Os EE-UU apresentam uma estratégia inovadora para o turismo pos crise

Gina Raimondo, Secretaria de Comercio, apresentou sua estratégia inovadora

A secretária de Comércio dos Estados Unidos, Gina M. Raimondo, anunciou a semana passada uma nova estratégia nacional para indústria das viagens e do turismo. Aproveitando as lições da crise, e as novas exigências dos turistas, dos profissionais e dos moradores, ela reafirmou os esforços do governo federal para apoiar o setor, e anunciou suas novas metas. No prazo de 5 anos, o objetivo  é de atrair 90 milhões de visitantes internacionais por ano, de chegar a receitas internacionais de US$ 279 bilhões anualmente, e de conseguir que essas receitas apoiam a criação de empregos em todos o território  estadounidense.

Atropelados pela crise, os grandes destinos aderiram as novas ideias

Esse nova estratégia é uma virada em relação a politica mais quantitativa definida em 2012 pelo administração Obama, que tinha o objetivo de 100 milhões de visitantes mas previa gerar somente US$ 250 bilhões de receitas por ano. A Secretária enfatizou também que a retomada oferecia uma oportunidade única de construir uma industria turística mais inclusiva, mais justa, mais responsável e mais resiliente, com resultados concretos atrelados a quatro metas: promover o destino, facilitar as viagens, desenvolver novos lugares ou comunidades, e focar um turismo mais sustentável.

Brand USA CEO Chris Thompson speaking at the IPW conference in Orlando.

Thompson, CEO de Brand USA, convenceu os profissionais durante o IPW

Sem ser uma novidade (nos anos 90, Malta se destacou anunciando que queria 20% de turistas a menos e 20% de receitas a mais. Nos anos 2000, a França já tinha definido a ambição do “mieux tourisme” para substituir o “plus tourisme“), a virada para uma politica mais qualitativa foi elogiada pelos profissionais. Falando no US Travel Association’s IPW, o CEO de Brand USA lembrou que somente 79 milhões de turistas visitaram o pais em 2019 e que, mesmo sem a crise que cortou 75% dos fluxos, os  100 milhões de turistas não teriam sido atingidos. E concluiu: ” Nosso objetivo agora não é de acolher o mundo inteiro, é de maximizar o turismo como uma exportação, sendo as receitas o primeiro indicador a ser seguido.”

O Museu do Primeiros Americanos em Okhlahoma City

A nova estratégia confirme o papel central de Brand USA na promoção internacional, em estreita ligação com os profissionais e com o apoio de outros órgãos do governo como Homeland Security ou o State Department. Essas sinergias são desenvolvidas a todos os níveis, inclusive dos vistos, um gargalho importante em alguns consulados. Mas a prioridade dada ao turismo pelo governo federal foi alem de medidas pontuais, o turismo foi também beneficiado com um fundo especial  viabilizando todo o projeto e votado de forma bipartidária. Com o Restoring Brand USA Act, foram então um recorde de US$ 250 milhões que o Presidente Biden colocou a disposição da retomada do setor.

Biden assinando o pacote incluindo o Brand USA Recovery Act

Num turismo pos Covid que está ainda se definindo, frente aos países europeus que parecem hesitar a escolher seu caminho e a assumir os investimentos indispensáveis, frente a novos concorrentes da Asia ou do Oriente Medio que conseguem definir novas estratégias e achar os financiamentos, os Estados Unidos impressionaram  tanto pela virada estratégica que pelos meios mobilizados para atingir metas claras com datas definidas, em sinergia total com os profissionais do setor . Ao final de contas, os viajantes terão assim múltiplas oportunidades de viver novas experiências nesse grande destino turístico.

Jean Philippe Pérol

 

 

Na Islândia, até os cavalos estão promovendo o destino com humor e criatividade

A Islândia não quer que os emails estragam sua viagem!

Descobrindo várias das mais bonitas paisagens da Islândia, na geleira Solheimajökull, na falha de Silfra ou frente ao Grande Geysir, uma jovem turista é perturbada por notificações de emails urgentes do seu empregador que parece esquecer que ela está de ferias. Segue então a voz do ator islandês  Olafur Darri Olafsson para lembrar que “Emails do escritório estragam mesmo as férias… mas, ainda bem, a Islândia acho a solução perfeita para esse problema”. Assim comece o vídeo promocional da nova e criativa campanha 2022 de Visit Iceland, já visto por 160.000 youtubers.

