O luxo continua de acreditar nos cruzeiros

 

O grupo LVMH continua investindo no turismo de luxo

As grandes companhias de cruzeiros foram algumas das empresas mais atingidas pela crise. Alem de ser totalmente paralizadas, juntos com todos os atores do turismo, elas atraíram a atenção da mídia internacional pelos problemas específicos que encontraram. O caso mais trágico e mais espetacular foi sem dúvidas o Diamond Princess. Bloqueado no porto japonês de Yokohama, sofreu uma quarentena de mais de duas semanas durante a qual 700 dos seus 3700 passageiros foram infetados pelo virus. O caso se repetiu com vários navios, na Ásia mas também na América do Sul com o Zaandam da Holland América, e até no Brasil com os navios de luxo Silver Shadow da Silversea Cruises ou  Costa Fascinosa  da Costa Cruzeiros.

O Diamond Princess no porto de Yokohama

Esses casos, e numerosos outros, tiveram uma divulgação global, com amplas detalhes das terríveis experiências sofridas pelos passageiros, – bem como dos tripulantes que foram as vezes mais atingidos-, gerando um forte impacto negativo sobre a imagem dos cruzeiros. Com os navios parados até o mês de Julho, investimentos sanitários a fazer, e credibilidade a reconstruir, as grandes companhias de cruzeiros viram o volume das suas capitalizações na bolsa de Nova Iorque  despencando de até 80%. Assim a Carnival, que gasta quase um bilhão de USD para manter a sua frota, viu o valor das suas acões passar de USD 51 a USD 9 de janeiro a abril, e a Norwegian, que passou perto da falência, viu as suas passar de USD 60 à USD 8 nos quatro últimos meses.

Frank del Rio, CEO da Norwegian Cruises

Norwegian Cruise Lines estava em graves dificuldades e já tinha avisado a SEC, o regulador da bolsa de Nova Iorque,  que seus resultados trimestrais significariam que ” a situação atual da pandemia de Covid-19 ia ter um impacto sobre os resultados, as operações, as perspectivas, os planos de desenvolvimento, os objetivos, o crescimento, a reputação, os fluxos de caixa, a procura dos consumidores e o valor das ações”. Enquanto esse comunicado alimentava as rumores mais desastrosas, incluindo ameaças de falência, no dia seguinte a chegada do famosíssimo grupo LVMH, líder mundial do luxo agora muito presente no turismo, ia virar a mesa.

Os futuros navíos, aqui da MSC,  devem antecipar as novas exigências do consumidor

Filial du grupo e da holding da família Bernard Arnaud, o fundo de investimentos americano L Catterton investiu logo USD 400 milhões na Norwegian Cruises Line, o controlo potencial de 20% do capital da empresa. Ajudou em seguido a conseguir um empréstimo de USD 2 bilhões para reforçar a tesouraria do grupo. Segundo o seu CEO, Frank del Rio, a terceira companhia de cruzeiros do mundo disponha assim agora do fôlego suficiente para enfrentar até 18 meses de restruturação. A renovada confiança dos investidores vai permitir de responder as novas exigências sanitárias, ecológicas e comportamentais dos consumidores, e de acompanhar o excepcional potencial de crescimento do setor que continua de projetar 30 milhões de cruzeiristas até o final da década.

O Paul Gauguin da Ponant na lagoa de Bora Bora

Mesmo se essa investimento abra grande perspectiva financeiro – a volta das ações da Norwegian a seu nivel pré-crise significaria uma lucro de quase USD 2 bilhões para a filial de LVMH-, ele mostra também que o famoso grupo francês confirme seu interesse pelo setor. A LVMH já era um ator importante tanto do turismo que dos cruzeiros de luxo. Através de uma outra filial, Kering, o grupo é dono da única companhia de cruzeiros de bandeira francesa, a Ponant Yacht Cruises & Expeditions  que combina intimidade, autenticidade e elegância nos seus navios de pequeno porte. O novo investimento mostra que o luxo acredita nos cruzeiros,  na retomada e na volta de uma clientela que, mesmo com novas exigências que deverão ser atendidas, se mostra extremamente fiel.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Nos cruzeiros do Ponant, a procura da exclusividade @sylvain adenot

Depois da crise, o transporte aéreo acabando com o turismo de massa?

Agora aposentado, o B747 foi decisivo na democratização do turismo

Na história dos últimos 50 anos, a aviação foi o setor que mais influenciou as evoluções do turismo. Com a criação da classe econômica em 1958, o lançamento do Jumbo em 1969, e a multiplicação dos charters nos anos 70, a queda impressionante do preço das passagens levou centenas de milhões de viajantes para destinos distantes. No Brasil por exemplo, a tarifa YE, a mais barata ida e volta para Paris, custava USD 1250 em 1973. Esse valor atualizado com a inflação seria hoje de USD 7905, enquanto essas passagens, para o mesmo destino e na mesma classe podiam ser encontradas, ha poucos meses, a menos de USD 800, ou seja 10 vezes menos. Essa impressionante democratização foi possível  graças aos avanços tecnológicos, mas também por conta da densificação dos aviões – com coeficientes de ocupação passando de 60% para mais de 90%.

Na retomada, sair do underturismo sem voltar ao overturismo?

Levando o turismo de massa para lugares cada vez mais distantes, as companhias aéreas  tiveram um crescimento de 5% ao ano, dobrando os fluxos a cada 12 anos. Em 2020, já eram projetados pela IATA um recorde de 8 bilhões de viajantes com uma receita de USD 1,6 trilhão, e, de Veneza a Machu Pichu, de Roma a Bangkok, de Barcelona a Amsterdã, ou do Mont Saint Michel a Ilha de Páscoa, o overturismo era um dos maiores desafios levantados pelos destinos turísticos. A chegada do coronavirus mudou essa realidade, 80% da frota mundial de aviões está imobilizada, o tráfego aéreo internacional caiu de mais de 90%, hotéis, parques e restaurantes estão fechados, e os turistas confinados  só podem sonhar com impossíveis viagens e esperar que a retomada se apoie em conceitos inovadores  aproveitando tarifas aéreas sempre mais baratas.

As tarifas pos crise parecem  inacreditavéis

Olhando as ofertas de passagens para os próximos meses, pode-se pensar que as guerras tarifárias vão continuar. Alguns analistas pensam de fato que os viajantes vão demorar mesmo para entrar nos aviões, que os homens de negócios vão priorizar as reuniões virtuais, e que as perdas de renda da classe média vão impactar diretamente no turismo. Enquanto as crises anteriores – internacionais, financeiras, politicas, sanitárias ou ecológicas – sempre foram superadas em três, quatro ou seis meses, essa seria mais duradoura. Com clientes relutantes e precisando de cash depois de meses paradas, as companhias aéreas, sejam low costs ou tradicionais, prosseguiriam com suas politicas de promoções excepcionais, pelo menos até que o mercado volta a normalidade.

A Virgin Austrália é uma das companhias que foi a falência

Mesmo se ainda é cedo para antecipar o mundo do “day after” coronavirus, essa hipóteses é  porém  pouco provável. Três fatores devem impedir a queda das tarifas e a alavancagem do crescimento do turismo internacional. O primeiro é que muitas companhias aéreas não vão sair ilesas da crise. Algumas ja quebraram, outras encolheram, outras ainda só serão salvas por aportes maciços de financiamentos públicos. Assim o governo americano prometeu USD 25 bilhões para as companhias americanas, a França USD 7,7 bilhões para Air France, os Países Baixos USD 2,2 bilhões para KLM, e anúncios similares foram feitos pelos Emirados, Colombia, Singapura, Australia, China, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e a Dinamarca. Não se tem dúvidas que essas ajudas terão claras contrapartidas de rentabilidade e de respeito a novas normas que deverão ser conciliadas.

O governo francês anunciou 7 bilhões para Air France com condições rigorosas

Duas exigências dos governos estão aparecendo e vão puxar as tarifas para cima. As novas normas de segurança vão exigir investimentos em novos equipamentos para proteger os funcionários e os clientes, e, para respeitar o distanciamento social, os números de assentos utilizados nos aviões deverão ser reduzidos, com um impacto direto sobre os preços das passagens. Frente à neutralização possível de até um terço dos lugares da classe econômica,  Ryan Air já anunciou que neste caso teria que rever até o seu próprio business modelo. Os empréstimos públicos podem ainda ter outras consequências, a pressão crescente das exigências ecológicas. Redução dos números de slots nos grandes aeroportos, normas de poluição mais rigorosas, e novas taxas “verdes” são algumas das medidas esperadas que vão atingir diretamente ou indiretamente o turismo.

Ryan poderia até parar se as cadeiras do meio fossem neutralizadas

Frente a essas novas despesas, as companhias terão que reverter a tendência de baixa das tarifas, e o « yield management » de não aceitar mais de vender abaixo dos preços de custo. Se o crescimento do turismo,  e as previsões da OMT de 1,8 bilhão de turistas internacionais até 2030, terão com certeza que ser revistas, a nova situação pode também gerar consequências tanto para as companhias aéreas – colocando a concorrência mais em relação à qualidade dos serviços do que em relação aos preços – quanto  para os agentes de viagem cujos conselhos serão ainda mais importantes para ajudar os viajantes a escolherem as melhores ofertas. E se o turismo de massa deve sofrer um certo recuo, a resiliência do setor,  bem como a vontade de experiências transformacionais, podem surpreender no momento da retomada.

 

Jean Philippe Pérol

Os destinos rivalizam para incentivar a sonhar hoje as viagens de amanhã

Em tempo de confinamento, os destinos mostram muita criatividade para continuar presentes junto aos seus potenciais visitantes, combinando responsabilidade – ficar em casa é um imperativo de saude pública- e mantimento do sonho de viajar. São aulas de cozinha, receitas de mixologia, palestras culturais, visitas de museus, passeios, atrações e até carrosséis ofertos a imaginação. Não é hora de vender produtos ou serviços, mas de cultivar a esperança e o desejo de recomeçar a viajar.  Os escritórios de turismo escolheram varias estratégias de comunicação. Com destaque aos sempre surpreendentes países do Norte (acima o exemplo das Ilhas Feroe), todos esses profissionais mostram como, nesse momento de crise, o marketing de destino, inspiracional por natureza, se transformou em marketing da esperança.

Com as mídias sociais ainda mais populares desde o inicio do confinamento, vários destinos estão usando-los como canais de comunicação privilegiados e as vezes exclusivos. O Turismo Portugal mudou seu lema #CantSkipPortugal para #CantSkipHope e lançou um vídeo  aconselhando de parar já que os atrativos do país poderão ser visitados depois.  Visit Norway marcou seus fotos e videos com #Dreamnowvisitlater. Turismo Montreal pede aos viajantes de não sair de casa e de vir mais tarde com  #VisitUsLater e #APlusTard. Alguns marqueteiros são mais diretos, assim Visit Estonia que inventou #staythefuckhome, ou VisitBrighton que mudou seu nome para DoNotVisitBrighton.

A Primeira Ministra da Finlândia liderando uma estratégia inovadora

Os influenciadores têm em alguns destinos um lugar de destaques na comunicação de crise. É o caso da Finlândia, cuja jovem Primeira Ministra tinha pedido para a Empresa nacional de Abastecimento emergencial , antes mesmo que se fala da pandemia, a contratação de uma agência especializada em mídias sociais e influenciadores, a  PING Helsinki para ajudar a sua comunicação. 1500 “key workers” – como são chamados esses comunicantes-, são assim mobilizados ao lado das mídias tradicionais para repassar mensagens oficiais ou personalizados para públicos específicos, nacional ou internacional. O Quebec apostou também nos influenciadores para incentivar as pessoas a ficar em casa, assim a blogueira Lydiane autour du monde  que mostra agora fotos de confinamento ou de viagens passadas.

As visitas virtuais ganharam um novo impulso com o confinamento. O Dinamarca, a Noruega e o Japão  apresentam vários passeios e excursões on-line, e Malta apresenta videos com caminhadas nas ruas da cidade velha.  Na França, as cidades de LyonBordeaux mostram varias atividades acessíveis sem sair de casa.  Discover Puerto Rico   apostou nas experiencias on line com cursos de salsa, receitas de coquetéis com um mixologista e aulas de cozinha. Travel Saint Lucia colocou Instagram videos de 7 minutos incentivando a fazer aulas de yoga, a aprender a cozinhar pratos típicos ou a seguir um guia. O Chile lançou o aplicativo Chile 360º, com vídeos e imagens de paisagens chilenas, incluindo até óculos opcionais. Os maiores esforços são talvez feitos por Visit Orlando que propõe de forma virtual a quase totalidade das suas atrações.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

No Brasil, a campanha  “Não Cancele, Remarque”

Olhando para China, quais novas rotas para retomada do turismo?

Turista chinesa em Pequim

Enquanto a WTTC alerta para a possibilidade de chegar a 75 milhões de desempregados no turismo mundial,  e que os profissionais brasileiros enfrentem a pior crise econômica e social vivida pelo setor desde a Segunda Guerra, deve ser lembrado que a extraordinária resiliência do turismo levará em breve a uma retomada que pode ser tão surpreendente que a paralização que estamos vivendo. Se é unfelizmente difícil de prever quando os turistas vão recomeçar a viajar, e quais mudanças nos comportamentos vão com certeza aparecer, já pode ser observados as primeiras tendências no mercado chinês. Na China, primeiro pais atingindo pelo virus, as grandes operadoras de turismo já estão assinalando as primeiras reservas de viagens nacionais e internacionais, mostrando os passos do caminho da retomada.

Ctrip Rebrands to Trip.com

Com a crise, Ctrip, agora Trip.com somente adiou as suas ambições

Qunar e Ctrip, duas das maiores agencias online chinesas, ficaram dois meses completamente paradas mas recomeçaram a aceitar reservas a semana passada, seja menos de quatro meses depois do inicio da crise em Wuhan. Na Qunar os clientes já podem escolher entre mil pacotes para todas as cidades ou regiões da China onde não existem restrições de viagens e onde os governos locais estão incentivando a reabertura , como Shanghai, o Xinjiang e o Sichuan. A Ctrip tem um aplicativo que  recomeçou a aceitar reservas, oferecendo passagens e pacotes para 1449 destinos turísticos chineses, seja 40% do total. Para esses dois lideres, e para outras grandes operadoras,  parece assim muito claro que a retomada vai privilegiar numa primeira fase o turismo domestico.

O Festival de Songkran na Tailândia

Os profissionais chineses esperam também uma retomada das viagens internacionais antes do final de Abril para os países que estarão prontos a reabrir suas fronteiras. Poderia ser o caso da Tailândia, onde o presidente da « Tourism Authority of Thailand » (TAT), está atuando junto com o governo, as autoridades sanitárias e os profissionais para ficar pronto antes do 13 de Abril, dia do ano novo budista. Muitos especialistas são mais cautelosos, os obstáculos sendo não somente  melhorar as normas e os controles sanitários, mas também conseguir ganhar a confiança dos turistas que são agora atentíssimos a estas questões, e temem participam de grandes agrupamentos. A Tailândia pode porem ser otimista, os destinos de proximidade devendo ser os primeiros a beneficiar da retomada das reservas de viagens internacionais.

Bleisure, this booming social style

O bleisure pode ser um dos primeiros segmentos a aproveitar a retomada

Se é impossível fazer previsão de datas, o exemplo chinês mostra que essa crise, como muitas outras antes, poderá começar a ser superada em quatro meses, e que a retomada deve ser concentrada em primeiro lugar no turismo nacional e nos destinos internacionais de proximidades. Alguns segmentos poderiam também recuperar mais rapidamente que os outros. A legitima vontade dos governos de priorizar a economia deve provavelmente favorecer as viagens de negócios, incluindo para as feiras internacionais que terão sido adiadas ou mantidas, as viagens individuais ou as viagens de “bleisure” combinando negócios com estadias de lazeres para esquecer os dias de confinamento.

Cruzeiros em navios menores pode ser uma das novas tendências

Assim como os responsáveis do turismo da Tailândia, os especialistas vão seguir com muita atenção a volta dos turistas chineses e as novas tendencias desenhadas pela crise do coronavirus, com mais preocupações referentes a saude, aos seguros de viagem, a qualidade dos equipamentos sanitários ou a higiene dos destinos. A crise poderia também levar a reavaliar as agremiações gigantes que mostraram fragilidade. O tempo poderia ser do “small is beautiful”, seja na escolha de cidades menores, de navios pequenos ou de eventos de tamanho mais humanos. O turismo vai com certeza se reerguer mais rapidamente que esperado, mas a retomada vai com certeza seguir novas rotas que devem ser antecipadas.

Esse artigo foi inspirado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

Amsterdão insistindo em apostar na era do “melhor turismo”

Amsterdão querendo virar a pagina do overturismo

Amsterdão está mostrando uma impressionante criatividade e uma notável persistência para encontrar meios de substituir o “mais turismo” pelo “melhor turismo”. Depois das iniciativas do governo dos Países Baixos cancelando as verbas de promoção turística dos lugares mais visitados, é agora a vez da prefeita Femke Halsema de tentar acabar com duas das mais icônicas atrações da cidade junto aos jovens vindos da Europa e até das Américas. Seguindo o exemplo de Haia que já adotou medidas similares, a prefeita quer proibir o acesso de estrangeiros aos famosos coffee shops, esses bares aonde é possível, desde 1976, comprar e consumir maconha de forma perfeitamente legal. É também estudada uma limitação dos acessos ao famoso distrito da Luz Vermelha e as suas sex-shops que foram muito tempo – e as vezes ainda são- um dos (discutíveis) cartões postais da cidade.

Os Coffee shops são a primeira atração da cidade

Preocupada com as possíveis consequências sobre a economia da cidade que depende em grande parte dos seus 17 milhões de visitantes,  a prefeita encomendou a seu departamento de estudos, informação e estatísticas uma pesquisa de impacto cujos resultados acabaram de ser publicados. A pesquisa mostra que uma mudança na legislação dos coffee shops tiraria o ânimo de 34% dos visitantes e que 11% não voltariam nunca mais. Para os ingleses, que são mais de um milhão a visitar a cidade, o impacto seria ainda maior, 42% deles diminuiriam suas visitas e 12% não voltariam mais. A prefeita deve também ter ficada surpresa de ler que 60% dos turistas que declaram voltar em caso de proibição  responderam que, assim mesmo, continuarão a consumir drogas na cidade, se for necessário mandando amigos holandeses fazer suas compras nos coffee shops. …

O bairro da Luz Vermelha vai ser vetado para grupos organizados

A pesquisa destacou que a liberdade de fumar drogas doces era a motivação principal de  22% dos visitantes internacionais – e mesmo de 33% dos britânicos-, seguindo das vitrinas de sex-shops e na frente dos passeios de bicicletas. Mas, convencida da necessidade de lutar contra o overturismo que esta asfixiando o centro historico da cidade, a prefeita manteve sua estratégia e já tomou as primeiras medidas. A partir do próximo mês de Abril, os grupos organizados estão assim proibidos de visitar o distrito da Luz Vermelha, uma medida que deve, segundo a prefeitura, “não somente reduzir os fluxos turísticos mas ainda proteger os trabalhadores do sexo das humilhações ou faltas de respeito impostas pelos visitantes”.  Na mesma linha, as visitas das ruas onde existam vitrinas expondo prostitutas serão vetadas aos grupos, e outras áreas necessitarão autorizações especiais.

A prefeita quer mesmo acabar com o overturismo na cidade

Alem dessas restrições impostas aos visitantes “sexo e drogas”, Amsterdão está também estudando outras medidas para lutar contre o overturismo. Uma taxa de três euros por pessoa e por dia vai ser cobrada nos hotéis e alojamentos. Indo mais longe ainda, a prefeita pediu  que seja estudado o impacto dos voos low costs sobre a economia local e o bem estar dos moradores, querendo reavaliar os apoios institucionais dados a essas companhias aéreas,  deixando claro que a escolha agora será mesmo pelo “melhor turismo”.

Turismo ou tradições, as Maldivas numa encruzilhada

Desde 2008, o fim da ditadura favoreceu o crescimento dos islamistas

Se foram abertas ao turismo somente nos anos setenta, as Maldivas são consideradas hoje um paraíso turístico, , que atraiam pelas suas aguas turquesas, seus 26 atois de coral esticados de Ihavandhippolhu ao norte até Addu ao sul, seus hotéis de palafitas construídos em ilhas exclusivas, e seus sonhos de tranquilidade. Pequeno pais de 600.000 habitantes espalhados em 1100 ilhas (mas somente 20% tem populações permanentes), compete com Tahiti ou as Seychelles com grande destino de namoro e de lua de mel. E se o turismo já represente 40% do PIB, 60% das receitas internacionais e 90% do orçamento nacional,  o governo tem numerosos projetos de desenvolvimento, a maioria focada em estabelecimentos de luxo respeitosos do meio ambiente,  e planeja passar nos próximos 10 anos dos 1,5 milhões de visitantes a mais de 7,5 milhões.

O Raffles Meradhoo, uma das joias hoteleiras das Maldivas

Principal – e quase única- riqueza das Maldivas, o turismo é porem visto com um certo receio pelos moradores. Saindo de uma longa ditadura, o pais viveu o paradoxo de eleições democráticas que favorecerem os religiosos e levaram o congresso a incorporar em abril de 2014 a lei islâmica a constituição. Fora das ilhas-hoteis onde reina uma incontestável tolerância, o álcool é proibido, os corpos têm que ser cobertos, as mulheres devem usar véus, os comportamentos “indecentes” são punidos com chicotes, a homosexualidade é um crime, e a pena de morte pode ser aplicada a partir de 7 anos de idade.  Por revoltante que seja,  e mesmo se algumas personalidades chegaram a pedir um boicote do destino, a sharia não impediu o turismo de continuar a crescer, os turistas aproveitando a liberdade de áreas reservadas e tendo muito pouco contatos com os moradores.

A imponente mesquita do Rei Salmane em Malé

A eleição, em novembro 2018, de um presidente moderado que já declarou querer abolir as leis repressivas, restabelecer os direitos humanos  e liberalizar a sociedade, foi um passo importante para tranquilizar profissionais e turistas, mas a pressão dos islamistas continua. Nas mesquitas recente construídas pela Arabia Saudita, os imãs wahabistas pedem a permanência das leis de Deus, e  em Hulhumale, nos arredores da capital Malé, islamistas radicais apunhalaram dois chineses e um australiano. A reivindicação do atentado pelo Estado Islâmico, chamando os maldivenses a se levantar contre um governo “infiel”, preocupou as autoridades que sabem que 160 combatentes jihadistas ainda devem retornar do Iraq e da Síria e que outras ataques podem acontecer.

Um incidente mostrou essa semana que os conflitos entre turismo e tradições não são limitadas a alguns extremistas. A cidadã britânica  Cecilia Jastrzembska, famosa influenciadora de televisão, foi brutalmente levada para uma delegacia onde ficou presa  por ter andado de bikini numa estrada enquanto voltava da praia. A policia alegou que teria passado na frente de uma mesquita e de uma escola, e que o porte de bikini era proibido nessa área. Se foi liberada depois de duas horas, se o superintendente de policia das Maldivas reconheceu o erro, e se o presidente do Congresso pediu desculpe e convidou Cecilia a voltar, o video espalhado pelas mídias sociais mostrou que o pais ainda tinha muito trabalhar pela frente para harmonizar suas ambições turísticas e suas tradições.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista francesa profissional on-line La Quotidienne

O “New York Times” e o “Le Monde”, duas visões das tendências turísticas de 2020

Não mencionada pelo NYT, Olinda seduziu o júri do Le Monde

Enquanto os 52 destinos do New York Times já são uma seleção consagrada, destacando tendências antecipadas pelos leitores, os profissionais do setor turístico e um comité de jornalistas especializados, o  prestigioso jornal francês Le Monde decidiu publicar agora uma seleção de 20 destinos escolhidos com critérios novadores. Sem recorrer aos leitores, mas consultando especialistas,  levaram em consideração não somente beleza, novidade e conteúdo cultural, mas também a “consciência ecológica ” e a pegada carbone de cada viagem, favorecendo as estadas longas e as distancias curtas. Os dois ranking são assim completamente diferentes, mas é interessante de constatar  que algumas escolhas são bem próximas, que algumas temáticas estão virando tendências internacionais, e que três destinos constam das duas listas.

Casas tradicionais nas Ilhas Faroe

Americanos e franceses concordaram na escolha de algumas regiões,  mas com destaques diferentes. Foi assim nas ilhas do litoral atlântico da França onde o NYT escolheu a surpreendentemente  “perfeita” Belle Ile en Mer na Bretanha, enquanto o Le Monde preferiu o charme escondido e a tranquilidade fora-do-tempo da ile d’Aix. Na Scandinavia,  o NYT destacou as surpresas arquiteturais de Jevnaker na Noruega e as trilhas da Suécia ocidental, enquanto o Le Monde ficou fascinado pela beleza selvagem, os pássaros e as tradições culturais das Ilhas Faroe. Menos esperada, a Polonia ficou também nas preferencias dos dois júris, porem foi Cracóvia, sua arquitetura e sua bem sucedida reconversão industrial, que levou as preferencias dos americanos, a escolha  dos franceses sendo a cidade de Gdansk (outrora a alemã Danzig),  seu urbanismo medieval e a longa historia do seu porto hanseático.

Inventada antes dos barros gauleses, a vinificação da Georgia utiliza jarras de barro chamadas kveris

Ambas listas mostram algumas tendências das viagens internacionais. A primeira é a importância cada vez maior dos meios de transportes alternativos. O sucesso do trem explica o destaque dado a Suíça e ao Bernina Express e aos seus 152 quilômetros de trilhos atravessando uma área tombada pela UNESCO, a procura de lugar “bike friendly” está valorizando a Holanda e sua capital Haia. A segunda tendência é o força das viagens temáticas, com destaque para o enoturismo e as vinícolas. Sem nenhum chauvinismo, os franceses escolheram assim a Georgia e os vinhedos da Cachétia. Perto do Mar Negro, vinhos bem peculiares são produzidos com umas técnicas milenares, amadurecendo em jarras de barro enterradas no solo. Já servidos na corte do imperador da Persia no século V, esses vinhos são degustados por enoturistas do mundo inteiro.

Washington foi escolhida pelos dois júris

Num ano de eleição, quando a capital americana vira o centro do mundo e mergulha num ambiente digno deHouse of Cards, era lógico que tanto o New York Times que o Le Monde escolhesse Washington como um destino incontornável. Em 2020, não se deve perder o memorial de Lincoln, o Capitol, ou os tesouros artísticos da  National Gallery of Art (NGA). A cidade  está mudando, com novos museus, incluindo o “Smithsonian National Museum of African American History and Culture” inaugurado em 2016 e já constando como um dos mais procurado. Os jovens da cidade gostam de levar os visitantes até a U Street, num bairro afro-americano repleto de galerias de arte, de bares e de restaurantes ligados. De noite, o bairro residencial de  Dupont Circle vira uma trepidante área de vida noturna com famosos estabelecimentos LGBT e bares esportivos animadíssimos. 

Nas ruinas de Gondar, as marcas da herança portuguesa

Destino fora do comum, a Etiopia  ganhou um nova impulse esse ano com o premio Nobel da Paz do seu primeiro ministro Abiy Ahmed. “Terra das origens”, esse pais peculiar deve ter fascinado os jornalistas de Paris e Nova Iorque da humanidade pelas suas beleza naturais, da grande falha até o deserto do pais Dankali e as cataratas do Nilo azul. Mais antigo estado cristão do mundo com a Arménia, o antigo Reinado do Preste João oferece ao turista suas quatro antigas capitais, Axum nos passos da Rainha de Sabá, Lalibela e as igrejas monolíticas dos usurpadores Zagué , Gondar e sua arquitetura influenciada pelos então aliados portugueses liderados pelo filho de Vasco da Gama, e Addis Abeba, a “nova flor”  do emperador Menelik II, hoje a borbulhante metrópole de um pais de mais de 100 milhões de habitantes .

A escolha de Minorca pelos dois júris foi uma surpresa

É talvez por ser muito menos famosa que suas duas irmãs, Maiorca e Ibiza, que Minorca foi selecionada como uma das tendências 2020. Terra de camponeses e de fazendas, a pequena ilha das Baleares tem menos de 100 000 habitantes e mais de 200 praias, abertas ou escondidas. Passeando a cavalo pelo caminho costeiro  « Cami de Cavalls », o visitante descobre a areia vermelha da praia de Cavalleria, as aguas turquesa da Cala Mitjana, ou as dunas selvagens da Cala de Algarien. Com a capital Port Mahon, sua igreja, sua prefeitura e sua fortaleza, e com a força do seu agroturismo de luxo desenvolvido em estabelecimentos muito badalados como  a finca Torre Vella ou a antiga fazenda Menorca Experimental, Minorca seduz por ter escapada do overturismo que tanto preocupa as outras ilhas da região. Um sucesso que os jurados tanto do New York Times que do Le Monde querem talvez ver se espalhar para outros destinos em 2021.

Jean-Philippe Pérol

Os jornalistas do NYT acreditam na trilha da mata atlântica

 

 

 

A Wine Paths destacando o Top Five das tendências do enoturismo para 2020

A Puglia, nova tendencia do enoturismo italiano

Começando uma nova década, o enoturismo se consolida como uma das grandes temáticas de viagem dos próximos anos, e alguns destinos já estão sendo destacados pelos especialistas. A Wine Paths, o site de referencia das viagens com temática de vinhos ou de bebidas espirituosas, que promove 52 regiões produtoras, famosas ou escondidas, anticipa que cinco delas deveriam surpreender em 2020. A liderança, ficou sem surpresa na Itália, ainda muito focada nos conceituados vinhos da Toscana , mas que deve agora atrair com outras regiões produtoras ainda esquecidas dos enoturistas. Valorizando as paisagens tranquilas e as maravilhas de vinicolas até então discretas do extremo sul da Itália, a Puglia, com vinhos fortes, elaborados a partir de uvas Sangiovese e Montepulciano, e harmonizados com um surpreendente culinário local, deve assim encabeçar o Top Five.

Piquenique harmonizado na beira do Rio Uruguai

O Uruguai se consolidou nos últimos anos como um grande destino do enoturismo internacional, tanto pelos seus vinhos encorpados que aproveitam a uva “Tannat”, que pela beleza dos seus imponentes  rios  ou a riqueza das suas numerosas especies de pássaros coloridos que derem o nome a este pequeno pais. Sobrevoado de balão ou de avião, percorrido nas suas rotas dos vinhos, o Uruguai é conhecido pelas belezas naturais, a  arquitetura colonial, as praias, a vida urbana, a simpatia dos moradores e seu ambiente agradavelmente antiquado. Com uma estabilidade social e uma democracia consensual, o pais oferece a seus visitantes uma invejável segurança. Um quadro ideal para visitar, em Carmelo ou Maldonado, algumas das mais premiadas e das mais criativas vinícolas do novo mapa mundial do enoturismo.

O oeste irlandês é a terra das tradições célticas e do “whiskey”

Considerada a mais selvagem e paradoxalmente a mais hospitaleira das regiões irlandesa, o Oeste irlandês é também conhecido pelo seu whiskey doce e frutado. A sua fama vem talvez dos seus numerosos pequenos vilarejos interligados por estradas espetaculares  que atravessam vales isolados, morros escuros, campos de flores amarelas e correntezas de aguas claras. A cidade principal, Galway, foi escolhida como capital europea da cultura em 2020 e vai ter uma programação intensa focada nos jovens, com destaque para espetáculos de teatro, música, dança e exposições, para seus famosaos pubs e sua gastronomia tradicional. O ponto alto da viagem é sempre a visita das destilarias de uísque irlandês, sendo a ajuda de um especialista local  sempre recomendada.

As adegas de Jerez na Andaluzia

A região de Cadiz, na Andaluzia, merece mesmo ser um dos destinos mais procurado pelos enoturistas em 2020. A fama do “triângulo Sherry” – e dos seus múltiplos vinhos fortificados Jerez, Xeres ou Sherry – se espalhou no mundo inteiro há séculos. Essa tradição se viva durantes as visitas das vinícolas, muitas delas com espetaculares adegas centenárias lembrando que Jerez de la Frontera tem uma longa história para contar desde a epopéia da Reconquista. Cadiz é não somente um outro ponto perfeito para excursões exclusivas, mas também uma cidade histórica com um grande acervo arquitetura, ruas estreitas que acabam na muralhas medievais, bares e restaurantes animados, feiras livres de peixes e praias encantadoras  banhadas pelo Oceano Atlântico.

Mendoza lidera o enoturismo argentino, mas a hora é também  de Salta

Hoje grande pais de enoturismo pela justa fama dos vinhos da região de Mendoza – que combinam um excepcional “terroir” argentino, o tanino e as cores do Malbec, e o “savoir faire” de investidores internacionais-,  a Argentina está agora mostrando a sua diversidade com novos destinos na Patagónia e nas províncias do Norte. Em 2020, a Wines Adventure, maior receptivo de enoturismo argentino, aponta o sucesso de  Salta onde encontram se alguns dos mais altos vinhedos do mundo ,produzido vinho branco Torrontes bem como tintos encorpados com uvas Cabernet, Malbec e Tannat. Itinerários nas vinícolas do Norte argentino podem também incluir as cataratas de Iguaçu, do lado argentino e do lado brasileiro.
E pensando no Brasil, será que a lista do Top Five 2021 da Wine Paths poderá incluir seu primeiro brasileiro?
Esse artigo foi traduzido da enews da Wine Paths editada no dia 10 de janeiro

Mama shelter, mais um success story dos Trigano!

As barracas foram o primeiro sucesso da família Trigano

A historia da família Trigano é sempre associado ao génio criativo do Gilbert, o homem que projetou o Club Med e o transformou na “mais bela ideia desde a invenção da felicidade”, tentou empurrar a paz no Oriente Medio com sua Universidade franco-israelo-palestina, e se destacou como o maior empresario do turismo francês – chegando a presidir a Maison de la France. Mas não se deve esquecer que o sobrenome Trigano deve ser associado a outros sucessos. Foi assim em 1935, quando Raymond Trigano com seus dois filhos lançaram as barracas populares que viraram durante três décadas sinônimas de turismo popular na França e na Europa, barracas que eram então vendidas para primeiro dono do Club Med, o suíço Gerard Blitz. E hoje, com essa imponente herança de criatividade, a nova geração de Trigano esta associada a um novo conceito hoteleiro que esta seduzindo tanto os viajantes quanto os investidores.

O design “millennial” dos Mama Shelter

Lançado em 2008 num bairro do Leste parisiense, Mama Shelter é uma das mais atraentes pequenas bandeiras da hotelaria do século XXI. Com a abertura em dezembro passado do segundo hotel em Paris, o grupo conta hoje com 12 estabelecimentos. Escolhendo endereços populares e “trendy”, apostando nos talentos do famoso designer Philippe Stark,  com restaurantes animados e comida “festiva”, os “Mama” estão agora espalhados na França (Marselha, Lyon, Bordeaux, Lille e Toulouse) e também nos Estados Unidos (Los Angeles), na Sérvia (Belgrado),na Inglaterra (Londres), na República Tcheca (Praga) e no Brasil (Rio de Janeiro).  Reencontrando o espirito dos primeiros Club Med, apertando os preços, Serge Trigano se orgulha de juntar millenials, turistas de lazer ou jovens executivos que gostam desse novo “lifestyle” à francesa.

O primeiro Mama do Brasil fica em Santa Teresa, no Rio de Janeiro

Enquanto foi as vezes acusado de ser um péssimo administrador, Trigano mostrou logo no primeiro ano que o novo conceito podia ser rentável. Em 2014, conseguiu atrair no capital da empresa o grupo Accor Hotels que viabilizou combinar criatividade, ousadia e crescimento rápido: 35% realizados em 2019, 50% estimados para 2020 e uma previsão de 100% cada três anos no plano estratégico. O número de hotéis deve chegar a 21 em 2022 e 45 em 2025, com aberturas em novos países como Luxemburgo, Bahrein, Romênia, Itália, Líbano, Senegal, Chili ou Colômbia. Alem da França, os Estados Unidos e o Brasil são dois mercados chaves para o grupo se consolidar antes de atacar os países da Ásia. Esta estratégia de crescimento combina com as ambições da Accor que subiu em 2018 a participação de 35% para 49% e firmou com Trigano um acordo que lhe dará em 2020 o controle de 70% da Mama Shelter.

Serge, Jeremie e Benjamin , a terceira e a quarta geração dos Trigano

Mesmo se a Accor deixar aos Trigano – Serge como Presidente, Jérémie como Diretor Geral e Benjamin como Diretor artístico – toda liberdade para administrar o grupo, o novo controle acionista vai levar a mudanças na liderança. Com 73 anos, Trigano é convencido que o sucesso da Mama Shelter está garantindo – inclusive nos Estados Unidos, um sonho que ele carregou desde os tempos do Club Med- , e já pensa em outros investimentos. Com a venda das suas ações, ele deve continuar a tradição familiar e levar adiante outros projetos nas áreas da hotelaria e do turismo. Sem a mínima vontade de se aposentar, depois do lifestyle econômico a francesa para os “millenials”, estaria trabalhando num novo conceito de resorts de luxo, sendo o primeiro projeto em Portugal.

Jean-Philippe Pérol

Na Holanda, o melhor turismo passa pelos Países Baixos

Os canais de Utrecht, uma alternativa ganhadora

Se a Holanda é chamada desta forma nas mídias internacionais, e as vezes na própria comunicação, o seu nome oficial sempre foi Países Baixos. Desde 1579 – quando se revoltaram contra o então domínio espanhol-, as Províncias Unidas eram sete. Passaram hoje a ser doze, mas a Holanda continua sendo somente uma delas, mesmo se a mais importante pela potência da sua economia e a predominância das suas três cidades, Amsterdã, Roterdã e Haia. Até agora tolerante com essa dualidade de nomes, o governo decidiu que a partir do primeiro de janeiro de 2020, os documentos oficiais dos ministérios, das universidades, das embaixadas e das empresas públicas  terão obrigação de utilizar exclusivamente o nome Países Baixos. Um novo logotipo, combinando as iniciais NL com a tulipa cor de laranja  já simboliza a mudança.

O antigo e o novo logotípo do turismo dos Paises Baixos

A medida vai ter muitas consequências, algumas das quais ainda não resolvidas, especialmente na área esportiva que vai ter como prioridade definir o nome da equipe nacional de futebol que vai estrear na Copa Euro 2020 no próximo mês de junho. Mas a clara intenção do governo com essa mudança de nome é de valorizar o interior, especialmente quando se trata de turismo. No setor, a primeira mudança será de mudar (ou não?) o nome do site oficial do turismo “holland.com”. Preocupado com  o overturismo em Amsterdã – a cidade de um milhão de habitantes recebe hoje 17 milhões de turistas- e com as projeções de crescimento do turismo internacional no país que passaria de 19 a 29 milhões nos próximos dez anos, os Países Baixos, que já pararam de promover seu turismo no Exterior, querem mudar completamente a sua estratégia no setor.

Amsterdão não aceita mais o overturismo

A cidade de Amsterdã já tinha tomado varias medidas contra o overturismo, começando com uma regulamentação drástica (mas pouco eficiente) das atividades de AirBnb, reforçou as restrições. Foi assim decidida a redução dos transportes coletivos para os turistas como os barcos táxis, os segways ou as carruagens. As excursões de barco – os “bateaux-mouches”- não poderão mais parar no centro da cidade, os barcos hotéis não serão mais autorizados, e os navios de cruzeiro já foram avisados que não serão mais bem vindos. Ao mesmo tempo, antecipando a notoriedade crescente do destino, o Netherlands Board for Tourism & Conventions (NBTC) anunciou uma nova politica de segmentação dos mercados para espalhar os fluxos turísticos e ainda melhorar os impactos sobre a economia nacional.

Maastricht seduziu os exigentes redatores da Lonely P;anet

O NBTC deveria assim fechar seus escritórios da Itália, da Espanha e do Japão, ampliar suas ações na China e reforçar suas campanhas na Alemanha, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Bélgica e na França. A prioridade será de atrair viajantes experientes,  já conhecendo a Holanda, querendo descobrir os Países Baixos além de Amsterdão, em cidades históricas como Maastricht, Groningen ou Arnhem, e valorizando os produtos artesanais de todas as regiões do pais, sejam tulipas, queijos, tamancos, porcelanas ou obras artísticas contemporâneas. Com US$ 10 milhões de verbas do governo, essa nova e corajosa política de “melhor turismo”, combinando apoio à economia local, luta contra o overturismo e “upgrade” do destino, deve ajudar os Países Baixos a melhorar ainda mais seu ranking dentro do turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

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