Na Amazônia brasileira, um necessário consenso pelo turismo!

A natureza intocada, riqueza turística da Amazônia

O desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira parece um objetivo tão evidente que é difícil imaginar que todos os  responsáveis politicos, os moradores, as ONG bem como os atores econômicos e sociais da região não cheguem a um consenso geral para atingi-lo. Esse consenso é mais evidente ainda – e mais necessário- quando se trata do turismo, atividade trans-setorial que só pode se desenvolver e prosperar com a implicação e os esforços de todos. Além de algumas ONG -especialmente estrangeiras- que esquecem que a Amazônia brasileira é do Brasil, de alguns ambientalistas que não valorizam o desenvolvimento econômico ou de alguns grileiros que desprezam a sustentabilidade, o turismo deveria conseguir criar um consenso geral por ser uma atividade econômica e social que pode justamente ajudar a desenvolver a região, reforçando a integração nacional e preservando a sustentabilidade.

Encontros com comunidades são momentos fortes  para os visitantes

Os recentes acontecimentos em Alter do Chão, com a surpreendente prisão (e depois a soltura) de quatro ambientalistas acusados de tocar fogo na mata para incentivar compaixão – e remessas de dinheiro- da opinião pública nacional e internacional, e os esquisitos bate bocas entre o presidente e o Leonardo DiCaprio mostram que ainda há muito caminho para percorrer. Se o alvo parece ser a sustentabilidade, o turismo é diretamente ameaçado por dois motivos. O primeiro é que os turistas que procuram a Amazônia brasileira têm forte motivações ecológicas. Além da extraordinária história da região, eles querem ver e viver os ecossistemas tão peculiares, os papéis na luta contra os efeitos de gás estufa, ou as ligações das comunidades locais com a natureza. Durante as suas estadias na região, mostram na grande maioria dos casos atitudes responsáveis, de respeito a natureza, de preservação  dos animais e de apoio aos moradores.

Lodges, pousadas ou hotéis criam empregos e empurram as economias locais

A falta de consenso afetaria o turismo também pelo fato de que os ambientalistas são atores profundamente envolvidos nesse turismo sustentável. Em Manaus, Novo Airão, Alter do Chão, Macapá ou Soure, hotéis, pousadas ou lodges foram construídos e continuam a ser explorados por pessoas convencidas da urgência da defesa do meio ambiente e do apoio ao desenvolvimento das comunidades. Muitas operadoras ou agências de receptivo trabalhando na região têm ligações estreitas com ONGs ou associações comunitárias, e a maioria oferece para os seus clientes a possibilidade de ajudar fundações locais ou de participar de projetos humanitários. E em alguns casos esses projetos se tornam até a principal motivação da viagem tanto de turistas brasileiros quanto de visitantes internacionais.

Na Fundação Malaquias, o sucesso das sinergias entre edução, turismo e ambientalismo

Mas o turismo sustentável precisa com a mesma urgência do apoio das autoridades em todos os níveis. Na Amazônia, como em todos os grandes destinos turísticos, os atores privados ou públicos do setor precisam de uma forte implicação das autoridades para definir a estratégia, orientar os investimentos, assegurar as normas de qualidade, e organizar a capacitação profissional. Numa região onde 86,2% do espaço é protegido como parques, reservas indígenas ou extrativistas, áreas preservadas ou devolutas, o suporte dos responsáveis administrativos e políticos federais, estaduais e municipais é fundamental para o sucesso do turismo. Os conflitos que ainda aparecem são as vezes lamentáveis, ofendem a natureza, os moradores e a sociedade, mas traduzem as dúvidas ou as preocupações de parte da população. O turismo pode e deve ser o primeiro setor onde se encontra um consenso de todos para continuar no caminho do desenvolvimento sustentável  que a Amazônia precisa.

Jean-Philippe Pérol

Com 12,8% do espaço disponível, o consenso para o desenvolvimento é imprescíndivel

 

O Belle Amazon, com Turismo Consciente na comunidade de Urucurea

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Croácia, Colômbia, Ruanda, três lições de reconstrução da atratividade de um destino turistico

Para construir uma nova imagem, não pode fugir do passado

Vinte anos atrás, o  New York Times descrevia a Colômbia como um pais dominado pelas guerras de traficantes,  os crimes dos milicianos ou os sequestros da guerrilha. Nos anos anteriores, o Washington Post  tinha descrito a Croácia como um país destroçado pela guerra civil que somente podia ser visitado por aventureiros destemidos. E um artigo do  New Yorker  publicado durante o genocídio dos tutsis avisava que o Ruanda era tão perigoso que era desaconselhado para os raros visitantes de sair da área do aeroporto. Desde então, os conflitos terminaram e as infraestruturas foram reconstruídas. As economias deram a volta por cima, e o turismo se recuperou: 3 milhões e um leadership regional para a Colômbia, 1,5 milhão de turistas e o reconhecimento internacional para o  Ruanda, 19,7 milhões e um top ranking no Mediterrâneo para a Croácia.  As razões do sucesso desses três países na reconstrução da atratividade pode inspirar responsáveis do turismo no mundo inteiro.

