Em Hong Kong, alem da Liberdade, o turismo ameaçado?

Os protestos para liberdade de Hong Kong

Com o turismo sendo um dos setores mais impactados, as violências que estão acontecendo em Hong Kong têm raízes profundas nas preocupações dos moradores frente o recuo permanente das liberdades enquanto se aproxima o final programado para 2047 do atual acordo “um pais dois sistemas” firmado em 1997 entre a China e o Reino Unido. Mas a permanência dos protestos depois do recuo do governo se devem sem dúvida, às dificuldades da população com o custo de vida, a alta impressionante dos preços imobiliários que triplicaram em dez anos empurrando os aluguéis, e da evolução extremamente desigual dos salários que leva a um recorde mundial de diferencias sociais.

Hong Kong renovando a sua imagem turística

Enquanto o turismo representa 5% da economia da cidade – com 65 milhões de visitantes em 2018, as reservas começaram a cair em junho em quase todos os mercados. A maior parte dos governos tanto na Ásia quanto na Europa ou na Ámerica do Norte já emitiu aviso de prudência ou até desaconselhando viagens para Hong Kong. A queda já foi de 4,8% em julho, nos países vizinhos (menos 20,1% na Coreia do Sul) e nos países distantes (menos 11,8% na Austrália) mas também junto aos chineses do continente e de Taiwan que representam, respectivamente, 67% e 3% do total dos turistas chegando na cidade. Com as reservas de hotel caindo desde junho de até 30%, é provável  que o impacto vai prejudicar com mais forca ainda a economia da cidade.

O CEO da Cathay Pacific, Rupert Hogg, saindo no meio da crise

O transporte aéreo é também atingido. Em julho foram os protestos no aeroporto que levaram ao bloqueio dos voos durante dois dias, em agosto uma greve geral que provocou o cancelamento de mais de 200 voos. A companhia de bandeira da cidade, Cathay Pacific não divulgou números, mas advertiu que seus resultados serão impactados. As consequências foram mais graves ainda sobre a gestão da empresa. O CEO da Cathay Pacific bem como o seu diretor comercial tiveram que pedir demissão e vários funcionários implicados nos protestos foram demitidos ao pedido do governo chinês que ameaçava suspender os direitos aéreos da empresa, e sob pressão das mídias chinesas que espalharam o hashtag #BoycottCathayPacific nas redes sociais.

Shenzen aproveitando a crise para se posicionar?

Essa agitação na terceira praça financeira mundial -Hong Kong só perde de Nova Iorque e Londres- preocupa o setor. Os bancos HSBC, Standard Chartered e East Asia publicaram anúncios no jornais locais chamando para uma saída pacífica do conflito. Temem que as vantagens fiscais, as leis compreensivas e a discrição dos serviços financeiros não sejam mais suficientes para atrair os investidores tanto internacionais quanto chineses. A 27 quilômetros da fronteira com a China, a cidade de Shenzen já está se posicionando, com seus 12 milhões de habitantes, a sua economia apoiada no terceiro porto mundial (depois de Xangai e Cingapura), a sua zona econômica especial mais dinâmica do continente e o seu crescimento duas vezes maior que Hong Kong em 2018.

Macau, concorrente português da inglesa Hong Kong

Mas discreta e querendo ser uma vitrina bem sucedida do lema “um país dois sistemas”, a antiga colônia portuguesa de Macau quer mostrar a relação com a China não prejudicou as suas liberdades locais. Talvez por ser mais conservadora, ou pela herança lusitana, ela também lembra agora discretamente que é um grande destino turístico, paraíso dos cassinos único no país, recebendo mais de 35 milhões de visitantes por ano. Será que, até no turismo, Pequim ainda precisa de Hong Kong?

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista on-line La Quotidienne

No Les Sources de Caudalie, o luxo agora é emoção

Nascida nos vinhedos de Bordeaux, a visão de um turismo enraizado nos “terroirs” levou Alice e Jérôme Tourbier a desenvolver não somente o primeiro hotel categoria Palace da região, mas um verdadeiro conceito inovador e respeitoso do ecossistema. Também presidente de   Small Luxury Hotels of the World , Jérôme respondeu a uma entrevista sobre os desafios do turismo de luxo e a evolução do seu grupo hoteleiro .

