Air France, a esperança está na diferença

Ben Smith, o CEO na primeira linha para saida da crise

7,1 bilhões de Euros de prejuízo. Um numero que assusta mesmo no mundo do transporte aéreo atingindo pela crise do Covid, um choque sem precedente para Air France que, junto com sua coligada KLM, perdeu em 2020 59% do seu faturamento e 67% dos seus clientes. Mesmo com fortes reduções de despesas, e corte de 8.700 empregos,  o pesadelo do grupo franco-holandês pode ainda não ter chegada ao fim. O diretor financeiro do grupo avisou que o ano 2021 será complicado, que o primeiro trimestre é  difícil e que a retomada será lenta e progressiva a partir do segundo trimestre desse ano. Os reajustes de despesas continuarão com mais 6.000 cortes de empregos, os resultados só voltarão a ser positivos em 2023, e a crise  deveria ser completamente superada somente em 2024 …

Para seus 60 anos, a Air France ganhou um selo comemorativo

Mesmo se a queda da Pan American em 1991 ensinou que mesma as maiores companhias aéreas são mortais, é impossível imaginar que a “Compagnie Nationale Air France”  não consegue se sair por cima dessa crise. Fundada oficialmente em 1933 – mas tendo incorporado a Aeropostale do grupo Latecoere que tinha sido criada em 1917 -, ele atravessou com sucesso muitas crises econômicas, humanas, políticas e sociais. Para a França, foi durante muito tempo uma excepcional ferramenta de politica internacional e de apoio a industria nacional. A escolha dos seus dirigentes, de Pérol à Juniac, d’Attali à Spinetta ou de Blanc à Janaillac, foi sempre um privilégio da Presidência da República, e o apóio político e financeiro nunca faltou, seja depois da guerra, seja na primeira crise do petróleo em 1974, ou  mesmo quando, em 1994, a companhia precisou de  EUR 4 bilhões de hoje  para se reestruturar.

O Concorde fez história também no Rio de Janeiro

No Brasil, a Air France sempre foi uma companhia diferente. Pela história – gravada da ponta de Fernando de Noronha até as praias de Caravelas ou os campos de Pelotas -, pelo pioneirismo – do Concorde que pousou no Rio de Janeiro de 1976 até 1983, ou dos B747 em Manaus-, ou pelos eventos espetaculares – o Premio Molière nos teatros de Rio, São Paulo, Manaus, ou Belem. Air France devia também sua posição peculiar a importância das ligações entre o Brasil e a França – que foi até 2016 o primeiro destino de viagem dos brasileiros na Europa. Com alegrias, sucessos, e também terríveis tragédias, era percebida como a mais brasileira das companhias aéreas internacionais, e as pesquisas mostravam que nas cabeças e nos corações dos brasileiros, só tinha um concurrente: a VARIG.

A crise levou os velhos B747 bem como os revolucionários A380

A aventura da Air France vai mesmo continuar, o governo francês já injetou  EUR 7 bilhões desde o inicio da crise, e já sinalizou que ia fazer os investimentos necessários – mesmo se tivesse de resistir as vontades de rebaixamento da União Européia. Para todos aqueles que seguem a epopeia dessa grande companhia, a esperança é que continua sendo uma companhia aérea carregando uma visão diferente, não somente explorando aviões mas sendo sempre uma “compagnie nationale”. Uma companhia cujas rotas seguem e reforçam as ligações da França com os países amigos, cujas escolhas tecnológicas continuam pioneiras e seguras, cujo serviço seja a vitrina do art de vivre e da elegância a francesa, uma companhia falando francês, cuja presença nos quatro cantos do mundo, e mais especialmente no Brasil, seja enraizada na historia e na cultura comum.

Jean Philippe Pérol

 

Na grande crise de 1974, Gilbert Pérol da Air France e Antoine Veil da UTA desenhavam juntos as soluções para a retomada

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Sofitel Paris Le Faubourg, re-inaugurando com elegância e criatividade

PLACE DE LA CONCORDE

Quando a Compagnie Internationale des Wagons lits et du Tourisme inaugurou em 1969 o hotel “Etap Saint Honoré”, um pequeno e charmoso três estrelas FAIXADA DO SOFITEL FAUBOURGlocalizado na rua Boissy d’Anglas, ninguém no grupo imaginava que ele poderia um dia competir com seus prestigiosos vizinhos do bairro do Faubourg Saint Honoré. Foi porem reformado, primeiro quando Antoine Veil, então presidente da Wagons lits, resolveu em 1987 criar a marca “Pullman” e aproveitar os seus hotéis com as melhores localizações, depois em 1993 a quando a Accor comprou a empresa e transformou os seus estabelecimentos mais prestigiosos em Sofitel.

Mas foi uma verdadeira re-inauguração que aconteceu agora dia 5 de Marco. Combinando com a Paris fashion week, 600 convidados do mundo da moda, do design, da gastronomia e do turismo foram convidados para descobrir a espetacular decoração do Didier Gomez.FOTOGRAFIAS NO SOFITEL FAUBOURG Logo no lobby, a surpresa vem das cores brancas, cinzas, pretas e douradas que criam um ambiente moderno e caloroso, bem como duma foto gigante da  Cathleen Naundorf para Christian Dior. Tanto nos moveis que nas fotos espalhadas nos corredores ou nos quadros pendurados nas paredes, as escolhas do Gomez foram feitas para aproximar o conforto do hotel e o glamour da alta costura. A moda é presente até na historia do prédio, já que a ampliação do hotel só foi possível com a compra duma ala nova que abrigava o famoso magazine Marie Claire. E, se são 111 quartos e 36 suites, a maior e mais luxuosa delas foi batizada “Couture”.

CHAMBRE SOFITEL FAUBOURG

A alta costura é também presente no “Bar du Faubourg”. O mixologista preparou uma série de coquetéis com nomes inspirados das maiores estrelas da moda francesa: Christian, Gabrielle, Yves, Jean-Paul…O famoso chef Yannick Alleno é o responsável do restaurante, o STAY Faubourg,  com um novo conceito que ele já experimentou em Dubai, Taipei e Pequim. O cardápio é de cozinha francesa contemporânea, mas o restaurante tem muitas inovações originais como por exemplo uma grande mesa para pequenos grupos com menu especial e vinhos servidos em garrafas Magnum, ou uma surpreendente biblioteca de sobremesas dando a opção para o cliente de escolher um dos ingredientes.

O RESTAURANTE DO SOFITEL FAUBOURG

Com tanta elegância e criatividade, o Sofitel Paris Le Faubourg parece fazer um piscar de olha para a Historia. Construído no século XVIII para ser uma residência particular, localizado entre a loja-mor da Hermés e o mítico hotel de Crillon, o outrora pequeno hotel econômico da Wagons lits vai sem duvidas virar um dos mais cobiçados flagships da hotelaria parisiense – e um dos favoritos dos viajantes brasileiros.

Jean-Philippe Pérol

SOFITEL FAUBOURG