Depois dos influenciadores, a hora dos “experienciadores”

A experiência pessoal traga autenticidade as mensagens

Para promover marcas ou destinos, os marqueteiros já inventaram os embaixadores – muitas vezes artistas ou celebridades cujas famas eram suficientes para convencer os consumidores. Depois viram os blogueiros – e até os vlogueiros-, enquanto a explosão das mídias sociais fez o sucesso dos influenciadores, dos youtubers ou dos instagramers. No mundo da realidade virtual, a inteligência artificial  está trazendo agora os vtubers, virtuais youtubers. Nascidos no Japão e desenvolvidos nos Estados Unidos, são influenciadores digitais que publicam vídeos no Youtube usando um avatar afim não mostrar seu rosto.

O influenciador

Experienciadores se imponham com expertisa, paixão e sinceridade

Nos ecosistemas do marketing de influencia, as últimas pesquisas mostram porém a grande procura de autenticidade. Segunda o instituto francês IPSOS, a notoriedade dos influenciadores é hoje menos importante que sua expertisa, sua paixão e sua sinceridade para recomendar uma marca, um produto ou um serviço. A pesquisa mostrou que milhões de seguidores não mais são mais a chave de ouro, e que intercâmbios mais ricos, mais fáceis e mais impactantes podem ser realizados com influenciadores seguidos por somente dez mil pessoas mais qualificadas. Parece assim que chegou a hora dos “experienciadores”.  

Vtubers tentam fazer dos avatars uns concurrentes dos youtubers

A coerência, a sinceridade e a credibilidade são as características esperadas desses novos influenciadores, capazes de passar nas suas comunidades uma mensagem cuja força vem da experiência e da paixão vindo de pessoas reconhecidas pelos pares.  Os “experienciadores”  são bem sucedidos em muitos setores, nas administrações públicas, na beleza, na moda, na gastronomia ou na distribuição de alimentos. Mas é certamente o turismo, com seus consumidores ávidos de conselhos e seus fornecedores  generosos em convites de viagens ou de produtos,  que oferece o maior campo de desenvolvimento. 

A experiencia faz a diferencia com os influenciadores tradicionais

Os “experienciadores” respondem as novas tendências, trazendo um verdadeiro valor agregado com sua expertisa, sua experiência pessoal e sua lógica de conselho, numa relação de proximidade – mas não de confiança cega- com seus seguidores. Diferentes tanto dos jornalistas que dos influenciadores tradicionais, eles  destacam pontos positivos e negativos dos produtos ou dos destinos que eles experimentam. Criando conteúdos autênticos e convincentes, eles vão com certeza ter um papel crescente no marketing do mundo do turismo que está surgindo depois da crise.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Evelyne Dreyfus na revista francesa profissional on-line Mister Travel

Icelandverse x Metaverse mostrando o talento e a criatividade da Islândia

Aproveitando a onda do metaverse, esse mundo virtual interativo dos gigantes do web, e sua apropriação pela Facebook  agora rebatizada Meta, o escritório de turismo da Islândia acabou de dar mais uma aula de marketing inteligente. Ao mundo tecnológico  dos aplicativos e das emoções em capacete 3D, universo do fake interativo, a nova campanha islandesa  está sobrepondo suas paisagens apurados e sua naturaleza grandiosa, num clip apresentado com muita simplicidade por um clone do Mark Zuckerberg.

As auroras boreais, cartão postal do pais

A agua que molha, os humanos de verdade, os pássaros bonitos e burros, a vegetação a respeitar, as pedras a acariciar e os géisers a observar de longe, esse é o mundo do IcelandVerse dessa nova campanha apresentado por «Zack Mossbergsson». Esse islandês com sotaque bem carregado copiou o corte de cabelo, a roupa preta e o estilo do dono da Facebook, e quer também convencer do lado revolucionário da tecnologia que a Islândia  está oferecendo para os visitantes.

