Em Glascow, o turismo ganhando um novo impulso

Reunindo mais de 20.000 participantes vindo de 197 paises, a COP26 foi não somente momento chave no consenso internacional sobre a luta contre as mudanças climáticas, mas também um encontro marcante para o turismo global. Frente as perspectivas de dois bilhões de turistas em 2030 – a democratização das viagens e a chegada dos emergentes aumentando o risco de overturismo-, muitas vezes acusados de ser uns dos grandes responsáveis da poluição  e das emissões de CO2, 300 atores do setor foram reunidos em Glasgow pela Organização Mundial do Turismo para discutir de medidas concretas e de planos de ações imediatas.

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A “declaração de Glascow” lembra em primeiro lugar que os signatários acreditam que os combustíveis fósseis, a agricultura não sustentável e os modos de consumo descontrolados contribuam para as mudanças climáticas, para a poluição e para a diminuição da diversidade biológica. Reequilibrar a relação com a natureza é fundamental não somente para a saude dos ecosistemas e para o bem estar  pessoal, social e econômico de todos, mas também para a retomada sustentável e o proprio futuro do setor. A declaração lembra também que as ações escolhidas deverão contribuir a reduzir de 50% as emissões de CO2 até 2030 e de 100% até 2050,  e se encaixar nos objetivos do Acordo de Paris.

O turismo marcou presencia na COP26

Os profissionais recusam que o setor seja culpabilizado, e eles acreditam que o turismo pode ser na vanguarda de um futuro de baixo carbone. O setor – suas empresas e seus empregos- poderá assim crescer preservando suas atividades, suas infraestruturas, os ecosistemas onde são localizadas, bem como o bem estar doa moradores e das populações impactadas. A força dos compromissos assumidos pela OMT e seus 300 membros ficou clara, tanto pela transparência do processo iniciado -já prevendo a publicação de relatórios anuais- , que pelas medidas anunciadas agrupadas em cinco eixos de trabalho e iniciadas nos próximos doze meses .

A descarbonização foi um dos pontos principais discutidos em Glasgow

Medir : Medir e publicar todas as emissões ligadas a viagens e turismo, com metodologias seguindo as diretivas da Conferência para medição, relatórios e controles, sendo todos transparentes e acessíveis.

Decarbonizar : Definir e atingir objetivos conforme aos conhecimentos atualizados para acelerar a transição no turismo, incluindo o transporte, as infraestruturas, as hospedagens, as atividades, os restaurantes, e a gestão dos dejetos. A compensação pode ter um papel subsidiária mas somente como complemento de  realizações comprovadas.

Regenerar : Proteger os ecosistemas, favorecer as capacidades de absorção de carbone da natureza. Preservar a biodiversidade, a segurança alimentar e  o abastecimento de agua.  Nas regiões onde o impacto climatico é mais forte, informar os visitantes e ajudar os moradores a se adaptar as mudanças.

Colaborar : Comunicar os dados sobre os riscos e as precauções para todos os envolvidos, trabalhar para que os planos de emergencia sejam o mais completos e eficientes. Reforçar a capacidade de ação com as autoridades, as associações, as empresas, os moradores e os visitantes.

Financiar : Conseguir os recursos e as capacidades operacionais suficientes para atingir os objetivos, especialmente na capacitação, na pesquisa, e das ações anunciadas nos planos apresentados.

A declaração de Glagow marca um passo importante da retomada do turismo

Lógica e necessária pelo impacto existencial que a sustentabilidade terá sobre seu futuro, a “declaração de Glascow”, ja foi assinada pela OMT, o PNUD e os participantes constando nesta lista (ainda com poucos brasileiros a não ser o grupo ACCOR).  A declaração ainda deve ser completada, especialmente no que trata dos impactos dessas medidas sobre os custos para os milhões de turistas provenientes das classes medias dos países desenvolvidos bem como das classes emergentes dos países en desenvolvimento. Como lembrava o Gilbert Trigano, fundador do Club Mediterranée, o turismo é um formidável fator de felicidade e de momentos de igualdade social. O turismo sustentável deverá crescer com tranquilidade e segurança, guardando essas características.

Jean-Philippe Pérol

 

As novas tendencias do turismo de luxo

As Sources de Caudalie, um Palace homenageando enoturismo e bem estar

Depois de quase dois anos de turismo reprimido, a esperada corrida para o exterior começou a virar uma realidade, mas seguindo ritmos muito diferentes, seja nos destinos – a abertura das fronteiras ainda sendo lenta- , ou seja nas motivações dos viajantes. Enquanto o setor corporativo recomeça com muita cautela, o lazer parece querer recuperar o tempo perdido e os países abertos para os brasileiros – ontem Mexico e Oriente Medio, hoje França, Portugal ou Suíça, amanha Estados Unidos e talvez América do Sul- estão sendo retribuídos com níveis de reservas até superior a 2019.