Alice e Jérôme Tourbier, donos do grupo Les Sources de Caudalie

Vendom.jobs – Qual é sua apreciação sobre a situação da hotelaria de luxo na França?

Jérôme Tourbier – Há trê anos, no meu livro Turismo em perigo, eu chamava atenção sobre a necessidade de considerar o turismo como uma indústria estratégica e de apostar na criação de valor. Quis dizer que a França devia virar um destino de alto padrão, com o melhor ratio “custo /emoção”. Sendo um destino caro, devemos ter uma oferta de qualidade que marca emocionalmente o nosso visitante . Toda a oferta não pode ser de luxo, mas a emoção deve sempre estar presente para seduzir o viajante. Há hoje na França muitos empreendimentos de grande qualidade. Olhando agora além do lucro imobiliário, os investidores estão cada vez mais dispostos a apoiar esse tipo de projeto.

A piscina coberta de Les Sources de Caudalie

V. J. – Quais seriam as condições imprescindíveis para um turismo combinando qualidade e rentabilidade?

J. T. – Na França, se confunde as vezes turismo de alto padrão com consumidores ricos. Claro que todos querem receber o máximo de viajantes com muitos recursos, mas queremos priorizar também aqueles que são interessados pelo nosso patrimônio cultural. Esse equilíbrio é fundamental para valorizar nossa oferta e para proteger nosso savoir-faire. Desta forma, é possível sim ter estabelecimentos de alto padrão, podendo ou não ser de luxo. Existem no pais inteiro por exemple restaurantes com chefs implicados na procura de qualidade, a melhor prova sendo as recomendações do Bib Gourmand do Guia Michelin. A importância dessa oferta de qualidade, não somente gastronômica, é única no mundo.

Com Alice Tourbier frente a Ile aux Oiseaux das Sources de Caudalie

V. J. – A alma do Sources de Caudalie é a integração num patrimônio e num terroir, que trazem autenticidade e sustentabilidade?

J. T. – Quando o Les Sources de Caudalie foi reconhecido como o primeiro “palace” dos vinhedos, o fato de estar completamente integrado no terroir da região foi exatamente considerado excepcional. A nossa inspiração vem diretamente do vinhedo aonde nos constatamos nos últimos vinte anos que existe um luxo autentico diferente do das grandes cidades. Estamos procurando ir sempre mais longe na procura desse luxo, investindo na beleza e nas emoções. Os hóspedes não procuram somente um alojamento, mas querem atividades compartilhadas em volta do enoturismo que funciona como uma vitrine para os vinicultores, os artesãos, os artistas e os produtores locais.

Les Sources de Caudalie, “La Tour de la Dégustation”

V. J. – Pela sua experiência, quais são os próximos passos a seguir?

J. T. – Vimos que o luxo agora é emoção. Fora das capitais, acho que devemos insistir na autenticidade, sem cair na caricatura para poder aproveitar nossa realidade e nossa história  mas também levar em consideração as novas clientelas. Temos que mostrar a coerência dos nossos destinos, mas encontrar um equilíbrio combinando as atividades culturais, a gastronomia, o artesanato, a qualidade e a diversidade dos produtos. Um outro fator de crescimento é o numérico. Os profissionais do turismo estão acostumados a falar das consequências negativas da Internet, mas não devemos esquecer que foi ume revolução que criou extraordinárias oportunidades para promover novos destinos até então pouco aproveitados. Foi talvez o caso de Bordeaux.

O restaurante L’Étoile, do hotel Les étangs de Corot

V. J. – Quais são os principais projetos para o futuro do seu grupo hoteleiro?

J. T. – Especialistas do enoturismo, queremos investir em projetos nas grandes regiões vitícolas da França, começando no ano que vem com o Vale do Loire. Estamos acabando a construção do Les Sources de Cheverny, renovando um antigo castelo bem como uma vinícola, reabilitando um patrimônio histórico em total harmonia com as exigências de conforto mais contemporâneas. Nesta região que atrai numerosos turistas, esse novo estabelecimento terá a ambição de ajudar os hóspedes a descobrir as qualidades dos vinhos da região bem como as riquezas culturais dos castelos do Loire. Depois do Les Sources de Cheverny, outros projetos estão sendo estudados na Alsácia, na Borgonha, na Champagne e na Provence.

