Os Jogos de Paris 2024, um sucesso de futuro para o turismo francês

Na Place de la Concorde, um espaço de convivialidade olímpica

Se os Jogos de Paris 2024 acabarão oficialmente somente dia 8 de setembro no encerramento dos Paralímpicos, os especialistas já estão brigando para saber se o evento foi ou não o sucesso esperado pelos profissionais e anunciados pelos políticos. Os resultados são fáceis de medir quando se trata de medalhas – a França conseguiu bater seu recorde com 64 , sendo 16 de ouro-, ou quando se trata de custos financeiros – quase 10 bilhões de Euros para uma previsão inicial de 6-, mas é difícil de apreender quando se trata de turismo devido às diversidades de indicadores. São mais difíceis ainda de analisar quando se trata de turismo internacional.

Os profissionais fizeram o máximo para seduzir atletas e visitantes

Para os profissionais do setor, teve, como sempre nos grandes eventos, muitas expectativas, e, como sempre nos grandes eventos, muitas decepções. Os números globais ainda não podem ser medidos, mas serão com certeza em recuo, como foi o caso em Londres, já que o milhão e meio de visitantes “olímpicos” estiveram presentes, mas desanimaram o mesmo tanto de turistas regulares que se assustaram com os altos preços anunciados para hospedagens ou com a complexidade da mobilidade em Paris. As quedas de 30% observadas nos restaurantes e nos comércios, de 20% nos parques e nos museus, impactaram brutalmente um setor ainda em recuperação das traumas da pandemia. E se os hotéis e os apartamentos alugados tiveram uma alta de 10% da taxa de ocupação a partir do 26 de julho, os empreendimentos tiveram que reajustar os preços para baixo depois de um mês de junho muito abaixo do normal.

Os parisienses pedem a permanência do balão da chama olímpica

Mas, por importantes que sejam esses problemas, o Jogos foram mesmo um sucesso excepcional, incluído para o setor do turismo que vai beneficiar a longo, médio e curto prazos, dos investimentos em infraestruturas, comunicação e capacitação que foram realizados. Os futuros visitantes poderão aproveitar as renovações de muitos pontos de atração, as inovações em transportes, segurança ou em equipamentos indispensáveis para futuros grandes eventos que a França mostrou ter capacidade para organizar.

O surfe brasileiro imortalizado na onda de Teahupo’o

Os Jogos ofereceram também para Paris e para toda França uma extraordinária visibilidade em toda a mídia internacional. A ousada escolha de localizar o máximo de provas frente aos grandes monumentos históricos ou em lugares inesperados gerou no mundo inteiro momentos inesquecíveis; o vôlei de praia em frente da Torre Eiffel, o hipismo nos jardins de Versailles, a esgrima em baixo do domo do Grand Palais, o triatlo nas águas do Rio Sena, o surfe na mítica praia polinésio de Teahupo’o ….

A magia criativa de Zeus na cerimônia de abertura

O maior impacto sobre o turismo  virá de uma nova imagem que a França conseguiu consolidar com os Jogos. A cerimônia de abertura – mesmo com alguns erros que serão esquecidos porque criatividade é sinônimo de aceitação de risco-  mostrou para cerca de um bilhão de telespectadores um destino inovador, surpreendente, orgulhoso da sua história mas aberto, inclusivo, detalhista e alegre. Os visitantes internacionais presentes – entre eles 107.000 brasileiros entusiastas, muitos jovens e muitas famílias -anotaram também o bom atendimento e até a gentileza dos profissionais, dos voluntários e dos próprios moradores. Com eles, a França pode sair dos Jogos com mais otimismo sobre seu futuro de primeiro destino internacional de turismo.

Jesan-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

 

 

Táxis voadores durante os Jogos Olímpicos?

Volocopter deve experimentar seus taxis voadores durante os JO

Sonhos dos filmes de ficção científica, os táxis voadores nunca estiveram tão perto de virar realidade, pelo menos nos céus de Paris. Poucas semanas antes da abertura dos Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos de Paris, no último dia 12 de junho, o Ministério francês dos transportes, autorizou um serviço experimental, e as autoridades aeronáuticas tanto da Europa como dos Estados Unidos anunciaram ter feito mais um passo na certificação dos “Vertical Take Off and Landing” ( VTOL), os aviões elétricos, a decolagem e aterrissagem vertical. Se tudo correr bem, os primeiros táxis voadores deverão então estar a disposição dos visitantes  em Paris para a tão esperada cerimônia do dia 26 de Julho.

Mesmo com demonstrações bem sucedidas, os oponentes ainda são numerosos

Porém, se trata somente de uma experiência, e não de comercialização. O Aeroporto de Paris, promotor da operação, teve que superar muitos obstáculos. A Agência Europeia de Segurança Aérea  exigiu dos fabricantes normas de seguranças tão rígidas que para a aviação comercial,  seja na área técnica que em termos administrativos e até políticos. O Ministério do meio-ambiente achou que não podia autorizar essas aeronaves elétricas que tinham um alto consumo de energia e uma alta poluição sonora. A Prefeita de Paris tentou bloquear o projeto, achando que ele era uma absurdidade tecnológica e uma aberração ecológica. Mesmo assim, o Ministério autorizou a experiencia de taxis voadores, não sendo agora possível a comercialização.

