O turismo “transformacional” como nova tendência?

Desafio físico e abertura de espírito diferenciam o turismo transformacional

Enquanto “experiência” e “autenticidade” pareciam ser as últimas tendências da indústria turística, a palavra “transformacional” está agora crescendo para definir as novas procuras dos viajantes mais exigentes. Criada em 2016 nos Estados Unidos, o Transformational Travel Council reúne profissionais oferecendo experiências de viagens que visam contribuir na transformação de vida de cada participante. Enquanto o turismo de experiência oferece intensos momentos que enaltecem e as vezes justificam a viagem, mas que não mudam atitudes ou comportamentos futuros, o turismo transformacional quer oferecer experiências com um impacto importante sobre o futuro dia a dia de cada participante. Com uma grande abertura de espírito, a vontade de enfrentar desafios físicos, e o tempo livre para refletir, esses viajantes querem experiências únicas capazes de melhorar a sua própria vida quando voltar.

Spa safaris e estágios de ioga em Nihi Sumba Island

 Os atores do turismo estão se adaptado a essa procura de realização pessoal. Operadoras, hotéis ou receptivos oferecem novos produtos e serviços, tanto para os visitantes quanto para os moradores interessados nessa nova maneira de viajar, especialmente nos setores do turismo de luxo e do bem estar. Com spas cada vez mais diferenciados, o bem estar surfou a onda das viagens transformacionais, virando segundo The Global Wellness Summit (GWS) uma das grandes tendências de 2018. No Butão, um hotel spa Six Senses está abrindo um circuito de cinco pavilhões seguindo os cinco pilares do Índice de Felicidade Humano do país. O resort americano The Red Mountain Resort reinventou seus pacotes de bem estar como experiências sensoriais seguindo os seus heróis. Na Indonésia, o Nihi Sumba Island pretende ser o melhor hotel do mundo com seu novo conceito de Spa safari.
Source : Youtube

Viajar para mudar a sua vida é também uma das principais tendências do turismo de luxo. Segundo uma pesquisa 2018 da empresa especializada Skift, a realização pessoal é hoje o primeiro luxo. Grandes cadeias hoteleiras e agencias especializadas desenvolvem produtos para seduzir esses viajantes que querem experiências personalizadas, combinando luxo e realização pessoal, seja com ofertas culturais ou espirituais excepcionais, com estabelecimento de ioga de alto padrão ou com ofertas de glamping em lugares fora do comum. A operadora chilena Cascada Expediciones , ganhou o prêmio Transformational Travel dos PURE Awards em 2017 com  Dientes Trek, uma caminhada de seis dias no extremo sul da América, onde a beleza, a potência   e a fragilidade da natureza transformam as relações entre os participantes e suas visões da modernidade.

Os caminhos de Santiago, uma antiga caminhada transformacional?

Olhando pela historia das viagens, o turismo “transformacional” é talvez não uma novidade, mas ao contrário, é a forma mais antiga de viajar. As viagens de iniciação ou as peregrinações  existiam desde a Antiguidade e a Idade Média, e são ainda hoje (de Roma a Santiago, de Meca a Jerusalém ou Benarés), as maiores motivações de viagem. A nova tendência deve muito a chegada  dos profissionais do bem estar e do luxo nesse setor, tanto pela criação de novos produtos como pela sua comercialização. Na busca crescente de experiências únicas, o turismo “transformacional” é um passo para frente, uma promessa porém difícil de garantir: por mais perfeita que seja a organização de uma viagem, a realização pessoal dos participantes depende no final somente de cada um.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Julie Payeur  na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Turismo de aventura no coração das grandes cidades

Stand Up Paddle nos canais de Amsterdão

Se o turismo de aventura era exclusivo do campo, da serra ou da praia, ele está agora invadido os centros das grandes cidades, dando aos moradores e aos visitantes a possibilidade de descobrir esses ambientes urbanos de forma diferente. Essas experiências insólitas podem começar logo na hospedagem com as opções de camping urbano, assim por exemplo em Paris no Camping des Grands Voisins ou no Camping de Paris.  Com as grandes cidades interessadas em oferecer novas sensações, algumas atividades já são oferecidas há anos, como é o caso do jogging – hotéis e ofícios de turismo oferecendo itinerários e as vezes guias, por exemplo em Québec e em Montréal, ou da bicicleta – também com tours ou sugestões de circuitos, os hotéis Westin tendo sido pioneiros.