O Museu da Marinha, de guarda moveis dos Reis a templo do luxo francês

Se todos as viagens de lazer estão aproveitando essa onda, um setor parece aproveitar ainda mais essa fome de viajar: o luxo. O sucesso de dois eventos profissionais, France Excellence e o ILTM, mostrou que o luxo parece viver um momento privilegiado junto aos “key players” do turismo brasileiro. Focado na excelência francesa, o primeiro foi marcado por palestrantes que mostraram novas tendências do luxo – as vezes, assim como o diretor da Hermès para América do Sul- preferindo evitar a palavra luxo e falar somente de alta qualidade.  No último debate do evento, Caroline Putnoki, diretora da Atout France, e Alexandre Allard, criador do projeto Matarazzo, concordaram em dizer que luxo é, antes de tudo, cultura e exclusividade.

O Sofitel Legend conta a glória de Cartagena de las Indias

Tendo deixado a Bienal de Ibirapuera pelos salões do Tivoli, o ILTM foi uma outra demonstração da confiança dos profissionais internacionais na resiliência do mercado das viagens de luxo. “Palaces” e hotéis de luxo de Paris, Londres, Nova Iorque ou Lisboa festejam a volta do seus tradicionais hospedes brasileiros, e as reservas para os próximos vezes deixam esperar para 2022 níveis superiores a 2019. Estações de esqui dos Alpes franceses ou suíços, operadores do Portugal, do Egito, ou dos Estados Unidos confirmaram essas tendências. O otimismo geral terá agora que ser confirmado pelas companhias aéreas por enquanto muito discretas e que ainda devem dobrar sua oferta de assentos para voltar aos níveis anteriores a crise.

O Rosewood São Paulo, luxo juntando assinaturas de Nouvel e Stark

Mas alem da retomada dos próximos meses, os profissionais devem também aproveitar os encontros realizados nesses eventos – France Excellence, ILTM ou em breve Festuris– para responder as novas exigências do turismo de luxo. Os hotéis vão precisar ainda mais de inovação e de serviços personalizados, com vantagem para aqueles que têm uma historia própria ou um patrimônio arquitetural excepcional e souberam valorizar-los. Os agentes deverão propor experiências novas extremamente customizadas, e acima de tudo com conteúdos culturais valorizantes e se possíveis exclusivos.

Nas Ilhas de Tahiti, o Brando combina alto luxo e sustentabilidade

Um quarto pilar do turismo de luxo sai reforçado da crise: a atenção especial dada a sustentabilidade. Trata se de se assegurar de todas as componentes da viagem, dos cuidados com os transportes utilizados, da certeza dos processos dos hotéis reservados. É também de dar um verdadeiro conteúdo de respeito do meio ambiente e dos moradores, incluindo opções de compensação de emissão de carbone, ou em alguns casos envolvimento em projetos locais. Cauteloso com bling-bling, rico em conteúdos, o novo turismo de luxo oferece assim experiencias com quatro pilares: alta qualidade, exclusividade, cultura e sustentabilidade.

Jean-Philippe Pérol

 

Exclusive meetings in the Belmont Savute

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Além do Oiapoque, as tartarugas de couro atraiam científicos e turistas

Tartaruga de couro pondo na praia de Awala-Yalimapo

Além do Oiapoque, nas praias de Caiena, de Remire-Montjoly ou da reserva natural de Amana, sombras gigantes saiam das ondas do mar e subam na areia.  De abril até agosto,  as tartarugas de couro andam com dificuldades para procurar o melhor lugar para por seus ovos. Com suas nadadeiras traseiras, ela cava a areia até o buraco ter a profundidade certa. Começa então um esforço intenso, no ritmo de uma respiração forte, para expulsar e depois enterrar uma centena de ovos. Exausta, a tartaruga de mais de meia tonelada vai então fazer três vezes a volta do seu ninho antes de de arrastar até as águas do oceano.

Tortue Luth © Anaele Sacchettini

A tartaruga volta para a água depois de por

Parte francesa da Amazônia, a Guiana é considerada um dos mais importantes lares de três tartarugas marinhas muito emblemáticas mas muito ameaçadas: a tartaruga olivácea, a tartaruga verde (ou aruanã) e a tartaruga de couro. Também chamada de tartaruga luth, essa última é um gigante do mar, o maior reptil depois dos crocodilos, o macho podendo medir até dois metros e meio e pesar mais de 900 quilos. Capazes de percorrer milhares de quilômetros no mar para se alimentar de medusas e águas-vivas, elas tem pontos de desovas tanto no Pacifico (Australia, Malásia e Costa Rica) que no Atlantico (Flórida, Africa, Caribe e mesmo nas margens da Foz do Rio Doce no Espírito Santo).

A corrida para o mar depois da eclosão é outro momento emocionante

O litoral da Guiana Francesa é porem o lugar privilegiado onde as fêmeas voltam para fazer seus ninhos, com até 18.000 desovas em 2018, principalmente nos cinco quilômetros da praia de Awala-Yalimapo, perto da foz do Rio Maroni e da fronteira com o Surinam. Desde os anos setenta, a importância destes sítios levou os científicos a chamar a atenção sobre a necessidade de uma politica de preservação frente as fortes ameaças de extinção que pesam sobre as tartarugas marinhas da Guiana, seja pelo recuo do litoral, pela caça descontrolada, e pelas perturbações animais ou humanas durante os momentos cruciais da desova e da eclosão dos ovos. 

A desova das tartarugas de couro atrai agora centenas de turistas, com um impacto importante sobre a economia e os empregos da região. Frente ao riscos ecológicos, a Rede tartarugas marinhas da Guiana coordena  os quarenta principais atores da fileira trabalhando seja nos projetos científicos de conservação seja no acompanhamento dos turistas. Na reserva natural de Amana os guardas da reserva organizam visitas em grupos, ensinando os bons comportamentos para viver essa experiência excepcional sem perturbar os animais. Voluntários da associação Kwata organizam também durante a temporada animações e conferencias de sensibilização para os mais jovens.

                                                         

 

Nas tendências da era pós Covid, a Escócia aposta numa retomada sustentável

A retomada do turismo não se percebe somente nos pedidos e nas reservas que estão se acelerando nas agências e nas operadoras, mas também nas campanhas de promoção que os destinos mais dinâmicos já estão desenvolvendo nos seus mercados emissores. Muitas mensagens divulgadas no inicio da crise eram de cautela – “Nos vemos logo” do México, “A España espera”, “Stay home” da Eslovénia, “Fica em casa” do Equador, “É tempo de parar” do Portugal -. Outros destinos apostavam na esperança ou no sonho – o Peru com “Saúde, sonho e depois viagem”, ou a Suíça com “Sonhe agora e viagem mais tarde”-.

Agora estão começando as campanhas da era pós Covid, com o objetivo direto de incentivar as viagens e de  apoiar os profissionais. É hora de valorizar as novas tendências, de ir direto ao essencial – a França fala assim de #Whatreallymatters”, “O que importa mesmo”. Para os marqueteiros e os comunicantes, é preciso sensibilizar o viajante com a nova normalidade sanitária e ecológica, e ao mesmo tempo comunicar para ele a certeza que essa nova normalidade não vai lhe prejudicar, e vai deixar o turismo trazer alegria, prazer, bem estar e convivialidade social.

Uma das campanhas mais marcantes foi agora lançada pela Visit Scotland para revigorar o seu turismo, antes da crise um setor de 11,5 bilhões de libras de receitas e cerca de 9% dos empregos escoceses, hoje completamente arrasado. “Now is your time” (“Agora é seu momento “) destaca o turismo responsável, com novos lugares para explorar e atrações já plebiscitadas, e mais ainda com novas atitudes para aceitar. Focando no mercado britânico, prevista para toda temporada, a campanha vai ser declinada para cinco tipos de atividades, desde o turismo de proximidade até os “short breaks”, as reuniões de familia, o turismo de aventuras e o bem estar.

Para que a retomada seja conforme a seus objetivos de segurança e sustentabilidade, Visit Scotland publicou três videos incentivando os turistas a viajar de forma responsável. Varias informações e dicas são também disponíveis no site Web  para ajudar os visitantes a proteger os ecosistemas e a valorizar o patrimônio natural e humano. Um foco especial é feito para o camping – de motorhome ou de barracas-, com recomendações para fazer suas reservas, organizar o seu itinerário, respeitar a fauna e a flora, e aproveitar os contatos com os moradores e as comunidades locais respeitando o Scottish Outdoor Access Code.

Valorizando as boas práticas e os novos protocolos, a campanha “Now is your time” corresponde perfeitamente a nova normalidade que chegou para ficar tanto para os viajantes que para os profissionais. O turismo vai ter que se adaptar a novas práticas sociais, novos comportamentos, mais transparência, mais proteção e mais responsabilidade. Na hora de um turismo mais intenso e mais seletivo, a Visit Scotland  quer agora assegurar a visibilidade e a notoriedade da Escócia comunicando sobre essas novas tendências. “Now is Scotland time?”

Este artigo adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Os ecologistas e o turismo: na França, um difícil encontro

Se a ecologia está trazendo uma nova dimensão ambiental e humana a todos as viagens, e se o ecoturismo é citado por 13% dos agentes brasileiros como uma das grandes tendencias pós Covid19, os ecologistas dão as vezes a impressão de ter dificuldades a entender a importância social e econômica do turismo. A ministra da transição ecológica da França, que já proibiu a calefação nos terraços dos bistrôs parisienses, está agora preocupando os profissionais com vários projetos que podem prejudicar o setor. O primeiro seria a proibição dos voos domésticos de curto alcance entre cidades interligadas por trens em menos de duas horas e trinta minutos.

