Sem seu fundador, um novo futuro para a magia do Cirque du Soleil?

Zumanity foi visto por 7 milhões de espectadores em Nova Iorque e Las Vegas

 Mesmo com um apoio emergencial do governo do Quebec de USD 200 milhões, e um acordo dos principais acionistas americanos, chineses e quebequenses, o Cirque du Soleil beirou esse mês sua falência ou sua ida para leilão. Sem receitas desde o início da crise do Covid que levou a cancelar todos os seus espetáculos no mundo inteiro, a empresa fundada pelo emblemático Guy Laliberté, que revolucionou e até recriou o circo contemporâneo, já acumulou esse ano quase um bilhão de USD de dívidas, e despediu 3500 colaboradores. Sem nenhuma previsão de reinício das suas atividades, até o famosíssimo Zumanity de Las Vegas, já aplaudido há 17 anos por mais de 7 milhões de espectadores, foi definitivamente encerrado.

O famoso sapato de palhaço frente a sede

Desde o início da crise, vários cenários de recuperação do Cirque du Soleil já foram ensaiados, um deles liderado pelo proprio Laliberté que se mostrava disposto a voltar na empresa que ele fundou há mais de 36 anos mas que tinha deixado definitivamente em janeiro desse ano quando tinha vendido as suas últimas ações. Apoiado pelo governo do Quebec, esse acordo ia ser um garantia da permanência da sede do Cirque du Soleil em Montreal bem como da recontratação dos milhares de funcionários demitidos, manteria os quebequenses no comando e permitiria que o Guy Laliberté ajudasse a encontrar novidades criativas para os espetáculos do mundo pós-crise. Com a chegada no capital de um novo ator, o fundo Catalyst de Toronto, foi escolhido um novo caminho.

O Quebec apoio a tentativa de Guy Laliberté de recompra do Cirque

Anunciando a saída da recuperação judicial, os novos donos anunciaram o início de uma nova história . Quatro fundos de investimentos – Catalyst Capital de Toronto junto com os americanos  Sound Point Capital, CBAM Partners e Benefit Street Partners – estão agora controlando o conselho de administração onde somente dois quebequenses vão lembrar o passado do Cirque du Soleil. Os novos acionistas falaram que sua presença no Quebec está garantida pelo menos por cinco anos, mas  recusaram qualquer ajuda financeira do governo e o CEO  Daniel Lamarre, quis também deixar claro que Guy Laliberté, mesmo sendo um amigo pessoal, não teria mais nenhum papel na estratégia ou nas operações da empresa.

Com um dos co-presidentes do conselho e um conselheiro, a MGM deve ter um papel importante no futuro do Cirque du Soleil. Parceiro de longa data nos seus hotéis de Las Vegas, onde espetáculos como O ou Ka  geravam a metade dos lucros da empresa de Montreal, o peso pesado americano do divertimento mundial deve assim ser um dos primeiros beneficiados tanto pela prioridade na reabertura das atividades, que pelo  acesso a novos espetáculos – um ou dois segundo Daniel Lamarre- que foram anunciados para 2021. Enquanto a inauguração do já programado Sous un même ciel, que era previsto em abril em Montreal, deve ser em breve confirmado para julho.

Nos projetos do Guy Laliberté -aqui Nukutepipi-, turismo, culture e exclusividade

Se o Cirque du Soleil parece ter garantido seu futuro próximo, várias perguntas ainda deve ser respondidas. O público espera saber se os novos espetáculos vão conseguir responder com criatividade ao desgate do tempo e as profundas mudanças aparecidas durante a crise. Os quebequenses querem ter a certeza que a sede de Montreal será mantida e que  os artistas continuarão a contribuir ao excepcional ambiente de criação cultural que a cidade oferece. Os fãs da epopéia mágica escrita pelo Guy Laliberté vão torcer pelo sucesso mas também seguir os novos lances da sua empresa Lune rouge na cultura, no “entertainment” ou no turismo, as três paixões que convergiram há 36 anos para inventar o Cirque du Soleil. E esse terá que enfrentar a difícil tarefa de superar a saída do seu fundador.

