Do Reino Unido até o Brasil, o choque da queda de um ícone do turismo

A primeira viagem organizada pelo Thomas Cook

O anúncio da falência da Thomas Cook, a mais antiga operadora de turismo do mundo, foi um choque brutal não somente para os seus clientes – 600 mil dos quais vão ter que encontrar um meio de voltar das suas ferias-, para seus 22 mil funcionários, e para todos os profissionais. Para todos, é difícil entender como uma empresa nascida em 1841, ícone do setor e muito tempo pioneira, passou em poucos dias de uma situação de dificuldade financeira a uma verdadeira falência. Esquecendo famosos exemplos do setor – desde a Pan Am até a VARIG-, muitos pensaram até a última hora que o governo inglês iria injetar os 200 milhões de libras que ainda faltavam para fechar um plano de salvação da firma de Petersborough. Mas o governo simplesmente lembrou que o contribuinte não podia financiar “patos aleijados”.

A força da Fosun não foi suficiente para salvar o grupo

Com um prejuízo de 1,5 bilhão de libras em 2018, 15% do seu faturamento, a má situação financeira do grupo fundado em 1841 era conhecido de todos. Além da concôrrencia do outro gigante europeu, a TUI, das migrações dos clientes mais jovens para as vendas diretas on-line, do desafeto do mercado para os pacotes fechados, e do sucesso das companhias low cost, a Thomas Cook teve de enfrentar na Inglaterra as incertezas do Brexit e a queda da libra. Para se livrar do peso da sua dívida, o grupo ainda tentou durante o verão de renegociar com seus principais acionistas, o chinês Fosun, bancos ingleses e fundos americanos, um plano de reestruturação de 900 milhões de libras. Mas esta esperança sumiu na sexta-feira passada quando os “hedge funds” exigiram 200 milhões suplementares que inviabilizaram o projeto.

A agencia da Wagons lits//Cook no Brasil, Rio de Janeiro Abril 1936

Pela sua peculiar história, a Thomas Cook teve também uma presença no Brasil. Tendo sido comprada em 1928 pela Compagnie Internationale des Wagons lits et du tourisme, ela participou até os anos oitenta da sua epopeia. Fusionando as duas redes de agências, as duas empresas tinham divido o mundo entre a Wagons lits que operava na Europa e na América Latina, e a Thomas Cook que operava no Reino Unido, na América no Norte e nas antigas colônias inglesas. Assim as primeiras agências da Wagons lits abertas em 1934 no Rio de Janeiro e em 1936 em São Paulo se chamavam Wagons lits//Cook. Mudaram de nome somente em 1976 quando o acordo entre as duas empresas caducou, mas uma forte ligação foi ainda mantida durante mais de dez anos. As agências brasileiras – oito em 1980, treze em 1985- passaram a se chamar Wagons lits turismo, associadas a Thomas Cook.

As 430 agencias da Thomas Cook na França preocupadas com o futuro

Durante a década de 1980, as duas se separam completamente, assumindo escolhas estratégicas totalmente opostas. Após de passar sob o controle da SODEXO e depois da Accor, a Wagons lits fusionou com a americana Carlson, e abandonou suas agências e suas operadoras para se concentrar nos serviços corporate e virou a segunda maior empresa mundial neste setor. A Thomas Cook fez a escolha inversa, se aproximou da alemã Neckerman assim como da francesa Havas, e apostou nas agências e no turismo de lazer, favorecendo a verticalização com a compra de hotéis e o desenvolvimento da sua própria companhia aérea. Trinta anos depois, a situação das duas mostrou que a Accor e os então dirigentes da Wagons lits tinham feito a escolha certa.

As companhias aereas do grupo ainda esperam sobreviver

As consequências da falência serão pesadas para todo o setor, e em numerosos países onde a Thomas Cook era muito forte como a Alemanha, a Bélgica, a Índia, a França. Os hoteleiros dos destinos mais vendidos pelas suas agências – Espanha, Turquia, Tunisia – se preparam também para graves prejuízos diretos e indiretos, falta de pagamentos e dificuldades para encontrar como substituir as clientelas. Os administradores judiciais, Alix Partners e KPMG, deveriam agora tentar vender as atividades e as filiais separadamente, com prioridade para as companhias aéreas – especialmente a Condor- que ameaçam parar a qualquer momento. Longe de se alegrar, os grandes concorrentes estão também preocupados pela desconfiança dos investidores que a queda desse leader pode trazer para o turismo. Um fim triste depois de 178 anos de atividade.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

