Turismo em 2016: choques, mudanças e poucas saudades. Mas tendências e esperanças para 2017.

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Nice, a cidade de Garibaldi, lutando com garra para recuperar os seus turistas

Mesmo se a OMT está anunciando um crescimento de 4% do turismo internacional em 2016, o ano terá sido de dificuldades em muitos mercados, tanto receptivos como emissivos. Na França, pela primeira vez,  os atentados de Paris e Nice levaram a uma queda de 7% da clientela estrangeira, vindo tanto da Europa como do Japão, dos Estados Unidos e mais ainda dos mercados emergentes  que foram nos últimos anos o motor do crescimento do turismo francês. No Brasil, o segundo ano consecutivo de recessão levou o turismo emissivo a uma queda de quase 15% (e até mais para os dois grandes destinos tradicionais, Estados Unidos e França).

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

O esqui, um dos sucessos do turismo francês em 2016

Se 2016 não deixará saudades, ele viu numerosas mudanças importantes no turismo internacional que impactarão, nos próximos anos,  não somente as decisões dos viajantes mas também o trabalho dos profissionais. Sem poder ainda fazer uma relação completa, três tendências estão se destacando. Os dramas de Paris, Bruxelas, Nice, Orlando e Berlim, os eventos na Turquia, na Tunísia ou no Egito fizeram da segurança um critério absoluto de escolha dos destinos. E enquanto no passado horrores similares tinha sido superadas em 3 a 4 meses, os viajantes esperam agora mais tempo para voltar, exigindo informação transparente, medidas concretas e resultados comprovados das autoridades ou dos profissionais dos destinos atingidos.

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

Guo Gang Chang, da Fosun, a nova cara do Club Med

2016 confirmou a China como um dos maiores atores do turismo internacional. A OMT já tinha anunciado há quase vinte anos que a China se tornaria antes de 2020 um dos primeiros mercados emissores, ela já é o primeiro. Serão esse ano 128 milhões de turistas (mesmo se a metade viajam para Hong Kong, Macau e Taiwan) e US$420 milhões de despesas no exterior. A verdadeira surpresa foi a explosão dos investimentos chineses, com um impacto excepcional na França e no Brasil. Em pouco mais de um ano, vimos o Club Med, a Accor, a Wagons Lits e a Azul passar a ser controladas por gigantes da China que vão sem dúvidas influir nas estratégias desses grupos chaves do turismo nos dois países.

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

AirBnb parceira do Rio de Janeiro olímpico

Foi esse ano também que as grandes empresas da economia colaborativa viraram atores incontornáveis da industria turística. Assim a AirBnb que conseguiu mostrar durante os Jogos Olímpicos do Rio que representava quase 25% da oferta de hospedagem da cidade maravilhosa. Sendo agora líder em muitos destinos, incluindo em Paris, AirBnb deve aceitar uma concorrência leal com os profissionais – pagando impostos e respeitando os códigos de consumidores-. Deve resolver a difícil coabitação entre seus clientes e os moradores das vizinhanças. Mas os seus sucessos de 2016 junto aos viajantes, os acordos passados com redes hoteleiras e o lançamento da operadora Trips, mostram que a AirBnb e os grupos da economia colaborativa são hoje atores profissionais do setor que vão contribuir a mudar o turismo mundial.

O impacto da eleição de Trump sobre o turismo preocupa os profissionais americanos

O impacto da eleição de Trump  preocupa os profissionais americanos

Outros eventos importantes que marcaram 2016 vão influenciar as viagens internacionais em 2017,:grandes mudanças políticas – Brexit, eleição de Trump ou Paz na Colombia- , evoluções do cambio – força do dolar, queda do Euro ou firmeza do Real, sem que seja ainda possível de medir os seus impactos. Mas é certo que desde o mês de setembro as tendências das viagens internacionais deram uma forte melhoria, projetando 15% de crescimento entre o Brasil e a França. Podemos assim desejar uma “Bonne Année” a todos os viajantes e a todos os profissionais do setor contando que 2017 vai ser mesmo um Feliz Ano Novo!

Jean-Philippe Pérol

Azul, agora não somente verde amarelo mas também vermelho

Azul, agora não somente verde amarela mas também vermelha

Carlson: para os herdeiros da Wagons lits, uma nova era chinesa?

