Bilionários inaugurando mais uma vez o turismo espacial?

Dennis Tito, o primeiro turista espacial da história

Em 2002, na abertura da primeira edição do ILTM de Cannes, o Diretor do salão destacou um dos expositores que , segundo ele, mostra o caminho do turismo do futuro: era uma operadora que oferecia por uns 20 milhões de USD o primeiro passeio no espaço. Co-presidindo o evento, o então diretor geral da Maison de la France, fez questão de lembrar que era sem dúvidas um acontecimento, mas que com certeza os viajantes que aceitavam de pagar um tal preço par uma experiência de alguns minutos não representavam mais que uma micro-niche que não ia acrescentar muitas receitas ou muitos empregos ao desenvolvimento sustentável do turismo internacional.

Guerra de egos ou nova era do turismo mundial?

Quase vinte anos e dez clientes depois, o turismo espacial volta a ser noticia, essa vez como competição de ego três bilionários mediatizados, todos com grandes investimentos nos transportes para o espaço: Egon Musk da Tesla- que teria sempre sonhar em abrir a colonização da planeta Mars mas já conseguiu para SpaceX fabuloso contratos com a NASA-, Richard Branson da Virgin – interessado há anos pelas viagens supersônicas e as ascensões em balões através da Virgin Galactic-, e Steff Bezos da Amazon – sonhando desde 2000 com colônias espaciais flutuantes construídas e lançadas pela sua empresa especializada Blue Origin.

A largada do VSS Unity desde seu lançador

Se nenhum dos três poderá alegar ser o primeiro turista espacial ( Dennis Tito no 21 de Abril 2001, e depois dele uns dez milionários pagaram nos últimos vinte anos uns 20 milhões de USD para viajar a bordo de foguetes Soyuz), Richard Branson foi mesmo o primeiro a viajar a bordo do seu proprio navio espacial. No dia 11 de julho, o excêntrico empresário sai na frente com três outros passageiros e dois pilotos no VSS Unity, levado pelo lançador VSS Eve. Depois da largada, subiu até 90 quilômetros de altura -10 quilômetros acima do limite do espaço definido pela Aeronáutica estado-unidense – e foi pousar na base de Spaceport no Novo México onde nada menos que Elon Musk esperava para reservar uma vaga num próximo voo.

No deserto do Texas, o Blue Origin de Steff Bezos

Jeff Bezos saiu nove dias mais tarde, dia 20 de julho, com o seu foguete New Shepard, atingiu 107 quilômetros de altura, e depois de dez minutos voltou abrindo os três paraquedas da capsula para pousar no deserto do Texas. Se não foi na dianteira, Jeff levou vantagem sobre o seu rival. Em primeiro lugar ultrapassou a barreira do espaço, 100 quilômetros de altura segundo as convenções internacionais. Em segundo caprichou no conteúdo emocional, com a presencia a bordo de vários objetos carregados de símbolos fortes: colar da sua mãe, pedaço do avião dos irmãos Wright, medalhão de Montgolfier, e convite a pioneira da aviação americana Wally Funk, hoje com 82 anos.

Olivier Daemen junto com Jeff Bezos, Mark Bezos, e Wally Funk

Jeff Bezos superou também Richard Branson em levar um passageiro pagante – o montante exato, superior a 20 milhões de USD, não foi porem divulgado. O feliz escolhido foi um neerlandês de 20 anos, Oliver Daemen, que foi presenteado pelo pai, dono do hedge fund Somerset Capitol Partners. Oliver tinha chegado em segundo lugar num leilão disputadíssimo de 75 pessoas, mas o vencedor teve que adiar a viagem e seguirá nos outros voos programados, dois em 2021 e vários em 2022. Nessas previsões de turistas espaciais, a Blue Origin tem ambições mais modestas que a Virgin Atlantic que já vendeu mais de 600 passagens de USD 250.000 cada e está programando 400 voos comerciais nos próximos anos.

O impacto do turismo espacial já preocupa os ambientalistas

Mesmo se os três bilionários insistam na dimensão sustentável e social desses projetos, as reações da imprensa bem como das mídias sociais foram pelo menos cautelosas, pouco jornalistas ou influenciadores sendo convencidos que os bilhões gastos nesses voos ajudaram ou ajudarão a encontrar soluções as crises de curto ou longo prazo, e muitos deles achando que essas viagens não se encaixa nas novas tendencias de sustentabilidade e de responsabilidade social. Para os profissionais, mesmo nas hipóteses mais favoráveis de algumas centenas de passageiros nos próximos anos, o turismo espacial,  continua pertencendo ao distante futuro.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

O turismo espacial já está chegando!

Cannes: a febre do luxo brasileiro merece perdurar!

IslBG

No próximo dia 2 de dezembro, começa em Cannes o International Luxury Travel Market,  um dos grandes encontros do Luxo e do Turismo. Durante três dias, a Croisette, o Palais des Festivals e os ‘palaces’ vão trocar os artistas de cinema ou os grandes publicitários pelos profissionais do trade. Com 18 hosted buyers em 2002 e 100 desse ano (incluindo 5 expositores), a presencia brasileira cresceu em proporção do mercado. O Brasil virou um dos cinco grandes países emissores do turismo de luxo (junto com Estados Unidos, China, Rússia e Oriente médio), muito cobiçado, especialmente pelos hotéis de luxo franceses.

IMG_4037Com mais de 250 expositores, a França està mostrando em Cannes que suas ambições no turismo de luxo não são somente uma estratégia da Atout France mas uma ambição de muitos parceiros de todos as regiões francesas, incluindo as mais distantes como Tahiti, Saint Barth, Saint Martin ou a Guadalupe. Conversando com eles, é claro que o Brasil continua sendo uma prioridade,mas é claro também que nos últimos meses, varias perguntas começaram a aparecer: será que, com um crescimento de um ou dois por cento, o Brasil ainda deve constar nos países emergentes onde devemos investir? e se continuamos a investir no Brasil,  será que ainda devemos apostar nos segmentos de luxo ou já é hora do turismo de massa?

Lida na imprensa internacional, a decepção com os resultados do turismo brasileiro na França devem ser relativizados. Mesmo sem atingir os 17 % dos mercados asiáticos ou mesmo os 13% da Rússia, os números vão crescer de quase 8%, muito acima dos mercados europeus que mal vao chegar a 2%. Os indicadores em termo de receitas ( +14% até agora), bem como as perspectivas a médio prazo continuam  excelentes. Os resultados excepcionais de alguns concorrentes, em primeiro lugar dos Estados Unidos que vão passar os dois milhões de visitantes brasileiros esse ano, e provavelmente atingir o seu objetivo de dois milhões e quinhentos mil antes de dezembro de 2016, confirmam essa força do mercado.

imagesFXW1086ANesse quadro, o luxo também vai continuar a crescer, e vai crescer mais rápido. Primeiro porque a Classe A, incluindo a A+, cresce naturalmente com a economia brasileira. Segundo  porque o setor do luxo, inclusivo nas viagens, beneficia do ‘effet sablier‘ (efeito ampulheta) que levem os consumidores a procurar cada vez mais os produtos dos dois extremos do leque de ofertas. Terceiro enfim porque o setor do luxo beneficia também de muitos consumidores ocasionais, o famoso ‘masstige’, que pode ser fundamental para alguns produtos de luxo: o cliente CVC  compra também perfumes da Dior ou lenços da Hermès …

Numa indústria onde o sonho também é fundamental, o luxo é um fator chave para a imagem da França. Claro que o A380 da Air France só tem 9 lugares na Primeira classe, mas eles ajudaram a contribuir a decisão de viagem doa outros 518 passageiros. E os brasileiros que passeiam na rue de la Paix ou na Place Vendôme acham nas vitrinas do Cartier ou do Chaumet um linda experiência de Paris.

DSCN1410Para o próximo ILTM de Cannes, tantos franceses como brasileiros podem ter uma total confiança no futuro do setor do luxo entre os dois paises. Mesmo com muita concorrência, a França tem como trunfo excepcional as duas dimensões fundamentais desse setor. Os produtos, claro, especialemente os grandes hotéis ou os palaces, mas também as maiores marcas que definem as tendências da moda no mundo. Mas o luxo é mais que isso, é também o charme, o glamour’, a emoção dum momento excepcional ou único, um momento exclusivo que cabe tão perfeitamente na cultura e na imagem da França. Sim, podemos ir para ILTM em Cannes que a França tem mesmo futuro nas viagens de luxo dos brasileiros!

Jean-Philippe Pérol

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