No Les Sources de Caudalie, o luxo agora é emoção

Nascida nos vinhedos de Bordeaux, a visão de um turismo enraizado nos “terroirs” levou Alice e Jérôme Tourbier a desenvolver não somente o primeiro hotel categoria Palace da região, mas um verdadeiro conceito inovador e respeitoso do ecossistema. Também presidente de   Small Luxury Hotels of the World , Jérôme respondeu a uma entrevista sobre os desafios do turismo de luxo e a evolução do seu grupo hoteleiro .

Alice e Jérôme Tourbier, donos do grupo Les Sources de Caudalie

Vendom.jobs – Qual é sua apreciação sobre a situação da hotelaria de luxo na França?

Jérôme Tourbier – Há trê anos, no meu livro Turismo em perigo, eu chamava atenção sobre a necessidade de considerar o turismo como uma indústria estratégica e de apostar na criação de valor. Quis dizer que a França devia virar um destino de alto padrão, com o melhor ratio “custo /emoção”. Sendo um destino caro, devemos ter uma oferta de qualidade que marca emocionalmente o nosso visitante . Toda a oferta não pode ser de luxo, mas a emoção deve sempre estar presente para seduzir o viajante. Há hoje na França muitos empreendimentos de grande qualidade. Olhando agora além do lucro imobiliário, os investidores estão cada vez mais dispostos a apoiar esse tipo de projeto.

A piscina coberta de Les Sources de Caudalie

V. J. – Quais seriam as condições imprescindíveis para um turismo combinando qualidade e rentabilidade?

J. T. – Na França, se confunde as vezes turismo de alto padrão com consumidores ricos. Claro que todos querem receber o máximo de viajantes com muitos recursos, mas queremos priorizar também aqueles que são interessados pelo nosso patrimônio cultural. Esse equilíbrio é fundamental para valorizar nossa oferta e para proteger nosso savoir-faire. Desta forma, é possível sim ter estabelecimentos de alto padrão, podendo ou não ser de luxo. Existem no pais inteiro por exemple restaurantes com chefs implicados na procura de qualidade, a melhor prova sendo as recomendações do Bib Gourmand do Guia Michelin. A importância dessa oferta de qualidade, não somente gastronômica, é única no mundo.

Com Alice Tourbier frente a Ile aux Oiseaux das Sources de Caudalie

V. J. – A alma do Sources de Caudalie é a integração num patrimônio e num terroir, que trazem autenticidade e sustentabilidade?

J. T. – Quando o Les Sources de Caudalie foi reconhecido como o primeiro “palace” dos vinhedos, o fato de estar completamente integrado no terroir da região foi exatamente considerado excepcional. A nossa inspiração vem diretamente do vinhedo aonde nos constatamos nos últimos vinte anos que existe um luxo autentico diferente do das grandes cidades. Estamos procurando ir sempre mais longe na procura desse luxo, investindo na beleza e nas emoções. Os hóspedes não procuram somente um alojamento, mas querem atividades compartilhadas em volta do enoturismo que funciona como uma vitrine para os vinicultores, os artesãos, os artistas e os produtores locais.

Les Sources de Caudalie, “La Tour de la Dégustation”

V. J. – Pela sua experiência, quais são os próximos passos a seguir?

J. T. – Vimos que o luxo agora é emoção. Fora das capitais, acho que devemos insistir na autenticidade, sem cair na caricatura para poder aproveitar nossa realidade e nossa história  mas também levar em consideração as novas clientelas. Temos que mostrar a coerência dos nossos destinos, mas encontrar um equilíbrio combinando as atividades culturais, a gastronomia, o artesanato, a qualidade e a diversidade dos produtos. Um outro fator de crescimento é o numérico. Os profissionais do turismo estão acostumados a falar das consequências negativas da Internet, mas não devemos esquecer que foi ume revolução que criou extraordinárias oportunidades para promover novos destinos até então pouco aproveitados. Foi talvez o caso de Bordeaux.

O restaurante L’Étoile, do hotel Les étangs de Corot

V. J. – Quais são os principais projetos para o futuro do seu grupo hoteleiro?

J. T. – Especialistas do enoturismo, queremos investir em projetos nas grandes regiões vitícolas da França, começando no ano que vem com o Vale do Loire. Estamos acabando a construção do Les Sources de Cheverny, renovando um antigo castelo bem como uma vinícola, reabilitando um patrimônio histórico em total harmonia com as exigências de conforto mais contemporâneas. Nesta região que atrai numerosos turistas, esse novo estabelecimento terá a ambição de ajudar os hóspedes a descobrir as qualidades dos vinhos da região bem como as riquezas culturais dos castelos do Loire. Depois do Les Sources de Cheverny, outros projetos estão sendo estudados na Alsácia, na Borgonha, na Champagne e na Provence.