Pescador em Stockholm

Mas recentes são os esforços dessas grandes cidades para devolver aos turistas e aos habitantes as beiras de rio, construindo parques e favorecendo atividades náuticas. Hoje, é possível andar de caiaque em Nova Iorque, saindo do Brooklyn Bridge Park, ou em Minneapolis com um aluguel de caiaque a disposição no Rio Mississipi. O sucesso do Stand Up Paddle se verifica nos rios urbanos ou nos canais de Amsterdão, de Veneza, de San Antonio ou de Montréal. Os pescadores são bem-vindos  no centro de Stockholm, ou nos portos de Montreal, de Quebec ou de Marselha. Em Chicago, é possível mergulhar no lago Michigan onde há vários navios que naufragaram durante o século XIX, isso abre muitas opções de mergulho na frente da cidade.

Subir na ponte do porto de Sydney é uma grande aventura urbana

A escalada também virou um esporte urbano. Em Stockholm, é possível viver uma experiência nos telhados da cidade histórica num tour acompanhado de um guia experimentado . Em Sydney, os visitantes podem fazer uma excursão na famosa ponte Sydney Harbour, com um panorama excepcional sobre o porto e a Ópera. Em Quebec, a operadora local Décalade, oferece descidas de paredes de prédios urbanos, e em Marselha Urban Elements  virou uma festa anual das atividades de aventuras urbanas – com destaques para escalada artificial e slackline. E depois do sucesso  da Slotzilla Freemont Street experience de Las Vegas, tirolesas permanentes ou temporárias estão sendo exploradas em Montreal, Panamá, Kiev ou Londres.

O sucesso do Parkour chega no turismo

Na procura de sensações originais, o sucesso do Parkour abriu  novas opções de turismo de aventura para moradores e visitantes de cidades grandes ou pequenas. É possível seguir aulas desse novo esporte em Paris, Montreal, Nova Iorque ou São Paulo. Na França várias cidades menores oferecem circuitos com guias especializados, “traceurs”ou “traceuses”. Perto de Montpellier, em Clermont-L’Hérault, um Parkour Artistik ajuda a descobrir o patrimônio cultural seguindo uma coreografia combinando com a arquitetura do local. Perto de Lille, Roubaix seguiu o mesmo caminho com um circuito Parkour59. O sucesso do turismo de aventura urbano é tão rápido que novas ofertas estão pipocando no mundo inteiro, podendo hoje fazer até surfe em Montreal ou aproveitar a tradição de “Downhill” do Zoobomb  em Portland.

Esse artigo foi  traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Caiaque em Nova Iorque

Marselha, agora também destino de turismo de negócios

Photo : Flickr ©OTCM Objectif images

O Palacio do Pharo, maior centro de convenções de Marselha

Depois do sucesso em 2013 do ano europeu da cultura, depois de entrar em 2016 no Top 20 dos portos de cruzeiros, Marselha mostra agora as suas ambições de virar um grande destino de congressos, convenções e seminários. Em 2017 recebeu mais de 800 eventos – 21 deles com mais de 1000 participantes- , faturou USD 400 milhões, e entrou no ranking dos 80 destinos mundiais de “MICE”, sendo o terceiro destino francês de eventos atrás de Paris e Lyon, e competindo com Bordeaux, Nice e Montpellier. Um bom posicionamento nos congressos medicais explicou esse crescimento, mas Marselha está também aproveitando uma nova especialização: os encontros, incentivos e seminários sobre o setor do numérico.