A cultura tutsi sobreviveu ao genocídio

É impossível fugir do seu passado. Mesmo tendo uma das mais dinâmicas economias da África, Ruanda continua carregando a imagem do massacre de 800.000 tutsis. Integrada na União Europeia, a Croácia não apagou as lembranças da guerra civil. E a Colômbia continua sendo -por méio das novelas da Netflix ou da própria TV colombiana- a terra do terror, das drogas e da violência de Pablo Escobar. Mas em vez de esconder ou de negar esse passado, os três países estão mostrando que não podem ser resumidos a esses acontecimentos, tão trágicos que foram, e que não somente esses eventos foram marcados por emocionantes casos de compaixão ou de heroismo, mas que têm outros eventos e outras historias para contar. Em 2008, a Colômbia foi assim extremamente bem sucedida em lançar uma empolgante campanha “El riesgo es que te quieras quedar” (O risco é de você querer ficar) que não escondia os problemas mas mostrava que tinha também boas notícias.

Para quem não tem as pirâmides de Gizeh, a Torre Eiffel ou o Machu Picchu, foi importante encontrar um ícone que ajudou  a posicionar o destino e a consolidar a marca. A Croácia continua acreditando no dinamismo trazido pela sua seleção nacional de futebol – vice-campeã na Copa do Mundo da Rússia (2018).  Depois de muitas buscas, a Colômbia está agora apostando nos pássaros. Com 2000 espécies diferentes, anuncia a maior biodiversidade de aves e aproveita esse patrimônio para comunicar sobre a riqueza do meio ambiente e do turismo de natureza. Em Ruanda, o ministério do turismo aposta nos gorilas e nos esforços para protegê-los. Uma campanha nas mídias sociais promove as oportunidades de seguir os animais e de participar da festa anual da Kwita Izina, uma cerimônia ruandesa durante a qual é dado o nome dos gorilas recém nascidos.

Sente o ritmo é a nova campanha de marketing da Colômbia

A continuidade das campanhas de marketing foi um fator essencial de sucesso. Depois da campanha surpreendente de 2008, a Colômbia  continuou com um novo conceito homenageando o maior escritor do país, Gabriel García Márquez, por meio do “realismo fantástico” e com um vídeo que foi visto por mais de 3 milhões de internautas. Uma nova campanha, “Colômbia, feel the rhythm” ,  aproveite a riqueza do patrimônio musical do “país dos 1,000 ritmos”, querendo criar uma ligação entre música e turismo comparável à bem sucedida sinergia com a gastronomia. A Croácia procurou também uma campanha duradoura para poder interagir com os turistas. Na onda do Mundial 2018 na Rússia, o escritório nacional de turismo  lançou um vídeo que leve o internauta às regiões de origem de cada um dos mais populares jogadores do time, um video que já foi visto mais de um milhão de vezes.

Ruanda aposta nos jogadores do Arsenal como influenciadores

Os influenciadores ajudaram a construir a nova popularidade dos destinos. Ruanda aproveitou a atriz  Portia de Rossi e a sua esposa, Ellen DeGeneres, donas de mais de 80 milhões de seguidores, que patrocinaram  um novo centro para  The Dian Fossey Gorilla Fund  em  Kinigi. Essa fundação deu continuidade aos trabalhos de Dian Fossey, e tanto Portia de Rossi que Ellen DeGeneres  foram a Kinigi e no Ruanda, publicando fotos e vídeos nas suas páginas. Ruanda aproveitou também a parceria dos jogadores do Arsenal, time da primeira divisão inglesa, que entraram em campo com camisas estampadas “Visit Rwanda”. O time deve visitar o país para promover o futebol. O sucesso do “rebranding” precisa também de sorte. Para a Croácia, a escolha de Dubrovnik para filmagem de “Game of Thrones” deu um impulso excepcional para o turismo em todo o sul da Dalmácia, e as agências locais oferecem hoje vários circuitos. Um orgulho para uma cidade que foi bombardeada e ameaçada de destruição durante a guerra de 1991-1992.

Aparecer no Game of Thrones foi uma sorte excepcional para Dubrovnik

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Tariro Mzezewa no New York Times

Comprar vinhos na França, e as sugestões 2019 de “De Vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Se vinhos de grandes qualidades podem ser encontrados mais perto, em Mendonça, no Vale de Colchagua, ou até nos arredores de São Paulo, os vinhos continuam sendo para os brasileiros uma das mais vantajosas opções de shopping na França. Podendo trazer de uma viagem internacional até doze litros, dentro do limite dos US$ 500 autorizados, volta cada ano a mesma pergunta: quais vinhos escolher, eonde comprá-los? O melhor conselho é de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas próprias vinícolas. Se os preços não são muito diferenciados, a beleza dos locais, a riqueza dos encontros, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, Château La Coste na Provence, Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha oferecem assim experiências inesquecíveis.