Estande da Carlson Rezidor no ITB de Berlim

Estande da Carlson Rezidor no ITB de Berlim

Já sócio da Azul e de varias empresas de aviação ou de hotelaria na Espanha, na Suíça e na própria China, o grupo chinês HNA acabou de comprar uma participação majoritária na Carlson Redizor. Dona de muitas marcas importantes como Radisson Blu, Radisson, Radisson RED, Park Plaza, Park Inn by Radisson, Quorvus, Country Inns & ou Suitecwt_logo1s, essa empresa da Carlson, que começou em 1960 comprando o Hotel Radisson de Minneapolis, administra hoje mais de 1400 hotéis no mundo. Mais conhecidas no Brasil por ter herdadas a fabulosa historia da “Compagnie internationale des wagons lits et du tourisme”, as agencias de viagens da Carlson Wagonlit Travel não foram incluídas na transação mas os analistas já projetam novos possíveis lances.

O Grande Hotel de Pequim então da Wagons lits

O Grand Hotel de Pequim então da Wagons lits

Vendo essa notícia ligando a China, a hotelaria e a Wagons lits – onde trabalhei oito anos no Brasil e na França -, me lembrei da minha primeira reunião em Paris com o diretor financeiro da empresa, quando tinha sido impressionado por um quadro na parede do seu escritório. Ele mostrava uma carta no papel timbrado do Grande Hotel de Pequim, mandada em 1951, pouco tempo antes da estatização pelo regime comunista. 521de778a4e8b5f2fbe0f04976ad16ebEsse palace, onde o escritor francês André Malraux escreveu seu maior livro ” A condição humana”, era parte da cadeia hoteleira da Wagons-lits “Les grands hôtels des Wagons-lits”,  fundada em 1894. Hoteis de luxo tinham sido abertos nos maiores destinos internacionais: o Pera Palace de Istambul, o Terminus de Bordeaux, o Grand Hôtel de Marselha, o Excelsior de Bruxelas ou o Travel Palace de Paris, num prédio dos Campos Eliseus 107 onde fica hoje uma agencia do banco HSBC.

O Pullman Paris Tour Eiffel

O Pullman Paris Tour Eiffel

Depois de ter perdido os seus prestigiosos palaces, e de ver os seus hotéis espalhados entre as marcas Etap, PLM, Altea e Arcade,  Wagons lits tentou em 1986 voltar como grande ator da hotelaria mundial, lançando a marca Pullman como bandeira dos seus cinco estrelas e também como nome do novo grupo. Antoine VeilMesmo como toda força da companhia, e o prestigio do seu então Presidente Antoine Veil, já era tarde. Comprando a Compagnie internationale des wagons-lits et du tourisme (CIWLT) em 1991, Accor fusionou dois anos depois a Pullman recém nascida com a Sofitel. A marca voltará a ser utilizada a partir de 2007 -inclusive no Brasil- para os hotéis middle-scale do grupo francês.

Sofitel Wanda em Pequim

Sofitel Wanda em Pequim

Separada da Carlson desde 2006, mas também herdeira da Wagons lits, a Accor já voltou na hotelaria de luxo em Pequim, não com o Grand Hotel mas com um espetacular Sofitel Wanda. Para Carlson Rezidor a entrada da HNA  marcará talvez novas ambições para o grupo. A HNA, que quase comprou a operadora FRAM em 2015, poderia também fazer outras propostas incluindo outros reencontros. E mesmo agora espalhados, os mitos da Compagnie Internationale des Wagons lits et du tourisme continuarão a alimentar os sonhos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Assinatura do acordo entre a chinesa HNA e a americana Carlson

Assinatura do acordo entre a chinesa HNA e a americana Carlson

 

 

 

 

Van Gogh, eterno hóspede de Auvers-sur-Oise

Les bords de l’Oise, de Vincent Van Gogh

Mesmo se Van Gogh passou somente os últimos 70 dias da sua vida nessa pequena cidade dos arredores de Paris, Auvers-sur-Oise ficou profundamente marcada  pela sua estada, ganhando uma projeção internacional que continua até hoje através das paisagens e dos personagens que ele imortalizou nos quase oitenta quadros que ele pintou na região. E se Auvers-sur-Oise atrai também pelo seu castelo, com seus jardins floridos e seus íris, com seus casamentos e seu festival ” Normandia  impressionista “, o turismo aproveita em primeiro lugar a omnipresença do artista gênio.