A suite Rouge Merlot das Sources de Caudalie

Este artigo foi traduzido e resumido de uma entrevista original de Jérôme Tourbier na revista on line Vendôm.jobs

Para os influenciadores, a hora do “Small is beautiful”?

Parmentier convencendo o Rei Luis XVI de ajudar na promoção da batata

Desde que no século XVIII o agrônomo Parmentier convenceu o Rei Luis XVI a incentivar os franceses a aceitar de comer batatas,  contratar personalidades para promover seus produtos ou serviços é uma ferramenta bem conhecida dos marqueteiros. Muitos artistas ou famosos têm há muito tempo tarifas para aparecer em eventos ou campanhas de publicidades. Com a mundialização das midias sociais, as celebridades perderam a exclusividade e apareceram os influenciadores com um impressionante poder de comunicação seguidos por milhares – ou até de milhões- de fãs ou followers. Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos pela CPC Strategy, só 20% dos internautas acham que um influenciador deve ser alguém conhecido. A prioridade sendo a qualidade dos conteúdos e a confiança nas comunidades criados por eles.

Instagram, segunda midia dos influenciadores, mas com o maior crescimento

Ainda segundo CPC Strategy,  os consumidores procuram novos produtos influenciados em primeiro lugar (70 %) pelos seus “amigos” das mídias sociais,  mas em segundo lugar (22%) pelos influenciadores que eles seguem, seja mega influenciadores (com mais de um milhão de seguidores), macro influenciadores (de cem mil a um milhão) ou micro influenciadores. E pelo ponto de visto dos profissionais, cada vez mais preocupados com a rentabilidade dos seus investimentos, os mais interessantes são agora os micro influenciadores. A Influencer Marketing Hub verificou junto a investidores que a rentabilidade deles é 30% superiora à dos macros, e essa superiora de 20% a dos megas. Menores as comunidades, mas eficientes em termos de retorno, essa nova tendência está impactando as escolhas dos influenciadores, e poderá ser reforçada últimas decisões da Instagram.

O profissionalismo e a transparência, resposta dos influenciadores a guerra da Instagram

O micro influenciador é por natureza difícil de escolher. Para encontrar aquele(a) que vai perfeitamente combinar com o marketing da empresa, os especialistas aconselham primeiro de medir três elementos: o número de seguidores, a ligação com a marca promovida, e a proatividade dos seus posts. Mas é também importante de completar estes critérios com varias boas praticas. Com total transparência, a empresa deve ser informada das publicações e ter acesso a todas as estatísticas nas mídias sociais ou na Google Analytics. Para certificar o “match” do público-alvo e da comunidade do influenciador, pode utilizar ferramentas como a HypeAuditor que pode realizar uma auditoria rápida da qualidade e dos perfil dos seguidores. Esse perfil ajudara também a confirmar a mídia escolhida (por exemplo Instagram para os menos de 34anos, Facebook para mais de 35).

Source : Trill Travel

Para medir os resultados dos influenciadores, é importante escolher quais são os objetivos marketing da campanha. Uma marca buscando notoriedade medirá as visualizações, o trafego, ou o envolvimento, enquanto uma outra querendo faturamento seguirá as vendas. Esse ultimo indicador sendo cada vez mais utilizado, o aplicativo Trill Travel  abra a opção de clicar diretamente numa foto da Instagram para fazer uma reserva identificando a origem da venda. Códigos promocionais podem ser personalizados com palavras chaves características ou até o nome de um blog. Mas se esses controles são necessários para poder medir os retornos sobre os investimentos, é muito importante que eles não atrapalham a liberdade e a criatividade. Enquanto tanto a Facebook que a Instagram parecem querer limitar o poder do influenciador, a sua  força continua sendo sempre o seu estilo e sua personalidade que consolidaram a sua comunidade!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Fanny Beaulieu Cormier na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

A Veneza do norte não quer virar uma Disneylândia

O Quai du Rosaire, lugar mais fotografado de Bruges

As trilhas, um turismo de pouco investimento e muita notoriedade


O GR 20 da Córsega, o Graal das trilhas francesas

Caminhar está na moda. Na América do Norte e na Europa, atraiu em 2018 de 15 à 30% dos turistas, levando muitos destinos a aproveitar a notoriedade das suas trilhas. Alem dos Caminhos de Santiago, o GR20 na Córsega, o Inca Trail do Peru ou o Long Trail na California  foram muito importantes para o desenvolvimento do turismo das suas regiões. Viraram atrativos e fontes de renda para municípios isolados onde  os moradores ajudam a criar experiências memoráveis. E novas trilhas estão virando destaques, como o  Grand Sentier no Canada,  o Great Ocean Walk na Australia ou os caminhos da peregrinação Shikoku no Japão. No Brasil o caminho da Mata Atlântica se prepara a percorrer 3800 quilômetros, virando ícone para cinco estados, do Parque Estadual do Desengano-RJ até o Parque Nacional dos Aparados da Serra-SC.

