Destinos turísticos e gastronomias regionais, os sucessos interligados

 

Degustação de ostras no Etang de Thau

Degustação de ostras no Etang de Thau

A gastronomia e as bebidas locais enriquecem o patrimônio turístico e são sempre parte das campanhas promocionais, como sendo experiências-chave para aproveitar um destino. Uma boa chucrute vai ser um grande momento de uma viagem para Estrasburgo, um Grand Cru degustado no Bar da Praça de Saint-Emilion justificará uma viagem para Bordeaux, um copo de Chablis com uma “gougère” será um parada obrigatória na Borgonha, uma cavaquinha grelhada frente ao porto de Saint-Tropez ficará como a sua melhor imagem da Côte d’Azur, bem como um prato de ostras na beira do Etang de Thau agregará a noite inesquecível que vai lhe fazer lembrar para sempre sua viagem para Montpellier.

Paul Bocuse em Lyon, capitale francesa da gastronomia

Paul Bocuse em Lyon, capital francesa da gastronomia

Para 67% dos viajantes, a gastronomia é um critério importante para selecionar o seu destino, sendo sempre entre os dez mais citados. E para os brasileiros, a culinária francesa é a quinta razão mais lembrada para justificar uma viagem para França, 59% deles colocando experiência gastronômicas nos seus roteiros. Os sucessos  recentes de Lyon ou de Bordeaux junto aos turistas vindo do Brasil se devem sem dúvidas em grande parte para a primeira ao prestígio do Paul Bocuse, das suas grandes mesas estreladas (ou dos seus pequenos “bouchons”), e para a segunda a justificada fama dos vinhos de Pomerol, de Côtes de Bourg, de Pessac Leognan ou de Margaux.

O Rosé , seduzindo por ser o espirito da Provence

O Rosé, seduzindo por ser o espírito da Provence

Se é então indiscutível que a culinária reforça a atratividade dos destinos, não se deve subestimar o quanto a imagem de um destino pode ajudar na divulgação dos produtos regionais. O exemplo mais famoso é talvez o Rosé de Provence. Produzido há mais de dois milênios, esse Rosé é hoje um sucesso mundial, 141 milhões de garrafas, 16 milhões das quais são exportadas (1,7% no Brasil). Esse sucesso se deve talvez à qualidade das suas uvas, ao charme das suas cores, ou a originalidade dos seus aromas. Mas, quem gosta desse vinho gosta antes de tudo da Provence. Beber esse Rosé com alguns amigos em dia de sol é beber a Provence, beber as oliveiras, os campos de lavanda, beber os jogadores do “bocha” na praça do vilarejo ou o canto das cigarras. A força da imagem da região deu ao seu vinho um prestígio que o transformou.

A Volvic no Japão, ligando sua imagem com os vulcões da Auvergne

A Volvic no Japão, ligando sua imagem à dos vulcões da Auvergne

Muitos pratos ou produtos das gastronomias tradicionais devem sua popularidade à atratividade das imagens dos seus países ou das suas regiões de origem, consolidadas através do turismo, de lembranças de férias ou de festas inesquecíveis. Na França, é assim que a Córsega exporta os seus embutidos, a Britânia sua cidra, a Auvergne suas águas minerais, o Pais Basco o seu queijo de ovelha, ou os Alpes sua “fondue” ou seu Genepi. Exemplos que mostram que se a gastronomia é um grande atrativo dos destinos, o sucesso turístico pode também ser um grande atrativo para a divulgação de gastronomia de um território.

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

A influência dos destinos sobre a valorização das suas respectivas culinárias é ainda mais forte quando se trata de viajantes ou de consumidores com raízes familiares. E, devo confessar que a minha paixão pelo “Pâté de pommes de terre”, que eu já dividi com amigos em Nova Iorque, Quito, Manaus ou São Paulo, se deve muito mais ao meu amor e ao meu orgulho das minhas origens na Auvergne que pela qualidade gastronômica dessa torta de batatas coberta de creme de leite. Mais um destino que soube ajudar a popularizar a sua culinária!