Pompili quer acabar com as publicidades julgadas por ela ofensivas ao meio ambiente

Esse projeto dos ecologistas acabaria com os voos de Paris para Nantes, Lyon ou Bordeaux. Para apaziguar as companhias aéreas, que mostrar os perigos dessa medida sobre o feed dos seus voos internacionais, seriam poupados alguns voos domésticos de conexão bem como os voos inter-regionais exigindo conexões . Mas vem agora um segundo projeto,  a proibição da publicidade de produtos ou serviços com impactos julgados negativos sobre o meio ambiente. Na black-list da ministra Barbara Pompili  constariam assim produtos alimentares considerados pouco saudáveis, ou “cúmplices” do desmatamento em Borneo ou na Amazônia, bem como viagens de avião ou pacotes turísticos responsáveis de emissão de CO2.

Carros, fast foods, roupas, e pasta de avelã seriam incluídos na black list da publicidade

Juntando os protestos das agencias de publicidade, das companhias aéreas e das operadoras, a proibição de cartazes ou de anúncios para  viagens de longa alcance chocou mais ainda os profissionais e os políticos das regiões francesas de ultramar. Com mais de 70% dos seus visitantes vindo da França continental, a Martinica, a Guadalupe, Saint Martin, a Reunião ou as Ilhas de Tahiti teriam que enfrentar mais uma insuportável ameaça para suas economias turísticas já fragilizadas pela crise do Covid19.  Sem se preocupar com o impacto econômica dessas medidas, o Ministério, que validou a lista com um “Comitê Cidadão” nomeado por ele, responde que a redução do consumo de energias fósseis é acima de considerações econômicas locais. 

O turismo autêntico e sustentável nas Ilhas de Tahiti

O tamanho do prejuízo potencial pode porém freiar o projeto do governo. As agências de publicidade estão avaliado as perdas em mais de um bilhão de euros somente para os canais de televisão. As empresas estigmatizadas, Nutella, McDonald, Renault, Peugeot, Air France, e todo o setor da moda, representam dezenas de milhares de empregos que serão ameaçados se as medidas anunciadas foram confirmadas. A luta dos profissionais do turismo das regiões do ultramar francês deve assim contar com apoios valiosos para acabar com os preconceitos dos radicais contre o seu setor, bem como continuar a construir um turismo sustentável e assumindo seu papel de motor do desenvolvimento econômico e humano.

A crise, uma oportunidade para os destinos turísticos investir na sustentabilidade?

A sustentabilidade, futuro do turismo pos coronavirus?

Nas novas tendências esperadas para a retomada do turismo, a sustentabilidade e a procura de produtos éticos são destaques tanto no Brasil como no mundo inteiro. Segundo muitas grandes mídias internacionais, a pandemia e o confinamento podem ser oportunidades para os destinos turísticos que entenderam a necessidades de mudanças profundas no setor, beneficiando o meio ambiente, os moradores e os turistas. Assim, aproveitar esses tempos de underturismo para investir em desenvolvimento sustentável pode levar, para o World Economic Forum (WEF), a uma vantagem competitiva decisiva em relação a concorrência para convencer tanto os viajantes que os investidores. 

Petra Stušek da Slovénia recebendo o prêmio ITB do turismo sustentável

Para definir e colocar em prática uma nova estratégia de turismo sustentável, os destinos podem usar exclusivamente seus próprios recursos humanos, oucontratar uma certificadora – uma solução mais cara porém mais fácil e com mais credibilidade, especialmente se escolher uma empresa referenciada pelo Global Sustainable Tourism Council , respondendo assim a critérios internacionais. Em ambos os casos, o destino deverá dispor de uma equipe qualificada cujo primeiro objetivo será de fazer um benchmark das melhores práticas dos seus concorrentes, bem como uma avaliação completa das experiências já realizadas pelos profissionais da sua região mobilizados no projeto.

Ilhas Maurício se posiciona agora como destino sustentável

A chave do sucesso de uma política de turismo sustentável fica no equilíbrio entre a vida das comunidades, o desenvolvimento econômico, o respeito dos acervos culturais e a preservação do meio ambiente. Todos os atores devem ser solicitados e apoiados durante todo o processo, e as suas iniciativas devem ser integradas, seguidas e valorizadas no plano global. A conscientização da importância de cada um ajuda também a solidariedade entre os profissionais do setor. No Oceano Índico, nas Ilhas Maurício, uma politica de capacitação especifica para hotéis, restaurantes, agências, e táxis levou ao sucesso da estratégia de todo o destino.

Source : Azores DMO

Com total transparência, um destino sustentável deve também escolher indicadores para medir os impactos sociais, econômicos, culturais ou ambientais das ações. Esses indicadores são geralmente propostas pelas certificadoras, mas exemplos de sucessos merecem ser seguidos. Assim nos Açores, que ganharam a certificação Earthcheck em 2019, foram escolhidos o progresso dos empregos nos hotéis e restaurantes, o número de famílias beneficiadas com o crescimento econômico, a redução dos empregos precários, as economias de água, a redução das emissões de CO2 e a ampliação da coleta seletiva do lixo.