A crise do marketing de destino chega na França

Rendez vous en France, encontro dos parceiros franceses e internacionais

Alem de um brutal corte de orçamentos, a crise que explodiu a semana passada na Atout France, órgão oficial do turismo francês, significa talvez o fim de um modelo de parceria inventado pela equipe de um então ministro do governo Chirac. Exclusiva dos ministérios ou das administrações publicas desde as suas origens no inicio do século XX, a promoção do turismo internacional conheceu em 1987 uma verdadeira revolução. Agregando quatro órgãos oficiais preexistentes, o ministro Descamps convenceu setenta profissionais de entrar como parceiros numa nova estrutura co-gerenciada e co-financiada pelo governo federal e os profissionais públicos e privados do setor. Era o nascimento da Maison de la France,  uma associação que chegaria a juntar 1300 empresas francesas de turismo e a estabelecer relações estreitas com mais de mil operadoras em 35 países.

Com a mudança de 2009, Atout France integrou o Ministério das Relações exteriores

A Maison de la France acompanhou a volta da França na liderança do turismo mundial, e criou um novo modelo de parceria publico privado. Em 2009 virou Atout France, assumindo novas responsabilidades na planificação do turismo e na classificação hoteleira. Nessa trajetória de sucessos, as recentes decisões do governo chocaram os profissionais e a imprensa do trade e econômica. Atout France poderia ser obrigada a reduzir de um terço a sua presencia no exterior, encolhendo o seu quadro de colaboradores e talvez o numero de países onde está operando, um paradoxo para uma autarquia que depende agora do ministério das Relações Exteriores. As ambições do governo francês, 100 milhões de turistas em 2020 e 60 bilhões de euros de receitas, seriam então seriamente ameaçadas.

As campanhas B2C sofrem dos cortes de verbas

É certo que, mesmo se o corte de quatro milhões de Euros  pode parecer limitado porque representa somente 12% do aporte total do governo, as preocupações do setor devem ser tratadas com respeito e seu impacto não devem ser subestimado. Mas seria injusto de colocar toda a responsabilidade da situação nas últimas decisões do atual governo, isso por duas razões. Em primeiro lugar deve ser lembrado que os governos anteriores realizaram cortes mais importantes ainda nos últimos 15 anos, reduzindo de até 75% as verbas de promoção, e cortando de 80% o numero de funcionários públicos colocados gratuitamente a disposição da associação. A novas tarefas de engenharia e classificação, sem dúvidas muito gratificantes e estrategicamente interessantes, foram impostas sem nenhuma contrapartidas financeiras, aumentando mais os custos fixos.

Air France, desde as origens um apoio excepcional para o turismo francês

A redução dos gastos de promoção não foi também exclusiva do governo. As grandes empresas de viagens e turismo que investiam com força ao lado do governo, emprestando funcionários e participando de campanhas de imagem da França, reduziram suas participações.  Se o apoio da Air France continua sendo excepcional, grupos como Accor, Pierre et Vacances ou o Club Med representam hoje menos de um por cento das parcerias acumuladas. Os outros órgãos públicos de promoção, a níveis regionais ou municipais, também diminuíram as suas verbas, não somente porque falta dinheiro público, mas porque são cada vez mais preocupados promover suas próprias marcas com exclusividade, sem necessária associação com o destino França, desprezando as vezes a expertise que Atout France acumulou com seus colaboradores e seus contatos.

O apoio dos profissionais foi decisivo no sucesso da Atout France

Mostrando a insensibilidade do governo sobre a importância do setor, o choque levado pela Atout France com a redução das verbas públicas acelera as perguntas sobre o modelo criado em 1987. Os seus dois pilares, marketing e parcerias, não têm mais o mesmo apelo junto aos profissionais. O marketing perde força, exprimido entre o branding sempre muito ciumento e as vendas só interessadas por ações com resultados concretos e imediatos. Sem o atrativo do dinheiro publico e seu poder de impor mensagens claras, as parcerias são mais escassas  e as ações conjuntas cada vez mais complicadas. O novo modelo que tem que surgir não pode se restringir a uma (necessária) volta das verbas do governo, mas deve reinventar o posicionamento e os investimentos dos profissionais franceses e estrangeiros. Ao governo, sim, a responsabilidade de tomar a liderança dessa reconstrução, aproveitando as competências das suas equipes e as expectativas dos seus parceiros.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Sucesso de parceria público/privado, um modelo a reinventar?