Jean-Philippe Pérol

AmaLuna foi um dos sucessos do Cirque du Soleil no Brasil

 

Nas praias da Normandia, uma nova batalha do Dia D

O filme “O dia mais longo” foi decisivo para popularizar o Dia D

Os ecologistas e o turismo: na França, um difícil encontro

Se a ecologia está trazendo uma nova dimensão ambiental e humana a todos as viagens, e se o ecoturismo é citado por 13% dos agentes brasileiros como uma das grandes tendencias pós Covid19, os ecologistas dão as vezes a impressão de ter dificuldades a entender a importância social e econômica do turismo. A ministra da transição ecológica da França, que já proibiu a calefação nos terraços dos bistrôs parisienses, está agora preocupando os profissionais com vários projetos que podem prejudicar o setor. O primeiro seria a proibição dos voos domésticos de curto alcance entre cidades interligadas por trens em menos de duas horas e trinta minutos.

Pompili quer acabar com as publicidades julgadas por ela ofensivas ao meio ambiente

Esse projeto dos ecologistas acabaria com os voos de Paris para Nantes, Lyon ou Bordeaux. Para apaziguar as companhias aéreas, que mostrar os perigos dessa medida sobre o feed dos seus voos internacionais, seriam poupados alguns voos domésticos de conexão bem como os voos inter-regionais exigindo conexões . Mas vem agora um segundo projeto,  a proibição da publicidade de produtos ou serviços com impactos julgados negativos sobre o meio ambiente. Na black-list da ministra Barbara Pompili  constariam assim produtos alimentares considerados pouco saudáveis, ou “cúmplices” do desmatamento em Borneo ou na Amazônia, bem como viagens de avião ou pacotes turísticos responsáveis de emissão de CO2.

Carros, fast foods, roupas, e pasta de avelã seriam incluídos na black list da publicidade

Juntando os protestos das agencias de publicidade, das companhias aéreas e das operadoras, a proibição de cartazes ou de anúncios para  viagens de longa alcance chocou mais ainda os profissionais e os políticos das regiões francesas de ultramar. Com mais de 70% dos seus visitantes vindo da França continental, a Martinica, a Guadalupe, Saint Martin, a Reunião ou as Ilhas de Tahiti teriam que enfrentar mais uma insuportável ameaça para suas economias turísticas já fragilizadas pela crise do Covid19.  Sem se preocupar com o impacto econômica dessas medidas, o Ministério, que validou a lista com um “Comitê Cidadão” nomeado por ele, responde que a redução do consumo de energias fósseis é acima de considerações econômicas locais. 

O turismo autêntico e sustentável nas Ilhas de Tahiti

O tamanho do prejuízo potencial pode porém freiar o projeto do governo. As agências de publicidade estão avaliado as perdas em mais de um bilhão de euros somente para os canais de televisão. As empresas estigmatizadas, Nutella, McDonald, Renault, Peugeot, Air France, e todo o setor da moda, representam dezenas de milhares de empregos que serão ameaçados se as medidas anunciadas foram confirmadas. A luta dos profissionais do turismo das regiões do ultramar francês deve assim contar com apoios valiosos para acabar com os preconceitos dos radicais contre o seu setor, bem como continuar a construir um turismo sustentável e assumindo seu papel de motor do desenvolvimento econômico e humano.

Vamos pegar um voo para lugar nenhum?

A baia de Sidnei, um dos pontos sobrevoada na viagem da Qantas

Com a maioria das fronteiras ainda fechadas, e muitos turistas sem nenhumas opções de  viagens internacionais, alguns profissionais estão mostrando muita criatividade para oferecer alternativas aos viajantes desesperados. A companhia aérea australiana Qantas oferece assim no próximo dia 10 de Outubro uma viagem panoramica de Sidnei para …  Sidnei.  O Dreamliner 787 sobrevoará durante um voo de 7 horas os lugares emblemáticos da Austrália como o Monte Uluru, as pedras de Kata Tiuta, a Gold Coast, a Grande barreira de coral, Byron Bay ou a baia de Sidnei. Com preços variáveis de USD500 a USD 2500, as passagens já estariam esgotadas – um recorde na história da empresa.