O primeiro vertiporto será instalado frente a Cité du design et de la mode

Logo dada a autorização, o Aeroporto de Paris começou a construção de um “vertiporto” numa balsa ancorada do lado da estação de trem Austerlitz, frente a “Cité du design et de la mode” de Paris. Aqui será instalada a primeira base dos táxis voadores “Volocity” do fabricante alemão Volocopter, aparelhos intermediários entre os drones e os helicópteros. Durante os Jogos, poderão ser experimentados durante voos com duas pessoas, um piloto e um passageiro. Esses  VTOL interligarão Austerlitz com os outros quatros “vertiportos” que estão sendo preparados na região de Paris, em  Saint-Cyr-l’Ecole, Issy-les-Moulineaux, bem como nos aeroportos de Le Bourget e de Roissy-Charles-de-Gaulle. Por motivo de segurança, os táxis voadores não cruzarão os céus da cidade, mas entrarão em Paris sobrevoando o Rio Sena.

Depois da certification, um traslado a 110 Euros?

O vertiporto deve normalmente ser desmontado (e reciclado) antes do final do ano. et recyclé, selon la promesse du gestionnaire d’aéroports. Até là o Aeroporto de Paris e seus parceiros querem demonstrar o potencial tecnológico e comercial dos táxis voadores. Com a certificação, e a autorização de sobrevoar as áreas urbanas da capital, seriam oferecidos traslados rápidos para os aeroportos a preços muito competitivos (por volta de 110 Euros). E ,aproveitando a localização do vertiporto de Austerlitz perto do hospital de La Pitié Salpetrière , um dos melhores e maiores de Paris, os promotores do projeto também destacam os serviços de ambulâncias que os aviões elétricos VTOL irão oferecer.

Dubai pode ser a próxima cidade a autorizar os taxis voadores

A certificação comercial está sendo esperada para outubro, depois dos Jogos, e liberará a possibilidade de iniciar serviços de táxis voadores pagos. As autorizações parecem bem encaminhadas, tanto na Agência Europeia de Segurança Aérea  (AESA) que na Agência  Federal Americana de Aviação (FAA). A FAA já publicou uma diretiva com algumas características a serem respeitadas, com um máximo de 6 pessoas a bordo e um peso total limitado a  5.670 kilos. A França quer ser pioneira, já que a Califórnia e os Emirados estão com projetos bem adiantados. É porém provável que o Aeroporto de Paris ainda deverá enfrentar a ferrenha oposição dos ecologistas que criticam o suporte ao transporte para privilegiados, com um custo ambiental elevado. Um batalha que eles perderam devido ao entusiasmo da vitrina olímpica, mas que eles devem reiniciar depois dos Jogos.

 

 

A alta costura se apaixona pela hotelaria de luxo

Moda, cultura e hospedagem são cada vez mais interligadas

A moda está se apaixonando pela hotelaria de luxo … e os gigantes do setor estão aproveitando seu “savoir faire” em produções exclusivas para oferecer novas fórmulas de hospedagens a seus clientes privilegiados, especialmente estadunidenses e árabes. Louis Vuitton, Bulgari, Louboutin, Armani, Dolce & Gabbana, Ferragamo ou até mesmo a revista de moda internacional Elle  estão assim investindo em hotéis com quartos e suítes de luxo, serviços personalizados, incluindo personal shoppers, acessos exclusivos a suas lojas, ou visitas particulares de museus pertencendo às vezes aos mesmos grupos econômicos.

A LVMH abriu em Shanghai um ícone da hotelaria de luxo

O grupo LVMH, já proprietário desde 2018 da marca Belmond e com o Orient Express na sua carteira, ampliou em 2021 sua marca Cheval Blanc com seu esperado palace em Paris, estabelecimento de 70 apartamentos dominando o Rio Sena e oferecendo um spa da Dior. A própria Vuitton deve abrir em 2026 um boutique hotel de “ultra luxo” no Champs Elysées, com a promessa de uma experiência única no universo da famosa marca. O grupo é também dono da Bulgari que comercializa hotéis cinco estrelas em Paris, Londres, Milão, Roma, Tóquio, Dubai, Bali, Pequim e Shanghai. Bulgari anunciou mais aberturas para os dois próximos anos nas Maldivas, em Los Angeles e em Miami Beach.

O “Vermelho”, primeiro hotel do Louboutin em Portugal

No ano passado, o estilista Christian Louboutin inaugurou o  seu primeiro hotel , o “Vermelho” (o nome se refera a cor emblemática da sola dos famosos sapatos, inspirada do esmalte das unhas da sua assessora), na cidade portuguesa de Melides, no Alentejo, a uma hora e meia no sul de Lisboa. O hotel possuí somente 13 quartos e foi construído com um cuidado especial para a sua integração no meio ambiente deste vilarejo que parece ter ficado no século XIX. Azulejos, afrescos, portas e peças únicas são homenagens ao artesanato, a criatividade e a arte para oferecer aos viajantes uma experiência exclusiva.

O Portrait hotel da Ferragamo em Florença têm uma localização excepcional

Na hotelaria italiana, o destaque é a família Ferragamo com a coleção Lungarno, fundada em 1995 e que tem na sua carteira três estabelecimentos da marca Portrait em Milão, Florença  e Roma. Ainda na capital da Toscana, o grupo tem o seu histórico Hotel Lungarno, o Continentale, a Galeria Hotel Art e os Apartamentos Lungarno. As outras marcas italianas de moda investindo em hotéis, não podia também faltar nem a Armani que abriu dois  5 estrelas, um em Milão e outro em Dubaï, nem a Versace, nem mesmo a Dolce & Gabbana.

A suite Gianni do “The Villa” da Versace em Miami

Na famosíssima Casa Casuarina de Miami, ícone da arquitetura dos anos 30 inspirada do Alcazar de Cristovão Colombo em Santo Domingo, a Versace abriu “The Villa” um boutique hotel de luxo de somente 12 suítes, que atrai celebridades pelo seu restaurante e seus salões de eventos. Fazem também parte do grupo o Palazzo Versace em Dubaï e o Grand Lisboa Palace em Macau. Mas quem quer mesmo marcar a hotelaria de luxo em Miami é a Dolce&Gabbana que anunciou o lançamento de um espetacular projeto de condomínio num arranha céu de 320 metros que será aberto até 2028. Estão previstas 259 residências, restaurantes, bares, piscina na cobertura e spa.  O design da fachada e dos interiores deve mostrar as características da marca bem como o encontro do glamour e da elegância da Itália e de Miami.

O futuro   “888 Brickell” da Dolce & Gabbana em Miami

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel  

Jogos Olímpicos Paris 2024, e se for também longe de Paris?

 

Para os turistas, Paris em julho terá um acesso difícil

Esperando 15 milhões de fãs para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos,  Paris vai ser a partir do dia 26 de julho o centro do universo esportista. Para muitos viajantes, será também um sonho inacessível, uma cidade onde transportes, hotéis, restaurantes e atrações serão além de lotados, e os preços altos serão desanimadores. De fato, segundo Frederic Hocquard, prefeito adjunto de Paris, os hotéis aumentaram em um ano de 314%, a AirBnb quase dobrou suas tarifas médias, e até o emblemático tíquete de metrô vai subir de 2,15 à 4 Euros durante a temporada dos Jogos. Para quem quer mesmo viajar para França e participar deste grande evento, existem porém várias alternativas.

Lille investiu na promoção dos seus momentos olímpicos junto a seus moradores

Se os Jogos 2024 são parisienses, várias disciplinas olímpicas precisaram ser deslocadas para outros lugares. Foram assim escolhidas nove cidades francesas onde será possível de assistir as provas de basquete, de handebol, de futebol, de vela, de tiro ou de surfe. No norte da França, Lille mobilizou autoridades e moradores  para receber 52 jogos de basquete e de handebol. Do 27 de julho até o 11 de Agosto, eventos, jogos e provas deveriam atender 100.000 visitantes por dia, que poderão também aproveitar a animação da cidade velha e da “Grand Place”,  a riqueza cultural do Museu de Arte Moderna ou a alegre simplicidade da sua gastronomia harmonizada com cerveja.

Em Bordeaux, a chama olímpica será do futebol

Reunindo agora 28 equipes (16 masculinas e 12 femininas), o futebol é o esporte que se espalhou no maior número de cidades francesas. Além de Paris, 6 outras cidades foram selecionadas em função da qualidade das infraestruturas, da sua história futebolística e da sua capacidade de atendimento. Bordeaux, Nantes, Saint Etienne, Lyon, Nice e Marselha. Se a seleção masculina do Brasil está fora da competição pela primeira vez desde 2004, as mulheres estão qualificadas e vão fazer seus dois primeiros jogos em Bordeaux. Para os torcedores, será uma boa oportunidade para visitar a capital mundial do vinho, seu centro histórico animado e comercial, sua “Cité du Vin” e seu teatro. Nos arredores, pode almoçar na praça frente a igreja troglodita de Saint Emilion, seguir os passos do Rei da Inglaterra nos vinhedos de Smith Haut Laffite ou caminhar no balneário de Arcachon.

Nice, a cidade de Garibaldi, será a sede de 6 jogos de futebol

As brasileiras poderão depois jogar em Lyon, Nantes e até em Paris, dependendo da classificação. Em Lyon, do 24 de julho ao 8 de agosto, 11 jogos são previstos, com destaque para as seleções francesa e argentina. Estão também no calendário duas semifinais bem como a briga pela medalha de bronze feminina, uma programação intensa que deve porém deixar aos visitantes o tempo de saborear os encantos da capital francesa da gastronomia. A menos de uma hora de trem ou de carro, Saint Etienne sediará 6 jogos, honrando seu passado futebolístico bem como seu presente de cidade do design. Do 24 de julho até 8 de agosto,  Nantes vai aproveitar os Jogos para mostrar a riqueza do seu património bretão – na cultura, na arquitetura, e na gastronomia-, bem com um rico movimento cultural acumulado em torno das heranças de Jules Verne e de Leonardo da Vinci. E para quem preferir a Riviera, Nice,  está recebendo 6 jogos do dia 24 de julho até o dia 31, uma semana para aproveitar a “Promenade des anglais”, as arenas de Cimiez ou o velho porto perto do qual ficava a casa onde nasceu o Garibaldi.

Em Marselha, Nossa Senhora da Guarda vigiará as provas náuticas

Além do futebol, Marselha acolherá outros esportes onde os brasileiros poderão se destacar. Famosa pelo seu porto, a mais antiga cidade da França, fundada por marinheiros gregos em 600 a.C., vai receber do 28 de julho até o 8 de agosto todos os esportes de sailing, incluindo o windsurfe, o kitesurfe e muitos outros.  Com os barcos saindo da marina de Roucas Blanc, as competições poderão ser vistas da beira mar, seja das áreas reservadas para os 12.000 compradores de entradas, seja gratuitamente das praias do Prado e da Corniche. Para os visitantes, a estadia em Marselha será uma boa ocasião para caminhar no antigo porto, visitar o Museu das Civilizações do Mediterrâneo, passear na trilhas das Calanques, e mais importante ainda: subir na basílica para pegar uma benção da Nossa Senhora da Guarda, padroeira da cidade.

Com 40.000 habitantes, Chateauroux é a menor das cidades olímpicas de Paris 2024

Duas outras cidades francesas vão acolher provas olímpicas. Na primeira, Chateauroux,  serão realizadas do 27 de Julho até o 5 de Agosto as competições de tiro ao alvo, três brasileiros devem participar. Os visitantes poderão aproveitar o pequeno mas interessante Museu Bertrand onde é exposta “Sakuntala”, uma das melhores obras da escultora Camille Claudel (essa obra tem uma outra versão em mármore chamada “Vertumnus et Pomona”, exposta no Museu Rodin em Paris).  Chateauroux fica perto de Bourges e da sua famosa catedral, bem como  do Vale de Loire, a menos de uma hora de carro dos castelos de Chenonceaux, de Chambord ou de Cheverny, imprescindíveis etapas num roteiro de verão para o sudoeste francês.

Nas águas de Tahiti, uma mítica prova de surfe

A bela surpresa dos Jogos Paris 2024 é a localização escolhida para as competições de surfe. A 15.700 km da capital francesa, na ilha de Tahiti, do dia 27 de julho até o 4 de agosto, os melhores surfistas do mundo competirão pelas medalhas nas ondas míticas de Teahupo’o. Três áreas com acessos livres são previstas para os fãs, na própria praia de Teahupo’o bem como na praia de Taharu’u  e nos jardins de Paofai. A proximidade da capital, Papeete, oferecerá aos turistas bastante opções de hospedagem, mas dará também a oportunidade de aproveitar sua lagoa, suas montanhas, seu urbanismo e seu povo antes de seguir para as belezas de Bora-Bora, de outras  imprescindíveis ilhas da Polinésia francesa, ou de voltar para Paris para a cerimônia de encerramento dos Jogos no dia 11 de agosto no Stade de France.

Jean Philippe Pérol

 

80 anos da Liberação da França: em Oradour-sur-Glane, o turismo é memoria

Na entrada da cidade martirizada, um pedido para o visitante: Lembre-se

No dia 6 de junho, a Normandia vai festejar o octogésimo aniversário do Dia D, uma comemoração excepcional, sendo talvez a última a qual participarão alguns dos heróis desta grande batalha. Com festas, fogos de artifícios, pulos de paraquedas, bailes populares, concertos e exposições, turistas e moradores vão comemorar este evento que foi um dos mais marcantes da liberação da França da dramática ocupação alemã. Mas, mesmo se não tão conhecidas, outras regiões e outras cidades vão lembrar dos acontecimentos heróicos, dramáticos ou trágicos do verão de 1944. Assim, perto de Limoges, o Centro da Memória do vilarejo de Oradour-sur-Glane comemora também em junho os 80 anos do maior massacre cometido na França pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

O bairro da Boucherie é um testemunho da historia de Limoges

Com 1.500 habitantes, Oradour-sur-Glane era um centro animado, atraindo novos habitantes bem como visitantes da vizinhança. Eles gostavam da animação comercial, das atividades agrícolas e artesanais, da proximidade com Limoges onde muitos moradores trabalhavam, e aproveitavam um bondinho que interligava as duas cidades. Mesmo com a presencia crescente do alemães, a vida continuava. Dia 6 de junho, com a notícia do desembarque dos aliados,  a região inteira ia porém mergulhar brutalmente na guerra. A resistência armada, muito forte nas planícies do Limousin, recebeu instruções de atrasar os movimentos das tropas inimigas que tentavam se juntar a batalha da Normandia. A reação dos alemães foi terrível. A divisão SS Das Reich deixou um rastro de terror e de crimes maciços contra as populações civis, enforcando, fuzilando ou deportando centenas de inocentes. Chegando em Limoges Dia 9 de junho, o general alemão Lammerding tomou a decisão de fazer um exemplo mais drástico ainda para aterrorizar a resistência, e a primeira cidade no seu caminho era Oradour-sur- Glane. 

No final da tarde do 10 de junho, somente sobravam as ruinas da cidade

Dia 10 de junho, as 14:00, 200 soldados SS cercam a cidade e obrigaram todos os habitantes a se agrupar na praça central, matando quem resistiu. Os homens foram separados e isolados em cinco lugares fechados, as mulheres e as crianças foram trancadas na igreja. As 16:00 os homens foram todos fuzilados e os soldados jogaram explosivos na igreja. Vendo que ainda tinham sobreviventes, eles atiraram pelas janelas e incendiaram o edifício cujo telhado caiu. Em seguida saquearam e incendiaram todas as casas da aldeia. Voltaram o dia seguinte para jogar os corpos num fossa coletiva antes de ir embora para participar da batalha da Normandia, deixando 643 vítimas e somente 6 sobreviventes (5 homens e uma mulher).

A nova igreja parece vigiar as marcas do drama

Frente a tamanho horror, o governo francês decidiu conservar Oradour-sur-Glane exatamente no estado que os alemães tinham deixado, e de reconstruir um novo vilarejo na periferia. As ruinas da cidade devia assim ficar para sempre como uma homenagem ao martírio dos seus habitantes, símbolo da França ferida pela ocupação alemã. Visitando o local em março 1945, o então Presidente de Gaulle lembrou como este patrimônio coletivo era importante para recordar a tragédia coletiva, mas também a vontade coletiva e a esperança coletiva. O ano seguido Oradour-sur-Glane foi tombada pelo Patrimônio histórico e foi aberta as visitas, desde então mais de 300.000 por ano. O novo vilarejo cresceu, têm hoje mais de 5.000 habitantes, e atraiu novas atividades, inclusive as famosas porcelanas Bernardaud.

O Centro de Memória é o início de uma experiência emocionante

Aberto em 1999, o Centro da Memória quer preparar o visitante ao choque emocional da visita da cidade que ficou no exato estado onde os alemães a deixaram no dia 10 de junho de 1944. A arquitetura do centro, os materiais escolhidos, as luzes do subterrâneo de acesso, os mapas e as fotos expostas, tudo é focada na informação e na transmissão da memória.  Enquanto ficam poucas semanas para as comemorações, o ministério da Cultura está acelerando as obras para restaurar várias construções do local e para  proteger o acervo de móveis e de objetos. Em parceria com a fundação Dassault Histoire et Patrimoine – o fundador da  famosa empresa aeronáutica foi um herói da Resistência francesa-, o projeto foi elaborado com a Associação nacional das famílias dos martírios. Juntas com o Dia D na Normandia, as liberações de Paris e Estrasburgo e o desembarque da Provence, as comemorações do massacre de Oradour-sur-Glane são os cinco grandes eventos que serão celebrados em 2024 para os 80 anos da liberação da França.

Jean Philippe Pérol

A Normandia será, com Oradour e 3 outras locais, destaque dos 80 anos

Os pets na onda do Hotel Brach Paris

A recepção do Brach Paris, assinada pelo Philippe Stark

Localizado no coração do imponente e exclusivo XVI distrito de Paris, o Brach Paris oferece aos viajantes uma experiência de arte calorosa, sofisticada, alegre e autêntica num lugar de cultura, de bem estar e de encontros. Nos espaços decorados pelo Philippe Stark, a atenção chega a cada detalhe, seja no lobby, nos quartos, na academia, no bar, nas lojas ou na doceria. Desde a sua abertura, essa filosofia do atendimento 5 estrelas vale também para os proprietários de animais, e o hotel sempre deu uma atenção especial aos pets, aceitando-os com prazer nos quartos, no Clube e no restaurante, oferecendo até um serviço de guarda enquanto os donos jantam ou estão malhando.

O estilo bem parisiense das bolsas de viagem da French Bandit @

Nasceu então naturalmente o projeto de uma parceria original, da arte de viver parisiense com o luxo canino, do Brach Paris com a empresa francesa French Bandit para uma coleção de acessórios exclusivos para pets.  French Bandit oferece desde 2019 produtos para gatos e cachorros ligando conforto, estilo e qualidade, inovando em colaboração com grandes marcas, como a icônica Lancel para os artigos de couro ou a Flotte para as capas de chuva. Inspirada por sua mascote, o cão Bandit que ela adotou na Romênia, a empresa é também a primeira marca solidaria de acessórios para pets: para cada produto vendido, um Euro é repassado a uma associação de proteção animal.

A French Bandit já faz parceria com a Lancel  @Gilles Rivollier

Dessa nova parceria entre Brach Paris e French Bandit nasceu uma coleção de acessórios de alta qualidade para os passeios, as viagens e a vida cotidiana dos pets com seus donos. São propostos coleiras, guias, peitorais, bandanas, varias roupinhas para chuva e frio, bem como uma cama de luxo. Todos os modelos são fabricados na França e têm um acabamento extremamente bem cuidado. Com um design mostrando a identidade das duas marcas, eles vão oferecer aos animais a oportunidade de seguir as últimas tendências da moda parisiense. As compras poderão ser feitas tanto no site da French Bandit como na loja do hotel.

Os pets serão as vedetes do evento “Dogs vibes only”

Para festejar esse lançamento, Emmanuel Sauvage, Diretor Geral do Grupo Evok ( ao qual pertence o Brach Paris) e Mathieu Even, fundador da French Bandit, organizam no próximo mês de dezembro um evento “Dog Vibes Only”.  Os convidados, animais de estimação com seus donos, viajantes ou visitantes, poderão descobrir essa coleção exclusiva, ser os primeiros a adquirir os acessórios, e comemorar juntos no hotel a paixão pelos nossos amigos de quatro patas. As duas marcas vêem esse lançamento como  um passo a mais para inovação e a excelência, o Brach Paris pela atenção especial “5 estrelas” dada aos pets e aos seus proprietários, a French Bandit pelo conforto oferecido aos animais até durante as viagens.

No roof top do Brach Paris, um ambiente perfeito para eventos

 

 

 

Nova Iorque e Singapura agora destinos mais caros do mundo

Líder durante muitos anos, Singapura agora empata na liderança

Nos fatores que impactam a escolha dos destinos de viagens, os preços comparativos são cada vez mais decisivos e as fortes evoluções da era post pandemia poderiam anunciar novas tendências. De acordo com o Índice mundial do custo de vida , publicado pela Unidade de Inteligência da revista inglesa The Economist (EIU), a inflação mundial foi de 9% en 2022. A guerra na Ucrânia, as sanções ocidentais contre a Rússia, o disparo do petróleo e das commodities, bem como a subido dos juros e as variações de câmbio levaram a uma crise mundial. O relatório do EIU destaca assim que os aumentos de preços nas 172 cidades onde foram feitos os levantamentos foram os mais altos registrados nos últimos 20 anos, mexendo na tradicional e esperada lista dos destinos mais caros do mundo.

Nova Iorque seria agora a cidade mais cara do mundo

A maior novidade desse ranking vem de Nova Iorque. Mesmo se sempre apareceu no topo da lista – era em sexto lugar no ano passado-, a Big Apple chega pela primeira vês em primeiro lugar, empatando com Singapura. Puxadas pela valorização do dólar americano frente as principais divisas internacionais, outras cidades estado-unidenses aparecem também nas dez primeiras da lista: Los Angeles no quarto lugar e São Francisco no oitavo. No geral, as 22 cidades dos Estados Unidos onde a pesquisa foi feita esse ano tiveram fortes aumentos de custos e subiram no ranking, especialmente Portland, Boston, Chicago e Charlotte. 

As crises politicas não tiraram Hong Kong dos destinos mais caros

Há muitos anos destacada nas campeãs de preços altos, a Ásia se beneficiou esse ano das evoluções cambiais. Vencedora de 2021, Tel Aviv caiu para a terceira posição, e somente Hong Kong se manteve na lista das dez cidades mais caras, enquanto Tóquio, Osaka, Pequim, Shanghai, Guangzhou e Seúl tiveram fortes quedas dos seus índices de preços que foram impactados pelas depreciações das suas moedas em relação ao dólar americano. É interessante anotar que o índice concorrente do The Economist, o ECA International, dando menos importância aos fatores cambiais e aos produtos de luxo importados, continua colocando cinco cidades da Ásia no topo da sua lista.

O Londres post Brexit ficou muito mais barato

Na Europa, pelo menos enquanto se trata de custo de vida, Londres parece ter beneficiado do Brexit. Saiu do topo da carestia e ficou em vigésimo sétimo lugar, longe das 4 cidades do Top 10. As duas grandes cidades da Suiça, Zurique e Genebra, são agora as mais caras da Europa, seguidas de Paris e Copenhagen. Com a guerra e uma inflação acelerada, as capitais dos países do leste, inclusivo Moscou e São Petersburgo, experimentaram aumentos significativos do custo de vida. Mas ao contrário, mesmo com um aumento medio de 22% do preço da gasolina, as quedas do Euro, da Libra e do Franco suíço fizeram muitas destinos europeus, como Estocolmo, Lyon ou Luxemburgo, cair de posição na lista

Tunisia é destaque dos destinos mais baratos

Para preparar suas viagens de 2023, o relatório do The Economist mostra algumas oportunidades. Excluindo uma dramatização da guerra,  a inflação deve diminuir para 6,5%, os preços dos combustiveis e dos produtos alimentares cair. Os bloqueios das cadeias de suprimentos ou de logistica devem ser superados, trazendo mais otimismo para os consumidores. Os viajantes deveriam também aproveitar as oportunidades,  seja nos tradicionais destinos europeus ( França, Espanha, Portugal) agora mais acessíveis, seja nos destinos mais baratos da lista oferecendo, na Tunísia, na Índia, ou na Ásia central, excepcionais custo/benefícios.

 

As 10 cidades mais caras do mundo em 2022, no ranking do The Economist

1. Nova Iorque

1. Singapura (empate)

3. Tel Aviv, Israel

4. Hong Kong

4. Los Ángeles (empate)

6. Zúrique

7. Genebra

8. São Francisco

9. París

10. Copenhagen

10. Sídnei (empate)

 

As 10 cidades mais baratas do mundo em 2022, no ranking do The Economist

161. Colombo (empate)

161.Bangalore (empate)

161. Alger  (empate)

164. Chennai

165 Ahmedabad

166. Almaty

167. Karachi

168. Tashkent

169. Tunis

170. Teheran

171. Tripoli

172. Damasco

 

A “baguette” entrando no patrimônio mundial, justo homenagem ou clichê redutor?

Macron chamou a baguette de magia e perfeição do quotidiano

Na cidade de Rabat (Marrocos), na sua primeira reunião presencial depois de dois anos de pandemia, o Comitê da UNESCO colocou a icônica “baguette” parisiense na lista do patrimônio culturel imaterial da humanidade.  A decisão homenageou um “savoir faire” dos padeiros franceses, destacando todas as fases da fabricação, desde os quatro ingredientes (farinha, água, sal e levedura), até a fermentação, o preparo e o cozimento varias vezes ao dia em pequenos fornos.  Uma receita de extrema simplicidade com a qual cada artesão padeiro consegue chegar a um produto único, fruto da sua técnica, dos produtos selecionados, bem como da temperatura e da humidade do seu local de trabalho.

A baguette modificou até as prateleiras das padarias 

A UNESCO lembrou o impacto da baguette na vida social. Seis bilhões são fabricadas e compradas cada ano, cem por cada Francês, com práticas de consumo diferentes dos outros pães.  A baguette tem que ser produzida e comprada cada dia, e mesmo duas vezes por dia, para guardar seu frescor. Sendo fina e comprida (uma media de 65 cm de comprimento para um diâmetro de 6 à 7 cm), ela é fácil de transportar (sendo a mão, num saquinho ou numa folha de papel), e tem variedades suficientes para cada parisiense escolher a sua: clássica, tradição, moulée, viennoise, bem passada … Algumas padarias aceitam de vender meia baguette, outras produzem a sua irmã menor (a “ficelle”) ou seu irmão maior (o “batard”).

A padaria do austríaco Zang, um dos possíveis pais da baguette

Na sua decisão, os sábios do Comitê não oficializaram nenhum das lendas urbanas sobre a origem da baguette: pão de forma oval já produzido em Paris no inicio do século XVII, evolução do “Pain Egalité” votado pelos revolucionários de 1793, criação dos padeiros de Napoleão para ser mais fácil a transportar pelos soldados que a tradicional “miche” redonda e mais pesada, lançamento inspirado do austríaco August Zang na abertura da sua padaria parisiense em 1839, ou pedido dos construtores do metrô de Paris que queria um pão que pudesse ser compartilhado sem precisar da faca também usada pelos operários para brigas mortais.

Uma da três padarias de Auzances, vilarejo da família do autor

Qual que seja a sua origem, a baguette virou um ícone de Paris a partir dos anos 20, quando os turistas internacionais – especialmente os ingleses e os estado-unidenses – se apaixonaram por esse pão sofisticado, tão diferente da “miche” pesada e grosseira que se comia no campo.  Foram eles que fizeram da baguette um símbolo da França eterna tão forte (mas tão saudosista) que Edith Piaf, a boina, o camembert e o salsichão. Se a delegação francesa no Marrocos festejou a decisão da UNESCO, os criticas em gastronomia foram mais cautelosos. Muitos acharam que a distinção deveria ter sido mais específica, somente a baguette tradição (com a levedura tradicional), com uma escolha de ingredientes mais rigorosamente codificada, merecendo ser destacada.

Os 76 pães da famosa carta de Poilane

Outros especialistas levantaram que muitos outros pães eram mais significativos da excelência das padarias francesas, tanto pelas suas qualidades gustativas que pelas suas raizes nos “terroirs” de muitas regiões onde 76 tipos de pães contribuam a riqueza cultural local, incorporando novidades trazidas pelo bio e pela procura crescente pela qualidade. Um reconhecimento de todos teria sido importante frente as ameaças que pesam sobre o setor. Nos últimos 50 anos, 20.000 padarias fecharam na França, outras viraram simples distribuidoras de pães industrializados. Na hora do bio, da qualidade e da excelência francesa, a França deve com certeza comemorar a decisão da UNESCO, mas deve também lembrar que a baguette é o fruto de técnicas, de tradições, de ingredientes, e de criatividade da padaria francesa, junto com muitos outros pães para ser comemorados.

Jean-Philippe Pérol

 

As duas memórias de Montmartre

Dominando Paris, o Sacré Coeur de Montmartre

Dia 12 de Outubro, a Câmara Municipal de Paris aprovou um pedido de tombamento da basílica do Sacré Coeur de Montmartre. Aparentemente técnica, com o objetivo de conseguir verbas do governo para as obras de restauração do edifício, a decisão reabriu uma violenta polémica. Deixando do lado a discussão em volta do estilo romano-bizantino escolhido pelo arquiteto Paul Labadie, que venceu a licitação frente a mais de 70 concorrentes, a briga é antes de tudo política, fruto das divisões entre direita conservadora e esquerda revolucionaria que começaram em 1789 e culminaram em 1871 com a repressão sangrante da Commune de Paris.

Salvar Roma e a França, a esperança de Legentil e Fleury

Se foi no século III que o Monte dos Martírios ganhou esse nome com a morte do bispo São Dênis, a história do Sacré Coeur começou en dezembro 1870. Convencido que a derrota dos exércitos franceses frente aos alemães era  a consequência  dos pecados acumulados pelos franceses desde a Revolução, dois católicos sinceros, Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury fizeram a promessa de construir em Montmartre uma igreja consagrada ao Coração de Jesus. Financiado por pequenas e grandes contribuições de quase dez milhões de fieis, o santuário traria o perdão divino e acabaria com as desgraças da França.

O Montmartre dos moinhos, com os canhões da Commune

A guerra civil atrasou o projeto, e ampliou os antagonismos. Estes ficaram mais fortes ainda quando o governo conservador escolheu de dar para construção o exato local onde o povo de Paris tinha iniciado o seu levante. Desde então, o Sacré Coeur ficou associado a ordem moral e a repressão social. Durante toda a construção – que demorou 48 anos-, políticos e historiadores se dividirem entre aqueles que apoiavam mais um voto de fé da França “filha primogénita da Igreja” e outros que achavam que a basílica era uma afronta a memória dos 30.000 parisienses massacrados durante a semana sangrenta de maio de 1871, um rastro através os monumentos de Paris, até os últimos fuzilamentos no cemitério do Père Lachaise.

Frente a basílica, a praça Louise Michel

A decisão da Câmara Municipal de Paris reacendeu o debate entre as duas Franças. Mas mesmo com a ferrenha oposição da esquerda e a incerta abstenção dos ecologistas, o Sacré Coeur é agora monumento historico. Para o reitor da basílica, os 11 milhões de visitantes vão poder aproveitar a decisão com varias melhorias, incluindo a abertura de novos acessos para pessoas com deficiência e a renovação do órgão. Outros projetos deveriam também ser anunciados em breve, ajudando Montmartre a ser inscrita no patrimônio mundial da UNESCO. E para reconciliar ambas as partes, a prefeitura lembrou que a área tombada incluiu a praça Louise Michel, homenagem a mais emblemática heroína da Commune de Paris.

Jean-Philippe Pérol

O Sacré Coeur dominando Paris

O Orient-Express, fênix das viagens de luxo

Depois de 140 anos, a saudade do rei dos trens e do trem dos reis ainda fica 

O Orient-Express teria festejado o ano que vem seus 140 anos. Prestigioso trem lançado em 1883 pela  Compagnie internationale des wagons-lits , ele ligava em 4 dias Paris a Istambul com um conforto e um luxo inédito. Mas depois de virar um verdadeiro mito – consagrado em 1934 no grande clássico da Agatha Christie-, o mais famoso trem do mundo sofreu das consequências da segunda guerra, teve suas operações complicadas pela cortina de ferro, e entrou em decadência a partir de 1962. Perdeu seu glamour, acabou com suas ligações diretas para Istambul, fechou suas agências – a Wagons lits só conseguiu resgatar Budapeste e Sofia-, e finalmente encerrou suas atividades em 1977.

O Orient-Express, o renascimento com o Venise Simplon Orient Express

Mas, mesmo sumido, o Orient-Express levantava muitas paixões, muitos projetos e mostrou ser um verdadeiro fênix. Em 1976, a operadora suíça  Interflug lançava o “Nostalgie Istambul Orient Express” que sobreviveu, com muitas dificuldades, até o inicio dos anos 2000.  O americano James Sherwood foi mais bem-sucedido. Renovando 18 antigos vagões da Wagons lits, aproveitando o seu prestigioso hotel Cipriani em Veneza, reabriu em 1982 um “Venise Simplon Orient-Express”, ligando Londres e Paris a Serenissima capital. Explorado hoje pela Belmond (do grupo LVMH), este fiel herdeiro estica varias vezes por ano seu itinerário até Vienna, Budapeste e mesmo Istambul.

Accor quer relançar não somente o trem mas também os hotéis

Proprietario da marca “Orient Express” junto com a SNCF, o francês Accor anunciou que quer ver renascer a lenda do mais prestigioso trem do mundo. Com 17 vagões dos anos vinte reencontrados na Polônia, redesenhados pelo famoso arquiteto Maxime d’Angeac, o grupo prevê a reabertura da linha em 2024.  Vagões-leito, vagões-restaurante e salões serão renovados no estilo “Art deco” original, incluindo painéis do Lalique, mas com toques contemporâneos. Para garantir essa autenticidade nos mínimos detalhes, Accor quer que esse novo Orient Express seja  uma obra de artesãos, apoiados por grandes marcas de luxo, uma vitrina do “savoir faire” e da excelência franceses.