Sala de degustação do Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a Vinothèque e a espetacular L’intendant que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia ou a Bordeauxthèque das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “De Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin e sua esposa Dominique oferecem seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Lionel tem uma excepcional adega de vinhos raros e divide sua paixão oferecendo pessoalmente, com sua esposa Dominique, degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Degustação no De Vinis Illustribus

Pelo quarto ano consecutivo,  Lionel aceitou mandar as suas sugestões, uma seleção de seis vezes duas garrafas  cabendo nos US$ 500 autorizados pela Receita Federal. A seleção 2019 de DE VINIS ILLUSTRIBUS é a seguinte:

Champagne rosé GEOFFROY  : US$ 47

Um rosé elaborado com 100% de pinot noir Premier Cru. Com uma linda cor framboeza e bolinhas finas, redondo e suavo, esse champagne repleto de aromos de frutas é perfeito para um aperitivo festivo.

Meursault rouge “Les Criots” MILLOT  : US$ 37

Um raridade, esse vinho tinto representa somente 1% da apelação Meursault onde o domínio dos vinhos brancos é absoluto. Fácil de beber, impressionante de frutas vermelhas, este vinho elegante e suave é típico do pinot noir da Borgonha: fruta, fruta e ainda fruta. É perfeito para uma harmonização com vitela ou aves.  

Lionel escolheu dois Meursault na sua seleção 2019

Château MAUCAILLOU  2005 : US$ 51

Na margem esquerda de Bordeaux, tocando o terroir de Margaux, Moulis produz vinhos poderosos, densos, com bom potencial de guarda. O château MAUCAILLOU combina 58% de cabernet sauvignon, 35% de merlot e 7% de petit Verdot. Sua safra 2005, que recebeu 90/100 da revista Wine Spectator é um sucesso absoluto. Um nariz complexo abre com aromas de framboesa, cassis e cerejas. Na boca, esse vinho é amplo, com taninos macios. Um grand Bordeaux.

“Quadratur” COUME DEL MAS  2016 : US$ 37

Proveniente dos terroirs de xistos da região de Roussillon, esse vinho potente e concentrado combina uvas grenache e mourvèdre. Sua profundidade e seus taninos  permitem evoluções com a guarda, mas este Quadratur já oferece muito prazer quando harmonizado com cordeiro ou pratos com especiarias.

Meursault “Les Petits Charrons” MILLOT 2017 : US$ 42

Um grande Meursault  Côtes de Beaune, com vindimas feitas a mão que valorizam a quintessência do chardonnay. Com visual amarelo pálido, nariz rico e promissor, este vinho desenvolve aromas de flores brancas, de pêssegos e de amêndoas. O melhor da Borgonha numa grande safra.

INOPIA 2015 : US$ 28

Uma raridade vindo do Sul da França mas elaborado por  Lucien LE MOINE, um famoso viticultor vindo da Borgonha, com uvas grenache e syrah. Esse Côtes du Rhône tinto tem sabores de frutas vermelhas, de azeite e de mato da Provence. de fruits noirs, d’olive et de garrigue. Rico porém bem balanceado, é o companheiro ideal de pratos com especiarias.

Obrigado Lionel pelas suas sugestões 2019, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

Da sustentabilidade ao “slow travel”, o trem abraçando as novas tendências do turismo!

A primeira viagem de trem organizada pelo Thomas Cook

Desde 1842, quando Thomas Cook inventou o turismo moderno numa Maria Fumaça fretada de Leicester a Loughborough, o trem foi sempre, na Europa, pioneiro nas grandes ou pequenas revoluções do setor. Suas performances ecológicas exemplares, sua rede interligando não somente os grandes centros mas umas 10 mil cidades ou vilarejos nos 38 países europeus, sua autenticidade enraizada nas tradições ferroviárias, e sua flexibilidade o colocam outra vez nas mais recentes tendências seguidas pelos viajantes internacionais. Seja nos TGV ou nas ferrovias regionais, viajar de trem significa sair do centro das cidades, poder relaxar desde o embarque até a chegada, aproveitar a paisagem, entrar em contatos com outros viajantes ou moradores, escolher com facilidade o ritmo das suas experiências.

Dos Alpes da Provence até Nice, o famoso Train des Pignes

Um pesquisa da Virtuoso mostrou que 37% dos consumidores privilegiam as empresas investindo na sustentabilidade, e que os viajantes “eco-conscientes” são quase todos convencidos que o trem é o mais eficiente dos meios de transporte quando se trata de consumo de energia, de gases do efeito estufa ou de sustentabilidade. Nos Estados Unidos, 71% dos compradores de “Eurailpass” declaram que as baixas pegadas carbono foram decisivas na escolha do trem. A geração dos Millenials é a mais comprometida com a ecologia – três vezes mais que a geração X, seguido dos baby boomers e da geração Z-, mas todos  parecem prontos a mudar seus comportamentos afim de reduzir o impacto das suas viagens sobre o meio ambiente.