 Entre le 2 et le 7 juillet, l’aéroport de Taïpei, sur l’île de Taïwan, a organisé des voyages pour « faire comme si on allait à l’étranger » (illustration).

Em Taiwan, o pioneirismo nos voos para lugar nenhum

A primeira experiência de voo para lugar nenhuma tinha sido inaugurada em julho de forma ainda mais radical. O aeroporto de Taipé, em colaboração com as companhias aéreas China Air e a Eva Air, tinha organizado uma viagem “faz de conta”. 7000 taiwaneses participaram de uma loteria para escolher 180 vencedores que tiveram direito a essa experiência. Atendimento na chegada no aeroporto, check-in, subida a bordo do avião, serviço de bordo e chegada foram efetuadas mas os aviões ficavam no chão. O  sucesso da promoção levou a Eva Air a iniciar sobrevoos  de duas horas da ilha, vendidos USD150 e incluindo um almoço gastronômico. A All Nippon Airways e a Royal Brunei Airlines ofereceram experiências similares.

A pressão dos ecologistas leva Singapore a renunciar a seu projeto

A Singapore Airlines, que atravessa uma grave crise financeira e prevê de cancelar 4300 empregos, ia também propor voos para lugar nenhum a partir desse mês. Com uma duração de três horas, organizados em cooperação com as autoridades do turismo local, iam custar USD300 e dar direito a descontos em hotéis, restaurantes e lojas da cidade. O anuncio provocou porém uma forte reação das associações locais de defesa do meio ambiente. Mesmo oferecendo de compensar as duas toneladas de CO2 soltas em cada voo, a Singapore Airlines não teve como enfrentar as criticas e está considerando agora de organizar visitas dos seus Airbus 380, incluindo animações para as crianças e jantares a bordo.

Oferta de 2001 para voos especiais do Concorde

A Air France comunicou que nenhuma operação deste tipo era programada, mas seus funcionários mais antigos se lembrarão que os voos sem destinos já foram numerosos na companhia, sendo para muitos curiosos um meio de voar pela primeira vez ou de experimentar aviões míticos como o B747 ou mais recentemente o A380. Nos gloriosos anos do Concorde, a empresa Air Loisirs Services se especializou em vender batizados supersônicos saindo e voltou do mesmo aeroporto. Foi ela que realizou, dia 31 de Maio de 2003, o ultimo voo comercial do supersônico franco-britânico com passageiros de ambos países. Um voo que saiu de Paris, sobrevoou o Atlantico a Mach 2,06 e voltou para Paris. Um voo para lugar nenhum mas que entrou na historia da aviação.

ANA oferece voos para lugar nenhum no A380

Moradores e compatriotas, a revolução-mor do turismo pos Covid?

A Occitânia aposta no turismo de proximidade Foto Patrice Thibault)

Mudando o nome de Comité regional de turismo da Occitânia para Comité regional de turismo e lazeres da Occitânia, os responsáveis dessa grande região turística francesa – sede de destinos famosos como Lourdes, Carcassonne ou Toulouse- aproveitaram uma das maiores revoluções que está sendo trazida pela crise do Covid 19: a nova força do turismo local e doméstico, dos moradores e dos compatriotas. Necessidade durante os meses de fechamento das fronteiras internacionais, essa procura de novas clientelas para compensar o sumiço das clientelas estrangeiras virou o novo eixo estratégico da politica turística occitana, com um orçamento de 3 milhões de Euros logo no primeiro ano.

No Brasil, a Occitânia é a terra de Lourdes e dos caminhos da fé

Longe de ser um detalhe, a mudança de nome mostra a vontade de revalorizar o consumo de lazeres dos moradores, uma virada estratégica para um segmento de clientela que já era cortejado como ator chave do turismo mas nem sempre percebido como consumidor. Mesmo se a ideia não é de desprezar as clientelas internacionais, essa nova orientação deve reequilibrar tanto a oferta de produtos que a comunicação. Segundo Vincent Garel, presidente do Comité, serão assim valorizados o slow-turismo, o turismo sustentável, o glamping, ou o turismo solidário. Com focos nos jovens e nas famílias, essa atenção para moradores levará a um reposicionamento em volta dos valores proprios da Occitânia.

O Pont du Gard atrai tanto turistas como moradores

Sucesso durante a crise, o turismo doméstico não representa somente um segmento de substituição, mas é parte de uma estratégia de longo prazo, não somente pela sua realidade atual mas pelo potencial de crescimento que ele representa. Jean Pinard, Directeur do Comité, gosta de lembrar que 40% dos franceses nunca saiam de férias, um número impressionante que mostra as oportunidades que todos os atores podem encontrar nesse público, tanto para estadias de curtas durações que para ferias principais. Com uma dimensão social que vem reforçar seu impacto econômico, essa nova prioridade deve atrair mais atenção e mais apoios dos responsáveis políticos.

 

Além da Occitânia, a OMT publicou recentemente um relatório sobre interessantes iniciativas junta a clientelas locais. Foi destacada a Slovenia, que  começou a campanha com uma sensibilização para as medidas sanitárias, dando a possibilidade de ganhar uma qualificação Green & Safe. Todas as regiões turísticas do pais foram convidadas a desenhar três itinerários especiais para os turistas domésticos. Eles são apresentados no site do Slovenian Tourism Board  e nas mídias sociais. A campanha mundial e o aplicativo The Time is Now. My Slovenia. têm agora versões em esloveno, e um vídeo promocional  foi divulgado com o apoio de influenciadores locais..

The creative Finnish Booard now targeting local market

O mesmo relatório da OMT mencionou também a campanha da Finlândia.  Com uma verba de 500.000 euros, apoiada na promoção internacional  “100 Reasons to Travel in Finland” da  Finnish Association of Tourism Organisations, a campanha destaca as ofertas dos pequenos profissionais que podem assim promover produtos mais específicos para turistas finlandeses. Centenas de ofertas são apresentadas no site Web, com sugestões de itinerários ou de circuitos. Esses exemplos, e outros da Noruega, da Austrália ou do Canadá, deixam os especialistas da Organização Mundial do Turismo prever que moradores e compatriotas abrem grandes oportunidades para o turismo pos Covid19.  .

Jean=Philippe Pérol

Turismo num raio de 100 km, um conceito que vai longe

Viagens de negócios vão sobreviver a pandemia?

O glamour do Festival de Cannes transferido para 2021

Enquanto no inicio da crise as viagens de negócios pareciam os mais resilientes aos impactos do Covid19, somente 17% doa agentes de viagens brasileiros acham que esse setor está liderando a retomada. Na Europa, uma pesquisa feita pela Global Business Travel Association junto a profissionais do turismo, da hotelaria e do transporte aéreo revelou que 85% deles tiveram que enfrentar o cancelamento de todas ou da grande maioria das viagens corporativos, sendo que somente 12%  acreditava numa retomada das viagens internacionais em 2020, e 59% em 2021. No total, menos da metade dos entrevistados estavam esperando uma volta aos níveis pre-pandemia nos próximos 3 anos!

As reuniões virtuais agora incontornáveis mas nem sempre produtivas

Mesmo se muitas empresas ficaram interessadas pela queda espetacular dessas despesas provocada pela crise, elas acham que podem diminuir as viagens – sejam transportes, hospedagens e restaurantes- mas não podem cancelá-las. Encontros virtuais não sempre suficiente para medir riscos e oportunidades bem como para criar ou consolidar relações de confiança. Olhando o que aconteceu depois da crise financeira mundial de 2008, os consultores da McKinsey pensam assim que a retomada é certa, mas que será muito mais rápida para as viagens de lazer que para o setor corporativo onde poderia levar até cinco anos para ser completa.

As viagens  vão voltar, mas com normas diferentes

Mas se a retomada está chegando, e se os contatos reatados nas primeiras viagens de negócios serão com certeza produtivos, os especialistas são convencidos que ela será lenta e muito diversificada.  Em termos setoriais, as atividades mais atingidas pela crise não terão sempre os recursos necessários. Em termos geográficos, a China e os países do Sudeste da Ásia deveriam ser os primeiros a se abrir pelo seu controle da situação sanitária  e suas oportunidades de negócios. Ao contrário, e sempre segundo a McKinsey, os Estados Unídos e a América do Sul são áreas onde a volta a normalidade deveria demorar mais em função da evolução da luta contre o coronavirus.

O WTM LATAM, adiado para 2021 mas ganhando novas dimensões

Pesquisas e especialistas concordam porém para prever que quando a retomada chegar, as viagens corporativas não vão ser idênticas a aquelas que existiam ante da crise. Muitos encontros físicos serão mesmo transferidos em Skype, Zoom ou MS Team. Quando não for, essas viagens devem ser mais curtas, mais focadas nos centros industriais que nos centros urbanos, com reuniões em grupos menores, muitos cuidados com as normas sanitárias, e encontros sociais reduzidas ao necessário. Os congressos, as feiras e os salões serão os mais lentos a se reerguer, devendo se redimensionar em função dos novos protocolos, e ganhar dimensões virtuais ou multi-localizações. Para todos a sobrevivência necessitará muita criatividade.

Esse artigo foi inspirado de um artigo da revista francesa Courrier Internationsl

França: na retomada do turismo, o sucesso de destinos inesperados

Com 132 metros de altura, o Viaduto das Fadas, ponte mais alta da U.E.

Lá vem o Click and Boat, o AirBnb dos barcos de lazer?

A barcaça no Rio Sena, primeira sede da Click and Boat

A procura de aluguéis de barcos levou a importantes mudanças no setor, sendo a principal o surgimento da empresa francesa Click and Boat como líder mundial. Fundada  em 2013 pelos empresários Jeremy Bismuth e Edouard Gorioux, a então startup parisiense dispõe hoje de uma frota de 45.000 unidades – barcos, veleiros ou iates-, tem ofertas em 550 portos de 26 países, inclusive no Brasil, e atende agora um milhão de clientes por ano. Se as reservas pararam durante o confinamento, elas estão agora com um crescimento de 60% em relação ao ano passado, e o faturamento deve passar de 50 milhões de Euros em 2019 a 80 milhões este ano.

As compras de concorrentes diversificou a oferta de barcos

No início era uma simples plataforma colaborativa francesa onde os donos podiam oferecer os seus barcos (em geral muito pouco utilizados, na França em torno de 10 dias por ano),e a Click and Boat oferecia a seus parceiros rentabilidade, confiança e segurança.  O sucesso se espalhou pela Europa com a compra de vários concorrentes: Sailsharing em 2016,  Captain’Flit em 2018 , Océans Evasion em 2019 e a alemã Scansail em janeiro desse ano. Foi porém durante a pandemia que foi realizada a maior aquisição, a compra da espanhola Nautal, sediada em Barcelona, com 40 colaboradores, um faturamento de 13 milhões de Euros e uma rede de parceiros internacionais.
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45.000 proprietários já assinaram com a Click and Play

Oferecendo uma experiencia turística misturando privacidade, praias, natureza, ecologia, bem estar, família ou amigos, a Click and Boat antecipa um forte crescimento em 2021, 150 colaboradores, uma oferta chegando a 50.000 barcos e um faturamento passando dos 100 milhões de Euros. A chegada de um novo sócio, o navegador francês François Gabart, a diversificação das bases na Espanha, na Italia, na Grécia, na Croácia ou no Brasil, e o sucesso dos barcos ou iates com tripulação, deixam pensar que as ambições de virar uma verdadeira AirBnb dos barcos de lazer estão ao alcance da outrora pequena startup!
Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo da redação da revista profissional on-line Mister Travel

A crise, uma oportunidade para os destinos turísticos investir na sustentabilidade?

A sustentabilidade, futuro do turismo pos coronavirus?

Nas novas tendências esperadas para a retomada do turismo, a sustentabilidade e a procura de produtos éticos são destaques tanto no Brasil como no mundo inteiro. Segundo muitas grandes mídias internacionais, a pandemia e o confinamento podem ser oportunidades para os destinos turísticos que entenderam a necessidades de mudanças profundas no setor, beneficiando o meio ambiente, os moradores e os turistas. Assim, aproveitar esses tempos de underturismo para investir em desenvolvimento sustentável pode levar, para o World Economic Forum (WEF), a uma vantagem competitiva decisiva em relação a concorrência para convencer tanto os viajantes que os investidores. 

Petra Stušek da Slovénia recebendo o prêmio ITB do turismo sustentável

Para definir e colocar em prática uma nova estratégia de turismo sustentável, os destinos podem usar exclusivamente seus próprios recursos humanos, oucontratar uma certificadora – uma solução mais cara porém mais fácil e com mais credibilidade, especialmente se escolher uma empresa referenciada pelo Global Sustainable Tourism Council , respondendo assim a critérios internacionais. Em ambos os casos, o destino deverá dispor de uma equipe qualificada cujo primeiro objetivo será de fazer um benchmark das melhores práticas dos seus concorrentes, bem como uma avaliação completa das experiências já realizadas pelos profissionais da sua região mobilizados no projeto.

Ilhas Maurício se posiciona agora como destino sustentável

A chave do sucesso de uma política de turismo sustentável fica no equilíbrio entre a vida das comunidades, o desenvolvimento econômico, o respeito dos acervos culturais e a preservação do meio ambiente. Todos os atores devem ser solicitados e apoiados durante todo o processo, e as suas iniciativas devem ser integradas, seguidas e valorizadas no plano global. A conscientização da importância de cada um ajuda também a solidariedade entre os profissionais do setor. No Oceano Índico, nas Ilhas Maurício, uma politica de capacitação especifica para hotéis, restaurantes, agências, e táxis levou ao sucesso da estratégia de todo o destino.

Source : Azores DMO

Com total transparência, um destino sustentável deve também escolher indicadores para medir os impactos sociais, econômicos, culturais ou ambientais das ações. Esses indicadores são geralmente propostas pelas certificadoras, mas exemplos de sucessos merecem ser seguidos. Assim nos Açores, que ganharam a certificação Earthcheck em 2019, foram escolhidos o progresso dos empregos nos hotéis e restaurantes, o número de famílias beneficiadas com o crescimento econômico, a redução dos empregos precários, as economias de água, a redução das emissões de CO2 e a ampliação da coleta seletiva do lixo.

Source : Thompson Okanagan Tourism Association

A sustentabilidade vira um argumento chave da promoção de um destino, a condição de focar todos os públicos em função da especificidade de cada um. Os moradores devem ser os primeiros a ser convencidos virando assim não somente consumidores mas também embaixadores do local. Os profissionais podem ser integrados nas campanhas, um processo muito mobilizador que foi muito bem aproveitado pelo Açores. Para os viajantes potenciais, o plano de comunicação deve promover as boas práticas e o respeito do meio ambiente. Foi a estratégia da Islândia com a Iceland Academy, incluindo um juramento que outros destinos como a Nova Zelândia, Palau ou a região canadense de Thompson Okanagan, na Colúmbia Britânica, já estão propondo a seus visitantes.

Este artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat  

Nas águas do Tapajós, ecoturismo e comunidades

La Badira, a Tunisia com luxo e bem estar

O outrora Palacio do deserto, o Sahara Palace de Tozeur

Não precisa ter nascido na Tunísia para amá-la, seu povo tolerante e acolhedor, e suas riquezas turísticas ainda pouco ou mal exploradas. Mas precisa ter viajado pra là há muitos anos para lembrar dos estabelecimentos de luxo que fizeram o sucesso de alguns dos seus cantos mais bonitos. Foi o caso por exemplo da oásis de Tozeur, frente ao deserto e a imensidão salgada do Chott el Jerid, quando o mítico Sahara Palace recebia jet setters vindo do mundo inteiro. O “Palácio do deserto” decaiu nos anos noventa e fechou de vez em 2008, mas a Tunísia parece hoje decidida a relançar a sua oferta de luxo e de bem estar, dessa vez na beira do mar Mediterrâneo.

A kasbah de Hammamet na hora do por do sol

Foi frente a praia de Hammamet, a dez minutos da famosa kasbah, a meia hora de Nabeul, capital tunisiana da cerâmica, e a uma hora de Tunis, que surgiu há dois anos o La Badira hotel e Spa. Localizado no norte da cidade, longe dos bairros turísticos superlotados, La Badira , cujo nome significa em árabe “tão luminosa que a lua cheia”, é um prédio branco com todos suas 130 suites e seus dois terraços com vista  para o mar e as duas praias privativas. Exclusivo para maiores de 16 anos, esbanjando serenidade até nos jogos de luzes e de sombras, o La Badira é não somente o primeiro 5 estrelas da região mas também o único hotel da Tunisia pertencendo ao prestigioso grupo internacional The Leading Hotels of the World.

Nessa volta da Tunísia para o luxo e o bem estar, o La Badina quer aproveitar o rico passado da cidade que foi um balneário glamoroso no início do século XX, nos tempos do protetorado francês, quando importantes comunidades francesas e européias influenciavam a arquitetura, a decoração, o artesanato e a vida social de Hammamet. Alternando com um estilo tunisiano moderno e sofisticado, a decoração do hotel lembra o universo das viagens da época quando a beleza e a luz do local atraiu pintores, escritores e artistas. As 6 suites master homenageiam personalidades que foram então  emblemáticas, assim como o poeta francês Jean Cocteau, a princesa inglesa Wallis Simpson ou a atriz italiana natural da Túnísia Claudia Cardinale.

No SPA, ambiente oriental e produtos Clarins

O SPA junta o “savoir-faire” de Clarins e alguns produtos tradicionais como o rhassoul , uma argila naturalmente rica em ferro e em magnésio que as mulheres da África do Norte sempre utilizaram para tratar o corpo e os cabelos. Em volta de uma piscina aberta para o mar, as paredes de mármore cor de rosa, os grandes sofas e o sensual hamam criam um ambiente das Mil e uma noites. E como outro piscar de olhos ao Oriente, esse SPA oferece um equipamento único na África, um “flottarium”, piscina de água com uma salinidade extremamente forte, e onde podem ser aproveitados os mesmos tratamentos e vividas as mesmas experiências que no Mar Morte.

Hammamet é também um ponto de gastronomia, incluindo o imperdível restaurante Barberousse, localizado na Medina e que carrega o nome do famoso almirante tunisiano. Aberto em 1960, ele é famoso pelos seu pescado do dia em crosta de sal, seu tempurá de camarões ou seu carpaccio de robalo. No hotel, nada de all-inclusive, mas três restaurantes, Adra,  Kamilah, e o Beach Grill. O chef Slim Bettaieb, apaixonado pelas especiarias e os sabores locales, oferece uma cozinha tunisiana, revisitando todos os grandes clássicos tradicionais, da “Brik” até a Mloukhia, e do Carneiro assado durante sete horas até o Cuscus de peixe. Mas para muitos hóspedes, a melhor experiência será talvez o luxo e o bem estar de um café da manha servido na luminosa areia da praia…

Luxo e bem estar mesmo é o café da manhã servido na praia

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo da redação da revista profissional on-line Mister Travel

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