Notre Dame de Paris, depois da emoção e do choro, a difícil batalha da reconstrução!

O incêndio pouco antes da queda da flecha de 96 metros

Choramos, e choramos muito. Choramos logo no choque da noticia, quando as primeiras imagens da Catedral em chamas começar a circular em todos os canais de televisão bem como nas mídias sociais. E choramos mais ainda quando a queda da orgulhosa flecha atingiu o coração e a alma de milhões de espectadores que não podiam nem queriam acreditar nessa tragédia. Percebemos nesse instante que Notre Dame de Paris, não era somente uma das mais imponentes igrejas da Fé católica, mas era também um lugar icónico para o povo de Paris e a Nação Françesa. Monumento mais visitado da Europa (14 milhões de turistas o ano passado, sem contar os fieis), celebrado há oito séculos por escritores, pintores, cineastas ou políticos, era cravado na historia da humanidade e na cultura mundial.

A coroação de Napoleão, quadro do Louis David

Erguida a partir do século XII – numa cidade que nem contava 20.000 habitantes-, ela foi guardiã  da fé dos reis “muito católicos” da França. Se a primazia da Gália ficava em Lyon,  a cerimônia da coroação em Reims e os enterros reais em Saint Denis, Notre Dame de Paris sempre ficou mais carregada de símbolos. Foi lá que Saint Louis mandou guardar a coroa de espinhos do Cristo hipoteticamente trazida das Cruzadas, foi lá que Joana d’Arc foi reabilitada, foi lá que Henri IV festejou sua vitoria, foi lá que Napoleão se auto-coroou Emperador dos franceses na frente do então Papa Pio VII. Na Liberação de Paris do invasor alemão, foi lá que de Gaulle veio escutar o Te Deum da vitoria. Foi lá que o mesmo de Gaulle recebeu, no dia 12 de Novembro de 1970, uma última homenagem de uma plateia com mais de 80 imperadores, reis e presidentes vindo do mundo inteiro. E devemos lembrar que se Quasimodo e Esmeralda são personagens de ficção, foi com Notre Dame de Paris que Victor Hugo construiu parte da sua gloria.

A literatura e o cinema contribuíram a gloria de Notre Dame

Frente a emoção universal, o presidente francês já anunciou que o seu governo ia se empenhar para reerguer-la em cinco anos. A impressionante lista de contribuições que começar a chegar -quase um bilhão de Euros em menos de uma semana-, valores pequenas e grandes, doados por gente humildes ou famosos, católicos, muçulmanos, judeus ou ateus, vindo da Franca, dos Estados Unidos, do Marrocos ou do Brasil, deixam pensar que o maior desafio não será financeiro. Alem de encontrar as respostas tecnológicas, os arquitetos deverão também enfrentar a demagogia dos políticos que já iniciaram as polêmicas. Qual planta deve ser seguido, do século XII, XIII, XVIII ou XIX? O novo telhado deve ser ecologicamente correto? A nova flecha terá, assim que falou o Primeiro Ministro,  que se adaptar “aos desafios do século XXI”? A diversidade cultural deve integrar o novo projeto?

As quimeras de Notre Dame vigiando Paris

Notre Dame continua em pé, mas ainda não está salva. A herança milenar dos geniais construtores da Idade Media pode ser desnaturada por incultos marqueteiros do curto prazo. Passada a emoção, ainda tem risco de ver as obras entrar num ciclo sem fim de brigas politicas e de bloqueios de verbas que são a triste realidade de milhares de igrejas ou monumentos históricos esperando concertos ou renovações há anos. A mobilização dos parisienses e de todos aqueles que se emocionaram com eles será então fundamental para acompanhar a reconstrução. Na igreja de madeira que será provisoriamente construída no “Parvis”, na frente do portão de onde saiam simbolicamente todos as estradas ligando Paris ao resto da Franca, moradores e turistas vão poder, juntos, mostrar a sua determinação para que esse monumento da fé, da valentia e da beleza volta a integrar o patrimônio da Humanidade e a nossa própria Historia.

Jean-Philippe Pérol

De Haile Selassié a Nixon, de Senghor ao Shah, uma das maiores concentrações de chefes de estado da Historia

São Paulo no ranking das viagens de negócios internacionais

Nova Iorque continua liderando os destinos de viagens de negócios

Depois da desanimadora pesquisa da Euromonitor que mostrava uma lista das 100 maiores cidades turísticas do mundo com o Rio de Janeiro sendo a única brasileira e só aparecia no nonagésimo lugar, a Egencia está repassando um pouco de otimismo para os profissionais do Brasil. Na pesquisa anual dessa OTA – subsidiaria corporativa da Expedia, São Paulo aparece numa honrada decima oitava posição. Mesmo devendo ser tomada com alguma cautela (Egencia, é presente somente em 65 países, e tem mais força junto as pequenas e medias empresas), a pesquisa fornece dados interessantes porque leve em consideração não somente as viagens corporativos, mas também os eventos, os seminários e o MICE, desenhando assim o novo mapa mundial das viagens de negócios internacionais.