Castelo de Auvers sur Oise e seus famosos Íris

Castelo de Auvers-sur-Oise e seus famosos Íris

Van Gogh estará presente nas novidades previstas esse ano, como o lançamento da construção de um novo barco de passeio, replica do barco onde trabalhava o pintor  Charles-François Daubigny (1817-1878), um artista que Van Gogh admirava tanto que o homenageou com seu quadro “Le jardin de Daubigny”.    O Jardim de Daubigny, do Vincent Van GoghE para descobrir as beiras do Rio Oise que ele tanto gostava, Auvers-sur-Oise se juntou com dois outros municípios da região para propor um “cruzeiro pique-nique”  onde os turistas poderão aproveitar as paisagens favoritas do pintor enquanto estarão almoçando. Na casa do Doutor Gachet, o famoso benfeitor e amigo,  uma bem sucedida renovação e a uma exposição de obras inéditas fazem o visitante mergulhar no ambiente da época , dando a impressão que o Vincent pode aparecer a qualquer hora.

A Auberge Ravoux em Auvers sur Oise

A Auberge Ravoux em Auvers sur Oise

É porem na Auberge Ravoux, onde Van Gogh se hospedou de maio até julho de 1890, que a emoção de uma visita em Auvers sur Oise é a mais forte. A pequena albergue guardou a decoração e o ambiente dos bares de artistas no final do século XIX. O quarto de 7 metros quadrados, que o pintor alugava e onde ele estocava as suas telas embaixo da cama, guardou toda a sua simplicidade. E no restaurante, ainda é possível sentar e almoçar na mesma mesa onde ele fazia as suas refeições. Dominique-Charles JanssensConservar a alma do lugar é a luta do proprietário do local, Dominique-Charles Janssens, um cidadão belga que encontrou a então chamada “Maison de Van Gogh” por acaso (o caro dele bateu na frente em 1985). E se apaixonou então, ao ponto de comprar-la, restaurar e reabrir, reaproveitando o seu antigo nome de “Auberge Ravoux”. Sem apoio, mas com muita paixão, conseguiu convencer uns bancos, alguns patrocinadores e algumas operadores de turismo (inclusive a Wagons lits quando encontrei com ele pela primeira vez). Hoje ele recebe no local dezenas de milhares de visitantes vindo do mundo inteiro, mas o sonho do Janssens é de poder um dia pendurar na parede do pequeno quarto numero 5 um quadro do Vincent. A 30 milhões de dólares, pode parece impossível, mas sua garra e sua paixão já fizeram alguns milagres em Auvers-sur-Oise …

Jean-Philippe Pérol

Mesa na frente da Auberge Ravoux

Mesa na frente da Auberge Ravoux

 

Viagens de negocios com Uber ou AirBnb?

 

airbnbbusiness_01Os 43 vereadores de São Paulo que acataram as exigências da corporação dos taxistas podem ser em breve solicitados de novo para barrar outros avanços da economia colaborativa, essa vez nas viagens corporativos.PROIBIU UBER, PERDEU Com 10% dos seus clientes utilizando as suas ofertas de hospedagem durante as suas viagens de negócios, a AirBnb esta desenvolvendo uma opção de cadastro para as empresas ser assim faturadas diretamente das viagens dos seus funcionários, uma opção que a Uber já estava oferecendo. As duas assinaram também um convênio com a agencia online  de viagens corporativas  Concur (ainda não estabelecida no Brasil), ganhando um acesso a 25.000 contas e 25 milhões de funcionários. Segundo uma pesquisa « Faster, smarter, better? » da Carlson Wagonlit Travel, é clara o crescimento da economia colaborativo nas viagens de negócios, especialmente pela adesão dos administradores de contas. AIRBNB BUSINESS TRAVELEles são 41% a achar esses fornecedores importantes para os transportes terrestres, e 31% para a hospedagem. Numa outra pesquisa da Wagons lits, verifica-se que a força dessa tendência junto aos millenials (jovens nascidos entre 1980 e 2000).  Mais de um terço deles utilizam Uber durante as suas viagens de negócios (15 % para os outros viajantes), e 20 % escolham Airbnb ( 10 % para os outros viajantes). Dados da Certify, uma plataforma de administração de viagens de negócios, confirmam essas tendências: Uber teria a preferência de 55% dos viajantes contra 43% para os taxistas tradicionais, as reservas de AirBnb para viagens de negócios vão mais que dobrar em 2015, e a media das estadias é de 3,8 noites contra 2,1 para a hotelaria.

