Coletes amarelos, para o turismo francês um golpe que os profissionais ainda querem reverter!

Os Champs Elysées foram um dos principais alvos das violências

Se o movimento dos coletes amarelos está afetando há dezenove semanas toda a economia francesa, impactando seu crescimento anual de 0,2% segundo as últimas estimativas oficiais, os profissionais do turismo já estão sofrendo um impacto muito maior. O setor está não somente sofrendo pelos quebra quebras dos black blocks que atacam em prioridade restaurantes e lojas dos setores turísticos. Foram 200 milhões de euros de destruições em 19 semaines. Nos tão procurados Champs Elysees, 50% das 180 lojas mais emblemáticas  foram atingidos e 10% foram parcialmente ou, assim como o Fouquet’s,  completamente destruídas. Já tendo avisado o governo em novembro das dificuldades dos hoteleiros, dos comerciantes e dos donos de restaurantes, as grandes federações profissionais estão pedindo medidas urgentes.

Muito seguido fora de Paris, o movimento foi em geral pacífico

Alem dos estragos materiais, o turismo está sofrendo com os cancelamentos de viagens programados – especialmente de europeus- e com a falta de reservas dos mercados distantes – inclusive do Brasil. Com uma queda de 5 à 10% por mês desde o inicio do movimento dos coletes amarelos, é certo que o recorde de 2018 (90 milhões de turistas?) não será mais superada e que a liderança mundial – frente aos concorrentes estadounidense, espanhol e chinês – está sendo ameaçada. O secretario de turismo, Jean Baptiste Lemoyne, já previu que o esse ano será um ano difícil para o setor. Mas a preocupação dos profissionais do turismo vai alem de 2019. As imagens dos choques, dos incêndios e dos quebra quebras poderiam também impactar de forma duradoura a própria imagem da França.

Desde o mês de Novembro, algumas medidas de apoio ao turismo foram anunciadas, mas são principalmente adiamentos de pagamentos de impostos e taxas que serão insuficientes para aliviar as perdas do setor, e mais ainda para tranquilizar a curto e médio prazo os turistas internacionais. O pedido mais urgente dos profissionais (e dos moradores) é a tolerância zero com a violência, uma mensagem que parece ter sido ouvida especialmente em Paris onde, depois de mudanças dos responsáveis da ordem pública, os últimos protestos foram perfeitamente controlados tanto pelos  coletes amarelos que pela policia, ambos os lados parecendo ter percebido as ambiguidades não beneficiam a ninguém.

Em Toulouse, os comerciantes chamando atenção para crise

Os atores do turismo esperam também que  o governo será capaz de responder as preocupações que levaram os coletes amarelos a descer na rua. Contando no inicio com forte apoios dos comerciantes -cansados uma das maiores pressões fiscais do mundo, dos aposentados preocupados com a desindexação das aposentadorias, dos moradores dos milhares de vilarejos abandonados pelos serviços públicos, ou dos desempregados vitimas da deslocalização das suas fabricas, o movimento perdeu seus apoios pela sua falta de liderança e incapacidade a impedir a violência. Parece porem claro que somente umas respostas concretas aos problemas levantados poderão apaziguar de vez os ânimos e acabar com os protestos.

Os profissionais esperam uma nova campanha de promoção internacional

As lideranças do turismo esperam também que o governo apoia uma nova campanha de promoção do destino. Enquanto cortes de 4 milhões de Euros já foram anunciados no orçamento 2019-2020 da Atout France, eles pedem não somente que essa decisão seja reconsiderada, mas ainda que seja feitos os investimentos necessários para reverter os estragos que impactam diretamente ou indiretamente quase dois milhões de empregos, prejudicam um setor chave da economia francesa, e afetam a própria imagem internacional da França. Enquanto está apenas começando a primavera, os otimistas pensam que 2019 pode ainda ser uma boa safra para o turismo francês.

Jean Philippe Pérol

Invino Wine Travel Summit, a hora do enoturismo

Na Borgonha, um dos oito vinhedos do mundo tombado pela UNESCO

Faltando menos de um mês para a sua inauguração, a expectativa em torno da primeira edição do Invino Wine Travel Summit  já está mostrando que o enoturismo é mesmo um setor que despertou o interesse dos profissionais brasileiros do turismo e do vinho. Patrocinado pela Air France, a Chandon e a Bourgogne, apoiado pela Atout France,  a Wine Paths, o Palace Sources de Caudalie, a Guaspari, a Rouge Brasil, o Forum de Enoturismo e os Wines of Chile, beneficiando da experiência de palestrantes e expositores vindo do Chile, da França, da Argentina e do Brasil, Invino já confirmou as inscrições das mais destacadas operadoras e agencias do setor.

Tradição e qualidade nos vinhedos do Chile

O sucesso do enoturismo é um tendência internacional. Com um indiscutível pioneirismo das vinícolas da costa Oeste americana (líder mundial até hoje com 15 milhões de enoturistas, sendo 3 milhões de estrangeiros), os “Wine tours” se espalharam em todos os grandes destinos produtores, especialmente na França cujas vinícolas recebem 10 milhões de visitantes,  4,2 milhões vindo do exterior. Hoje o mundo tem mais de 40 milhões de enoturistas que  visitam o Stellenbosch ou a Napa Valley, a Rioja espanhola ou o Vale McLaren da Australia, os “climats da Borgonha” ou a rota dos vinhos do Vale Maipo, sem falar dos procuradíssimos  vinhedos da Toscana e da Provence. No Brasil também, o sucesso das rotas gaúchas, catarinenses ou paulistas já atrai mais de um milhão de visitantes por ano.

Les Sources de Caudalie, onde enoturismo combina com bem estar e gastronomia

Os encontros de Invino são importantes devido as evoluções do enoturismo. Para os produtores, o turismo passou da simples atividade complementar a uma ferramenta chave para incrementar e diferenciar a notoriedade das marcas, uma fonte de receitas representando até 20% ou mais das vendas totais. Se transformou em uma grande oportunidade de investimentos, seja nas próprias adegas seja na hotelaria ou no bem estar.  Os perfis dos enoturistas mudaram completamente também. Enquanto os pioneiros, enólogos ou enófilos, exigiam um atendimento completamente focado em numerosas visitas e degustações, o novo enoturista é simplesmente um “bon vivant” ou até um viajante a procura de novas emoções. O vinho vira assim um dos componentes de uma viagem que incorpora também experiências culturais e gastronómicas, momentos para compras e para bem estar, ou passeios para apreciar as belezas naturais de lugares as vezes tombados pela UNESCO.

As vinicolas de Mendonça combinam com proezas arquiteturais

Para os profissionais do turismo que precisam de novos produtos e serviços com forte valor agregado, Invino vai ser um momento privilegiado para descobrir valiosas experiências. Algumas operadoras tanto de receptivo que de exportativo já investiram há muitos anos no enoturismo, e o Brasil tem valiosas realizações em ambas atividades.  Mas um grande trabalho de capacitação ainda tem que ser feito para que os agentes consigam responder aos viajantes interessados, oferecendo o destino, o vinho e o produto mais adaptados para cada perfil.  O potencial é imenso, reforçado pelo fato que os grandes países de enoturismo são ,seja vizinhos – Chile, Argentina ou Uruguai -, seja muito familiares – EEUU, França, Portugal, Itália e Espanha. Mostrando os sucessos e os “savoir-faire” adquiridos, o Invino Wine Travel Summit pode ajudar as agencias a responder a essa nova grande tendência do turismo mundial.

Jean Philippe Pérol

 

A alegria do vinho nos roteiros gauchos

Visitar Marselha, a cidade rebelde

Brasil à Francesa

Foto: @blue_tinkerbell

Não é apenas por constar no badaladíssimo ranking do New York Times, “50 lugares para ir em 2019”, que Marselha é, sem duvidas, a cidade francesa a visitar este ano. Fundada por marinheiros gregos de Phocaea, chamada Massalía pelos romanos, ela foi desde a antiguidade não somente um importante porto comercial do Mediterrâneo mais ainda uma cidade multicultural e rebelde.

Miscigenação das culturas mediterrânicas, Marselha mudou nos últimos anos sua cara marcada por seu passado industrial e portuário e virou uma cidade de espetaculares renovações urbanas.

Com cinco dicas, convido você a descobrir os novos hotéis e restaurantes altamente frequentáveis, a incrível arquitetura e as ofertas culturais das mais vanguardistas na beira do Mar Mediterrâneo.

1. As Calanques,  enseadas as vezes acessíveis apenas pelo mar, merecem a viagem

Quando descobri Marselha há quinze anos atrás, eu fui impressionada por este cenário incrível de falésias calcárias dominando o azul…

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A crise do marketing de destino chega na França

Rendez vous en France, encontro dos parceiros franceses e internacionais

Alem de um brutal corte de orçamentos, a crise que explodiu a semana passada na Atout France, órgão oficial do turismo francês, significa talvez o fim de um modelo de parceria inventado pela equipe de um então ministro do governo Chirac. Exclusiva dos ministérios ou das administrações publicas desde as suas origens no inicio do século XX, a promoção do turismo internacional conheceu em 1987 uma verdadeira revolução. Agregando quatro órgãos oficiais preexistentes, o ministro Descamps convenceu setenta profissionais de entrar como parceiros numa nova estrutura co-gerenciada e co-financiada pelo governo federal e os profissionais públicos e privados do setor. Era o nascimento da Maison de la France,  uma associação que chegaria a juntar 1300 empresas francesas de turismo e a estabelecer relações estreitas com mais de mil operadoras em 35 países.

Com a mudança de 2009, Atout France integrou o Ministério das Relações exteriores

A Maison de la France acompanhou a volta da França na liderança do turismo mundial, e criou um novo modelo de parceria publico privado. Em 2009 virou Atout France, assumindo novas responsabilidades na planificação do turismo e na classificação hoteleira. Nessa trajetória de sucessos, as recentes decisões do governo chocaram os profissionais e a imprensa do trade e econômica. Atout France poderia ser obrigada a reduzir de um terço a sua presencia no exterior, encolhendo o seu quadro de colaboradores e talvez o numero de países onde está operando, um paradoxo para uma autarquia que depende agora do ministério das Relações Exteriores. As ambições do governo francês, 100 milhões de turistas em 2020 e 60 bilhões de euros de receitas, seriam então seriamente ameaçadas.

As campanhas B2C sofrem dos cortes de verbas

É certo que, mesmo se o corte de quatro milhões de Euros  pode parecer limitado porque representa somente 12% do aporte total do governo, as preocupações do setor devem ser tratadas com respeito e seu impacto não devem ser subestimado. Mas seria injusto de colocar toda a responsabilidade da situação nas últimas decisões do atual governo, isso por duas razões. Em primeiro lugar deve ser lembrado que os governos anteriores realizaram cortes mais importantes ainda nos últimos 15 anos, reduzindo de até 75% as verbas de promoção, e cortando de 80% o numero de funcionários públicos colocados gratuitamente a disposição da associação. A novas tarefas de engenharia e classificação, sem dúvidas muito gratificantes e estrategicamente interessantes, foram impostas sem nenhuma contrapartidas financeiras, aumentando mais os custos fixos.

Air France, desde as origens um apoio excepcional para o turismo francês

A redução dos gastos de promoção não foi também exclusiva do governo. As grandes empresas de viagens e turismo que investiam com força ao lado do governo, emprestando funcionários e participando de campanhas de imagem da França, reduziram suas participações.  Se o apoio da Air France continua sendo excepcional, grupos como Accor, Pierre et Vacances ou o Club Med representam hoje menos de um por cento das parcerias acumuladas. Os outros órgãos públicos de promoção, a níveis regionais ou municipais, também diminuíram as suas verbas, não somente porque falta dinheiro público, mas porque são cada vez mais preocupados promover suas próprias marcas com exclusividade, sem necessária associação com o destino França, desprezando as vezes a expertise que Atout France acumulou com seus colaboradores e seus contatos.

O apoio dos profissionais foi decisivo no sucesso da Atout France

Mostrando a insensibilidade do governo sobre a importância do setor, o choque levado pela Atout France com a redução das verbas públicas acelera as perguntas sobre o modelo criado em 1987. Os seus dois pilares, marketing e parcerias, não têm mais o mesmo apelo junto aos profissionais. O marketing perde força, exprimido entre o branding sempre muito ciumento e as vendas só interessadas por ações com resultados concretos e imediatos. Sem o atrativo do dinheiro publico e seu poder de impor mensagens claras, as parcerias são mais escassas  e as ações conjuntas cada vez mais complicadas. O novo modelo que tem que surgir não pode se restringir a uma (necessária) volta das verbas do governo, mas deve reinventar o posicionamento e os investimentos dos profissionais franceses e estrangeiros. Ao governo, sim, a responsabilidade de tomar a liderança dessa reconstrução, aproveitando as competências das suas equipes e as expectativas dos seus parceiros.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Sucesso de parceria público/privado, um modelo a reinventar?

Frente as ameaças do overturismo, a França da cultura procura novas oportunidades

O Palácio de Versalhes já ameaçado pelo overturismo?

Galinha dos ovos de ouro de muitos museus, monumentos, concertos, ou exposições, o turismo estaria agora virando o vilão da cultura? Até pouco tempo, pelo menos na França, a pergunta podia parecer estranha e os responsáveis da cultura só se preocupavam em conquistar mais visitantes internacionais. No Louvre eles chegam a representar 70% das entradas – com destaque para o milhão de  americanos, os 600.000 chineses e os 290.000 brasileiros -, e mais ainda das receitas do museu e do centro comercial. E para a imensa maioria dos principais museus e monumentos franceses, os turistas são uma fonte de renda essencial, ajudando as vezes uma politica de gratuidade para os moradores ou os cidadãos  da União Europeia. A importância dos turistas para cultura foi claramente percebida em 2016 quando faltaram, e depois em 2017 e 2018 quando voltaram. Mas agora é o “overturismo” que preocupa as autoridades do setor.

O Louvre já preocupado com o overturismo

A Atout France, agencia de desenvolvimento do turismo da França, já está chamando a atenção sobre o problema, lembrando que não é imediato mas deve ser antecipado. O overturismo cultural está longe da realidade de 80% dos territórios que recebe somente 20% dos turistas internacionais, mas  ameaça especialmente  Paris onde quase todos os visitantes procuram os museus e monumentos das margens do Rio Sena. Ele preocupa também Versalhes e o Mont Saint Michel, ou até pequenos vilarejos como Saint Paul de Vence e sítios como os castelos do Loire. Todos devem preparar o futuro sabendo que a França vai receber 100 milhões de visitantes em 2020, e que a cidade de Paris, cuja população deve cair a menos de 2 milhões de habitantes, vai ver o seu números de turistas passar de 26 milhões esse ano para 54 milhões em 2050.

Veneza é o exemplo que todos querem evitar

Enquanto a cultura é a motivação principal de 50 à 70% dos turistas na França, exista mesmo uma urgência para encontrar soluções que não decepcionam os milhões de novos visitantes. Para facilitar os percursos nos sítios mais procurados, evitar as concentrações durante os grandes feriados e promover atrações culturais menos conhecidas, existem muitas experiências internacionais a ser analisadas. Firenze e Roma tentam impedir os piqueniques nas escadarias das praças ou das igrejas, Veneza experimenta bloqueios nos lugares mais procurados nas horas de pique, e destinos como Machu Pichu (Peru), Dubrovnik (Croácia), o Taj Mahal (índia), Santorini (Grécia) e a Ilha de Páscoa já tomaram medidas para reduzir o numero de turistas – quotas menores e tarifas mais altas sendo soluções cada vez mais avançadas.

O Louvre Lens, uma grande ideia para desviar fluxos de turismo cultural

Os grandes museus da França estão na mesma lógica que seus concorrentes internacionais. Todos temem que as frustrações dos amadores de arte e dos moradores frente as filas ou as confusões que fazem as galerias onde são expostas as obras mais procuradas aparecer shopping centers em tempos de promoções. Todos eles, sejam o National Gallery em Londres, o Prado em Madrid, o Ermitage em São Petersburgo ou o Metropolitan em Nova Iorque, estudam meios de canalizar os fluxos turísticos hoje imprescindíveis para suas sobrevivências financeiras: ampliar horários, melhorar acessos, orientar os fluxos, facilitar as reservas, abrir novas salas ou até criar “subsidiarias” -solução imaginada pelo Louvre em Lens e o Centro Pompidou em Metz. A médio prazo todos sabem porem que o aumento dos preços das entradas para os turistas não residentes, por discriminatório que pode parecer, é talvez a única solução que poderá tranquilizar os moradores e garantir aos visitantes o acesso a riquezas culturais que são a grande motivação do turismo internacional.

Jean-Philippe Pérol

O Met de Nova Iorque cobra agora 25 USD dos visitantes, exceto dos moradores

 

Fortaleza, novo xodó dos turistas (e do turismo) franceses!

Primeiro pouso em Fortaleza da Air France/Joon no dia 3 de Maio

A espetacular abertura da linha Paris Fortaleza por duas companhias do grupo Air France mostrou o renovado interesse da França pelo Nordeste brasileiro, tanto como destino para os turistas franceses que como mercado emissor. Os voos para os grandes hubs da região não são porem uma novidade. A própria Air France herdou da Aerospatiale a inauguração de uma rota Natal Rio em Novembro 1927,  depois interligada com Dakar e Paris. Depois da segunda guerra, foi  Recife que foi escolhida para escala na rota Paris Rio, e depois abandonada em 1963 quando chegaram os Boeing 707. Quase escolhida em 1975 para receber o Concorde, Recife teve de novo a preferência em 1982 quando Air France voltou a pousar no Nordeste, mas o voo parou em 1995.

Beleza e autenticidade na praia do Iguape

Na competição entre os grandes hubs do Nordeste, a Air France escolheu essa vez Fortaleza. A rota mais curta para Paris, o dinamismo do Ceará e o apoio da Gol foram três fatores importantes numa briga que o peso das vendas locais não dava para desempatar. Para levar a decisão, a surpresa vem dos profissionais franceses que anunciaram claramente suas preferências pela capital cearense. Seu clima seco garantindo sol o ano inteiro, seu mar quente, suas praias de areia branco e seus passeios de buggy, sua infraestrutura hoteleiro e seus parques aquáticos já tinham seus fãs, especialmente os amadores de kite surf. Estão agora se popularizando, aparecendo nas paginas dos principais jornais e revistas franceses bem como nas prateleiras das agencias de viagem e das operadoras.

Cumbuco, balneario do Saint Tropez des Tropiques e do Vila Galês

Não é a primeira vez que o Ceará tenta atrair os turistas franceses. Já nos anos 70 a empresa hoteleira PLM tentou implantar no Brasil seu primeiro hotel, com a ideia de levar para Fortaleza parte dos enormes fluxos de turistas franceses indo para seus hotéis do Caribe. Nos anos 80 a operadora El Condor, então líder do mercado francês, lançou um charter bimensal para Fortaleza, planejando fazer do balneário do Cumbuco um novo ” Saint Tropez des Tropiques”. Mesmo com muitos poderosos padrinhos dos dois lados do Atlântico, incluindo o prefeito de Saint Tropez e o empresário franco-cearense Paul Mattei, o projeto não vigorou. Contribuiu porem a reforçar os laços com numerosos profissionais franceses do setor, ainda hoje muito presentes em Fortaleza.

Entre Nordeste e Amazônia, o inesperado deserto dos Lençóis Maranhenses

Fortaleza está também seduzindo os turistas franceses pela oportunidades de conexão que o hub da Gol oferece para outras atrações do nordeste e do norte. Mais que os destinos tradicionais, Salvador ou Recife, os novos roteiros estão incluindo Morro Branco, Prainha, Iguape, Cumbuco, Jericoacoara, paraíso dos kite surfistas, o delta do Parnaíba, e os surpreendentes Lençóis Maranhenses cujos lagos e dunas estão fascinando todos os visitantes. Talvez lembrando a historia da cidade fundada pelo francês Daniel de la Touche, os turistas franceses estão chegando em São Luiz, “jóia do Maranhão, herdeira da França equinocial, tombada pela UNESCO em 1997”. E as melhores ofertas de Belém, Alter do Chão ou Manaus, seja cruzeiros fluviais, hotéis de charme ou pousadas de selva, já estão medindo a nova empolgação trazida pelos voos Paris Fortaleza.

Nos Encontros 2018, os profissionais franceses atras do mercado nordestino

Novo xodó dos franceses, Fortaleza vai também surpreender pelo potencial de viajantes que o Nordeste pode gerar para Europa em geral e a França em particular. Até agora quase monopólio da Air Portugal, e com forte liderança de Lisboa, os fluxos de turistas já começaram a se redefinir, incluindo viajantes procurando experiências sofisticadas na cultura, na gastronomia ou no enoturismo. A Atout France, encarregada da promoção do turismo francês, já está acompanhando essa nova tendência, trazendo para Fortaleza o seu evento-mor “Encontros a francesa”. Alem dos encantos da capital e do litoral cearense, os 40 profissionais franceses convidados vão com certeza voltar convencidos que o Nordeste brasileiro vai em pouco anos dobrar seu fluxo de viajantes para França.

Jean-Philippe Pérol

O Teatro José de Alencar em Fortaleza (foto Casablanca turismo)

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Viajantes, roteiros e enocultura, as novas rotas do enoturismo mundial olham para o Brasil!

A Napa Valley, região pioneira do enoturismo

Celebração do Dia do Vinho, multiplicação das rotas dos vinhos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo ou no sertão de Pernambuco, assinatura de um convênio entre a Embratur e a Ibravin, wine tours, produtos vedetes na FITUR de Madrid, o enoturismo no Brasil está de vento em popa. Já sendo quase um milhão a visitar mais de 1.100 vinícolas brasileiras, os enoturistas brasileiros estão também chamando a atenção dos profissionais de muitas regiões do mundo. Tanto para o mercado doméstico que para o mercado internacional, o crescimento dessa temática de viagem no Brasil segue as novas tendências que surgiram em Napa Valley, na Toscana ou em Bordeaux, e que a Organização Mundial do Turismo (OMT) destaca agora no Uruguai, na Croácia ou até na Geórgia.

Arte nos vinhedos na “Floresta dos 5 sentidos” das Sources de Caudalie

A primeira tendência que impulsa o enoturismo é a diversificação de seus fãs. Antes quase exclusivamente enófilos – amadores de vinhos, conhecedores ou sócios de clubes de degustação -, os enoturistas não são hoje obrigatoriamente conhecedores, mas sempre bons vivants, cultos e curiosos, atraídos pela arte e pelos prazeres da mesa. Mesmo nas vinícolas, eles vão procurar por uma história, uma arquitetura, pelas tradições locais, as obras artísticas, ou por uma experiência com os moradores. As paisagens espetaculares – no Vale do Douro, em Mendonça, na Alsácia ou em Lavaux – são trunfos importantes, assim como características únicas: vinhedo mais setentrional em Sabile (Letônia), vinhedo mais velho em Maribor (Eslovênia), maior adega do mundo em Cricova (Moldávia), vinhedos dos “fins do mundo” na Patagônia (Argentina) ou em Rangiroa (Polinésia Francesa).

Adegas desenhadas pelo Santiago Calatrava, em Ysios

O novo enoturista procura também novidades arquiteturais, uma tendência que começou na Espanha com as adegas de Ysios, do Santiago Calatrava, e o Hotel Bodega de Marques de Riscal, do Gehry. Vários projetos de Museus do Vinho seguem a mesma tendência, o mais espetacular até hoje é a “Cité du Vin“, em Bordeaux. Às vezes chamado de Guggenheim do vinho, obra dos arquitetos Legendre e Desmazières, a Cité consegue unir uma espetacular localização na beira do Rio, uma construção emblemática, bem como um conteúdo pedagógico e lúdico. As construções que revolucionaram o enoturismo são também hotéis oferecendo hospedagem de qualidade, gastronomia estrelada e experiências do mundo do vinho, incluindo o bem-estar trazido pelas uvas. Além do pioneiro de Bordeaux, o Château Smith Haut Lafitte com o Hotel Palace Les Sources de Caudalie e o SPA Caudalie, o Yeatman Hotel do Porto ou o Meadowood da Napa Valley são alguns dos grandes estabelecimentos construídos em torno do vinho.

Adegas da LVMH em Reims

A ligação entre o enoturismo e a cultura é uma outra tendência forte, com uma importante contribuição da UNESCO que listou no Patrimônio da Humanidade os kvevris da Geórgia, os climats da Borgonha, a vite ad alberello de Pantelleri, os terraços de Lavaux e os coteaux, maisons et caves da Champagne. Em cada região produtora de vinho, cada vinícola, cada aldeia e cada produtor têm uma experiência para oferecer. Em sua história, em sua cultura, poderá contar e ensinar ao visitante não somente as especificidades de seu vinho, mas também o seu patrimônio enocultural único. O foco crescente dado pelos profissionais às possibilidades de compras nas próprias adegas aumenta ainda mais o impacto do enoturismo na economia da região, bem como das próprias vinícolas – que chegam a vender 15% e mais das suas produções aos enoturistas.

Vinhedos perto de Bento Gonçalves

Com um mercado em crescimento, o Brasil está mostrando sua nova força nos mercados mundiais do enoturismo, sediando encontros de especialistas, palestras abertas a públicos de profissionais ou de amadores, ou congressos nacionais ou internacionais, com um foco em Bento Gonçalves e na região pioneira do Vale dos Vinhedos.Em São Paulo, o INVINO Wine Travel Summit reunirá no dia 16 de Setembro, expositores vindos de todo o País e do mundo inteiro com agentes de viagem e operadores brasileiros cuidadosamente escolhidos. Alem de descobrir as grandes novidades dos melhores “wine tours”, será também uma verdade experiência enogastronômica com degustações e harmonizações. As novas rotas do enoturismo estão mesmo olhando para Brasil!

Jean-Philippe Pérol

O Hotel Adega Marques de Riscal, obra do arquiteto Gehry

A “Cité du Vin” em Bordeaux

https://www.invino.travel/

 

30 anos de turismo francês, evoluindo com os atores do trade e os proprios viajantes!

O bicentenário de 1789 foi um dos maiores impulsos para o turismo francês

Deixando esse mês a Diretoria Américas da Atout France, fico impressionado com a importância das mudanças que o “marketing de destino” enfrentou no Brasil nos últimos 30 anos. Além do cotidiano, comparando o primeiro escritório da Maison de la France, onde duas funcionárias distribuíam duas toneladas de folhetos por mês, a toda informação e à comunicação que hoje são concentradas na nova plataforma web onde está sendo hospedado o site france.fr, o novo banco de dados e a gestão das mídias sociais, com nosso milhão de fãs brasileiros. Três evoluções do setor turístico no Brasil transformaram completamente o papel da Agência de Desenvolvimento Turístico da França e das secretarias de turismo dos seus principais concorrentes.

Os novos viajantes empurrando o Brasil como terceiro mercado fora da UE

A primeira foi o crescimento do Brasil como mercado emissor para a França, passando de menos de 200.000 turistas a quase 700.000, sendo somente ultrapassado, fora da Europa, pela China e pelos Estados Unidos. Esse crescimento não foi somente quantitativo, mas gerou novos perfis de viajantes. A França manteve seus clientes tradicionais – casais ou pequenos grupos de amigos da classe A,  francófilos e bons conhecedores da arte de viver à francesa -, mas agora também recebe outros brasileiros. Os novos turistas são mais novos, pertencem às classes A ou B, precisam de mais apoio, viajam mais em grupo, visitam mais países na Europa, voando para outras capitais ou rodando de ônibus. Com muita vontade de viajar pelo mundo, mas como menos de 10% deles fazem uma viagem internacional por ano, eles representam o maior potencial para os 1,5 milhões de turistas que a França tem como objetivo no Brasil.

Hotel Urbano, um dos novos atores mudando a distribuição

A segunda grande mudança foi da distribuição. A França era principalmente comercializada através de grandes operadores europeias de circuitos (Polvani, Melia, Pullmantur, Marsans, Abreu, Transocean), ou através de operadoras brasileiras especializadas, tais como Bon Voyage, Imperial, Elantur, Oremar, Wagons-lits, Renocar. Se hoje o DNA da Atout France continua sendo uma forte ligação com operadoras e agências, os atores mudaram. A brasileiríssima CVC ficou em um disparado primeiro lugar com a metade dos pacotes para França, as agências on-line pegaram a sua fatia do mercado. As operadoras tradicionais devem contar com concorrentes criativos, tais como Hotel Urbano, mas também com novos canais de distribuição: blogueiros, plataformas de receptivo ou atores da economia colaborativa.

Parceria com o trade, especificidade e força da Atout France

A Atout France teve também que se adaptar a uma profunda evolução das expectativas dos seus parceiros. Enquanto a estratégia da Maison de la France era de atrair empresas de turismo para construir com elas ações de marketing, duas novas exigências tiveram que ser integradas aos planos da Atout France. A crescente necessidade de medir os resultados de cada investimento levaram a privilegiar as ações de vendas com retorno imediato.  E a importância estratégica do “branding” leva cada empresa e cada destino  a administrar com muito ciúme sua imagem, aceitando com dificuldade que ela seja diluída em uma ação coletiva, campanha de publicidade ou até evento. O marketing do destino França teve, então, que evoluir, se apoiando cada vez mais em produtos e declinando a marca França em cerca de 40 “brands”, de Bordeaux à Toulouse-Pyrénées, dos Alpes-Mont Blanc à Guiana Amazônia, ou de Biarritz Pays Basque à Normandia.

Esse capacidade de evoluir em função das novas expectativas dos turistas e de acompanhar as mutações do trade é, sem dúvidas, responsável pelo sucesso da França como grande destino turístico – esse ano será quebrado um novo recorde, com 89 milhões de entradas. Frente a nossos grandes concorrentes, especialmente os Estados Unidos e a China, ela será também a chave para se manter no primeiro lugar dos desejos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Perto de Bordeaux, a primeira experiência de uma viajante brasileira de amanhã

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Encontros bem sucedidos mostram cultura e espiritualidade como novas tendências do turismo na Normandia

Perto da nova catedral, o centro antigo de Rouen

Perto da nova catedral, o centro antigo de Rouen

Recebendo o salão Rendez vous en France, o maior encontro do turismo francês – com 740 expositores e 892 agentes de viagens e operadores vindo do mundo inteiro, inclusive 40 brasileiros-, a cidade de Rouen e a região da Normandia mostraram que estão se consolidando como um grande destino do turismo francês. Foi, em primeiro lugar, um sucesso para Rouen que mostrou  que tinha muito que mostrar alem da força da memória de Joana d’Arc e do excepcional patrimônio histórico dos arredores da sua catedral. Convenceu  que era capacitada para organizar grandes eventos,  utilizando o Rio Sena para opções criativas de hospedagem e de passeios, envolvendo os moradores bem como os profissionais da cultura, da alimentação e do lazer.

A Ferme Saint Simeon, onde um Relais Châteaux guarde o ambiente criado pelos impressionistas

A Normandia atrai os visitantes pelo impressionismo, o atrativo turístico mor da região . É foi mesmo o famoso quadro “Impressão, sol nascendo”, pintado pelo Monet em Le Havre em 1872, que batizou esse movimento artístico. Monet escolheu a pequena cidade de Giverny onde trabalhou 43 anos no ateliê hoje aberto ao publico. Junto com ele, Corot foi trabalhar em Barbizon, Millet morou em Cherbourg e depois em Le Havre, Pissaro ficou em Eragny sur Epte, e o parisiense Renoir passava o verão no litoral normando. Todos esses artistas se encontravam  nos arredores de Dieppe ou de Honfleur, especialmente na Ferme Saint Simeon, hoje um Relais Châteaux que se orgulha de oferecer a seus visitantes o mesmo ambiente e o mesmo carinho que a Mère Toutain, então dona do local, oferecia aos primeiros “impressionistas”.

O Arcanjo dourado vigiando o Monte Saint Michel e os peregrinos

Mas os vários tours oferecidos aos participantes mostraram que a Normandia é mesmo um destino turístico internacional surpreendendo pela sua diversidade, com dois destaques: o turismo de memória nas praias do D-Day e no memorial de Caen, e o turismo  religioso. Para os viajantes em busca de espiritualidade, a Normandia oferece três lugares imperdíveis. O Monte Saint Michel passou por uma renovação completa, incluindo até o rejuvenescimento do Arcanjo dourado guardião do local. O monte recuperou sua vocação de ilha com a nova passarela, oferecendo uma paisagem excepcional e uns momentos de grandes emoções. Destino de peregrinações desde a sua fundação em 708, ele  é hoje um dos dez monumentos mais visitados da França, e o mais visitado fora de Paris.

A procissão levando a châsse – a historia de amor da Santa com o Brasil

Os brasileiros têm um carinho especial pela Santa Teresa e a cidade de Lisieux, sendo a quinta nacionalidade a visitar o  santuário. Se Teresa nunca teve ligação direta com o Brasil, mas a devoção de um dos seus conterrâneos, o jesuíta Henri Rubillon, radicado no Rio de Janeiro, divulgou o seu culto. Em 1919 recolheu dinheiro para mandar para o Carmel uma bandeira dentro de um magnifico cofre de madeira de lei. Com o sucesso popular dessa primeira arrecadação, as freiras sugeriram para o padre de presentear o relicário. A  grande mobilização dos devotos deu para financiar uma verdadeira obra de arte, a “châsse du Brésil”, toda de prata, ouro e ônix, onde foram colocadas em 1923 os restos mortais da Santa, homenageados numa procissão emocionante cada último sábado de Setembro.

Show de beleza e bom gosto nas ruas da cidade velha de Rouen

A espiritualidade da Normandia vive também em Rouen, nos passos da Joana d’Arc. A presencia da santa guerreira se vê em todos os cantos, caminhando nas ruas da cidade velha, visitando a torre onde ele ficou em cativeiro, parando  na praça do Velho mercado onde ela foi queimada no dia 30 de Maio de 1431, olhando a cruz erguida no local da fogueira, ou rezando na Igreja Sainte Jeanne d’Arc inaugurada em 1979. No antigo arcebispado, um surpreendente museu, o “Historial da Joana d’Arc”, conta aos visitantes toda a historia e os mitos da mais famosa das heroínas francesas. Rouen aproveita também seu passado para construir seu futuro, reinventando no Panorama XXL a arte das telas gigantes, ou utilizando a majestuosidade da sua catedral para organizar grandes eventos.

A catedral, um espetacular palco para eventos!

Encontros, turismo cultural, turismo de memória, ou turismo espiritual, há muito tempo interligada como Brasil, a Normandia mostrou nesses “Rendez-vous” bem sucedidos que tem tudo para crescer como destino predileto dos brasileiros. Brindando com sidra, ou comemorando com Calvádos?

Jean-Philippe Pérol

Alguns participantes dos Encontros Rendez vous en France

O Monte Saint Michel

25 anos na França, Joyeux Anniversaire, Mickey!

Mickey promovendo Paris junto com Disneylandia Paris

Mickey promovendo Paris junto com Disneyland Paris

Para festejar os 25 anos da Disneyland Paris, o Presidente da Republica foi pessoalmente em Marne-la-Vallée para soprar as velas. Foi a ocasião de lembrar que o parque , com seus hotéis e suas atrações, era a primeira atração turística da França, na frente do Louvre ou de Versalhes com 320 milhões de visitas registradas desde 1992. Francois Hollande fez questão de lembrar que a Disneyland Paris gerava 50.000 empregos diretos e indiretos, e tinha paga desde a abertura o impressionante valor de 6 bilhões de Euros de impostos. O Presidente salientou também que o parque tinha atraído não somente franceses e europeus -principalmente ingleses e espanhóis-, mas também visitantes vindo do mundo inteiro – americanos e até brasileiros.

Para quem participou da inauguração, em Abril de 1992, o sucesso parecia muito distante. Os franceses eram horrorizados pela ideia de sofrer uma afronta aos seus 2000 anos de cultura instalado tão perto da Sorbonne, e meu pai achou chocante de saber que o filho dele confiava e trabalhava no sucesso desse empreendimento. A própria Disney não acreditava muito na França, a sua comunicação insistia na absoluto ausência de know-how francês no projeto, não tinha nenhum marketing previsto para os parisienses, e até o nome do parque ficou em EuroDisney, borrando a “francidade” do projeto.

Convidados mirim no dia da inauguração da Eurodisney

Convidados mirim no dia da inauguração da Eurodisney

Mesmo tendo no Brasil um dos seus maiores mercados para Orlando, Disney não acreditava também no potencial do mercado brasileiro para o seu parque francês. A então Maison de la France ficou sozinha em realizar uma pesquisa, mobilizar a imprensa brasileira – que respondeu acima das expectativas, ou em realizar e distribuir cartazes para as agencias de viagem. Os famtrips organizados com operadoras especializadas – a Stella Barros e a Tia Augusta-, e com o apoio de um fretamento da Varig, tiveram as maiores dificuldades em conseguir convites para a cerimônia inaugural. E as poucas agencias que se arriscar na época a lançar pacotes para a Disney francesa tiveram condições tão rigorosas que inviabilizaram os seus negócios.

Disneylandia Paris comemorando seus 25 anos com muitas novidades

Disneyland Paris comemorando seus 25 anos com muitas novidades

Na comemoração dos 25 anos da Disneyland Paris, os comentários negativos e até os prejuízos dos dois últimos anos ficaram para trás. Lembrando que o Walt Disney era um apaixonado pela França, o parque anunciou uma programação excepcional para esse aniversario: nova versão da Star Tours “A aventura continua” com viagem intergaláctica e pilotagem na Hyperspace Mountain, tudo em 3D; nova Disney Stars on Parade com impressionantes carros alegóricos e fantasias inéditas; novo show do Mickey ” Joyeux Anniversaire Disneyland Paris”; espetáculo a Valsa das Princesas. E a noite, nas muralhas do Castelo da Bela adormecida, a Disney Illuminations vai ressuscitar as historias da Pequena Sereia,  da Bela e da Fera ou da Rainha das Neves.

A Minnie fazendo compras

A Minnie fazendo compras nas Galeries Lafayette

Acreditando na volta dos brasileiros -já foram 70.000 no ano passado, orgulhosa de ser parisiense, e dando o maior apoio as iniciativas da Atout France, da Air France e das operadoras especializadas, a Disneyland Paris vai agora levar essa programação para as agencias e para os viajantes brasileiros. Junto com seus parceiros, vai mostrar que Mickey, o Louvre, Minnie, Versalhes, Cinderela e os Castelos do Loire podem muito bem conviver durante uma viagem para França. Merci, Mickey, e parabéns pelos seus 25 anos na França!

Jean-Philippe Pérol

O pin da inauguração da EuroDisney

O pin da inauguração da EuroDisney

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos