Segurança dos destinos prefigura novas tendências?

Os Emirados Arabes Unidos são considerados o destino mais seguro

Preocupação crescente dos viajantes, a segurança é hoje um fator importante na hora de escolher um destino turístico. Lançado em 2009, o indice de criminalidade publicado no site da Numbeo é por isso mencionado ou utilizado por muitos jornais e revistas internacionais incluindo a BBC, Time, Forbes, The Economist, The New York Times, The China Daily, The Washington Post, USA Today e muitos mais. Baseado nos indices de criminalidade (incluindo drogas, corrupção e discriminação), mas também no sentimento de insegurança dos visitantes, o indice 2022 trouxe algumas surpresas e muitas confirmações que podem explicar ou influenciar algumas tendências.

O mapa mundi da segurança traga algumas surpresas

Com 435 cidades avaliadas, a pesquisa confirma, como era de esperar, que a América Latina e a África são as regiões mais inseguras, ocupando os últimos lugares da lista. De forma mais surpreendente, a América do Norte tem indices ruins ou pelo menos extremamente diferenciados. E se a Europa e a Oceania são globalmente mais seguras, com certas diferencias regionais,  a surpresa vem da boa colocação da Ásia e mais ainda do Oriente Médio com vários destinos turísticos  onde os viajantes encontram a segurança que responde as suas expectativas.

Os indices por pais destacam a Europa e o Oriente Médio

O ranking dos países, acumulando acima cidades seguras em azul e inseguras em vermelho, vem confirmando este quadro. Nos destinos mais tranquilos, e como era de se esperar, destacam-se os Emirados Arabes Unidos, a Suiça, os Países Baixos e a  Noruega, mas também alguns países que não tinham essa  fama, como a Turquia ou a Romênia. A China , a Alemanha, a Nova Zelândia confirmam as suas imagens de tranquilidade. As surpresas vêm dos grandes destinos turísticos. No Sul da Europa, a Espanha fica em sexto lugar enquanto a Itália e mais ainda a França constam com o Brasil e a África do Sul nos países mais problemáticos. Umas más colocações divididas com dois outros gigantes do turismo internacional, o Mexico e os Estados Unidos.

Quebec se firma no top do ranking por cidades

Dominado pelas cidades suíças e emiratis, o ranking por cidades mostra porem uma grande diversidade, mesmo em países globalmente mal colocados. Quebec no Canadá é assim no pódio da lista, Irvine na California ou Merida no Mexico são extremamente bem avaliadas.  Na França, Brest (na Britânia) está nas vinte primeiras, Estrasburgo e Bordeaux ficam com indice de segurança acima da media. No Reino Unido, enquanto Londres fica atras de Medellin, Edimburgo está muito bem colocada. Na Itália, Trieste esta bem avaliada em quinquagésima quinta posição, e Florença surpreende. No Brasil, Florianópolis e Curitiba destoam das outras capitais brasileiras que dividem as piores posições da lista.

Florianópolis é a cidade brasileiro melhor colocada no ranking

A pesquisa e a classificação da Numbeo devem ser analisadas com um certo cuidado, mas a preocupação com a segurança é uma das mais fortes tendências da retomada pós Covid. Já é um dos motivos do sucesso de vários destinos, seja Dubai, a Suiça, a Croácia, a Noruega, a China (e Taipé) ou a Nova Zelândia.  Nos grandes países turísticos, a segurança deve voltar a ser uma prioridade na França, nos Estados Unidos ou na Itália, onde podem ajudar ao crescimento de novos pontos de atração, mais tranquilos e longe do overturismo. As exigências de experiências seguras estão assim abrindo mais oportunidades no Pais Basco, em Taipé, no Quebec, na Alsácia, na California, em Bordeaux, nos países bálticos, ou em Florianópolis.
AS 20 MAIS E AS 20 MENOS DO RANKING DE SEGURANÇA

O turismo global sem braços para a retomada

No Canadá, a mão de obra virou o primeiro problema do trade turístico

Há muitos anos, no mundo pre-pandemia, se falava que uma carreira no turismo tinha três características: trabalhar muito, ganhar pouco mas se divertir muito. Se essa piada levantava muitos risos na época de ouro do setor, a pandemia mudou totalmente a percepção. Os baixos salários, os horários incomodos, a pressão, a falta de reconhecimento e a forte sazonalidade levaram muitos empregados despedidos ou não durante a crise, a abandonar o setor. Na França os hotéis e restaurantes perderam 10% dos seus funcionários desde 2020, e uma pesquisa feita em 2021 em cinco grandes destinos turísticos (EE-UU, Reino-Unido, França, Espanha e Alemanha) conclui que  38 % deles queriam mudar de setor num prazo de um ano. 

A França é um dos destinos onde mais falta mão de obra no turismo

Faltando candidatos, as associações profissionais e as empresas reagem para revalorizar as carreiras do setor. Na França empresários e sindicatos assinaram um acordo de revalorização salarial de 16 %, mas muitos estabelecimentos já estão indo além desse piso.  Na Alemanha, o novo acordo sindical da hotelaria e da restauração prevê aumentos de salários de até 36 % e na Suiça, onde os acordos são feitas em cada empresa, os aumentos estão girando em torno de 30%. Os salários mais altos não porem suficientes para responder as expectativas dos candidatos, que esperam também propostas referentes ao reconhecimento profissional, as perspectivas de carreira ou aos horários de trabalho.

Accor incentiva a responsabilidade na organizacão do trabalho

Sempre pioneira quando se trata de relações humanas, Accor lançou na Australia e na Nova Zelândia um programa ” Work Your Way ” para poder preencher 1 200 vagas. Para ser mais atraentes, as ofertas prevê a possibilidade de começar a trabalhar imediatamente depois da entrevista, de ter vantagens personalidades em termos de prêmios, de viagens, de folgas ou de férias. Os funcionários deverão  poder seguir na mesma atividade em outros países da região do Pacífico, ter mais oportunidades de carreira no grupo. Será dada uma maior polivalência valorizando assim a flexibilidade para todas as funções, da limpeza até a diretoria.

Mudar os horários do jantar está virando uma necessidade

A atratividade do turismo foi sempre prejudicada pelos horários muito puxados.  Para dar mais liberdade a seus funcionários, restaurantes franceses estão acabando com os horários cortados, contratando equipes diferentes para o almoço e o jantar. Outros estão começando a servir o jantar mais cedo, acabando também mais cedo para reduzir o trabalho noturno.  Alguns hotéis estão terceirizando parcialmente ou totalmente a alimentação. Na Alemanha a semana de 36 horas em somente 4 dias está sendo experimentada em Hamburg pela cadeia de hotéis “25 Hours” que deve depois estender a medida  a todos os hotéis do grupo, inclusive na Suiça.

Para atrair os candidatos, é necessário imaginação

Muitos empresários estão investindo para melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Na Suiça, em Gstaad ou Saint-Moritz, hoteleiros construíram residências para seu pessoal, com alojamentos de qualidade. Na Austria, em Kitzbühel, o hotel Stanglwirt foi mais longe ainda, investindo para seus empregados em dois prédios de madeira com boa localização, eficiência energética, equipamentos de alto padrão e acesso gratuito aos refeitórios do hotel. Uma creche fica também a disposição das famílias, e a empresa oferece três dias suplementares de ferias para quem quiser trabalhar em obras caritativas. A valorização dos compromissos sociais, éticos e ambientais é para os candidatos, e especialmente os mais jovens, um fator importante de escolha da empresa onde querem trabalhar.

No Japão, a recepção pelos robôs já é uma realidade

Para reverter a falta de candidatos, a criatividade das empresas parece então não ter limites. No Canadá uma cadeia de restaurantes está propondo um iPhone para seus novos funcionários, e , talvez inspiradas pela “luvas”do futebol, empresas estado-unidenses estão oferecendo bonus de USD1000 para assinar o primeiro contrato. A penúria de mão de obra para acompanhar a retomada pode porem ter outras consequências, a robotização de vários serviços. Alem das opções de reservas ou de compras já rotineiras, serviços como a  recepção de clientes (Hotello), a comunicação ( Automat ou HeyDay) , o atendimento nos quartos ou o concierge (NuGuest) podem dispensar presenças físicas. Para a qualidade do serviço e o futuro da profissão, deve se esperar que a chegada de novos talentos no turismo impedirá essa robotização de ir (demais) para frente.

 

Este artigo foi adaptado de um artigo original de l’Observatoire valaisan du tourisme  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Em Mykonos e Lesbos, o turismo numa encruzilhada

Os moinhos de Mykonos, ícones turísticos da ilha

Junto com Ibiza, Mykonos é um grande destino de festas do Mar Mediterráneo

Assim como Ibiza, outra ilha festiva do Mar Mediterráneo, Mykonos é um destino privilegiado do turismo gay, com ofertas diversificadas, românticas ou transgressoras, adaptadas a todos os tipos de visitantes.  Desde os anos sessenta e setenta, infraestruturas turísticas incentivadas pelo governo grego  foram construídas com apoio de investidores locais. A vontade das autoridades fazer da ilha um lugar hospitaleiro, símbolo de liberdade, de tolerância e de intercâmbio cultural, o apoio dado aos eventos e a vida noturna, criaram desde então um clima peculiar que atraiu a comunidade LGBT+.

Novos mercados e barcos de luxo ajudam a diversificar o turismo na ilha

O sucesso da temporada 2022, – onde será talvez atingida a meta de 2 milhões de turistas nessa pequena ilha de 11.000 habitantes-, levou muitos ilhéus a criticar um modelo econômico levando ao overturismo e a mais ameaças sobre o meio ambiente. Associações de moradores estão pedido para privilegiar o turismo cultural, aproveitando o património da ilha mas também a proximidade de Delos, a pequena ilha – distante de somente 6 quilómetros- sagrada onde nasceram o deus sol Apolo e sua irmã Artemis. Acordos com companhias aéreas do Oriente Médio e um novo porto para super iates poderão incentivar o já importante turismo de luxo procedendo dos países do Golfo.

Longe do overturismo, Lesbos quer reconstruir sua imagem

Se Lesbos se abriu ao turismo também nos anos sessenta, e se seu nome bem como o prestigio da sua grande poetisa Safo atraíram desde suas origens muitos viajantes da comunidade LGBT+, esse grande ilha se desenvolveu de forma completamente diferente de Mykonos. Longe do overturismo (ele nunca recebeu mais de 100.000 viajantes por ano), oferecia tranquilidade e itinerários culturais a visitantes vindo principalmente da Inglaterra e da Alemanha, quase exclusivamente mulheres. Mas a ilha enfrentou nos anos 2015 e 2016 uma grave crise migratória que acabou não somente com seus fluxos turísticos mas  danificou a sua imagem.

O Festival de Eresos atrai milhares de mulheres

Para dar uma nova dinâmica para o seu turismo, Lesbos vai continuar a investir na herança da Safo, muito bem explorada em Eresos . Nessa tranquila pequena cidade, localizada perto de uma das mais bonitas praias da ilha, a presencia da poetisa é onipresente. É là que é realizado o “International Eresos Women’s Festival “ que reune milhares de mulheres numa festa exclusivamente feminina. Mas a ilha quer também valorizar agora suas águas turquesas, suas oliveiras, seus pitorescos vilarejos ou sua fortaleza medieval de Molyvos.  E nos terroirs de Plomari e Mitilena, os moradores se orgulham de produzir um dos mais tradicionais (e dos melhores?) ouzos da Grécia.

A poetisa Safo, musa das mulheres LGBT+, é omnipresente em Lesbos.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da revista francesa profissional on-line Mister Travel

No porto de Marselha, a difícil relação entre política e turismo

 

Os moradores, atores chaves do novo turismo

O Skift Global Forum 2022 abrirá esse mês em Nova Iorque

Reunindo líderes de grandes empresas do ramo e profissionais do marketing o Skift publicou, antes do seu concorrido  Global Forum de Nova Iorque, uma pesquisa sobre as grandes tendencias que estão marcando as viagens e o turismo esse ano. Uma das mais fortes é sem dúvidas a mobilização cidadã. O Skift antecipa que os habitantes vão parar de ser meros espectadores do turismo para atuar na construção  de destinos atraentes para todos. O sucesso dos projetos será agora definido pelos benefícios econômicos e sociais trazidos para os moradores.

A qualidade vida dos moradores virou prioridade do turismo em Havai

Experiências bem sucedidas em Havaí, no Panamá, em Vancouver, no Quebec ou na Islândia mostraram assim que associar os moradores a planificação dos novos projetos, levando em consideração suas preocupações econômicas, ambientais e sociais, faz naturalmente deles os atores e os embaixadores das suas regiões. Mas o impacto desse processo vai as vezes muito além do turismo, tocando na identidade cultural das cidades ou das comunidades, reativando tradições artísticas ou culinárias que ajudam a valorizar a autenticidade do destino com o envolvimento de todos. 

No Quebec, um projeto identitário nas Ilhas da Madeleine

No Quebec, as Ilhas da Madeleine, procurando melhorar a experiência gastronômica dos turistas, lançaram um projeto  chamado Bouilli d’histoires salées para valorizar a identidade culinário do destino. Uma consulta foi lançada nas Ilhas, e mais de 100 pessoas foram solicitadas para transmitir conhecimentos sobre os produtos, as receitas, os pratos. Depois de muitas consultas e de seleções com a ajuda de especialistas, o resultado foi um “Abecedário culinário identitário”,  livro de cozinha publicado numa plataforma onde constam também as tradições gastronômicas, as empresas produzindo os produtos, as receitas típicas e os restaurantes onde podem ser encontrados esses pratos. 

A valorização do património das ilhas e a mobilização dos moradores não foi restrita a gastronomia e ao culinário. Para apoiar a promoção do destino, os responsáveis pelo projeto foram buscar na cultura e na musica popular varios elementos da campanha. Conceberam um vídeo muito diferenciado “Mets d’la bagosse dans l’juke-box! ” – isso, en gíria das ilhas, pode ser traduzido por  “Coloca pinga na vitrola!” . Escrito por ilhéus, apresentando empresários e personalidades locais, o clip foi filmado por uma equipe da região. E a música original foi também escrita e interpretada por artistas das ilhas da Madeleine. 

O clip turístico de Porto Rico mobilizou as comunidades

Associar os moradores logo no inicio do processo criativo de um projeto turístico focado na cultura local foi também parte da última campanha de promoção de Porto Rico. Vários conceitos foram testados em grupos de porto-riquenhos, – incluindo associações de moradores, empresários e influenciadores-, tanto na ilha que nos Estados Unidos, e foi com eles que foram aprovadas as escolhas finais, inclusive a marca. A produção do video foi feito em colaboração com três empresas locais, a parte visual e os acessórios foram  realizados por duas mulheres designers da região, e a maior partes dos atores são também genuínos porto-riquenhos.

O lema da campanha, “Live Boricua”, tem uma total identificação com a ilha, já que vem do nome “Boricua” dado as pessoas que nasceram ou que têm origens em Porto Rico.  O objetivo é atrair os visitantes mostrando as experiências que eles vão conseguir compartilhar com os moradores. Os videos, os anúncios e os posts focam muito mais em historias de pessoas que em paisagens ou atrações turísticas tradicionais. Foi assim essencial para Discover Puerto Rico que a campanha seja inspirada e assumida pelos habitantes, as personalidades locais, bem como os numerosos artistas da importante diaspora, todos convencidos que sua arte de viver é o maior atrativo turístico da Ilha. E que o novo indicador de desenvolvimento turístico deverá ser simplesmente a qualidade de vida no local.

Este artigo foi adaptado de um artigo original de Elisabeth Sirois na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Chateau Malartic Lagravière , uma aventura dos dois mundos

Uma maquete de galião conta as origens da aventura do Chateau Malartic

Nas garrafas de Chateau Malartic Lagravière, um galeão de três mastros e três fileiras de canhões lembra que esse grand cru de Pessac Leognan tem uma historia peculiar. No final do século XVIII, o vinhedo foi comprado pelo Conde de Malartic, almirante do Rei Luis XV, que lutou do Quebec até as ilhas Mascarenhas onde morreu. Seus herdeiros administraram a propriedade até 1850 quando foi vendida para a Senhora Arnaud Ricard,  uma empresaria cujo padrasto era comandante da marinha mercante. Foi ele que levou para a propriedade a maquete do navio “Marie Elizabeth” que ele comandava e dentro do qual  envelheciam os barris de la Gravière.

O castelo continua sendo a residência familial

Os atuais proprietários, a família Bonnie, compraram o Château Malartic Lagravière em 1997. Seduzidos pela localização ensolarada dos 53 hectares, e pela classificação tanto dos tintos que dos brancos como Grand Cru Classé, tiveram logo a ambição de devolver a este vino um lugar de destaque, investindo em tecnologias inovadoras e savoir faire reconhecidos. Depois dos pais, Alfred et Michèle , são agora os dois filhos, Véronique et Jean-Jacques, que administram a propriedade, com duas grandes prioridades: preparar os vinhedos para as mudanças climáticas, ambientais e sociais,  e desenvolver o enoturismo oferecendo aos visitantes umas inesquecíveis experiências.

A reconhecida preocupação ambiental vai alem do vinhedo

O respeito pelo meio ambiente integra todo o processo de produção. O trabalho do solo com material orgânico, a aração das parcelas (algumas delas com cavalos), bem como o tratamento das parreiras sem inseticidas e sem herbicidas seguem as recomendações da agricultura racional. Foi assim que o Château Malartic Lagravière conseguiu em 2015 a classificação de « Haute Valeur Environnementale » (Alto valor ambiental), o mais alto dos certificados de boas práticas ambientais outorgados pelo Ministério francês da Agricultura. A família foi mais longe, levando as boas práticas para as construções, a fauna, a flora e a gestão dos riachos que atravessam os vinhedos, conseguindo assim uma certificação ISO 14001 (gestão ambiental).

Severine Bonnie, comentando pessoalmente as degustações com os visitantes

O Château Malartic-Lagravière ampliou a partir de 2019 sua oferta de enoturismo, focando experiências personalizadas e exclusivas. Devendo ser feitas com reserva antecipada, as visitas são organizadas pela equipe de Severine Bonnie. Com vários itinerários, « Premium Château », « Atelier fromages », ou « Cépages & Découverte », a descoberta das parcelas e das adegas sempre acaba com uma degustação. As ofertas mais procuradas são os cursos de cozinha com harmonizações que foram premiado em 2020 pelo Award Best of Wine Tourism  dos Great Wine Capitals.  Focando na gastronomia, Severine lançou também durante a pandemia “As 4 estações de Malartic”, um livro com 24 receitas de família que podem ser preparadas e degustadas durante os cursos, uma ideia criativa que foi consagrada com a entrega do Trofeu Enoturismo 2022. 

No pé da cordilheira, a aventura argentina do Chateau Malartic

A nova aventura do Chateau Malartic não podia ser limitada nas colinas da região de Graves. Em 2005 os Bonnie comprar perto de Mendoza, nos pés da Cordilheira, 130 hectares  no deslumbrante Clos de los Siete. Tendo aproveitado o savoir-faire acumulado pela família em Bordeaux, a bodega DiamAndes  se destaca hoje pela excelência dos seus vinhos elaborados com Malbec, Cabernet Sauvignon, Viognier ou Chardonnay. A imponência da sua arquitetura, sua imenso terraço com vista para os Andes e seus vinhedos, suas obras de arte, seu bar-restaurante aconchegante e sua adega impressionam o visitante fascinado por esse novo mundo do vinho.

O acerto na data das vindimas é a chave da qualidade do vinho

O vinho Rosé, xodó da Era do aquecimento global?

Com 34% da produção mundial – frente a Espanha, aos EEUU e a Itália -, a França é líder do setor, com varias denominações de origem para seus Rosés. Os mais conhecidos  vêm da Provence, que representam 19% da produção com as etiquetas de Côtes de Provence, Coteaux d’Aix-en-Provence ou Coteaux Varois-en-Provence. Nesses vinhedos emblemáticos são elaborados alguns dos Rosés mais caros do mundo. Mas a  primeira região produtora é a Occitania com quase 50% do total, as apelações Pays d’Oc  sendo as mais importantes. Outros vinhedos franceses, no Vale de Loire, na Savóia, em Bordeaux, e até na Champagne, produzem, e exportem, os seus rosés.

O Miraval do Brad Pitt produz o Rosé mais caro do mundo

Se os franceses continuam sendo os maiores consumidores com 35% do consumo mundial, o rosé atraia cada vez mais amadores dos Estados Unidos, da Espanha, da Alemanha e até do Brasil. Os enófilos apreciam agora sua diversidade. O pinot noir da uns rosés bem clarinhos, o syrah, o carignan e o merlot repassam cores mais fortes,  o grenache rosés alaranjados, e a uva cinsault cores quase amarelas. Novos consumidores são também seduzidos pela qualidade crescente, consequência dos esforços dos produtores que estão por exemplo esticando os tempos de guarda, hoje quase sempre superior a um ou até dois anos para os vinhos produzidos pela Associação internacional dos Rosés de terroirs.

A alegria e a simplicidade do rosé agradam os millennials

Revalorizado, descontraído e fácil de beber ( pode até “fazer piscina”, seja por uma pedra de gelo no seu copo sem que isso seja um crime), o Rosé aproveita as imagens de férias e de sol que ele carrega. Seus críticos falavam do Rosé de Provence, o mais famoso dos rosés, que quem o bebia não estava bebendo vinho. Bebia as oliveiras da Provence, as tardes ensolaradas, bebia os anciãos jogando bocha na pracinha do vilarejo, os campos de lavanda e o canto das cigarras. Outrora gozação, essas imagens de terroirs podem, em tempos de verões mais quentes e mais compridos, de ferias mais frequentes e de consumidores mais relaxados, ajudar o Rosé a virar o xodó do aquecimento global.

 


O Orient-Express, fênix das viagens de luxo

Depois de 140 anos, a saudade do rei dos trens e do trem dos reis ainda fica 

O Orient-Express teria festejado o ano que vem seus 140 anos. Prestigioso trem lançado em 1883 pela  Compagnie internationale des wagons-lits , ele ligava em 4 dias Paris a Istambul com um conforto e um luxo inédito. Mas depois de virar um verdadeiro mito – consagrado em 1934 no grande clássico da Agatha Christie-, o mais famoso trem do mundo sofreu das consequências da segunda guerra, teve suas operações complicadas pela cortina de ferro, e entrou em decadência a partir de 1962. Perdeu seu glamour, acabou com suas ligações diretas para Istambul, fechou suas agências – a Wagons lits só conseguiu resgatar Budapeste e Sofia-, e finalmente encerrou suas atividades em 1977.

O Orient-Express, o renascimento com o Venise Simplon Orient Express

Mas, mesmo sumido, o Orient-Express levantava muitas paixões, muitos projetos e mostrou ser um verdadeiro fênix. Em 1976, a operadora suíça  Interflug lançava o “Nostalgie Istambul Orient Express” que sobreviveu, com muitas dificuldades, até o inicio dos anos 2000.  O americano James Sherwood foi mais bem-sucedido. Renovando 18 antigos vagões da Wagons lits, aproveitando o seu prestigioso hotel Cipriani em Veneza, reabriu em 1982 um “Venise Simplon Orient-Express”, ligando Londres e Paris a Serenissima capital. Explorado hoje pela Belmond (do grupo LVMH), este fiel herdeiro estica varias vezes por ano seu itinerário até Vienna, Budapeste e mesmo Istambul.

Accor quer relançar não somente o trem mas também os hotéis

Proprietario da marca “Orient Express” junto com a SNCF, o francês Accor anunciou que quer ver renascer a lenda do mais prestigioso trem do mundo. Com 17 vagões dos anos vinte reencontrados na Polônia, redesenhados pelo famoso arquiteto Maxime d’Angeac, o grupo prevê a reabertura da linha em 2024.  Vagões-leito, vagões-restaurante e salões serão renovados no estilo “Art deco” original, incluindo painéis do Lalique, mas com toques contemporâneos. Para garantir essa autenticidade nos mínimos detalhes, Accor quer que esse novo Orient Express seja  uma obra de artesãos, apoiados por grandes marcas de luxo, uma vitrina do “savoir faire” e da excelência franceses.

Gustave Eiffel, muito além da torre

Sempre jovem, a torre só escapou da destruição pela vontade do Eiffel

Mesmo se já atraiu quase dois milhões de cinéfilos, o filme não é completamente fiel a realidade histórica e aos três anos de trabalho realizados pelas equipes de Eiffel para ganhar a licitação da obra. Ele acerta porem quando descreve as dúvidas iniciais sobre o projeto, bem como as inúmeras dificuldades técnicas, financeiras e políticas que teve que enfrentar durante a construção, e até a inauguração no dia 31 de março de 1889. Aproveitando o lançamento, o Escritório de turismo de Paris  criou o roteiro mostrando não somente os locais onde o filme foi realizado, mas também algumas outras obras marcantes do Eiffel.

A ponte Eiffel, no Parque das Buttes Chaumont

Eiffel deixou sua marca em numerosos edifícios parisienses, da sinagoga da rua des Tournelles até a loja “Le Bon Marche”, do “Shack” até a sede do “Crédit Lyonnais”. No coração do  parque das Buttes-Chaumont, o roteiro destaca a Ponte Eiffel, uma passarela de 63 metros de comprimento construída para a Exposição Universal de 1867. Inaugurada pelo Napoleão III, é famosa pela armação metálica verde e os tijolos vermelhos que lembram as cores das arvores do Parque. Prevista no início para o transito de veículos, completamente reconstruída em 1956, ela é hoje aberta exclusivamente aos pedestres querendo  passear nas “Buttes”  Puebla e Fessart.

Paradis Latin - 2020 L'Oiseau Paradis, Paris

Destruído em 1870, o Paradis Latin foi reerguido pelo Eiffel em 1887

Construído durante o Segundo Império, o Paradis Latin é o mais antigo cabaré de Paris. Destruído durante a guerra de 1870, ficou abandonado durante 17 anos. Pensando na Exposição Universal de 1889,  Gustave Eiffel reconstruí o teatro em 1887. A obra ficou famosa pelas colunas metálicas apoiadas nas muralhas das fortificações do rei Philippe Auguste, que ficam no subsolo do edifício, e pelo pé direito excepcionalmente alto. Fala-se que o Eiffel queria esta extraordinária altura da sala não somente para permitir espetáculos de acrobacias, mas ainda para competir tecnologicamente com a ousadia arquitetural das catedrais.

O Printemps foi pioneiro nas estruturas metálicas do Eiffel

Reconstruído em 1882 depois de um incêndio, Le Printemps Haussmann  é considerado como um dos primeiros prédios de Paris a ter estruturas metálicas até na fachada, fazendo do ferro  um material nobre e um componente chave da decoração, tanto nas vigas que nas escadas. A presença dessa grande loja de departamento no roteiro do Escritório de turismo de Paris se deve também ao fato que o fundador do Printemps, Jules Jaluzot, foi um grande apoiador do projeto do Eiffel, conseguindo para a sua loja a exclusividade da venda das medalhas comemorativas .

La Samaritaine, da humildade do Evangelho a audácia do templo do luxo | "Le Blog" do Pérol

Hoje renovada pelo grupo LVMH, a Samaritaine foi mesma inspirada pelo Eiffel

Fundada em 1870 por Ernest Cognacq e Marie-Louise Jaÿ, a Samaritaine é uma loja de departamento mas também uma obra mestre juntando “art nouveau” e “art deco”.  Gustave Eiffel inspirou o arquiteto belgo Frantz Jourdain, fascinado pelo seu trabalho e sua tecnologia. Foram suas oficinas que realizaram as estruturas metálicas e as escadas de ferro bem visíveis, numa composição trazendo espaço e luz. Comprado em 2005 pelo grupo LVMH,  que decide em 2005 de aproveitar a sua exclusiva localização e seu excepcional acervo arquitetural, a Samaritaine reabriu em 2021 e virou um icônico projeto parisiense de renovação.

No mercado municipal de Manaus, a herança de Gustave Eiffel

De 1870 e 1880, a empresa Eiffel encontrou um sucesso mundial, com obras cada vez mais complexas e espetaculares. Se a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, é uma escultura de Bartholdi, toda a estrutura foi elaborada por Gustave Eiffel. A partir de 1872 começaram a surgir propostas de outros países. Foram por exemplo a Estação Ferroviária de Budapeste, ou a Ponte Maria Pia sobre o Douro, no Porto. No Brasil foram realizados  dois faróis em Salinópolis, no Pará, e em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Em Manaus, o Mercado Adolpho Lisboa levou a assinatura do Eiffel, e  poderia ser a última etapa do extraordinário roteiro do genial engenheiro que embelezou Paris.

Juntando tradições e inovações, o Museu da Moda de Paris é também obra do Eiffel

 

 

Os EE-UU apresentam uma estratégia inovadora para o turismo pos crise

Gina Raimondo, Secretaria de Comercio, apresentou sua estratégia inovadora

A secretária de Comércio dos Estados Unidos, Gina M. Raimondo, anunciou a semana passada uma nova estratégia nacional para indústria das viagens e do turismo. Aproveitando as lições da crise, e as novas exigências dos turistas, dos profissionais e dos moradores, ela reafirmou os esforços do governo federal para apoiar o setor, e anunciou suas novas metas. No prazo de 5 anos, o objetivo  é de atrair 90 milhões de visitantes internacionais por ano, de chegar a receitas internacionais de US$ 279 bilhões anualmente, e de conseguir que essas receitas apoiam a criação de empregos em todos o território  estadounidense.

Atropelados pela crise, os grandes destinos aderiram as novas ideias

Esse nova estratégia é uma virada em relação a politica mais quantitativa definida em 2012 pelo administração Obama, que tinha o objetivo de 100 milhões de visitantes mas previa gerar somente US$ 250 bilhões de receitas por ano. A Secretária enfatizou também que a retomada oferecia uma oportunidade única de construir uma industria turística mais inclusiva, mais justa, mais responsável e mais resiliente, com resultados concretos atrelados a quatro metas: promover o destino, facilitar as viagens, desenvolver novos lugares ou comunidades, e focar um turismo mais sustentável.

Brand USA CEO Chris Thompson speaking at the IPW conference in Orlando.

Thompson, CEO de Brand USA, convenceu os profissionais durante o IPW

Sem ser uma novidade (nos anos 90, Malta se destacou anunciando que queria 20% de turistas a menos e 20% de receitas a mais. Nos anos 2000, a França já tinha definido a ambição do “mieux tourisme” para substituir o “plus tourisme“), a virada para uma politica mais qualitativa foi elogiada pelos profissionais. Falando no US Travel Association’s IPW, o CEO de Brand USA lembrou que somente 79 milhões de turistas visitaram o pais em 2019 e que, mesmo sem a crise que cortou 75% dos fluxos, os  100 milhões de turistas não teriam sido atingidos. E concluiu: ” Nosso objetivo agora não é de acolher o mundo inteiro, é de maximizar o turismo como uma exportação, sendo as receitas o primeiro indicador a ser seguido.”

O Museu do Primeiros Americanos em Okhlahoma City

A nova estratégia confirme o papel central de Brand USA na promoção internacional, em estreita ligação com os profissionais e com o apoio de outros órgãos do governo como Homeland Security ou o State Department. Essas sinergias são desenvolvidas a todos os níveis, inclusive dos vistos, um gargalho importante em alguns consulados. Mas a prioridade dada ao turismo pelo governo federal foi alem de medidas pontuais, o turismo foi também beneficiado com um fundo especial  viabilizando todo o projeto e votado de forma bipartidária. Com o Restoring Brand USA Act, foram então um recorde de US$ 250 milhões que o Presidente Biden colocou a disposição da retomada do setor.

Biden assinando o pacote incluindo o Brand USA Recovery Act

Num turismo pos Covid que está ainda se definindo, frente aos países europeus que parecem hesitar a escolher seu caminho e a assumir os investimentos indispensáveis, frente a novos concorrentes da Asia ou do Oriente Medio que conseguem definir novas estratégias e achar os financiamentos, os Estados Unidos impressionaram  tanto pela virada estratégica que pelos meios mobilizados para atingir metas claras com datas definidas, em sinergia total com os profissionais do setor . Ao final de contas, os viajantes terão assim múltiplas oportunidades de viver novas experiências nesse grande destino turístico.

Jean Philippe Pérol

 

 

%d blogueiros gostam disto: