Os destinos rivalizam para incentivar a sonhar hoje as viagens de amanhã

Em tempo de confinamento, os destinos mostram muita criatividade para continuar presentes junto aos seus potenciais visitantes, combinando responsabilidade – ficar em casa é um imperativo de saude pública- e mantimento do sonho de viajar. São aulas de cozinha, receitas de mixologia, palestras culturais, visitas de museus, passeios, atrações e até carrosséis ofertos a imaginação. Não é hora de vender produtos ou serviços, mas de cultivar a esperança e o desejo de recomeçar a viajar.  Os escritórios de turismo escolheram varias estratégias de comunicação. Com destaque aos sempre surpreendentes países do Norte (acima o exemplo das Ilhas Feroe), todos esses profissionais mostram como, nesse momento de crise, o marketing de destino, inspiracional por natureza, se transformou em marketing da esperança.

Com as mídias sociais ainda mais populares desde o inicio do confinamento, vários destinos estão usando-los como canais de comunicação privilegiados e as vezes exclusivos. O Turismo Portugal mudou seu lema #CantSkipPortugal para #CantSkipHope e lançou um vídeo  aconselhando de parar já que os atrativos do país poderão ser visitados depois.  Visit Norway marcou seus fotos e videos com #Dreamnowvisitlater. Turismo Montreal pede aos viajantes de não sair de casa e de vir mais tarde com  #VisitUsLater e #APlusTard. Alguns marqueteiros são mais diretos, assim Visit Estonia que inventou #staythefuckhome, ou VisitBrighton que mudou seu nome para DoNotVisitBrighton.

A Primeira Ministra da Finlândia liderando uma estratégia inovadora

Os influenciadores têm em alguns destinos um lugar de destaques na comunicação de crise. É o caso da Finlândia, cuja jovem Primeira Ministra tinha pedido para a Empresa nacional de Abastecimento emergencial , antes mesmo que se fala da pandemia, a contratação de uma agência especializada em mídias sociais e influenciadores, a  PING Helsinki para ajudar a sua comunicação. 1500 “key workers” – como são chamados esses comunicantes-, são assim mobilizados ao lado das mídias tradicionais para repassar mensagens oficiais ou personalizados para públicos específicos, nacional ou internacional. O Quebec apostou também nos influenciadores para incentivar as pessoas a ficar em casa, assim a blogueira Lydiane autour du monde  que mostra agora fotos de confinamento ou de viagens passadas.

As visitas virtuais ganharam um novo impulso com o confinamento. O Dinamarca, a Noruega e o Japão  apresentam vários passeios e excursões on-line, e Malta apresenta videos com caminhadas nas ruas da cidade velha.  Na França, as cidades de LyonBordeaux mostram varias atividades acessíveis sem sair de casa.  Discover Puerto Rico   apostou nas experiencias on line com cursos de salsa, receitas de coquetéis com um mixologista e aulas de cozinha. Travel Saint Lucia colocou Instagram videos de 7 minutos incentivando a fazer aulas de yoga, a aprender a cozinhar pratos típicos ou a seguir um guia. O Chile lançou o aplicativo Chile 360º, com vídeos e imagens de paisagens chilenas, incluindo até óculos opcionais. Os maiores esforços são talvez feitos por Visit Orlando que propõe de forma virtual a quase totalidade das suas atrações.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

No Brasil, a campanha  “Não Cancele, Remarque”

Croácia, Colômbia, Ruanda, três lições de reconstrução da atratividade de um destino turistico

Para construir uma nova imagem, não pode fugir do passado

Vinte anos atrás, o  New York Times descrevia a Colômbia como um pais dominado pelas guerras de traficantes,  os crimes dos milicianos ou os sequestros da guerrilha. Nos anos anteriores, o Washington Post  tinha descrito a Croácia como um país destroçado pela guerra civil que somente podia ser visitado por aventureiros destemidos. E um artigo do  New Yorker  publicado durante o genocídio dos tutsis avisava que o Ruanda era tão perigoso que era desaconselhado para os raros visitantes de sair da área do aeroporto. Desde então, os conflitos terminaram e as infraestruturas foram reconstruídas. As economias deram a volta por cima, e o turismo se recuperou: 3 milhões e um leadership regional para a Colômbia, 1,5 milhão de turistas e o reconhecimento internacional para o  Ruanda, 19,7 milhões e um top ranking no Mediterrâneo para a Croácia.  As razões do sucesso desses três países na reconstrução da atratividade pode inspirar responsáveis do turismo no mundo inteiro.