O overturismo aumentou a urgência de novos destinos

O overturismo foi incluído este ano pela primeira vez na pesquisa anual da MMGY sobre o perfil do viajante estadunidense. Cerca de 60% dos respondentes concordaram com a afirmação que o turismo de massa e a superlotação vão ter uma influencia importante na escolha dos lugares que visitarão nos próximos dez anos. E 73% já tentam evitar destinos superpovoados durante as altas temporadas. Mesmo se o trem oferece aos viajantes a possibilidade de chegar diretamente nos centros das grandes cidades, ele dá também a opção de visitar lugares menos acessíveis, menos conhecidos, mais íntimos, onde é possível mergulhar na cultura local  sem sofrer dos desgastes humanos e financeiros do overturismo,

Os trens suiços dão acessos aos lugares mais escondidos do país

Os destinos menos conhecidos onde o trem pode levar o viajante não são somente ajudam a escapar ao overturismo, mas permitem descobrir pequenas cidades ou vilarejos para experiências autênticas e mais oportunidades de interagir com os habitantes. No relatório Luxe Report 2019, a Virtuoso coloca agora o encontro e a convivência com moradores como uma das cinco maiores motivações de viagem. Os  trens regionais ou “intercity” são ocasiões de descobrir novas paisagens, novas culturas diferentes e novos encontros enriquecedores. Nos pequenos vilarejos, encontra se o tempo para  conversar com os “habitués”de um bistrô, descobrir um prato regional com ingredientes da própria fazenda, ir na feira livre para fazer as compras, visitar uma surpreendente igreja romana cujas chaves são guardadas pela vizinha, ou fazer uma degustação de vinhos com um pequeno produtor.

A Itália logo associou slow travel com trem

O trem combina também com a nova tendência do Slow Travel, a descoberta de destinos a um ritmo bem tranquilo, tomando o tempo necessário para conhecer seus atrativos e sua gente e fazendo da própria viagem (de trem!)  um momento descontraído e relaxante. Pioneira, a Itália fez de 2019 o ano do seu “slow tourism,” focando sua promoção em atrações culturais e turísticas de regiões menos conhecidas do pais. As operadoras e as agências de viagens foram incentivadas a diversificar seus roteiros, multiplicando as paradas em vez de ligar diretamente as grandes cidades italianas. O trem ficou assim uma escolha natural, relaxante, que alegra os clientes menos apressados do “slow travel”, jovens estudantes ou aposentados da melhor idade que querem viajar a seu ritmo, almoçar sem pressa ou parar de repente para aproveitar um pôr do sol.

©SNCF Mediatheque/Alex Profit

Festuris em Gramado, o turismo brasileiro que dá certo!

Mesmo esperado, o sucesso da Festuris impressionou

Pela sua 31° edição, o mais charmoso dos grandes encontros do turismo brasileiro bateu recordes e superou as expectativas. A FESTURIS, Feira Internacional de Turismo de Gramado, contou essa ano com 17 mil participantes, incluindo 11 mil visitantes profissionais, um crescimento global de 5% que mostrou que o evento deixou de ser limitado a região Sul do pais. 35% dos agentes registrados vieram dos outros estados do Brasil ou dos países do Mercosul . E nos 25 mil metros quadros do Serra Park, os organizadores celebraram a presença de 2.700 marcas expostas vindo dos quatro cantos do Brasil e de 65 destinos internacionais. Mostrando eficiência e produtividade, a FESTURIS teve também como destaque mais de 4 mil agendas de reuniões que geraram novos recordes de faturamento para os participantes.

Gramado e seus moradores são o primeiro fator de sucesso

Se o sucesso de FESTURIS se deve a vários fatores, o primeiro é sem dúvida a própria cidade de Gramado. Assim como Deauville para a  antiga Top Résa, Cannes para o ILTM, ou Marrakech para Pure Life Experience, Gramado oferece para o seu maior evento um quadro perfeito. São infraestruturas reunidas num espaço pequeno que facilitam os deslocamentos, hotéis de todos os níveis de conforto mas todos de qualidade, um palácio dos festivais  e um centro de convenções extremamente prático. Mas importante ainda para o viajante é a visível apropriação pelos moradores da vocação turística da cidade. Alem de limpeza e segurança, os Gramadenses oferecem aos visitantes um atendimento e um respeito que fazem das ruas da cidade locais aconchegantes onde multiples animações podem ser oferecidas.

