Fortaleza, novo xodó dos turistas (e do turismo) franceses!

Primeiro pouso em Fortaleza da Air France/Joon no dia 3 de Maio

A espetacular abertura da linha Paris Fortaleza por duas companhias do grupo Air France mostrou o renovado interesse da França pelo Nordeste brasileiro, tanto como destino para os turistas franceses que como mercado emissor. Os voos para os grandes hubs da região não são porem uma novidade. A própria Air France herdou da Aerospatiale a inauguração de uma rota Natal Rio em Novembro 1927,  depois interligada com Dakar e Paris. Depois da segunda guerra, foi  Recife que foi escolhida para escala na rota Paris Rio, e depois abandonada em 1963 quando chegaram os Boeing 707. Quase escolhida em 1975 para receber o Concorde, Recife teve de novo a preferência em 1982 quando Air France voltou a pousar no Nordeste, mas o voo parou em 1995.

Beleza e autenticidade na praia do Iguape

Na competição entre os grandes hubs do Nordeste, a Air France escolheu essa vez Fortaleza. A rota mais curta para Paris, o dinamismo do Ceará e o apoio da Gol foram três fatores importantes numa briga que o peso das vendas locais não dava para desempatar. Para levar a decisão, a surpresa vem dos profissionais franceses que anunciaram claramente suas preferências pela capital cearense. Seu clima seco garantindo sol o ano inteiro, seu mar quente, suas praias de areia branco e seus passeios de buggy, sua infraestrutura hoteleiro e seus parques aquáticos já tinham seus fãs, especialmente os amadores de kite surf. Estão agora se popularizando, aparecendo nas paginas dos principais jornais e revistas franceses bem como nas prateleiras das agencias de viagem e das operadoras.

Cumbuco, balneario do Saint Tropez des Tropiques e do Vila Galês

Não é a primeira vez que o Ceará tenta atrair os turistas franceses. Já nos anos 70 a empresa hoteleira PLM tentou implantar no Brasil seu primeiro hotel, com a ideia de levar para Fortaleza parte dos enormes fluxos de turistas franceses indo para seus hotéis do Caribe. Nos anos 80 a operadora El Condor, então líder do mercado francês, lançou um charter bimensal para Fortaleza, planejando fazer do balneário do Cumbuco um novo ” Saint Tropez des Tropiques”. Mesmo com muitos poderosos padrinhos dos dois lados do Atlântico, incluindo o prefeito de Saint Tropez e o empresário franco-cearense Paul Mattei, o projeto não vigorou. Contribuiu porem a reforçar os laços com numerosos profissionais franceses do setor, ainda hoje muito presentes em Fortaleza.

Entre Nordeste e Amazônia, o inesperado deserto dos Lençóis Maranhenses

Fortaleza está também seduzindo os turistas franceses pela oportunidades de conexão que o hub da Gol oferece para outras atrações do nordeste e do norte. Mais que os destinos tradicionais, Salvador ou Recife, os novos roteiros estão incluindo Morro Branco, Prainha, Iguape, Cumbuco, Jericoacoara, paraíso dos kite surfistas, o delta do Parnaíba, e os surpreendentes Lençóis Maranhenses cujos lagos e dunas estão fascinando todos os visitantes. Talvez lembrando a historia da cidade fundada pelo francês Daniel de la Touche, os turistas franceses estão chegando em São Luiz, “jóia do Maranhão, herdeira da França equinocial, tombada pela UNESCO em 1997”. E as melhores ofertas de Belém, Alter do Chão ou Manaus, seja cruzeiros fluviais, hotéis de charme ou pousadas de selva, já estão medindo a nova empolgação trazida pelos voos Paris Fortaleza.

Nos Encontros 2018, os profissionais franceses atras do mercado nordestino

Novo xodó dos franceses, Fortaleza vai também surpreender pelo potencial de viajantes que o Nordeste pode gerar para Europa em geral e a França em particular. Até agora quase monopólio da Air Portugal, e com forte liderança de Lisboa, os fluxos de turistas já começaram a se redefinir, incluindo viajantes procurando experiências sofisticadas na cultura, na gastronomia ou no enoturismo. A Atout France, encarregada da promoção do turismo francês, já está acompanhando essa nova tendência, trazendo para Fortaleza o seu evento-mor “Encontros a francesa”. Alem dos encantos da capital e do litoral cearense, os 40 profissionais franceses convidados vão com certeza voltar convencidos que o Nordeste brasileiro vai em pouco anos dobrar seu fluxo de viajantes para França.