Source : Thompson Okanagan Tourism Association

A sustentabilidade vira um argumento chave da promoção de um destino, a condição de focar todos os públicos em função da especificidade de cada um. Os moradores devem ser os primeiros a ser convencidos virando assim não somente consumidores mas também embaixadores do local. Os profissionais podem ser integrados nas campanhas, um processo muito mobilizador que foi muito bem aproveitado pelo Açores. Para os viajantes potenciais, o plano de comunicação deve promover as boas práticas e o respeito do meio ambiente. Foi a estratégia da Islândia com a Iceland Academy, incluindo um juramento que outros destinos como a Nova Zelândia, Palau ou a região canadense de Thompson Okanagan, na Colúmbia Britânica, já estão propondo a seus visitantes.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Nas águas do Tapajós, ecoturismo e comunidades

Depois da crise, o transporte aéreo acabando com o turismo de massa?

Agora aposentado, o B747 foi decisivo na democratização do turismo

Na história dos últimos 50 anos, a aviação foi o setor que mais influenciou as evoluções do turismo. Com a criação da classe econômica em 1958, o lançamento do Jumbo em 1969, e a multiplicação dos charters nos anos 70, a queda impressionante do preço das passagens levou centenas de milhões de viajantes para destinos distantes. No Brasil por exemplo, a tarifa YE, a mais barata ida e volta para Paris, custava USD 1250 em 1973. Esse valor atualizado com a inflação seria hoje de USD 7905, enquanto essas passagens, para o mesmo destino e na mesma classe podiam ser encontradas, ha poucos meses, a menos de USD 800, ou seja 10 vezes menos. Essa impressionante democratização foi possível  graças aos avanços tecnológicos, mas também por conta da densificação dos aviões – com coeficientes de ocupação passando de 60% para mais de 90%.

Na retomada, sair do underturismo sem voltar ao overturismo?

Levando o turismo de massa para lugares cada vez mais distantes, as companhias aéreas  tiveram um crescimento de 5% ao ano, dobrando os fluxos a cada 12 anos. Em 2020, já eram projetados pela IATA um recorde de 8 bilhões de viajantes com uma receita de USD 1,6 trilhão, e, de Veneza a Machu Pichu, de Roma a Bangkok, de Barcelona a Amsterdã, ou do Mont Saint Michel a Ilha de Páscoa, o overturismo era um dos maiores desafios levantados pelos destinos turísticos. A chegada do coronavirus mudou essa realidade, 80% da frota mundial de aviões está imobilizada, o tráfego aéreo internacional caiu de mais de 90%, hotéis, parques e restaurantes estão fechados, e os turistas confinados  só podem sonhar com impossíveis viagens e esperar que a retomada se apoie em conceitos inovadores  aproveitando tarifas aéreas sempre mais baratas.

As tarifas pos crise parecem  inacreditavéis

Olhando as ofertas de passagens para os próximos meses, pode-se pensar que as guerras tarifárias vão continuar. Alguns analistas pensam de fato que os viajantes vão demorar mesmo para entrar nos aviões, que os homens de negócios vão priorizar as reuniões virtuais, e que as perdas de renda da classe média vão impactar diretamente no turismo. Enquanto as crises anteriores – internacionais, financeiras, politicas, sanitárias ou ecológicas – sempre foram superadas em três, quatro ou seis meses, essa seria mais duradoura. Com clientes relutantes e precisando de cash depois de meses paradas, as companhias aéreas, sejam low costs ou tradicionais, prosseguiriam com suas politicas de promoções excepcionais, pelo menos até que o mercado volta a normalidade.

A Virgin Austrália é uma das companhias que foi a falência

Mesmo se ainda é cedo para antecipar o mundo do “day after” coronavirus, essa hipóteses é  porém  pouco provável. Três fatores devem impedir a queda das tarifas e a alavancagem do crescimento do turismo internacional. O primeiro é que muitas companhias aéreas não vão sair ilesas da crise. Algumas ja quebraram, outras encolheram, outras ainda só serão salvas por aportes maciços de financiamentos públicos. Assim o governo americano prometeu USD 25 bilhões para as companhias americanas, a França USD 7,7 bilhões para Air France, os Países Baixos USD 2,2 bilhões para KLM, e anúncios similares foram feitos pelos Emirados, Colombia, Singapura, Australia, China, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e a Dinamarca. Não se tem dúvidas que essas ajudas terão claras contrapartidas de rentabilidade e de respeito a novas normas que deverão ser conciliadas.

O governo francês anunciou 7 bilhões para Air France com condições rigorosas

Duas exigências dos governos estão aparecendo e vão puxar as tarifas para cima. As novas normas de segurança vão exigir investimentos em novos equipamentos para proteger os funcionários e os clientes, e, para respeitar o distanciamento social, os números de assentos utilizados nos aviões deverão ser reduzidos, com um impacto direto sobre os preços das passagens. Frente à neutralização possível de até um terço dos lugares da classe econômica,  Ryan Air já anunciou que neste caso teria que rever até o seu próprio business modelo. Os empréstimos públicos podem ainda ter outras consequências, a pressão crescente das exigências ecológicas. Redução dos números de slots nos grandes aeroportos, normas de poluição mais rigorosas, e novas taxas “verdes” são algumas das medidas esperadas que vão atingir diretamente ou indiretamente o turismo.

Ryan poderia até parar se as cadeiras do meio fossem neutralizadas

Frente a essas novas despesas, as companhias terão que reverter a tendência de baixa das tarifas, e o « yield management » de não aceitar mais de vender abaixo dos preços de custo. Se o crescimento do turismo,  e as previsões da OMT de 1,8 bilhão de turistas internacionais até 2030, terão com certeza que ser revistas, a nova situação pode também gerar consequências tanto para as companhias aéreas – colocando a concorrência mais em relação à qualidade dos serviços do que em relação aos preços – quanto  para os agentes de viagem cujos conselhos serão ainda mais importantes para ajudar os viajantes a escolherem as melhores ofertas. E se o turismo de massa deve sofrer um certo recuo, a resiliência do setor,  bem como a vontade de experiências transformacionais, podem surpreender no momento da retomada.

 

Jean Philippe Pérol

Na Amazônia brasileira, um necessário consenso pelo turismo!

A natureza intocada, riqueza turística da Amazônia

O desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira parece um objetivo tão evidente que é difícil imaginar que todos os  responsáveis politicos, os moradores, as ONG bem como os atores econômicos e sociais da região não cheguem a um consenso geral para atingi-lo. Esse consenso é mais evidente ainda – e mais necessário- quando se trata do turismo, atividade trans-setorial que só pode se desenvolver e prosperar com a implicação e os esforços de todos. Além de algumas ONG -especialmente estrangeiras- que esquecem que a Amazônia brasileira é do Brasil, de alguns ambientalistas que não valorizam o desenvolvimento econômico ou de alguns grileiros que desprezam a sustentabilidade, o turismo deveria conseguir criar um consenso geral por ser uma atividade econômica e social que pode justamente ajudar a desenvolver a região, reforçando a integração nacional e preservando a sustentabilidade.

Encontros com comunidades são momentos fortes  para os visitantes

Os recentes acontecimentos em Alter do Chão, com a surpreendente prisão (e depois a soltura) de quatro ambientalistas acusados de tocar fogo na mata para incentivar compaixão – e remessas de dinheiro- da opinião pública nacional e internacional, e os esquisitos bate bocas entre o presidente e o Leonardo DiCaprio mostram que ainda há muito caminho para percorrer. Se o alvo parece ser a sustentabilidade, o turismo é diretamente ameaçado por dois motivos. O primeiro é que os turistas que procuram a Amazônia brasileira têm forte motivações ecológicas. Além da extraordinária história da região, eles querem ver e viver os ecossistemas tão peculiares, os papéis na luta contra os efeitos de gás estufa, ou as ligações das comunidades locais com a natureza. Durante as suas estadias na região, mostram na grande maioria dos casos atitudes responsáveis, de respeito a natureza, de preservação  dos animais e de apoio aos moradores.

Lodges, pousadas ou hotéis criam empregos e empurram as economias locais

A falta de consenso afetaria o turismo também pelo fato de que os ambientalistas são atores profundamente envolvidos nesse turismo sustentável. Em Manaus, Novo Airão, Alter do Chão, Macapá ou Soure, hotéis, pousadas ou lodges foram construídos e continuam a ser explorados por pessoas convencidas da urgência da defesa do meio ambiente e do apoio ao desenvolvimento das comunidades. Muitas operadoras ou agências de receptivo trabalhando na região têm ligações estreitas com ONGs ou associações comunitárias, e a maioria oferece para os seus clientes a possibilidade de ajudar fundações locais ou de participar de projetos humanitários. E em alguns casos esses projetos se tornam até a principal motivação da viagem tanto de turistas brasileiros quanto de visitantes internacionais.

Na Fundação Malaquias, o sucesso das sinergias entre edução, turismo e ambientalismo

Mas o turismo sustentável precisa com a mesma urgência do apoio das autoridades em todos os níveis. Na Amazônia, como em todos os grandes destinos turísticos, os atores privados ou públicos do setor precisam de uma forte implicação das autoridades para definir a estratégia, orientar os investimentos, assegurar as normas de qualidade, e organizar a capacitação profissional. Numa região onde 86,2% do espaço é protegido como parques, reservas indígenas ou extrativistas, áreas preservadas ou devolutas, o suporte dos responsáveis administrativos e políticos federais, estaduais e municipais é fundamental para o sucesso do turismo. Os conflitos que ainda aparecem são as vezes lamentáveis, ofendem a natureza, os moradores e a sociedade, mas traduzem as dúvidas ou as preocupações de parte da população. O turismo pode e deve ser o primeiro setor onde se encontra um consenso de todos para continuar no caminho do desenvolvimento sustentável  que a Amazônia precisa.

Jean-Philippe Pérol

Com 12,8% do espaço disponível, o consenso para o desenvolvimento é imprescíndivel

 

O Belle Amazon, com Turismo Consciente na comunidade de Urucurea

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Da sustentabilidade ao “slow travel”, o trem abraçando as novas tendências do turismo!

A primeira viagem de trem organizada pelo Thomas Cook

Desde 1842, quando Thomas Cook inventou o turismo moderno numa Maria Fumaça fretada de Leicester a Loughborough, o trem foi sempre, na Europa, pioneiro nas grandes ou pequenas revoluções do setor. Suas performances ecológicas exemplares, sua rede interligando não somente os grandes centros mas umas 10 mil cidades ou vilarejos nos 38 países europeus, sua autenticidade enraizada nas tradições ferroviárias, e sua flexibilidade o colocam outra vez nas mais recentes tendências seguidas pelos viajantes internacionais. Seja nos TGV ou nas ferrovias regionais, viajar de trem significa sair do centro das cidades, poder relaxar desde o embarque até a chegada, aproveitar a paisagem, entrar em contatos com outros viajantes ou moradores, escolher com facilidade o ritmo das suas experiências.

Dos Alpes da Provence até Nice, o famoso Train des Pignes

Um pesquisa da Virtuoso mostrou que 37% dos consumidores privilegiam as empresas investindo na sustentabilidade, e que os viajantes “eco-conscientes” são quase todos convencidos que o trem é o mais eficiente dos meios de transporte quando se trata de consumo de energia, de gases do efeito estufa ou de sustentabilidade. Nos Estados Unidos, 71% dos compradores de “Eurailpass” declaram que as baixas pegadas carbono foram decisivas na escolha do trem. A geração dos Millenials é a mais comprometida com a ecologia – três vezes mais que a geração X, seguido dos baby boomers e da geração Z-, mas todos  parecem prontos a mudar seus comportamentos afim de reduzir o impacto das suas viagens sobre o meio ambiente.

O overturismo aumentou a urgência de novos destinos

O overturismo foi incluído este ano pela primeira vez na pesquisa anual da MMGY sobre o perfil do viajante estadunidense. Cerca de 60% dos respondentes concordaram com a afirmação que o turismo de massa e a superlotação vão ter uma influencia importante na escolha dos lugares que visitarão nos próximos dez anos. E 73% já tentam evitar destinos superpovoados durante as altas temporadas. Mesmo se o trem oferece aos viajantes a possibilidade de chegar diretamente nos centros das grandes cidades, ele dá também a opção de visitar lugares menos acessíveis, menos conhecidos, mais íntimos, onde é possível mergulhar na cultura local  sem sofrer dos desgastes humanos e financeiros do overturismo,

Os trens suiços dão acessos aos lugares mais escondidos do país

Os destinos menos conhecidos onde o trem pode levar o viajante não são somente ajudam a escapar ao overturismo, mas permitem descobrir pequenas cidades ou vilarejos para experiências autênticas e mais oportunidades de interagir com os habitantes. No relatório Luxe Report 2019, a Virtuoso coloca agora o encontro e a convivência com moradores como uma das cinco maiores motivações de viagem. Os  trens regionais ou “intercity” são ocasiões de descobrir novas paisagens, novas culturas diferentes e novos encontros enriquecedores. Nos pequenos vilarejos, encontra se o tempo para  conversar com os “habitués”de um bistrô, descobrir um prato regional com ingredientes da própria fazenda, ir na feira livre para fazer as compras, visitar uma surpreendente igreja romana cujas chaves são guardadas pela vizinha, ou fazer uma degustação de vinhos com um pequeno produtor.

A Itália logo associou slow travel com trem

O trem combina também com a nova tendência do Slow Travel, a descoberta de destinos a um ritmo bem tranquilo, tomando o tempo necessário para conhecer seus atrativos e sua gente e fazendo da própria viagem (de trem!)  um momento descontraído e relaxante. Pioneira, a Itália fez de 2019 o ano do seu “slow tourism,” focando sua promoção em atrações culturais e turísticas de regiões menos conhecidas do pais. As operadoras e as agências de viagens foram incentivadas a diversificar seus roteiros, multiplicando as paradas em vez de ligar diretamente as grandes cidades italianas. O trem ficou assim uma escolha natural, relaxante, que alegra os clientes menos apressados do “slow travel”, jovens estudantes ou aposentados da melhor idade que querem viajar a seu ritmo, almoçar sem pressa ou parar de repente para aproveitar um pôr do sol.