Jean-Philippe Pérol

Chablis com "Gougère", o pão de queijo a francesa

Chablis com “Gougère”, o pão de queijo à francesa

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

De Napoleão a Paoli, a Córsega turística juntando seus dois patrimônios históricos

Corte

Corte, capital do efêmero Reinado Corso no século XVIII

Talvez a menos conhecida e a mais secreta das grandes ilhas do Mar Mediterrâneo, a Córsega é a terra natal de um dos maiores personagens da Historia da França – e provavelmente um dos mais famosos na Europa, nas Américas e no mundo. Napoleão Bonaparte é conhecido também no Brasil por ter sido responsável da fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro e assim, de forma indireta, do inicio do processo histórico que levou a Independência do Brasil. Um general e estadista, imperador dos franceses, que por pouco não se tornou um destaque ainda maior da História do Brasil, caso tivesse sucesso com um plano de fuga de Santa Helena projetada em 1817  pelo seu irmão Joseph, com a cumplicidade de autoridades americanas e dos republicanos  da Revolução Pernambucana.

A estatúa do Napoleão na Praça Foch em Ajaccio

A estátua do Napoleão na Praça Foch em Ajáccio

O viajante atraído pela herança cultural do Napoleão será fascinado pelo patrimônio, pelos eventos, pelos museus ou as exposições referente ao herói. Em Ajáccio, onde ele nasceu, encontrará  a Maison Bonaparte, o Palácio Fesch ou a gruta do Napoleão. Mas a descoberta do legado cultural do mais famoso do corsos pode levar a muitas outras cidades imperdíveis ou lugares de destaque como a cidadela de Calvi por onde passou em 1793, o Museu da Córsega em Corte – capital histórica da Ilha onde ele começou sua carreira política ,  a cidade de Cargese onde a sua mãe Laetizia passava o verão, ou as trilhas do Monte Rotondo onde ela jurou que seu filho seria o vingador da Córsega independente vencida em 1769 pelas tropas reais.

Morosaglia, cidade onde nasceu Pascal Paoli

Morosaglia, cidade onde nasceu Pascal Paoli

Mito global, o Napoleão não é porem a única figura emblemática da Córsega. Frente ao  grande herói corso Pascal Paoli, ele ganha em popularidade (57% contre 43%) mas perde (39% contre 61%) quando se trata da importância de cada um na história da Ilha. Para os nacionalistas corsos, Paoli é o pai da Pátria (Babbu di a Pátria na língua corsa), e  os seus itinerários turísticos não podem perder Morosaglia, onde ele nasceu, Corte, onde estabelece a sua capital, Bastia, onde ele voltou do seu primeiro exílio, ou Ponte Novo, onde ele perdeu sua ultima batalha. É para interligar os acervos dos dois heróis que as autoridades da Ilha lançaram o projeto Paoli – Napoleão, juntando seminários e pesquisa históricas com novas rotas turísticas mostrando a validade do patrimônio corso ligado tanto a Pascal Paoli que a Napoleão Bonaparte.

O antigo porto de Bastia a noite

O antigo porto de Bastia a noite

Reconciliando os dois patrimónios  até hoje antagonistas, a Córsega quer dar um novo impulso a seu turismo cultural. Aproveitando a gloria do jovem Napoleão, futuro jacobino e imperador francês, cuja gloria fascina até hoje no mundo inteiro, os seus dirigentes querem ajudar os viajantes a descobrir o despotismo esclarecido e o Iluminismo então inovador do nacionalista Pascal Paoli. Dando uma nova dimensão ao turismo na Ilha, o melhor conhecimento dos seus dois acervos históricos e culturais será também uma excelente introdução a ricos encontros com numerosos moradores – pastores, criadores de porcos, fabricantes de perfumes, artesãos, pedreiros, historiadores ou músicos – que fazem perdurar a peculiaridade da Córsega, para a alegria dos seus visitantes.

Jean-Philippe Pérol

As "Journées napoléoniennes" em Ajáccio

As “Journées napoléoniennes” em Ajáccio

Na França: quantos beijos?

 

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O famoso “Baiser” do Doisneau, mas não era mesmo uma  “bise”

Na França , entre os dias 21 de janeiro (Dia internacional dos carinhos) e 14 de fevereiro (Saint Valentin, seja o Dia dos Namorados francês), os beijos são um do momento. E mais ainda que beijos de amor, são os beijos repetidos para amigos ou conhecidos que chamam a atenção dos visitantes internacionais. A  França surpreende não somente pelas numerosas ocasiões de se beijar – uma tradição que os ingleses, os americanos ou os japoneses têm dificuldade para entender- , mas também pela dificuldade a saber qual é  o exato ritual para ser seguido?

A “bise” não tem uma regra única. Cada região ou cada território tem suas tradições quanto ao numero de beijos a ser trocados bem como ao lado a ser beijado primeiro. O numero mais frequente é dois. É o caso das regiões de Bordeaux, de Toulouse, de Lyon, de Nice, de Paris, bem como na Auvergne, ou nas ilhas do Caribe francês e da Guiana. Nantes, capital dos 4 beijosA Bretanha mostrou mais uma vez sua especificidade. Quem vai para sua costa Oeste ter que dar somente um beijo, enquanto em Nantes, antiga capital do Ducado, o certo é beijar quatro vezes. A mesma tradição de quatro beijos encontra-se na Vendée, na Normandia, na Champagne e em boa parte da Borgonha que dividam assim o título de regiões mais beijoqueiras da França. No Centro Sul, em Avignon e na região de Montpellier, a tradição parou em três beijos. Nota-se enfim que a Córsega está com dois, mas que tem lá 18% de partidários de cinco!

Numero de beijos a dar em cada departamento

Numero de beijos a dar em cada departamento

O mapa dos beijos na França ganhou credibilidade e notoriedade nos últimos dois anos quando o site combiendebises.com publicou os resultados de uma pesquisa nacional sobre as maneiras francesas de se cumprimentar. Kiss-KissCom mais de 100.000 respostas recolhidas em mais de cinco anos, os resultados destacaram não somente o número de beijos mas também o lado – esquerdo ou direito – onde se devia dar o primeiro beijo. Nesse ponto as regras parecem mais simples, o primeiro beijo sendo de forma esmagadora dado do lado direito no Norte, no Oeste e no Centro da França bem como no Caribe francês, com exceções da Normandia e das regiões fronteiriças com a Suíça. No extremo Sul, dos Pirenéus até a Riviera francesa, bem como no vale do rio Rhône e nos Alpes, deve-se começar pelo lado esquerdo.

Lado para dar o primeiro beijo

Lado para dar o primeiro beijo

O respeito das tradições exige também de saber quem deve ser cumprimento com beijo(s). Nesse ponto os franceses são generosos, um choque para os visitantes ingleses ou americanos que, talvez por confundir com “French kiss”, têm dificuldades a aceitar esse “social kissing”. Beija-se amigos, amigos de amigos, e colegas de trabalho. Beijos na ProvenceBeijos para o sexo oposto, outrora exclusivo de mulheres ou familiares, também se generalizou para os homens, pelo menos para os amigos do peito, adotando uma tradição muito forte em Marselha e na Córsega. O sucesso desse mapa dos beijos faz lembrar que já foi publicado no Brasil o mapa tipo “Carte des bises” à brasileira, um mapa que poderia talvez ser atualizado e divulgado para os J.O.. Rio? Dois beijos!

Jean-Philippe Pérol

 

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Nantes, sempre original, agora capital dos 4 beijos

Nantes, sempre original, agora capital dos 4 beijos

Outono na Franca: cores e sabores da Corsega!