As vinte mais das viagens de negócios no mundo

No pódio continuam as três cidades-mundo, com Nova Iorque em forte crescimento, superando Londres pelo quarto ano consecutivo. Paris, com um aumento de 20% das chegadas nos seus três aeroportos durante os últimos dois anos, se consolida em terceiro lugar e fica esperando que as transferência de sedes sociais consecutivas ao Brexit levam a melhorar ainda mais a sua posição em 2019. Talvez sinal de declínio da Europa nos negócios internacionais, nenhuma outra cidade europeia consta na lista, sendo a ausência da Alemanha e especialmente de Frankfurt (décimo quarto aeroporto mundial) uma das surpresas dessa pesquisa. 

La Défense, o bairro Business de Paris

Se a América do Norte ainda consegue colocar seis cidades alem de Nova Iorque nesse ranking ( quatro dos EE-UU e duas do Canadá: a anglófona Toronto e a francófona Montreal), o crescimento da Ásia é mais uma vez comprovado. Singapura registrou o mais forte aumento de trafico nos últimos quatro anos, mais de 200% e oito cidades asiáticas se destacam. Xangai, capital comercial da China, já está em quarto lugar, na frente de Hong Kong e Pequim, bem como de quatro outras cidades do continente: Singapura, Tóquio, Mumbai e Seul. Do outro lado da Ásia, Dubai conseguiu ficar em décimo primeiro lugar, não tanto pela sua atração nas viagens corporativos, mas pelo seu sucesso como destino de congressos e viagens de incentivo.

São Paulo, único destino destacado na América do Sul

A América Latina só conseguiu colocar duas cidades nesse ranking mundial, mostrando que ainda está longe de responder ao mesmo nível que a Ásia as esperanças dos grandes players dos negócios internacionais. A liderança regional ficou com México, homenagem a maior cidade latina com 23 milhões de habitantes.Mas São Paulo, listada em décimo oitavo lugar, poderia nos dois próximos anos aproveitar a volta do crescimento econômico do pais bem como as ambições da Egencia para conseguir subir no ranking.

 

 

Paris, cidade dos dois Napoleão, o Grande e o Pequeno?


Sainte Genevieve, enfrentou Átila e virou padroeira de Paris

Andando nas ruas de Paris, olhando os nomes  das ruas, das praças ou dos monumentos, o visitante é colocado frente a numerosos personagens que influenciaram os dois mil anos de vida dessa tão peculiar, orgulhosa e rebelde cidade. Assim Sainte Genevieve, Robert de Sorbon, Philippe le Bel, Etienne Marcel, Marie de Médicis, Louis XIV, Gavroche, Bienvenue, Gallieni, de Gaulle, Pompidou, Mitterand, têm os seus seguidores e deixaram suas marcas na sua cultura, no seu urbanismo e na sua arquitetura. Mas segundo o escritor Dimitri Casali, que publicou recentemente o livro “Paris Napoléon(s)”, são porem os dois imperadores da dinastia bonapartista que deixaram,  durante os seus reinados e até hoje, as maiores e mais impressionantes marcas na cidade luz que 35 milhões de turistas continuam a visitar nesse século XXI.

O Arc de Triomphe numa foto de 1913

As grandes mudanças da Paris moderna começaram com Napoleão que queria assim mostrar a potência do Império. Depois dos abandonos e das destruições que acompanharam a Revolução e a guerra civil, a volta da ordem e da prosperidade possibilitam grandes obras que perduram até hoje. O Louvre é renovado, e no seu pátio é inaugurado o Arc du Carrousel. São abertas ou ampliadas a Rue de Rivoli, a Rue de la Paix, a Rue de Castiglione, a Rue d’Ulm. Na Place Vendôme foi construída a famosa coluna com o bronze dos 1200 canhões tomados dos austro-russos na lendária vitoria de Austerlitz. São iniciadas as construções da igreja da Madeleine e da faixada do Palais-Bourbon, do Canal de Ourcq, da Bolsa de valores e, claro, do Arc de Triomphe. Foram também quatro pontes, duas das quais – Austerlitz e Iena – têm nomes de vitórias imperiais. E para que qualquer cidadão, qual que seja sua raça ou sua religião, pudesse ser enterrado decentemente,  Napoleão mandou construir em 1803 o famoso cemitério do Pere Lachaise.

A Praça Vendome e sua coluna fundida com os canhões de Austerlitz

Outras grandes ambições parisienses do Imperador foram abandonadas depois do desastre de Waterloo. No morro de Chaillot (onde  foi depois construído o Palais du Trocadero, e nos anos trinta, o Palais de Chaillot), devia ser erguido um gigantesco palácio para o seu filho, o Rei de Rome, com uma faixada de 400 metros de largura e um parque cobrindo todo o lado oeste de Paris, até Champs Elysées e o Bois de Boulogne. Mesmo se esse e alguns outros projetos foram esquecidos, a chegada ao poder em 1848 do sobrinho de Napoleão I, Napoleão III, vai relançar muitos outros, e dar a capital francesa o aspecto que ela guardou até hoje. Investindo o equivalente hoje a 120 bilhões de reais, misturando preocupações urbanísticas, socais e militares, ele vai confiar ao Prefeito de Paris, o Barão Haussmann, todos os poderes para levar ao fim a metamorfose da cidade.

A beleza imponente do Palais Garnier, a Opera de Paris

E, durante o Segundo império, Paris vai ver a abertura de grandes avenidas: boulevards Saint Germain, Saint Michel, Haussmann, Diderot, bem como Saint Michel e Sebastopol ampliando o eixo Norte Sul da capital. A avenida da Opera liga a nova Opera com o antigo Palais Royal. Para compensar a destruição de 20.000 casas ou sobrados, são construídos alojamentos novos para os operários nos bairros populares da zona leste bem como prédios modernos e elegantes nas áreas nobres da planície Monceau. O Louvre é enfim finalizado, e vários parques e praças são redesenhados. Ainda abertos hoje, dois grandes hotéis muito conhecidos dos brasileiros, o Hotel du Louvre e o Grande Hotel, são projetados e inaugurados seguindo as suas ordens.  Em 1870, quando Napoleão III abdica do poder depois da derrota militar contra a Prussia, ele deixa Paris com (quase) uma bela e moderna cara da capital mundial aonde o visitante do século XXI não ia se sentir perdido.

O Boulevard Saint Germain, herança do Haussmann e do Napoleão III

Talvez até hoje perseguido pelo ódio de Victor Hugo (que o chamava de Napoleão o Pequeno), o sucessor de Napoleão o Grande, depois de ter feito tanto pela sua capital, não conseguiu porem conquistar o coração dos parisienses, nem gravar o nome dele, a não ser uma praça minúscula entre um Mc Donald e a estação de trens Gare du Nord, em nenhum monumento da cidade que ele tanto embelezou. Se Paris deve muito aos dois imperadores, o segundo deveria talvez ser chamado de o injustiçado ….

Esse artigo foi adaptado de um artigo original na revista francesa Le Point

O Pont des Arts, toque de charme herdado do Napoleão o Grande

 

O Hotel du Louvre, projeto iniciado ao pedido do Napoleão III

Frente as ameaças do overturismo, a França da cultura procura novas oportunidades

O Palácio de Versalhes já ameaçado pelo overturismo?

Galinha dos ovos de ouro de muitos museus, monumentos, concertos, ou exposições, o turismo estaria agora virando o vilão da cultura? Até pouco tempo, pelo menos na França, a pergunta podia parecer estranha e os responsáveis da cultura só se preocupavam em conquistar mais visitantes internacionais. No Louvre eles chegam a representar 70% das entradas – com destaque para o milhão de  americanos, os 600.000 chineses e os 290.000 brasileiros -, e mais ainda das receitas do museu e do centro comercial. E para a imensa maioria dos principais museus e monumentos franceses, os turistas são uma fonte de renda essencial, ajudando as vezes uma politica de gratuidade para os moradores ou os cidadãos  da União Europeia. A importância dos turistas para cultura foi claramente percebida em 2016 quando faltaram, e depois em 2017 e 2018 quando voltaram. Mas agora é o “overturismo” que preocupa as autoridades do setor.

O Louvre já preocupado com o overturismo

A Atout France, agencia de desenvolvimento do turismo da França, já está chamando a atenção sobre o problema, lembrando que não é imediato mas deve ser antecipado. O overturismo cultural está longe da realidade de 80% dos territórios que recebe somente 20% dos turistas internacionais, mas  ameaça especialmente  Paris onde quase todos os visitantes procuram os museus e monumentos das margens do Rio Sena. Ele preocupa também Versalhes e o Mont Saint Michel, ou até pequenos vilarejos como Saint Paul de Vence e sítios como os castelos do Loire. Todos devem preparar o futuro sabendo que a França vai receber 100 milhões de visitantes em 2020, e que a cidade de Paris, cuja população deve cair a menos de 2 milhões de habitantes, vai ver o seu números de turistas passar de 26 milhões esse ano para 54 milhões em 2050.

Veneza é o exemplo que todos querem evitar

Enquanto a cultura é a motivação principal de 50 à 70% dos turistas na França, exista mesmo uma urgência para encontrar soluções que não decepcionam os milhões de novos visitantes. Para facilitar os percursos nos sítios mais procurados, evitar as concentrações durante os grandes feriados e promover atrações culturais menos conhecidas, existem muitas experiências internacionais a ser analisadas. Firenze e Roma tentam impedir os piqueniques nas escadarias das praças ou das igrejas, Veneza experimenta bloqueios nos lugares mais procurados nas horas de pique, e destinos como Machu Pichu (Peru), Dubrovnik (Croácia), o Taj Mahal (índia), Santorini (Grécia) e a Ilha de Páscoa já tomaram medidas para reduzir o numero de turistas – quotas menores e tarifas mais altas sendo soluções cada vez mais avançadas.

O Louvre Lens, uma grande ideia para desviar fluxos de turismo cultural

Os grandes museus da França estão na mesma lógica que seus concorrentes internacionais. Todos temem que as frustrações dos amadores de arte e dos moradores frente as filas ou as confusões que fazem as galerias onde são expostas as obras mais procuradas aparecer shopping centers em tempos de promoções. Todos eles, sejam o National Gallery em Londres, o Prado em Madrid, o Ermitage em São Petersburgo ou o Metropolitan em Nova Iorque, estudam meios de canalizar os fluxos turísticos hoje imprescindíveis para suas sobrevivências financeiras: ampliar horários, melhorar acessos, orientar os fluxos, facilitar as reservas, abrir novas salas ou até criar “subsidiarias” -solução imaginada pelo Louvre em Lens e o Centro Pompidou em Metz. A médio prazo todos sabem porem que o aumento dos preços das entradas para os turistas não residentes, por discriminatório que pode parecer, é talvez a única solução que poderá tranquilizar os moradores e garantir aos visitantes o acesso a riquezas culturais que são a grande motivação do turismo internacional.

Jean-Philippe Pérol

O Met de Nova Iorque cobra agora 25 USD dos visitantes, exceto dos moradores

 

As surpresas dos novos rankings das cidades turísticas

Bangkok, em 2017 a cidade mais visitada pelos turistas internacionais

Se vários rankings dos destinos turísticos internacionais estão sendo publicado nos últimos anos, o « Global Destination Cities Index » da Mastercard é sem dúvidas um dos mais interessantes, não somente por levar em consideração os números de visitantes e os seus gastos, mas por analisar as performances de 162 cidades nos cinco continentes. Mais completa que a pesquisa da WTTC que mede exclusivamente o impacto econômico do turismo domestico e internacional em 72 destinos,  o relatório da Mastercard projeta os resultados do ano a partir dos números de visitantes internacionais, das despesas turísticas, das transações com o cartão de crédito e dos fluxos financeiros. A análise detalha também a duração das estadias bem como a média de gastos diários, mostrando surpreendentes evoluções no posicionamento dos grandes destinos.

TOP 10 VISITANTES Visitantes 2017 Crescimento 2018 Pernoites medios Gasto diario medio
Bangkok 20.050.000 9,60% 4,7 noites USD 173
Londres 19.830.000 3,00% 5,8 noites USD 153
Paris 17.440.000 2,90% 2,5 noites USD 301
Dubai 15.790.000 5,50% 3,5 noites USD 537
Singapura 13.910.000 4,00% 4,3 noites USD 286
Nova Iorque 13.130.000 4,10% 8,3 noites USD 147
Kuala Lumpur 12.580.000 7,50% 5,5 noites USD 124
Tóquio 11.930.000 1,60% 6,5 noites USD 154
Istambul 10.700.000 19,70% 5,8 noites USD 108
Seul 9.540.000 6,10% 4,2 noites USD 181
… São Paulo 1.920.000 13,13% 10,8 noites USD 61

 

Singapura se firma como uma das maiores cidades turísticas da Ásia

Pelo segundo ano consecutivo, o turismo urbano da Ásia confirma a sua liderança com o primeiro lugar de Bangkok que recebeu em 2017 mais de 20 milhões de visitantes internacionais. Essa liderança deve ser confirmada em 2018 com um crescimento previsto de 9,6%  o que fará com que os tradicionais rivais Paris e Londres batalhem agora pelo segundo lugar. Aproveitando o dinamismo dos mercados emissores da região, principalmente da China, mas também do Japão, da ASEAN  e até da Índia, quatro outras cidades asiáticas chegaram na lista das dez cidades mais visitadas pelos turistas internacionais: Singapura, Kuala Lumpur, Tóquio e Seul. Com crescimento bem superior a media mundial,  Pukhet, Hong Kong, Pattaya, Xangai, Pequim, Macau, e Shenzhen já estão também brigando para entrar nesse cobiçado grupo de líderes. 

Dubai, estratégia e investimentos construindo um grande destino

As cidades do Oriente Médio se fortaleceram em 2017. Dubai chegou em quarto lugar e continuou a surpreender com sua ousadia. O ano passado testou com sucesso os primeiros taxis voadores e quebrou um novo recorde do hotel mais alto do mundo. Com uma oferta turística luxuosa e cada vez mais diversificada, a cidade consegue incentivar seus visitantes a gastar impressionantes USD 537 por dia, um recorde nas 162 cidades da pesquisa. Varias outros destinos da região estão se destacado, seja a Meca pela primeira posição en volume de receitas,  Istambul pela sua nona posição no ranking mundial e seus 20% de crescimento previstos para 2018,  Antalya pelos seus 9,4 milhões de visitantes, ou Teerã pelo seu crescimento de 2017 e 2018. Mesmo muito dependente da conjuntura politica e securitária, a região se consolida como um dos novos pólos do turismo internacional.

TOP 10 RECEITAS Receitas em MM USD Crescimento 2018 Gasto diário médio
Dubai 29,7 7,8%% USD 537
Meca 18,45 7,40% USD 135
Londres 17,45 13,70% USD 153
Singapura 17,02 7,40% USD 286
Bangkok 16,36 13,80% USD 173
Nova Iorque 16,1 4,10% USD 147
Paris 13,05 16,00% USD 301
Palma 11,96 16,20% USD 220
Tóquio 11,91 7,80% USD 154
Pukhet 10,46 12,60% USD 239
…. São Paulo 1,35 13,13% USD 61

Paris seguindo no pódio das grandes cidades turísticas

Mesmo perdendo posições, as cidades da Europa continuam sendo muito procuradas, Londres ou Paris alternando na liderança dependendo do critério geográfico utilizado para o calculo das estatísticas (o município de Paris sendo muito menor que o grande Londres, Paris só passa na frente quando incluir os subúrbios). A força do turismo europeu pode porem ser medida pelo numero de destinos destacados nas pesquisas da Mastercard e da WTTC, tanto tradicionais como Milão, Veneza, Barcelona ou Firenze, que mais recentes como Dublin, Palma, Praga ou Dubrovnik. Ao contrario, os rankings carecem de cidades latino americanas, México sendo a única da região em posição de destaque. São Paulo é a primeira cidade brasileira, mas longe dos lideres, em 8º lugar na América latina pelo número de visitantes (1,92 milhões) e em 9º lugar em gastos por visitante na região, com somente USD 61 de gasto diário por pessoa e por dia, e USD 1,35 bilhões movimentados. Na nova conjuntura que se abre agora para o Brasil, vale esperar que o turismo urbano terá um merecido impulso.

Os novos pólos do turismo mundial

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line Pagtour

Os pedestres, novos reis dos destinos turísticos?

A Rue Cremieux, rua de pedestres em Paris

Quando fundou, em parceria com a Air France uma agencia de receptivo onde queria mostrar sua reconhecida criatividade, Gilbert Trigano fez questão de colocar os passeios guiados a pé como alguns dos produtos bandeira da nova empresa. Era o ano de 1976, e mais uma vez, ele foi pioneiro a se lançar numa aventura que a Tourisme France International continuou durante quase trinta anos. Mesmo na época dos ônibus de turismo ou dos carros de aluguel, o  inventor do Club Med já tinha percebido que os passeios a pé eram para o visitante a melhor forma de explorar um destino, de assimilar o seu ambiente, de sentir os seus cheiros, de vibrar aos sons da sua música, de mergulhar na sua cultura e de se comunicar com os seus moradores. Quarenta anos depois, reforçada pelas exigências ambientais e a procura de exercícios físicos, a ideia seduziu muitos grandes destinos que estou desenvolvendo a sua “caminhabilidade”.

A rua Saint Paul no centro histórico de Montreal

Cada vez mais preocupadas pela sua sustentabilidade, muitas cidades estão relembrando que andar a pé é o jeito mais simples de se locomover, tanto para os moradores que para os turistas. Elas desenvolvem a sua “caminhabilidade” – termo traduzido do inglês walkability, a capacidade para um destino de facilitar  a locomoção dos pedestres. Para o trabalho, os estudos ou os lazer, andar a pé necessita segurança, distancias curtas, serviços e meio ambiente agradáveis.  O site Walk Score classifica as cidades americanas, canadenses a australianas em função dessa “walkability” (tendo também outros ranking sobre a qualidade do transito urbano e as facilidades para os ciclistas). Cada cidade recebe uma nota em função das infraestruturas ajudando os pedestres a caminhar, bem como da proximidade dos serviços e das lojas, sejam padarias, supermercados, farmácias, bancos, restaurantes, shopping e parques.

Mais de 500 cidades já assinaram a carta Walk21

Sendo 100 a nota máxima, as cidades com índice superior a 90 são consideradas os paraísos dos pedestres, aquelas com índices de 70 a 89 muito boas para caminhar. Com menos de 50, uma cidade privilegia o papel dos carros e dos transportes coletivos. Nessa classificação, Montreal conseguiu em julho desse ano chegar a 70 pontos, fruto de um longo trabalho que começou em 2006, com a Declaração dos direitos do Pedestre  (Charte du piéton). Depois de dez anos, a prefeitura lançou um  Programa de implantação de ruas para pedestres ou para usos mistos para ajudar os distritos da cidade nos seus projetos  de infraestruturas viárias, de arquitetura urbana, de arborização, de parques ou até de animações artísticas ou musicais. 45 ruas já foram assim entregas para pedestres, representando quase sete quilômetros de caminhadas (e de alegrias) para os moradores e os visitantes.

Nova Iorque amplia as áreas reservadas aos pedestres

Nos Estados Unidos, o ranking de Walkscore coloca Nova Iorque em primeiro lugar com 89,2 pontos, na frente de San Francisco (86) e de Boston (80,9). A Big Apple começou a sua transformação urbana em 2007 com a ampliação da área pedestre de Times Square. Durante o verão 2009, Broadway foi fechada para o transito, e foram construídas áreas exclusivas temporárias ou permanentes. Foi também em 2009 que foi aberto o primeiro trecho da Highline, esse viaduto abandonado pelos trens que virou uma das mais concorrida caminhada dos nova-iorquinos e dos visitantes. Outras áreas de pedestres foram instaladas na cidade, por exemplo na 23, nos arredores do edifício Flatiron, onde a Prefeitura instalou verdadeiras praças para pedestres com mesas, cadeiras e guarda-sóis. 

Os Champs Elysées só para pedestres

Em Paris, a prefeita anunciou em 2017 o projeto “Paris piétons”, uma série de medidas incluindo a assinatura da Carta Internacional Walk21. Vários projetos foram lançados: travessias do anel rodoviário, trilhas verdes aproveitando as grandes avenidas, uma grande área exclusiva para pedestres no bairro do Marais. Algumas áreas serão fechadas ao transito durante os finais de semana, outras durante alguns feriados excepcionais, incluindo os próprios Champs Elysées, ampliando experiências anteriores. Painéis com mapas especificos e sugestões de roteiros para caminhadas turísticas ajudarão visitantes e moradores a descobrir a cidade luz de forma diferente, aquela mesma que o Trigano tinha imaginado há mais de 40 anos.
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Esse artigo foi adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Club Med inventando agências em apartamentos butique

Club Med compte déployer une dizaine d’appartements-boutiques en France d’ici 2021 - Appartement boutique des Champs-Elysées - Photo Shérif Scouri Club Med

Apartamento butique do Club Med nos Champs-Elysées

Atender os seus clientes num apartamento butique espaçoso e bem localizado é uma das novas ideias do Club Med para mostrar a consideração que os “gentis organizadores” estão agora dando para seus “gentis membros”.   Com o espírito de inovação que sempre foi a marca registrada desde seu carismático  líder Gilbert Trigano,  o Club quer reinventar não somente as viagens do futuro mas também a relação com os seus clientes, começando pelas suas agencias onde são realizadas 25% das vendas. Depois do sucesso do primeiro apartamento butique nos Champs Elysées, aberto em outubro 2015, foi decidido de ampliar a experiência e de abrir uns dez desses pontos de vendas do futuro até 2021.

No térreo do novo apartamento butique, a Grande Epicerie

Localizado no sofisticado “Seizième” de Paris, em cima da nova sucursal da procuradíssima La Grande Épicerie, o segundo apartamento butique do Club Med foi aberto no último mês de Abril e oferece um espaço de 300 metros quadrados consagrado a criação e a personalização da viagem de amanha. Uma decoração requintada, incluindo até uma obra do famoso escultor César, cria um ambiente de luxo sempre ligado com a historia da marca e dos seus resorts, onde o cliente se sente considerado e pode “viajar antes de começar sua viagem” em cada um dos momentos que ele passa nessa agencia muito pouco convencional.

O novo apartamento butique na Avenida Paul Doumer

Para ajudar os visitantes a criar suas próprias viagens, vários espaços foram agenciados. A sala de estar inspira encontros e descobertas para uns momentos descontraídos com bebidas quentes, refrigerantes e doces a vontade. Na cozinha aberta são oferecidas degustações de produtos dos resorts, por exemplo o azeite  “Opio en Provence” vindo do campos de oliveiras do próprio Club, ou organizadas eventos  gastronômicos ou enológicos. Um sala de reuniões é dedicada a reuniões com parceiros, incluindo conferencias em “petit comité” para apresentar destinos. E para mostrar que o tempo não é contado, uma biblioteca  é também a disposição dos clientes.

Um dos sete pontos de atendimento do apartamento butique

No espaço principal, os especialistas da agencia ajudam os visitantes a personalizar os seus projetos e a reservar suas viagens. Os resorts podem ser visitados em realidade virtual com os capacetes Samsung Gear VR. Se todos os Clubs são acessíveis, a clientela mais sofisticada, que continua procurando um atendimento em agencias, deve privilegiar os “5 Tridents” ou os “Espace 5 Tridents”. O apartamento butique vai também valorizar as próximas inaugurações de resorts que vão responder as mais exigentes expectativas: assim o  Cefalù da Sicília em junho, o Arcs Panorama em dezembro, ou os espaços renovados de La Reserve no Rio das Pedras, de Turks & Caicos no Caribe ou de La Pointe aux Canonniers em Maurício. 

Visita 360 do apartamento butique

Se esse segundo apartamento butique confirmar o sucesso do primeiro, o Club Med planeja abrir mais dez nas principais cidades da França até 2021, substituindo ou não as agencias próprias tradicionais. Não tem data marcada para adaptar esse novo conceito de atendimento ao cliente no Brasil. Mas, nesse grupo que sempre foi líder em inovação e pioneirismo, o diretor geral do Club no Brasil, Janyck Daudet, deixou claro que os apartamentos butique, sua extreme atenção a experiência do viajante antes e durante sua decisão de viajar, e seu foco na clientela sofisticada, pode muito em breve substituir ou completar os tradicionais pontos de vendas do grupo.

Turismo de aventura no coração das grandes cidades

Stand Up Paddle nos canais de Amsterdão

Se o turismo de aventura era exclusivo do campo, da serra ou da praia, ele está agora invadido os centros das grandes cidades, dando aos moradores e aos visitantes a possibilidade de descobrir esses ambientes urbanos de forma diferente. Essas experiências insólitas podem começar logo na hospedagem com as opções de camping urbano, assim por exemplo em Paris no Camping des Grands Voisins ou no Camping de Paris.  Com as grandes cidades interessadas em oferecer novas sensações, algumas atividades já são oferecidas há anos, como é o caso do jogging – hotéis e ofícios de turismo oferecendo itinerários e as vezes guias, por exemplo em Québec e em Montréal, ou da bicicleta – também com tours ou sugestões de circuitos, os hotéis Westin tendo sido pioneiros.

Pescador em Stockholm

Mas recentes são os esforços dessas grandes cidades para devolver aos turistas e aos habitantes as beiras de rio, construindo parques e favorecendo atividades náuticas. Hoje, é possível andar de caiaque em Nova Iorque, saindo do Brooklyn Bridge Park, ou em Minneapolis com um aluguel de caiaque a disposição no Rio Mississipi. O sucesso do Stand Up Paddle se verifica nos rios urbanos ou nos canais de Amsterdão, de Veneza, de San Antonio ou de Montréal. Os pescadores são bem-vindos  no centro de Stockholm, ou nos portos de Montreal, de Quebec ou de Marselha. Em Chicago, é possível mergulhar no lago Michigan onde há vários navios que naufragaram durante o século XIX, isso abre muitas opções de mergulho na frente da cidade.

Subir na ponte do porto de Sydney é uma grande aventura urbana

A escalada também virou um esporte urbano. Em Stockholm, é possível viver uma experiência nos telhados da cidade histórica num tour acompanhado de um guia experimentado . Em Sydney, os visitantes podem fazer uma excursão na famosa ponte Sydney Harbour, com um panorama excepcional sobre o porto e a Ópera. Em Quebec, a operadora local Décalade, oferece descidas de paredes de prédios urbanos, e em Marselha Urban Elements  virou uma festa anual das atividades de aventuras urbanas – com destaques para escalada artificial e slackline. E depois do sucesso  da Slotzilla Freemont Street experience de Las Vegas, tirolesas permanentes ou temporárias estão sendo exploradas em Montreal, Panamá, Kiev ou Londres.

O sucesso do Parkour chega no turismo

Na procura de sensações originais, o sucesso do Parkour abriu  novas opções de turismo de aventura para moradores e visitantes de cidades grandes ou pequenas. É possível seguir aulas desse novo esporte em Paris, Montreal, Nova Iorque ou São Paulo. Na França várias cidades menores oferecem circuitos com guias especializados, “traceurs”ou “traceuses”. Perto de Montpellier, em Clermont-L’Hérault, um Parkour Artistik ajuda a descobrir o patrimônio cultural seguindo uma coreografia combinando com a arquitetura do local. Perto de Lille, Roubaix seguiu o mesmo caminho com um circuito Parkour59. O sucesso do turismo de aventura urbano é tão rápido que novas ofertas estão pipocando no mundo inteiro, podendo hoje fazer até surfe em Montreal ou aproveitar a tradição de “Downhill” do Zoobomb  em Portland.

Esse artigo foi  traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Caiaque em Nova Iorque

Comprar vinhos na França, as sugestões 2018 de “De vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Nas mil opções de shopping atraente na França, os vinhos continuam de ser uma das mais vantajosas para os brasileiros que podem levar na volta até doze litros, dentro do limite dos USD 500 autorizados. Cada ano, temos a mesma pergunta: qual vinho escolher, e aonde comprar-lo? Sempre aconselhei de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas vinícolas, Se os preços não são muito diferenciados, a riqueza do encontro, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Pela beleza do local, a atenção do atendimento e a qualidade dos vinhos, já tive experiências inesquecíveis com Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, com Chateau La Coste na Provence, com Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, com Chateau de Pommard, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha.

Sala de degustação do Château Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a “Vinothèque” e a espetacular “L’intendant” que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia, ou a extraordinária “Bordeauxthèque” das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “de Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin  oferece seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Tem uma excepcional adega de vinhos raros, e divide pessoalmente a sua paixão oferecendo degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Lionel aceitou de fazer com exclusividade para nos uma sugestão para uma cesta de vinhos combinando com as quotas da alfândega brasileira (comprando duas garrafas de cada vinho selecionado dará exatamente USD 500!).

A seleção 2018 de De Vinis Illustribus:

La Parde de HAUT-BAILLY 2009 : 51 $

O segundo vinho do Château Haut-Bailly, elaborado com 44% de cabernet sauvignon, 45% de merlot e 16% de cabernet franc. O 2009, ano excepcional em Bordeaux, é um vinho denso, com fortes sabores de frutas maduras, taninos suaves, e o defumado típico dos vinhos de Pessac-Léognan. Pode ser bebido já, mas pode também ser guardado alguns nos.

L’Enchentoir 2010 : 31 $

Com 100% de cabernet franc, esse vinho é um Saumur (Vale do Loire) bem estruturado que está chegando a seu ápice. Com um gosto poderoso e sabores de cogumelos, ele pode acompanhar pratos com especiarias ou carnes fortes. Pode também ser bebido agora ou guardado até 10 anos.

Savigny-les-Beaune “les Goudelettes”  2015 : 36 $

Um safra excepcional desse pinot noir guloso, suave e elegante, típico dos melhores Bourgogne. Feito para acompanhar carne branca ou aves. Pode ser bebido agora mas ainda tem um bom potencial de guarda.

Pouilly-Fuissé “Les Reisses” DENOGENT 2015 : 41 $

Elaborado com 100% de chardonnay, esse lindo Bourgogne branco é no mesmo tempo doce, redondo e rico. Pode ser servido como aperitivo ou para acompanhar um peixe grelhado ou um queijo tipo Comté.

Meursault “La Barre” MILLOT 2015 : 47 $

Um grande Meursault da Côte de Beaune na Borgonha, um chardonnay cujas vindimas são feitas a mão. Uma cor amarela quase dourada, um corpo firme e uma harmonia total, com sabores de manteiga fresca e notas de grelhados… Um Bourgogne perfeito e uma grande safra.

BANYULS  “Quintessence” 2013 : 41 $

Um vinho tinto adocicado, um verdadeiro vinho do Porto a francesa. Elaborado com Grenache noir, ele é um companheiro inseparável  dos queijos “azuis” tipo Roquefort ou Bleu d’Auvergne. Uma iguaria quando harmonizado com chocolates pretos.

Obrigado Lionel, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

A Torre Eiffel se preparando para os J.O. 2024 e a Exposição Universal 2025!

A Dama de Ferro, o Rio Sena e a ponte Alexandro III

Talvez impressionada pelo sucesso da Dama de Ferro – que festejou em setembro 300 milhões de visitantes desde a sua inauguração em 1889, a Prefeitura de Paris anunciou um importante projeto de renovação dos acessos da Torre Eiffel. Pressionados pelos 7 milhões de visitantes e 20 milhões de passantes com crescentes exigências tanto de atendimento que de segurança, a Prefeita e o Presidente da Torre anunciaram uma licitação para escolher os arquitetos e os urbanistas que terão a difícil tarefa de facilitar o acesso e a circulação nessa área. Esperando uma forte contribuição dos moradores e dos turistas, a escolha do projeto vencedor será feita em janeiro de 2019, e as obras deverão ser realizadas entre 2021 e 2023, sem que seja fechada em nenhum momento até uma inauguração em 2024.

Os famosos pilares que inspiraram muitos artistas até no Brasil

Alem de melhorar a circulação dos pedestres e de agilizar as entradas dos turistas, o novo circuito deverá oferecer mais bancos, banheiros ou restaurantes, e dar mais informações para os visitantes, especialmente na área cultural que será reforçada com mais visitas guiadas valorizando o patrimônio. A prefeitura lembrou aos concorrentes que o projeto deverá ser bonito, ecológico, e respeitoso da historia desse monumento. Terá que ser ambicioso mas sóbrio, ágil e evolutivo, dentro de um orçamento sem surpresas. Mostrando muita criatividade, arquitetos, urbanistas e paisagistas internacionais vão assim concorrer para fazer do “Grand Site Tour Eiffel” uma vitrina emblemática do turismo parisiense oferecendo aos visitantes e aos moradores uma nova e agradável experiência.

Luar iluminando o Palais de Chaillot e a Torre

Para viabilizar o projeto, o vice prefeito encarregado do turismo, Jean François Martins, anunciou uma verba de 50 milhões de Euros, dentro de um investimento global de renovação de 300 milhões incluindo também obras  de manutenção bem como equipamentos de segurança – paredes de vidro blindadas ou proteções a prova de balas. Os financiamentos serão feitos diretamente pela empresa publica que gerencia a Torre Eiffel, a SETE. Com um faturamento anual de 70 milhões de Euros, a SETE trabalha com vários parceiros – lojas, banco, um bar, o restaurante 58 Tour Eiffel com seu “pique-nique chic”, e o famosíssimo “Jules Verne” de Alain Ducasse, lugar de “sonho e magia” com uma estrela Michelin e onde jantaram até os casais Trump e Macron. Com o “Grand site Tour Eiffel” não foram anunciadas as previsões de aumento dos fluxos turísticos, mas muitas pessoas se lembrem que a inauguração do “Grand Louvre” triplicou as entradas….

Casais Trump e Macron no Jules Verne do Alain Ducasse

129 anos depois da sua inauguração, a obra mestre do Gustave Eiffel está pronto para uma nova vida. Hoje monumento mais famoso do mundo (sua imagem foi avaliada em 2012 numa pesquisa da Câmara de Comércio da Itália em 434 bilhões de Euros, cinco vezes mais que o Coliseu, seis que a Torre de Londres), sempre soube se renovar. Obra provisória da Exposição Universal de 1889, não foi desmontada porque a cidade de Paris concedeu a exploração ao Eiffel  para pagar suas dívidas. Por falta de público ia ser destruída quando foi salva pelo sucesso da Exposição de 1900, e escapou em 1944 de uma ordem do Hitler para explodir-la. Renovado para Exposição Universal de 1937, a Dama de Ferro estará pronta para os grandes eventos que Paris vai hospedar na próxima década, especialmente os Jogos Olímpicos de 2024 e a Exposição Universal de 2025.

Jean-Philippe Pérol

A Torre Eiffel na inauguração da Exposição de 1889