A Instagram desenhando novos roteiros nas cidades francesas

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O espelho d’agua de Bordeaux

O site de turismo Busbud, especializado em viagens de ônibus, divulgou em setembro umas listas com os lugares preferidos pelos usuários do Instagram em vários países do mundo, inclusive na França. Os resultados não deixaram de surpreender, mostrando talvez que as medias sociais e suas exigências em comunicação visual estão mudando os roteiros dos viajantes, favorecendo os destinos com as imagens mais espectaculares, e as cidades mais “instagramadas”. Efeito neblinaNo pódio das tendências , se Paris e a Torre Eiffel são a dupla vencedora, Bordeaux e Lyon se destacam com atrações mais inovadoras. Na beira da Garonne, venceu o espelho d’agua concebido em 2006 pelo paisagista Michel Corajaud. Inspirado pelo fenômeno da “acqua alta” da Praça San Marco em Veneza, ele usou uma pedra de granito coberta de dois centímetros de agua para gerar dois visuais diferentes, primeiro um espelho e depois  uma “neblina” subindo até dois metros de altura. Os 3450 metros quadrados da obra refletem o brilho da Praça da Bourse e as luzes dos cais num espetáculo que seduz tanto os moradores que os turistas.

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O Museu das Confluences de Lyon

Outrora considerada como muito conservadora, burguesa e convencional, Lyon atraiu os fãs de Instagram com seu novo Museu das Confluences, localizado no Encontro das águas do Rhône e da Saône. Se o museu tem um acervo de 2,2 milhões de objetos referentes a cinco séculos de historia da humanidade, foi sem duvidas a sua arquitetura revolucionaria  que atraiu as mídias sociais com mais de 50% dos “compartilhar” sobre as imagens de Lyon . O projeto da agencia austríaca CoopHimmelblau, juntando numa modernidade inédita  o Cristal e as Nuvens, o mineral e o aéreo, ajudou a criar uma nova aérea turística fora dos tradicionais bairros da Tête d’Or ou do Vieux-Lyon.

O centro dos correios de Lille

O Museu de Arte Moderno de Lille

No Top 10 dos destinos preferidos pelos fãs de Instagram, aparecem outras surpresas, atrações que não constavam das rotas tradicionais do turismo internacional, e pouco conhecidas dos turistas brasileiros com exceção talvez dos mais jovens. Assim o Museu de Arte Moderna de Lille, instalado num antigo centro de triagem dos correios, com instalações coloridas e auditório de musica eletrônica. O elefante do %22Voyage à Nantes%22Assim a Praça da Comédie em Montpellier, no coração da velha cidade medieval, frente a Opera Comédie. Assim a cidade de Nantes, com seu estádio mítico – La Beaujoire- e seu criativo roteiro “Le voyage”. Assim também as beiras do Rio Garonne em Toulouse onde moradores e turistas gostam de olhar o por do sol atrás da ponte Saint Pierre.

Petite France em Estrasburgo

O bairro da Petite France em Estrasburgo

Inovadores, os “instagramadores” são também as vezes mais rotineiros. Colocaram na lista dos seus lugares favoritos alguns destinos franceses que os turistas internacionais já consagraram. Gostaram de Estrasburgo e do bairro da “Petite France”, tombado pela UNESCO, dos seus canais e das suas casas medievais. Calanques de MarselhaGostaram de Marselha. Mas se a cidade está se renovando, foram as suas  enseadas – as famosas Calanques- que foram mais fotografadas, combinando as indicações da Instagram com a escolha dos 2 milhões de moradores e de turistas que vão passear, nadar ou velejar cada ano nesses barrancos brancos e nessas águas turquesa. A lista dos dez mais da Busbud na França fecha com um dos mais tradicionais clichê do turismo francês, a famosa Baie des Anges em Nice, com seus sete quilômetros de glamour. As novas mapas da Instagram também gostam de antigos roteiros.

A “Baie des Anges” em Nice

 

 

A França é também da cerveja!

 

Festa em Lille

Num pais que é conhecido mundialmente como sendo o pais do vinho, é surpreendente saber que a cerveja tem também um lugar de destaque.Capture-d’écran-2015-09-23-à-12.20.16 A França é assim não somente o quinto produtor mundial de cerveja, mas um pais aonde a cerveja é, em varias regiões, a bebida mais tradicional e a mais procurada pelos consumidores. É o caso na Alsácia, na Lorena, na Normandia ou na Bretanha, e mais ainda no norte, perto da fronteira com a Bélgica, nos arredores de Dunkerque, de Arras ou de Lille onde a cerveja é uma verdadeira cultura regional.

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Desde a época do Império Romano, quando a proibição dos vinhedos nessa região favoreceu o plantio dos cereais, a fabricação da cerveja virou uma grande atividade econômica do norte da França. E, durante toda a Idade Media, os monges aproveitaram as suas isenções de taxas para desenvolver novas técnicas de produção que criaram no século XV a cerveja que conhecemos – e bebemos – hoje. Monges cervejeirosNessa região fronteiriça com a Bélgica, as cervejarias tinham, e ainda têm, três fatores importantes para ser bem sucedidas: terras e condições climáticas perfeitas para produção de cevada e de lúpulo, agua rica em minerais, e uma população acostumada a essa bebida chamada até de “pão liquido” pelos flamingos. Acolhedores e festivos, os  “ch’tis” (assim são chamados os habitantes da região) colocam a cerveja em todos os eventos, festas publicas ou particulares, protestos, ou desfiles de Carnaval homenageando o mítico Cambrinus, primeiro Rei da cerveja.

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Para ajudar o viajante a descobrir essa cultura da cerveja, e a escolher entre as quase cem cervejas diferentes produzidas no norte, inspirada pelo turismo enológico das grandes regiões vitícolas da França, uma pequena empresa de Lille, a  “L’Échappée Bière”, desenvolveu um turismo cervejeiro.  TURISMO CERVEJAEla oferece visitas de cervejarias, cursos e degustações, fabricação de cerveja, espetáculos com temáticas de cerveja, almoços ou jantares harmonizando comidas e cervejas ou simples visitas de bares de cervejas. Segundo os conhecedores, os dois melhores de Lille seriam La Capsule, o preferido dos “beermen”, que oferece cervejas não tradicionais vindo do mundo inteiro num ambiente underground, ou o Palais de la Bière, mais divertido e com uma seleção de pratos regionais, a Carbonnade ou o Welch.

La Capsule

O turismo cervejeiro da L’Échappée Bière” aproveita uma tendência geral de valorização da cerveja, outrora bebida plebeia que está pouco a pouco virando um produto nobre, utilizado até pelos maiores chefes franceses e internacionais. Desde que a Chefe Ghislaine Arabian ganhou duas estrelas no Michelin com o seu famoso ” Turbo à la bière de garde”, muitos restaurantes estão explorando as riquezas gustativas da cerveja, assim como o La Laiterie, que ganhou uma estrela oferecendo um cardápio gastronômico combinando uma cerveja com cada prato.Au Trappiste Os bares de cerveja são agora espalhados na França inteira, em Lyon (Les Fleurs du Malt), em Montpellier (Les couleurs de la Bière), em Estrasburgo (Les Berthom) ou em Albi (La Place des Bières). Em Paris, alem do tradicional “Le Trappiste”, com seu cardápio onde não faltam os mexilhões com batatas fritas, abriram novos e incontornáveis lugares como o La Fine Mousse, Les Trois 8, Le Super Coin ou L’Express de Lyon. Enquanto se fala as vezes da obrigação de escolher entre as culturas do vinho ou da cerveja, a França mostra a seus visitantes que é possível pertencer a esses dois mundos!

Jean-Philippe Pérol

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Cultura e arquitetura, o sucesso da renovação da França do Norte

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Centre Pompidou-Metz

Muitas vezes desprezados pelos próprios franceses que assimilavam essas regiões a seu passado de miséria nas minas de carvão ou de ferro, gozando dum clima mais frio que inviabiliza os vinhedos, tendo sido devastados durante duas guerras, o Norte e o Nordeste da França demoraram muito para atrair os visitantes. Foi somente a partir dos anos 90, com a abertura do túnel sob o canal da Mancha, a mobilizadora nomeação de Lille em 2004 como capital europeu da cultura, e a multiplicação dos grandes projetos urbanos, que as grandes cidades da região começaram a aparecer como destinos turísticos.

Palais des Beaux Arts de Lille

Palais des Beaux Arts de Lille

Lille tem hoje nove museus importantes, sendo o Palais des Beaux Arts o segundo mais rico da França. O prédio construído em 1892 foi completamente renovado em 1997, e ampliado com uma nova ala desenhada pelos arquitetos  Jean-Marc Ibos e Myrto Vitart. LILLE GALERIESuas paredes de vidros refletem as pedras da ala original, misturando as imagens e as obras do passado e do futuro. Alem de um acervo acumulado desde a criação do Museu (em 1792), com obras de Delacroix, Monet ou Donatello, o Palais des Beaux Arts abriga também uma coleção única de numismática, bem como as famosas e polêmicas mapas militares em baixo relevo de Vauban.

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Place Mazelle de Metz

Antiga cidade fortificada, em crise desde o fim das siderúrgicas francesas, Metz apostou em 2003 num grande projeto cultural, a construção de uma filial do Centre Pompidou assinada pelos arquitetos Shigeru Ban (Tokyo), Jean de Gastines (Paris) et Philip Gumuchdjian (Londres). hd_metz_muse_vue_nuit.showAberto ao publico em 2010, ele recebeu um acervo de 76.000 peças da sua matriz. A audácia do projeto acelerou a renovação urbana e varias outras construções vão em breve se destacar, como o centro de convenções ou o shopping Muse.

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O Louvre de Lens

Era uma antiga ambição do Louvre: abrir um segundo museu fora de Paris para mostrar as suas ambições nacionais, utilizando no interior da França, e com novas ideias, o seu extraordinario acervo. Em 2003, o ministério da Cultura lançou uma licitação que entusiasmou a cidade de Lens. A sua proposta, de autoria da agencia japonesa Sanaa, foi escolhida em 2005 entre mais de 120 projetos.

A Galeria do tempo do Louvre de Lens

A Galeria do tempo do Louvre de Lens

O prédio de vidro e de luz  ajuda também a valorizar um novo conceito revolucionário de apresentação das obras: a Galeria do tempo. Numa única sala de 125 metros de comprimento, 205 peças pertencendo a todas as grandes civilizações apresentam de forma cronológica 6000 anos de historia, uma caminhada simbolicamente fechada pela “Liberté guidant le peuple” de Delacroix.

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O Carnaval de Dunkerque

Orgulhoso de sua passado mineiro e das suas rebeldia, dos seus jardins operários ou das suas montanhas de poeira de carvão (“Terrils”), o Norte da Franca tem também outros trunfos para atrair  os visitantes: a  simpatia da sua juventude, a alegria da sua vida noturna e da sua gastronomia, o sabor das suas cervejas, e seus carnavais descontraídos. Assim que já foi demonstrado em Bilbao com o Guggenheim, os grandes projetos culturais são porem atrativosos excepcionais para atrair novos destinos nos roteiros turísticos internacionais.

Jean-Philippe Pérol

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Os “terrils”, morros artificiais do Norte da França

Refeições a francesa: alem da Unesco, prazer, alegria e convivialidade!

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Relais & Châteaux Auberge des Templiers ©Photo Eric Dudan

Dentre dos novos impulsos que a França quer dar a seu turismo, a gastronomia tem um lugar de destaque, sendo escolhida como a primeira temática valorizada pelo recém criado Conselho nacional da promoção do turismo. A presença no grupo de trabalho de três dos mais respeitados chefes franceses – Alain Ducasse, Guy Savoy e Joel Robuchon – , o envolvimento do ministro das relações exteriores, e a escolha do 19 de Março como dia mundial dos “goûts de France” – Sabores da França- mostraram que o assunto é sério.

É claro que os 610 restaurantes estrelados pelo prestigioso Guia Michelin são um grande atrativo,  e os brasileiros frequentam as mesas dos mais famosos “trois étoiles” como o Relais Bernard Loiseau na Borgonha, a Maison Pic em Rhône-Alpes e a Assiette Champenoise em Reims. 1377098324equipeChefes mais novos, com cozinha alegre e criativa, também se promoverem recentemente no Brasil, o Michael Nizzero da Briqueterie na Champanha, ou o Jean Sulpice de Val Thorens.

Mas a gastronomia na França vai agora muito além do sucesso desses mestres talentosos. Desde o reconhecimento pela Unesco da “refeição gastronômica à moda francesa”em 2010, o foco não é mais uma receita francesa em particular, ou um formalismo extremo restrito a uma elite. tableÉ hora do prazer, ou melhor, dos prazeres da mesa. Comer, na França, é um ritual cultural marcando momentos importantes da vida, mas com uma mistura original de convivialidade e gastronomia, que reúne os franceses ao redor duma mesa bem colocada, para dividir pratos de qualidade acompanhados de um vinho adequado. Uma refeição é antes de tudo um momento de prazer, não um pit-stop numa correria desajeitada.

20122567A força da gastronomia francesa (para 20% dos brasileiros, o primeiro motivo de viagem para França) é que esse prazer e essa alegria podem ser vividos nos 78.000 restaurantes das 26 regiões francesas. Um bom “repas a francesa”, com seu aperitivo, seus pratos a base de produtos locais, seus queijos e sua combinação de vinhos, pode ser encontrado em todas as regiões, e cada francês tem seus favoritos. Toubana-053Pode ser uma “brasserie” em Paris a Closerie des lilas, ou a Coupole tão querida dos brasileiros, ou na Ile de la Cité o tranquilo Restaurant Paul. Em Lille, no surpreendente norte onde a cerveja acompanha o culinário “Chti”, a tradicional Chicorée é uma grande opção. Mas pode ser a Ferme Saint Sebastien em Charroux, na Auvergne, o criativo Côté cour na cidade de Aix en Provence ou o caribenho Toubana na Guadalupe. Pode ser um desses simpáticos e agitados “bouchons” de Lyon, o “Tire-bouchon” ou o “Les Lyonnais”. DSCN0193Ou pode ser também uma “table d`hôtes” de um pequeno vilarejo, por exemplo perto de Auzances, na minha terra, o maravilhoso “Au petit creusois” que tem as vezes cogumelos frescos (“girolles”) e serve um menu completo por menos de 30 euros.

É esse espírito de convivialidade e prazer, enraizado na sua gente e na sua terra, que faz o turista amar a gastronomia francesa. Mas na terra da liberdade, alem desses rituais, pode aproveitar refeições bem simples, por exemplo um prato em volta dum vinho no L’écluse em Paris ou no bar de la Poste em Saint Emilion. DSCN3797 - copieE se não poder parar o tempo necessário, lembre-se que um Jambon Beurre (sanduiche de presunto e manteiga numa “baguette”), com um copo de Saint-Amour no balcão do barzinho da esquina, não é um “repas à la française” mas também representa um excelente momento de prazer e de alegria à francesa.

Jean-Philippe Pérol

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Relais & Châteaux Moulin de l’Abbaye ©Philippe Schaff

 

Depois do Brasil e do Mundial Fifa 2014, lá vem a França e o Uefa Euro 2016.

 

 

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Eliminada pelo mesmo adversário que o Brasil na Copa do mundo, a França vai tentar com o UEFA EURO 2016 vencer um duplo desafioIDENTITE VISUELLE. Terá  não somente de chegar à final da segunda maior competição do futebol mundial que ela já ganhou duas vezes (1984 e 2000), mas também de mostrar os mesmos talentos organizacionais que o Brasil que realizou esse ano, segundo o jornal l’ Equipe, “a mais bem organizada Copa dos tempos modernos”… Tantos os brasileiros como os franceses vão gostar da temática desse grande evento: “Vamos festejar a arte do futebol”. A identidade visual, que vai acompanhar o logotipo, mostra de forma artística a festa dos torcedores em volta de um campo onde as traves parecem dois arcos de triunfos. Um piscar de olho para Paris e sua região onde serão realizados doze jogos, incluindo a abertura e a final.

Para esse grande “Rendez-vous na França” que acontecerá do dia 10 de junho ao dia 10 de julho de 2016, as dez cidades sede já estão se preparando: VILLE HOTEos estádios de Saint Denis, Lille, Nice, e agora Marselha são prontos, os de Lyon, Bordeaux, Saint Etienne, Lens, Paris e Toulouse devem ser inaugurados entre dezembro 2014 e novembro 2015. Para assegurar a hospedagem e os serviços necessários, a operadora Kuoni foi escolhida como agência oficial, devendo cuidar de mais de 250.000 pernoites.

COUPE DELAUNAYEntão chamado de Copa da Europa das Nações, o UEFA Euro teve sua primeira realização em 1960 com 17 países participantes, sendo 4 na fase final. Em 2016, pela décima quinta Copa, serão 54 países na fase de qualificação e 24 na fase final que brigarão pela Taça Delaunay, o troféu do torneio cuja replica de 12 metros de altura já foi apresentando em Paris no mês de junho.

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Para a França e o turismo francês, esse evento é uma grande oportunidade e uma imensa responsabilidade para os organizadores e para cada francês. Vamos poder mostrar para os 2,5 milhões de torcedores presentes e para os 150 milhões de telespectadores não somente a nossa capacidade de organizar um grande espetáculo, mas também as riquezas do nosso patrimônio histórico, cultural, gastronômico e esportivo. As lições do sucesso da organização do mundial no Brasil serão, sem dúvida, aproveitadas para esse “Rendez vous” . A ver o entusiasmo que os 4,5 milhões de fãs franceses e estrangeiros estão demonstrando nas páginas facebook UEFAEUROFR, vai ser mesmo  uma festa maravilhosa.

Jean Philippe Pérol

Para mais informações veja o site da UEFA http://bit.ly/EURO 2016

 

Atendendo melhor os turistas, a França vai brigar pela liderança

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Definido como prioridade nacional pelo próprio presidente da República, o turismo francês virou também um dos pontos chaves da ação do ministro das relações exteriores da França. Encerrando os Encontros nacionais do turismo, que mobilizaram durante seis meses mais de 400 profissionais do setor, Laurent Fabius quis não somente anuncia grandes ambições – 100 milhões de turistas até 2020 – mas também medidas fortes para melhorar a atendimento e os serviços oferecidos aos visitantes.DSCN0159 Destacando um turismo diversificado e de qualidade, o projeto quer dar prioridade aos setores onde a excelência francesa é reconhecida: gastronomia e vinho, turismo urbano -incluindo shopping  e vida noturna, ecoturismo,  montanhas e esportes, luxo e artesanato.
A promoção, especialmente a nível internacional, tem que priorizar os destinos já conhecidos como verdadeiras grandes marcas  de turismo : Paris, Bordeaux, Borgonha, Castelos do Loire (ver abaixo a lista completa) …. A dimensão turística dos grandes eventos culturais ou esportivos deverá ser levada em consideração e valorizada.

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 O atendimento, especialmente na chegada nos aeroportos ou nas estações de trem,  é muitas vezes considerado um ponto fraco na França. 20071216_0Foram anunciadas varias medidas, especialmente para o transporte entre Paris CDG e a capital: corredores para ônibus e táxis, tarifa fixa para os táxis, melhorias nos trens para a Gare du Nord que será também renovada e modernizada. Uma nova e única sinalização será instalada nos aeroportos, na estações e no metro. Em todos os lugares turísticos o policiamento ser reforçado com agentes falando os principais idiomas. Forte reivindicação dos  consumidores, os horários de funcionamento das lojas vai ser ampliado, inclusive aos domingos , no centro de Paris e perto das grandes estações de trem.

Pais líder em novas tecnologias, a França não é sempre percebida como tal pelos turistas. O wifi grátis será oferecido nos principais aeroportos, e o governo vai incentivar os hotéis que ainda não fizeram esse investimento a faze-lo. Para ampliar a oferta de aplicativos de ajuda, de tradução ou de informação aos turistas, uma licitação será lançada imediatamente para lançamentos no Mercado em janeiro 2015. Novas plataformas de reservas hoteleiras serão incentivadas, e as relações entre as grandes centrais e os hotéis fixadas numa lei.

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O turismo sendo uma atividade de serviços, o treinamento dos profissionais é a chave de qualquer política de qualidade. 100.000 treinamentos específicos vão ser colocado a disposição do setor. DSCN0579Muitos deles integrarão uns estágios no exterior para melhorar a pratica de idiomas – um ponto fraco do setor na França.
Uma campanha de comunicação sobre  a importância e as oportunidades das profissões do turismo será financiada pelo ministério. Para o setor ficar mais atrativo para os pequenos empresários, uma seria de medidas de desburocratização serão publicadas esse ano.

Mobilizando agora não somente os tradicionais parceiros do ministério do turismo, mas todos os atores públicos, as embaixadas e as televisões publicas, o projeto quer ver a França não somente aproveitar o incrível crescimento do turismo ( 1,560 bilhões de turistas previstos no mundo em 2020) mas também conservar a liderança nesse setor criador de empregos e de receitas internacionais em todas as regiões francesas, da Europa, ou do Caribe. luxury_0000_c_atout_france_-_leonard_de_serres_-_chateau_de_chambordSe o apoio financeiro parece ainda muita aquém do necessário, o projeto deve sem dúvida animar os atores franceses e estrangeiros do setor. Mais acolhedora, mais acessível,  mais atual, e promovida com o apoio de todos, a França será ainda mais atraente para seus visitantes.

E para nós, no Brasil, vale a pena lembrar que desses 100 milhões de turistas esperados, 1,5 milhões serão brasileiros.

 Jean-Philippe Pérol

Os destinos considerados como marcas de turismo internacionais serão os seguintes: Lyon, Lille, Champagne, Alsácia, Paris, Borgonha, Mont Saint Michel, Bretanha, Castelos do Loire, Bordeaux, Alpes, Auvergne, Biarritz, Provence, Lourdes, Côte d’Azur, Córsega, Reunião, Martinica e Guadalupe.

20 anos de Eurotunnel: 15 bilhões de Euros de investimentos e 330 milhões de passageiros entre Paris e Londres!

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No dia 6 de Maio de 1994, a Rainha Elizabeth II e o então Presidente francês François Mitterrand inauguraram o túnel entre os dois países. A Inglaterra não era mais uma ilha, o continente não era mais isolado, e um sonho de quase duzentos anos tornava-se realidade.

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Era em 1802 que tinha sido pensado o primeiro projeto. O engenheiro Albert Mathieu-Favier fez a proposta de um túnel com duas galerias. Com as guerras de Napoleão a ideia não avançou e foi somente em 1851 que saiu um novo projeto, um outro túnel, essa vez  pré-fabricado e de aço. Em 1852, uma outra proposta, uma ponte com 400 pilares de pedras, foi logo abandonada. A ideia do túnel, essa vez levantada pelo francês Aimé Thomé de Gamond e  John Hawkshaw voltou a ser considerada e levou as primeiras obras a partir de 1878 em Sangatte. Mas  as dificuldades técnicas, a oposição de políticos e militares levaram a um embargo das obras em 1883 enquanto menos de dois km de galerias tinham sido realizadas.

Demorou noventa anos para mais uma tentativa frustrada em 1971, abandonada depois de 700 metros. E foi em 1981 que o projeto atual começou a nascer numa reunião em Londres entre os governos francês e inglês. DSCN2813Margaret Thatcher concordou em ligar a Inglaterra com o continente, mas exigiu que o financiamento seja fechado sem um penny de dinheiro público. Talvez lembrando dos desastres financeiros que acompanharam as obras do Canal de Suez ou do Canal de Panamá, a dama de ferro tinha razão de se preocupar, e os centenas de milhares de pequenos acionistas que investiram no projeto logo no lançamento foram em maior parte arruinados quando a ação da empresa, lançada a mais de 5 Euros em 1987, baixou para alguns centavos quinze anos depois. Nesse tempo o custo total do projeto Eurotunnel tinha subido para 15 bilhões de Euros.

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Mas a obra foi um sucesso, virando o mais comprido túnel submarino do mundo com 38 km em baixo do mar e um total de 50 km. Em seis anos, 12000 operários finalizaram os três túneis (um em cada sentido mais um para o serviço), os dois terminais e todas as infraestruturas. Iniciada em maio de 1994, a abertura foi progressiva, primeiro com as navetes para caminhos, depois os trens de carga, as balsas para carros de passeios, e, a partir de novembro 1994, os TGV Eurostar. Em vinte anos, 330 milhões de passageiros.

Gare_du_Nord_night_Paris_FRA_002Hoje são quase 20 milhões de passageiros e 1,5 milhão de veículos por ano que viajam pelo túnel entre Londres, Paris, Lille ou Bruxelas. A empresa, que emprega 3700 funcionários e deixa um lucro operacional de mais de 100 milhões de euros, nunca foi tão prospera e tem vários projetos de shopping, de eco-sitio e de golfe mostrando o seu envolvimento no turismo.

O túnel teve um impacto decisivo sobre os fluxos turísticos entre a Franca e a Inglaterra que cresceram de mais de 50% . Mas teve também consequências para todos os turistas, e até para os brasileiros que foram mais de 50.000 a juntar Paris e Londres, hoje um dos roteiros mais vendidos na Europa pela Rail Europe. Bruxelas também ficou mais visitada. vieux-lille-33No norte da França, a simpática, animada e muito surpreendente cidade de Lille começou a atrair brasileiros que estão gostando do seu patrimônio cultural ( pelos museus, o segundo da Franca depois de Paris), da sua arquitetura flamenca, da sua famosa venda de rua, do sua gastronomia despretensiosa e das suas cervejas únicas. Assim, para festejar esses vinte anos da Eurotunnel, que tal uma “petite bière“? Santé!

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 Jean-Philippe Pérol

 

http://www.raileurope.com.br

 

Street Art: São Paulo, claro, mas também Paris ou Lille!

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Recebendo há pouco tempo um amigo francês e perguntando o que ele queria ver em São Paulo, fiquei surpreso pela sua resposta: Street Art, porque nessa arte os paulistanos são uns dos líderes mundiais. Na verdade, ver os murais e os prédios pintados de São Paulo era mesmo o principal motivo da sua viagem. Valeu então recordar que se a capital paulista virou mestre nessa arte, outras cidades no mundo se destacam, inclusive na França não somente Paris mas também Lille.

A arte de rua virou hoje parte essencial das paisagens urbanas, e até integrou os pacotes turísticos dos profissionais do setor. As vezes politizadas, as vezes reivindicativas, as obras podem ser legais ou ilegais, quase sempre temporárias e integradas a construções urbanas. Não precisando da bilheteria de um museu, elas são oferecidas a toda população (e a todos os turistas).

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As prefeituras reagiram de formas diferentes a essa nova expressão artística e a suas perspectivas para o turismo. Filadélfia por exemplo decidiu há 30 anos valorizar tanto as criações (são 3000 obras na cidade) como os próprios artistas nos tours da cidade. Em Montreal a galeria Fresh Paint expõe obras de artistas nacionais e internacionais, e o Festival ‘Under Pressure’ tenta levar a arte de rua para a população.

Paris virou uma cidade pioneira no acesso do Street Art para os visitantes.3 ok O projeto Tour Paris 13, maior exposição de arte urbano do mundo, atraiu dezenas de milhares de turistas em outubro do ano passado durante o mês que antecipou a destruição programada do prédio onde as obras tinha sido pintadas. Um aplicativo específico, ‘My Paris Street Art‘, indica a localização das novas obras, dando as explicações necessárias e ajuda o visitante a enriquecer a base com suas próprias descobertas. A arte de rua ajuda também a levar o turista fora dos lugares tradicionais. Num subúrbio de Paris, ‘Vitry sur Seine’ virou assim um destino vedeta da cultura urbana, esbanjando modernidade, poesia e abertura nas fachadas até então cinzas e tristes.

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Desde 2004, quando foi premiado como Capital europeia da Cultura, a cidade de Lille está oferecendo espaços de criação para a arte de rua. E a partir de 2013 começaram a integrar essas obras nos roteiros turísticos. Acompanhado ou não de um guia profissional, um passeio de bicicleta ajuda a descobrir as maiores realizações de vários artistas de rua, franceses, japoneses ou australianos. No ano passado a cidade recebeu também a primeira Bienal internacional de Arte Mural que deu um impulso ainda maior a produção artística local.

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O turismo e a arte de rua podem então ter uma relação intensa e proveitosa, com novos produtos e novas motivações de viagens, emocionante interações com a população, e um forte impacto de renovação das imagens de destinos tradicionais. É porem importante que esse trabalho seja feito com transparência e sinceridade, respeitando o ambiente especifico dessa arte, sua marginalidade e seu caráter único que não podem ser banalizado num produto turístico comum.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo usou como uma das suas fontes um trabalho de Camille Derelle publicado no Réseau de veille en Tourisme da Chaire de tourisme transat de l ESG UQAM. Para ler o artigo original sobre esse assunto, um analise feito em parceria entre Tourisme Montreal e Réseau de Veille en  Tourisme, fazer seguir o link: http://veilletourisme.ca/2014/02/03/lart-de-la-rue-dynamise-les-destinations-touristiques/