Paisagens lunares são marca registrada

Este «chief visionary officer»  convide os interessados a participar desse novo capitulo da historia da conectividade humana, e a vir visitar o seu pais para essa experiência. Enquanto desfilem na tela desertos de gelo, campos de grama, paisagens vulcânicos ou auroras boreais, o C.V.O. não esquece de lembrar que o convite é valido para hoje, amanha, ou quando quiser. Já conhecida como terra de fogo e gelo, único país du mundo onde os nativos não usam sobrenomes, a Islândia merece agora ser também celebrado pelo seu senso de humor e de oportunidade. Parabéns!

Ainda não teve resposta do Mark Zuckerberg, mas está sendo esperado!

 

A crise, uma oportunidade para os destinos turísticos investir na sustentabilidade?

A sustentabilidade, futuro do turismo pos coronavirus?

Nas novas tendências esperadas para a retomada do turismo, a sustentabilidade e a procura de produtos éticos são destaques tanto no Brasil como no mundo inteiro. Segundo muitas grandes mídias internacionais, a pandemia e o confinamento podem ser oportunidades para os destinos turísticos que entenderam a necessidades de mudanças profundas no setor, beneficiando o meio ambiente, os moradores e os turistas. Assim, aproveitar esses tempos de underturismo para investir em desenvolvimento sustentável pode levar, para o World Economic Forum (WEF), a uma vantagem competitiva decisiva em relação a concorrência para convencer tanto os viajantes que os investidores. 

Petra Stušek da Slovénia recebendo o prêmio ITB do turismo sustentável

Para definir e colocar em prática uma nova estratégia de turismo sustentável, os destinos podem usar exclusivamente seus próprios recursos humanos, oucontratar uma certificadora – uma solução mais cara porém mais fácil e com mais credibilidade, especialmente se escolher uma empresa referenciada pelo Global Sustainable Tourism Council , respondendo assim a critérios internacionais. Em ambos os casos, o destino deverá dispor de uma equipe qualificada cujo primeiro objetivo será de fazer um benchmark das melhores práticas dos seus concorrentes, bem como uma avaliação completa das experiências já realizadas pelos profissionais da sua região mobilizados no projeto.

Ilhas Maurício se posiciona agora como destino sustentável

A chave do sucesso de uma política de turismo sustentável fica no equilíbrio entre a vida das comunidades, o desenvolvimento econômico, o respeito dos acervos culturais e a preservação do meio ambiente. Todos os atores devem ser solicitados e apoiados durante todo o processo, e as suas iniciativas devem ser integradas, seguidas e valorizadas no plano global. A conscientização da importância de cada um ajuda também a solidariedade entre os profissionais do setor. No Oceano Índico, nas Ilhas Maurício, uma politica de capacitação especifica para hotéis, restaurantes, agências, e táxis levou ao sucesso da estratégia de todo o destino.

Source : Azores DMO

Com total transparência, um destino sustentável deve também escolher indicadores para medir os impactos sociais, econômicos, culturais ou ambientais das ações. Esses indicadores são geralmente propostas pelas certificadoras, mas exemplos de sucessos merecem ser seguidos. Assim nos Açores, que ganharam a certificação Earthcheck em 2019, foram escolhidos o progresso dos empregos nos hotéis e restaurantes, o número de famílias beneficiadas com o crescimento econômico, a redução dos empregos precários, as economias de água, a redução das emissões de CO2 e a ampliação da coleta seletiva do lixo.

Source : Thompson Okanagan Tourism Association

A sustentabilidade vira um argumento chave da promoção de um destino, a condição de focar todos os públicos em função da especificidade de cada um. Os moradores devem ser os primeiros a ser convencidos virando assim não somente consumidores mas também embaixadores do local. Os profissionais podem ser integrados nas campanhas, um processo muito mobilizador que foi muito bem aproveitado pelo Açores. Para os viajantes potenciais, o plano de comunicação deve promover as boas práticas e o respeito do meio ambiente. Foi a estratégia da Islândia com a Iceland Academy, incluindo um juramento que outros destinos como a Nova Zelândia, Palau ou a região canadense de Thompson Okanagan, na Colúmbia Britânica, já estão propondo a seus visitantes.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Nas águas do Tapajós, ecoturismo e comunidades

Os destinos rivalizam para incentivar a sonhar hoje as viagens de amanhã

Em tempo de confinamento, os destinos mostram muita criatividade para continuar presentes junto aos seus potenciais visitantes, combinando responsabilidade – ficar em casa é um imperativo de saude pública- e mantimento do sonho de viajar. São aulas de cozinha, receitas de mixologia, palestras culturais, visitas de museus, passeios, atrações e até carrosséis ofertos a imaginação. Não é hora de vender produtos ou serviços, mas de cultivar a esperança e o desejo de recomeçar a viajar.  Os escritórios de turismo escolheram varias estratégias de comunicação. Com destaque aos sempre surpreendentes países do Norte (acima o exemplo das Ilhas Feroe), todos esses profissionais mostram como, nesse momento de crise, o marketing de destino, inspiracional por natureza, se transformou em marketing da esperança.

Com as mídias sociais ainda mais populares desde o inicio do confinamento, vários destinos estão usando-los como canais de comunicação privilegiados e as vezes exclusivos. O Turismo Portugal mudou seu lema #CantSkipPortugal para #CantSkipHope e lançou um vídeo  aconselhando de parar já que os atrativos do país poderão ser visitados depois.  Visit Norway marcou seus fotos e videos com #Dreamnowvisitlater. Turismo Montreal pede aos viajantes de não sair de casa e de vir mais tarde com  #VisitUsLater e #APlusTard. Alguns marqueteiros são mais diretos, assim Visit Estonia que inventou #staythefuckhome, ou VisitBrighton que mudou seu nome para DoNotVisitBrighton.

A Primeira Ministra da Finlândia liderando uma estratégia inovadora

Os influenciadores têm em alguns destinos um lugar de destaques na comunicação de crise. É o caso da Finlândia, cuja jovem Primeira Ministra tinha pedido para a Empresa nacional de Abastecimento emergencial , antes mesmo que se fala da pandemia, a contratação de uma agência especializada em mídias sociais e influenciadores, a  PING Helsinki para ajudar a sua comunicação. 1500 “key workers” – como são chamados esses comunicantes-, são assim mobilizados ao lado das mídias tradicionais para repassar mensagens oficiais ou personalizados para públicos específicos, nacional ou internacional. O Quebec apostou também nos influenciadores para incentivar as pessoas a ficar em casa, assim a blogueira Lydiane autour du monde  que mostra agora fotos de confinamento ou de viagens passadas.

As visitas virtuais ganharam um novo impulso com o confinamento. O Dinamarca, a Noruega e o Japão  apresentam vários passeios e excursões on-line, e Malta apresenta videos com caminhadas nas ruas da cidade velha.  Na França, as cidades de LyonBordeaux mostram varias atividades acessíveis sem sair de casa.  Discover Puerto Rico   apostou nas experiencias on line com cursos de salsa, receitas de coquetéis com um mixologista e aulas de cozinha. Travel Saint Lucia colocou Instagram videos de 7 minutos incentivando a fazer aulas de yoga, a aprender a cozinhar pratos típicos ou a seguir um guia. O Chile lançou o aplicativo Chile 360º, com vídeos e imagens de paisagens chilenas, incluindo até óculos opcionais. Os maiores esforços são talvez feitos por Visit Orlando que propõe de forma virtual a quase totalidade das suas atrações.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

No Brasil, a campanha  “Não Cancele, Remarque”

Croácia, Colômbia, Ruanda, três lições de reconstrução da atratividade de um destino turistico

Para construir uma nova imagem, não pode fugir do passado

Vinte anos atrás, o  New York Times descrevia a Colômbia como um pais dominado pelas guerras de traficantes,  os crimes dos milicianos ou os sequestros da guerrilha. Nos anos anteriores, o Washington Post  tinha descrito a Croácia como um país destroçado pela guerra civil que somente podia ser visitado por aventureiros destemidos. E um artigo do  New Yorker  publicado durante o genocídio dos tutsis avisava que o Ruanda era tão perigoso que era desaconselhado para os raros visitantes de sair da área do aeroporto. Desde então, os conflitos terminaram e as infraestruturas foram reconstruídas. As economias deram a volta por cima, e o turismo se recuperou: 3 milhões e um leadership regional para a Colômbia, 1,5 milhão de turistas e o reconhecimento internacional para o  Ruanda, 19,7 milhões e um top ranking no Mediterrâneo para a Croácia.  As razões do sucesso desses três países na reconstrução da atratividade pode inspirar responsáveis do turismo no mundo inteiro.

A cultura tutsi sobreviveu ao genocídio

É impossível fugir do seu passado. Mesmo tendo uma das mais dinâmicas economias da África, Ruanda continua carregando a imagem do massacre de 800.000 tutsis. Integrada na União Europeia, a Croácia não apagou as lembranças da guerra civil. E a Colômbia continua sendo -por méio das novelas da Netflix ou da própria TV colombiana- a terra do terror, das drogas e da violência de Pablo Escobar. Mas em vez de esconder ou de negar esse passado, os três países estão mostrando que não podem ser resumidos a esses acontecimentos, tão trágicos que foram, e que não somente esses eventos foram marcados por emocionantes casos de compaixão ou de heroismo, mas que têm outros eventos e outras historias para contar. Em 2008, a Colômbia foi assim extremamente bem sucedida em lançar uma empolgante campanha “El riesgo es que te quieras quedar” (O risco é de você querer ficar) que não escondia os problemas mas mostrava que tinha também boas notícias.

Para quem não tem as pirâmides de Gizeh, a Torre Eiffel ou o Machu Picchu, foi importante encontrar um ícone que ajudou  a posicionar o destino e a consolidar a marca. A Croácia continua acreditando no dinamismo trazido pela sua seleção nacional de futebol – vice-campeã na Copa do Mundo da Rússia (2018).  Depois de muitas buscas, a Colômbia está agora apostando nos pássaros. Com 2000 espécies diferentes, anuncia a maior biodiversidade de aves e aproveita esse patrimônio para comunicar sobre a riqueza do meio ambiente e do turismo de natureza. Em Ruanda, o ministério do turismo aposta nos gorilas e nos esforços para protegê-los. Uma campanha nas mídias sociais promove as oportunidades de seguir os animais e de participar da festa anual da Kwita Izina, uma cerimônia ruandesa durante a qual é dado o nome dos gorilas recém nascidos.

Sente o ritmo é a nova campanha de marketing da Colômbia

A continuidade das campanhas de marketing foi um fator essencial de sucesso. Depois da campanha surpreendente de 2008, a Colômbia  continuou com um novo conceito homenageando o maior escritor do país, Gabriel García Márquez, por meio do “realismo fantástico” e com um vídeo que foi visto por mais de 3 milhões de internautas. Uma nova campanha, “Colômbia, feel the rhythm” ,  aproveite a riqueza do patrimônio musical do “país dos 1,000 ritmos”, querendo criar uma ligação entre música e turismo comparável à bem sucedida sinergia com a gastronomia. A Croácia procurou também uma campanha duradoura para poder interagir com os turistas. Na onda do Mundial 2018 na Rússia, o escritório nacional de turismo  lançou um vídeo que leve o internauta às regiões de origem de cada um dos mais populares jogadores do time, um video que já foi visto mais de um milhão de vezes.

Ruanda aposta nos jogadores do Arsenal como influenciadores

Os influenciadores ajudaram a construir a nova popularidade dos destinos. Ruanda aproveitou a atriz  Portia de Rossi e a sua esposa, Ellen DeGeneres, donas de mais de 80 milhões de seguidores, que patrocinaram  um novo centro para  The Dian Fossey Gorilla Fund  em  Kinigi. Essa fundação deu continuidade aos trabalhos de Dian Fossey, e tanto Portia de Rossi que Ellen DeGeneres  foram a Kinigi e no Ruanda, publicando fotos e vídeos nas suas páginas. Ruanda aproveitou também a parceria dos jogadores do Arsenal, time da primeira divisão inglesa, que entraram em campo com camisas estampadas “Visit Rwanda”. O time deve visitar o país para promover o futebol. O sucesso do “rebranding” precisa também de sorte. Para a Croácia, a escolha de Dubrovnik para filmagem de “Game of Thrones” deu um impulso excepcional para o turismo em todo o sul da Dalmácia, e as agências locais oferecem hoje vários circuitos. Um orgulho para uma cidade que foi bombardeada e ameaçada de destruição durante a guerra de 1991-1992.

