Cannes, alem do Festival, grandes hotéis e cantos exclusivos

Sob a presidência do australiano George Miller, que apresentou o ano passado o seu filme  “Mad Max Fury Road”, o Festival de Cannes foi inaugurado com  Café Society, um novo – e, como sempre, polemico- filme do Woody Allen. DSCN1410 - copieDurante onze dias, a cidade vai viver ao ritmo do cinema, se vestir de tuxedo ou de vestido longo, e celebrar a cultura, o luxo e a elegância. Segunda cidade francesa pelo numero de hotéis 4 ou 5 estrelas, tendo uma das maiores concentrações de lojas de grandes marcas, Cannes aproveita o Festival para mostrar a excelência e o chique do seu serviço, e as vezes as extravagâncias dos seus clientes. Dentro das mais famosas, um entrega de dois mil rosas para uma atriz cobiçada, uma encomenda de banheira cheia de leite de cabra para Faye Dunaway, ou a exigência de paredes azuis na suite de um ator galês que teve que ser pintada no ato.

O Carlton Intercontinental

O Carlton Intercontinental

Mesmo se o Five Seas é badalado e o Novotel Montfleury charmoso, só alguns hotéis de Cannes simbolizam o Festival. O Carlton é o mais tradicional, aberto em 1911, tendo como investidor e cliente fiel o irmão do Imperador da Rússia, o Grande Duque Michel. Dessa época de glória o hotel ganhou seu nome (Carlton quer dizer o país do homem livre em norueguês) , guardou o seu salão tombado, os seus pratos de prata e a coroa imperial da sua louça. A lenda do hotel se juntou aos mitos de Cannes quando a Grace Kelly ou a Elizabeth Taylor. O Majestic é um outro endereço de prestigio ligada ao Festival. Frente ao tapete vermelho do “Palais des Festivals”, pertencendo ao grupo Barrière, ele foi aberto em 1926, completamente renovado em 2010 com uma decoração perfeitamente respeitada até hoje tanto na sua faixada que nos seus dois restaurantes, o Fouquet’s et a Petite Maison. O Martinez  Grand Hyatt é outro endereço tradicional da Croisette. Aberto em 1929, primeiro hotel francês com um elevador, ele é muito procurado pelo seu estrelado restaurante “La Palme d’Or” onde cada prato combina com uma louça de cerâmica especifica.

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mas, mesmo durante o Festival, o charme de Cannes continua sendo a sua diversidade e os seus   lugares escondidos onde a exclusividade e o intercâmbio com moradores são também o verdadeiro luxo. Uma das atividades mais exclusiva é conseguir sair a bordo dos barcos pesqueiros. Trinta deles ainda trabalham no porto de Cannes e aceitam alguns visitantes que podem sair no nascer do sol atras de douradas, de “rougets”, de lagostas ou de cavaquinhas. marche-forville-cannes-Depois da pescaria, e duma parada no Café de l’Horloge, os convidados podem seguir até o Mercado Forville para ver a venda nas barracas de produtos locais. Longe da Croisette, um outro passeio imperdível junta exclusividade e autenticidade: o mosteiro fortificado da ilha de  Saint-Honorat onde 21 monges recebem os visitantes amadores de espiritualidade, de passeios nos pinheirais e de degustações de vinhos produzidos no local. Saindo do porto onde acostam iates de milionários vindo do mundo inteiro, a somente 15 minutos dos borbulhas do Festival, essa visita – de um dia ou mais para quem quiser experimentar a hospitalidade dos monges- é sem dúvida uma das mais surpreendentes quanta a extraordinária diversidade da cidade  do Festival mais glamoroso do cinema mundial. Vive le Festival de Cannes!

O "Vieux Port" de Cannes

O “Vieux Port” de Cannes

Na Ilha Saint Honorat, 16 séculos de trabalho dos vinhedos

 Esse artigo foi inspirado de um artigo original do diário francês Le Figaro

Cannes: a febre do luxo brasileiro merece perdurar!

IslBG

No próximo dia 2 de dezembro, começa em Cannes o International Luxury Travel Market,  um dos grandes encontros do Luxo e do Turismo. Durante três dias, a Croisette, o Palais des Festivals e os ‘palaces’ vão trocar os artistas de cinema ou os grandes publicitários pelos profissionais do trade. Com 18 hosted buyers em 2002 e 100 desse ano (incluindo 5 expositores), a presencia brasileira cresceu em proporção do mercado. O Brasil virou um dos cinco grandes países emissores do turismo de luxo (junto com Estados Unidos, China, Rússia e Oriente médio), muito cobiçado, especialmente pelos hotéis de luxo franceses.

IMG_4037Com mais de 250 expositores, a França està mostrando em Cannes que suas ambições no turismo de luxo não são somente uma estratégia da Atout France mas uma ambição de muitos parceiros de todos as regiões francesas, incluindo as mais distantes como Tahiti, Saint Barth, Saint Martin ou a Guadalupe. Conversando com eles, é claro que o Brasil continua sendo uma prioridade,mas é claro também que nos últimos meses, varias perguntas começaram a aparecer: será que, com um crescimento de um ou dois por cento, o Brasil ainda deve constar nos países emergentes onde devemos investir? e se continuamos a investir no Brasil,  será que ainda devemos apostar nos segmentos de luxo ou já é hora do turismo de massa?

Lida na imprensa internacional, a decepção com os resultados do turismo brasileiro na França devem ser relativizados. Mesmo sem atingir os 17 % dos mercados asiáticos ou mesmo os 13% da Rússia, os números vão crescer de quase 8%, muito acima dos mercados europeus que mal vao chegar a 2%. Os indicadores em termo de receitas ( +14% até agora), bem como as perspectivas a médio prazo continuam  excelentes. Os resultados excepcionais de alguns concorrentes, em primeiro lugar dos Estados Unidos que vão passar os dois milhões de visitantes brasileiros esse ano, e provavelmente atingir o seu objetivo de dois milhões e quinhentos mil antes de dezembro de 2016, confirmam essa força do mercado.

imagesFXW1086ANesse quadro, o luxo também vai continuar a crescer, e vai crescer mais rápido. Primeiro porque a Classe A, incluindo a A+, cresce naturalmente com a economia brasileira. Segundo  porque o setor do luxo, inclusivo nas viagens, beneficia do ‘effet sablier‘ (efeito ampulheta) que levem os consumidores a procurar cada vez mais os produtos dos dois extremos do leque de ofertas. Terceiro enfim porque o setor do luxo beneficia também de muitos consumidores ocasionais, o famoso ‘masstige’, que pode ser fundamental para alguns produtos de luxo: o cliente CVC  compra também perfumes da Dior ou lenços da Hermès …

Numa indústria onde o sonho também é fundamental, o luxo é um fator chave para a imagem da França. Claro que o A380 da Air France só tem 9 lugares na Primeira classe, mas eles ajudaram a contribuir a decisão de viagem doa outros 518 passageiros. E os brasileiros que passeiam na rue de la Paix ou na Place Vendôme acham nas vitrinas do Cartier ou do Chaumet um linda experiência de Paris.

DSCN1410Para o próximo ILTM de Cannes, tantos franceses como brasileiros podem ter uma total confiança no futuro do setor do luxo entre os dois paises. Mesmo com muita concorrência, a França tem como trunfo excepcional as duas dimensões fundamentais desse setor. Os produtos, claro, especialemente os grandes hotéis ou os palaces, mas também as maiores marcas que definem as tendências da moda no mundo. Mas o luxo é mais que isso, é também o charme, o glamour’, a emoção dum momento excepcional ou único, um momento exclusivo que cabe tão perfeitamente na cultura e na imagem da França. Sim, podemos ir para ILTM em Cannes que a França tem mesmo futuro nas viagens de luxo dos brasileiros!

Jean-Philippe Pérol