Parabéns, Rio de Janeiro!

Os fogos da Ceremônia de abertura

Os fogos da cerimônia de abertura

Desagradando os (numerosos) pessimistas, os Jogos Olímpicos 2016 começaram impressionando o mundo. Se certos problemas organizacionais – apartamentos inacabados ou poluição das aguas- e falhas de comunicação – os cangurus dos australianos- ainda foram destaques de algumas mídias, a imprensa internacional é unânime a destacar um sucesso de organização e  de criatividade. E se o balanço geral do imenso investimento que o Brasil escolheu de fazer ainda demorará para ser feito, dois pontos positivos já parecem ganhos.

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O New York Times destacando os pontos turísticos do Rio

O primeiro é a impressionante renovação do Rio de Janeiro, simbolizada pela ousadia e a beleza do Museu do Amanhã. Alem da fascinante obra do Calatrava, os visitantes estão redescobrindo a beleza da Praça XV e de todo o centro da cidade, anotando que Copacabana levanta a saudade do seu passado glorioso, vendo que a Tijuca é a maior floresta urbana do mundo. Turistas e moradores aproveitam as novas infraestruturas e as vias de transportes alternativas. Com o acesso facilitado pelo BRT, novos hotéis e com uma verdadeira explosão imobiliária, a Barra da Tijuca é de repente vista como a oportunidade para o Rio se transformar num Miami da América do Sul. E os investimentos feitos em treinamento de pessoal ou ensino de idiomas estrangeiros contribuirão também a melhorar os serviços oferecidos  na cidade maravilhosa.

Artistas de Parintins dando um show na ceremonia de abertura

Artistas de Parintins dando um show na cerimonia de abertura

A festa de abertura é o segundo grande sucesso do Brasil nesses primeiros momentos dos Jogos. A criatividade , a profundidade, a alegria e a perfeita realização não deveria ter surpreendido ninguém num pais capaz de organizar o Carnaval do Rio ou o Festival de Parintins. A equipe criativa formada pelos cineastas Fernando Meirelles e Andrucha Waddington, a diretora e cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Deborah Colker  conseguiu imaginar e montar um evento com conteúdo e emoção. Com um orçamento muito controlado, foram não somente mandadas duas mensagens para o mundo – a importância da ecologia e da preservação do meio ambiente solenizada na COP 21, a força e o exemplo da tão peculiar miscigenação brasileira – mas onde a alegria da musica, da dança e dos visuais também  não faltaram em nenhum instante. A força dessas imagens será agora sem duvidas um dos grandes acervos do Rio de Janeiro, “lembrado por muitas gerações”, segundo o enviado especial do diário americano USA Today.

O espaço turismo do Club France

O espaço turismo do Club France no Rio 2016

No Club France, um espaço de lazer, de convivialidade e de imersão na cultura francesa, aberto ao publico pelo Comité Olímpico Francês, e inaugurado pelo Presidente da Republica que queria marcar seu apoio a candidatura de Paris para os Jogos de 2024, o turismo francês também quis marcar presencia. Um amplo estande de informação apresenta aos visitantes as novidades dos parceiros presentes – os hotéis Accor  bem como Nice, a Provence, os Alpes, a Borgonha ou Toulouse. Uma exposição de foto da fotógrafa Maia Flor mostra também vários monumentos através de um olhar artístico carregado de emoção. A excelente reatividade dos cariocas deixa a pensar que a França, e seus grandes destinos turísticos vão também tirar um excelente proveito do sucesso desses Jogos Olímpicos – talvez até 2024 !

Jean-Philippe Pérol

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

O Le Monde fascinado pelas praias de Troncoso

No encontro dos rios Rhône et Saône, o sucesso do Musée des Confluences de Lyon

No encontro dos Rios, o Musée des Confluences

No encontro dos Rios, o Musée des Confluences

Como já demonstrado em Bilbao, Sidney, ou mas recentemente no Rio de Janeiro ou em Bordeaux, a abertura de um  museu combinando um cenário excepcional, uma arquitetura surpreendente e um acervo original pode representar um novo impulso para o turismo, mesmo para uma cidade com a fama internacional de Lyon. ONLYLYONO Musée des confluences, inaugurado em dezembro 2014 na antiga capital da Gália, confirmou essa teoria com quase um milhão de visitantes -o dobro da previsão inicial- no seu primeiro ano de abertura. Seguindo o exemplo do Guggenheim, ou do Museu do Amanha, o novo museu já faz parte dos roteiros incontornáveis, inclusive para 50.000 turistas internacionais vindo de 181 países.

Localizado perto do encontro das águas do Rio Rhône e do Rio Saône, e brincando assim com seu nome (Musée des confluences pode ser traduzido como Museu dos encontros), o Museu foi desenhado pelos arquitetos da empresa austríaca Coop Himmelb(l)au. Num bairro de Lyon em completa renovação – que já consta com vários edifícios surpreendentes-, ele já foi chamado de nave espacial, de lagarto ou de besouro, mas ganhou no final o apelido de “Nuvem de cristal”. Brasserie-des-Confluences-©Godet_0479-600x398Misturando vidro, aço e concreto, o conjunto de 11.000 metros quadrados agrega três blocos: a base, com a chegada dos grupos, os auditórios e os espaços técnicos, o cristal, com a entrada do publico e os espaços de circulação, e a nuvem, com 4 salas de exposições permanentes e 5 de temporárias. No térreo, olhando para o jardim e para as águas do rio, a Brasserie des Confluences do chef Guy Lassaussaie lembra ao visitante que Lyon é também sempre a capital da gastronomia.

Vista geral do quarto das maravilhas

Vista geral do quarto das maravilhas

Mesmo se muitos novos museus brilham mais pela arquitetura e a pedagogia que pelo acervo, o Musée des Confluences teve a sorte de herdar quatro coleções sobre zoologia, etnologia, e historia da humanidade, vindo do antigo museu de historia natural de Lyon (fundado em 1772 e fechado em 2007), do museu Guimet (1879-1978), do museu colonial de Lyon (1927-1968)  e da fundação dos missionários católicos da Propagacão da Fé. IMG_8638Um total de dois milhões de peças  dentre das quais três mil são expostas, junto com algumas compras espetaculares como um esqueleto de Camarasaurus, um dinosauro de 155 milhões de anos que foi encontrado no Wyoming e comprado por um milhão de euros, ou outros esqueletos de mamute, de lobo de Tasmânia ou de dodô. A diversidade do acervo aparece com toda a sua riqueza no “Quarto das Maravilhas” onde são expostos, com harmonia de cores e de apresentações, peças de marfim, troféus de caças e animais raros. Já reconhecida como grande destino de turismo gastronômico, a cidade de Lyon deve encontrar no sucesso desse espetacular Musée des Confluences a confirmação de uma vocação cultural  que atrai agora novos viajantes franceses e internacionais.

Jean-Philippe Pérol

A Praça Bellecour e a estatua do Luis XIV

A Praça Bellecour e a estátua do Luis XIV

 

 

Voltar a nadar no Rio Sena, as promessas dos JO 2024 para os moradores de Paris…

O Rio Sena frente a catedral Notre Dame de Paris

O Rio Sena frente a catedral Notre Dame de Paris

Enquanto a despoluição da Baia de Guanabara, que irá sediar diversas provas aquáticas durante os Jogos Olímpicos, segue como tema da imprensa internacional, e ficará provavelmente como uma promessa não cumprida pelos organizadores, Paris prometeu fazer das águas do Rio Sena um dos seus argumentos chaves para sua candidatura de 2024.baia_guanabara_botafogo Assim como seus colegas do Rio de Janeiro quando trabalharam sobre a candidatura, os responsáveis da Prefeitura de Paris estão preocupados a preparar um evento que seja não somente exemplar em termos de sustentabilidade, mas também rico em benefícios para os moradores da cidade, especialmente nas áreas de infraestruturas esportivas, transportes urbanos, e despoluição do ar e das águas.

A prefeita de Paris mostrando o logo da candidatura

A prefeita de Paris mostrando o logo da candidatura

A candidatura de Paris – cuja apresentação final, junto com aquelas de Los Angeles, Roma e Budapeste, será julgada em Lima no dia 13 de setembro 2017 – levou a prefeita Anne Hidalgo a preparar  43 medidas  reunidas num imponente projeto chamado “Os Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos , aceleradores de políticas públicas “. Com a clara intenção de convencer os parisienses de que os grandes eventos esportivos ou culturais são um meio de melhorar a qualidade de vida dos habitantes (e depois de contribuir ao crescimento econômico), O futuro bondinho olímpico de Parisa prefeita detalhou alguns exemplos mais espectaculares. Paris terá assim uma nova linha de bondinho atravessando a cidade de leste a oeste, as pistas cicláveis serão ampliadas até os subúrbios, passando de 700 a 1400 quilômetros para interligar todos os sítios olímpicos.  Misturando atividades esportivas e itinerário verde – incluindo o Bois de Boulogne e o Bois de Vincennes -,  uma trilha pedestre de 35 quilômetros dará a volta na cidade, com uma abertura progressiva a partir de 2018.

Era uma vez, a praia dos Tuileries!

Era uma vez, a praia dos Tuileries!

Para convencer os parisienses das melhorias concretas que os Jogos poderão trazer, a promessa de poder voltar a nadar no Rio Sena é sem dúvidas a mais espetacular. Lançada por vários prefeitos desde 1988, a despoluição das águas do Rio mítico e dos principais canais atravessando Paris deve começar logo em 2017. paris-plageAs atividades aquáticas seriam assim progressivamente liberadas, começando pelas competições esportivas. Durante os Jogos, as provas de natação do triathlon (1,5 quilometro) e dos 10 quilômetros de nado livre aconteceriam no rio. E, logo depois da cerimônia de encerramento, moradores e turistas poderão aproveitar várias áreas que serão reservadas para os banhistas. Se não se sabe ainda se a histórica “Plage des Tuileries” será reaberta, não tem dúvidas que o tradicional “Paris plage” virará assim uma verdadeira praia.

Remadores olimpicos na Lagoa Rodrigo de Freitas

Remadores olimpicos na Lagoa Rodrigo de Freitas

Presente durante os Jogos do Rio no “Clube France” que o Comité Olímpico francês vai animar na Sociedade Hípica Brasileira junto com Atout France, Air France e várias outras empresas francesas, a delegação parisiense dos JO 2024 poderá promover sua candidatura olhando a beleza da Lagoa Rodrigo de Freitas cujas águas, prontas para as provas olímpicas de remo, mas sem previsão para ser entregues limpas aos moradores da cidade maravilhosa, lembrarão as dificuldades de cumprir as promessas olímpicas.

Jean-Philippe Pérol

 

Ranking ICCA: Berlim, Paris e Barcelona na liderança dos eventos internacionais

Visto de Paris com o Palais des Congrès

Vista de Paris com o Palais des Congrès

Salientando que 2016 foi um ano excepcional, com mais de 12.000 congressos e convenções internacionais e um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, a ICCA publicou hoje os seus esperados rankings dos países e das cidades que receberam esses eventos. Javits Center NYCNa lista dos países, as novidades são poucas: os Estados Unidos continuando a liderar, seguidos da Alemanha. A Inglaterra ficou em terceiro, subindo de uma posição e passando a Espanha. Atrás, a França, a Itália, o Japão e a China se mantiveram. Nos vinte maiores receptores, anota-se o crescimento da Bélgica e da Coreia, bem como a queda da Suíça. Ultrapassado pelo Canada, o Brasil conseguiu porém ficar numa honrosa décima primeira posição com 292 eventos.

O Salão ITB 2016 em Berlin

O Salão ITB 2016 em Berlin

As maiores mudanças foram no ranking das cidades, com Berlim ganhando três posições e chegando ao primeiro lugar, na frente de Paris que ficou em segundo, Barcelona subindo duas posições e ficando em terceiro. O top ten ainda inclui Viena, Londres, Madri, Singapura, e Istambul, entrando também pela primeira vez Lisboa e Copenhague. cidade-de-spMesmo com cautela, lembrando que esses números só se referiam a eventos organizados por associações internacionais, de forma regular, e rodando no mínimo entre três países, o CEO Martin Sirk da ICCA salientou também que os resultados de 2015 mostraram novas tendências. Os eventos estão se espalhando num número crescente de destinos internacionais, cidades menos concorridas conseguindo atrair cada vez mais os organizadores que parecem estar dando mais oportunidades para outsiders – talvez uma chance para São Paulo e Rio. Ao mesmo tempo, os eventos não registrados na contagem da ICCA, seja por não responderem a seus critérios, seja por serem organizados diretamente pelos destinos, estão cada vez mais numerosos.

A prefeitura de Paris

A prefeitura de Paris

Assim, se Paris passou ao segundo lugar desse ranking perdendo 28 eventos ICCA, a cidade recebeu no ano passado um total de 1004 congressos nacionais e internacionais, quase 3% a mais que no ano anterior. Com uma media de 758 participantes, o total de congressistas chegou a 760.000 trazendo para a cidade uma renda global de quase 1,2 bilhão de Euros. 30175Esses eventos são hoje a grande prioridade do turismo parisiense, que vai aproveitar em breve da renovação total do Centro das Exposições da Porte de Versailles, bem como de novas capacidades hoteleiras. E, para reforçar a atratividade de Paris junto aos organizadores, a Prefeitura de Paris, a Câmara de Comercio e o Convention Bureau assinaram com 17 grupos hoteleiros da capital – representando 651 hotéis e 77.000 quartos – um compromisso para segurar bloqueios de quartos e tarifas competitivas, bem como para aumentar os esforços promocionais para buscar novos eventos. Uma estratégia de todos os atores do turismo parisiense para melhorar mais ainda a liderança da cidade luz – incluindo o ranking da ICCA.

Jean-Philippe Pérol

Os ranking cidades e países 2015 da ICCA

Os ranking cidades e países 2015 da ICCA

 

La Nuit by Sofitel, Accor no luxo da noite com gastronomia, design e cultura!

Para o viajante que demorou a acreditar que Sofitel tornou-se uma marca de hotéis de luxo, e provavelmente nunca se hospedou no Faubourg de Paris, no Palais Jamai de Fes, no Santa Clara de Cartagena ou no Hyland de Xangai, “La Nuit by Sofitel” organizada no último sábado pelo Caesar Park Ipanema foi sem dúvida a mais convincente das demonstrações. Lançadas em dezembro 2014 em Marrakech na abertura do Festival internacional de Cinema, e já experimentadas em Cannes, Budapeste, Viena e Dubaï , “La Nuit by Sofitel” é um novo conceito de eventos excepcionais misturando cultura, design e gastronomia, três valores fundamentais da marca.

O criativo bufê de doces e "macarrons"

O criativo bufê de doces e “macarrons”

Dando como dresscode o “Black tie criativo”, o convite já dava o tom da festa, mistura de criatividade, de luxo e de tradição. Completamente redecorado com o grafismo característico do “La Nuit” presente desde a recepção até a piscina do rooftop, La Nuit by Sofitel, no Caesar Park Ipanemao Caesar Park impressionava logo na entrada com os seus bares  oferecendo Magnum de champagne Taittinger e seus bufês de queijos, doces e sobremesas,  de chocolates e de algodão doce, tão artísticos, que até os convidados hesitavam em se servir. As atrações eram também exclusivas e diversificadas: um duo Mighty Mezz & Greem,  Cut Killer, o DJ Gringo da Parada, criador do Favela Chic de Londres e Paris, e a mais francesas das Princesas brasileiras, Paola de Orleans e Bragança.

Jorge Ben Jor na noite do Caesar Park by Sofitel

Jorge Ben Jor na noite do Caesar Park by Sofitel

O melhor momento da noite foi sem dúvidas o show do Jorge Ben Jor. Na pequena mas lotadíssima sala do terceiro andar, ele interpretou suas mais famosas músicas, e ensaiou com sucesso algumas palavras de francês encantando o público onde se misturava franceses e brasileiros, artistas e empresários, celebridades da noite carioca e personalidades do turismo. Agora quinto grupo mundial da hotelaria de luxo com a compra dos hotéis Fairmont, Raffles e Swissôtel, um investimento de quase três bilhões de dólares, o grupo Accor conseguiu demonstrar que a marca Sofitel queria também ser parte desse painel mundial do luxo a francesa.

Jean Philippe Pérol

La Nuit by Sofitel em Los Angeles

La Nuit by Sofitel em Los Angeles

La Nuit by Sofitel em Cannes

La Nuit by Sofitel em Cannes

Hoteleiros x Airbnb: depois dos Jogos, concorrentes ou complementares?

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A praia de Ipanema

Quarta cidade do mundo, atrás de Paris, Nova Iorque e Londres pelo número de quartos cadastrados na Airbnb, Rio de Janeiro preocupou o setor hoteleiro brasileiro assinando um espetacular acordo de colaboração com a controvertida empresa de hospedagem colaborativo para o período  dos Jogos Olímpicos. Rio OlimpicoJustamente preocupados com a desigualdade tributaria ou as diferencias nas garantias dadas aos hospedes, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) denunciou o impacto desses 25.000 quartos na ocupação hoteleira da capital carioca. A preocupação dos profissionais ficou ainda maior pensando no futuro pós olímpico. O setor vai não somente ter que enfrentar a concorrência dos 25.000 quartos da Airbnb, mas também a explosão da oferta dos hotéis construídos no embalo dos Jogos Olímpicos , outros 20.000 quartos a mais nos últimos cinco anos.

Oferta da Airbnb para os Jogos Olimpicos

Oferta da Airbnb para os Jogos Olímpicos

Enquanto os hoteleiros temem a concorrência da Airbnb, uma pesquisa inédita da empresa francesa  Coach Omnium, publicada em Abril desse ano, deve  interessar os profissionais brasileiros. Realizada na França onde a oferta da Airbnb já representa mais de 200.000 quartos, os resultados da pesquisa, baseada em 1178 entrevistas de viajantes franceses e estrangeiros bem como na análise das estatísticas da hotelaria, parecem mostrar que as clientelas são muito diferentes, e que os temores dos hoteleiros não são justificados.

Oferta Airbnb em Paris

Oferta Airbnb em Paris

Segunda a Coach Omnium, somente 21,9% dos clientes dos hotéis também utilizam a Airbnb. São para 85,7%  clientes de lazer, sendo 66% reservando um hotel somente uma vez por ano. Eles são jovens (79,5% tem de 18 a  35 anos), e justificam a escolha da Airbnb pelo preço (62,3%) mas também pelo espaço (24,7%), a cozinha (22,8%) ou o atendimento dos proprietários (21,2%). logo-coachomniumE mesmo se a Airbnb esta reivindicando uma clientela de negócios, somente 2,7% dessas estadias são por motivos profissionais, e 4,1% mistas (bleisure) . As análises das taxas de ocupação ajudam a comprovar que o impacto negativo para os hotéis  é praticamente nulo : enquanto a oferta de Airbnb na França passou de 5000 quartos  a mais de 200.000  de 2010 a 2015, essas taxas passaram de 59,0% a 59,2%, mostrando que eventuais perdas da industria hoteleira foram compensados com novos clientes.

Grand Hyatt do Rio de Janeiro

Grand Hyatt do Rio de Janeiro

Mesmo no quadro muito específico das novas capacidades de alojamento turístico  do Rio de Janeiro, a pesquisa mostra que os hotéis tradicionais e a Airbnb são produtos adaptados a clientes diferentes viajando em situações e com exigências diferentes, sendo mais complementares que concorrentes. Airbnb atrai novos viajantes que não frequentam – ou muito pouco – os hotéis, mas que são prontos a viajar para aproveitar ofertas . Ela impactaria pouco a atividade hoteleira, mas pesaria no seu futuro, ajudando com o seu novo tipo de relacionamento com os seus clientes, e sua nova forma de hospedagem, ao desenvolvimento do turismo doméstico e internacional.

Esse artigo foi inspirado  de um artigo original  na revista online Pagtour

A Barra da Tijuca, o desafio do turismo carioca

A Barra da Tijuca, o desafio do turismo carioca

Na França: quantos beijos?

 

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O famoso “Baiser” do Doisneau, mas não era mesmo uma  “bise”

Na França , entre os dias 21 de janeiro (Dia internacional dos carinhos) e 14 de fevereiro (Saint Valentin, seja o Dia dos Namorados francês), os beijos são um do momento. E mais ainda que beijos de amor, são os beijos repetidos para amigos ou conhecidos que chamam a atenção dos visitantes internacionais. A  França surpreende não somente pelas numerosas ocasiões de se beijar – uma tradição que os ingleses, os americanos ou os japoneses têm dificuldade para entender- , mas também pela dificuldade a saber qual é  o exato ritual para ser seguido?

A “bise” não tem uma regra única. Cada região ou cada território tem suas tradições quanto ao numero de beijos a ser trocados bem como ao lado a ser beijado primeiro. O numero mais frequente é dois. É o caso das regiões de Bordeaux, de Toulouse, de Lyon, de Nice, de Paris, bem como na Auvergne, ou nas ilhas do Caribe francês e da Guiana. Nantes, capital dos 4 beijosA Bretanha mostrou mais uma vez sua especificidade. Quem vai para sua costa Oeste ter que dar somente um beijo, enquanto em Nantes, antiga capital do Ducado, o certo é beijar quatro vezes. A mesma tradição de quatro beijos encontra-se na Vendée, na Normandia, na Champagne e em boa parte da Borgonha que dividam assim o título de regiões mais beijoqueiras da França. No Centro Sul, em Avignon e na região de Montpellier, a tradição parou em três beijos. Nota-se enfim que a Córsega está com dois, mas que tem lá 18% de partidários de cinco!

Numero de beijos a dar em cada departamento

Numero de beijos a dar em cada departamento

O mapa dos beijos na França ganhou credibilidade e notoriedade nos últimos dois anos quando o site combiendebises.com publicou os resultados de uma pesquisa nacional sobre as maneiras francesas de se cumprimentar. Kiss-KissCom mais de 100.000 respostas recolhidas em mais de cinco anos, os resultados destacaram não somente o número de beijos mas também o lado – esquerdo ou direito – onde se devia dar o primeiro beijo. Nesse ponto as regras parecem mais simples, o primeiro beijo sendo de forma esmagadora dado do lado direito no Norte, no Oeste e no Centro da França bem como no Caribe francês, com exceções da Normandia e das regiões fronteiriças com a Suíça. No extremo Sul, dos Pirenéus até a Riviera francesa, bem como no vale do rio Rhône e nos Alpes, deve-se começar pelo lado esquerdo.

Lado para dar o primeiro beijo

Lado para dar o primeiro beijo

O respeito das tradições exige também de saber quem deve ser cumprimento com beijo(s). Nesse ponto os franceses são generosos, um choque para os visitantes ingleses ou americanos que, talvez por confundir com “French kiss”, têm dificuldades a aceitar esse “social kissing”. Beija-se amigos, amigos de amigos, e colegas de trabalho. Beijos na ProvenceBeijos para o sexo oposto, outrora exclusivo de mulheres ou familiares, também se generalizou para os homens, pelo menos para os amigos do peito, adotando uma tradição muito forte em Marselha e na Córsega. O sucesso desse mapa dos beijos faz lembrar que já foi publicado no Brasil o mapa tipo “Carte des bises” à brasileira, um mapa que poderia talvez ser atualizado e divulgado para os J.O.. Rio? Dois beijos!

Jean-Philippe Pérol

 

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Nantes, sempre original, agora capital dos 4 beijos

Nantes, sempre original, agora capital dos 4 beijos

Em Bordeaux, os ingleses premiam o “Guggenheim do vinho”

La Cité du vin em Bordeaux

“La Cité du Vin” em Bordeaux

Neste inicio de ano, muitos grandes jornais ou magazines de viagens indicam as principais tendências do turismo internacional e os destinos que devem se consolidar ou aparecer como os favoritos dos viajantes em 2016. O inglês “The Guardian” , na sua lista do “Where to go” seleccionou 40 lugares como sendo os novos “trends”. Num ano olímpico não faltou destacar o Rio de Janeiro onde as paisagens naturais devem fazer desse Jogos os mais fotogênicos da historia, com os remadores aproveitando a Lagoa cercada de morros pretos, os ciclistas pedalando nas florestas tropicais e os jogadores de volley batendo bola na praia de Copacabana. Longe do esporte, o novo Museu do Futuro, desenhado pelo Santiago Calatrava, apenas acabou de abrir que já virou um dos ícones da cidade.

Museu do Futuro no Rio de Janeiro

O Museu do Futuro no Rio de Janeiro

As recomendações do The Guardian  incluem a Índia, o Irã, o Yunnan, Sri-Lanka, o norte do Japão, os parques nacionais americanos, a Islândia e o Myanmar. As gastronomias dinamarquesa e peruana são homenageadas bem como os vinhedos do Chianti. EURO 2016 em BordeauxA cultura justificou as escolhas de Stratford na Inglaterra, da Cidade do Cabo na África do Sul ou de Wroclaw na Polônia.
O esporte está presente com  a Franca que vai hospedar o Euro 2016. O jogo de abertura ( França – Romênia) está marcado para o dia 10 junho em Saint Denis, a cidade que divide com Paris, Marselha, Lyon, Lille, Lens, Toulouse, Nice, Saint-Etienne e Bordeaux a organização do evento. E Bordeaux é justamente uma grande premiada dessa classificação, aparecendo em segundo lugar na lista dos destinos imperdíveis de 2016.

Os cais da Garonne em Bordeaux

Os cais da Garonne em Bordeaux

Com suas avenidas largas e seus prédios neoclássicos frente aos cais da Garonne, Bordeaux sempre teve muitas ambições. Capital da região que produz o maior volume de grandes vinhos franceses, a cidade quer agora ser reconhecida como a capital mundial do vinho, um titulo que quer conquistar com a abertura em Junho de um museu ultra moderno, La Cité du Vin, mostrando a evolução do vinho e homenageando todas as uvas do planeta. Cité des Civilisations et du Vin - Bordeaux Já chamado de “Guggenheim do vinho”, o museu se orgulha de uma arquitetura futurista, numa faixada de vidro com linhas curvas lembrando um vinho servido  numa taça, um brinde a uma nova visão mais aberta do turismo enológico.  Os dez níveis do prédio vão oferecer um verdadeiro mergulho no mundo da viticultura, incluindo um “teatro dos especialistas” onde profissionais conhecidos aparecerão como hologramas dando conselhos, ou uns “binóculos” mágicos onde será possível olhar todos os grandes vinhedos do mundo. Sentado no restaurante do último andar, a 55 metros de altura, os visitantes poderão aproveitar de uma vista excepcional sobre toda região. E depois da visita, tendo adquirido um bom conhecimento teórico do vinho, será possível pegar um barco na saída do museu e ir diretamente num dos castelos dos arredores para passar a prática.

O Guggenheim do vinho, um grande destino de viagem para 2016!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original do The Guardian

Adegas de vinho branco de Smith Haut Laffite

Adegas de vinho branco de Smith Haut Laffite

Feliz Ano Novo, cheio de viagens (para França) e de felicidade!

CARTE DE VOEUXNa virada desse ano 2015 que foi marcado por muitas alegrias mas também por momentos terríveis , o turismo francês quer desejar a todos os seus amigos brasileiros um Feliz Ano Novo. Mesmo sabendo das dificuldades que tanto a França que o Brasil devem enfrentar, pensamos que o turismo vai  contribuir  para que 2016 seja um ano melhor em ambos países.

No Brasil, os Jogos Olímpicos e a nova realidade do Real devem dar um impulso importante ao turismo interno, tanto dos brasileiros que dos estrangeiros, O Clube France em Londrese parecem que os franceses já estão aproveitando as novas oportunidades aparecendo nas praias do Nordeste, na vida noturna de São Paulo, nos rios da Amazônia ou mais ainda no espírito olímpico da renovada Cidade maravilhosa. Apaixonados pelo Rio de Janeiro há 460 anos, os franceses estão preparando na Hípica da Lagoa um “Clube France” onde turistas e cariocas poderão confraternizar num ambiente de feira francesa.

LES DEUX MAGOTS

O turismo internacional vai continuar a progredir, mesmo com a crise, porque esta agora enraizado nos hábitos de milhões de brasileiros. Assim, para nossos votos de felicidade para 2016, não podemos deixar de desejar muitas viagens. Muitas viagens para França que continua sendo um dos destinos favoritos dos brasileiros. Muitas viagens para Paris que quer, mais do que nunca, dividir sem medo o seu jeito de viver e a sua cultura aberta para o mundo.12363064_10153787402934661_6230239370904524784_o Muitas viagens para Normandia, onde o Mont Saint Michel voltou a ser uma ilha, muitas viagens para Bordeaux onde um museu das civilizações do vinho vai ser um acontecimento mundial. Muitas viagens para as ilhas mágicas do ultra-mar francês, em Taiti, Saint-Martin, na Martinica ou na Guadalupe. Muitas viagens para os vinhedos da Bourgogne, os castelos do Loire ou para essa Champagne onde é produzido a maravilhosa bebida cujas rolhas estouram nessa noite de Reveillon que abra o Ano Novo!

A todos, um maravilhoso Ano 2016, cheio de viagens para Franca e de grandes momentos de felicidade. Bonne Année!

Jean-Philippe Pérol

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A Accor se firmando no luxo com os míticos Hotéis Raffles

Royal Monceau Rafes em Paris

Royal Monceau Raffles em Paris

Anunciando a compra da Fairmont Raffles Hotels International, Stéphane Bazin, CEO da Accor, confirmou não somente uma aquisição estimada em 2,9 bilhões de dólares, a maior da sua história, mas a entrada do grupo francês no seleto clube dos 5 grandes da hotelaria de luxo. Sebastien Bazin anunciando a compra da FairmontMesmo ficando longe do líder do setor, o Americano Marriott-Starwood, que junta 800.000 quartos, Accor pode contar agora com 100.000 apartamentos divididos em mais de 500 hotéis de luxo. Com três novas marcas, o grupo adquiriu também vários estabelecimentos de prestigio, como o “Palace” Royal Monceau em Paris, o Savoy em Londres ou o Raffles em Singapora, esse mítico estabelecimento aberto em 1887, orgulho do Império britânico, cujos hospedes refinados e fleumáticos chegaram em 1942 a exigir dos  soldados japoneses que invadiram o hotel  de deixar-los acabar o baile antes de ser presos.

O mítico Raffles Hotel de Singapura

O mítico Raffles Hotel de Singapura

Essa operação foi financiada em parte com uma entrada no capital do Qatar (Qatar Investment Authority) e da Arábia Saudita (Kingdom Holding Compagny) que virarão, se as autoridades anti-trust autorizaram, os dois maiores acionistas da Accor. O grupo vai assim reforçar sua posição no setor da hotelaria de luxo, aumentando seus lucros e permitindo uma projeção de 650 hotéis até 2020. O Bar do RafflesA compra da Fairmont vai ajudar a Accor a reequilibrar geograficamente suas atividades, hoje concentrada a 65% na Europa, para a América do Norte e a Ásia onde a Raffles, a Fairmont et a Swissôtel são mais presentes. Segundo o próprio Bazin, essa estratégia focada no luxo é também uma resposta ao crescimento da AirBnb que preocupa todas as grandes empresas hoteleiras, obrigando as marcas mais econômicas a se reposicionar,  mas ainda poupando os segmentos de prestigio menos sensíveis as guerras de tarifas ou aos charmes da Internet.

O Sofitel Copacabana

O Sofitel Copacabana

A aquisição das três marcas e dos 115 hoteis da Fairmont Raffles Hotels International deve então ser um sucesso decisivo na longa caminhada da Accor para se firmar no lucrativo segmento do luxo – com suas diárias acima de 500 dolares e suas margens de rentabilidade superiores a 5%. O grupo superou o fracasso de 1994, quando o então Presidente da Air France se recusou a vender a seus compatriotas os 60 hoteis da sua filial Le Meridien (Incluindo na época o Meridien Copacabana e o Meridien Salvador).Folheto do Le Meridien Copacabana A virada  começou em 2007, quando Accor firmou a escolha de uma cadeia de luxo excluindo 80 dos então 120 Sofitel. A nova estratégia apostou em hotéis definidos pela arte de viver a francesa, seu design, sua gastronomia e sua cultura, mas aproveitando também todas as características das suas localizações. E se na América Latina, o grupo jà conseguiu se posicionar com  hoteis prestigiosos em Cartagena, Buenos Aires, Montevideu, Rio ou Guarujà, a chegada da Raffles abrirá talvez novas perspectivas em São Paulo.

Jean-Philippe Pérol

O SPA "My blend" da Clarins no Royal Monceau

O SPA “My blend” da Clarins no Royal Monceau