O espaço Wedding foi um dos lançamentos mais bem sucedidos

Iniciada pelos organizadores há alguns anos, a segmentação das ofertas foi sem dúvidas uma visão de futuro. O turismo de niche e a procura de experiências especificas é uma grande tendência desses últimos anos, e FESTURIS soube responder com espaços personalizados respondendo as especificidades dos expositores de cada atividade ou segmento.  Ao tradicional Espaço Luxury, se somaram os espaços Termalismo e Bem-Estar, Viagem pela Cultura e Costumes, Business, Tech e Corporativo, Sustentabilidade e Acessibilidade, Entretenimento, Gastronomia, um muito concorrido salão Wedding e uma ampla area para o turismo LGBT. Esses espaços, bem como os potenciais de outras ofertas temáticas ou de outros segmentos de mercado, contribui muito ao sucesso de FESTURIS 2019.

No jantar do Guilherme Paulus, Eduardo Sanovicz, Magda Nassar, Newton Cardoso, Caroline Putnoki e Jean-Philippe Pérol

Durante as solenidades  da festa de abertura, nas emoções das entregas dos Troféus Amigos do Festuris, no concorrido e sofisticado jantar que Guilherme Paulus organiza no Saint Andrews, nas palestras ou nas mesas redondas da “Meeting Festuris”, nos encontros casuais nos corredores da feira, Marta Rossi e Eduardo Zorzanello souberam também criar um clima descontraído e profissional que atrai cada vez mais os lideres e os influenciadores do trade. Na competição entre as grandes feiras de turismo do Brasil, onde destacam-se outras fortes lideranças brasileiras como Carolina Perez, Luciana Leite e Magda Nassar, a capacidade de gerar encontros, debates, palestras e discussões informais, contribuindo assim a entender e definir as grandes tendencias do mercado, é hoje para FESTURIS um fator importante de sucesso.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Os cruzeiros apostando agora na sustentabilidade

Os veleiros da Star Clippers, campiões de sustentabilidade

Quase dobrando em dez anos, o mercado dos cruzeiros deve chegar este ano a 30milhões de pessoas, divididos em mais de 300 navios, dos charmosos veleiros da Star Clippers até os cada vez mais impressionantes gigantes da MSC Cruzeiros ou da Royal Caribbean. Construído em Saint Nazaire – o mesmo estaleiro francês que entregou em dezembro o badalado MSC Grandiosa -, o  Symphony of the Seas,da Royal Caribbean, atinge 362 metros de comprimento e 66 metros de largura. Para hospedar e divertir os 6314 passageiros, tem 2745 cabines, 20 restaurantes, 30 bares, 11 piscinas, simuladores de ondas para surfe, dois teatros, dois spas, um casino, um minigolfe, e uma pista de patinação, com 2394 tripulantes cuidando do conforto e da segurança de todos. Mais de 100 outros navios serão entregues até 2027, um investimento de US$ 65 milhões para uma capacidade de 130 mil cabinas.

O impressionante crescimento dos cruzeiros na China

O sucesso dos cruzeiros se mede também pela diversificação da clientela. Enquanto os norte americanos representavam mais de 90% dos 7 milhões cruzeiristas do século XX, essa proporção baixou para 83,9% em 2006, 69% em 2011 e menos de 50% hoje. Ainda predominantes, muito cortejados, o mercado dos Estados Unidos continua crescendo mas sem o dinamismo dos mercados europeus e asiáticos. Na Europa, os alemães e os ingleses já são 2 milhões a escolher cruzeiros para suas férias, abandonando talvez  em contrapartida grandes destinos na França ou na Itália que sofrem com essa concorrência. No outro lado do mundo, a China triplicou em cinco anos como mercado emissor, chegando esse ano a mais de 2,5 milhões de cruzeiristas. O Brasil também é destaque, com 16% de crescimento em 2019, 670 mil  cruzeiristas e boas perspectivas tanto nacionais como internacionais.

Os gases tóxicos são a principal preocupação dos moradores dos portos

Tamanho desempenho não podia não chamar a atenção sobre o impacto ecológico desses gigantes do mar. Com exceção de raros veleiros, os navios de cruzeiros são movidos a combustível pesado, um óleo quase bruto, barato, pagando pouquíssimos impostos, e extremamente poluidor. Chegando a queimar mais de 300 mil litros por dia, essas embracações são assim alguns dos maiores responsáveis pelas emissões de óxido de enxofre (segundo uma recente pesquisa da ONG T & E, os 94 navios da Carnival teriam emitidos em 2017 dez vezes mais desse gás tóxico que os 260 milhões de carros da União Européia), bem como de óxido de azoto e de partículas ultrafinas. Mais do que o despejo no mar de aguas não tratadas – hoje proibido pela Cruise Lines International Association (CLIA) -, são essas emissões de gases emitidos até nos portos 24 horas por dia que preocupam  ecologistas e autoridades sanitárias.