Quatro votos para o sucesso do turismo em 2019

O Rio de Janeiro antecipando um grande 2019?

No início de um Ano Novo de grandes esperanças e de grandes mutações para o Brasil, todos os viajantes e os profissionais têm seus votos para que 2019 seja favorável ao turismo, tanto domestico que internacional. Se muitos desses votos são comum a todos os setores econômicos,  as viagens são com certeza uma área mais sensível que tem suas próprias exigências. Alem do crescimento econômico e social ou da desburocratização, a estabilidade do cambio e um otimismo sobre o futuro do pais são fatores decisivos para o desenvolvimento das viagens. Olhando nas dificuldades encontradas em 2018 e nos últimos anos, quatro séries de fatores serão também importantes – sendo então quatro votos- para fazer de 2019 um grande safra do turismo brasileiro e internacional.

O “Filho do Krakatoa” provocou um arrasador tsunami na Indonésia

O primeiro é que vulcões, tsunami, tempestades, incêndios e terremotos não se repitam com a mesma brutalidade. Consequência ou não de um aquecimento global e das ações humanas, os desastres naturais, que afetaram o leste americano, o Japão, o Portugal, a Austrália, a Indonésia e a Califórnia, tiveram um impacto brutal para as populações e para suas atividades turísticas. Um 2019 vendo a natureza poupar os grandes destinos internacionais e brasileiros seria o primeiro voto para o ano novo.

Os turistas voltaram no Egito em 2018

A violência foi outro inimigo que o turismo encontrou esse ano. Se as guerras recuaram – inclusive no Oriente médio que aproveitou essa melhoria-, conflitos, atentados, greves ou protestos perturbaram os viajantes nos Estados Unidos, na Birmânia, na Catalunha, e mais ainda na França com o demorado conflito dos “coletes amarelos” que vai impactar a liderança do primeiro destino mundial. No México, na América central e infelizmente no Brasil, foram os níveis insuportáveis de delinquência que prejudicaram o turismo. E se um voto tem que ser priorizado para 2019, é a volta da segurança no Rio de Janeiro, no Nordeste e no Norte do Brasil, uma nova realidade que terá então que comunicar em todos os mercados potenciais -talvez tentando repetir o admirável “o único risco é de querer ficar” que nosso brilhantes colegas colombianos inventaram há mais de dez anos.

Com o Fairmont do Rio, Accor entra para valer no turismo de luxo no Brasil

2018 foi marcada no turismo mundial pela aceleração das concentrações e do gigantismo em todos os setores, da hotelaria ao tour-operating, do transporte aéreo regular até as OTA e das agencias de viagens tradicionais até as novas companhias low-cost. O turismo sai do seu conservadorismo fechado para aceitar novos horizontes e novos investidores (muitos, mesmo se não todos, sendo chineses). O nosso voto para esse movimento, irresistível mesmo no Brasil com os investimentos da CVC, da Accor e as expectativas em torno da Azul ou da Norwegian, é que ele se prolonga em 2019 num quadro de concorrência leal, sem destruir empregos, consolidando os direitos do consumidor, e beneficiando tanto os profissionais que os viajantes.

O Leão de França foi mais um que regularizou em 2018 as receitas AirBnb

O turismo mundial mostrou também sua resiliência pela progressiva aceitação do setor colaborativo. A globalização da AirBnb e da Uber se consolidou, mostrando sua capacidade de gerar empregos ou rendas para moradores, e tentando resolver, com os grandes municípios, os problemas de coabitação com moradores e de concorrência com outros setores. Devemos esperar para 2019 que as autoridades consigam impor regras justas e iguais que satisfazem tanto os novos atores que os profissionais tradicionais, um equilibro necessário para sair de vez de um corporativismo ilusório para entrar nessa nova economia aonde a satisfação final do consumidor é o primeiro critério de seleção.

Feliz 2019 para todos!

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Cartagena das Índias: história, prazer de viver, arte e criatividade

O imponente Castelo San Felipe domina a cidade e o porto

Do terraço do Hotel Allure Canela, a visão do Castelo São Felipe de Barajas lembra ao visitante a potencia e a riqueza passadas da cidade de Cartagena das Índias. Construída a partir de 1656, depois dos ataques dos piratas ingleses – o famoso Drake saqueou a cidade em 1586 -, a fortaleza não evitou uma conquista francesa em 1697, mas protegeu perfeitamente depois dessa data o maior porto da América espanhola. Em baixo das suas muralhas e dos seus 73 canhões, passavam as exportações de ouro e prata vindo de Nova Granada, mas também do Equador e do Peru, bem como os terríveis comboios de escravos africanos mandados para as minas ou as plantações de cana de açúcar. Maior construção humana do continente americano, o Castelo é hoje Património da Humanidade.

Os casarões coloridas

O passado dourado de Cartagena encontra-se dentro dos onze quilômetros de muralhas que cercam a cidade fortificada. Nas ruas estreitas, cada casarão, cada varanda florida e cada portão de madeira maciça tem uma historia para contar que o turista vai descobrir caminhando nas ruas ou entrando nos pátios das casas antigas hoje transformadas em pousadas, lojas ou restaurantes. Os locais mais vibrantes são sem dúvidas as praças. Frente a igreja Santo Domingo e sua escultura de Botero, frente ao Palácio da Inquisição e seu parque arborizado, palenqueiras, músicos, camelôs, guias e garçons agitam a multidão onde se mistura moradores, turistas nacionais, ou visitantes liderados por americanos, franceses e brasileiros. Todos se encontrarão depois em cima das muralhas para apreciar o por do sol no Café del Mar.

Os animados por do sol do Café del Mar

 

O pátio onde o Sofitel Santa Clara esbanja beleza e arte de viver

Se por momentos ameaçada pelo overturismo – a concentração dos fluxos nas ruas do centro e a insistência dos camelôs podem incomodar -, Cartagena surpreende pela diversidade e a qualidade dos seus serviços, dos seus restaurantes e dos seus hotéis. Dentro do centro histórico, as opções de hospedagem não faltam, das tradicionais pousadas até os modernos e convenientes Allure, ou o antiquado mas charmoso Relais Chateaux Casa Pestagua. Mas, seja para uma estadia, uma refeição ou pelo menos uma visita, nenhum visitante pode deixar de conhecer o Sofitel Santa Clara, merecidamente consagrado como o melhor hotel da América do Sul. Antigo Convento das Irmãs Clarissas construído em 1621 – data agora lembrada pelo nome do imperdível, restaurante gastronômico-, o hotel esbanja beleza, bom gosto, e o cuidado permanente de um pessoal excepcionalmente atencioso.

A criatividade nas ruas de Cartagena

Orgulhosa da sua historia,  Cartagena mostra aos visitantes uma atualidade e uma criatividade que se encontram nas ruas, nos bares, nos restaurantes e mais ainda nas lojas. Os fãs de shopping ficam surpresos. Numa cidade turística onde seria esperado de encontrar somente o costumeiro “artesanato mundializado”, com seus objetos fabricados na Ásia ou copiados de reportagens da CNN, as boas surpresas não param. São bijuterias e jóias de ouro ou esmeraldas inspiradas tanto da ourivesaria precolombiana que das tendências atuais, são lojas e galeria de moda onde jovens designers apresentam roupas, chapéus, bolsas, acessórios  ou objetos de decoração juntando raízes – indígenas, coloniais ou “republicanas”- , e modernidade global. E mesmo se as boas praias deve ser procuradas fora da cidade – até Barranquilla ou Santa Marta– , os ritmos da cúmbia lembram que Cartagena é também a capital do Caribe colombiano.

Jean-Philippe Pérol

O St Dom concept store

 

A loja Lili Duran Studio

Politica atrapalha o renascimento do turismo no Irã

Persepolis, antiga capital do império do Ciro o Grande

Seguindo as decisões politicas dos Estados Unidas, as mas noticias se acumulam para o turismo no Irã. Depois de Air France, KLM, Etihad, Air Astana e Austrian, a British Airways decidiu a suspensão dos seus voos para Teerã a partir do mês de Setembro. Algumas grandes companhias aéreas, lideradas pela Lufthansa e Alitalia, ainda não anunciaram as suas decisões, mas parece pouco provável que elas desafiam o boicote americano e arriscam pesadíssimas sanções econômicas. Num prazo de seis a oito semanas, o pais herdeiro do império de Ciro, cujos 2500 anos tinham sidos comemorados em 1971 com a presença de 60 chefes de estados, só será ligado aos países ocidentais pela companhias locais Mahan Air e Iran Air.

Os hotéis ibis e Novotel do grupo Accor em Teerã

Esse golpe chegou no ano excepcional para o turismo no Irã que cresceu  50% em 2017, passando os 6 milhões de visitantes, alastrando um otimismo tanto nos profissionais que no ministério que chegou a anunciar um objetivo de 20 milhões de entradas para 2025. Surfando no sucesso, Accor, Mélia e varias outras companhias hoteleiras internacionais tenham  investindo em novos estabelecimentos. Para eles, o futuro está agora incerto, assim que para os números pequenos bed and breakfast que empresários locais abriram nos últimos três anos. Se o site da AirBnb ainda oferece centenas de quartos e apartamentos no Irã, a permanecia dessa oferta está agora ameaçada pelo bloqueio das transações financeiras.

A praça Naqsh-e-Janan em Isfahan

Enquanto destinos exclusivos estão cada vez mais procurados para os viajantes que querem novidades e precisam fugir do “overturismo”, o Irã tinha – e tem- uma oferta que seduz tanto os turistas a forte motivação cultural que os backpackers aventureiros. As ruínas de Persépolis, a antiga capital do império persa (patrimônio mundial da UNESCO), as mesquitas, os jardins, e os museus de Isfahan ou Shiraz, os palácios de Teerã, os vilarejos do Mar Cáspio e os monumentos sagrados de Meshed carregam uma historia excepcional que muitas operadoras, na França, na Alemanha mas também no Brasil, estão promocionando com sucesso. Com um cambio muito favorável, e uma importante e segura oferta de hospedagem e restauração econômica, o pais foi classificado pelo World Economic Forum report  como o destino turístico mais barato de 2018.

A mesquita do Sheikh Lutfallah em Isfahan

Se é certo que a riqueza patrimonial e cultural do Irã lhe assegura a longo prazo um grande futuro no mapa do turismo mundial, e que os peregrinos ou aventureiros continuarão a visitar suas cidades santas ou seus sítios arqueológicos, a decisão  americana e a consecutiva impossibilidade de fluxos financeiros com o Irã, devem quase parar a curto prazo os fluxos vindo da Europa e das Américas. Para os hoteleiros e para as operadoras foi mais uma vez demonstrada a fragilidade da economia turística, sujeita as crises climáticas, sanitárias, econômicas ou militares, mas também aos jogos políticos. Para quem sonha em visitar ou fazer visitar o pais outrora conhecido como o ”Trono do Pavão”, a esperança será de lembrar que o turismo demostrou nas últimas décadas uma extraordinária resiliência, e que o prazo de recuperação dos destinos castigados está cada vez mas curto. Então, no ano que vem em Persépolis?

Jean Philippe Pérol

As ruínas de Naqsh-e Rostam perto de Shiraz

A torre Azadi em Teerã

Homens ou mulheres, os turistas também viajam “solos”!

Viajar “solo”, bem acompanhado, ou os dois?

Enquanto as pessoas que moram sozinhas representam uma faixa crescente da população – hoje 30% na Europa e na América do Norte, e para 2030 existe uma projeção de quase 50% – , os turistas que viajam sozinhos interessam cada vez mais aos hoteleiros, às operadoras e às companhias aéreas. O mercado dos “solos” oferece grandes perspectivas. Estimado pela OMT em 25% dos viajantes, já representa 33% a 35% na França, no Canadá ou na Inglaterra, 20% deles viajam a negócios e 80% para lazer. Esses “solos” são igualmente divididos em homens e mulheres, são mais ricos e educados, estão em uma faixa etária de 50 a 55 anos, mas entre os “solos” existe também uma forte proporção de estudantes. A metade deles mora sozinhos, os outros têm um lar onde vivem outras pessoas que não querem ou não podem dividir as mesmas experiências de viagem.

Hotéis, cruzeiros e operadoras tentam seduzir “solos”

Uma recente pesquisa da revista francesa “Espaces” mostrou que os “solos” têm comportamentos de viagem promissores para os profissionais. Viajam sozinhos mas também em grupos organizados, utilizam mais os transportes coletivos (trem, avião, ônibus), aceitam viajar em baixa estação e curtem ofertas de última hora. Nos hotéis, nos circuitos ou nos cruzeiros, eles são sempre interessados pelas excursões, as atividades e as animações opcionais. Operadoras e receptivos especializados já anotaram que muitos pacotes são comprados por “solos” que querem viajar com pessoas que dividem as mesmas atividades ou as mesmas paixões. Assim a  TourRadar, uma agência especializada em circuitos temáticos tem 41% de individuais nos seus clientes.

O Jo&Joe de Hossegor, open house do grupo Accor

A pesquisa deixou claro que o maior freio para o crescimento das vendas de “solos” é a questão da hospedagem, quase sempre programado em quarto duplo. Mas hotéis e operadoras estão encontrando alternativas. De olho na clientela jovem, ainda atraída pelos albergues da juventude, grupos como Generator  ou, mais recentemente,  JO&JOE do grupo Accor, desenvolveram conceitos de co-hospedagem que resolvem o problema dos viajantes individuais. Pensando em clientes mais exigentes, muitas operadoras encontraram soluções radicais: oferecer quartos single pelo preço do meio duplo. A Canadá Vacances Transat, a Vacances Signature, a Vacances Air Canada ou a Voyages à rabais reservam hotéis nessas condições, um serviço agora tão popular que, para valorizá-lo, foi criado o prêmio “Solo Traveler”.

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A coleção Solo da operadora canadense Transat

Para responder aos “solos” que querem companheiro(a)s de viagem, as operadoras estão trazendo novas ideias. A canadense  Voyages Traditours, as francesas Paravecmoi ou Les Covoyageurs ajudam a encontrar quem poderá dividir o seu quarto. O site Copines de voyage vai até mais longe, sendo agora uma verdadeira comunidade com 270.000 membros, principalmente mulheres. Na França, Barouding.com ou Partirseul.com selecionam pacotes com temáticas especificas, juntando “solos” com perfis similares para montar pequenos grupos com fortes afinidades. No Brasil, operadoras especializadas, tais como a Terra Azul ou a Singletrips, organizam pacotes para solteiros que não se sentem à vontade com grupos tradicionais, compostos quase que exclusivamente por casais.

A Colômbia editou um guia do viajante “solo”

Vários destinos de turismo começaram também a se interessar pelos “solos”. A Colômbia, o Camboja ou a Provence apresentam ofertas específicas, e a Costa Rica foca com sucesso nas mulheres que viajam sozinhas. A Turismo Montreal, sempre pioneira em personalizar os serviços para clientelas diferentes, abriu uma parte de seu site com ofertas especiais para “solos”, focando em cultura, música e eventos. A atenção da mídia para os destinos “solo friendly” deveria multiplicar nos próximos anos estes tipos de oferta. Vários ranking dos destinos “solos 2018” já estão aparecendo, com destaques para Islândia, Eslovênia, Bordeaux, Butão, Taipé, Hamburgo, Canadá e Chile.

Esse artigo foi  inspirado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Com Tourlina, as mulheres têm até um aplicativo para viajar em “solo”

Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

#CotedAzurNow ou #ParisJeTaime, é só escolher!

http://www.cotedazur-now.com

Enquanto Paris e Nice estão tentando superar os dramas dos últimos atentados, o turismo para esses dois tão procurados destinos da França continuou a mover visitantes vindo dos quatro cantos do mundo, mas ainda não se recuperou completamente. Em Paris, apesar do sucesso do Euro 2016,  a frequentação caiu 6,4% no primeiro semestre. Em Nice, depois da terrível noite do 14 de Julho, a queda é de 20,5%, uma queda que atingiu também os outros destinos da Côte d’Azur. Em ambas cidades profissionais e autoridades se juntaram para lançar ações de promoções mostrando aos visitantes que são prontas a receber-los.

Terceira cidade turística da França com mais de 4 milhões de visitantes que contribuam com 1,5 bilhão de Euros para a economia da região, Nice  quer em primeiro lugar dar uma reviravolta na fuga da clientela internacional, lembrando seu charme a seus ricos habitués e até atraindo novos turistas.dpt06-actu-cotedazurnow-nice Aproveitando um financiamento de um milhão de Euros, uma campanha de comunicação foi lançada nas meadas de Setembro com o objetivo de divulgar uma imagem positiva da região, mostrando os moradores da Côte d’Azur orgulhosos de ser um grande e acolhedor destino turístico. Dando prioridade as mídias sociais, mas apoiado por anúncios nos grandes canais de televisão, ela seguirá o hashtag #CotedAzurNow, terá um vídeo viral e cartazes relembro esse video. Com o apoio da Atout France, Nice levará sua campanha de comunicação na Itália, na Alemanha, na Inglaterra, na Escandinávia, nos Estados Unidos, na Rússia, na China e no Brasil.

A criativa elegancia do clipe "Paris je t'aime"

A criativa elegancia do clipe “Paris je t’aime”

Para se reconciliar com os seus visitantes internacionais, Paris escolheu o romantismo e o sonho.  “Paris, je t’aime” é o nome do clipe de promoção que a prefeita da cidade luz, Anne Hidalgo, mostrou pela primeira vez no dia 22 de Setembro para imprensa internacional. logo-paris-je-taime-630x405-drObra do cineasta franco-argelino Jalil Jesper, que já visitou o Brasil em 2014 para promover o seu filme “Yves Saint- Laurent”, mostra Parisienses e turistas vivendo a cidade em alguns lugares emblemáticos. Em dois minutos e meia, com a musica “Just need your love” du grupo francês Hyphen Hyphen, o clipe mostra Paris com seus monumentos, suas lojas, seus restaurantes, mas também com o jeito de viver – ou de beijar- dos parisienses nos terraços  dos seus Cafés como nas beiras da Rio Sena ou do Canal Saint Martin. A divulgação já começou  essa semana nos aviões da Air France, nos Aeroportos de Paris, nas Galeries Lafayette de Paris, Berlin et Pequim, nos hotéis da Accor, bem como nas telas urbanas de JC Decaux de Milão, Xangai, Tóquio e Nova Iorque.

Então, para sua próxima viagem para França, vai ser só escolher entre a #CotedAzurNow  e #ParisJeTaime!

Jean-Philippe Pérol

Nice mostrando os momentos para compartir em família

Nice mostrando momentos para compartir em família

Clientes e hotéis são mesmo prontos a ser eco-responsáveis?

Ferme du Petit Segrie

A Ferme do Petit Segrie, hotel Ecoleader na Provence

Reciclagem, economia de energia, procura de produtos locais,ou apoio a agricultura biológica  são hoje atitudes cada vez mais populares, e os viajantes também afirmam preferir os hotéis eco-responsáveis. Varias pesquisas publicadas recentemente pela Accor, pela Universidade da Florida e pela Booking.com mostraram porem que esse critério não é o mais decisivo nas escolhas, a falta de informação e os custos  impedindo os desejos aparentes dos consumidores de coincidir com as verdadeiras decisões dos clientes.

Planet 21, o programa de desenvolvimento sustentável da Accor

Planet 21, o programa de desenvolvimento sustentável da Accor

A pesquisa da Accor mostra que dois terços dos clientes pensam que a preservação do meio ambiente é necessário para preservar as gerações futuras, e muitas praticas eco-responsaveis são recomendadas, sendo as mulheres e os menos de 30 anos os mais favoráveis  : 80% praticam o lixo seletivo, 81% compram eletrodomésticos eco-energéticos, 75% prefiram os produtos fabricados localmente, 33% comem alimentos biológicos. A maioria deles são também prontos a continuar com essa eco-atitude quando estão hospedados no hotéis: 64% declaram aceitar de receber a fatura somente por email, 61% de jogar o lixo de forma seletiva, 32% de reduzir o serviço de limpeza nos quartos, 31% de receber porções menores nos restaurantes, e 30% de deixar o troco em moeda local para uma associação.

Hotel Roas dos Ventos, premiados com o selo sustentabilidade da Trip Advisor

Hotel Rosa dos Ventos, Ecolider Platinum da Trip Advisor

Mas no mesmo tempo, somente 13% dos viajantes consideram que o compromisso do hotel com a sustentabilidade é um critério de escolha na hora da reserva, 57% não aceitariam um hotel mais eco-responsável mas numa outra localização e 59% não querem abrir mão do conforto para ajudar o meio ambiente. Essa mesma conclusão apareceu também numa pesquisa da Universidade da Florida: a eco-atitude só é aceita se  não prejudica o conforto, seja a climatização, os banheiros ou os serviços. E dois terços dos entrevistados afirmam que eles aceitaria de pagar um pouco mais caro para guardar o mesmo nível de conforto num hotel comprometido com um programa concreto de sustentabilidade.

Ariana Lodge in Turkey, Sustentabilidade na Booking.com

Ariana Lodge in Turkey, Sustentabilidade na Booking.com

Uma terceira pesquisa da Booking.com destaca que 68% dos viajantes seriam prontos a escolher um hotel eco-responsável se a informação fosse claramente fornecida antes da reserva (dois terços declaram não ter sido informados, 39% ignoravam a existência desse tipo de oferta), e se tivesse uma forma de comprovar a realidade das medidas anunciadas pelos hotéis (13% duvidam das promessas feitas). Os motivos de desconfiança são que esses hotéis seriam mais caros (22%) , ou que o serviço seria menos atencioso (10%).

Hotel La Rochette, na Alsacia, um hotel eco-responsável

Hotel La Rochette, um hotel eco-responsável na Alsacia

As três pesquisas mostram claramente que os viajantes estão convencidos da necessidade de respeitar um turismo sustentável. Um numero crescente de estabelecimentos estão reduzindo as suas pegadas ecológicas, preocupados em ser eco-responsáveis, mas esses esforços não são sempre conhecidos dos consumidores. A ausência de normas ou de selos de qualidade internacionais dificulta ainda a divulgação e a credibilidade dos esforços importantes que cada vez mais hotéis estão fazendo, mas é certo que as eco-atitudes serão um critério cada vez mais importante nas escolhas dos viajantes.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo de Claudine Barry na revista on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat

Parabéns, Rio de Janeiro!

Os fogos da Ceremônia de abertura

Os fogos da cerimônia de abertura

Desagradando os (numerosos) pessimistas, os Jogos Olímpicos 2016 começaram impressionando o mundo. Se certos problemas organizacionais – apartamentos inacabados ou poluição das aguas- e falhas de comunicação – os cangurus dos australianos- ainda foram destaques de algumas mídias, a imprensa internacional é unânime a destacar um sucesso de organização e  de criatividade. E se o balanço geral do imenso investimento que o Brasil escolheu de fazer ainda demorará para ser feito, dois pontos positivos já parecem ganhos.

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O primeiro é a impressionante renovação do Rio de Janeiro, simbolizada pela ousadia e a beleza do Museu do Amanhã. Alem da fascinante obra do Calatrava, os visitantes estão redescobrindo a beleza da Praça XV e de todo o centro da cidade, anotando que Copacabana levanta a saudade do seu passado glorioso, vendo que a Tijuca é a maior floresta urbana do mundo. Turistas e moradores aproveitam as novas infraestruturas e as vias de transportes alternativas. Com o acesso facilitado pelo BRT, novos hotéis e com uma verdadeira explosão imobiliária, a Barra da Tijuca é de repente vista como a oportunidade para o Rio se transformar num Miami da América do Sul. E os investimentos feitos em treinamento de pessoal ou ensino de idiomas estrangeiros contribuirão também a melhorar os serviços oferecidos  na cidade maravilhosa.

Artistas de Parintins dando um show na ceremonia de abertura

Artistas de Parintins dando um show na cerimonia de abertura

A festa de abertura é o segundo grande sucesso do Brasil nesses primeiros momentos dos Jogos. A criatividade , a profundidade, a alegria e a perfeita realização não deveria ter surpreendido ninguém num pais capaz de organizar o Carnaval do Rio ou o Festival de Parintins. A equipe criativa formada pelos cineastas Fernando Meirelles e Andrucha Waddington, a diretora e cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Deborah Colker  conseguiu imaginar e montar um evento com conteúdo e emoção. Com um orçamento muito controlado, foram não somente mandadas duas mensagens para o mundo – a importância da ecologia e da preservação do meio ambiente solenizada na COP 21, a força e o exemplo da tão peculiar miscigenação brasileira – mas onde a alegria da musica, da dança e dos visuais também  não faltaram em nenhum instante. A força dessas imagens será agora sem duvidas um dos grandes acervos do Rio de Janeiro, “lembrado por muitas gerações”, segundo o enviado especial do diário americano USA Today.

O espaço turismo do Club France

O espaço turismo do Club France no Rio 2016

No Club France, um espaço de lazer, de convivialidade e de imersão na cultura francesa, aberto ao publico pelo Comité Olímpico Francês, e inaugurado pelo Presidente da Republica que queria marcar seu apoio a candidatura de Paris para os Jogos de 2024, o turismo francês também quis marcar presencia. Um amplo estande de informação apresenta aos visitantes as novidades dos parceiros presentes – os hotéis Accor  bem como Nice, a Provence, os Alpes, a Borgonha ou Toulouse. Uma exposição de foto da fotógrafa Maia Flor mostra também vários monumentos através de um olhar artístico carregado de emoção. A excelente reatividade dos cariocas deixa a pensar que a França, e seus grandes destinos turísticos vão também tirar um excelente proveito do sucesso desses Jogos Olímpicos – talvez até 2024 !

Jean-Philippe Pérol

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso