Arábia Saudita nos grandes destinos turísticos mundiais de 2030?

Madain Saleh, a Petra do sul onde nasceu a escritura árabe

O acordo assinado o mês passado pelo Diretor Geral de Cruise Saudi, e o Presidente de MSC, vai dar um impulso espetacular aos cruzeiros nessa região, dando ao MSC Magnifica a possibilidade de zarpar de Jeddah, segundo porto do Oriente Médio, cidade histórica tombada pela UNESCO e ponto tradicional de entrada dos peregrinos para Meca. Um segundo navio, o MSC Virtuosa, operando no Golfo Pérsico, vai enriquecer os seus itinerários com escalas em Damman, porto dando acesso ao oasis de Al Ahsa, um outro sítio inscrito no patrimônio mundial da UNESCO. Para a temporada 2021/2022, as duas empresas esperam receber até 170.000 novos turistas.

Nos arredores do porto de Al Wajh, o Mar Vermelho ainda virgem de turistas

Os roteiros do MSC Magnifica terão como ponto alto a visita do oasis de Al Ula, também tombada pela UNESCO. A vinte quilômetros do vilarejo, os surpreendentes atrativos da região são os 138 túmulos de Maidin Saleh, segunda capital dos Nabateus, as vezes chamada de “Petra do sul”, antiga capital troglodita de um reinado citado na Bíblia, etapa da “rota do incenso” que ligava a Palestina com o Hejaz. O acesso é possível pelo porto de Al Wajh, famoso pelo seu centro historico e seu litoral, onde os turistas levados pela MSC poderão desembarcar para descobrir esse impressionante e ainda desconhecido acervo da humanidade.

O projeto de hotel de Jean Nouvel em Sharaan

Toda região de Al Ula é o centro de um grande projeto de parque natural, arqueológico e turístico. Com o apoio da França, a Arábia Saudita está investindo na renovação desse conjunto excepcional, incluindo infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias  e hoteleiras. O projeto integrou uma extraordinário hotel troglodita desenhado pelo arquiteto francês Jean Nouvel. Totalmente integrado nas paisagens, com 40 quartos e três vilas esculpidas nos morros, varandas escondidas, e um imenso pátio central, deve abrir em 2024 e virar um dos símbolos do sucesso das ambições turísticas sauditas.

A Kaaba e o complexo hoteleiro de Meca com seu “Big Ben” gigante

A Arabia Saudita já é o vigésimo quinto destino turístico mundial, e recebeu em 2019 20 milhões de turistas internacionais – três vezes mais que o Brasil-, um pouco mais da metade sendo peregrinos indo para Meca.  Pouco conhecido fora do mundo muçulmano, esse turismo religioso foi também profundamente transformado nos últimos anos. Com grandes hotéis de luxo com vista direta sobre a Kaaba, o complexo de Abraj Al Bait revolucionou as infraestruturas locais e as receitas turísticas da cidade santa que chegam hoje a USD 4100 por pessoa. Segundo as autoridades locais, essa evolução vai seguir com o crescimento do número de peregrinos, projetado em 30 milhões para 2030.

O projeto Coral Bloom, luxo, meio ambiente e novas tendências

As ambições do turismo saudita abrangem também o turismo balneário, com a abertura de 50 resorts em 22 ilhas e 6 pontos do litoral, incluindo campos de golfe, marinas, e centros de lazer. O projeto mais espetacular, Coral Bloom, inclui 11 hotéis de alto luxo  concebido pelo estúdio Foster & Partners que está sendo desenhado para valorizar o extraordinário meio ambiente da ilha de Shurayrah. Sem prédios, construídos com materiais leves, com design incorporando as últimas tendencias do turismo pós covid, os estabelecimentos vão oferecer uma experiência inovadora de luxo responsável e  ecológico. Com aberturas programadas a partir de 2022, serão uma etapa chave para colocar a Arábia Saudita nos grandes destinos turísticos mundiais em 2030.

Jean-Philippe Pérol

As camélias da Chanel virando atração turística na França

Coco Chanel nunca explicou a sua paixão pelas camélias

Se a camélia era a flor preferida de Coco Channel, há anos que sua famosa maison de alta costura não a encontrava mais na França. Perto de Biarritz, cidade pela qual Mademoiselle Chanel se apaixonou em 1915 e que inspirou um dos seus perfumes, a Maison Chanel lançou em 2018 um projeto de “fazenda das camélias”.  Na cidade de Gaujacq, famosa pelo seu castelo do século XVII, uma área de 40 ha virou um verdadeiro laboratório, produzindo milhares de flores sem produtos químicos, no respeito dos ecosistemas e da biodiversidade, e sob a direção do viveirista e pesquisador Jean Thoby.

A Camellia japonica Alba Plena introduzida em Gaujacp

Foi Jean Thoby que convenceu a Chanel de escolher Gaujacq, pequeno vilarejo da 450 habitantes onde ele trabalha há vinte anos num excepcional “Plantarium”de 2000 variedades de camélias, inclusive a variedade branca que Coco Chanel tinha escolhido.  Na terra rica dessa região, março é o pique da florada da « Camellia Japonica Alba Plena ». É a época da colheita dessas flores brancas, delicadas mas sem perfume, que devem ser colhidas manualmente. Serão necessárias 2200 flores para cada kilo do ativo hidratante que entram na composição da linha de cremes lançada em 2009.

O Plantarium de Jean Thoby

Jean Thoby gosta de lembrar que a Alba Plena é muito difícil de plantar, e que foi necessário dez anos de trabalho, e que sem o patrocínio da Chanel essa variedade teria desaparecido. O sucesso só chegou depois de muitos testes. Foi necessário encontrar uma região com o clima adequado, e trazer as primeiras mudas. Elas vieram de um viveiro da família em Nantes, onde existiam varios pés adquiridos do fornecedor da Exposição universal de Paris de 1900. Os pais do Thoby contavam que a Coco Chanel teria visto as camélias durante uma visita, ou numa floricultura da rua Cambon em Paris que tinha o mesmo fornecedor.

O castelo de Gaujacq, tombado pelo patrimônio histórico

O projeto da Chanel ainda não aparece nas rotas turísticas,  mas o proprietário do castelo de Gaujacq já está aproveitando a notoriedade internacional que tragam novos turistas para as visitas guiadas desse monumento com arquitetura original e apartamentos mobiliados. Chanel ajudou também nos investimentos, financiou a renovação dos salões de festas que serão em contrapartida exclusivamente utilizados para os eventos do grupo ou para exposições culturais abertas ao público. As obras do caminho de ronda das camélias e uma nova sinalização turística, informando sobre as variedades da flor, vão facilitar as visitas.

Não se sabe porque a Coco Chanel tinha escolhida as camélias  como suas flores favoritas.  Solidariedade com o trágico destino da heroína do livro “La Dame aux camélias” do Alexandre Dumas, homenagem a liberdade associada com essa flor pela Princesa Isabel, saudade do primeiro buquê oferecido pelo seu grande amor Boy Capel, ou referência ao escritor Marcel Proust, Chanel nunca explicou as razões da sua paixão. É porem certo que ela utilizou essas flores em todas as suas coleções tanto de moda que de joalharia. Agora vindo de Gaujacq, as camélias vão continuar a estar presentes nos seus cosméticos e nos seus perfumes.

Biarritz reencontra o seu icônico Palace

O Hotel do Palais é desde as origens a alma de Biarritz

Se muitos hotéis no mundo podem ser chamados de “palace” – 31 na França, o único pais do mundo onde a categoria é regulamentada- , uns poucos são verdadeiros mitos, com prédios centenários, localizações excepcionais, histórias de empreendedores, de artistas ou de políticos. Trazem as suas cidades notoriedade e atratividade, são pontos icônicos para os visitantes que juntam na mesma motivação o destino e o hotel. Assim Singapura com o Raffles, Marrakech com a Mamounia, Deauville com o Normandy, Veneza com o Danieli, Iguaçu com o Cataratas,  Nice com o Negresco, Paris com o Ritz, Londres com o Savoy, Rio com o Copa, Nova Iorque com o Pierre, ou Cannes com o Carlton. 

Durante o G7 de 2019, o hotel foi surpreendido com um almoço histórico

Reinaugurado dia 26 de Março depois de 3 anos de obras, o Hotel do Palais é um desses mitos. Sua história em Biarritz começou como Villa Eugénie, homenagem do Napoleão III a sua esposa espanhola Eugenia de Montijo. Vendido e transformado em Hotel Cassino em 1880, rebatizado em 1893  Hotel du Palais, ele foi completamente reconstruído em 1903 com uma a faixada de estilo “neo-Louis XIII” inspirada do palacete original. Virou ponto de encontro de reis e presidentes como Alfonso XIII da Espanha, Eduardo VII da Inglaterra ou Clemenceau, recebeu celebridades como Coco Chanel, Ernest Hemingway ou Frank Sinatra.

O espetacular lobby do Hotel depois da renovação

Propriedade do município, ele está sendo administrado desde 2018 pelo grupo Hyatt sob a bandeira da Unbound Collection que monitorou a impressionante renovação. O visitante é impactado logo na entrada, com as imensas janelas do restaurante La Rotonde para aproveitar a vista para o mar. No lobby, o branco das paredes deu uma nova vida as tapeçarias, aos lustres, aos pilares de mármore escuro e aos móveis dourados do Conde Orloff. As abelhas imperiais se destacam nos carpetes azuis da escada nobre e dos corredores que foram restaurados, assim como os tecidos, a mobilia centenária e os “trompe l’oeil”,  por artesãos especializados.

As suites honram o passado imperial do hotel

O Hotel du Palais dispõe agora de 86 quartos e 56 suítes, com superfícies de 28 à 100 metros quadrados e vista espetacular sobre a cidade de Biarritz ou o Oceano Atlântico. Os arquitetos e decoradores dos Monumentos Históricos e do Atelier COS, responsáveis pelo projeto,  foram fiéis ao estilo “Segundo Império” e a própria história do Palace. Cada quarto sendo único, uma atenção especial foi dada aos móveis, as cores, aos tecidos e aos quadros. Nos quartos do último andar, inspirados pelas janelas arredondadas e as escotilhas, foi reconstituído um espetacular ambiente marina  lembrando os barcos de cruzeiros.

Das mesas exclusivas do restaurante, a impressionante vista para o Oceano

Quase lotado no primeiro final de semana da reabertura, o Hotel du Palais reabriu respeitando os protocolos sanitários impostos pela pandemia. A piscina californiana de água do mar tem um acesso limitado, a academia está fechada, bem como o cabeleireiro e  o SPA de 3000 metros quadrados da Guerlain.  O restaurante ainda tem restrições e o jovem chef Aurélien Largeau, que sonha em recuperar a estrela Michelin perdida antes das obras, está servindo o seu menu gastronômico nos quartos. Para quem teve o ano passado que improvisar um almoço de última hora e uma mesa no terraço para Trump e Macron, são desafios normais que um hotel mítico deve saber superar.

Jean-Philippe Pérol

O Villa Eugenie Lounge

 
 

O turismo com 100 milhões de empregos a reconstruir

 

Egito, um dos destinos em destaque em 2021

Na véspera da alta temporada do hemisfério Norte, nos raros destinos internacionais abertos, os poucos viajantes vão com certeza amar os preços imbatíveis dos aviões e dos hotéis, a exclusividade das visitas de monumentos e atrações, a volta da natureza nos parques e jardins, ou a atenção especial dos guias e dos garçons. Menos visível para os visitantes, eles não poderão ver o outro lado da moeda desse “underturismo brutal”, o desaparecimento de muitos pequenos empregos que alegram o turista como motoristas, empregados, artesãos,  motoristas, vendedores de rua, artistas, animadores ou músicos.

Veneza saindo do overturismo e repensando uma nova relação entre turistas e moradores

Segunda uma estimativa do WTTC, o World Tourism and Travel Council, a queda de 74% do turismo internacional em 2020 já levou a destruição de 62 milhões de empregos, um número que poderia mesmo ter sido maior sem as medidas de apoio ao setor de muitos governos. A Organização Mundial do Turismo acredita porém que esses números são subestimados devido ao atraso da retomada, e já projeta para o final desse ano mais de 100 milhões de desempregados. Um cenário negro dentro do qual a OCDE teme que a metade das pequenas e médias empresas do setor desaparecem antes de 2022.  

As Ilhas do Tahiti souberam aproveitar o turismo para preservar seu patrimônio cultural

A crise do turismo impacta toda a economia de muitos países onde o setor representa não somente 10% do PIB, mas também a primeira fonte de divisas,  e até 25% dos empregos gerados nos últimos 5 anos. Em agosto 2020, um relatório da ONU chamou a atenção dos governos sobre a importância desses empregos, especialmente na África e na Oceania. Mesmo pouco qualificados, eles oferecem verdadeiras perspectivas de formação e de carreira para jovens sem diplomas, mulheres, populações rurais, povos autóctones e grupos marginalizados. São também essenciais a preservação do patrimônio natural e cultural. 

Os dois cenários da OMT para 2021

As perspectivas a curto prazo continuam pessimistas. Depois de anunciar uma queda de 87% do turismo internacional em janeiro, a OMT publicou dois cenários para 2021. O primeiro seria de uma retomada a partir de julho, com um aumento de 66% das chegadas em relação a 2020 – ainda inferior de 55% aos níveis anteriores a crise  O mais provável seria no entanto o segundo, uma volta ao normal a partir de setembro, um aumento das chegadas de somente 22% em relação a 2020 – inferior de 67% aos níveis de 2019.  A saída definitiva da crise seria assim projetada para janeiro ou abril de 2022. 

O turismo pos Covid ainda deve ser redesenhado

Com a normalidade ainda demorando a voltar, muitos dos seus profissionais obrigados a encontrar empregos em outras atividades ou perdendo fé no futuro do setor,  o turismo corre o risco de perder os homens e as mulheres que são a sua maior riqueza. Mesmo com as dramáticas circunstâncias atuais, ninguém deve porém perder a esperança. Em primeiro lugar porque os fluxos de turismo internacional vão voltar a crescer, a projeção da OMT de 1,8 bilhão de turistas para 2030 sendo somente recuada de dois ou três anos, permitindo a recuperação dos 100 milhões de empregos perdidos . Em segundo lugar porque o turismo vai acelerar uma extraordinária mutação – ecológica, social, cultural e comportamental- que vai ser para todos os profissionais do setor, e especialmente os mais jovens,  um desafio apaixonante.

Jean-Philippe Pérol

Emoções transformacionais e exclusividade,  tendências para ser respondidas

A renovação urbana, grande vencedora da pandemia?

No coração de Manhattan, a 42nd é agora deserta

Apresentado um relatório sobre o crise do Covid nos centros urbanos, o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, lembrou que as grandes cidades são as mais atingidas, concentrando até 90% dos casos. Os confinamentos pararam com o coração das suas atividades. Com os trabalhadores, os visitantes, os estudantes e até os moradores cada vez mais raros nas ruas, comércios e restaurantes estão sofrendo com as indispensáveis precauções sanitárias, ou são obrigados a fechar pelo menos provisoriamente. Em muitos países,  ajudas governamentais ainda estão evitando fechamentos definitivos, mas a retomada será muito difícil.

A crise acelerou a popularidade das ciclovias

Muitas prefeituras tentaram com sucesso de adaptar a utilização do seu espaço público as necessidades da luta contre a epidemia, investindo em transporte mais seguros com a aceleração de projetos antigos ou o lançamento de novas iniciativas : ampliação das áreas pedestres e das ciclovias, construção de pontos de abastecimentos de veículos elétricos, aberturas de terraços nas calçadas e nas praças públicas. Em uma conjuntura normal, essas idéias encontram fortes resistências mas com a crise foram facilitados pela urgência de ajudar o acesso seguro aos comércios locais, elos chaves da vitalidade das ruas dos centros urbanos.

O centro histórico de Québec enfrenta a queda do turismo

Além do comércio e dos restaurantes, as prefeituras devem também agir para ajudar o setor hoteleiro dos centros urbanos que estão em situação crítica. Além de muitos hotéis fechados, as taxas de ocupação de 2020 estão raramente ultrapassando 40% nos dias de pique, e caindo a menos de 20% em destinos acostumados a receber turistas internacionais – 18% por exemplo em Montreal. 2021 começou pior ainda, e mesmo Paris, primeira cidade turística mundial, estava em janeiro com uma taxa oscilando entre 34% para os hotéis mais populares, até 7% para os 5 estrelas que são as maiores fontes de visitantes para as lojas e os restaurantes das ruas comerciais.

Montreal é a cidade mais verde do Canada

No Canadá, os profissionais pensam que a crise vai acelerar algumas tendências do urbanismo que já preexistiam: construções mais sustentáveis, desenvolvimento da agricultura urbana, ampliação dos parques e das áreas arborizadas, apoio a todos os tipos de transportes a propulsão elétrica. Um grupo de 50 especialistas e personalidades assinaram uma Declaração 2020 para a resiliência das cidades canadenses. Eles estão pedindo uma economia verde, limpa e com poucas emissões de carbone, listando 20 medidas para assegurar uma urbanização responsável, acelerar a “decarbonização” e aderir de vez ao crescimento sustentável.

Paris projetando um futuro dinâmico, acolhedor e verde

A agonia dos centros urbanos não começou com a pandemia. Os shopping centers das periferias bem como o e-comércio já estão esvaziando as ruas há anos. A crise do Covid acelerou o movimento mas provocou também uma maior conscientização e muitas vezes uma forte mobilização dos profissionais. No Canadá, foi publicado o relatório Devolvendo a rua principal que apresenta ações para dinamizar o coração das grandes cidades.  No Québec, uma outra iniciativa junta apresentações de projetos de cidades com centros renovados, dinâmicos, motores da  economia turística, onde cultura e gastronomia são autênticos e vibrantes, onde os moradores são felizes, orgulhosos de viver e de receber os turistas.

O Québec investindo em “rues conviviales” para renovar os centros urbanos

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

O novo Puy du Fou, lazer e cultura num parque genuinamente espanhol

O Puy du Fou levando a sua fé para Toledo

No próximo dia 27 de março, perto de Toledo, nos montes dominando o rio Tejo, os visitantes poderão viajar no tempo e reviver algumas das lendas e das glórias da história espanhola. A menos de uma hora de Madri, dois anos depois da abertura do espetacular e já famoso show noturno « El Sueño de Toledo », o Puy du Fou Espanha amplia suas instalações com a abertura de mais de 30 hectares de cultura e natureza, a inauguração de quatro aldeias combinando restaurantes, artesanatos e ateliês de artistas, bem como o lançamento de novos espetáculos.

Em Burgos, a estatua do Cid Campeador

Famílias de moradores e de turistas poderão mergulhar durante o dia em quatro das grandes epopéias que construíram a Espanha:

    • El Ultimo Cantar : um espetáculo épico e emocionante sobre a vida do Cid Campeador, o herói cujos amores com a Ximena e vitórias militares contre os mouros até depois de morto inspiraram cavalheiros e escritores durante séculos.
    • A Pluma y Espada : uma aventura emocionante inspirada das façanhas de Lope de Vega, imenso escritor espanhol do século XVI, que não somente teve uma contribuição impressionante a literatura mundial, mais ainda foi um ator importante da vida política e militar do Reinado.
    • Cetrería de Reyes : uma batalha aérea entre o Calife e um cavalheiro de Castille, unidos pela paixão dos pássaros e da falcoaria. Centenas de aves de rapina caíam do céu para desenhar entre os dois amigos e a cabeça dos espectadores um surpreendente balé.
    • Allende la Mar Oceana : a bordo da Santa Maria, os espectadores segue a odisséia autoritária e incerta de Cristóvão Colombo, saindo de Palos para Cipangó até chegar em Guanahani/São Salvador.

El Arrabal é uma das quatro aldeias do Parque

Quatro aldeias reconstruídas servem de palco para os espetáculos, e abrigam lojas, restaurantes ou galerias de arte.

    • L’Arrabal : Em frente a Puerta del Sol, perto das muralhas, os feirantes oferecem churrascos e mercadorias em um mercado medieval festejando a gastronomia espanhola .
    • La Puebla Real : Colado no « Castillo de Vivar », o castelo do espetáculo « El Ultimo Cantar », esse vilarejo do século XIII têm ruas estreitas e uma praça central onde os artesãos mostram os seus talentos.
    • La Venta de Isidro : Nesse fazenda do século XVIII, lavradores criam seus animais, cultivam seus legumes e preparam queijos que os visitantes podem saborear.
    • El Askar Andalusí : Em volta do espetáculo « Cetrería de Reyes », os Mouros instalaram seu acampamento, com barracas coloridas servindo de lojas de artesanato ou de restaurantes.

El Sueno de Toledo já foi visto por 120.000 visitantes

A noite, « El Sueño de Toledo », segue sua trajetória de sucesso. Mais de 120.000 espectadores já assistiram a essa reconstituição de grandes momentos da história da Espanha, através de personagens como o rei Al-Mamoun, a rainha Isabela, o imperador Carlos V, ou de grandes eventos como as Navas de Tolosa, a descoberta da América ou a chegada do trem. Inspirado dos 43 anos da experiência criativa do seu irmão da Vendée, o Puy du Fou Espanha soube virar um parque de cultura e de lazer genuinamente espanhol.  Impactando a economia local com um investimento de EUR 242 milhões e com 687 empregos, os dirigentes franceses e espanhóis acreditam no sucesso desse modelo original, com previsões de um milhão de visitantes em 2021, um e meio em 2025 e dois milhões em 2028. Uma visão e um otimismo que o turismo precisa.

Jean-Philippe Pérol

Pesquisa internacional mostra um otimismo razoável sobre a retomada do turismo

A esperada pesquisa do “World Travel Monitor” sobre as viagens internacionais em 2020 confirmou os números já conhecidos, e deu algumas prudentes esperanças. O turismo foi mesmo um dos setores econômicos mais atingidos no mundo, com uma queda média das viagens internacionais de 70%, com diferenças significativas segundo os continentes. A queda foi mais importante na Ásia com quase 80% , depois na América Latina com 70%, na América do Norte com 69%, a Europa tendo a menor queda com 66%. A geografia explica talvez essas diferenças, as viagens de carro – mais importantes no turismo internacional na Europa- caindo somente de 58% enquanto as viagens de avião sofrem muito mais com um recuo de 74%.

A procura de viagens mudou com a crise

As viagens de lazer foram as mais atingidas, com uma queda de 71%, mais que as viagens de negócios que caíram de 67% (mas serão provavelmente mais penalizadas no médio e longo prazo), e mais as viagens de amigos e familiares que recuaram de  62%. Dentro das viagens de lazer, a queda foi bem menor para a procura de natureza(-53%). Como era de se esperar, o transporte aéreo sofreu o maior recuo mundial – 74%-, enquanto o transporte terrestre caiu de somente 58%. As diferenças foram também importantes nas hospedagens, com a hotelaria mostrando ocupações com queda recorde de 73%, muito superior a seus concorrentes, seja aparthotéis, AirBnb ou particulares . A pesquisa mostrou enfim que o viajante 2020 gastou 14% a menos, mas a queda foi principalmente a consequência do declíno das viagens intercontinentais.

Na Ásia, o turismo urbano deve ser a tendência 2021

Os resultados da pesquisa da IPK mostram um certo otimismo em relação a 2021. O grande obstáculo para a retomada sendo o Covid e não a crise econômica, e com 90% dos entrevistados aceitando de ser vacinados, os 62% que estão com vontade de viajar este ano dependem agora somente da disponibilidade da vacina. As intenções de viagem post Covid são mais fortes para as visitas a parentes e amigos, e para as férias na praia. Na Ásia, há uma tendência importante para o turismo urbano. Nos outros mercados, na Europa e nas Américas, como foi levantado em pesquisas no Brasil, nota-se também um crescimento da procura de ecoturismo e de bem estar.

Personalização, conteúdo e exclusividade são as tendências do turismo de luxo

Além desse otimismo razoável, e de novas exigências de sustentabilidade ou de turismo de luxo,  a  pesquisa destacou os destinos mais procurados para 2021. Nos cinco continentes, os turistas têm uma preferência marcada para os países próximos, mas essa tendência é muito mais forte na Europa. Os líderes do turismo europeu, a Espanha, da Itália, da França e da Alemanha devem assim ser os primeiros a aproveitar uma retomada cujo ritmo só será definido pela disponibilidade das vacinas: iniciada em 2021, seria completa em 2022 ou no mais tardar em 2023. Um otimismo (muito) razoável.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line Mister Travel

150 anos da “Commune”, a controvertida e fascinante história de Paris

O Palácio dos Tuileries teve que ser destruído depois do incêndio

No próximo dia 18 de Março, Paris vai começar a comemorar os 150 anos de uma das mais polêmicas e mais sangrentas páginas da sua história, quando as tropas do governo – os “Versaillais”- venceram os insurgentes “communards”, e fuzilaram mais de 30.000 homens, mulheres e crianças. Último episódio das revoluções patrióticas e democráticas que sacudiram a  França desde 1789, ou primeiro grande levante social da história contemporânea, a “Commune de Paris” ainda divide os políticos franceses, e mesma a saudosa canção “Le temps des cerises“, hino muito tempo proibido, ainda  não faz a unanimidade. Mas a prefeitura aprovou as comemorações, e  vai, até o 28 de Maio, organizar homenagens, palestras históricas, e exposições culturais, sempre adaptados ao contexto sanitário atual.

Louise Michel, ícone da Commune de Paris nos cartazes dos 150 anos

Os eventos têm uma forte dimensão politica, a prefeita socialista lembrando aos moradores que a revolta era democrática e social, e que algumas reivindicações eram surpreendentemente modernas. Além das violências – que provocaram muitas mortes mas também a destruição de monumentos simbólicos como o Palácio dos Tuileries ou a Prefeitura-, a “Commune” foi pioneira na gratuidade do ensino, na separação da igreja e do estado, no divorcio consensual, ou nos direitos das mulheres. Foi por sinal uma mulher icônica, Louise Michel, militante anarquista, combatente da linha de frente, exilada na Nova Caledônia depois da derrota, que foi escolhida no cartaz das comemorações.

A Commune começou nas ruas e nas praças de Montmartre

Vários eventos vão marcar o início da comemorações dia 18 de Março. Em Montmartre, onde a Commune começou, será reconstituída uma barricada e 50 parisienses foram selecionados para trazer 50 silhuetas  de revolucionários realizadas pelo artista  Dugudus. As peças representam personalidades anônimas ou famosas, como a anarquista Louise Michel, o pintor Gustave Courbet, ou o poeta Arthur Rimbaud, e serão depois expostas na Prefeitura. No mesmo dia, será inaugurada uma “Alameda da Ile dos Pins”, com os nomes dos numerosos revoltados, homens e mulheres, que foram deportados para essa ilha da Nova Caledônia depois da liquidação da revolta.

A Ile des Pins, Nova Caledônia, onde foram deportados mais de 3000 revoltados

Várias exposições serão também apresentadas.  O comitê histórico da prefeitura realizou “1871 : les 72 jours de la commune” que começará no bairro das Buttes Chaumont, depois continuará na biblioteca da Sorbonne e enfim  no Marais. Uma coleção de cartazes da época, batizada “A l’assaut du ciel” será exposta  em 20 escolas parisienses. São previstos espetáculos de rua da tropa artística nos principais bairros simbólicos da Commune, bem como vários roteiros turísticos acompanhados de guias, organizados pelas subprefeituras de Paris. Em parceria com associações, uma mapa interativo apresentará locais e personagens, conhecidos ou não, que tiveram um papel nos eventos da época.

A Praça de l’Hotel de Ville, lugar chave das comemorações

Alguns eventos serão encenados para atrair moradores e turistas. Dia 2 de Abril será reconstruído na frente da Prefeitura o julgamento da anarquista Louise Michel, com historiadores opondo os argumentos dos “Versaillais” e dos “Communards”. Se as condições sanitárias melhoraram, o julgamento será retransmitido em uma tela gigante na praça do Hotel de Ville, e os debates serão seguidos de de leituras e de cantos. Dia 28 de Maio, aniversário do último dia do levante, será realizado um espetáculo de sons e luzes “Le Pari de la Commune” na rua de la Fontaine du Roi, 17.  No mesmo lugar aonde tinha sido erguido a última barricada, comediantes e músicos encenarão  o final desse drama, parte da tão peculiar historia que faz de Paris uma cidade única.

Jean-Philippe Pérol

O Sacré Coeur, símbolo controvertido da derrota da Commune

Clubhouse, a vingança áudio das mídias sociais

 

Fã do Clubhouse, Elon Musk convidou até Putin para uma conversa

É em tempo de crise que aparecem as inovações. Isso parece ser o caso do Clubhouse, uma mídia social 100% áudio que foi lançada em março 2021 e que está explodindo desde o inicio do ano. Aplicativo disponível exclusivamente com convite e acessível somente com iphone, o Clubhouse é uma nova mídia utilizando exclusivamente a voz. Abrindo o aplicativo, o usuário pode “entrar” em “salas” (room) cheias de pessoas conversando ou ouvindo, podendo entrar como público ou levantar a mão para ser autorizado a falar.  É também possível de criar sua própria “sala”, escolhendo o assunto para contar histórias, fazer perguntas, aprender, conversar, encontrar velhos amigos ou fazer novas amizades.

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Crescimento dos usuários da Clubhouse

O Clubhouse é mesmo uma loucura. Em menos de um ano já passou de 6 milhões de participantes, 4 milhões dos quais se juntaram no último mês de fevereiro. Valendo “somente” USD 100 milhões em maio de 2020, a empresa está sendo avaliada hoje em mais de um bilhão.  Comparado pelos analistas com o sucesso da Twitter, essa popularidade é muito ligada as experiências incríveis que são oferecidas, momentos “WOW”, conversas enriquecedoras ou intercâmbios intensos.  O Clubhouse  ficou também famoso pelos encontros com executivos ou artistas famosas. Assim Elon Musk, Oprah Winfrey, Ashton Kutcher, Mark Zuckerberg ou Meek Mill já entraram sem avisar em algumas “salas” para conversar com usuários anónimos.

Facebook prepara um áudio chat para competir com o Clubhouse

Alem da exclusividade e da espontaneidade, a plataforma deve também sua atratividade ao áudio. Em tempos de saturações de Zoom, Google Meet, Microsoft Teams, Skype ou Facebook Live, é gostoso de não precisar se mostrar. O audio já estava a todo vapor com a crescente popularidade dos  podcasts, e existem analistas apostando que as mídias sociais audio são o novo Eldorado da economia digital. O Clubhouse tem a vantagem de ser o primeiro ator a atingir um sucesso mundial, mas a concorrência  está chegando. Twitter já lançou uma funcionalidade chamada Spaces. Facebook e Microsoft estão trabalhando para lançar seus proprios aplicativos, ambos aparentemente com o nome Fireside.

Paul Davison, um dos dois fundadores do Clubhouse

Uma outra especificidade do Clubhouse seduz os seus fãs, a ausência de gravações ou de arquivos das discussões na “salas”. Isso libera a palavra, dando para os participantes a esperança de escutar uma confidência ou um anuncio exclusiva sobre os milhares de assuntos dado pelos inúmeros participantes.  Essa liberdade é porem também uma preocupação para os fundadores Paul Davison e Rohan Seth, acusados de não controlar declarações racistas, machistas ou homofóbicas eventuais dos seus usuários. Afirmando os valores da empresa para resolver esses problemas, eles estão trabalhando para uma outra ameaça trazida pelo sucesso: como não perder a dinâmica exclusiva do Clubhouse quando o número de usuários passará de 6 à 50 milhões.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Frederic Gonzalo de TourismExpress. nrevista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

No bicentenário da morte do imperador, a “Rota Napoleão” lembra a lendária epopéia

Em Juan les Pins, o exato lugar onde Napoleão desembarcou

O caminho mais rápido da Côte d’Azur até Paris sempre foi via Aix en Provence, Avignon e o vale do Rio Rhône, mas era na época controlada por milícias monarquistas. Napoleão escolheu então o geograficamente difícil, mas politicamente seguro, caminho dos Alpes  com suas populações republicanas ou bonapartistas, e decidiu chegar a Lyon via Grenoble. A rota Napoleão – um itinerário turístico que foi inaugurado em 1932 no traçado de 1815- é esse ano, junto com a cidade de Ajaccio, o palácio de Fontainebleau e o túmulo dos Inválidos em Paris, e também junto com Liege na Bélgica, Santiago do Chile e, claro, a Ilha de Santa Helena, um dos principais lugares onde está se comemorando o bicentenário  da morte do Imperador.

Em Grand Serre, a floresta desenhando uma águia sob o olhar do Napoleão

Foi antes de Grenoble, que o Napoleão selou a epopéia. No campo do Encontro, ele avançou sozinho na frente das tropas monarquistas e falou “Sou eu! Se tem aqui um soldado que quer matar o seu Imperador, que atire agora”. Tremendo de emoção, os soldados dos dois lados se abraçam nos gritos de “Vive l’Empereur”. O momento histórico é lembrado hoje com uma estátua de Napoleão olhando a águia desenhada na floresta da montanha de Grand Serre. Foi mesmo o Imperador que os habitantes receberam em Grenoble carregando as portas da cidade que o prefeito não queria abrir. Indo dormir na albergue dos Trois-Dauphins, tendo agora um exército de 7000 homens, Napoleão anunciou que chegaria em Paris em dez dias. Encerrava a epopéia da Rota Napoleão, passava a História, começava o turismo. Viva o Bicentenário!

De carro, a pé, a cavalo, de moto, a paisana ou com uniformes da época, cada um pode escolher a sua forma de percorrer a Rota Napoleão

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