Politica atrapalha o renascimento do turismo no Irã

Persepolis, antiga capital do império do Ciro o Grande

Seguindo as decisões politicas dos Estados Unidas, as mas noticias se acumulam para o turismo no Irã. Depois de Air France, KLM, Etihad, Air Astana e Austrian, a British Airways decidiu a suspensão dos seus voos para Teerã a partir do mês de Setembro. Algumas grandes companhias aéreas, lideradas pela Lufthansa e Alitalia, ainda não anunciaram as suas decisões, mas parece pouco provável que elas desafiam o boicote americano e arriscam pesadíssimas sanções econômicas. Num prazo de seis a oito semanas, o pais herdeiro do império de Ciro, cujos 2500 anos tinham sidos comemorados em 1971 com a presença de 60 chefes de estados, só será ligado aos países ocidentais pela companhias locais Mahan Air e Iran Air.

Os hotéis ibis e Novotel do grupo Accor em Teerã

Esse golpe chegou no ano excepcional para o turismo no Irã que cresceu  50% em 2017, passando os 6 milhões de visitantes, alastrando um otimismo tanto nos profissionais que no ministério que chegou a anunciar um objetivo de 20 milhões de entradas para 2025. Surfando no sucesso, Accor, Mélia e varias outras companhias hoteleiras internacionais tenham  investindo em novos estabelecimentos. Para eles, o futuro está agora incerto, assim que para os números pequenos bed and breakfast que empresários locais abriram nos últimos três anos. Se o site da AirBnb ainda oferece centenas de quartos e apartamentos no Irã, a permanecia dessa oferta está agora ameaçada pelo bloqueio das transações financeiras.

A praça Naqsh-e-Janan em Isfahan

Enquanto destinos exclusivos estão cada vez mais procurados para os viajantes que querem novidades e precisam fugir do “overturismo”, o Irã tinha – e tem- uma oferta que seduz tanto os turistas a forte motivação cultural que os backpackers aventureiros. As ruínas de Persépolis, a antiga capital do império persa (patrimônio mundial da UNESCO), as mesquitas, os jardins, e os museus de Isfahan ou Shiraz, os palácios de Teerã, os vilarejos do Mar Cáspio e os monumentos sagrados de Meshed carregam uma historia excepcional que muitas operadoras, na França, na Alemanha mas também no Brasil, estão promocionando com sucesso. Com um cambio muito favorável, e uma importante e segura oferta de hospedagem e restauração econômica, o pais foi classificado pelo World Economic Forum report  como o destino turístico mais barato de 2018.

A mesquita do Sheikh Lutfallah em Isfahan

Se é certo que a riqueza patrimonial e cultural do Irã lhe assegura a longo prazo um grande futuro no mapa do turismo mundial, e que os peregrinos ou aventureiros continuarão a visitar suas cidades santas ou seus sítios arqueológicos, a decisão  americana e a consecutiva impossibilidade de fluxos financeiros com o Irã, devem quase parar a curto prazo os fluxos vindo da Europa e das Américas. Para os hoteleiros e para as operadoras foi mais uma vez demonstrada a fragilidade da economia turística, sujeita as crises climáticas, sanitárias, econômicas ou militares, mas também aos jogos políticos. Para quem sonha em visitar ou fazer visitar o pais outrora conhecido como o ”Trono do Pavão”, a esperança será de lembrar que o turismo demostrou nas últimas décadas uma extraordinária resiliência, e que o prazo de recuperação dos destinos castigados está cada vez mas curto. Então, no ano que vem em Persépolis?

Jean Philippe Pérol

As ruínas de Naqsh-e Rostam perto de Shiraz

A torre Azadi em Teerã

Cannes, alem do Festival, grandes hotéis e cantos exclusivos

Sob a presidência do australiano George Miller, que apresentou o ano passado o seu filme  “Mad Max Fury Road”, o Festival de Cannes foi inaugurado com  Café Society, um novo – e, como sempre, polemico- filme do Woody Allen. DSCN1410 - copieDurante onze dias, a cidade vai viver ao ritmo do cinema, se vestir de tuxedo ou de vestido longo, e celebrar a cultura, o luxo e a elegância. Segunda cidade francesa pelo numero de hotéis 4 ou 5 estrelas, tendo uma das maiores concentrações de lojas de grandes marcas, Cannes aproveita o Festival para mostrar a excelência e o chique do seu serviço, e as vezes as extravagâncias dos seus clientes. Dentro das mais famosas, um entrega de dois mil rosas para uma atriz cobiçada, uma encomenda de banheira cheia de leite de cabra para Faye Dunaway, ou a exigência de paredes azuis na suite de um ator galês que teve que ser pintada no ato.

O Carlton Intercontinental

O Carlton Intercontinental

Mesmo se o Five Seas é badalado e o Novotel Montfleury charmoso, só alguns hotéis de Cannes simbolizam o Festival. O Carlton é o mais tradicional, aberto em 1911, tendo como investidor e cliente fiel o irmão do Imperador da Rússia, o Grande Duque Michel. Dessa época de glória o hotel ganhou seu nome (Carlton quer dizer o país do homem livre em norueguês) , guardou o seu salão tombado, os seus pratos de prata e a coroa imperial da sua louça. A lenda do hotel se juntou aos mitos de Cannes quando a Grace Kelly ou a Elizabeth Taylor. O Majestic é um outro endereço de prestigio ligada ao Festival. Frente ao tapete vermelho do “Palais des Festivals”, pertencendo ao grupo Barrière, ele foi aberto em 1926, completamente renovado em 2010 com uma decoração perfeitamente respeitada até hoje tanto na sua faixada que nos seus dois restaurantes, o Fouquet’s et a Petite Maison. O Martinez  Grand Hyatt é outro endereço tradicional da Croisette. Aberto em 1929, primeiro hotel francês com um elevador, ele é muito procurado pelo seu estrelado restaurante “La Palme d’Or” onde cada prato combina com uma louça de cerâmica especifica.

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mosteiro da Ilha Saint Honorat

Mas, mesmo durante o Festival, o charme de Cannes continua sendo a sua diversidade e os seus   lugares escondidos onde a exclusividade e o intercâmbio com moradores são também o verdadeiro luxo. Uma das atividades mais exclusiva é conseguir sair a bordo dos barcos pesqueiros. Trinta deles ainda trabalham no porto de Cannes e aceitam alguns visitantes que podem sair no nascer do sol atras de douradas, de “rougets”, de lagostas ou de cavaquinhas. marche-forville-cannes-Depois da pescaria, e duma parada no Café de l’Horloge, os convidados podem seguir até o Mercado Forville para ver a venda nas barracas de produtos locais. Longe da Croisette, um outro passeio imperdível junta exclusividade e autenticidade: o mosteiro fortificado da ilha de  Saint-Honorat onde 21 monges recebem os visitantes amadores de espiritualidade, de passeios nos pinheirais e de degustações de vinhos produzidos no local. Saindo do porto onde acostam iates de milionários vindo do mundo inteiro, a somente 15 minutos dos borbulhas do Festival, essa visita – de um dia ou mais para quem quiser experimentar a hospitalidade dos monges- é sem dúvida uma das mais surpreendentes quanta a extraordinária diversidade da cidade  do Festival mais glamoroso do cinema mundial. Vive le Festival de Cannes!

O "Vieux Port" de Cannes

O “Vieux Port” de Cannes

Na Ilha Saint Honorat, 16 séculos de trabalho dos vinhedos

 Esse artigo foi inspirado de um artigo original do diário francês Le Figaro

A França, do Oiapoque ao Maroni!

DSCN2053

O Brasil, do Oiapoque ao Chuí, isso tudo mundo sabe. Mas além do Oiapoque? Isso, poucos sabem, pelo menos poucos franceses. Là começa a França ou mais exatamente uma região francesa, a Guiana, que se estica da fronteira Brasileira até a beira do Rio Maroni.

Explorada no século 17 pelo mesmo Daniel de la Touche que fundou São Luiz do Maranhao, a Guiana teve uma historia difícil. Uma longa disputa territorial com o Brasil (que ocupou a região durante as guerras com Napoleão)  so acabou com a arbitragem do Presidente da Suíça em 1900, por sinal 100% a favor do Brasil. Imagem1Arruinada pela saída dos jesuítas, a economia foi marcada pelas desumanas condições de trabalho, primeiro da mão de obra escrava e depois dos condenados ao famoso ‘bagne’. Uma corrida para o ouro no final do século 19 trouxe um surto de riqueza e novos imigrantes (junto com um tio-bisavô meu), mas o ouro quase acabou até que garimpeiros brasileiros – hoje quase 3000 – se interessassem de novo pelas jazidas esparsas no meio da selva. São muitas historias que foram escritas em comum com o Brasil, desde o roubo do primeiro cafeeiro pelo amante brasileiro da bela governadora até as aventuras da Saraminda tão bem contadas pelo Sarney no seu livro sobre o Contestado.

A uma hora de avião de Belém, IMG00252-20110905-1613ou seis horas de Macapá pela estrada, a Guiana pode ser uma opção para turistas querendo descobrir uma Amazônia diferente, onde os supermercados tem mais ‘camembert’ que açaí, os bares mais Bordeaux que cachaça, onde se anda mais de carro que de canoa e onde os restaurantes oferecem tanto carne de jacaré do que ‘filet au poivre’. Por sinal o melhor restaurante da região é o Paris Cayenne cujo chefe consegue com muitíssimo talento misturar ingredientes e ideias vindo da França metropolitana, da Amazônia e do Brasil.

Uma estadia nesse além-Oiapoque tem que começar no Bar des Palmistes, o mais tradicional de Caiena, num prédio tombado e muito bem renovado, de frente para uma linda praça plantada de palmeiras imperiais. L1040067Nos arredores, vale andar no Mercado municipal onde se fala tanto francês que creole, taki-taki ou (mais ainda) português. Casas e sobrados coloridos da época colonial  dividam as ruas principais com lojas de perfumes ou de jóias de ouro (passar no Jan d’Or, um pequeno artesão creativo e simpático). Se a cidade vale pelo charme do ambiente tropical e francês, o turismo na Guiana tem alguns imperdíveis.

DSCN1284Em primeiro as Iles du Salut, em frente da cidade de Kourou. As três ilhas são famosas porque foram um dos presídios mas duro da Guiana. Na maior, a Ilha Real, ficava o governador e os presos comuns. Sobrou muitos prédios, incluindo os mais importantes onde fica o restaurante e   um pequeno mas simpático hotel onde vale a pena ficar uma noite. Na segunda ilha, São José, ficavam os presos mais perigosos, em condições terríveis ainda visíveis nas ruínas das células a céu aberto. Enfim, na terceira, a Ilha do Diabo, ficavam os presos políticos cujo  mais famoso foi o injustiçado Capitao Dreyfus. IMG-20120705-00504A cidade de Kourou é famosa pela base de lançamento de foguete (que tem por sinal cooperação com Alcântara e Barreira do Inferno no Brasil). Se tiver sorte, pode ter a chance de ver um lançamento de Ariane, Soyouz ou Veja, os três tipos de foguetes lançados quase mensalmente.

Na beira do Rio Maroni, fronteira com o Suriname, Saint Laurent é a segunda cidade da Guiana, e guarda um impressionante acervo da época dos presídios, incluindo o famoso Camp e la Transportation por onde transitou Papillon…DSCN3931 Se hospedando aqui, na Tentiaire, dá para uma interessante excursão pelo rio até a cidade de Apatou, famosa pelas artes quilombolas. E se for là entre  maio e setembro, ai não perca o fabuloso espetáculos das tartarugas de couro pondo na praia de Awala.

Genuinamente amazônica, a Guiana oferece ao turista muitas belezas, muitas atividades e muitas tradições conhecidas também no Norte do Brasil:DSCN30014 banhos em igarapés de agua fresca (experimente Iracubo ou as cataratas de Montmorency), praias (a melhor é do Novotel em Caiena), passeios em trilhas de selva (o Morro dos Macacos não demora duas horas e da uma vista linda sobre Kourou),  focagem de jacarés em Kaw (excursões organizadas pela JAL voyages), bird watching de guarás, ou pesca esportiva nas ilhas para quem gostar de tarpão ou acupá. Não tem boi bumba mas tem um carnaval muito animado e uma tradição muito divertida. Nos maiores bailes da Guiana, as mulheres chegam vestidas de damas do século 18. Elas tem a cara, as mãos e o corpo totalmente escondidos com mascara, luvas, e meias. São as tululús que tem o privilegio de escolher os seus cavalheiros, esses sendo obrigados de aceitar sem saber qual é a mulher que se esconde atrás da mascara. Cuidado que pode até ser a sua! Ainda bem que isso, só além do Oiapoque.

Touloulous

Jean-Philippe Pérol