Jean-Philippe Pérol

O Teatro José de Alencar em Fortaleza (foto Casablanca turismo)

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Cittaslow, 236 cidades onde é bom viver e viajar!

Greve in Chianti, primeira Cittaslow da Italia

Começando com o Slow Food, sua alimentação sadia e prazerosa, sua agricultura biológica, seu respeito as tradições culinárias e sua vontade de privilegiar a autenticidade local, o movimento Slow nasceu na Itália em 1989. Foi também na Itália, dez anos depois, que nasceu a ideia das Slow cities. O prefeito de Greve in Chianti, pequena e charmosa cidade da Toscana, conseguiu convencer os seus colegas de Bra, Orvieto e Positano que era o momento de ver considerar o turismo e a vida dos próprios moradores de uma outra forma, passando em ritmo de Slow. Conhecido agora como Cittaslow, esse movimento não parou de crescer e contava, no final de 2017, com 236 cidades em 30 países.

O caracol, símbolo das Slow cidades

Para virar uma Cittaslow, a cidade precisa ter menos de 50.000 habitantes, e ter uma estratégia aprofundada referente ao meio ambiente, tradições locais, desenvolvimento regional, mobilidade urbana, hospitalidade e bem estar tanto dos moradores quanto dos visitantes. Uma carta compromisso deve ser assinada, com 70 critérios selecionados para promover:

  • a valorização do patrimônio histórico
  • a comercialização de produtos regionais e do artesanato local
  • a preservação dos costumes e das tradições
  • a renovação dos prédios e das casas antigas
  • a criação de eventos culturais
  • a ampliação das áreas verdes e das zonas de pedestres, o investimento em ciclovias e em transportes alternativos
  • a redução do consumo de energia
  • o desenvolvimento ao comercio de proximidade
  • o apoio as infraestruturas de acessibilidades para deficientes físicos

O respeito dos compromissos referente a cada critério é controlado cada cinco anos.

Labastide d’Armagnac, uma das sete Cittaslow francesas

Para esses pequenos municípios, participar da rede Cittaslow oferece uma nova estratégia de desenvolvimento e uma visibilidade internacional. Na França, Segonzac conseguiu assim revalorizar o seu território, Saint-Antonin-Noble-Val, revitalizar os comércios do centro então abandonados, e Labastide-d’Armagnac atrair novos moradores. Na Polônia, as 26 Cittaslow estão apostando nas sinergias da rede para impulsionar o turismo, apresentando vários roteiros num único documento. Para todas as Slow cities, o famoso caracol do logotipo é uma das grandes forças da comunicação , seja nos sites web ou seja na sinalização urbana, sendo também utilizado pelos dois tipos de parceiros da associação: os “amigos” (moradores das Cittaslow) ou “torcedores” (cidades de mais de 50.000 habitantes).

Pijao, primeira Cittaslow da América Latina

Mesmo se parece um desafio de tentar combinar os valores das Slow cities com as grandes metrópoles mundiais, varias tentativas foram feitas, inclusive um projeto de Cittaslow Metropole que atraiu até Barcelona, São Francisco, Roma e Milão mas não vingou, os critérios de adesão sendo demais rigorosos para grandes aglomerações urbanas. A Associação Cittaslow achou porém uma forma de colaboração. As cidades de mais de 50.000 habitantes podem aderir como “torcedores” aceitando os princípios éticos do movimento, e devem assim ajudar o movimento “Slow” a seduzir novos seguidores nos cinco continentes.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Chantal Neault  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Club Med inventando agências em apartamentos butique

Club Med compte déployer une dizaine d’appartements-boutiques en France d’ici 2021 - Appartement boutique des Champs-Elysées - Photo Shérif Scouri Club Med

Apartamento butique do Club Med nos Champs-Elysées

Atender os seus clientes num apartamento butique espaçoso e bem localizado é uma das novas ideias do Club Med para mostrar a consideração que os “gentis organizadores” estão agora dando para seus “gentis membros”.   Com o espírito de inovação que sempre foi a marca registrada desde seu carismático  líder Gilbert Trigano,  o Club quer reinventar não somente as viagens do futuro mas também a relação com os seus clientes, começando pelas suas agencias onde são realizadas 25% das vendas. Depois do sucesso do primeiro apartamento butique nos Champs Elysées, aberto em outubro 2015, foi decidido de ampliar a experiência e de abrir uns dez desses pontos de vendas do futuro até 2021.

No térreo do novo apartamento butique, a Grande Epicerie

Localizado no sofisticado “Seizième” de Paris, em cima da nova sucursal da procuradíssima La Grande Épicerie, o segundo apartamento butique do Club Med foi aberto no último mês de Abril e oferece um espaço de 300 metros quadrados consagrado a criação e a personalização da viagem de amanha. Uma decoração requintada, incluindo até uma obra do famoso escultor César, cria um ambiente de luxo sempre ligado com a historia da marca e dos seus resorts, onde o cliente se sente considerado e pode “viajar antes de começar sua viagem” em cada um dos momentos que ele passa nessa agencia muito pouco convencional.

O novo apartamento butique na Avenida Paul Doumer

Para ajudar os visitantes a criar suas próprias viagens, vários espaços foram agenciados. A sala de estar inspira encontros e descobertas para uns momentos descontraídos com bebidas quentes, refrigerantes e doces a vontade. Na cozinha aberta são oferecidas degustações de produtos dos resorts, por exemplo o azeite  “Opio en Provence” vindo do campos de oliveiras do próprio Club, ou organizadas eventos  gastronômicos ou enológicos. Um sala de reuniões é dedicada a reuniões com parceiros, incluindo conferencias em “petit comité” para apresentar destinos. E para mostrar que o tempo não é contado, uma biblioteca  é também a disposição dos clientes.

Um dos sete pontos de atendimento do apartamento butique

No espaço principal, os especialistas da agencia ajudam os visitantes a personalizar os seus projetos e a reservar suas viagens. Os resorts podem ser visitados em realidade virtual com os capacetes Samsung Gear VR. Se todos os Clubs são acessíveis, a clientela mais sofisticada, que continua procurando um atendimento em agencias, deve privilegiar os “5 Tridents” ou os “Espace 5 Tridents”. O apartamento butique vai também valorizar as próximas inaugurações de resorts que vão responder as mais exigentes expectativas: assim o  Cefalù da Sicília em junho, o Arcs Panorama em dezembro, ou os espaços renovados de La Reserve no Rio das Pedras, de Turks & Caicos no Caribe ou de La Pointe aux Canonniers em Maurício. 

Visita 360 do apartamento butique

Se esse segundo apartamento butique confirmar o sucesso do primeiro, o Club Med planeja abrir mais dez nas principais cidades da França até 2021, substituindo ou não as agencias próprias tradicionais. Não tem data marcada para adaptar esse novo conceito de atendimento ao cliente no Brasil. Mas, nesse grupo que sempre foi líder em inovação e pioneirismo, o diretor geral do Club no Brasil, Janyck Daudet, deixou claro que os apartamentos butique, sua extreme atenção a experiência do viajante antes e durante sua decisão de viajar, e seu foco na clientela sofisticada, pode muito em breve substituir ou completar os tradicionais pontos de vendas do grupo.

Marselha, agora também destino de turismo de negócios

Photo : Flickr ©OTCM Objectif images

O Palacio do Pharo, maior centro de convenções de Marselha

Depois do sucesso em 2013 do ano europeu da cultura, depois de entrar em 2016 no Top 20 dos portos de cruzeiros, Marselha mostra agora as suas ambições de virar um grande destino de congressos, convenções e seminários. Em 2017 recebeu mais de 800 eventos – 21 deles com mais de 1000 participantes- , faturou USD 400 milhões, e entrou no ranking dos 80 destinos mundiais de “MICE”, sendo o terceiro destino francês de eventos atrás de Paris e Lyon, e competindo com Bordeaux, Nice e Montpellier. Um bom posicionamento nos congressos medicais explicou esse crescimento, mas Marselha está também aproveitando uma nova especialização: os encontros, incentivos e seminários sobre o setor do numérico.

O Mucem, simbolo da nova Marselha

O sucesso de Marselha no “turismo de negócios” se deve em primeiro lugar as mudanças radicais na sua imagem desde sua nomeação como Capital europeia da Cultura em 2013. Foi a oportunidade de mostrar uma programação excepcional, e de inaugurar um Museu original. Localizado perto do velho porto, o MUCEM – Museu das Culturas do Mar Mediterrâneo – é não somente uma obra imponente do arquiteto franco-argelino Rudy Ricciotti, mas um grande acervo, em parte herdado do antigo Museu das Artes e Tradições Populares de Paris, que ajuda o visitante a descobrir as civilizações mediterrâneas e suas influencias sobre a cultura da Europa. O sucesso da “Galeria do Mediterrâneo” e das exposições já colocou o MUCEM na lista dos 50 museus mais visitados do mundo.

Frente ao sitio arqueológico, o World trade center

2018 deve ser para Marselha um ano excelente para os eventos de negócios. Mais de 80 congressos já foram confirmados, tanto no tradicional Centro de Convenções do palácio do Pharo que no renovado World Travel Center onde já tem importantes eventos reservados para 2019 e 2020. Os grandes eventos previstos na França em 2023 (Copa do Mundo de Rugby) e 2024 (Jogos Olímpicos) devem também ser um atrativo para muitas viagens de incentivo. Para melhorar ainda mais seu posicionamento internacional, Marselha continua a investir, tentando multiplicar as opções de shopping no centro da cidade, negociando novas ligações aéreas internacionais para os Estados Unidos, a Rússia ou os países do Golfo, abrindo salas de reuniões no topo da nova torre Jean Nouvelle, as 135 metros de altura.

Frente ao porto, as torres empresariais

A estratégia de Marselha gerou um crescimento de 50% dos viajantes de negócios internacionais. Com o dinamismo trazido pelo novo terminal de cruzeiros, lembrando com força que ela é a capital da Provence, a cidade quer se firmar no pódio das grandes cidades turísticas francesas. No Brasil, onde era conhecido pelo seu time de futebol, o Olympique, que foi o primeiro clube francês a contratar um jogador de futebol brasileiro – foi, nos anos setenta, o Paulo César “Caju”-, Marselha cresceu muito nos últimos anos como destino de turistas brasileiros, e as oportunidades para congressos, incentivos e seminários pode ajudar a consolidar sua posição.

Marselha receberá o iatismo e o futebol para os J.O. 2024

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional on-line francesa Tourmag

 

”La Liste” 2018 dos 1000 melhores restaurantes do mundo destaca o Chef Guy Savoy

“La liste”, a imperdível lista dos 1000 melhores restaurantes do mundo, esse ano com o DOM, o Fasano, o Maní e o Olympe representando o Brasil!

Brasil à Francesa

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Ocorreu, no início de dezembro deste ano, a cerimonia da 3ª edição de « LA LISTE » (A Lista) no Quai d’Orsay, em Paris, sede do Ministério francês das Relações Exteriores, na presença dos 40 maiores chefs e donos de restaurantes internacionais vindo dos 5 continentes. Colocando a gastronomia francesa como prioridade nacional, o Président Emmanuel Macron patrocinou a premiação.

Baseada em um algoritmo com mais de 550 fontes gourmets especializadas, LA LISTE visa criar a melhor seleção gastronômica internacional – competindo ao mesmo tempo com o famoso World’s 50 Best Restaurants cuja seleção sempre criou a controversa, especialmente na França.

Pelo contrario, La Liste pretende ser mais representativa de opiniões internacionais, respeitando um método imparcial e objetivo e trabalhando com guias estabelecidos (por exemplo, Michelin), revistas de referência (por exemplo, New York Times), bem como fontes mais recentes (por exemplo, Cubapaladar, primeiro guia cubano …).

Para seus fundadores, ela…

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Vendas diretas das operadoras, uma tendência irresistível?

Consumidor europeu na briga das agencias e das companhias pelas vendas diretas

Com viajantes cada vez mais informados e mais atentos para encontrar o melhor preço, as vendas diretas viraram um assunto de primeira importância para todos os atores do trade. No meio de uma polêmica com as agências europeias sobre a transparência e o custo de tais vendas, as companhias aéreas vêem nessa comercialização sem intermediários não somente um meio de reduzir seus custos, mas também uma ferramenta para criar ligações diretas com seus clientes.  Segundo um estudo da IATA de 2016,  as companhias aéreas já antecipam para 2021 a seguinte repartição de suas vendas: 9% de vendas com as OTA (-2%), 21% com as agências corporate (+1%), 16% com as agências tradicionais (que teriam uma queda de 4% de sua participação no mercado) e 52% de vendas diretas (+5%), um número que até pode ser superado no Brasil, onde algumas companhias já passam de 45%.

O espaço Braztoa no WTM Latin América

A batalha das vendas diretas deve em breve mudar de campo e as Operadoras serão, talvez, os atores que irão enfrentar agora as maiores mudanças. Sempre discretas sobre seus projetos de desenvolvimento em direção ao consumidor – e ainda no Brasil muito respeitosas às agências de viagem -, elas podem antecipar as evoluções olhando as tendências dos grandes mercados emissores. Assim, na França, a Associação das Operadoras (SETO, equivalente da BRAZTOA) mostrou as mudanças dos comportamentos de compra dos viajantes nos últimos cinco anos e a conclusão mais forte foi um espetacular crescimento das vendas diretas, que passaram de 31% a 45% entre 2012 e 2017, e até de 56% a 68% se incluir as agências pertencentes a estas operadoras.

Evolução por canal das vendas das operadoras francesas de 2012 a 2016

Os grandes vencedores desse novo mapa da distribuição são os sites B2C das operadoras, que dobraram sua faixa de mercado. As agências tradicionais continuam sendo o primeiro canal de vendas – especialmente nos pacotes mais caros-, mas são as grandes perdedoras, com uma queda de 27,3% em quatro anos. Estas evoluções não impedem, porém, as operadoras de serem muito cautelosas e de respeitar os comportamentos dos viajantes. Consumidores cada vez mais atentos, eles seguem utilizando vários canais, procurando na web, olhando nas mídias sociais, pedindo conselhos e dicas a um agente capacitado, reservando no call center ou se juntando a um grupo organizado por sua empresa. E, se o crescimento das vendas diretas é uma tendência irresistível nos mercados internacionais, os agentes tradicionais deveriam continuar a atrair os consumidores mais exigentes.

Jean-Philippe Pérol

Com 335.000 pacotes, as Ilhas Canárias são o destino mais vendido pelas operadoras francesas

30 anos de turismo francês, evoluindo com os atores do trade e os proprios viajantes!

O bicentenário de 1789 foi um dos maiores impulsos para o turismo francês

Deixando esse mês a Diretoria Américas da Atout France, fico impressionado com a importância das mudanças que o “marketing de destino” enfrentou no Brasil nos últimos 30 anos. Além do cotidiano, comparando o primeiro escritório da Maison de la France, onde duas funcionárias distribuíam duas toneladas de folhetos por mês, a toda informação e à comunicação que hoje são concentradas na nova plataforma web onde está sendo hospedado o site france.fr, o novo banco de dados e a gestão das mídias sociais, com nosso milhão de fãs brasileiros. Três evoluções do setor turístico no Brasil transformaram completamente o papel da Agência de Desenvolvimento Turístico da França e das secretarias de turismo dos seus principais concorrentes.

Os novos viajantes empurrando o Brasil como terceiro mercado fora da UE

A primeira foi o crescimento do Brasil como mercado emissor para a França, passando de menos de 200.000 turistas a quase 700.000, sendo somente ultrapassado, fora da Europa, pela China e pelos Estados Unidos. Esse crescimento não foi somente quantitativo, mas gerou novos perfis de viajantes. A França manteve seus clientes tradicionais – casais ou pequenos grupos de amigos da classe A,  francófilos e bons conhecedores da arte de viver à francesa -, mas agora também recebe outros brasileiros. Os novos turistas são mais novos, pertencem às classes A ou B, precisam de mais apoio, viajam mais em grupo, visitam mais países na Europa, voando para outras capitais ou rodando de ônibus. Com muita vontade de viajar pelo mundo, mas como menos de 10% deles fazem uma viagem internacional por ano, eles representam o maior potencial para os 1,5 milhões de turistas que a França tem como objetivo no Brasil.

Hotel Urbano, um dos novos atores mudando a distribuição

A segunda grande mudança foi da distribuição. A França era principalmente comercializada através de grandes operadores europeias de circuitos (Polvani, Melia, Pullmantur, Marsans, Abreu, Transocean), ou através de operadoras brasileiras especializadas, tais como Bon Voyage, Imperial, Elantur, Oremar, Wagons-lits, Renocar. Se hoje o DNA da Atout France continua sendo uma forte ligação com operadoras e agências, os atores mudaram. A brasileiríssima CVC ficou em um disparado primeiro lugar com a metade dos pacotes para França, as agências on-line pegaram a sua fatia do mercado. As operadoras tradicionais devem contar com concorrentes criativos, tais como Hotel Urbano, mas também com novos canais de distribuição: blogueiros, plataformas de receptivo ou atores da economia colaborativa.

Parceria com o trade, especificidade e força da Atout France

A Atout France teve também que se adaptar a uma profunda evolução das expectativas dos seus parceiros. Enquanto a estratégia da Maison de la France era de atrair empresas de turismo para construir com elas ações de marketing, duas novas exigências tiveram que ser integradas aos planos da Atout France. A crescente necessidade de medir os resultados de cada investimento levaram a privilegiar as ações de vendas com retorno imediato.  E a importância estratégica do “branding” leva cada empresa e cada destino  a administrar com muito ciúme sua imagem, aceitando com dificuldade que ela seja diluída em uma ação coletiva, campanha de publicidade ou até evento. O marketing do destino França teve, então, que evoluir, se apoiando cada vez mais em produtos e declinando a marca França em cerca de 40 “brands”, de Bordeaux à Toulouse-Pyrénées, dos Alpes-Mont Blanc à Guiana Amazônia, ou de Biarritz Pays Basque à Normandia.

Esse capacidade de evoluir em função das novas expectativas dos turistas e de acompanhar as mutações do trade é, sem dúvidas, responsável pelo sucesso da França como grande destino turístico – esse ano será quebrado um novo recorde, com 89 milhões de entradas. Frente a nossos grandes concorrentes, especialmente os Estados Unidos e a China, ela será também a chave para se manter no primeiro lugar dos desejos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Perto de Bordeaux, a primeira experiência de uma viajante brasileira de amanhã

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Saint Martin: depois das primeiras urgências, a certeza de uma reconstrução rápida e sustentável!

 

Saint Martin, a ilha amiga no Caribe francês

De Anguilla a Key West, passando pelas Ilhas Virgens e Cuba, o furacão Irma deixou uma trilha de devastação material e de dramas humanos, arrasando regiões muito queridas no Brasil, tanto pela proximidade geográfica e cultural que pela familiaridade com os seus grandes destinos turísticos. As ilhas francesas de Saint Martin e Saint Barthelemy, visitadas a cada ano por mais de 10.000 brasileiros, foram duramente atingidas. Mas depois do choque, começou uma impressionante operação de ajuda que levou o proprio Presidente da Republica francesa a visitar as duas ilhas para mostrar o seu apoio às populações. Daniel Gibbs, Presidente da Coletividade de Saint-Martin, descreveu  a situação de seu território após a passagem do furacão no último dia 6 de setembro de 2017, anunciando as três etapas da reconstrução que as autoridades já estão liderando.

A primeira fase da organização pós-furacão consistiu em gerenciar  as urgências dos cuidados às pessoas feridas, doentes ou em dificuldades, e na evacuação dos turistas ainda bloqueados nas ilhas – quase todos eles já tendo sido repatriados para seus países de origem. Foi também assegurada a segurança do território através da chegada de importantes reforços do Exército e da polícia militar da França. Essa primeira Fase já está concluída e a segurança do território está sob controle. O Presidente e sua equipe trabalham agora com seus parceiros na segunda fase da organização pós-furacão,  dando priorizando a limpeza dos escombros, dos itens volumosos e dos detritos gerados e transportados pelo furacão, a distribuição de água, comida e de material, assim como a reabilitação das redes de água, saneamento básico e eletricidade.

A terceira fase das ações da coletividade será lançar o mais rapidamente possível a reconstrução do território para a população e as empresas poderem retomar as suas atividades habituais. O encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, na última terça-feira 12 de setembro de 2017 permitiu ao presidente Gibbs expor as necessidades urgentes, bem como as medidas de acompanhamento que devem ser negociadas entre a França e a Coletividade. Nesta fase, ainda em curso, a recuperação do turismo é uma prioridade, e um conjunto de peritos deve avaliar o estado dos hotéis, residências e guest houses para ajudar na reconstrução das infraestruturas turísticas.

O trabalho do Presidente da coletividade de Saint Martin e das suas equipes têm agora dois objetivos maiores: o acompanhamento de todos os momentos dos moradores, com foco  na ajuda aos trabalhadores desempregados e no apoio às empresas, e a reconstrução rápida e durável do território para que Saint-Martin possa retomar sua atividade econômica. O presidente Gibbs e sua equipe farão de tudo que está em seus poderes para que o território retome sua atratividade. Ele agradece calorosamente a todos os parceiros e operadores de turismo que se mobilizaram para Saint-Martin e que acompanham agora os são-martinhenses para que a “Ilha amiga do Caribe francês” volte a ser um dos destinos mais apreciados do Caribe.

Vista aérea de Saint Martin

 

 

Turismo para família combinando Disney, parques, outlets … e cultura? Paris Ile de France, claro!

Disneyland Paris, primeira atração turística da Europa

As comemorações dos 25 anos da Disneylândia Paris mostraram o sucesso desse empreendimento – hoje a atração turística mais visitada da Europa com 13,4 milhões de entradas -, bem como o impacto que ele teve sobre o turismo francês. O Mickey com sotaque atraiu novos perfis de visitantes e deu um novo impulso não somente nos mercados de proximidade mas também na Ásia e nas Américas. No Brasil, que até então dava para a Flórida a quase exclusividade dos parques de lazer, foram mais de 80.000 viajantes (um crescimento de quase 40%) que descobrirão em 2017 a Disney à francesa. A crescente presença de brasileiros nos grandes parques como Asterix, o Puy du Fou e o Futuroscope, ou nos 250 outros parques  espalhados na região Paris Ile de France e nas outras regiões francesas, mostram que a França é cada vez mais considerada no Brasil como um destino para famílias com crianças grandes ou pequenas.

A Fondation Vuitton, encostada no Jardin d’Acclimatation

Em 2018, a reabertura do saudoso Jardin d’Acclimatation, encostado na Fondation Vuitton e nas florestas urbanas do Bois e Boulogne, vai dar mais um impulso na atratividade da região para o turismo de famílias. O mais antigo parque de Paris, aberto em 1860 pelo Imperador Napoleão III, está sendo completamente renovado e o seu proprietário, o grupo de luxo LVMH, tem a ambição de atrair em breve mais de 2 milhões de visitantes. O projeto inclui a renovação do patrimônio arquitetural herdado do Império, dos estábulos, do pombal, e dos aviários, bem como a valorização das atrações mais queridas dos parisienses –  Trenzinho (aberto em 1878), Rio Encantado (aberto em 1927), ou Casa dos Espelhos. Além das 23 atrações já existentes, 17 serão abertas, todas no mesmo espírito “retro-futurista” inspirado em Jules Verne. Apostando na complementaridade com a Fondation Vuitton, combinando parque e cultura, a LVMH espera atrair turistas internacionais de todas as idades.

Grandes marcas e pequenos preços no outlet La Vallée Village

Não bastassem os parques, a região Paris Ile de France está agora seduzindo as famílias pelas opções de shopping. As medidas tomadas para facilitar as aberturas de loja nos domingos, bem como a simplificação dos procedimentos de reembolso de até 16 % de impostos já agradaram os turistas. A multiplicação dos outlets  foi mais um passo. A França tem hoje 21 “vilarejos de marcas”, sendo oito perto de Paris e três em Troyes, na Champagne vizinha. Os maiores, tais como o One Nation Paris, as Marques Avenues, o Usine Center, ou o Usine Mode et Maison, chegam a juntar lojas de fábricas, lojas de departamentos (inclusive cinco Galeries Lafayette) ou até lojas tradicionais, com preços de liquidações. Pela proximidade da Disney, ou talvez das 190 lojas do shopping Val d’Europe, hospedando 120 marcas francesas e internacionais, o La Vallée Village , que hospede 120 marcas francesas e internacionais, é o mais popular junto aos turistas brasileiros.

Em Vaux le Vicomte, cultura e diversão para toda família

Na concorrência com os grandes destinos de turismo em família curtidos pelos brasileiros, a região de Paris Ile de France tem acima de tudo um trunfo importante, um acervo cultural excepcional que surpreende pelas numerosas ofertas para crianças de todas as idades. Em Paris mesmo, a Cité des Sciences, o Palais de la découverte, o Musée des Arts forains são algumas opções para as famílias, bem como o Museu do Homem, o Museu da Marinha ou o próprio Louvre, se o roteiro escolhido for adaptado – mostrando que a cultura pode também ser atual e divertida. Nos arredores da capital, os mais prestigiosos castelos, incluindo Versalhes, Fontainebleau ou Vaux le Vicomte, oferecem animações ou eventos  para adultos e crianças. Para os turistas brasileiros, que exigem das suas viagens para França uma forte dimensão cultural, será talvez um argumento decisivo para escolher Paris e sua região como o outro destino para famílias juntando parques de lazer, shopping … e cultura.

Jean-Philippe Pérol

Os Etangs de Corot, exemplo de canto escondido de Paris Ile de France

Diversificação da hospedagem virou chave do sucesso do turismo francês!

Paris plage, uma nova imagem da cidade luz!      @Loic Lagarde

Enquanto a França reencontra os turistas internacionais – 6% de crescimento das chegadas no primeiro semestre, com um destaque especial para o Brasil que teve um aumento de 22,7%, e um novo recorde de 89 milhões de turistas anunciados pelo ministro das relações exteriores-, uma das suas principais ambições é de oferecer hospedagens em sintonia com as novas exigências dos viajantes. Junto com os investimentos para melhorar a qualidade e a quantidade, os esforços bem sucedidos para diversificar as hospedagens são uma das principais razões da volta dos turistas tanto em Paris que nos principais destinos franceses.

O Restaurante do Mama Shelter de Paris

A criatividade dos novos alojamentos turísticos pode ser comprovada em muitos projetos, dos hotéis boutique até os “Mama Shelter” ou os “glamping”, mas duas categorias estão se destacando nesses esforços bem sucedidos combinando iniciativa dos profissionais e responsabilidade das autoridades para ampliar uma oferta respondendo a procura de viajantes  cada vez mais diversificados. O sucesso da “Distinction Palace” contribuiu muito para consolidar a liderança de Paris e da França na hotelaria de altíssimo padrão. Criada em 2014, essa categoria muito especial, premiando estabelecimentos já titulares de 5 estrelas assim selecionados por uma comissão de personalidades independentes, ja reune 23 hotéis – 10 em Paris, 12 nos outros destinos da Franca metropolitana e um em Saint Barthelemy.

As Sources de caudalie, um dos Palaces premiados em 2016

Exclusividade francesa, os “Palaces” foram não somente um reconhecimento do “savoir faire” desses profissionais do luxo, mas também um forte incentivo a renovação ou até a abertura de novos estabelecimentos. Em 2016, sete hotéis ganharam a distinção, vários deles muito acostumados  com brasileiros como o Eden Roc na Riviera, o Cheval d’Argent en Saint Barthelemy ou as Sources de Caudalie perto de Bordeaux. Para 2017 e 2018 mais candidatos estão se preparando, especialmente os lendários Hotel Lutetia e Hotel de Crillon. Construído em 1758, essa prestigiosa mansão, que foi transformado em hotel de luxo em 1909 e participou da aventura da Route du Bonheur e dos Relais & Châteaux, reabriu agora depois de dois anos de renovação.

O Hotel de Crillon agora renovado

As obras combinaram o total respeito da faixada e das partes tombadas do Hotel, as necessárias inovações para atender as exigências dos viajantes do século 21, e criatividade de grandes designers para os restaurantes (Minossian), os quartos (Vergniol) e as suites assinadas pelo Karl Lagerfeld que dedicou uma delas a sua gata Choupette …. O novo Crillon tem assim menos quartos (124 em vez de 147), mas com 33 suites e 10 suites “Signature” de altíssimo padrão. O restaurante gastronômico não fica mais no salão dos Embaixadores mas numa sala menor chamada L’Ecrin com o jovem chef Christopher Hache e uma adega de 43.000 garrafas. Nas novidades mais esperadas constam um bar espetacular,  uma piscina e um spa (num segundo subsolo cavado especialmente), bem como um “cigar loundge” para os amadores de charutos. Detalhes que ajudarão a reforçar a imagem de Paris no segmento de turismo de luxo.

Bordeaux, cidade pioneira na regulamentação dos alugueis C2C

Mas o provável novo recorde de turistas internacionais que a França deve atingir esse ano se deve também ao espetacular sucesso  de hospedagens alternativos que mostram a forte diversificação da oferta francesa. Assim a hospedagem não comercial (parentes e amigos), que chega a 34% dos pernoites, com um forte crescimento nos últimos anos  junto aos viajantes vindo da Asia ou das Américas ((o não comercial representa hoje 22,5% dos 8,2 milhões de pernoites de turistas brasileiros na França).  Assim os alugueis “de pessoa a pessoa” da AirBnb e dos seus concorrentes. Representando hoje 26,7% dos pernoites comerciais, essa forma de hospedagem atrai especialmente os  turistas provenientes dos Estados Unidos, da Australia e do Brasil (seriam mais de 1,5 milhões de pernoites de brasileiros). Agora mais regulamentada para respeitar tanto os concorrentes que os moradores, ela deve continuar a crescer, contribuindo a ampliar e diversificar a oferta de hospedagem na França. Uma diversificação que atrai novos viajantes e  consolida a  liderança francesa no turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

O glamping, glamour e camping, chegou com toda força