
O som e luz de São Miguel conta a epopeia dos guaranis
Na região dos Sete Povos das Missões foram escritas muitas páginas gloriosas da história do Brasil que os moradores se orgulham até hoje de mostrar aos visitantes. O dia 11 de março de 2025 é o dia dos 384 anos da vitória missionária na Batalha de M’Bororé, ocorrida em 1641, onde 11.000 pessoas se embateram, formando a “maior batalha naval da América”. Desde 1629 os Bandeirantes atacavam as Missões em busca de mão de obra escrava nativa para suas lavouras de São Paulo e Rio de Janeiro. Durante este período os paulistas foram responsáveis pelo deslocamento de 30 reduções, 18 delas no Rio Grande do Sul, e pela morte de inúmeros nativos.

Armado e liderado pelos jesuitas, o exercito guarani mostrou sua valentia
Em 1638, com a intenção de resistir, Padres Jesuítas se esforçaram para obter armas de fogo. Com o consentimento do governador e da Real Audiência de Buenos Aires, militares espanhóis foram enviados para organizar militarmente os Guaranis. Na redução dos Apóstolos de Caazapa-Guaçú, ao lado do rio Ijuizinho, frente a indios dispostos a combater, um primeiro encontro fez com que os bandeirantes paulistas fugissem e alguns foram presos. A conclusão dos Padres da Companhia de Jesus foi que os Guaranis podiam mesmo ser organizados em eficientes milícias militares. As bandeiras eram vulneráveis, poderiam ser enfrentadas e até superadas num campo de batalha. Em 1639, depois desse sucesso e cansados de serem atacados pelos Bandeirantes, os jesuitas prepararam-se para combater. O Padre Montoya foi a Madri e conseguiu enfim a autorização do Rei para uso de armas de fogo, bem como a compra de 300 fuzis e de um canhão.

Quadrinhos contam a surpresa dos bandeirantes e dos seus aliados tupis frente a frota dos guaranis
Enfurecidos com a derrota de Caazapa-Guaçú, os Bandeirantes resolveram então fazer um grande ataque as Missões, que neste momento estavam do outro lado do território, onde hoje é Argentina. A Batalha de M’Bororé foi a maior batalha naval da América e localizou-se no rio Uruguai, entre o arroio Acaraguá (Argentina) e o território onde hoje estão os municípios de Porto Vera Cruz (Brasil) e de Panambi (Argentina). Cerca de 6800 pessoas das forças Bandeirantes, entre mamelucos e tupis, atacaram as reduções. A força jesuítica-guarani se preparou de forma decisiva. 4200 guaranis receberam instrução militar dos Irmãos e ex-militares João Cardenas, Antônio Bernal e Domingos de Torres. As operações foram dirigidas pelo Padre Romero. As forças defensoras eram dirigidas pelos Padres Cristovão Altamirano, Pedro Mola, João de Porras, José Domenech, Miguel Gomez e Domingo Suarez.
O Capitão General foi Nicolau Nenguirú (cacique da redução de Concepción) auxiliado pelos capitães Inácio Abiarú, (cacique da redução de Nossa Senhora de Assunção do Acaraguá), Francisco Mbayroba (Cacique de São Nicolau), e o Cacique Arazay de San Javier. A batalha ocorreu dentro do rio Uruguai por 3 dias seguido e depois os ataques continuaram por terra. Os cerca de 250 sobreviventes das forças Bandeirantes chegaram a São Paulo somente dois anos depois. A vitória dos missionários foi tão importante que as forças Bandeirantes jamais retornaram a atacar as reduções, mudando sua política expansionista para a busca das minas de ouro e diamante nas Minas Gerais e no oeste brasileiro.

Na entrada de São Miguel, a cruz e o grito do Caminho das Missões
Visitar as Missões, e conhecer esta e outras histórias do início da cristianização do Brasil, é um verdadeiro mergulho nesse Patrimônio Cultural Mundial único que é a encantadora Ruína Jesuítica-Guarani de São Miguel. O visitante pode seguir o Caminho das Missões, visitar outras pontos chaves do patrimônio nacional, incluído museus e casas de cultura, e, para quem procura espiritualidade, rezar no Santuário do Caaró, local que marca a morte de 3 Santos da igreja e que tradicionalmente ocorrem milagres de curas, especialmente de câncer. Em toda a região dos Sete Povos das Missões, as marcas da vitória de M’Bororé contribuem para a cultura e o orgulho dos moradores.
José Roberto de Oliveira
Maiores informações se pode obter nos sites www.pousadadasmissoes.com.br www.caminhodasmissoes.com.br











