O caminho Inca cujas pedras levam para os misterios de Machu Pichu

Segundo um relatório de fevereiro 2019 da Organização Mundial do Turismo, as trilhas estão ganhando popularidade porque se encaixam nas novas tendencias do turismo: a procura do bem estar e dos cuidados do seu corpo, o sucesso do “slow travel” e do turismo de aventura, a vontade de intercambio com os moradores. São atividades chaves para o  turismo transformacional e ajudam a construir um ecoturismo com as menores pegadas ecológicas possíveis. O turismo de caminhada aproveita também o crescimento de novas modalidades esportivas, como a “trail running” – corrida “fora de pista”, em caminhos montanhosos com fortes declives -, ou  o “Nordic trail” – caminhada livre em qualquer tipo de terreno com o auxílio de dois bastões semelhantes aos utilizados no esqui -.

A Chapada Diamantino mostra uma grande variedade de trilhas

A OMT demostrou que as trilhas tragam muitos benefícios para os destinos que escolham de investir nessa atividade. Alem de interessar um publico muito importante e diverso – jovens, melhor idade, famílias, alta renda ou popular-, elas:

  • representam investimentos muito menor que outras modalidades esportivas,
  • exigem poucas infraestruturas pesadas ou operações logísticas complexas.
  • sendo bem administradas, são atividades eco responsáveis
  • combinam com as ofertas turísticas anteriores, ajudando a esticar as estadias e até as temporadas
  • são  muito utilizadas pelos proprios moradores para suas atividades esportivas ou seus lazeres

Os destinos bem sucedidos nesse mercado conseguiram preencher pelo menos quatro critérios imprescindíveis.

  • A atratividade: a fama das trilhas depende em primeiro lugar da beleza das suas paisagens, bem como da força dos pontos de interesso cultural que elas interligam. O máximo de manutenção e o mínimo de asfalta são também dois requisitos importantes.
  • Os serviços : a sinalização, a proximidade de instalações sanitárias, as opções de hospedagem devem responder as necessidades dos “hikers”.
  • A segurança : um policiamento eficaz, um nivel de (boa) frequentação suficiente,  uma reputação de tranquilidade junto aos moradores e ao público potencial  devem mostrar que as trilhas são perfeitamente seguras de dia e de noite, mesmo para quem viaja só.
  • O marketing e a promoção : a boa informação do público, as campanhas ou as promoções ajudam a construir a notoriedade. Os países escandinavos investiram muito na ajuda previa aos visitantes. Assim a Visit Greenlandpublica l’Ultimate Greenland Hiking Guide e  aconselha até sobre os comportamentos frente a um urso polar. Outros líderes do setor, o Peru ou a Noruega mostram nos seus sites como se preparar a enfrentar suas trilhas.

Os caminhos da fé levando para Santiago

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Em Lyon, além da gastronomia, a História

O arcanjo de Fourviere vigiando a Catedral São João Batista

Agarrada (com razão) a seu status de capital da gastronomia francesa, Lyon esquece as vezes de lembrar aos apaixonados pela cultura e o patrimônio que ela também carrega com orgulho uma longa história. Fundada pelo gauleses que a chamava de Lugdun (a fortaleza do deus Lug), a cidade atraiu os romanos pela sua posição estratégica. Com uma arquitetura urbana marcada pela Antiguidade, a Idade Media, o Renascimento e a época contemporânea, Lyon teve o privilegio de ver o seu centro histórico tombado pela UNESCO. Juntos com o bairro do Vieux-Lyon, o morro de Fourvière e o morro da Croix-Rousse, são 427 ha, 10% da área urbana da cidade, que foram classificados como Patrimônio da humanidade em 1998, reforçando a atratividade desse grande destino turístico.

O teatro romano do morro de Fourvière

A Lyon romana cresceu rapidamente, e virou capital da Galia em 27 a.C. Teve sua importância confirmada durante o reinado do Imperador Claudio, nascido na cidade onde ele sempre fez questão de voltar, erigindo monumentos as vezes ainda visitados hoje como as termas da rua des Farges. Para os turistas procurando seguir os passos dos romanos, muitos sítios são espalhados na cidade, e cada escavação importante leva a novas descobertas. As construções mais procuradas são o antigo teatro de Lyon, o anfiteatro das três Gálias ou os quatro aquedutos de Mont d’Or, Gier, Yzeron e Brévenne). A procura do Lyon da época romana, o visitante pode também  visitar o muito interessante museu Lugdunum, que possui um dos acervos arqueológicos mais completo da França.

Os traboules, alguns segredos do patrimônio de Lyon

Os “traboules” são o ponto alto de um passeio turística no Lyon da Idade Media. Atalhos urbanos outrora utilizado para chegar rapidamente nas beiras do Rio Saône, eles interligam ruas antigas mostrando, nos patios e nas faixadas, curiosidades arquiteturais da época. O patrimônio medieval e renascentista está muito presente no bairro do Vieux Lyon, com suas ruas de paralelepípedos, sua Catedral  São João Batista construída do século X ao século XV, bem como um espetacular relógio de 1598. A duas quadras, o visitante pode visitar a antiga Casa dos Advogados, prédio do Renascimento perfeitamente restaurado e que hospede hoje um divertido Museu Miniature et Cinéma, piscar de olho das heranças do século XVI para os irmãos Lumière.

No morro da Croix Rousse, a homenagem aos Canuts

O patrimônio do século XIX se concentro nos morros. No morro da Croix Rousse, “traboules” mais recentes, ruas estreitas as vezes cortadas por escadas, e antigos entrepostos com janelas altas por onde passavam as teares dos tecelões, são marcados pela história dos famosos “canuts”.  Operários ou artesões do luxo, mas também revolucionários que foram em 1831 os primeiros a levantar a bandeira preta dos anarquistas, os canuts carregam a tradição do trabalho da seda que continua até hoje com os famosos Carré da Hermès fabricado na região. No morro de Fourvière, onde começou a colonização romana, encontre-se o monumento mais famoso da cidade, a basílica Nossa Senhora de Fourvière, inaugurada em 1896. Para fechar a Historia do patrimônio de Lyon, só faltará então ao viajante descer até o bairro de Confluence para descobrir sua arquitetura inovadora cercando o impressionante Museu.

Novidades e tendências do turismo de aventura

Cada vez mais popular junto aos viajantes de todas as idades e de qualquer orçamento, o turismo de aventura está de vento em poupa. Segundo a revista on line Reseau de Veille, cinco tendências se destacaram em 2018 para explicar esse entusiasmo. A primeira foi  o crescimento da natureza e do meio ambiente na frente das temáticas mais procuradas. As atividades verdes são consideradas fontes de bem estar físico e mental,  momentos ideais para favorecer as emoções positivas da luz e do verde. A natureza coloca também seus fãs na primeira linha das ações contra as mudanças climáticas, as operadoras sendo cuidadosas nos detalhes mostrando o seu empenho. A popularidade do turismo de aventura cresceu também com a Instagram onde oferece algumas das fotos ou dos selfies mais espetaculares.

Domes Charlevoix, novos hospedagens misturando design e ecologia

Na dinâmica do glamping, novos hospedagens juntando qualidade, design e ecologia, estão se multiplicando. Escolhendo lugares privilegiados, arquitetos e designers dão o maior cuidado a valorização do local,  a otimização da luz, a utilização de materiais recicláveis e de energias alternativas. Algumas ofertas procuram ser simples, como  o hotel CABN, na Austrália, com trailers de madeiras privilegiando o conforto e a menor pegada ecológica, ou as casas da Getaway que oferecem essa simplicidade perto das grandes cidades dos Estados Unidos. No Quebec, a Dômes Charlevoix, está propondo quartos de luxo com design inspirado dos iglus esquimós. A criatividade do setor é impressionante, incluindo casas flutuantes nos EE-UU, malocas ribeirinhas na China e até cabanas cobertas de espelhos na mata canadense.

As operadoras de turismo estão também  investindo em ofertas originais para viajantes que procuram experiências diferençadas ou até únicas. Durante o verão da Alaska, o resort Tordrillo Mountain Lodge oferece pacotes de helibiking, de helihiking ou de helifishing. Na região de Vancouver, a Glacier Raft Company  consegue um acesso exclusivo ao Rio Kicking Horse, chegando de helicóptero e descendo depois num raft. A pesca esportiva de caiaque está renovando a imagem dessa atividade e atraia novas clientelas, inclusive no Amazonas com a pousada Juma Lodge. O snowyoga – ioga na neve- ganha muitos adeptos e tem seus lugares prediletos em Boulder, no Colorado, na Finlândia, onde alterna com o ioga de areia, ou em  Montreal com as ofertas da POP Spirit nos parques da cidade.

Instalações icônicas ajudam a renovar o turismo de aventura

O turismo de aventura está também se renovando com instalações icónicas, estruturas inesperadas que melhoram a experiência dos visitantes e incrementam as emoções. É por exemplo o caso da ponte suspensa Charles Kuonen, exclusiva para pedestres, com 500 metros de comprimentos que apimentam a trilha de Zermatt a Grächen, na Suíça. Em Manaus, a torre de aço do MUSA, com seus 42 metros de altura, 242 degraus e 81 mde base, rivaliza em majestade com as grandes árvores da floresta e já virou uma das incontornáveis atrações do Estado do Amazonas. Na Dinamarca, o Camp Adventure Park está querer ir mais alto com uma torre de 45 metros de altura e um design espetacular para observar a cobertura da mata nórdica de Zealand.

Até agora atividade privilegiada de jovens adultos esportistas, o turismo de aventura procura agora atrair alem dos estereótipos. Travel Oregon abriu um site apresentando opções de esqui, mountain bike, caiaque ou até alpinismo para deficientes físicos. Parks Victoria, na Austrália, está fazendo testes com as Canopy — Eco Sleeper Pods, unidades de hospedagem com design contemporâneo acessíveis para deficientes. Reivindicando o acesso de todos, gordos ou magros, fortes ou fracos, jovens ou velhos, homens ou mulheres, a atividades esportivas, os  Unlikely Hiker já contam 58 000 seguidores na Instagram, com o apoio de grandes marcas como REI et Columbia. O turismo de aventura ainda tem muitos adeptos pela frente!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

“Rent a Finn”, a Finlândia juntando turistas e moradores na felicidade de não fazer nada

Felicidade pela natureza, a receita simples do turismo finlandês?

Se suas terras podem parecer ingratas, e se a famosa trilogia das férias – sol, areia e mar- não combina muito bem com a realidade do Norte da Europa, os países escandinavos construíram nos últimos anos uma justa reputação de marqueteiros criativos. Depois da Islândia e da Noruega, é agora a Finlândia que acabou de lançar uma nova campanha de marketing “Alugue um finlandês” que associa a felicidade e o meio ambiente. O órgão oficial do turismo finlandês, Visit Finlandia aproveitou o primeiro lugar do país no ranking dos povos mais felizes do mundo, publicado pelo World Happiness Report 2019 das Nações Unidas. Líder da felicidade, o “país dos mil lagos” pensou assim entregar suas receitas a seus visitantes, valorizando acima de tudo dois dos seus ingredientes: a conexão com a natureza e a simpatia dos seus moradores.

« Rent a Finn » aposta em uma grande tendência da sociedade atual, a vontade de encontrar na natureza um melhor equilíbrio pessoal e de investir no bem estar. A Finlândia valoriza suas paisagens tranquilas, seus habitantes acostumados a viver desde pequenos em profunda harmonia com suas florestas ou seus lagos, e sua tradição de hospitalidade. A campanha oferece assim umas oportunidades para todos os viajantes que querem hoje aprender com comunidades e dividir experiências autênticas com moradores. A simplicidade dessas experiências busca ser um dos fatores do sucesso, com ofertas de caminhadas, de passeios de canoas, de procura de frutas silvestres, ou de relaxamento na sauna respirando um ar puro e escutando o silêncio.

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Seis solteiros e dois casais são os primeiros finlandeses para alugar

Para lançar sua campanha, VisitFinlandia apresentou ao público oito opções de guias para felicidade. Os turistas candidatos podem fazer um teste de equilíbrio de vida que ajuda a orientá-los para o seu “host” mais adequado. Os oito Finlandeses que podem ser “alugados” oferecem estadias em suas próprias casas. Eles descrevem no site suas filosofias de vida e suas relações serenas com a natureza, cada um sendo localizado em uma região e em um meio ambiente diferente: florestas da Lapônia, lagos do interior, parques naturais ou ilhas do litoral, espaços verdes dos subúrbios da capital Helsinki. Se as reservas já são completas para esses oito pioneiros, o site de VisitFinlandia oferece muitas outras experiências de quartos, chalés ou barracas alugados com seus finlandeses felizes.

A ousada promoção da experiência de não fazer nada

Alguns lugares turísticos da Finlândia estão indo mais longe ainda nessa promoção da serenidade e da felicidade nas coisas simples. Os seus espaços, sua paz, seu tempo são verdadeiros remédios contra a corrida e o estresse da vida moderna nas grandes metrópoles. Assim no final do ano passado a cidade de Padasioki lançou uma surpreendente campanha: Não temos nada, Experimente nada! Para conquistar o turista, frente a grandes destinos nos Estados Unidos ou na França podem oferecer tudo, não oferecer nada, ou nada igual, vira uma maneira de ser diferente. Assumindo essa peculiaridade, sua originalidade, sua natureza e sua identidade, afirmando que a felicidade é talvez o prazer de não fazer nada, a não ser coisas simples com gente autêntica, um destino turístico pode assim virar único e interessante. Então, quer alugar um Finlandês?

 

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Amélie Racine na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

 

Em Waterloo, os franceses vencendo … a licitação para gerenciar o Memorial da batalha!

Nas comemorações do bicentenário, a reconstituição da batalha

Em Waterloo, essa triste planície onde as tropas de Wellington e Blucher acabaram no dia 18 de Junho de 1815 com os sonhos franceses da Revolução e do Império, uma francesa conseguiu uma surpreendente vitória. Geneviéve Rossillon, presidente da operadora de sítios e monumentos turísticos Kleber Rossillon fundada pelo seu pai, venceu uma licitação da região belga da Valônia para administrar durante os próximos quinze anos o sitio da famosa e trágica batalha. Localizado a vinte minutos ao sul de Bruxelas, o Memorial 1815 inclui não somente os principais campos  e prédios que viram a heróica derrota dos soldados de Napoleão, mas também  um centro de informação e de interpretação  multimídia subterrâneo inaugurado durante as comemorações do bicentenário.

O Memorial 1815

A empresa Kleber Rossillon já administra nove sítios patrimoniais na Franca , recebendo mais de um milhões e meio de visitantes na Bretanha, no Vale do Loire e na Auvergne. Desde 2015 é responsável da famosa Grotte Chauvet 2, réplica fiel da gruta inscrita ao patrimônio da UNESCO pelas suas excepcionais  pinturas rupestres que nossos ancestrais deixaram há 36.000 anos. O Memorial de Waterloo sera o seu primeiro investimento fora da França. Genevieve Rossillon já mostrou grandes ambições com a sua vontade de quase dobrar o numero de visitas – passando de 170.000 a 300.000, contando  na contratação de quinze funcionários para melhorar o atendimento, na multiplicação dos eventos e das animações, e na ampliação da oferta cultural para todos os públicos

O Museu Wellington, último quartel geral do vencedor

Logo esse ano, já são previstas importantes comemorações, dia 18 de Maio com os 250 anos do nascimento do Duque de Wellington, e dia 15 de Agosto pelo aniversário do Napoleão. Perto do morro do Leão – monumento erguido pelos holandeses então ocupando a Bélgica -, serão realizadas a partir de junho varias reconstituições da batalha bem como da vida e do dia a dia das tropas. O novo Memorial terá também novidade nos seus dois restaurantes”, ambos com um decoração inspirada do ambiente na véspera da batalha . O  « Wellington » vai oferecer cardápios e preços tipo “Bistrô”, enquanto o mais requintado « Le Bivouac » apresentará uma cozinha mais gastronômica. Com essas novas ideias, a francesa Kleber Rossillon espera que a sua batalha de Waterloo será mesmo vitoriosa!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo publicado na revista on-line Pagtour

As megatendências e as inovações no turismo

Bem estar, respeito da natureza, umas da megatendência do turismo mundial

Se as viagens internacionais dependem a curto prazo do cambio das moedas e do otimismo dos consumidores, os fatores que impactarão o turismo nos próximos dez ou quinze anos são menos conhecidos.  Euromonitor internacional, empresa especializada em estudos estratégicos,  publicou agora uma pesquisa sobre essas megatendências que vão definir o mapa mundial das industrias turísticas durante os próximos anos. Essas megatendências são modificações fundamentais dos comportamentos ou das atitudes que são observados em todos os mercados e atingem todos os setores. Não são fenômenos conjunturais, mas mudanças que podem demorar anos para se concretizar. Todos os atores econômicos devem integrar-los nas suas estratégias, seja de inovação de produtos ou serviços, seja de busca de novos clientes, seja na definição de futuras ações de marketing.

Euromonitor tentou definir as megatendências até 2030

Euromonitor definiu as cinco principais fontes dessas  megatendências. As evoluções econômicas levarão os países emergentes – inclusive o Brasil- a representar seis das dez maiores economias mundiais, e dos potenciais de viajantes, em 2030. As  mudanças demográficas –  urbanização, migrações, queda da natalidade e crescimento da terceira idade – impactarão as modas de viver e de consumir. Do lado das tecnologias, os desenvolvimentos dos celulares e a explosão da inteligência artificial terão consequências arrasadoras nos modos de viver, consumir e trabalhar. Com a pressão crescente sobre o meio ambiente, os consumidores querem interagir, diminuindo seus consumos de energia, suas pegadas de CO2, e procurando novas formas de consumo. Enfim as crenças e os valores estão mudando, redefinindo prioridades, percepções, atitudes e motivações.

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As oito megatendências impactando o turismo

Source : Euromonitor International

Considerando esses fatores de mudanças, Euromonitor levantou vinte megatendências , sendo oito com um forte impacto sobre o turismo internacional.

  1. Mais experiências: mesmo procurando produtos ou serviços, os consumidores precisam de experiências interativas e multisensoriais. As empresas devem responder a essas procuras de emoção que viram lembranças compartilhadas e relações mais estreitas com os clientes.
  2. Upgrade dos serviços. Os consumidores querem níveis de serviços mais elevados e mais personalizados. Hoje, qualquer estratégia empresarial deve incluir uma melhoria na qualidade (até o luxo com um justo preço), na autenticidade e na procura de relação emocional duradoura.
  3. Evolução do mapa-mundi. Se certos mercados tradicionais na Europa ou na América do Norte estão se fechando, ou se restringindo a alguns segmentos jovens, outras regiões da Ásia, da América latina ou da África oferecem novas oportunidades que os avanços tecnologias ajudam a explorar.
  4. Consumidores conectados. Computadores, celulares,  leitores multimídias ou livros numéricos oferecem ao consumidores inúmeras ocasiões de descobrir novos conteúdos, de interagir com eles ou de comparar los.
  5. Hábitos éticos . Os consumidores bem como as empresas estão dando cada vez mais importância aos valores morais e a ética. Uma compra ou uma reserva pode ser comprometida se o bem ou o serviço não fica atento ao meio ambiente, ao bem estar animal, a valorização dos funcionários e dos moradores, ou a moral das relações comerciais.
  6. Jeito de viver mais sadio. O bem estar hoje virou mais global, sendo físico, moral e espiritual. Ele define um jeito de viver   e  caracteriza atitudes frente a saúde, a alimentação, a beleza, as atividades físicas ou as evoluções pessoais.
  7. Mudanças na classe media. Em forte expansão na Ásia e na América latina, a classe media está recuando nos países mais desenvolvidos. Assim mesmo, esses consumidores não são atraídos somente pelos preços, mas também pela qualidade, a praticidade ou a autenticidade.
  8. Shopping reinventado. As mudanças sociológicas e as inovações tecnológicas estão mudando os hábitos de compra. O consumidor de hoje não é mais fiel a um único modo de comprar. Os comerciantes e os distribuidores devem ser presentes em vários canais com diferentes níveis de valor agregado antes, durante e depois da compra.

Essas oito megatendências vão não somente mudar os comportamentos dos viajantes, mas também obrigar os profissionais do turismo a inventar os novos produtos e serviços que são anunciados e esperados.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

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