Um vulcão islandês (re)lembra a fragilidade do turismo

A lagoa azul ameaçada pelo vulcão Sundhnjukagigar

No Sul da Islândia, o resort Blue Lagoon é um dos mais procurados cartões postais da ilha com suas piscinas naturais de águas cristalinas e quentes cercadas de rochas negras e seus SPA famosos pelos eficientes tratamentos aproveitando a alta concentração de algas e sais minerais, mas nas últimas semanas, enquanto os profissionais da região estavam projetando uma temporada de sucesso, uma corrente de lava obrigou a uma evacuação emergencial de todos os quase mil hóspedes. Enquanto os vulcões da Península de Reykjanes pareciam adormecidos há 800 anos, vários sinais já tinham sido anotados desde 2021, e as recentes erupções obrigaram a evacuar também a cidade próxima, Grindavik, ameaçada, tanto pela lava do Sundhnjukagigar quanto pelos riscos de terremoto.

Grindavik ainda é ameaçada pela lava e pelo terremoto

Com essa ameaça e com o fechamento da Lagoa Azul, os turistas estão abandonando toda peninsula de Reykjanes onde vinham não somente para aproveitar as águas quentes mas também os concorridos pontos de vista para as espetaculares auroras boreais. Vários hotéis tiveram que fechar ou procurar alternativas para manter uma atividade para seus funcionários, mas a preocupação dos responsáveis do turismo na região é saber se o atual desastre natural não vai impactar todo o ecosistema da Lagoa, a energia geotérmica gerada pelo vulcão, e a beleza do local que atrai milhares de viajantes vindo da Europa, Estados Unidos e mesmo do Brasil.

Aurora boreal na peninsula de Reykjenes

Para Islândia, o impacto da erupção vai muito além da península de Reykjenes: as consequências da erupção são perceptíveis em todas as atividades turísticas da ilha. Desde novembro, as autoridades estão medindo uma queda significativa no número de turistas entrando no país. A companhia nacional, Icelandair, também avisou que está enfrentando um impacto negativa nas reservas. A companhia low-cost Play fala até de um congelamento dos pedidos para o destino desde as primeiras notícias sobre a erupção. Por medo de ampliar mais ainda o problema, e criticando o alarmismo da mídia internacional, ninguém publicou números sobre os cancelamentos ou sobre os prejuízos financeiros do setor.

A Islândia sempre soube mostrar criatividade na sua comunicação

Sempre brilhantes e criativos no marketing deste pequeno país que fez do turismo uma das suas atividades principais, os profissionais da Islândia devem levar em conta o paradoxo da situação atual, os danos causados pelo vulcão enquanto a grande peculiaridade do destino é justamente um turismo de aventura em torno dos seus mais de 100 vulcões e dos seus ecosistemas de águas quentes, de pedras, de gêiseres e de geleiras. Sem esta natureza brava, é provável que o turismo islandês não seria o mesmo. Além da Islândia, o vulcão Sundhnjukagigar vem também lembrar para os profissionais do mundo inteiro que, por mais que a retomada do setor seja agora consolidada, o turismo continua sendo uma atividade extremamente sensível a todas as crises, sejam elas sanitárias, politicas, militares ou naturais.