Aparecer no Game of Thrones foi uma sorte excepcional para Dubrovnik

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Tariro Mzezewa no New York Times

Hoteis só para mulheres podem virar tendência?

 

A Ásia lidera a tendencia de hotéis exclusivos para mulheres

Quartos de hotéis só para mulheres já foram adotados há anos pelos marqueteiros, mas essa tendência foi reforçada desde 2014 pelo número crescente de mulheres viajando sozinhas. Segundo a Organização Mundial do Turismo, esse número passou de 59 milhões a 138 milhões em três anos, com um destaque para os mercados da Europa onde o crescimento é espetacular e onde as ofertas estão se multiplicando. São por exemplo sites de hospedagem exclusivamente femininos. Na França Christina et Derek Boixiere abriram em abril desse ano www.la-voyageuse.com, com oferta de quartos para alugar ou de apartamentos para dividir, e na Inglaterra existe agora www.maiden-voyage.com , um site especializado em apresentar soluções as numerosas mulheres viajando sozinha para negócios.

O hotel Bella Sky Comwell tem um andar inteiro de quartos para mulheres

Na Dinamarca, o hotel Bella Sky Comwell reservou todo o décimo sétimo andar para mulheres. Os quartos têm secador de cabelos Dyson, lixas de manicure e amostras de produtos de tratamento de pele. Mesmo por ter perdido um processo por discriminação e ter que abrir as reservas para os homens, o hotel continua de oferecer os vinte quartos feminizados. Em Vancouver, no Canadá, o Georgian Court Hotel tem um andar com 18 quartos exclusivos para mulheres. Além de segurança reforçada, os apartamentos oferecem tapete de ioga, cabides de cetim e amenities especificos. Ainda no Canadá, o International Hotel de Calgary reservou um andar para sua clientela feminina, com tapete de ioga no quarto, chapinha de cabelo no banheiro e garrafa de vinho branco no minibar. E para recusar de antemão qualquer acusação de discriminação, o International Hotel reservou um outro andar só para homens.

A Índia continua a ser pioneira em hospedagem para mulheres

Na Índia, as mulheres que viajam valorizam muito a tranquilidade e a segurança. Desde 2005, o grupo ITC oferecem andares exclusivos em todos os seus hotéis. A cadeia de luxo Lemon Tree Hotels  têm áreas reservadas para as mulheres nas 19 unidades da rede, aonde elas encontram não somente uma segurança reforçada mas também grandes espelhos, ou cofre para joias, e ainda podem pedir táxis com motoristas mulheres. Em Nova Deli, o Leela Palace New Délhi abriu o Kamal, um andar seguro exclusivo para mulheres, com acesso particular para o spa e uma hora de tratamento de cortesia. No Kerala, a sociedade de desenvolvimento do turismo (KTDC) abriu em Thiruvananthapuram o “Hostess”, o primeiro hotel não somente exclusivo para mulheres, mas onde o pessoal é exclusivamente feminino.

A segurança é o primeiro requisito das mulheres que procuram hotéis exclusivoe

Outros países da Ásia entraram na onda das acomodações exclusivas de mulheres. Em Cingapura, o hotel Naumi recebe seus hóspedes no bairro central dos negócios,  personalizando os quartos para mulheres com produtos de aromaterapia. No bairro de Wanchai em Hong Kong, o Fleming personaliza os banheiros com  kit de maquiagem e aparelhos para massagear as pernas. O Lotte Hotel Seoul na Coreia do Sul, e o,hotel Hongta em Xangai na China têm andares exclusivos para mulheres. Em outros destinos, hotéis inteiros são reservados para mulheres. É o caso do Bliss Sanctuary  na cidade de Seminyak em Bali na Indonésia. No Japão, perto de uma estação de trem de Tóquio, o hotel Nine Hours Woman Kanda é o primeiro de país a aceitar exclusivamente uma clientela feminina.