Cannes exige o respeito de um código de sustentabilidade

Frente a essas críticas, e para antecipar tanto as novas normas adotadas pela OMI (o regulador das Nações Unidas) que a multiplicação das areas de emissão “controladas” na América do Norte, no mar Báltico, no mar do Norte e em alguns portos do mar Mediterrâneo, as companhias de cruzeiros já estão reagindo. Segundo a CLIA, investimentos de US$ 6 bilhões já foram decididos para diminuir as emissoes de carbono dos motores atuais e para utilizar a energia elétrica fornecida pelos portos durante as escalas. Marselha anunciou assim que quer ser o primeiro porto 100% elétrico até 2025. A médio e longo prazos, os motores híbridos, ou funcionando com gás natural liquefeito (GNL), são a solução escolhida por várias companhias. Dois navios desse tipo, o Aida Nova e o Costa Smeralda, já estão navegando e 20 outros já foram encomendados.

O Roald Admunsen quer ser ecologicamente exemplar

As preocupações de sustentabilidade das grandes companhias de cruzeiros vão agora alem da redução das emissões de gas. A MSC está programando um objetivo “zero carbone print”, acreditando em novas tecnologias e com investimentos compensatórios em projetos carboneutros de grandes entidades internacionais. A Norwegian Cruise anunciou o fim dos plásticos de uso único nos seus navios, e Hurtigruten quer fazer do seu híbrido  “Roald Amundsen” um exemplo de boas práticas nas suas rotas polares. Mostrando que a sustentabilidade deve incluir responsabilidades globais, algumas companhias de cruzeiros  estão participando dos programas da Travel Corporation’s Treadright Foundation. Com importantes realizações, mas ainda com importante caminho a percorrer, o setor afirma agora ser convencido de fazer os investimentos necessários para atingir a exemplaridade ambiental e social que o sucesso requer.

Jean-Philippe Pérol

Em Tóquio, depois do Mundial de rugby, que venham os Jogos Olímpicos!

O Japão brilhou no campo e nas arquibancadas do Mundial de Rugby

Além de uma brilhante participação da sua seleção nacional, o Japão mostrou durante a última Copa do Mundo de Rugby que era um perfeito organizador de grande eventos esportivos. Pela enormee satisfação dos observadores do Comitê Olímpico, os organizadores souberam gerenciar as perturbações e os cancelamentos de jogos trazidos pelo furacão Hagibis. O Comité de Organização japonês constatou com satisfação que todas as entradas foram vendidas e que os estádios ficaram sempre cheios, mesmo nos jogos de menor expressão. Os jornalistas ficaram impressionados pelo fair-play dos espectadores que chegaram até a cantar os hinos nacionais dos adversários, e a policia conseguiu evitar qualquer distúrbio, resolvendo com tranquilidade os poucos casos de excesso de torcedores baderneiros.

O beisebol vai voltar nos JO depois de 12 anos

A abertura oficial dos Jogos Olímpicos de 2020 será no dia 24 de Julho (mesmo se os primeiros jogos de futebol serão dia 22), e as provas serão divididas entre nove áreas, sendo as duas mais importantes em Tóquio: a “Heritage Zone”,  que utilizou os prédios e as instalações renovados dos Jogos de 1964, e a “Bay Zone” que foi projetada para ser um modelo de desenvolvimento urbano criativo e inovador. Fora da capital, os sítios olímpicos incluem o Sapporo Dome na ilha de Hokkaido e o famoso Azuma Baseball Stadium de Fukushima que deve receber as provas de baseball/ softball, um dos cinco novos esportes destas olimpíadas – os outros são o skateboarding, o “sports climbing,” o surfe e o localmente esperadíssimo karaté.

Nove sítios olímpicos vão receber as provas

Sobre um total de 7,8 milhões de entradas, as primeiras vendas foram reservadas aos moradores, mas nesse último mês de agosto mais de 2 milhões já foram colocadas à venda nos mercados internacionais por meio de revendedores autorizados.  No Brasil foi nomeada a Match Hospitality,  com três subdistribuidores, a Ambiental Travel Experience, a Century Travel e a Quickly Travel.  Muito atento a transparência das compras e vendas, o Comité Olímpico proibiu completamente a revenda de entradas a não ser num site oficial que será aberto exclusivamente para este fim em abril de 2020, com os preços limitados aos valores faciais e um handling-fee predeterminado. E para quem não conseguir entradas, 30 Live Site” serão abertos aos tprcedores no Japão inteiro, com retransmissão ao vivo das provas, dos eventos culturais e das animações esportivos

Os preços dos hotéis capsula vão aumentar de até cinco vezes durante os JO

Com a expectativa de receber 10 milhões de turistas, as disponibilidades e as tarifas de hospedagem são as maiores preocupações de todos. Até nos “hotéis capsula”, com seis quartos de menos de quatro metros quadrados, as tarifas explodiram, passando de uma média de US$ 20 a mais de US$ 100 por noite. Nos hotéis tradicionais, os preços subiram também, e a estritas regras de segurança impossibilitam de prever três ou quatro hóspedes em quartos vendidos em single ou double. Para resolver a falta de apartamentos, a AirBnb aumentou muito a sua oferta, e alguns navios de cruzeiros deverão ser usados como hotéis flutuantes: a JTB já fretou o Sun Princess e negocia coma MSC o fretamento o MSC Lírica. Alternativas originais já estão sendo aproveitadas, como os “Love hotels” (os seguros e confortáveis motéis japoneses), ou até os Internet cafés, que oferecem normalmente pacotes de pernoites baratos para os moradores que perdem o seu último trem. 

Paris e 7 cidades francesas receberão a Copa de Rugby 2023

Copa do Mundo de Rugby e Jogos Olímpicos, o desafio de organizar dois eventos tão importantes dois anos seguintes vai atrair as atenções de turistas, esportistas, jornalistas e profissionais do mundo inteiro. Com a mesmo sequência chegando em 2023/2024, Paris vai com certeza tentar aproveitar da experiencia (certamente bem sucedida) dos dois comités organizadores japoneses, com o múltiplo desafio de uma perfeita organização esportiva, da satisfação dos visitantes, de um controle de custos eficiente, e da apropriação dos eventos pelos moradores- hoje japoneses e amanhã parisienses .

Depois de Tóquio, Paris será pela terceira vez a capital olímpica

O turismo espacial já está chegando!

Hoteis só para mulheres podem virar tendência?

 

A Ásia lidera a tendencia de hotéis exclusivos para mulheres

Quartos de hotéis só para mulheres já foram adotados há anos pelos marqueteiros, mas essa tendência foi reforçada desde 2014 pelo número crescente de mulheres viajando sozinhas. Segundo a Organização Mundial do Turismo, esse número passou de 59 milhões a 138 milhões em três anos, com um destaque para os mercados da Europa onde o crescimento é espetacular e onde as ofertas estão se multiplicando. São por exemplo sites de hospedagem exclusivamente femininos. Na França Christina et Derek Boixiere abriram em abril desse ano www.la-voyageuse.com, com oferta de quartos para alugar ou de apartamentos para dividir, e na Inglaterra existe agora www.maiden-voyage.com , um site especializado em apresentar soluções as numerosas mulheres viajando sozinha para negócios.

O hotel Bella Sky Comwell tem um andar inteiro de quartos para mulheres

Na Dinamarca, o hotel Bella Sky Comwell reservou todo o décimo sétimo andar para mulheres. Os quartos têm secador de cabelos Dyson, lixas de manicure e amostras de produtos de tratamento de pele. Mesmo por ter perdido um processo por discriminação e ter que abrir as reservas para os homens, o hotel continua de oferecer os vinte quartos feminizados. Em Vancouver, no Canadá, o Georgian Court Hotel tem um andar com 18 quartos exclusivos para mulheres. Além de segurança reforçada, os apartamentos oferecem tapete de ioga, cabides de cetim e amenities especificos. Ainda no Canadá, o International Hotel de Calgary reservou um andar para sua clientela feminina, com tapete de ioga no quarto, chapinha de cabelo no banheiro e garrafa de vinho branco no minibar. E para recusar de antemão qualquer acusação de discriminação, o International Hotel reservou um outro andar só para homens.

A Índia continua a ser pioneira em hospedagem para mulheres

Na Índia, as mulheres que viajam valorizam muito a tranquilidade e a segurança. Desde 2005, o grupo ITC oferecem andares exclusivos em todos os seus hotéis. A cadeia de luxo Lemon Tree Hotels  têm áreas reservadas para as mulheres nas 19 unidades da rede, aonde elas encontram não somente uma segurança reforçada mas também grandes espelhos, ou cofre para joias, e ainda podem pedir táxis com motoristas mulheres. Em Nova Deli, o Leela Palace New Délhi abriu o Kamal, um andar seguro exclusivo para mulheres, com acesso particular para o spa e uma hora de tratamento de cortesia. No Kerala, a sociedade de desenvolvimento do turismo (KTDC) abriu em Thiruvananthapuram o “Hostess”, o primeiro hotel não somente exclusivo para mulheres, mas onde o pessoal é exclusivamente feminino.

A segurança é o primeiro requisito das mulheres que procuram hotéis exclusivoe

Outros países da Ásia entraram na onda das acomodações exclusivas de mulheres. Em Cingapura, o hotel Naumi recebe seus hóspedes no bairro central dos negócios,  personalizando os quartos para mulheres com produtos de aromaterapia. No bairro de Wanchai em Hong Kong, o Fleming personaliza os banheiros com  kit de maquiagem e aparelhos para massagear as pernas. O Lotte Hotel Seoul na Coreia do Sul, e o,hotel Hongta em Xangai na China têm andares exclusivos para mulheres. Em outros destinos, hotéis inteiros são reservados para mulheres. É o caso do Bliss Sanctuary  na cidade de Seminyak em Bali na Indonésia. No Japão, perto de uma estação de trem de Tóquio, o hotel Nine Hours Woman Kanda é o primeiro de país a aceitar exclusivamente uma clientela feminina.