Outono na Alsacia

Chegando do Brasil onde as matas são sempre verdes, as cores do outono francês dão entre Setembro e Novembro um toque de magia a todas as viagens. Outono na CombrailleSeja na Alsácia, na Auvergne, ou até nas florestas dos arredores de Paris (no Bois de Boulogne ou no Bois de Vincennes), os tons de amarelo, laranja e vermelho deixam as arvores com a aparência de cortinas de chamas ou de corredores de fogo. O outono é também no Sul da Franca a época dos dias ensolarados sem o calor exagerado do verão, com luzes alaranjadas e com cheiros peculiares. E na  Córsega, esse “Ilha de Beleza” recentemente destacada pelo Trip Advisor como uma das “dez mais” da Europa, o outono é o inicio duma nova temporada turística.

Outono na Corsega
A partir de setembro, os famosos castanheiros da “Castagniccia” começam a mudar de cores, e logo em seguido os camponeses iniciam a colheita da famosa castanha que, até o inicio do século XX, era a base da alimentação corsa. chataigneSaborosa e sem gluten, a farinha de castanha é hoje a base de muitos pratos da renovada gastronomia regional, inclusive numa polenta. No sul da Ilha, em Bocognano, « a fiera di a castagna » é a grande feira agroalimentar e artesanal. As tangerinas da CorsegaDo 4 ao 6 de Dezembro, a Castanha vai ser a rainha da festa, mas os outros produtos do outono serão também presentes: figos, tangerinas, cogumelos, mel do mato, brocciu, salsichões, presuntos e “copas”, azeite e os vinhos de uvas nativas: nielluccio, sciaccarello ou barbarossa para os tintos,  vermentino, biancu gentile ou codivarta para os brancos.

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Temperaturas amenas e turistas escassos fazem do outono a melhor temporada de viagem para a Córsega. Com a agua do mar ainda quente, mas com as praias vazias, é possível nadar ou mergulhar com tranquilidade, para aproveitar depois o aperitivo e o jantar num restaurante, como o Casablanca na praia de Arone, considerada a melhor da Ilha. Ajaccio, a catedralÉ também uma ótima época para visitar a capital, Ajaccio. A imperdível casa onde nasceu o Napoleão, o excepcional Museu Fresch cujo acervo foi doado pelo seu tio, e  a Catedral onde ele foi batizado  já com dois anos de idade, podem ser visitadas sem filas. E depois é sempre possível achar uma mesa na badaladíssima terrassa do “Le Lamparo” para tomar um drinque olhando para o mar.     

As matas do GR20

Mas na Córsega o outono é antes de tudo o paraíso das trilhas. São pequenas caminhadas a percorrer nas “Calanche”de Piana ou nas Ilhas Sanguinárias. arbousierMas a mais famosa é a GR20 que atravessa de ponto a ponto a “Ilha da Beleza”, um desafio a enfrentar de Norte ao Sul em 3 a 14 dias, dependendo do nível do visitante. O mais recomendado é de escolher algum trecho em função do tempo disponível, parando os vilarejos e aproveitando para descobrir os sabores e as atividades do outono. Sempre muito bem recebido – e surpreendido pela proximidade da língua corsa com o português- , automnecorseo viajante brasileiro poderá aproveitar de encontros com pequenos produtores de produtos tradicionais – mel , perfumes, queijos …, com criadores dos tradicionais porcos pretos, com pastores de cabras, ou com numerosos artistas e cantores que continuam a animar a cultura dessa Ilha francesa tão peculiar até no seu outono.

A Torre de Parata e as Ilhas Sanguinárias

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum comunicado da Agencia de turismo da Córsega publicado pela revista on-line Pagtour

De Marselha até a Córsega, as raízes gregas da França!

O porto de Cargese

Enquanto a Grécia enfrenta umas das crises mais graves da sua longa historia, é sem dúvidas a hora de se lembrar de todo o extraordinário acervo cultural que esse pais trouxe para o mundo, e mais especialmente para os países latinos, incluindo o Brasil e a França. NAVIO FOCEANONa França, a Grécia, seus deuses, seus heróis e seus filósofos fazem parte da língua, da forma de pensar, e da Historia. O próprio vinho, um dos maiores orgulhos da Franca, teria sido trazido na região de Marselha por comerciantes gregos. E ainda hoje existem várias cidades francesas onde o viajante pode encontrar as marcas dessas ligações entre os dois países. Marselha, Avignon, Agde, Antibes, Aléria ou Nice foram assim fundadas por navegadores vindo de Foceia, cidade grega -hoje Eskifoça, na costa ocidental da Turquia, e Nice se orgulha de seu primeiro nome – Nikaia, em homenagem a Nikê, a deusa da Vitoria.

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 A influencia dessas raízes gregas é mais forte em Marselha, cujos habitantes são ainda chamados de “phocéens”. A mitologia da cidade conta que tudo começou em 600 antes do Cristo, com o casamento de Protis, comandante da frota de Foceia, e da Gyptis, filha do rei gaulês da região que deu para os gregos uma área de cinquenta hectares na baia de Lacydon onde ficou hoje o “Vieux Port”. As ruínas das muralhas da cidade, do reservatório, do cemitério e do porto do período heleno podem ser visitadas no “Jardim dos vestígios”, atrás do Museu de Historia. MUCEM de MarselhaMas é na sua cultura que Marselha mostra a maior influencia da Grécia . Cidade marcada pela sua rebeldia e seu espírito de liberdade, ela é também a mais aberta para o Mar Mediterrâneo,  com o seu impressionante Museu das Culturas Mediterrâneas inaugurado em 2013.

Cargese

Menos conhecida e mais recente, a influencia grega é mais visível ainda na historia da pequena cidade de Cargese, na Córsega. A curiosa presencia de duas igrejas, uma de rito latino e uma de rito ortodoxo, dá ao turista a primeira dica sobre a presencia dos gregos, DSCN0644 - copiepresencia confirmada pelos numerosos sobrenomes característicos do local, todos gregos afrancesados (Stephanopoulos, Capodimachos, Papadakos, Zanetakos ou Xingas virando Stefanopoli, Capodimacci, Papadacci, Zanettacci, ou Exiga). Essas famílias descendem de 730 revoltados das montanhas do Peloponeso, vindo do porto de Vitylo, perto de Esparta, que fugiram da repressão turca em 1673.  Com a ajuda de Génova, que na época dominava a Córsega, conseguiram se estabelecer nessa região. Fundaram uma primeiro colónia em 1676 em Paomia, transferida para a cidade atualLa-chapelle-des-Grecs-a-Ajaccio de Cargese em 1773. Tradições religiosas, ligações com a cidade de Vitylo, e uma grande sensibilidade para as lutas pela liberdade ainda caracterizam os moradores. A 50 quilômetros da capital Ajaccio, onde foi também construída uma igreja grega, Cargese oferece para os visitantes não somente sua historia peculiar mas suas paisagens de barrancos, suas praias de areias brancas e suas águas turquesas que lembram as costas gregas de onde saíram os seus fundadores.

Jean-Philippe Pérol

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O autor desse artigo é bisneto de Charles Exiga, grego de Cargese, oficial do exercito francês que serviu na Argélia e depois na Tunísia. 

Atendendo melhor os turistas, a França vai brigar pela liderança

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Definido como prioridade nacional pelo próprio presidente da República, o turismo francês virou também um dos pontos chaves da ação do ministro das relações exteriores da França. Encerrando os Encontros nacionais do turismo, que mobilizaram durante seis meses mais de 400 profissionais do setor, Laurent Fabius quis não somente anuncia grandes ambições – 100 milhões de turistas até 2020 – mas também medidas fortes para melhorar a atendimento e os serviços oferecidos aos visitantes.DSCN0159 Destacando um turismo diversificado e de qualidade, o projeto quer dar prioridade aos setores onde a excelência francesa é reconhecida: gastronomia e vinho, turismo urbano -incluindo shopping  e vida noturna, ecoturismo,  montanhas e esportes, luxo e artesanato.
A promoção, especialmente a nível internacional, tem que priorizar os destinos já conhecidos como verdadeiras grandes marcas  de turismo : Paris, Bordeaux, Borgonha, Castelos do Loire (ver abaixo a lista completa) …. A dimensão turística dos grandes eventos culturais ou esportivos deverá ser levada em consideração e valorizada.

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 O atendimento, especialmente na chegada nos aeroportos ou nas estações de trem,  é muitas vezes considerado um ponto fraco na França. 20071216_0Foram anunciadas varias medidas, especialmente para o transporte entre Paris CDG e a capital: corredores para ônibus e táxis, tarifa fixa para os táxis, melhorias nos trens para a Gare du Nord que será também renovada e modernizada. Uma nova e única sinalização será instalada nos aeroportos, na estações e no metro. Em todos os lugares turísticos o policiamento ser reforçado com agentes falando os principais idiomas. Forte reivindicação dos  consumidores, os horários de funcionamento das lojas vai ser ampliado, inclusive aos domingos , no centro de Paris e perto das grandes estações de trem.

Pais líder em novas tecnologias, a França não é sempre percebida como tal pelos turistas. O wifi grátis será oferecido nos principais aeroportos, e o governo vai incentivar os hotéis que ainda não fizeram esse investimento a faze-lo. Para ampliar a oferta de aplicativos de ajuda, de tradução ou de informação aos turistas, uma licitação será lançada imediatamente para lançamentos no Mercado em janeiro 2015. Novas plataformas de reservas hoteleiras serão incentivadas, e as relações entre as grandes centrais e os hotéis fixadas numa lei.

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O turismo sendo uma atividade de serviços, o treinamento dos profissionais é a chave de qualquer política de qualidade. 100.000 treinamentos específicos vão ser colocado a disposição do setor. DSCN0579Muitos deles integrarão uns estágios no exterior para melhorar a pratica de idiomas – um ponto fraco do setor na França.
Uma campanha de comunicação sobre  a importância e as oportunidades das profissões do turismo será financiada pelo ministério. Para o setor ficar mais atrativo para os pequenos empresários, uma seria de medidas de desburocratização serão publicadas esse ano.

Mobilizando agora não somente os tradicionais parceiros do ministério do turismo, mas todos os atores públicos, as embaixadas e as televisões publicas, o projeto quer ver a França não somente aproveitar o incrível crescimento do turismo ( 1,560 bilhões de turistas previstos no mundo em 2020) mas também conservar a liderança nesse setor criador de empregos e de receitas internacionais em todas as regiões francesas, da Europa, ou do Caribe. luxury_0000_c_atout_france_-_leonard_de_serres_-_chateau_de_chambordSe o apoio financeiro parece ainda muita aquém do necessário, o projeto deve sem dúvida animar os atores franceses e estrangeiros do setor. Mais acolhedora, mais acessível,  mais atual, e promovida com o apoio de todos, a França será ainda mais atraente para seus visitantes.

E para nós, no Brasil, vale a pena lembrar que desses 100 milhões de turistas esperados, 1,5 milhões serão brasileiros.

 Jean-Philippe Pérol

Os destinos considerados como marcas de turismo internacionais serão os seguintes: Lyon, Lille, Champagne, Alsácia, Paris, Borgonha, Mont Saint Michel, Bretanha, Castelos do Loire, Bordeaux, Alpes, Auvergne, Biarritz, Provence, Lourdes, Côte d’Azur, Córsega, Reunião, Martinica e Guadalupe.