Sao Paulo, a Nova Iorque latina que inventa o amanhã…

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Se, na véspera da Copa, muitas duvidas aparecem na imprensa internacional (e brasileira) sobre a conjuntura ou até o futuro do Brasil, o diário francês “Le Figaro” publicou hoje uma elogia apaixonada de São Paulo. Lembrando que a cidade acolherá o jogo inaugural, o jornalista Jean-Pierre Chanial elogiou o vanguardismo, a criatividade e o dinamismo da cidade, sua energia para inventar hoje o mundo de amanha, definir novas tendências e ser uma Nova Iorque latina onde as coisas acontecem. Impressionado pelo seu gigantismo, sua área cinco vezes maior que Paris e sua aglomeração, seus 2578 arranha-ceús, suas 2000 boates, seu milhão de pizzas comidas cada dia ou suas pinturas de ruas, ele destacou algumas preferências para justificar esse amor a primeira vista: o futebol, o mercado municipal, a arte de rua da Vila Madalena, e a Avenida Paulista.

A paixão pelo futebol parece ao Chanial um dos fundamentos da sociedade paulista. No coração da cidade, ele achou que isso  reúne os executivos, os vendedores de rua, os loiros, os índios, os pretos ou os morenos de todas as miscigenações, os pedreiros ganhando 1000 reais por mês ou os engenheiros formados nos Estados Unidos. 20090604123647b2_0099Esse povo  construiu a capital econômica do Brasil mas sempre se lembra que o primeiro jogo de futebol aconteceu aqui em 1894. Em São Paulo o futebol tem seu museu,  um paraíso dos fãs de todas as idades onde o visitante é guiado por um Pelé virtual, e em São Paulo a Fifa se surpreendeu como o novo estádio do Corinthians que já está pronto para a Copa.

O Mercado municipal é para Chanial um verdadeiro Graal dos sabores, No imenso galpão de tijolos e de teto de vidro, a mortadela e os queijos italianos lembram que três milhões de paulistas são  descendentes dos imigrantes que vieram trabalhar nas fazendas de café no final do século XIX. Mais que os 250 feirantes, o que fascina o turista são uns vinte pequenos restaurantes, servindo por menos de dez reais pratos típicos preparadas por “mammas” que parecem chegar de Napoli, mexendo nas panelas ou assando as bruschettas sem perder a amabilidade e a sinceridade. Para ele, uma outra surpresa vem das paredes da cidade.

Podem ser simples palavras “sou eu, então é você”, “f… a policia”ou “arte não é crime”. Podem ser verdadeiros quadros “naif” ou abstratos, tipo quadrinhos ou realistas, mas as vezes impressionantes. Podem chegar a ser geniais, como é o caso no Beco do Batman, no bairro de Vila Madalena, onde as paredes dos sobrados viram explosões de formas e de cores, de sonhos e de desejos. Nessas ruas estreitas, não são os grandes arquitetos que assinam o novo look da cidade, mas pintores de rua como Nina Pandolfo ou Minhau, Chivitz. A cada esquina, o turista pode parar tomar uma cerveja num barzinho “bobo” onde cada jogo da Copa será com certeza uma grande festa.

Para o jornalista do Figaro, o ultimo imperdível da cidade é a Avenida Paulista, para ele o Champs Elysées de São Paulo…20090604121829b2_0030Saudades das mansões dos barões do café hoje quase desaparecidas, beleza imponente dos aranha céus que grandes arquitetos construíram para os maiores bancos do pais, ou lojas e restaurantes para todos os bolsos, impressionaram porem menos que a multidão nos calçadões. O balé dos colarinhos brancos grudados nos celulares e das fashionistas mostrando as grifes das suas bolsas, os olhares trocados de beleza mestiça, deram a Jean Pierre Chanial a impressão que era ai mesmo que São Paulo era pronta para enfrentar sem medo o seu destino.

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Merci, Monsieur Chanial, para essa animadora visão de São Paulo!

Jean Philippe Pérol

Para ler o artigo completo em francês: http://www.lefigaro.fr/voyages/2014/05/02/30003-20140502ARTFIG00243-so-paulo-rendez-vous-avec-la-demesure.php

Na mesmo edição do Le Figaro, ler também os outros artigos sobre a moda e os negócios em  Sao Paulo.

Street Art: São Paulo, claro, mas também Paris ou Lille!

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Recebendo há pouco tempo um amigo francês e perguntando o que ele queria ver em São Paulo, fiquei surpreso pela sua resposta: Street Art, porque nessa arte os paulistanos são uns dos líderes mundiais. Na verdade, ver os murais e os prédios pintados de São Paulo era mesmo o principal motivo da sua viagem. Valeu então recordar que se a capital paulista virou mestre nessa arte, outras cidades no mundo se destacam, inclusive na França não somente Paris mas também Lille.

A arte de rua virou hoje parte essencial das paisagens urbanas, e até integrou os pacotes turísticos dos profissionais do setor. As vezes politizadas, as vezes reivindicativas, as obras podem ser legais ou ilegais, quase sempre temporárias e integradas a construções urbanas. Não precisando da bilheteria de um museu, elas são oferecidas a toda população (e a todos os turistas).

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As prefeituras reagiram de formas diferentes a essa nova expressão artística e a suas perspectivas para o turismo. Filadélfia por exemplo decidiu há 30 anos valorizar tanto as criações (são 3000 obras na cidade) como os próprios artistas nos tours da cidade. Em Montreal a galeria Fresh Paint expõe obras de artistas nacionais e internacionais, e o Festival ‘Under Pressure’ tenta levar a arte de rua para a população.

Paris virou uma cidade pioneira no acesso do Street Art para os visitantes.3 ok O projeto Tour Paris 13, maior exposição de arte urbano do mundo, atraiu dezenas de milhares de turistas em outubro do ano passado durante o mês que antecipou a destruição programada do prédio onde as obras tinha sido pintadas. Um aplicativo específico, ‘My Paris Street Art‘, indica a localização das novas obras, dando as explicações necessárias e ajuda o visitante a enriquecer a base com suas próprias descobertas. A arte de rua ajuda também a levar o turista fora dos lugares tradicionais. Num subúrbio de Paris, ‘Vitry sur Seine’ virou assim um destino vedeta da cultura urbana, esbanjando modernidade, poesia e abertura nas fachadas até então cinzas e tristes.

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Desde 2004, quando foi premiado como Capital europeia da Cultura, a cidade de Lille está oferecendo espaços de criação para a arte de rua. E a partir de 2013 começaram a integrar essas obras nos roteiros turísticos. Acompanhado ou não de um guia profissional, um passeio de bicicleta ajuda a descobrir as maiores realizações de vários artistas de rua, franceses, japoneses ou australianos. No ano passado a cidade recebeu também a primeira Bienal internacional de Arte Mural que deu um impulso ainda maior a produção artística local.

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O turismo e a arte de rua podem então ter uma relação intensa e proveitosa, com novos produtos e novas motivações de viagens, emocionante interações com a população, e um forte impacto de renovação das imagens de destinos tradicionais. É porem importante que esse trabalho seja feito com transparência e sinceridade, respeitando o ambiente especifico dessa arte, sua marginalidade e seu caráter único que não podem ser banalizado num produto turístico comum.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo usou como uma das suas fontes um trabalho de Camille Derelle publicado no Réseau de veille en Tourisme da Chaire de tourisme transat de l ESG UQAM. Para ler o artigo original sobre esse assunto, um analise feito em parceria entre Tourisme Montreal e Réseau de Veille en  Tourisme, fazer seguir o link: http://veilletourisme.ca/2014/02/03/lart-de-la-rue-dynamise-les-destinations-touristiques/