O hotel Som Dona, na Ilha de Majorca, na Espanha

A Espanha, que já mostrou o espírito inovador dos seus hoteleiros com os hotéis Axel “heterofriendly”, insistiu na criatividade com o hotel Som Dona Women only. Localizado perto de Porto Cristo na ilha de Majorca, aceita somente mulheres de mais de 14 anos. Com 39 quadros, uma piscina, um spa, uma biblioteca e um terraço em cima do telhado, esse hotel de 39 quartos de quatro estrelas criou um novo espaço para as mulheres que querem desconectar do estresse da rotina cotidiana. O bem estar da clientela feminina é a primeira preocupação do hotel, com foco no bem-estar – massagens, tratamento de beleza, jacuzzi e solarium – e na gastronomia – com pratos equilibrados e produtos vindo da  agricultura sustentável local. Da Espanha, a moda dos hotéis reservados para mulheres pode chegar à América do Sul ?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Chegou a hora do “demarketing”?

O caminho Inca que leva somente 500 pax por dia para Machu Picchu

Mais de 1,4 bilhões de turistas viajaram pelo mundo em 2018, e, segundo a Oraganização Mundial do Turismo, serão 1,8 bilhão em 2030. Um crescimento que apavora muitos destinos, seja porque não possuíam as infraestruturas necessárias, seja porque os moradores já acham viver uma situação de overturismo. Para alguns especialistas, chegou a hora do “demarketing”, esse conceito inventado em 1971 por Philip Kotler e Sidney Levy que afirmavam que as superabundâncias podem ser tão problemáticas quanto as penúrias. Esses dois pesquisadores definiram então o demarketing com uma especialidade do marketing visando a desanimar os clientes – ou alguns segmentos- de consumir temporariamente ou definitivamente um produto ou um serviço. Já muito utilizado em setores como o cigarro, o álcool, ou o jogo, a demarketing chegou ao turismo.

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As famosas letras, agora deslocadas, do painel I am-sterdam

As estratégias de de-crescimento do demarketing seguem as mesmas receitas que o marketing tradicional e os “4P” (promoção, praça, produto e preço).  Num território que não consegue mais administrar os fluxos de visitantes e cujos atrativos estão saturados, a primeira sugestão  é de reduzir ou até de parar qualquer tipo de promoção. Isso foi experimento há pouco pela Holanda cujo órgão oficial de turismo decidiu que concentraria seus esforços na gestão dos destinos e não na promoção. Só serão agora promovidas em nível internacional as regiões desconhecidas, uma decisão que vem depois de outras como a promoção exclusiva da baixa estação, a relocalização das famosas letras « I am-sterdam » e a sensibilização dos turistas aos comportamentos inconvenientes.

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O demarketing pode também ajudar algumas praças ou alguns lugares que sofrem de overturismo e onde o meio ambiente é ameaçado. Foi assim que o famoso Vale de Jackson Hole, no Wyoming, pede aos visitantes de não indicar as coordenadas exatas das suas fotos mais atraentes e de utilizar uma localização genérica. Nas Filipinas, o sítio de Puerto Princesa, tombado pela UNESCO, retirou os lugares mais frágeis dos roteiros e dos mapas produzidos pelo Ministério do turismo.  Uma outra estratégia mais conhecida de demarketing é a imposição de cotas de visitantes, uma medida já existindo há anos nas trilhas do caminho inca em Machu Picchu, hoje utilizada por vários destinos como o Parque nacional da Península Bruce, no Ontário ( Canada). E a cobrança ou o aumento de tarifas, tradicionalmente exclusivo dos lugares privados, está hoje cada vez mais comum em áreas públicas.

Com menos entradas de turistas, a França reforça sua escolha pelo “melhor turismo”

O demarketing pode certamente ser uma opção para gerenciar os fluxos nem sempre controlados. É, porém, uma solução de desespero, e as receitas perdidas podem faltar a economia local. Antes de chegar a essa solução radical, uma boa planificação dos fluxos de visitantes pode ser suficiente para antecipar as consequências do sucesso de um destino. Foi a estratégia escolhida na França há duas décadas, quando a então Maison de la France lembrava que o “melhor turismo” deveria  prevalecer sobre o “mais turismo”. A prioridade  não era de aumentar os fluxos, mas de melhorar as receitas com visitantes gastando mais, vindo durante as baixas temporadas, visitando lugares esquecidos pelo turismo de massa e escolhendo atividades com forte valor agregado.  Hoje, em tempo de overturismo, o “melhor turismo” pode ainda ser a opção antes da difícil escolha da hora do demarketing.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Anne-Julie Dubois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat