A urgência (e a simplicidade) da volta do certificado internacional de vacinacão

Aceito por 194 países, o Certificado da OMS é uma opção imediata

Enquanto as variantes do Covid se espalham pelo mundo e adiam mais uma vez as perspectivas de retomada, muitos profissionais estão pedindo que seja lançado com urgência um “passaporte sanitário” que abriria sem restrições para as pessoas vacinadas o acesso as companhias aéreas e aos destinos. A ideia já foi lançada pela Grécia em maio do ano passado mas não chegou a convencer os outros países da União Europeia. Alguns destinos menores – e mais dinâmicos – criaram porem o seu proprio documento, foi assim o caso das Ilhas Seychelles, da Dinamarca ou da Islândia. Sempre pioneiro quando se trata de promoção turística, esse país nórdico emitiu quase 5000 “passaportes” e está negociando a sua aceitação a nível internacional.

A Inglaterra já está testando o Covipass

Outros países já estão trabalhando sobre o fornecimento de documentos que poderiam restabelecer a confiança e reabrir as fronteiras. A Inglaterra, líder europeia com mais de 10 milhões de vacinações, já está testando um passaporte biométrico. Israel pretende distribuir cadernos verdes liberando das restrições de circulação (mas não das máscaras nem das regras de distanciamento) quem já recebeu as duas doses da vacina. Em teste a nível nacional, o caderno poderia depois ser usado para as viagens internacionais. Na Índia, o ministério da saude estuda um QR code, associado ao número de celular e a carteira de identidade, que poderá ser usado como um passe digital para todas as pessoas vacinadas no pais.

O Commonpass já foi testado em Outubro pela United Airlines

Os profissionais também estão se movimentando, e vários projetos já estão sendo estudados a nível internacional. A ECTAA (European Travel Agents’ and Tour Operators’ Associations) está tentando de convencer a União Europeia de relançar a proposta feita pela Grécia. O Forum de Dávos apoia o projeto suíço CommonPass, um aplicativo interligando centros de vacinações, testes de laboratórios e atestados de saude dos países, que gera um QR code confirmando que o viajante está en conformidade com a legislação do destino. A IATA (International Air Transport Association), trabalha no IATA Pass Travel, um aplicativo dando também as últimas informações sobre viagens internacionais, testes de laboratórios e comprovantes de vacinações, informações que podem ser retransmitidas com segurança as companhias aéreas e as autoridades.

A OMS apoia um aplicativo para modernizar seu Certificado

Frente a urgência da situação e ao risco de colapse do setor,  alguns especialistas pedem para soluções mais fáceis de por em prática, com simples adaptações de procedimentos já existindo. O Alexandre Demaille, da empresa francesa RapideVisa,  lembrou que já existe o  Certificado Internacional de Vacinação, documento reconhecido por 194 países que comprova a vacinação contra doenças. Criado nos anos 60 para erradicar a varíola, ele é ainda exigido por alguns países para se proteger da febre amarela ou  da cólera. Os centros habilitados a emitir esse certificado poderiam simplesmente adicionar as vacinas anti Covid a essa lista. Essa solução simples e rápida é apoiada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Modernizada com um aplicativo e um QR code, poderia restabelecer a confiança dos viajantes, dos moradores e dos profissionais no mesmo ritmo das vacinações.

Jean Philippe Pérol

 

 

 

 

 

 

De Marselha até a Córsega, as raízes gregas da França!

O porto de Cargese

Enquanto a Grécia enfrenta umas das crises mais graves da sua longa historia, é sem dúvidas a hora de se lembrar de todo o extraordinário acervo cultural que esse pais trouxe para o mundo, e mais especialmente para os países latinos, incluindo o Brasil e a França. NAVIO FOCEANONa França, a Grécia, seus deuses, seus heróis e seus filósofos fazem parte da língua, da forma de pensar, e da Historia. O próprio vinho, um dos maiores orgulhos da Franca, teria sido trazido na região de Marselha por comerciantes gregos. E ainda hoje existem várias cidades francesas onde o viajante pode encontrar as marcas dessas ligações entre os dois países. Marselha, Avignon, Agde, Antibes, Aléria ou Nice foram assim fundadas por navegadores vindo de Foceia, cidade grega -hoje Eskifoça, na costa ocidental da Turquia, e Nice se orgulha de seu primeiro nome – Nikaia, em homenagem a Nikê, a deusa da Vitoria.

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 A influencia dessas raízes gregas é mais forte em Marselha, cujos habitantes são ainda chamados de “phocéens”. A mitologia da cidade conta que tudo começou em 600 antes do Cristo, com o casamento de Protis, comandante da frota de Foceia, e da Gyptis, filha do rei gaulês da região que deu para os gregos uma área de cinquenta hectares na baia de Lacydon onde ficou hoje o “Vieux Port”. As ruínas das muralhas da cidade, do reservatório, do cemitério e do porto do período heleno podem ser visitadas no “Jardim dos vestígios”, atrás do Museu de Historia. MUCEM de MarselhaMas é na sua cultura que Marselha mostra a maior influencia da Grécia . Cidade marcada pela sua rebeldia e seu espírito de liberdade, ela é também a mais aberta para o Mar Mediterrâneo,  com o seu impressionante Museu das Culturas Mediterrâneas inaugurado em 2013.

Cargese

Menos conhecida e mais recente, a influencia grega é mais visível ainda na historia da pequena cidade de Cargese, na Córsega. A curiosa presencia de duas igrejas, uma de rito latino e uma de rito ortodoxo, dá ao turista a primeira dica sobre a presencia dos gregos, DSCN0644 - copiepresencia confirmada pelos numerosos sobrenomes característicos do local, todos gregos afrancesados (Stephanopoulos, Capodimachos, Papadakos, Zanetakos ou Xingas virando Stefanopoli, Capodimacci, Papadacci, Zanettacci, ou Exiga). Essas famílias descendem de 730 revoltados das montanhas do Peloponeso, vindo do porto de Vitylo, perto de Esparta, que fugiram da repressão turca em 1673.  Com a ajuda de Génova, que na época dominava a Córsega, conseguiram se estabelecer nessa região. Fundaram uma primeiro colónia em 1676 em Paomia, transferida para a cidade atualLa-chapelle-des-Grecs-a-Ajaccio de Cargese em 1773. Tradições religiosas, ligações com a cidade de Vitylo, e uma grande sensibilidade para as lutas pela liberdade ainda caracterizam os moradores. A 50 quilômetros da capital Ajaccio, onde foi também construída uma igreja grega, Cargese oferece para os visitantes não somente sua historia peculiar mas suas paisagens de barrancos, suas praias de areias brancas e suas águas turquesas que lembram as costas gregas de onde saíram os seus fundadores.

Jean-Philippe Pérol

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O autor desse artigo é bisneto de Charles Exiga, grego de Cargese, oficial do exercito francês que serviu na Argélia e depois na Tunísia. 

Reconstruir monumentos históricos: realizar sonhos para levantar o turismo

A nova biblioteca de Alexandria

A nova biblioteca de Alexandria

Depois da ressurreição em 2002 da biblioteca de Alexandria, o Egito vai agora lançar a reconstrução da sétima maravilha do Mundo Antigo : o farol da ilha de Pharos. PhareAlexandrieConstruído no ano 280 antes do Cristo, alto de 137 metros, ele caiu em 1303 depois de dezessete séculos de funcionamento, quando sua fogueira era visível há 50 quilômetros por causa do jogo dos seus espelhos. Era na época o monumento mais alto jamais construído. As ruínas das suas três partes – a base quadrada, a parte mediana octogonal e a parte de cima redonda – foram utilizada na construção da fortaleza de Qaitbay. Outros vestígios, especialmente estátuas gigantes e pedras esculpidas, foram encontradas no mar em 1994 pelo arqueólogo francês Jean-Yves Lempereur. Se a data de inicio e o prazo de entrega das obras não foram definidos, o Conselho supremo das Antiguidades Egípcias avaliou o projeto que será construído na própria ilha de Pharos, a poucos metros do seu marco histórico, e a poucos quilômetros da biblioteca.  DSCN2461Esse anuncio parece fazer parte da nova estratégia do primeiro ministro, Ibrahim Mahlab, que quer reverter a queda do turismo no seu pais, com as chegadas passando de 15 à 10 milhões  desde a revolução de 2011.  O objetivo agora é de chegar a 20 milhões em 2020 com umas receitas passando os 26 bilhões de dólares. Para o Egito, uma segunda maravilha do mundo antigo (a outra é a Pirâmide de Cheops) seria sem duvidas mais um grande trunfo para seu turismo.

Uma outra maravilha do mundo antigo poderia também ressuscitar. O governador de Rodes, na Grécia, anuncio no ultimo mês de dezembro um estudo para a construção duma copia do famoso Colosso.o Colosso de Rodes O projeto parece porem complicado, lamenta a arqueóloga Maria Michalaki-Kollia, especialista dessa estátua. A Grécia está em crise e as autoridades não teria como achar os 100 milhoes de dólares necessários para reerguer o Colosso de 32 metros de altura. Mas para especialista, a razão é outra. Ninguém sabe onde ficava exatamente a estátua gigante de Helios, o deus do sol, construída em  292 antes do Cristo e destruída durante um terremoto sessenta e seis anos depois. Mesmo se ela inspirou a estátua da Liberdade, sua posição exata, – na entrada de um dos dois portos, ou na cidadela-,  bem como sua forma – de braço erguido ou não, de pernas abertas ou não-, não são comprovadas. E não sobraram também nenhum vestígio já que o comerciante de Homs levou em 673 as vinte de toneladas de ferro e bronze que ainda existiam. Mas as dificuldades não parece desanimar o governador de Rodes que estava levando o projeto para frente, uma estratégia de marketing que já impactou o turismo da ilha.

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Os grandes sonhos de reconstrução de monumentos históricos tão míticos são difícil de realizar. Na Franca, reerguer a abadia-catedral de Cluny, até o século XVI a maior do Ocidente mas destruída na Revolução, foi um desejo de muitos romeiros. Mas muito bem renovados nas comemorações dos 1100 anos da abadia, os vestígios existantes foram muito bem restaurados, e uma excepcional reconstituição virtual encanta os visitantes. O turismo pode também beneficiar de projetos mais modeA capela do castelostos mas com conteúdos autênticos e apoiados por comunidades locais. Assim também na Borgonha, em Guedelon, um grupo de apaixonados lançou em 1997 a construção de um castelo do século XIII, usando as técnicas e os materiais da época. Com pedra, terra, madeira, areia e argila da região, com pedreiros, carpinteiros, carreteiros, cordeiros e lenhadores profissionais,O castelo de Guedelon com dezenas de voluntários trabalhando no canteiro, com pesquisadores assessorando os engenheiros, o castelo esta se erguendo no ritmo da Idade Media, sendo a inauguração prevista para 2023. Mas o sucesso turístico do empreendimento, e seu impacto na economia da região,  já é impressionante: cada ano, mais de 300.000 pessoas estão visitando Guedelon, atraídos pela Historia levada com autenticidade e sinceridade. Tanto nos pequenos como nos grandes projetos.

Jean-Philippe Pérol

O castelo de Guedelon