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As grandes empresas  da industria turística estão trabalhando cada vez mais com esses novos atores. American Express integrou a Uber no seu programa de fidelização.Airbnb 2016 A Uber é também parceira de varias cadeias hoteleiras, incluindo  W  ou  Hyatt. Companhias aéreas como United estão incluindo a AirBnb nas suas aplicações, e a KLM iniciou uma verdadeira parceria com ofertas de hospedagem em todos os seus destinos.  Sempre pioneira, a cidade de  São Francisco imaginou novas parcerias com a Airbnb para integrar na sua oferta turística bairros e comércios periféricos. E São Francisco Travel  oferece AirBnb como opção de hospedagem para os organizadores de seminários ou de congressos, uma solução que a cidade do Rio de Janeiro também escolheu com sucesso para os Jogos Olímpicos de  2016.

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Se as ofertas da economia colaborativa agradem os viajantes de negócios pelo custo, a experiência diferente, a convivialidade e a tecnologia, alguns freios ainda existem. Segunda a mesma pesquisa da Wagons lits, 28% (e 42% dos administradores) estão achando os riscos em termo de segurança (falta de seguros, fraudes, roubos ou outros) maiores que nas ofertas tradicionais. choix_presse_hd-006Os progressos nas legislações locais, as garantias oferecidas, e a procura de transparência nos comentários online ajudarão sem duvidas a tranquilizar os consumidores e as empresas. Claro porem que a economia colaborativa não pode satisfazer todos os viajantes de negócios. Muitos vão continuar a privilegiar os serviços, a estabilidade, a segurança e os programas de fidelização, tanto dos hotéis que dos grandes especialistas de viagens corporativos. Assim como a Accor, a hotelaria já parece pronta para o desafio, mas ambos os setores devem prestar a máxima atenção a essas novas ofertas e preparar alternativas valorizando a força dos seus valores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry  no “Réseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat”.

Sofitel Paris Le Faubourg, re-inaugurando com elegância e criatividade

PLACE DE LA CONCORDE

Quando a Compagnie Internationale des Wagons lits et du Tourisme inaugurou em 1969 o hotel “Etap Saint Honoré”, um pequeno e charmoso três estrelas FAIXADA DO SOFITEL FAUBOURGlocalizado na rua Boissy d’Anglas, ninguém no grupo imaginava que ele poderia um dia competir com seus prestigiosos vizinhos do bairro do Faubourg Saint Honoré. Foi porem reformado, primeiro quando Antoine Veil, então presidente da Wagons lits, resolveu em 1987 criar a marca “Pullman” e aproveitar os seus hotéis com as melhores localizações, depois em 1993 a quando a Accor comprou a empresa e transformou os seus estabelecimentos mais prestigiosos em Sofitel.

Mas foi uma verdadeira re-inauguração que aconteceu agora dia 5 de Marco. Combinando com a Paris fashion week, 600 convidados do mundo da moda, do design, da gastronomia e do turismo foram convidados para descobrir a espetacular decoração do Didier Gomez.FOTOGRAFIAS NO SOFITEL FAUBOURG Logo no lobby, a surpresa vem das cores brancas, cinzas, pretas e douradas que criam um ambiente moderno e caloroso, bem como duma foto gigante da  Cathleen Naundorf para Christian Dior. Tanto nos moveis que nas fotos espalhadas nos corredores ou nos quadros pendurados nas paredes, as escolhas do Gomez foram feitas para aproximar o conforto do hotel e o glamour da alta costura. A moda é presente até na historia do prédio, já que a ampliação do hotel só foi possível com a compra duma ala nova que abrigava o famoso magazine Marie Claire. E, se são 111 quartos e 36 suites, a maior e mais luxuosa delas foi batizada “Couture”.

CHAMBRE SOFITEL FAUBOURG

A alta costura é também presente no “Bar du Faubourg”. O mixologista preparou uma série de coquetéis com nomes inspirados das maiores estrelas da moda francesa: Christian, Gabrielle, Yves, Jean-Paul…O famoso chef Yannick Alleno é o responsável do restaurante, o STAY Faubourg,  com um novo conceito que ele já experimentou em Dubai, Taipei e Pequim. O cardápio é de cozinha francesa contemporânea, mas o restaurante tem muitas inovações originais como por exemplo uma grande mesa para pequenos grupos com menu especial e vinhos servidos em garrafas Magnum, ou uma surpreendente biblioteca de sobremesas dando a opção para o cliente de escolher um dos ingredientes.

O RESTAURANTE DO SOFITEL FAUBOURG

Com tanta elegância e criatividade, o Sofitel Paris Le Faubourg parece fazer um piscar de olha para a Historia. Construído no século XVIII para ser uma residência particular, localizado entre a loja-mor da Hermés e o mítico hotel de Crillon, o outrora pequeno hotel econômico da Wagons lits vai sem duvidas virar um dos mais cobiçados flagships da hotelaria parisiense – e um dos favoritos dos viajantes brasileiros.

Jean-Philippe Pérol

SOFITEL FAUBOURG

E-turismo: as agencias on-line numa encruzilhada?

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Na Franca, pela primeira vez desde que nasceu o e-turismo, as vendas das agências de viagens na Internet baixaram esse ano em relação ao ano anterior. A queda começou com -1% no primeiro semestre, mas ficou mais importante a partir de julho e chega agora a -4%, atingindo mais especificamente as agencias on-line tradicionais. Evolution-de-e-tourismeA tendência é preocupante para o turismo porque as vendas globais na internet continuam em alta, com um faturamento de 56,5 bilhões de Euros esse ano, e um forte aumento do numero de sites de vendas, agora mais de 150.000, incluindo muitas start-ups. A morosidade do turismo não atinge os outros setores de e-comercio que estão ainda em forte crescimento: 9% para as vendas de produtos de consumo ao publico, e 8% para as vendas B2B.

DSCN0121Olhando os números proveniente dos Estados Unidos, se vê também que a euforia do turismo on-line està diminuindo. Lá, as agencias on-line estão além disso enfrentando um outro desafio, o crescimento das vendas diretas dos grandes fornecedores – companhias aéreas ou hoteleiras – que já estão abocanhando quase 60% do mercado das vendas de turismo no web.

Claro que as viagens continuam sendo líderes de vendas no web, e claro que se trata da França ou dos Estados Unidos, e não do Brasil. hu_pacote_lisboa_paris_aereo_001_normalAqui as agencias on-line ainda aproveitam crescimento excepcionais, mais de 11% em 2013 e provavelmente ainda 6% esse ano. Mas era 18% em 2012, e a tendência é mesmo de queda. Nesse novo quadro, o modelo econômico das OTA (On line Travel Agency) vai ter que evoluir. O tempo da valorização dos investimentos pela conquista de mais faixas de mercado vai talvez acabar, e os lucros vão assim voltar a ser os primeiros critérios de avaliação dos grandes atores do setor.

A primeira agencia da Wagons lits no Brasil, foto de Abril 1936

A primeira agencia da Wagons lits no Brasil, foto de Abril 1936

Frente a essas encruzilhadas, as agencias on-line jà estão mostrando mais qualidade e criatividade.  Lançam produtos e serviços mais sofisticados, melhoram o contato com o cliente, reforçando o atendimento com chat ou telefone, e as vezes mesmo (re)abrindo lojas …. Com as agencias tradicionais agora consolidando suas posições nos segmentos de lazer com mais valor agregado, a concorrência vai redobrar, e a grande aventura das agencias de viagem que o Thomas Cook começou a escrever em 1842 ainda não acabou….

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi adaptado dum artigo original do L Echo Touristique