasileiros

A Delta anunciou a decisão estratégica de entrar na LATAM

Mesmo se os líderes de todos os atores brasileiros desta grande jogada afirmam que a situação continua sendo de “business as usual”, o surpreendente anúncio pela Delta Air Lines da aquisição de 20% da Latam vai ter um impacto profundo e duradouro sobre a aviação internacional e até doméstica no Brasil. Aproveitando a boa saúde financeira para consolidar sua rede, a companhia estaunidense anunciou que colocava na mesa US$ 1,9 bilhão para adquirir 20% da LATAM, a maior empresa aérea da América do Sul, membro de One World e aliado de longa data da American Airlines. No mesmo comunicado, a Delta anunciou que ia se desfazer da participação de 9,4% na Gol, deixando inesperadamente a sua parceira Air France sozinha com a jovem líder das viagens domésticas no Brasil.

A Latam vai chegar tambem nos planos da AF KLM?

Mesmo se o anúncio surpreendeu o trade aeronáutico, o mercado já esperava notícias do Chile, já que a Corte Suprema daquele país tinha cassado em maio um projeto de acordo entre Latam, American Airlines, British Airways e Iberia que infringiu, segunda a  decisão, as leis antitruste. Era uma oportunidade para Delta que escolheu, anos atrás, de reforçar a aliança Sky Team com participações financeiras. A companhia adquiriu assim 10% do Grupo Air France KLM (a Air France tem 49% e KLM 31%), 36% da Aeromexico, 10% da Alitalia, e 3,55% da China Eastern. No novo conselho de administração da Latam, os dois representantes da Delta vão curiosamente sentar juntos com um representante da Qatar Airways, dona desde 2016 de 10% das ações e membro da agora concorrente Oneworld.

Delta “moving the people who move the world”

No anúncio ao mercado, a Delta insistiu na parceria estratégica que essa participação na Latam significava, incluindo com um investimento suplementar de US$ 350 milhões que deixa muito provável a entrada da Latam na Sky Team. A aliança deve sair reforçada mesmo se sob a liderança, agora indiscutível, da empresa estadosunidense. A Delta é agora a primeira companhia mundial em volume de vendas, transporta cerca de 200 milhões de passageiros/ano para perto de 300 destinos em 50 países, tem uma frota de quase 1000 aviões (sendo um terço de Airbus) e emprega 80 mil funcionários. A entrada na Latam deve reforçar essa liderança não somente na América do sul (com um reposicionamento no impreterível gateway de Miami) mas também no mundo inteiro.

LATAM, lider tambem no Ecuador e nos demais paises latinos

O gigante criado em 2012 com a absorção da TAM pela LAN Chile transporta 71 milhões de passageiros/ano para 25 países com suas frotas de 350 aviões (sendo dois terços de Airbus). Com as outras suas subsidiarias LATAM Airlines, na Colômbia, no Perú, na Argentina, no Equador e no Paraguai, virou a maior empresa aérea da America do Sul. No Brasil, devemos porem lamentar que a herança do Comandante Rolim não foi talvez muito bem respeitada. Assim não foram transferidas para nova empresa nem a ousadia de management – que levantou a TAM dos Táxi Aéro Marilia até os Transportes Aéros Mercosul-, nem a prioridade ao cliente – que levava o proprio Rolim a entregar suas cartas aos passageiros em Congonhas-, nem a qualidade do serviço – com o tapete vermelho e sem filas de espera nos check-in.

As famosas presencias do Rolim no pé das escadas dos seus aviões

Sem poder ainda medir todos as consequências no Brasil dessa grande jogada da Delta, podemos talvez somente destacar a elegantíssima reação da Gol Linhas Aéreas Inteligentes que, mesmo sendo extremamente prejudicada com essa reviravolta (e ver seus títulos na bolsa despencarem o dia do anúncio), declarou: “a Delta foi uma ótima parceira da Gol e desejamos-lhes sucesso. Valorizamos nossa parceria com a Delta e estamos felizes em ver essa contínua confiança no mercado de aviação da América Latina”.

Esse artigo foi adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Globalia/Air Europa, líder consolidado na Espanha, e challenger ambicioso na América latina

Juan José Hidalgo, fundador da Globalia, e seu filho Javier, CEO do grupo

Air Europa opera exclusivamente com Dreamliners

Para sustentar esse crescimento de 8,5% da sua oferta 2019 a partir do seu hub de Madri, a Air Europa está ampliando sua frota. Já contando com  oito Boeing 787-8 Dreamliners e quatorze Boeing 787-9 Dreamliners, a companhia está esperando mais dezessete outros Dreamliners serão entregues daqui para 2022. Agora membro de Sky Team ao lado da Air France e da Delta, Air Europa tem grandes perspectivas na Europa e na América Latina. No Brasil, incentivada pelo novo governo, e possibilitada pela nova legislação, a abertura de uma filial brasileira vai permitir a oferta de voos domésticos. Essa atuação no mercado interno deve, na expectativa da ANAC, deve levar a Air Europa a dobrar de 18 para 36 seu número de voos entre Europa e Brasil.

Uma das 837 agencias da Halcón Viajes

Mas as ambições do grupo Globalia na América latina não param na aviação. Durante a sua última viagem em Panamá para abertura das rotas de Panamá City e Medellin, Javier Hidalgo, herdeiro e CEO, anunciou que o objetivo do grupo na América latina era não somente de abrir novas rotas para Air Europa, mas de abrir, em cada um desses destinos, hotéis da sua subsidiária  Be Live. Será assim mais fácil de combinar os pacotes que serão vendidos pela Travelplan, operadora fundada em 1988 pelo pioneiro e proprietário Juan José Hidalgo, pelas 837 agencias de viagens da Viajes Ecuador e da Halcón Viajes, ou pela agencia de vendas on-line Tubillette.com, as subsidiárias do hoje primeiro grupo turístico espanhol.

O Be Live Tuxpan em Varadero

Com a mesma lógica que inspirou outros grandes grupos, a Globalia quer acelerar o crescimento da sua filial hoteleira Be Live. A Be Live hotels possui, gerencia ou aluga 32 hotéis de 4 ou 5 estrelas, na Espanha, no Portugal, no Marrocos e na América latina. Já com sete propriedades em Cuba, seis na República Dominicana e uma no México, o grupo está negociando um hotel no Panamá, um destino que a Globalia julga ter um potencial excepcional de crescimento, comparável à Cancun ou Ponta Cana. Confirmando a confiança do grupo na América latina e no Brasil, outras aberturas estão previstas nos próximos anos em Iguaçu, Lima, Buenos Aires, Montevideo, Assunção, Fortaleza, Recife e São Paulo.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Ethiopian Air Lines, a tragédia, o luto e as esperanças

Um Boeing da Ethiopian decolando de Addis Abeba

Se a aviação internacional é cada vez mais segura, com um numero de vítimas em diminuição constante desde os anos setenta, cada acidente continua sendo uma terrível tragédia. Assim foi o drama do  Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines que levou a Etiópia a decretar ontem um luto nacional. Nesse voo de Addis Abeba a Nairobi, viajavam 157 passageiros e tripulantes, turistas e homens de negócios de 32 nacionalidades que morreram seis minutos após a decolagem, quando o avião em chamas caiu logo depois do piloto ter avisado que estava com problemas. Depois do luto e da prioridade dada aos parentes das vitimas, as autoridades vão aproveitar as duas caixas pretas para tentar explicar o acontecido, e assim definir exatamente as responsabilidades – e consequentemente as medidas necessários.

O Boeing 737 Max no centro das interrogações sobre o crash

A semelhança com o recente drama do voo da Lion Air na Indonésia – um outro 737 Max qui caiu em logo depois da decolagem quando o piloto tentava voltar para o aeroporto, leva muitos analistas a apontar para a Boeing. A própria Etiópia e a maioria dos países com companhias aéreas que já compraram esse aparelho – na Europa,  Austrália, China, Coreia, África do Sul, Singapura, e no Brasil-  já suspenderam os voos do. Talvez temendo um gravíssimo impacto financeiro sobre a construtora de Seattle, a  FAA demorou mas acabou tomando a mesma decisão. A informação da Boeing sobre uma atualização do sistema informática e do manual de formação dos pilotos, bem como novos relatórios de graves incidentes, vem confirmar as duvidas dos especialistas que pensam que a concorrência do Airbus 320neo obrigou a acelerar os primeiros voos comerciais do B 737 Max 8.