©SNCF Mediatheque/Alex Profit

Os cruzeiros apostando agora na sustentabilidade

Os veleiros da Star Clippers, campiões de sustentabilidade

Quase dobrando em dez anos, o mercado dos cruzeiros deve chegar este ano a 30milhões de pessoas, divididos em mais de 300 navios, dos charmosos veleiros da Star Clippers até os cada vez mais impressionantes gigantes da MSC Cruzeiros ou da Royal Caribbean. Construído em Saint Nazaire – o mesmo estaleiro francês que entregou em dezembro o badalado MSC Grandiosa -, o  Symphony of the Seas,da Royal Caribbean, atinge 362 metros de comprimento e 66 metros de largura. Para hospedar e divertir os 6314 passageiros, tem 2745 cabines, 20 restaurantes, 30 bares, 11 piscinas, simuladores de ondas para surfe, dois teatros, dois spas, um casino, um minigolfe, e uma pista de patinação, com 2394 tripulantes cuidando do conforto e da segurança de todos. Mais de 100 outros navios serão entregues até 2027, um investimento de US$ 65 milhões para uma capacidade de 130 mil cabinas.

O impressionante crescimento dos cruzeiros na China

O sucesso dos cruzeiros se mede também pela diversificação da clientela. Enquanto os norte americanos representavam mais de 90% dos 7 milhões cruzeiristas do século XX, essa proporção baixou para 83,9% em 2006, 69% em 2011 e menos de 50% hoje. Ainda predominantes, muito cortejados, o mercado dos Estados Unidos continua crescendo mas sem o dinamismo dos mercados europeus e asiáticos. Na Europa, os alemães e os ingleses já são 2 milhões a escolher cruzeiros para suas férias, abandonando talvez  em contrapartida grandes destinos na França ou na Itália que sofrem com essa concorrência. No outro lado do mundo, a China triplicou em cinco anos como mercado emissor, chegando esse ano a mais de 2,5 milhões de cruzeiristas. O Brasil também é destaque, com 16% de crescimento em 2019, 670 mil  cruzeiristas e boas perspectivas tanto nacionais como internacionais.

Os gases tóxicos são a principal preocupação dos moradores dos portos

Tamanho desempenho não podia não chamar a atenção sobre o impacto ecológico desses gigantes do mar. Com exceção de raros veleiros, os navios de cruzeiros são movidos a combustível pesado, um óleo quase bruto, barato, pagando pouquíssimos impostos, e extremamente poluidor. Chegando a queimar mais de 300 mil litros por dia, essas embracações são assim alguns dos maiores responsáveis pelas emissões de óxido de enxofre (segundo uma recente pesquisa da ONG T & E, os 94 navios da Carnival teriam emitidos em 2017 dez vezes mais desse gás tóxico que os 260 milhões de carros da União Européia), bem como de óxido de azoto e de partículas ultrafinas. Mais do que o despejo no mar de aguas não tratadas – hoje proibido pela Cruise Lines International Association (CLIA) -, são essas emissões de gases emitidos até nos portos 24 horas por dia que preocupam  ecologistas e autoridades sanitárias.

Cannes exige o respeito de um código de sustentabilidade

Frente a essas críticas, e para antecipar tanto as novas normas adotadas pela OMI (o regulador das Nações Unidas) que a multiplicação das areas de emissão “controladas” na América do Norte, no mar Báltico, no mar do Norte e em alguns portos do mar Mediterrâneo, as companhias de cruzeiros já estão reagindo. Segundo a CLIA, investimentos de US$ 6 bilhões já foram decididos para diminuir as emissoes de carbono dos motores atuais e para utilizar a energia elétrica fornecida pelos portos durante as escalas. Marselha anunciou assim que quer ser o primeiro porto 100% elétrico até 2025. A médio e longo prazos, os motores híbridos, ou funcionando com gás natural liquefeito (GNL), são a solução escolhida por várias companhias. Dois navios desse tipo, o Aida Nova e o Costa Smeralda, já estão navegando e 20 outros já foram encomendados.

O Roald Admunsen quer ser ecologicamente exemplar

As preocupações de sustentabilidade das grandes companhias de cruzeiros vão agora alem da redução das emissões de gas. A MSC está programando um objetivo “zero carbone print”, acreditando em novas tecnologias e com investimentos compensatórios em projetos carboneutros de grandes entidades internacionais. A Norwegian Cruise anunciou o fim dos plásticos de uso único nos seus navios, e Hurtigruten quer fazer do seu híbrido  “Roald Amundsen” um exemplo de boas práticas nas suas rotas polares. Mostrando que a sustentabilidade deve incluir responsabilidades globais, algumas companhias de cruzeiros  estão participando dos programas da Travel Corporation’s Treadright Foundation. Com importantes realizações, mas ainda com importante caminho a percorrer, o setor afirma agora ser convencido de fazer os investimentos necessários para atingir a exemplaridade ambiental e social que o sucesso requer.

Jean-Philippe Pérol

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