A suite Rouge Merlot das Sources de Caudalie

Este artigo foi traduzido e resumido de uma entrevista original de Jérôme Tourbier na revista on line Vendôm.jobs

Para os influenciadores, a hora do “Small is beautiful”?

Parmentier convencendo o Rei Luis XVI de ajudar na promoção da batata

Desde que no século XVIII o agrônomo Parmentier convenceu o Rei Luis XVI a incentivar os franceses a aceitar de comer batatas,  contratar personalidades para promover seus produtos ou serviços é uma ferramenta bem conhecida dos marqueteiros. Muitos artistas ou famosos têm há muito tempo tarifas para aparecer em eventos ou campanhas de publicidades. Com a mundialização das midias sociais, as celebridades perderam a exclusividade e apareceram os influenciadores com um impressionante poder de comunicação seguidos por milhares – ou até de milhões- de fãs ou followers. Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos pela CPC Strategy, só 20% dos internautas acham que um influenciador deve ser alguém conhecido. A prioridade sendo a qualidade dos conteúdos e a confiança nas comunidades criados por eles.

Instagram, segunda midia dos influenciadores, mas com o maior crescimento

Ainda segundo CPC Strategy,  os consumidores procuram novos produtos influenciados em primeiro lugar (70 %) pelos seus “amigos” das mídias sociais,  mas em segundo lugar (22%) pelos influenciadores que eles seguem, seja mega influenciadores (com mais de um milhão de seguidores), macro influenciadores (de cem mil a um milhão) ou micro influenciadores. E pelo ponto de visto dos profissionais, cada vez mais preocupados com a rentabilidade dos seus investimentos, os mais interessantes são agora os micro influenciadores. A Influencer Marketing Hub verificou junto a investidores que a rentabilidade deles é 30% superiora à dos macros, e essa superiora de 20% a dos megas. Menores as comunidades, mas eficientes em termos de retorno, essa nova tendência está impactando as escolhas dos influenciadores, e poderá ser reforçada últimas decisões da Instagram.

O profissionalismo e a transparência, resposta dos influenciadores a guerra da Instagram

O micro influenciador é por natureza difícil de escolher. Para encontrar aquele(a) que vai perfeitamente combinar com o marketing da empresa, os especialistas aconselham primeiro de medir três elementos: o número de seguidores, a ligação com a marca promovida, e a proatividade dos seus posts. Mas é também importante de completar estes critérios com varias boas praticas. Com total transparência, a empresa deve ser informada das publicações e ter acesso a todas as estatísticas nas mídias sociais ou na Google Analytics. Para certificar o “match” do público-alvo e da comunidade do influenciador, pode utilizar ferramentas como a HypeAuditor que pode realizar uma auditoria rápida da qualidade e dos perfil dos seguidores. Esse perfil ajudara também a confirmar a mídia escolhida (por exemplo Instagram para os menos de 34anos, Facebook para mais de 35).

Source : Trill Travel

Para medir os resultados dos influenciadores, é importante escolher quais são os objetivos marketing da campanha. Uma marca buscando notoriedade medirá as visualizações, o trafego, ou o envolvimento, enquanto uma outra querendo faturamento seguirá as vendas. Esse ultimo indicador sendo cada vez mais utilizado, o aplicativo Trill Travel  abra a opção de clicar diretamente numa foto da Instagram para fazer uma reserva identificando a origem da venda. Códigos promocionais podem ser personalizados com palavras chaves características ou até o nome de um blog. Mas se esses controles são necessários para poder medir os retornos sobre os investimentos, é muito importante que eles não atrapalham a liberdade e a criatividade. Enquanto tanto a Facebook que a Instagram parecem querer limitar o poder do influenciador, a sua  força continua sendo sempre o seu estilo e sua personalidade que consolidaram a sua comunidade!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Acordo Mercosul/ União Europeia: o turismo também?

Depois quase 20 anos, a perspectiva de um acordo histórico

Assinado  no último dia de Junho depois de quase 20 anos de negociação, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não deixou ninguém indiferente. De ambos lados do Oceano Atlantico e do Ecuador, políticos e defensores de interesses corporativistas já estão brigando – muitas vezes sem nem ter lido o texto – para defender ou atacar a sua ratificação pelo 31 países da nova área de libre comercio. Trata-se de o intercambio comercial de Euros 122 bilhões entre o segundo e o sexto maiores blocos econômico do mundo, o acordo não toca o diretamente o turismo, porém vai tem um impacto significativo na vida (e, portanto, nas viagens) de quase 800 milhões de pessoas, cancelando 91% dos direitos alfandegários, cuidando de bem estar e de liberdade dos consumidores, assim como de proteção do meio ambiente.

Os vinhos e os queijos franceses devem beneficiar-se com a queda das taxas

Desta forma, o consumidor brasileiro vai ver nos próximos anos o preço dos carros, das roupas e dos sapatos europeus cair em 35%, dos queijos franceses ou holandeses em 28%, dos vinhos franceses, portugueses ou italianos em 27%, do chocolate belga em 20%, dos biscoitos dinamarqueses entre 16 a 18%, e dos remédios franceses ou alemães em 14%. Ao mesmo tempo, a Europa ampliará as cotas e acabará com as taxas que hoje bloqueiam as exportações de setores extremamente competitivos, principalmente (mesmo se não somente) o agronegócio cujas produções de frango, carne bovina ou suína, sucos naturais ou frutas, têm a qualidade, o preço e o respeito da sustentabilidade  para competir com os melhores produtos da agricultura europeia.

A competitividade do agronegócio brasileiro deve aproveitar a abertura

A proteção das origens é um ponto crucial do acordo, sejam geográficas (Parme, Porto, Camembert ou whisky irlandês) ou “apelações” especificas (cachaça brasileira, vinho de Mendoza argentino), bem como a proteção das marcas ou dos direitos autorais. De forma geral, os serviços, que representam hoje mais do quarto dos intercâmbios entre a Europa e o Mercosul, não foram esquecidos no acordo. Correios, bancos, seguros, telecomunicações, transportes, investimentos ou aberturas de filiais serão facilitados. A grande maioria das empresas tanto do Mercosul quanto da Europa sendo pequenas ou medias, é prevista uma série de medidas para melhorar a sua competitividade e para ajudá-las a aproveitar as novas oportunidades que surgirão.

O e-comercio deve ser muito impactado pelo acordo

Mesmo se as viagens internacionais e o turismo não são mencionados em lugar nenhum, o acordo deve, com certeza, impactá-los por duas series de razões. Em primeiro lugar algumas das medidas anunciadas se aplicam também ao setor. As novas regras referentes ao e-comercio, suprimindo bloqueios desnecessários, dando mais garantias jurídicas as empresas e protegendo os dados dos consumidores vão ter consequências para as OTA (agencias on line), as operadoras e até as agencias tradicionais. As novas regras referentes a circulação de profissionais, a instalação ou a transferência de funcionários  devem incentivar as viagens de negócios bem como multiplicar os encontros MICE. Em segundo lugar, e mais importante ainda, o acordo Mercosul- Europa deve criar um clima de segurança e de otimismo, fortalecendo o Real, impulsionando a Bolsa. Serão, com certeza, fatores essenciais para o tão esperado crescimento do turismo receptivo e exportativo entre ambos os blocos. Aos profissionais resta torcer pela ratificação para aproveitar essa imensa oportunidade.

Jean-Philippe Pérol

Em três números, os motivos para o Brasil ser otimista

O Tropical de Manaus, saudades de um sonho que não pode acabar

Frente as águas negras do Rio, o Tropical de Manaus

Que tristeza de ler hoje, no querido  jornal manauara A Critica, que o Tropical Hotel de Manaus irá a leilão no dia 25 de julho, e que valor arrecadado será utilizado para o pagamento de dívidas trabalhistas em processos que tramitam no tribunal regional do trabalho. Mesmo esperada desde a suspensão das atividades do hotel em maio – quando a luz foi cortada por falta de pagamento-, essa noticia abalou todos os profissionais do turismo bem como os apaixonados pela Amazonas. Emblemático da nossa saudosa VARIG, o Tropical de Manaus marcou os anos dourados do turismo de Manaus, quando o sucesso da Zona Franca, os oito voos diários para São Paulo, e as ligações internacionais da própria VARIG, mas também da Braniff, da LAP e da Air France atraiam turistas do mundo inteiro no coração da Amazônia brasileira.

O Presidente Giscard num seringal do Mamuri em 1978

A tristeza leva a perguntar quais são as razões que levaram a esse desastre. Alem do desaparecimento da VARIG e das dificuldades da Tropical hotéis, o hotel da Ponta Negra fechou também pelo paradoxo da queda do turismo na Amazonia brasileira num momento da historia aonde o eco-turismo e o turismo verde atraiam cada vez mais viajantes. Enquanto Manaus recebeu nos anos 70 e 80 o Presidente da França, o Rei da Suécia ou o Chanceler da Alemanha, enquanto artistas, escritores, ricos e famosos do mundo inteiro se hospedavam nos quartos do Tropical, são hoje os lodges da Costa Rica, do Vietnã ou da Indonesia  que recebem os maiores fluxos de ecoturistas. E quando esses escolham mesmo de ficar na Amazônia, percebe se a concorrência das Amazônias peruana, colombiana, equatoriana, surinamense ou até francesa.

O charme e o luxo sustentável do Mirante do Gavião

O turismo em Manaus tem porem umas imensas oportunidades com a atualidade das preocupações internacionais para preservar a floresta amazônica, e com a procura de destinos turísticos respondendo as novas tendências do ecoturismo. Num setor de concorrência extrema, o sucesso virá pelos números projetos que já existem, tanto de alojamento – do EcoPark ao Mirante do Gavião, do Juma Lodge ao Hotel Amazônia, ou do Anavilhanas Lodge ao novo Casa Perpetua-, de lazeres  – do Museu da Borracha e do MUSA ao Festival de Ópera-, de cruzeiros – da Katerre ao Aria ou ao Belle Amazon-, ou de restaurantes – do Caxirí ao Banzeiro-. Eles já estão mostrando que o setor soube evoluir, e criar produtos e serviços oferecendo as experiencias que os viajantes procuram.

A Pousada Uacari, a excelência em termo de turismo sustentável

Para crescer mesmo, e deixar a gente sonhar numa reabertura de um grande hotel international na Praia da Ponta Negra, o turismo na Amazônia terá talvez que aproveitar três ideias. A primeira é que a expectativa internacional de proteção do meio ambiente nessa região é imensa, trazendo um dever de excelência nesse setor. O desenvolvimento do turismo será olhada de muito perto, e qualquer desrespeito das práticas exemplares em termo de sustentabilidade, qualquer aceitação de atividades ecologicamente incorretas, terão um enorme impacto em comunicação, e afugentarão os viajantes. A segunda é que o turismo de Manaus só pode ser exclusivo, os fluxos serão sempre pequenos porque o acesso é difícil e as experiencias intimistas. Com poucos visitantes, devem se privilegiar o luxo e o charme. E os produtos e serviços têm que ser de forte valor agregado para trazer ao estado e aos  habitantes os retornos econômicos indispensáveis.

O Teatro Amazonas foi decisivo para construir o mito de Manaus

A terceira ideia é que, marcas excepcionalmente conhecidas no mundo inteiro, Manaus e a Amazônia devem. para voltar a atrair os fluxos de viajantes que necessitam, apostar não somente na natureza, nas matas e nos rios, mas também nas suas Historias – a riqueza do patrimônio, começando pelo Teatro, ou a força do passado terrível do ciclo da borracha-, e nos seus povos – tradições culturais ou, mais ainda, vida autentica das suas comunidades ribeirinhas. Morreu o Hotel Tropical, mas os ingredientes de um novo ciclo do turismo em Manaus existem e podem deixar acreditar que o Fenix pode talvez pousar um dia na praia da Ponta Negra.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Barco regional de alto padrão, o Belle Amazon navegue nos rios Amazonas, Tapajós e Rio Negro

A Veneza do norte não quer virar uma Disneylândia

O Quai du Rosaire, lugar mais fotografado de Bruges

Globalia/Air Europa, líder consolidado na Espanha, e challenger ambicioso na América latina

Juan José Hidalgo, fundador da Globalia, e seu filho Javier, CEO do grupo

Air Europa opera exclusivamente com Dreamliners

Para sustentar esse crescimento de 8,5% da sua oferta 2019 a partir do seu hub de Madri, a Air Europa está ampliando sua frota. Já contando com  oito Boeing 787-8 Dreamliners e quatorze Boeing 787-9 Dreamliners, a companhia está esperando mais dezessete outros Dreamliners serão entregues daqui para 2022. Agora membro de Sky Team ao lado da Air France e da Delta, Air Europa tem grandes perspectivas na Europa e na América Latina. No Brasil, incentivada pelo novo governo, e possibilitada pela nova legislação, a abertura de uma filial brasileira vai permitir a oferta de voos domésticos. Essa atuação no mercado interno deve, na expectativa da ANAC, deve levar a Air Europa a dobrar de 18 para 36 seu número de voos entre Europa e Brasil.

Uma das 837 agencias da Halcón Viajes

Mas as ambições do grupo Globalia na América latina não param na aviação. Durante a sua última viagem em Panamá para abertura das rotas de Panamá City e Medellin, Javier Hidalgo, herdeiro e CEO, anunciou que o objetivo do grupo na América latina era não somente de abrir novas rotas para Air Europa, mas de abrir, em cada um desses destinos, hotéis da sua subsidiária  Be Live. Será assim mais fácil de combinar os pacotes que serão vendidos pela Travelplan, operadora fundada em 1988 pelo pioneiro e proprietário Juan José Hidalgo, pelas 837 agencias de viagens da Viajes Ecuador e da Halcón Viajes, ou pela agencia de vendas on-line Tubillette.com, as subsidiárias do hoje primeiro grupo turístico espanhol.

O Be Live Tuxpan em Varadero

Com a mesma lógica que inspirou outros grandes grupos, a Globalia quer acelerar o crescimento da sua filial hoteleira Be Live. A Be Live hotels possui, gerencia ou aluga 32 hotéis de 4 ou 5 estrelas, na Espanha, no Portugal, no Marrocos e na América latina. Já com sete propriedades em Cuba, seis na República Dominicana e uma no México, o grupo está negociando um hotel no Panamá, um destino que a Globalia julga ter um potencial excepcional de crescimento, comparável à Cancun ou Ponta Cana. Confirmando a confiança do grupo na América latina e no Brasil, outras aberturas estão previstas nos próximos anos em Iguaçu, Lima, Buenos Aires, Montevideo, Assunção, Fortaleza, Recife e São Paulo.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

No Vale de Colchagua chileno, liderança e diversidade do enoturismo

No Vale de Colchagua, paisagens que parecem ajudar os vinhos a se realizar

Já consagrado como produtor de alguns dos melhores vinhos do mundo, exportando a quase totalidade da produção dos seus 150.000 hectares de vinhedos espalhados em mais de 1000 quilômetros, o Chile está também virando nos últimos dez anos um dos maiores destinos do enoturismo internacional. Mas o número de vinícolas interessantes e acolhedoras, bem como as distancias, obrigam o viajante a escolher, da costa pacífica até os Andes e do Atacama até as terras austrais, quais vales e vinícolas ele deve visitar. Perto de Santiago, as opções são múltiplas e diversas, e as escolhas as vezes guiadas pelos encontros. Foi assim que, pelas premiações do Clos Apalta, a personalidade marcante do dono da Santa Cruz, as dicas recolhidas durante Invino e as sugestões personalizadíssimas  da especialista Carul Brugnara, esse roteiro se orientou para o Vale de Colchagua.

Frente ao Hotel Santa Cruz, a pitoresca Praça de Armas

Se varias propriedades da região oferecem excelentes opções de hospedagem – inclusive B&B de luxo ou hotéis boutique-, o Hotel Santa Cruz na praça principal da capital do Vale, agrade os viajantes que apreciam um estabelecimento a um preço razoável, num ambiente familiar – as crianças parecem extremamente bemvindas-, e extremamente chilena pela clientela, a decoração e o culinário. A localização central permite de aproveitar as lojas e os restaurantes de Santa Cruz, o museu ou o Casino. Ambos, bem como o Hotel e o vinhedo de Santa Cruz pertencem ao benfeitor da cidade, Carlos Cardoen, um chileno de origem belga com uma polémica carreira no comercio internacional, milionário até hoje perseguido pela justiça americana, mas que decidiu investir parte da sua fortuna num sonho de promoção da cultura chilena e da cidade de Santa Cruz.

Na sede da Santa Cruz, os Percherons esperando o passeio

A vinícola Santa Cruz guarda as características du grupo. A historia e a cultura chilenas são presentes com três pequenos ocas-museus sobre os povos rapa-nui, aimara, e mapuche, ou com um observatório acolhendo uma exposição permanente de meteoritos. As famílias gostam das atividades inesperadas: o teleférico com visão privilegiada das parreiras, um mini zoológico, uns passeios de carretas puxadas por cavalos “Percherons”, ou um museu automóvel. Mas a vinícola brilha também com destino de enoturismo pela qualidade dos seus vinhos, umas visitas e umas degustações no quadro acolhedora da casa grande, e um museu do vinho recém inaugurado. Construídos para o uso particular da família de Carlos Cardoen, um pequeno hotel boutique de três quartos está agora a disposição dos viajantes querendo silencio e privacidade entre os vinhedos e as trilhas percorrendo as colinas. 

A excelência do almoço harmonizado do Relais Châteaux Lapostolle

Produzindo o Clos Apalta, blend de Carmenere, Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot que foi considerado o melhor vinho do mundo em 2005, a vinícola Lapostolle/ Clos Apalta é uma das etapas imprescindíveis do enoturismo no Vale de Cochalgua. A vinícola surgiu da paixão de dois franceses, Alexandra Marnier-Lapostolle e Cyril de Bournet, que compraram a propriedade em 1994 e decidiram, com a ajuda do famoso enólogo Michel Rolland, construir um lugar de excelência tanto nos vinhos – hoje 100% orgânicos-, que na arquitetura -com as vigas de madeira da adega  erguidas para o ceu-, e até no processo sofisticado de produção utilizando a força da gravidade. O pequeno Hotel é um Relais & Châteaux, com somente 4 quartos mas que brilha pela atenção do seu serviço e a perfeição do seu almoço harmonizado com 4 vinhos excepcionais.

O imperdível restaurante de Mallmann na vinícola Montes

Moderna e marqueteira, a vinícola Montes alimenta também algumas polemicas. Críticos acham que o fogo as vezes queima, que as tradições orientais do Feng Shui não trouxeram nada a historia da vinicultura ou que a musica religiosa levanta mais a alma do que o vinho. A beleza, a criatividade e a qualidade do local mostram porem ao visitante que o local é imperdível na rota dos vinhos de Colchagua. O restaurante, com sua espetacular fogueira marca do Francis Mallmann, merece a sua fama gastronômica e ainda oferece uma vista excepcional. Com a sua decoração ousada de inspiração chinesa, a vinícola impressiona desde o inicio da visita. A degustação, realizada na adega com muita atenção e profissionalismo, é um momento de emoções não somente pela qualidade dos vinhos mas pela beleza dos barris pintados e a inspiração dos cantos gregorianos.

Na Casa Silva, vinho, tradições e ambiente de happy fe

Com seu próprio campo de polo, e um dos seus melhores vinhos glorificando as cinco gerações que se sucederam desde a chegada do pioneiro Emile Bouchon em 1892, a Casa Silva respira o sucesso familial e a tradição. Mais antiga vinícola do Vale, conseguiu fazer do seu Altura, blend de carmenere, cabernet sauvignon e petit verdot, produzido com safras excepcionais e envelhecido em barris de carvalho francês, um vinho respeitado no mundo inteiro. A historia é também presente no hotel, antiga casa da família de estilo colonial que se orgulha de ser centenário  e de manter a decoração e o requinte acumulados. Talvez justamente pelo caracter familial, é recomendado, para o restaurantes, os tours ou até as visitas, de fazer as reservas com antecedência. Será uma boa dica para uma nova viagem, necessária para conhecer melhor  esse Vale de Colchagua, justamente premiado como uma das melhores regiões vinícola e enoturistica da atualidade.

Jean-Philippe Pérol

Na volta, a difícil escolha: qual vinho beber primeiro?

Turismo, liberdade e responsabilidades nos destinos de risco

O Parque da Pendjari é uma das esperanças do turismo do Benim

O sequestro de dois turistas franceses no Benim (o outrora Daomé) levou um final feliz – a liberação dos reféns – mas no mesmo tempo trágico – a morte do guia de turismo que os acompanhava e de dois militares que participaram da operações de resgate.  Frente a presencia do Presidente Macron na recepção dos sobreviventes desses dramáticos acontecimentos, um duro debate está sendo travado na França sobre as responsabilidades desse drama. Será que pesam sobre os turistas que foram passear de forma irresponsável numa area desaconselhada, ou sobre do Ministério das Relações exteriores que desaconselhou, mas não proibiu, a seus cidadãos de viajar para um pais ameaçado pela guerrilha islamista?  Será que o governo pode proibir as viagens para algum lugar?

Os refens recebidos com honra mas responsabilizados

Na França, como nos Estados Unidos ou no Brasil, o governo publica informação sobre a segurança dos destinos. Lá foram definidos quatro níveis de risco para os viajantes: cuidados normais em verde, reforçados em amarelo, desaconselhados em laranja, e totalmente desaconselhados em vermelho.  Frente as criticas sobre essas informações meramente facultativas, o Ministro Jean-Yves Le Drian lembrou que sempre chamou a atenção das agências de viagens sobre as suas responsabilidades com os possíveis riscos. Falou que a legislação poderia ser reforçada, com mais regiões classificadas como totalmente desaconselhadas. Mas mesmo assim, descartou por enquanto a ideia de proibir a cidadãos franceses de viajar para esses lugares.