O hotel Som Dona, na Ilha de Majorca, na Espanha

A Espanha, que já mostrou o espírito inovador dos seus hoteleiros com os hotéis Axel “heterofriendly”, insistiu na criatividade com o hotel Som Dona Women only. Localizado perto de Porto Cristo na ilha de Majorca, aceita somente mulheres de mais de 14 anos. Com 39 quadros, uma piscina, um spa, uma biblioteca e um terraço em cima do telhado, esse hotel de 39 quartos de quatro estrelas criou um novo espaço para as mulheres que querem desconectar do estresse da rotina cotidiana. O bem estar da clientela feminina é a primeira preocupação do hotel, com foco no bem-estar – massagens, tratamento de beleza, jacuzzi e solarium – e na gastronomia – com pratos equilibrados e produtos vindo da  agricultura sustentável local. Da Espanha, a moda dos hotéis reservados para mulheres pode chegar à América do Sul ?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Chegou a hora do “demarketing”?

O caminho Inca que leva somente 500 pax por dia para Machu Picchu

Mais de 1,4 bilhões de turistas viajaram pelo mundo em 2018, e, segundo a Oraganização Mundial do Turismo, serão 1,8 bilhão em 2030. Um crescimento que apavora muitos destinos, seja porque não possuíam as infraestruturas necessárias, seja porque os moradores já acham viver uma situação de overturismo. Para alguns especialistas, chegou a hora do “demarketing”, esse conceito inventado em 1971 por Philip Kotler e Sidney Levy que afirmavam que as superabundâncias podem ser tão problemáticas quanto as penúrias. Esses dois pesquisadores definiram então o demarketing com uma especialidade do marketing visando a desanimar os clientes – ou alguns segmentos- de consumir temporariamente ou definitivamente um produto ou um serviço. Já muito utilizado em setores como o cigarro, o álcool, ou o jogo, a demarketing chegou ao turismo.

demarketing-iamsterdam

As famosas letras, agora deslocadas, do painel I am-sterdam

As estratégias de de-crescimento do demarketing seguem as mesmas receitas que o marketing tradicional e os “4P” (promoção, praça, produto e preço).  Num território que não consegue mais administrar os fluxos de visitantes e cujos atrativos estão saturados, a primeira sugestão  é de reduzir ou até de parar qualquer tipo de promoção. Isso foi experimento há pouco pela Holanda cujo órgão oficial de turismo decidiu que concentraria seus esforços na gestão dos destinos e não na promoção. Só serão agora promovidas em nível internacional as regiões desconhecidas, uma decisão que vem depois de outras como a promoção exclusiva da baixa estação, a relocalização das famosas letras « I am-sterdam » e a sensibilização dos turistas aos comportamentos inconvenientes.

Source de la vidéo : YouTube

O demarketing pode também ajudar algumas praças ou alguns lugares que sofrem de overturismo e onde o meio ambiente é ameaçado. Foi assim que o famoso Vale de Jackson Hole, no Wyoming, pede aos visitantes de não indicar as coordenadas exatas das suas fotos mais atraentes e de utilizar uma localização genérica. Nas Filipinas, o sítio de Puerto Princesa, tombado pela UNESCO, retirou os lugares mais frágeis dos roteiros e dos mapas produzidos pelo Ministério do turismo.  Uma outra estratégia mais conhecida de demarketing é a imposição de cotas de visitantes, uma medida já existindo há anos nas trilhas do caminho inca em Machu Picchu, hoje utilizada por vários destinos como o Parque nacional da Península Bruce, no Ontário ( Canada). E a cobrança ou o aumento de tarifas, tradicionalmente exclusivo dos lugares privados, está hoje cada vez mais comum em áreas públicas.

Com menos entradas de turistas, a França reforça sua escolha pelo “melhor turismo”

O demarketing pode certamente ser uma opção para gerenciar os fluxos nem sempre controlados. É, porém, uma solução de desespero, e as receitas perdidas podem faltar a economia local. Antes de chegar a essa solução radical, uma boa planificação dos fluxos de visitantes pode ser suficiente para antecipar as consequências do sucesso de um destino. Foi a estratégia escolhida na França há duas décadas, quando a então Maison de la France lembrava que o “melhor turismo” deveria  prevalecer sobre o “mais turismo”. A prioridade  não era de aumentar os fluxos, mas de melhorar as receitas com visitantes gastando mais, vindo durante as baixas temporadas, visitando lugares esquecidos pelo turismo de massa e escolhendo atividades com forte valor agregado.  Hoje, em tempo de overturismo, o “melhor turismo” pode ainda ser a opção antes da difícil escolha da hora do demarketing.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Anne-Julie Dubois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

“Rent a Finn”, a Finlândia juntando turistas e moradores na felicidade de não fazer nada

Felicidade pela natureza, a receita simples do turismo finlandês?

Se suas terras podem parecer ingratas, e se a famosa trilogia das férias – sol, areia e mar- não combina muito bem com a realidade do Norte da Europa, os países escandinavos construíram nos últimos anos uma justa reputação de marqueteiros criativos. Depois da Islândia e da Noruega, é agora a Finlândia que acabou de lançar uma nova campanha de marketing “Alugue um finlandês” que associa a felicidade e o meio ambiente. O órgão oficial do turismo finlandês, Visit Finlandia aproveitou o primeiro lugar do país no ranking dos povos mais felizes do mundo, publicado pelo World Happiness Report 2019 das Nações Unidas. Líder da felicidade, o “país dos mil lagos” pensou assim entregar suas receitas a seus visitantes, valorizando acima de tudo dois dos seus ingredientes: a conexão com a natureza e a simpatia dos seus moradores.

« Rent a Finn » aposta em uma grande tendência da sociedade atual, a vontade de encontrar na natureza um melhor equilíbrio pessoal e de investir no bem estar. A Finlândia valoriza suas paisagens tranquilas, seus habitantes acostumados a viver desde pequenos em profunda harmonia com suas florestas ou seus lagos, e sua tradição de hospitalidade. A campanha oferece assim umas oportunidades para todos os viajantes que querem hoje aprender com comunidades e dividir experiências autênticas com moradores. A simplicidade dessas experiências busca ser um dos fatores do sucesso, com ofertas de caminhadas, de passeios de canoas, de procura de frutas silvestres, ou de relaxamento na sauna respirando um ar puro e escutando o silêncio.

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Seis solteiros e dois casais são os primeiros finlandeses para alugar

Para lançar sua campanha, VisitFinlandia apresentou ao público oito opções de guias para felicidade. Os turistas candidatos podem fazer um teste de equilíbrio de vida que ajuda a orientá-los para o seu “host” mais adequado. Os oito Finlandeses que podem ser “alugados” oferecem estadias em suas próprias casas. Eles descrevem no site suas filosofias de vida e suas relações serenas com a natureza, cada um sendo localizado em uma região e em um meio ambiente diferente: florestas da Lapônia, lagos do interior, parques naturais ou ilhas do litoral, espaços verdes dos subúrbios da capital Helsinki. Se as reservas já são completas para esses oito pioneiros, o site de VisitFinlandia oferece muitas outras experiências de quartos, chalés ou barracas alugados com seus finlandeses felizes.

A ousada promoção da experiência de não fazer nada

Alguns lugares turísticos da Finlândia estão indo mais longe ainda nessa promoção da serenidade e da felicidade nas coisas simples. Os seus espaços, sua paz, seu tempo são verdadeiros remédios contra a corrida e o estresse da vida moderna nas grandes metrópoles. Assim no final do ano passado a cidade de Padasioki lançou uma surpreendente campanha: Não temos nada, Experimente nada! Para conquistar o turista, frente a grandes destinos nos Estados Unidos ou na França podem oferecer tudo, não oferecer nada, ou nada igual, vira uma maneira de ser diferente. Assumindo essa peculiaridade, sua originalidade, sua natureza e sua identidade, afirmando que a felicidade é talvez o prazer de não fazer nada, a não ser coisas simples com gente autêntica, um destino turístico pode assim virar único e interessante. Então, quer alugar um Finlandês?

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Amélie Racine na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

 

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