As caixas negras de um B737 Max

Assim que acontece a cada tragédia, o trabalho dos investigadores vai ser acompanhado de perto por representantes de todos as partes: as famílias, ansiosas de achar os responsáveis quem que foram, os governos, cuidadosos da segurança dos seus aeroportos e dos seus espaços aéreos, as companhias aéreas, atentas  em proteger seus passageiros, suas tripulações e seus agentes, e enfim os fabricantes, preocupados de descobrir possíveis defeitos dos seus aviões e de medir o impacto nas suas linhas de produção. Esses múltiplos atores são para os viajantes uma garantia de transparência da investigação e, mais importante ainda, da seriedade das decisões tomadas pelos responsáveis públicos ou privados para que um drama semelhante não se reproduz nunca mais nesse avião.

A atenção as tripulações, cuidado permanente da Ethiopian

Esse acidente afetou brutalmente uma companhia aérea com reputação de seriedade, aviões recentes, gestão exemplar e tripulações experientes, que deve agora assumir um luto para falhas técnicas que ja começam a ser esclarecidas e que os responsáveis devem corrigir com urgência. Enraizada na Etiópia, com sua cultura tão peculiar, sua excepcional herança imperial, sua reconhecida liderança africana, e seu impressionante sucesso econômico, a Ethiopian Air Lines  tem porem a capacidade de superar essa tragédia e de continuar a contribuir ao futuro da “terra das origens”.

Jean-Philippe Pérol

A Africa Hall, sede da Organização da União Africana em Addis Abeba

 

Istambul e Turkish Airlines agora com um ambicioso aeroporto para 200 milhões de viajantes

Inaugurando o novo aeroporto de Istambul, o Presidente turco anunciou a ambição de chegar em dez anos ao primeiro lugar do pódio com 200 milhões de passageiros. Com uma capacidade atual de 90 milhões, esse “Ponto de encontro do mundo” deve logo chegar ao terceiro lugar do ranking dos aeroportos internacionais, atrás somente de Atlanta  (103,9 milhões ) e Pequim (95,7 milhões), na frente de Dubaï (88,2 milhões), Tóquio (85,4 milhões) e Los Angeles (84,5 milhões), e dos grandes concorrentes europeus de Londres Heathrow, Paris Charles de Gaulle ou Frankfurt. Com um investimento global de mais de 10 bilhões de USD, a Turquia mostrou que o projeto ia além do transporte aéreo, mas queria reforçar o papel da cidade herdeira de Constantinopla e dos seus três impérios, como ponto de encontro das rotas comerciais e turísticas entre a Europa, o Oriente Médio e a Ásia.

A torre de controle desenhada pela Pinafarina e inspirada da Tulipa otomana

Primeiro aeroporto construído numa nova localização (greenfield) nos últimos 20 anos, o aeroporto de Istambul impressiona pelos seus números, devendo chegar em 2028 com 76 km2 de superfície, 6 pistas, 4 terminais, 6 milhões de m3 de concreto, 53.000  m2 de lojas comerciais (o maior free shop do mundo), um investimento global de EUR$ 10,2 bilhões e … uma torre de controle inspirada da tulipa, a flor símbolo do império otomano. Por impressionantes que sejam, esses números acompanham o crescimento do trafego aéreo turco – 15,7% em 2018 – e as ambições da companhia nacional . Fundada em 1933, e com um crescimento acelerado nos últimos cinco anos, a Turkish Airlines deve transferir ainda esse ano a totalidade dos seus voos para o novo aeroporto, primeiro passo de um projeto que inclui chegar a 500 aviões e 120 milhões de passageiros em 2023.

Emirates, a companhia que segura o futuro do A 380

Com Istambul e a Turkish Airlines, a Air France ou a Lufthansa vão enfrentar um desafio ainda maior em relação a já problemática concorrência das companhias do Golfo. Tanto a Emirates, a Etihad e a Qatar Airways já tinham trunfos decisivos: hubs bem programados, serviços a bordo de grande qualidade, e aviões novos que lhes garantia a escolha dos viajantes, bem como pesos decisivos nas vendas de aviões da Boeing e mais ainda da Airbus que lhe asseguravam os apoios dos governos nas negociações de rotas. Mas, mesmo com os pesados (e bem sucedidos) investimentos de Abu Dhabi e mais ainda de Dubai para aumentar sua atratividade, a importância dos países da região como pólos turísticos depende muito das subvenções indiretas dos seus governos, e seus potenciais como mercados emissores ficam restritos pelas suas próprias demografias.

Antalya ja recebe mais de 10 milhões de turistas internacionais por ano

O hub de Istambul vai aproveitar do bom posicionamento da Turquia, em 2017 sexto destino turístico mundial com 37,6 milhões de visitantes, em forte crescimento nos últimos dois anos. Atraindo ao mesmo tempo russos e alemães, iranianos e israelenses, o turismo turco aproveita o apelo cultural de Istambul – uma das dez cidades mais visitadas no mundo – bem como a qualidade das praias de Antalya, para definir perspectivas de  42 milhões de turistas em 2018 e de 50 milhões em 2023. O novo aeroporto será também fortalecido pelo mercado emissor turco que deve ultrapassar em 2018 os 15 milhões de viajantes e chegar ao dobro nos próximos cinco anos. Juntando o potencial de mercado e de destino dos grandes países europeus com a dinâmica de hub e de companhias aérea dos países do golfo, a Turquia deve mesmo virar um dos maiores”players” do transporte aéreo internacional.

Jean-Philippe Pérol

Istambul guarda o fascinante acervo dos Romanos, dos Bizantinos e dos Otomanos

No ranking das marcas mais poderosas do mundo, a surpreendente Aeroflot!

American Airlines, a marca mais valiosa do transporte aéreo em 2017

Enquanto os ranking de empresas ou de marcas estão virando uma tradição do inicio do ano em todos os setores, a empresa inglesa Brand Finance publicou seu Brand Strength Index -BSI-, com avaliações financeiras mas também analises de marketing e de serviços. O tradicional ranking dos “most valuable Brands” lista em 2017 mais de 3500 marcas, todas as grandes empresas internacionais, incluindo as companhias aéreas ou as operadoras. O primeiro lugar mudou, a Google passando na frente da Apple com o valor da sua marca chegando a USD 109 bilhões, seguindo da Amazon, da ATT e da Microsoft. No Top 500, as brasileiras ficam longe, Itaú no 220º lugar, Bradesco no 287º, Claro no 302º, Banco do Brasil no 319º, e Petrobrás no 321º.

A TUI, única marca de turismo no Top 500

Pela valorização da marca, aparecem no ranking somente uma operadora, a TUI (no 458º lugar), e nove companhias aéreas, com os Estados Unidos e a China mostrando as suas forças. O primeiro lugar mudou em 1917, passando para American Airlines agora valorizada em USD 9,8 bilhões. Atrás vêm a Delta, a United, a Emirates (que perdeu o primeiro lugar), a Southwest, as três chinesas China Southern, China Eastern, e Air China, e em nono lugar a British Airways. Nenhuma brasileira apareceu nessa lista, e a Air France ficou somente como 24ª marca. Esse primeiro ranking sendo somente financeiro, os especialistas esperam também cada ano a segunda classificação da Brand Finance,  o ranking das marcas mais poderosas,  valorizando mais as expectativas e as satisfações do viajante.

Aeroflot, marca mais poderosa da aviação em 2017

Esse “Brand Strength Index”, lista das marcas mas poderosas, leve em consideração critérios de qualidade como os investimentos em marketing, a fidelidade dos consumidores, o retorno dos investidores e o empenho dos colaboradores. Para o setor da aviação, são analizados uns trinta fatores, seja o tamanho e a idade da frota, a política de segurança, o numero de funcionários, os investimentos, a apreciação da IATA e a nota das agencias de notação financeira. O resultado 2017 foi uma surpresa, colocando em primeiro lugar, a companhia russa Aeroflot que tinha chegada somente em 26º lugar considerando o valor das marcas, mas tomou a liderança desse ranking das marcas mais poderosas.

O Tupolev 144, o “Concordski” que marcou a historia da Aeroflot

Fundada em 1923, herdeira dos tempos da economia soviética, a Aeroflot vai com certeza surpreender até os viajantes mais experientes com essa premiação. Se alguns fatores de sucesso jà eram conhecidos, como a sua liderança no mercado interno, seus 43 milhões de passageiros, ou a posição geográfica estratégica da Russia, outros só aparecerem desde os anos 90. A companhia tem o cobiçado AAA nas agencias de notação, as suas normas de segurança são dentro das mais rigorosas do mundo, só teve um acidente nos últimos 20 anos, sua frota de 190 aviões (em grande maioria Airbus) é uma das mais jovens, seu serviço de bordo é considerado impecável e ela pertence desde 2006 a aliança Skyteam.

Aeroflot com o Skytrax Award 2016

Escolhida em 2016 como melhor companhia da Europa oriental, Aeroflot ganhou em 2017 esse título de marca mais poderosa do mundo na frente da Aeromexico, da American Airlines, da China Southern Airlines, da Delta Air Lines, da Emirates, da Jetblue Airways, da Southwest, da Turkish Airlines, e da Westjet Airlines.

Поздравляем наших удивляющих друзей из Аэрофлота!*

*(Parabens,  surpreendentes amigos da Aeroflot!)

Adotados em 2016, os uniformes fazem a unanimidade dos viajantes

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne  

As companhias low cost chegando até nas grandes alianças!

As grandes alianças desafiadas pelas low-cost

As grandes alianças enfrentando os desafios das low-cost

Com o crescimento das low-cost nos voos intercontinentais, as barreiras entre as grandes companhias tradicionais e as recém chegadas estão pouco a pouco desaparecendo. Vencendo os seus preconceitos, muitas empresas regulares estão até abrindo subsidiarias para competir com o novo modelo econômico da bem sucedida Norwegian. E até  a Air France conseguiu convencer os seus pilotos de aceitar a criação da “Boost”, filial low-cost que aproveitará ganhos de produtividade de 15% para abrir (ou reabrir) rotas hoje deficitários  – Brasilia ou Recife podendo ser opções de curto ou médio prazo. Para quebrar as barreiras, um outro sinal muito forte do novo olhar sobre as low-cost está sendo dado com a provável entrada de companhias a baixo custo nas grandes alianças internacionais.

Oneworld, procurando parcerias em pais emergentes

Oneworld, procurando parcerias em pais emergentes

A Oneworld, impressionada pelos mercados que as low-cost ganharam nos últimos anos, está procurando parceiras nos países emergentes. Bem posicionada na América Latina com a LATAM, está olhando principalmente na China, na Índia e na África, em lugares aonde essa aliança está sendo distanciada pelas suas concorrentes da Skyteam e da Star Alliance. Varias negociações estão perto de ser fechadas com companhias africanas, as dificuldades maiores sendo de respeitar as posições dos parceiros regionais.

Jazz, subsidiaria low cost da Air Canada

Jazz, subsidiaria low cost da Air Canada

A Star Alliance está mais adiantada na sua colaboração com as low-cost. Em 2016 ela iniciou parcerias  com a companhia sul-africana Mango, empresa domestica que está se desenvolvendo no internacional, e com a chinesa Juneyao Airlines, empresa de Xangai operando em 35 cidades da China e em Hong Kong. A Star Alliance também inovou montando novas parcerias com as subsidiarias low-cost dos atuais sócios da aliança. Deverá ser em breve o caso da Scoot de Singapore Airlines, da EuroWings da Lufthansa ou da Jazz de Air Canada.

U-Fly, primeira aliança de companhias low-cost

U-Fly, primeira aliança de companhias low-cost

Alem de bater na porta das grandes alianças, as companhias low-cost estão criando suas próprias alianças. Em janeiro de 2016, 4 empresas operando no sul da China lançaram a primeira aliança de low-cost, U-Fly, juntando  HK Express, Lucky Air, Urumqi Air e West Air. Essa aliança foi logo superada pela Value Alliance que agremiou em Maio 2016 8 companhias da Asia mas tambem do Oriente médio e do Pacifico: Cebu Pacific, Jeju Air, Nok Air, NokScoot, Scoot, Tigerair Singapour, Tigerair Australia et Vanilla Air. Quarta aliança mundial em termos de passageiros, cobrindo 160 destinos com frotas juntando 176 aparelhos, a Value Alliance não anunciou programa de fidelidade, mas tem muitos projetos, especialmente na área da informática, que mostram que as companhias low-cost querem integrar, até nas alianças, o mundo dos grandes da aviação comercial internacional.

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

Value Alliance now challenging the biggest traditional careers

Value Alliance desafiando até as maiores companhias tradicionais

Cobrar pela sua bagagem, agora um negócio de US$ 67,4 bilhões!

Champagne para todos?

Champagne para todos?

Quem não gostou da última decisão da ANAC de autorizar, a partir do 14 de Março, a cobrança do despacho de bagagens,  vai ser talvez decepcionado ao saber que a cobrança de serviços anexos pelas companhias aéreas ainda cresceu em 2016, devendo chegar a US$ 67,4 bilhões. Na sua pesquisa anual junto às 67 maiores empresas de transporte aéreo internacional, a IdeaWorksCompany/Car Trawler mostrou que essas receitas, incluindo vendas a bordo e vendas ligadas a programas de milhas, deverão chegar a 17,81 US$ por passageiro, sejam 9,1% das receitas globais das companhias aéreas. Um crescimento de 13,8% em um ano.

As receitas anexas das companhias triplicaram desde 2010

As receitas de “serviços opcionais” representam mais de US$ 44 bilhões, dois terços do total. São os despachos ou excessos de bagagens, as bebidas e a comida a bordo, a marcação dos assentos ou os upgrades, as vendas de duty-free e, cada vez mais, o wi-fi que cada vez mais companhias estão oferecendo. As outras receitas são provenientes da venda dos programas de Frequent Flyers (FFP) e das comissões recebidas sobre as vendas de serviços terrestres como reservas de hotéis ou de carros.

Repartição das receitas nas companhias tradicionais fora dos EE-UU

O relatório da IdeaWorksCompany mostra que todas as 178 empresas existentes não estão aproveitando da mesma forma essas novas fontes de receitas, três grupos se destacando com mais de 10% do seu faturamento global em serviços anexos. São as companhias low cost que chegam a uma média de 11,8% com uma política de ofertas “à la carte”, muita agressiva e muito bem aproveitada por empresas como Anadolu Jet, Cebu Pacific Air, ou VivaAerobus. Em segundo lugar ficam as grandes companhias americanas como Delta, United ou Alaska, com 12,3% do seu faturamento proveniente principalmente dos pagamentos de bagagens e dos programas de Frequent flyers. Na liderança, destacam-se com 25,5% algumas empresas – Spirit Airlines, Ryanair, Eurowings ou Flydubai, que fizeram dessas receitas um objetivo estratégico.

Receitas por tipo de companhia aérea

Para as companhias tradicionais, as receitas de serviços anexos só representam uma média de 5,8% do faturamento global, mas com um crescimento excepcional em relação a 2015. Com pagamento de bagagens quase generalizado, vendas de assentos, cobrança de vantagens anexas, propostas de wi-fi, Aerolíneas Argentinas, Air New Zealand, LOT Polish Airlines, Royal Jordanian mas também Austrian, Lufthansa,  SWISS e até Emirates estão agora priorizando o crescimento dessas receitas.

Spirit Airlines, campeã das receitas opcionais

Spirit Airlines, campeã das receitas opcionais com 43% do faturamento

A conclusão mais interessante do relatório da IdeaWorksCompagny se refere à atitude do novo viajante. Enquanto ele tenta desesperadamente encontrar as tarifas mais baratas, ele aceita ao mesmo tempo de pagar quase US$ 20 para serviços opcionais claramente identificados para melhorar seu conforto. Essa nova tendência não vai somente enriquecer a sua “experiência” durante o voo, vai também ajudar as companhias aéreas a melhorar suas rentabilidades, satisfazer os seus acionistas, tranquilizar seus funcionários, e garantir o futuro do setor. Então, obrigado à ANAC por deixar a Gol, a Latam ou a Azul cobrar a sua mala?

Cobrança do despacho de malas agora liberalizada pela ANAC

Cobrança do despacho de malas agora liberalizada pela ANAC

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Tatiana Rokou  no Travel Daily News International 

Um sucessor do Concorde a preços Virgin?

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O projeto de supersônico da Boom

Desde o dia 31 de Maio de 2013, quando o Concorde da Air France pousou pela ultima vez em CDG procedente de Nova Iorque, não faltaram nostálgicos e visionários para tentar relançar um projeto de avião comercial combinando velocidade superior a Mach 2 e viabilidade econômica. Um grupo de fãs ingleses  juntou 40 milhões de libras para por o próprio Concorde a voar de novo em 2019. AS2 da Aerion:AirbusA empresa americana Aerion projetou o AS2, um avião pequeno – 12 lugares-, voando somente a Mach 1,5 e custando 120 milhões de dólares, mas que já interessou a companhia de taxi aéreo Flexjet. A Lockheed já tem também seu projeto, e a Spike Aerospace de Boston trabalha com a ideia de um avião sem janelas. A própria Airbus imaginou um modelo parecendo um foguete que poderia voar a Mach 5, digno de ficção cientifica mas já protegido com vários brevês e patentes.

Avion fusée Airbus

O avião foguete da Airbus

Richard Branson anunciou agora uma parceria para viabilizar um novo projeto. O imprevisível dono da Virgin, que já queria em 2003 comprar os Concorde da British, ambiciona de relançar voos supersônicos,  mas com tarifas acessíveis: 5000 USD a ida e volta entre Londres e Nova Iorque, ou  7000 USD entre Los Angeles e Sidnei. Escolheu de apoiar o projeto de uma start up do Colorado, a”Boom”, e confirmou uma opção para dez aparelhos. Fundada por Blake Scholl, piloto e ex-executivo da Amazon, e um pequeno grupo de dez engenheiros especialistas  dos voos supersônicos, a “Boom” já conseguiu atrair vários grandes investidores da Silicon Valley e  está desenvolvendo um protótipo num galpão de Denver, no Colorado.

O avião da Boom imaginado no aeroporto de Londres

O avião da Boom imaginado no aeroporto de Londres

Para conseguir a façanha de construir um avião cruzando o Atlântico Norte em três horas e meia, e de viabilizar passagens aos preços da atual Classe Executiva, a “Boom” apostou em utilizar somente tecnologias já existentes, seja na parte aerodinâmica , nos materiais compósitos em fibra de carbono ou nos motores. Richard Branson e o seu GalacticCom o apoio do Branson, a filial da Virgin ” The Spaceship Company” vai também trazer sinergias na engenharia, no design, na produção, nos voos experimentais ou nas próprias operações. O avião poderá transportar 40 passageiros, sendo dez fileiras de quatro  poltronas, duas de cada lado do corredor. Com uma autonomia de sete horas (o dobro do Concorde), a  velocidade será de Mach 2,2 (um pouquinho acima do Concorde que voava a Mach 2), e a altitude de cruzeiro de 18.000 metros, dando – como no Concorde- para ver o céu quase preto e o horizonte bem curvo. A Virgin e a Boom estão programando para o final de 2017 o primeiro protótipo em Denver, mas se recusaram a dar uma data seja para o primeiro voo experimental ou seja para o inicio dos voos comerciais. Muito cautelosos, os especialistas pensam que, se esse projeto se realizar, a Virgin só poderá embarcar seu primeiro passageiro em 2025. Até lá, o Concorde continuará a ter o monopólio dos nossos sonhos aeronáuticos .

Jean-Philippe Pérol

Concorde da Air France, lindo e ainda pioneiro

Concorde da Air France, lindo e ainda pioneiro

 

 

 

Norwegian, a empresa low cost tentando (de novo) os voos de longa duração

Aeroporto Charles de Gaulle esperando Norwegian para Julho

Aeroporto Charles de Gaulle esperando Norwegian para Julho

Enquanto as companhias low cost se concentravam até agora nos voos de menos de 4 horas, o cenário mudou nos últimos dois anos. A companhia norueguesa Norwegian Air Shuttle, já conhecida por ter aberto 38 voos entre a Europa e os Estados Unidos, já presente entre Nova Iorque e Paris Orly, vai inaugurar no próximo mês de Julho vários voos entre o aeroporto Charles de Gaulle e os Estados Unidos. Norwegian em Nova IorqueLigando assim 7 vezes por semana Paris a Nova Iorque, Los Angeles e Fort Lauderdale, ela vai propor tarifas a partir de 179 euros por cada trecho, 33% mais baratas que as melhores ofertas das companhias regulares. Além de uma nova concorrente nas rotas do Atlântico Norte, a  aparição de low cost em voos de longo alcance – que já começou também na Inglaterra, e na Alemanha com a Eurowings – é mais uma ameaça para as grandes empresas tradicionais.

Dreamliner da Norwegian

Dreamliner da Norwegian

Para competir com a Air France, desafiar a força das redes mundiais e oferecer um serviço competitivo mesmo se mínimo, Norwegian conseguiu reduzir os seus custos com três medidas. A primeira é de oferecer tarifas muito baixas, mas sem incluir nada além da passagem, de uma bagagem de cabina de 10 quilos, e do acesso a um excelente wifi a bordo. Qualquer outro serviço é cobrado: uma refeição 70 euros, uma mala no porão 70 euros, uma cadeira marcada 35 euros. As passagens não são reembolsáveis, têm suplementos para fones de ouvidos e até para cobertor, e uma sobretaxa é cobrada se pagar com cartão de crédito …

Hop, a fé da Air France nos low costs nos voos de curta distancia

Hop, a fé da Air France nos low costs para voos de curta distância

O segundo segredo dessas empresas low costs fica nos aviões escolhidos. Os Boeing 787-Dreamliner da Norwegian levam 291 passageiros (inclusive 32 numa classe Premium), em vez de somente 250 nas companhias tradicionais. Aviões da última geração, eles tem um consumo de querosene 15% mais baixo que os aparelhos da geração anterior, além de oferecer alguns serviços, especialmente o wifi, que ainda não são disponíveis em frotas mais antigas. Os custos da companhia estão também reduzidos pela estratégia escolhida para reduzir os custos de pessoal. Contratadas na Irlanda – sede da holding- ou nos Estados Unidos, as tripulações não serão enquadradas pelas pesadas leis trabalhistas francesas, nem influenciadas pelos poderosos sindicatos. A Norwegian espera assim rebaixar essas despesas de quase 50% em relação a Air France, diminuindo  seu peso de 30% a somente 16,3% em relação ao custo global dos voos.

Voo inaugural da Norwegian na Martinica

Voo inaugural da Norwegian para Martinica

Depois das empresas low cost na Europa e dos hubs das companhias do Golfo, o crescimento  da Norwegian ou da Eurowings é mais uma ameaça pesando no modelo tradicional da aviação internacional. Thierry Gargar do turismo da Guadalupe na inauguracão do voo da NorwegianO sucesso do modelo já experimentado em Londres, o rápido desenvolvimento internacional dessas companhias (a Norwegian já opera nas Américas, incluindo com voos entre  a Martinica, a Guadalupe e Boston, Baltimore ou Nova Iorque;  tem projetos em Bordeaux), mostra que essas novas ofertas dos low costs tenham a capacidade de seduzir os viajantes. Mesmo sabendo das dificuldades que o transporte aéreo a baixo custo sempre acaba enfrentando, e lembrando da pioneira Laker Airways ou da falida Zoom Airlines, a Air France e as grandes companhias regulares já estão cogitando uma resposta.

Jean-Philippe Pérol

O famoso explorador Thor Heyerdahl nas asas da Norwegian

O famoso explorador Thor Heyerdahl nas asas da Norwegian