A cultura tutsi sobreviveu ao genocídio

É impossível fugir do seu passado. Mesmo tendo uma das mais dinâmicas economias da África, Ruanda continua carregando a imagem do massacre de 800.000 tutsis. Integrada na União Europeia, a Croácia não apagou as lembranças da guerra civil. E a Colômbia continua sendo -por méio das novelas da Netflix ou da própria TV colombiana- a terra do terror, das drogas e da violência de Pablo Escobar. Mas em vez de esconder ou de negar esse passado, os três países estão mostrando que não podem ser resumidos a esses acontecimentos, tão trágicos que foram, e que não somente esses eventos foram marcados por emocionantes casos de compaixão ou de heroismo, mas que têm outros eventos e outras historias para contar. Em 2008, a Colômbia foi assim extremamente bem sucedida em lançar uma empolgante campanha “El riesgo es que te quieras quedar” (O risco é de você querer ficar) que não escondia os problemas mas mostrava que tinha também boas notícias.

Para quem não tem as pirâmides de Gizeh, a Torre Eiffel ou o Machu Picchu, foi importante encontrar um ícone que ajudou  a posicionar o destino e a consolidar a marca. A Croácia continua acreditando no dinamismo trazido pela sua seleção nacional de futebol – vice-campeã na Copa do Mundo da Rússia (2018).  Depois de muitas buscas, a Colômbia está agora apostando nos pássaros. Com 2000 espécies diferentes, anuncia a maior biodiversidade de aves e aproveita esse patrimônio para comunicar sobre a riqueza do meio ambiente e do turismo de natureza. Em Ruanda, o ministério do turismo aposta nos gorilas e nos esforços para protegê-los. Uma campanha nas mídias sociais promove as oportunidades de seguir os animais e de participar da festa anual da Kwita Izina, uma cerimônia ruandesa durante a qual é dado o nome dos gorilas recém nascidos.

Sente o ritmo é a nova campanha de marketing da Colômbia

A continuidade das campanhas de marketing foi um fator essencial de sucesso. Depois da campanha surpreendente de 2008, a Colômbia  continuou com um novo conceito homenageando o maior escritor do país, Gabriel García Márquez, por meio do “realismo fantástico” e com um vídeo que foi visto por mais de 3 milhões de internautas. Uma nova campanha, “Colômbia, feel the rhythm” ,  aproveite a riqueza do patrimônio musical do “país dos 1,000 ritmos”, querendo criar uma ligação entre música e turismo comparável à bem sucedida sinergia com a gastronomia. A Croácia procurou também uma campanha duradoura para poder interagir com os turistas. Na onda do Mundial 2018 na Rússia, o escritório nacional de turismo  lançou um vídeo que leve o internauta às regiões de origem de cada um dos mais populares jogadores do time, um video que já foi visto mais de um milhão de vezes.

Ruanda aposta nos jogadores do Arsenal como influenciadores

Os influenciadores ajudaram a construir a nova popularidade dos destinos. Ruanda aproveitou a atriz  Portia de Rossi e a sua esposa, Ellen DeGeneres, donas de mais de 80 milhões de seguidores, que patrocinaram  um novo centro para  The Dian Fossey Gorilla Fund  em  Kinigi. Essa fundação deu continuidade aos trabalhos de Dian Fossey, e tanto Portia de Rossi que Ellen DeGeneres  foram a Kinigi e no Ruanda, publicando fotos e vídeos nas suas páginas. Ruanda aproveitou também a parceria dos jogadores do Arsenal, time da primeira divisão inglesa, que entraram em campo com camisas estampadas “Visit Rwanda”. O time deve visitar o país para promover o futebol. O sucesso do “rebranding” precisa também de sorte. Para a Croácia, a escolha de Dubrovnik para filmagem de “Game of Thrones” deu um impulso excepcional para o turismo em todo o sul da Dalmácia, e as agências locais oferecem hoje vários circuitos. Um orgulho para uma cidade que foi bombardeada e ameaçada de destruição durante a guerra de 1991-1992.

Aparecer no Game of Thrones foi uma sorte excepcional para Dubrovnik

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Tariro Mzezewa no New York Times

Hoteis só para mulheres podem virar tendência?

 

A Ásia lidera a tendencia de hotéis exclusivos para mulheres

Quartos de hotéis só para mulheres já foram adotados há anos pelos marqueteiros, mas essa tendência foi reforçada desde 2014 pelo número crescente de mulheres viajando sozinhas. Segundo a Organização Mundial do Turismo, esse número passou de 59 milhões a 138 milhões em três anos, com um destaque para os mercados da Europa onde o crescimento é espetacular e onde as ofertas estão se multiplicando. São por exemplo sites de hospedagem exclusivamente femininos. Na França Christina et Derek Boixiere abriram em abril desse ano www.la-voyageuse.com, com oferta de quartos para alugar ou de apartamentos para dividir, e na Inglaterra existe agora www.maiden-voyage.com , um site especializado em apresentar soluções as numerosas mulheres viajando sozinha para negócios.

O hotel Bella Sky Comwell tem um andar inteiro de quartos para mulheres

Na Dinamarca, o hotel Bella Sky Comwell reservou todo o décimo sétimo andar para mulheres. Os quartos têm secador de cabelos Dyson, lixas de manicure e amostras de produtos de tratamento de pele. Mesmo por ter perdido um processo por discriminação e ter que abrir as reservas para os homens, o hotel continua de oferecer os vinte quartos feminizados. Em Vancouver, no Canadá, o Georgian Court Hotel tem um andar com 18 quartos exclusivos para mulheres. Além de segurança reforçada, os apartamentos oferecem tapete de ioga, cabides de cetim e amenities especificos. Ainda no Canadá, o International Hotel de Calgary reservou um andar para sua clientela feminina, com tapete de ioga no quarto, chapinha de cabelo no banheiro e garrafa de vinho branco no minibar. E para recusar de antemão qualquer acusação de discriminação, o International Hotel reservou um outro andar só para homens.

A Índia continua a ser pioneira em hospedagem para mulheres

Na Índia, as mulheres que viajam valorizam muito a tranquilidade e a segurança. Desde 2005, o grupo ITC oferecem andares exclusivos em todos os seus hotéis. A cadeia de luxo Lemon Tree Hotels  têm áreas reservadas para as mulheres nas 19 unidades da rede, aonde elas encontram não somente uma segurança reforçada mas também grandes espelhos, ou cofre para joias, e ainda podem pedir táxis com motoristas mulheres. Em Nova Deli, o Leela Palace New Délhi abriu o Kamal, um andar seguro exclusivo para mulheres, com acesso particular para o spa e uma hora de tratamento de cortesia. No Kerala, a sociedade de desenvolvimento do turismo (KTDC) abriu em Thiruvananthapuram o “Hostess”, o primeiro hotel não somente exclusivo para mulheres, mas onde o pessoal é exclusivamente feminino.

A segurança é o primeiro requisito das mulheres que procuram hotéis exclusivoe

Outros países da Ásia entraram na onda das acomodações exclusivas de mulheres. Em Cingapura, o hotel Naumi recebe seus hóspedes no bairro central dos negócios,  personalizando os quartos para mulheres com produtos de aromaterapia. No bairro de Wanchai em Hong Kong, o Fleming personaliza os banheiros com  kit de maquiagem e aparelhos para massagear as pernas. O Lotte Hotel Seoul na Coreia do Sul, e o,hotel Hongta em Xangai na China têm andares exclusivos para mulheres. Em outros destinos, hotéis inteiros são reservados para mulheres. É o caso do Bliss Sanctuary  na cidade de Seminyak em Bali na Indonésia. No Japão, perto de uma estação de trem de Tóquio, o hotel Nine Hours Woman Kanda é o primeiro de país a aceitar exclusivamente uma clientela feminina.

O hotel Som Dona, na Ilha de Majorca, na Espanha

A Espanha, que já mostrou o espírito inovador dos seus hoteleiros com os hotéis Axel “heterofriendly”, insistiu na criatividade com o hotel Som Dona Women only. Localizado perto de Porto Cristo na ilha de Majorca, aceita somente mulheres de mais de 14 anos. Com 39 quadros, uma piscina, um spa, uma biblioteca e um terraço em cima do telhado, esse hotel de 39 quartos de quatro estrelas criou um novo espaço para as mulheres que querem desconectar do estresse da rotina cotidiana. O bem estar da clientela feminina é a primeira preocupação do hotel, com foco no bem-estar – massagens, tratamento de beleza, jacuzzi e solarium – e na gastronomia – com pratos equilibrados e produtos vindo da  agricultura sustentável local. Da Espanha, a moda dos hotéis reservados para mulheres pode chegar à América do Sul ?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Chegou a hora do “demarketing”?

O caminho Inca que leva somente 500 pax por dia para Machu Picchu

Mais de 1,4 bilhões de turistas viajaram pelo mundo em 2018, e, segundo a Oraganização Mundial do Turismo, serão 1,8 bilhão em 2030. Um crescimento que apavora muitos destinos, seja porque não possuíam as infraestruturas necessárias, seja porque os moradores já acham viver uma situação de overturismo. Para alguns especialistas, chegou a hora do “demarketing”, esse conceito inventado em 1971 por Philip Kotler e Sidney Levy que afirmavam que as superabundâncias podem ser tão problemáticas quanto as penúrias. Esses dois pesquisadores definiram então o demarketing com uma especialidade do marketing visando a desanimar os clientes – ou alguns segmentos- de consumir temporariamente ou definitivamente um produto ou um serviço. Já muito utilizado em setores como o cigarro, o álcool, ou o jogo, a demarketing chegou ao turismo.

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As famosas letras, agora deslocadas, do painel I am-sterdam

As estratégias de de-crescimento do demarketing seguem as mesmas receitas que o marketing tradicional e os “4P” (promoção, praça, produto e preço).  Num território que não consegue mais administrar os fluxos de visitantes e cujos atrativos estão saturados, a primeira sugestão  é de reduzir ou até de parar qualquer tipo de promoção. Isso foi experimento há pouco pela Holanda cujo órgão oficial de turismo decidiu que concentraria seus esforços na gestão dos destinos e não na promoção. Só serão agora promovidas em nível internacional as regiões desconhecidas, uma decisão que vem depois de outras como a promoção exclusiva da baixa estação, a relocalização das famosas letras « I am-sterdam » e a sensibilização dos turistas aos comportamentos inconvenientes.

Source de la vidéo : YouTube

O demarketing pode também ajudar algumas praças ou alguns lugares que sofrem de overturismo e onde o meio ambiente é ameaçado. Foi assim que o famoso Vale de Jackson Hole, no Wyoming, pede aos visitantes de não indicar as coordenadas exatas das suas fotos mais atraentes e de utilizar uma localização genérica. Nas Filipinas, o sítio de Puerto Princesa, tombado pela UNESCO, retirou os lugares mais frágeis dos roteiros e dos mapas produzidos pelo Ministério do turismo.  Uma outra estratégia mais conhecida de demarketing é a imposição de cotas de visitantes, uma medida já existindo há anos nas trilhas do caminho inca em Machu Picchu, hoje utilizada por vários destinos como o Parque nacional da Península Bruce, no Ontário ( Canada). E a cobrança ou o aumento de tarifas, tradicionalmente exclusivo dos lugares privados, está hoje cada vez mais comum em áreas públicas.

Com menos entradas de turistas, a França reforça sua escolha pelo “melhor turismo”

O demarketing pode certamente ser uma opção para gerenciar os fluxos nem sempre controlados. É, porém, uma solução de desespero, e as receitas perdidas podem faltar a economia local. Antes de chegar a essa solução radical, uma boa planificação dos fluxos de visitantes pode ser suficiente para antecipar as consequências do sucesso de um destino. Foi a estratégia escolhida na França há duas décadas, quando a então Maison de la France lembrava que o “melhor turismo” deveria  prevalecer sobre o “mais turismo”. A prioridade  não era de aumentar os fluxos, mas de melhorar as receitas com visitantes gastando mais, vindo durante as baixas temporadas, visitando lugares esquecidos pelo turismo de massa e escolhendo atividades com forte valor agregado.  Hoje, em tempo de overturismo, o “melhor turismo” pode ainda ser a opção antes da difícil escolha da hora do demarketing.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Anne-Julie Dubois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

“Rent a Finn”, a Finlândia juntando turistas e moradores na felicidade de não fazer nada

Felicidade pela natureza, a receita simples do turismo finlandês?

Se suas terras podem parecer ingratas, e se a famosa trilogia das férias – sol, areia e mar- não combina muito bem com a realidade do Norte da Europa, os países escandinavos construíram nos últimos anos uma justa reputação de marqueteiros criativos. Depois da Islândia e da Noruega, é agora a Finlândia que acabou de lançar uma nova campanha de marketing “Alugue um finlandês” que associa a felicidade e o meio ambiente. O órgão oficial do turismo finlandês, Visit Finlandia aproveitou o primeiro lugar do país no ranking dos povos mais felizes do mundo, publicado pelo World Happiness Report 2019 das Nações Unidas. Líder da felicidade, o “país dos mil lagos” pensou assim entregar suas receitas a seus visitantes, valorizando acima de tudo dois dos seus ingredientes: a conexão com a natureza e a simpatia dos seus moradores.

« Rent a Finn » aposta em uma grande tendência da sociedade atual, a vontade de encontrar na natureza um melhor equilíbrio pessoal e de investir no bem estar. A Finlândia valoriza suas paisagens tranquilas, seus habitantes acostumados a viver desde pequenos em profunda harmonia com suas florestas ou seus lagos, e sua tradição de hospitalidade. A campanha oferece assim umas oportunidades para todos os viajantes que querem hoje aprender com comunidades e dividir experiências autênticas com moradores. A simplicidade dessas experiências busca ser um dos fatores do sucesso, com ofertas de caminhadas, de passeios de canoas, de procura de frutas silvestres, ou de relaxamento na sauna respirando um ar puro e escutando o silêncio.

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Seis solteiros e dois casais são os primeiros finlandeses para alugar

Para lançar sua campanha, VisitFinlandia apresentou ao público oito opções de guias para felicidade. Os turistas candidatos podem fazer um teste de equilíbrio de vida que ajuda a orientá-los para o seu “host” mais adequado. Os oito Finlandeses que podem ser “alugados” oferecem estadias em suas próprias casas. Eles descrevem no site suas filosofias de vida e suas relações serenas com a natureza, cada um sendo localizado em uma região e em um meio ambiente diferente: florestas da Lapônia, lagos do interior, parques naturais ou ilhas do litoral, espaços verdes dos subúrbios da capital Helsinki. Se as reservas já são completas para esses oito pioneiros, o site de VisitFinlandia oferece muitas outras experiências de quartos, chalés ou barracas alugados com seus finlandeses felizes.

A ousada promoção da experiência de não fazer nada

Alguns lugares turísticos da Finlândia estão indo mais longe ainda nessa promoção da serenidade e da felicidade nas coisas simples. Os seus espaços, sua paz, seu tempo são verdadeiros remédios contra a corrida e o estresse da vida moderna nas grandes metrópoles. Assim no final do ano passado a cidade de Padasioki lançou uma surpreendente campanha: Não temos nada, Experimente nada! Para conquistar o turista, frente a grandes destinos nos Estados Unidos ou na França podem oferecer tudo, não oferecer nada, ou nada igual, vira uma maneira de ser diferente. Assumindo essa peculiaridade, sua originalidade, sua natureza e sua identidade, afirmando que a felicidade é talvez o prazer de não fazer nada, a não ser coisas simples com gente autêntica, um destino turístico pode assim virar único e interessante. Então, quer alugar um Finlandês?

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Amélie Racine na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

 

As ambições confirmadas da Espanha nos pódios do turismo mundial

A Plaza Mayor, coração turístico de Madrid

Dos três países que devem dividir em 2018 o pódio do turismo internacional, a Espanha foi a primeira a anunciar os seus resultados, um crescimento pequeno de 1,2 %  mas um novo recorde de 82,8 milhões de visitantes, provavelmente ainda atrás da França e numa briga apertada com os Estados Unidos pelo segundo lugar. O numero de excursionistas – visitantes sem pernoites, incluindo os cruzeiristas – também cresceu de 3,6%, chegando a  41,2 milhões. E com um gasto médio por pessoa de 1086 euros, as receitas estão se aproximando dos 90 bilhões de euros, recorde na Europa, somente superado a nível mundial pelas receitas do turismo norte americano. Talvez aproveitando as dificuldades politicas dos seus concorrentes francês e inglês, os resultados do mês de dezembro foram os mais espetaculares, com 9,7% de crescimento do numero de turistas.

Espanha faz parte de si, a campanha mundial de Turespaña

Os resultados por país de origem confirmam as previsões dos especialistas sobre a morosidade dos mercados da Europa, e o potencial dos BRICS. O Reino Unido se manteve na liderança com 18,5 milhões de turistas, mas em queda de 1,6%, uma queda observada também na Alemanha e nos países nórdicos. E com +0,7%, a França foi o único grande mercado de proximidade a ter um resultado positivo. Do lado dos mercados emergentes, a China cresceu de 3,9% – abaixo das expectativas das autoridades espanhóis, talvez por não ter conseguido resolver seus problemas de vistos, o México de 5,9% a Rússia de 6,3%, e a Índia de mais de 15%. O Brasil registrou um novo recorde, um impressionante crescimento de 19,1%. A surpresa mesmo foi porem as chegadas de turistas estadounidenses  que cresceram de mais de 12%, empurradas pela alta do dólar e  pela força crescente da comunidade hispânica naturalmente atraída pela Espanha.

A ministra Reyes Maroto apresentando os resultados do turismo 2018

Enquanto muitos países estão reduzindo as suas verbas ou até abandonando o marketing de destino, a ministra da industria, do comercio e do turismo, Reyes Maroto,  reafirmou que tinha um orçamento de 316 milhões de euros para não somente assegurar suas missões tradicionais mas ainda para reforçar algumas ações como a inovação tecnológica, a promoção internacional e os investimentos em novos modelos de destinos de turismo inteligente e sustentável. Verbas suplementares poderiam até ser mobilizadas se o impacto do Brexit se revelava muito negativo para o turismo inglês na Espanha. Lembrando que o turismo representava ao nível nacional 13% do Produto Interno Bruto, a ministra insistiu nas diferencias regionais que tem que ser consideradas para que o setor consegue continuar o seu papel no desenvolvimento dos territórios.

As Ilhas Canárias, onde o turismo internacional caiu 1,7% em 2018

As evoluções regionais  mostraram novas tendências do turismo na Espanha. Dos três destinos principais, as ilhas Canárias tiveram uma queda de 1,7%, as Baleares foram quase estáveis. O tradicional líder, a Catalunha,  parece porém ter recuperado nos últimos meses do ano o impacto negativo dos conflitos políticos e dos protestos dos moradores de Barcelona contra o overturismo. Mas foram nas outras comunidades que se encontraram os crescimentos mais significativos em 2018: +1,5%  na Andaluzia, +3,2% na Comunidade Valenciana, e um recorde de +6,3% no Grande Madrid que foi talvez o maior beneficiário do turismo vindo dos países emergentes. Para as autoridades e os profissionais espanhóis, umas boas noticias e a demonstração que suas anunciadas ambições de liderança do turismo europeu devem ser levadas a sério pelos seus concorrentes italiano e francês.

A Torre do Ouro na beira do Rio Guadalquivir em Sevilha