O mapa oficial da segurança na África ocidental

Os profissionais do turismo concordam com essa visão. Jean-Pierre Mas, Presidente da maior associação de agentes de viagens, se recusou a falar de proibição e mesmo de aumento das áreas totalmente desaconselhadas. Acha que as agencias têm que ser ligadas com a atualidade. Devem se recusar a oferecer pacotes para os destinos potencialmente perigosos, avisar os viajantes mas deixar para cada um a decisão final, aceitando ou não os riscos que existem em qualquer viagem de negocio ou de lazer. Grandes operadoras acham também que os avisos do Ministério são justificados e devem ser levados em consideração, mas que não são infalíveis. não podem ser responsabilizado. Numa sociedade que recusa hoje qualquer fatalidade, deve ser aceita  a ideia que a responsabilidade de uma viagem é do proprio viajante.

A liberação dos reféns foi uma operação complexa

O choque da morte dos dois militares levou porém muitos políticos a falar de proibição total das viagens nas zonas classificadas como totalmente perigosas, e o Ministro poderia encontrar nessa medida forte uma resposta a emoção da opinião pública. Cada viajante pode e deve ser colocado frente as suas responsabilidades, mas o direito de cada cidadão de ser protegido pelo seu governo não pode ser pago pela restrição do seu direito de ir e vir. Seria sem duvidas um golpe grave contra a liberdade e contra o turismo.

Jean Philippe Pérol

No site do Itamaraty, o Benim com nível 3 de segurança (alto grau de cautela)

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

As trilhas, um turismo de pouco investimento e muita notoriedade


O GR 20 da Córsega, o Graal das trilhas francesas

Caminhar está na moda. Na América do Norte e na Europa, atraiu em 2018 de 15 à 30% dos turistas, levando muitos destinos a aproveitar a notoriedade das suas trilhas. Alem dos Caminhos de Santiago, o GR20 na Córsega, o Inca Trail do Peru ou o Long Trail na California  foram muito importantes para o desenvolvimento do turismo das suas regiões. Viraram atrativos e fontes de renda para municípios isolados onde  os moradores ajudam a criar experiências memoráveis. E novas trilhas estão virando destaques, como o  Grand Sentier no Canada,  o Great Ocean Walk na Australia ou os caminhos da peregrinação Shikoku no Japão. No Brasil o caminho da Mata Atlântica se prepara a percorrer 3800 quilômetros, virando ícone para cinco estados, do Parque Estadual do Desengano-RJ até o Parque Nacional dos Aparados da Serra-SC.

O caminho Inca cujas pedras levam para os misterios de Machu Pichu

Segundo um relatório de fevereiro 2019 da Organização Mundial do Turismo, as trilhas estão ganhando popularidade porque se encaixam nas novas tendencias do turismo: a procura do bem estar e dos cuidados do seu corpo, o sucesso do “slow travel” e do turismo de aventura, a vontade de intercambio com os moradores. São atividades chaves para o  turismo transformacional e ajudam a construir um ecoturismo com as menores pegadas ecológicas possíveis. O turismo de caminhada aproveita também o crescimento de novas modalidades esportivas, como a “trail running” – corrida “fora de pista”, em caminhos montanhosos com fortes declives -, ou  o “Nordic trail” – caminhada livre em qualquer tipo de terreno com o auxílio de dois bastões semelhantes aos utilizados no esqui -.

A Chapada Diamantino mostra uma grande variedade de trilhas

A OMT demostrou que as trilhas tragam muitos benefícios para os destinos que escolham de investir nessa atividade. Alem de interessar um publico muito importante e diverso – jovens, melhor idade, famílias, alta renda ou popular-, elas:

  • representam investimentos muito menor que outras modalidades esportivas,
  • exigem poucas infraestruturas pesadas ou operações logísticas complexas.
  • sendo bem administradas, são atividades eco responsáveis
  • combinam com as ofertas turísticas anteriores, ajudando a esticar as estadias e até as temporadas
  • são  muito utilizadas pelos proprios moradores para suas atividades esportivas ou seus lazeres

Os destinos bem sucedidos nesse mercado conseguiram preencher pelo menos quatro critérios imprescindíveis.

  • A atratividade: a fama das trilhas depende em primeiro lugar da beleza das suas paisagens, bem como da força dos pontos de interesso cultural que elas interligam. O máximo de manutenção e o mínimo de asfalta são também dois requisitos importantes.
  • Os serviços : a sinalização, a proximidade de instalações sanitárias, as opções de hospedagem devem responder as necessidades dos “hikers”.
  • A segurança : um policiamento eficaz, um nivel de (boa) frequentação suficiente,  uma reputação de tranquilidade junto aos moradores e ao público potencial  devem mostrar que as trilhas são perfeitamente seguras de dia e de noite, mesmo para quem viaja só.
  • O marketing e a promoção : a boa informação do público, as campanhas ou as promoções ajudam a construir a notoriedade. Os países escandinavos investiram muito na ajuda previa aos visitantes. Assim a Visit Greenlandpublica l’Ultimate Greenland Hiking Guide e  aconselha até sobre os comportamentos frente a um urso polar. Outros líderes do setor, o Peru ou a Noruega mostram nos seus sites como se preparar a enfrentar suas trilhas.

Os caminhos da fé levando para Santiago

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Em Lyon, além da gastronomia, a História

O arcanjo de Fourviere vigiando a Catedral São João Batista

Agarrada (com razão) a seu status de capital da gastronomia francesa, Lyon esquece as vezes de lembrar aos apaixonados pela cultura e o patrimônio que ela também carrega com orgulho uma longa história. Fundada pelo gauleses que a chamava de Lugdun (a fortaleza do deus Lug), a cidade atraiu os romanos pela sua posição estratégica. Com uma arquitetura urbana marcada pela Antiguidade, a Idade Media, o Renascimento e a época contemporânea, Lyon teve o privilegio de ver o seu centro histórico tombado pela UNESCO. Juntos com o bairro do Vieux-Lyon, o morro de Fourvière e o morro da Croix-Rousse, são 427 ha, 10% da área urbana da cidade, que foram classificados como Patrimônio da humanidade em 1998, reforçando a atratividade desse grande destino turístico.

O teatro romano do morro de Fourvière

A Lyon romana cresceu rapidamente, e virou capital da Galia em 27 a.C. Teve sua importância confirmada durante o reinado do Imperador Claudio, nascido na cidade onde ele sempre fez questão de voltar, erigindo monumentos as vezes ainda visitados hoje como as termas da rua des Farges. Para os turistas procurando seguir os passos dos romanos, muitos sítios são espalhados na cidade, e cada escavação importante leva a novas descobertas. As construções mais procuradas são o antigo teatro de Lyon, o anfiteatro das três Gálias ou os quatro aquedutos de Mont d’Or, Gier, Yzeron e Brévenne). A procura do Lyon da época romana, o visitante pode também  visitar o muito interessante museu Lugdunum, que possui um dos acervos arqueológicos mais completo da França.

Os traboules, alguns segredos do patrimônio de Lyon

Os “traboules” são o ponto alto de um passeio turística no Lyon da Idade Media. Atalhos urbanos outrora utilizado para chegar rapidamente nas beiras do Rio Saône, eles interligam ruas antigas mostrando, nos patios e nas faixadas, curiosidades arquiteturais da época. O patrimônio medieval e renascentista está muito presente no bairro do Vieux Lyon, com suas ruas de paralelepípedos, sua Catedral  São João Batista construída do século X ao século XV, bem como um espetacular relógio de 1598. A duas quadras, o visitante pode visitar a antiga Casa dos Advogados, prédio do Renascimento perfeitamente restaurado e que hospede hoje um divertido Museu Miniature et Cinéma, piscar de olho das heranças do século XVI para os irmãos Lumière.

No morro da Croix Rousse, a homenagem aos Canuts

O patrimônio do século XIX se concentro nos morros. No morro da Croix Rousse, “traboules” mais recentes, ruas estreitas as vezes cortadas por escadas, e antigos entrepostos com janelas altas por onde passavam as teares dos tecelões, são marcados pela história dos famosos “canuts”.  Operários ou artesões do luxo, mas também revolucionários que foram em 1831 os primeiros a levantar a bandeira preta dos anarquistas, os canuts carregam a tradição do trabalho da seda que continua até hoje com os famosos Carré da Hermès fabricado na região. No morro de Fourvière, onde começou a colonização romana, encontre-se o monumento mais famoso da cidade, a basílica Nossa Senhora de Fourvière, inaugurada em 1896. Para fechar a Historia do patrimônio de Lyon, só faltará então ao viajante descer até o bairro de Confluence para descobrir sua arquitetura inovadora cercando o impressionante Museu.

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