O Mucem, simbolo da nova Marselha

O sucesso de Marselha no “turismo de negócios” se deve em primeiro lugar as mudanças radicais na sua imagem desde sua nomeação como Capital europeia da Cultura em 2013. Foi a oportunidade de mostrar uma programação excepcional, e de inaugurar um Museu original. Localizado perto do velho porto, o MUCEM – Museu das Culturas do Mar Mediterrâneo – é não somente uma obra imponente do arquiteto franco-argelino Rudy Ricciotti, mas um grande acervo, em parte herdado do antigo Museu das Artes e Tradições Populares de Paris, que ajuda o visitante a descobrir as civilizações mediterrâneas e suas influencias sobre a cultura da Europa. O sucesso da “Galeria do Mediterrâneo” e das exposições já colocou o MUCEM na lista dos 50 museus mais visitados do mundo.

Frente ao sitio arqueológico, o World trade center

2018 deve ser para Marselha um ano excelente para os eventos de negócios. Mais de 80 congressos já foram confirmados, tanto no tradicional Centro de Convenções do palácio do Pharo que no renovado World Travel Center onde já tem importantes eventos reservados para 2019 e 2020. Os grandes eventos previstos na França em 2023 (Copa do Mundo de Rugby) e 2024 (Jogos Olímpicos) devem também ser um atrativo para muitas viagens de incentivo. Para melhorar ainda mais seu posicionamento internacional, Marselha continua a investir, tentando multiplicar as opções de shopping no centro da cidade, negociando novas ligações aéreas internacionais para os Estados Unidos, a Rússia ou os países do Golfo, abrindo salas de reuniões no topo da nova torre Jean Nouvelle, as 135 metros de altura.

Frente ao porto, as torres empresariais

A estratégia de Marselha gerou um crescimento de 50% dos viajantes de negócios internacionais. Com o dinamismo trazido pelo novo terminal de cruzeiros, lembrando com força que ela é a capital da Provence, a cidade quer se firmar no pódio das grandes cidades turísticas francesas. No Brasil, onde era conhecido pelo seu time de futebol, o Olympique, que foi o primeiro clube francês a contratar um jogador de futebol brasileiro – foi, nos anos setenta, o Paulo César “Caju”-, Marselha cresceu muito nos últimos anos como destino de turistas brasileiros, e as oportunidades para congressos, incentivos e seminários pode ajudar a consolidar sua posição.

Marselha receberá o iatismo e o futebol para os J.O. 2024

Esse artigo foi inspirado de um artigo original da revista profissional on-line francesa Tourmag

 

A Córsega, destino destaque da Forbes para 2018!

As torres, testemunhas do passado genovês

Agora destacada pela atualidade politica – os lideres pro-autonomia ganharam as ultimas eleições-, a Córsega está crescendo como destino turístico internacional. Na sua edição do 11 de Fevereiro, o magazine Forbes selecionou a “Ilha da Beleza” como o lugar mais deslumbrante para visitar em 2018. A seleção da conceituada revista, com foco nas paisagens, na cultura e na gastronomia, tinha como outros finalistas a Sicília, o Vale do Douro, a cidade austríaca de Innsbruck e o cantão suíço de Vaud. O destaque dado para Córsega foi talvez aquele “ooh-la-la”de uma geografia exuberante e diversa, com mais de 1500 quilômetros de litoral pitoresco, praias de cartão postal, rios cintilantes, trilhas desafiadoras, florestas exuberantes e montanhas acidentadas.

Em Ajáccio, as Jornadas napoleónicas comemoram o Imperador

Para Forbes, a personalidade peculiar da Córsega tem suas raízes próprias, mas integrou a alegria de viver e o carisma a francesa, bem como a historia e  a cultura italiana, visíveis nas torres ou nas fortalezas genoveses , e nos antigos vilarejos agarrados nos morros. Destino único e cativante, a Ilha surpreende até pela sua bandeira, a cabeça de mouro com uma faixa na testa, símbolo herdado seja da luta contra os mouros invasores seja do domínio dos reis aragoneses. A gloria passada é encontrada também em Ajáccio, cidade natal do Napoleão, que seduz pela sua catedral, sua fortaleza e mais ainda pelos bares espalhados na Praça do Maréchal Foch.

As praias cercam a cidade de Porto Vecchio

Nos pontos altos do patrimônio cultural da Córsega, os jornalistas destacaram Bonifácio e suas falésias brancas, Porto Vecchio e seu colar de praias charmosas, Corte, a capital histórica, e sua fortaleza cercada de imponentes montanhas, Cargese orgulhosa do seu passado grego, e Bastia com a faixada artística da igreja de São João Batista. A atualidade da cultura local impressionou também esses visitantes, seja pelos numerosos eventos organizados pelas prefeituras, ou pela presencia da musica tradicional, cantos polifônicos masculinos que são ouvidos em concertos ou improvisados em festas de família, nas albergues e até nos bares frente as praias.

Patrimônio arquitetural e “maquis” ao longo das trilhas

O parques naturais da ilha foram também lembrados pela Forbes, pelo  deslumbrante Golfo de Porto, inscrito no património mundial pela UNESCO, ou pelas trilhas mágicas onde  os esportistas podem caminhar, andar de bicicleta, olhar os pássaros, ou simplesmente cheirar os perfumes da vegetação característica da região, o “maquis” – um ecosistema as vezes comparado a caatinga nordestina. É nesse mato que se encontram as castanhas portuguesas, que os moradores utilizam para fazer farinha, e os diferentes tipos de mel,  os escuros “miellats du maquis”, ou os perfumados méis de primavera.

Embutidos da Córsega

Ingredientes únicos somente encontrados na ilha, tradições gastronômicas específicas, encontros com as culinárias francesa e italiana, a cozinha da Córsega surpreendeu e agradou os jornalistas da Forbes, com guisado de javali, cordeiro assado, vitela com azeitonas, ou torta de farinha de castanha. Cada prato pode ser harmonizado com um dos vinhos locais, elaborados com uvas originais,  Niellucciu ou Sciaccarellu para os tintos,  Vermentinu para os brancos. Pouco conhecidos, os vinhos corsos são porem interessantes e calorosos, especialmente quando acompanhando os bem temperados embutidos da Corsega – presuntu, copa ou salsichão- , ou os inesquecível brocciu, queijo de leite de ovelha comprado nas feiras livres diretamente dos produtores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da Laura Menske na revista Forbes 

Os cantos polifônicos, orgulho da cultura corsa

Quem são os ecoturistas?

Costa Rica, destino pioneiro do ecoturismo

O ecoturismo vai crescendo junto com a consciência ecológica das populações. Ele junta, segundo a OMT, “todas as formas de turismo viradas para o meio ambiente e nas quais a principal motivação do turista é de observar a natureza bem como os modos de vida tradicionais”. Respeitando os ecossistemas e as culturas locais, o ecoturismo favorece o crescimento económico sustentável das comunidades envolvidas. Em algumas regiões do mundo – por exemplo no Canada, na Nova Zelândia ou no Brasil-, se fala até de turismo comunitário, quando esses produtos e serviços turísticos diferenciados são oferecidos com a participação ativa de comunidades como atores do seu próprio turismo.

Encontro com comunidade do Rio Canumã (AM)

O ecoturista é um viajante procurando meio ambiente e atividades desde que apareceu, há trinta anos atrás, mas sua maneira de viajar está evoluindo muito nos últimos anos. Alem de solteiros ou casais, viajam famílias com crianças, grupos de amigos e grupos multigeracionais. Aos tradicionais “back-packers” se juntaram também os “flash-packers”, novos aventureiros fãs de liberdade, de emoções e de encontros, mas com recursos suficientes para exigir serviços, conforto e segurança. Em função do seu envolvimento na defesa da ecologia e do tipo de atividades que ele pratica, o Observatório do Consumo Responsável da Universidade de Montreal definiu uma tipologia do ecoturista que pode ajudar tanto os profissionais que os próprios viajantes.

Observar baleias ou caminhar nas trilhas, ecoturismo em Taití!

Segunda essas pesquisa, o primeiro perfil de ecoturista é o convencional. Ele quer em primeiro lugar relaxar e descobrir lugares diferentes e novas paisagens. Ele não é um militante do meio ambiente, quer aproveitar a natureza mas não quer sacrificar o seu conforto e sua segurança. Ele gosto de pacotes turísticos incluindo algumas atividades, em grupo ou com amigos. O ocasional não é também muito motivado pelas considerações ecológicas ou comunitárias. Mas que um encontro com a natureza ou as populações locais, o ecoturismo é para ele uma desculpa para praticar suas atividades favoritas – caminhada, arvorismo, escalada, mergulho, caiaque, surfe ou asa delta.

Etiopia crescendo como destino de ecoturismo

O terceiro perfil do ecoturista é o consciente mas não praticante. Ele é perfeitamente a par das exigências ecológicas e do impacto do turismo sobre o meio ambiente. Ele é aventureiro, quer praticar suas atividades, quer experiências culturais e encontros com moradores, mas não aceita de sacrificar conforto e bem estar em nome da proteção do meio ambiente. O mais convencido dos ecoturistas é o militante verde. Ele é não somente consciente do impacto do turismo sobre a natureza e sobre a sociedade, mas quer que toda a sua viagem seja em perfeito harmonia com suas convicções ecológicas. Todas as suas atividades devem ser em total respeito dos ecossistemas, com preferências para caminhadas, observações de animais, e acima de tudo para encontros com as comunidades.

Ecoturismo de aventura no Quebec

Com um controle cada vez mais forte do setor turístico, seja pela autoridades (Embratur no Brasil), pelas operadoras internacionais (a Francesa Voyageurs du Monde sendo uma grande pioneira), pelas associações nacionais (Ecotourisme Quebec no Canada, ABETA no Brasil) ou pelos próprios atores, o ecoturismo está ganhando credibilidade e confiança do consumidor no mundo inteiro. São oportunidades para países como o Canada, os Estados Unidos, a Austrália, a Nova Zelândia ou o Brasil que tem espaços protegidos, natureza selvagem, profissionais conscientes e comunidades de moradores mobilizadas. E se hoje os ecoturistas ainda são um nicho de mercado, a crescente preocupação dos viajantes com o futuro do planeta desenha imensas perspectivas.

Esse artigo foi  traduzido e adaptado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

O Belle Amazon, ecoturismo e conforto com a Turismo consciente  

 

O Jacareaçú da Katerre e o Mirante do Gavião em Nova Airão (AM)

Homens ou mulheres, os turistas também viajam “solos”!

Viajar “solo”, bem acompanhado, ou os dois?

Enquanto as pessoas que moram sozinhas representam uma faixa crescente da população – hoje 30% na Europa e na América do Norte, e para 2030 existe uma projeção de quase 50% – , os turistas que viajam sozinhos interessam cada vez mais aos hoteleiros, às operadoras e às companhias aéreas. O mercado dos “solos” oferece grandes perspectivas. Estimado pela OMT em 25% dos viajantes, já representa 33% a 35% na França, no Canadá ou na Inglaterra, 20% deles viajam a negócios e 80% para lazer. Esses “solos” são igualmente divididos em homens e mulheres, são mais ricos e educados, estão em uma faixa etária de 50 a 55 anos, mas entre os “solos” existe também uma forte proporção de estudantes. A metade deles mora sozinhos, os outros têm um lar onde vivem outras pessoas que não querem ou não podem dividir as mesmas experiências de viagem.

Hotéis, cruzeiros e operadoras tentam seduzir “solos”

Uma recente pesquisa da revista francesa “Espaces” mostrou que os “solos” têm comportamentos de viagem promissores para os profissionais. Viajam sozinhos mas também em grupos organizados, utilizam mais os transportes coletivos (trem, avião, ônibus), aceitam viajar em baixa estação e curtem ofertas de última hora. Nos hotéis, nos circuitos ou nos cruzeiros, eles são sempre interessados pelas excursões, as atividades e as animações opcionais. Operadoras e receptivos especializados já anotaram que muitos pacotes são comprados por “solos” que querem viajar com pessoas que dividem as mesmas atividades ou as mesmas paixões. Assim a  TourRadar, uma agência especializada em circuitos temáticos tem 41% de individuais nos seus clientes.

O Jo&Joe de Hossegor, open house do grupo Accor

A pesquisa deixou claro que o maior freio para o crescimento das vendas de “solos” é a questão da hospedagem, quase sempre programado em quarto duplo. Mas hotéis e operadoras estão encontrando alternativas. De olho na clientela jovem, ainda atraída pelos albergues da juventude, grupos como Generator  ou, mais recentemente,  JO&JOE do grupo Accor, desenvolveram conceitos de co-hospedagem que resolvem o problema dos viajantes individuais. Pensando em clientes mais exigentes, muitas operadoras encontraram soluções radicais: oferecer quartos single pelo preço do meio duplo. A Canadá Vacances Transat, a Vacances Signature, a Vacances Air Canada ou a Voyages à rabais reservam hotéis nessas condições, um serviço agora tão popular que, para valorizá-lo, foi criado o prêmio “Solo Traveler”.

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A coleção Solo da operadora canadense Transat

Para responder aos “solos” que querem companheiro(a)s de viagem, as operadoras estão trazendo novas ideias. A canadense  Voyages Traditours, as francesas Paravecmoi ou Les Covoyageurs ajudam a encontrar quem poderá dividir o seu quarto. O site Copines de voyage vai até mais longe, sendo agora uma verdadeira comunidade com 270.000 membros, principalmente mulheres. Na França, Barouding.com ou Partirseul.com selecionam pacotes com temáticas especificas, juntando “solos” com perfis similares para montar pequenos grupos com fortes afinidades. No Brasil, operadoras especializadas, tais como a Terra Azul ou a Singletrips, organizam pacotes para solteiros que não se sentem à vontade com grupos tradicionais, compostos quase que exclusivamente por casais.

A Colômbia editou um guia do viajante “solo”

Vários destinos de turismo começaram também a se interessar pelos “solos”. A Colômbia, o Camboja ou a Provence apresentam ofertas específicas, e a Costa Rica foca com sucesso nas mulheres que viajam sozinhas. A Turismo Montreal, sempre pioneira em personalizar os serviços para clientelas diferentes, abriu uma parte de seu site com ofertas especiais para “solos”, focando em cultura, música e eventos. A atenção da mídia para os destinos “solo friendly” deveria multiplicar nos próximos anos estes tipos de oferta. Vários ranking dos destinos “solos 2018” já estão aparecendo, com destaques para Islândia, Eslovênia, Bordeaux, Butão, Taipé, Hamburgo, Canadá e Chile.

Esse artigo foi  inspirado de um artigo original de Chantal Neault na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Com Tourlina, as mulheres têm até um aplicativo para viajar em “solo”

Tudo azul para as companhias de cruzeiros, os cruzeiristas e os estaleiros!

O Aidanova, construído na Alemanha

Não são apenas as companhias marítimas e as agências de viagem que estão aproveitando o constante crescimento dos cruzeiros, 4% em 2017 e 5% esperados em 2018, com 27,2 milhões de passageiros – estes, cada vez mais europeus e chineses. Os grandes estaleiros – o coreano Hyundai, o italiano Fincantieri, o francês STX Saint Nazaire ou o alemão Werft – estão com 46 bilhões de euros de encomendas, um recorde que representa um mínimo de 90 navios até 2025. Só esse ano, cerca de 15 navios devem zarpar pela primeira vez, vários com mais de 4.000 passageiros. São o « Symphony of the Seas », da Royal Caribbean International (5.400 passageiros), o « Norwegian Bluise » da Norwegian Cruise Line (4.200 passageiros), o  “MSC Seaview” (4.150 passageiros) da MSC Cruises e o « Aidanova » da Aida Cruises (5.200 passageiros)

Carnival festejando as cervejas ParchedPig fabricadas a bordo

Olhando 2018 com muitas ideias novas – incluindo a fabricação artesanal de cervejas a bordo -, Carnival é líder do mercado com mais de 100 navios e um leque completo de marcas. Possui Carnival Cruise Line (principalmente para o mercado americano), Princess Cruise, Holland America Line, Seabourn, Cunard, Aida Cruises (focada no mercado alemão), Costa (mais popular na Itália, França e Espanha), P&O Cruises. Em 2018 vai agregar à sua frota quatro novos navios para Carnival Cruise Line, Seabourn, Holland America Line e AIDA Cruises. Mas com a programação de várias vendas de navios obsoletos, a capacidade global do grupo só deve aumentar em 1,9 %.

Mein Schiff 5, cooperação da Royal Caribbean com a TUI

Royal Caribbean Cruises é um outro grande grupo americano, com seis companhias de cruzeiros, sendo as principais Royal Caribbean International, Celebrity Cruises, Pullmantur (mercado hispânico) e Azamara Club Cruises. O grupo escolheu desenvolver uma colaboração muito estreita com grandes operadoras de turismo, chegando a gerenciar navios através de parcerias com a TUI (na TUI Cruise, focada no mercado alemão) e com a Ctrip (na SkySea, voltada para a espetacular expansão do mercado chinês).

Operando as marcas Norwegian Cruise Line, Oceania Cruises e Regent Seven Seas Cruises, a Norwegian Cruises festeja seus 25 anos com uma frota de 25 navios e uma politica comercial bastante agressiva para justificar os sete novos navios que receberá até 2025).

Comemoração da primeira flutuação do MSC Seaview

Mas o crescimento mais espetacular das companhias de cruzeiro pertence, sem dúvidas, à companhia ítalo-suíça MSC. Hoje dona de 12 navios, ela encomendou em novembro passado dois “Seaside Evo”de 4.560 passageiros que serão entregues em 2021 e 2023, além dos 10 já encomendados até 2026. Um investimento de 10 bilhões de dólares dobrará a frota da empresa, a máxima ambição permitida pela capacidade de produção dos estaleiros capazes de construir os novos gigantes dos mares.

Para a MSC e para todas as companhias de cruzeiros, o futuro parece mesmo tão azul quanto as águas do Caribe ou do Mediterrâneo A não ser uma improvável subida do preço do barril de petróleo acima de 100 dólares, que ameaçaria a rentabilidade de muito navios, as projeções são de um crescimento de 7% ao ano para os próximos dez anos, sendo que, depois,  the sky is the limit...

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne 

 

Lançamento da temporada 2018 da MSC , com saídas da Martinica

5 dicas para aproveitar uma viagem numa região de vinhos

Degustação no Chateau Franc Mayne em Saint Emilion

De Bordeaux até a Toscana, ou do Vale do Douro até a Napa Valley, as regiões produtoras de vinho são cada vez mais procuradas para prazerosas experiências de viagem. Uma boa planificação é, porém, necessária para poder aproveitar ainda mais cada momento das férias. Segundo as operadoras especializadas, as regiões do mundo onde estão localizados os melhores vinhedos agradam a qualquer público e são geralmente extremamente pitorescas, sem precisar ser um enófilo experiente para aproveitar um roteiro de enoturismo. Conselheira em viagem “Food and Wine” na Alpine Travel of Saratoga, agência Virtuoso da Califórnia, Lynda Turley listou algumas dicas básicas para garantir o sucesso de uma viagem focada em vinhedos, vinícolas, adegas e vinhos.

A Napa Valley, região pioneira no enoturismo

Três é o limite

Para Lynda, mesmo os mais convictos conhecedores de vinhos não devem visitar mais de três vinícolas durante um dia. Se passar deste número e multiplicar as visitas, as lembranças vão se misturar e será difícil de se lembrar de cada um dos vinhos degustados.

Pensar em contratar um guia

Quase todas as regiões produtoras de vinho têm serviços de guias especializados que conhecem as vinícolas e têm laços de trabalho ou de amizade com os produtores. Alguns destes guias são também motoristas e poderão assim livrar o visitante do terrível dilema: beber ou dirigir. Mesmo que o custo possa parecer pesado – uma média de US$ 500 por dia -, é um excelente investimento, especialmente quando se trata de um pequeno grupo de amigos ou de colegas que podem dividir a despesa. Lynda lembra que os guias realçam a experiência dos viajantes, oferecendo uma visão local e contatos mais estreitos com os moradores. Eles podem ser reservados com antecedência com a agência de viagem ou no próprio destino com o concierge do hotel ou na vinícola.

Degustação na Vinícola Guaspari, em Espirito Santo do Pinhal

Regiões muito famosas, como a Toscana, a Provence ou Napa Valley podem ser invadidas pelos turistas. Se não for possível escolher uma época de baixa estação para viajar, é aconselhável agendar visitas em vinícolas menos conhecidas, onde os proprietários ou os enólogos terão mais disponibilidade para falar de seus vinhos e de seus segredos de fabricação. Uma outra opção interessante pode ser escolher regiões de vinhos menos conhecidas, como Santa Cruz Mountains, na Califórnia; Monticello, na Virgínia; Languedoc, na França;  ou Montevideu, no Uruguai.

Reservar antecipadamente

Muitas vinícolas famosas só aceitam visitas pré agendadas e as reservas devem ser feitas com algumas semanas de antecedência. Para evitar transtornos, e decepções, é importante reservar também um restaurante nas vizinhanças, em geral sempre lotado na alta estação.

Bodega do Borgo San Felice, Relais Châteaux na Toscana

Organizar outras atividades

Muitas destas regiões de vinhedos oferecem aos viajantes numerosas opções de lazer além do vinho, algumas são destinos turísticos perfeitos até para quem não bebe. Napa Valley tem uma rica oferta artística e muitas galerias de arte de alto nível. Alguns dos seus resorts, como o Meadowood Napa Valley, oferecem restaurantes estrelados, e spas com tratamentos à base de uvas. Em Bordeaux, a cidade brilha por sua arquitetura, sua vida cultural e sua gastronomia. Nos seus arredores o Sources de Caudalie tem o spa onde as sementes de uva são uma fonte de rejuvenescimento.  As colinas da Toscana ou da Borgonha atraem ciclistas, e muitas fazendas da Provence seduzem os turistas com degustações de azeites ou de queijos de cabra.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Shivani Vora no New York Times do 28 de Dezembro 2017

A Torre Eiffel se preparando para os J.O. 2024 e a Exposição Universal 2025!

A Dama de Ferro, o Rio Sena e a ponte Alexandro III

Talvez impressionada pelo sucesso da Dama de Ferro – que festejou em setembro 300 milhões de visitantes desde a sua inauguração em 1889, a Prefeitura de Paris anunciou um importante projeto de renovação dos acessos da Torre Eiffel. Pressionados pelos 7 milhões de visitantes e 20 milhões de passantes com crescentes exigências tanto de atendimento que de segurança, a Prefeita e o Presidente da Torre anunciaram uma licitação para escolher os arquitetos e os urbanistas que terão a difícil tarefa de facilitar o acesso e a circulação nessa área. Esperando uma forte contribuição dos moradores e dos turistas, a escolha do projeto vencedor será feita em janeiro de 2019, e as obras deverão ser realizadas entre 2021 e 2023, sem que seja fechada em nenhum momento até uma inauguração em 2024.

Os famosos pilares que inspiraram muitos artistas até no Brasil

Alem de melhorar a circulação dos pedestres e de agilizar as entradas dos turistas, o novo circuito deverá oferecer mais bancos, banheiros ou restaurantes, e dar mais informações para os visitantes, especialmente na área cultural que será reforçada com mais visitas guiadas valorizando o patrimônio. A prefeitura lembrou aos concorrentes que o projeto deverá ser bonito, ecológico, e respeitoso da historia desse monumento. Terá que ser ambicioso mas sóbrio, ágil e evolutivo, dentro de um orçamento sem surpresas. Mostrando muita criatividade, arquitetos, urbanistas e paisagistas internacionais vão assim concorrer para fazer do “Grand Site Tour Eiffel” uma vitrina emblemática do turismo parisiense oferecendo aos visitantes e aos moradores uma nova e agradável experiência.

Luar iluminando o Palais de Chaillot e a Torre

Para viabilizar o projeto, o vice prefeito encarregado do turismo, Jean François Martins, anunciou uma verba de 50 milhões de Euros, dentro de um investimento global de renovação de 300 milhões incluindo também obras  de manutenção bem como equipamentos de segurança – paredes de vidro blindadas ou proteções a prova de balas. Os financiamentos serão feitos diretamente pela empresa publica que gerencia a Torre Eiffel, a SETE. Com um faturamento anual de 70 milhões de Euros, a SETE trabalha com vários parceiros – lojas, banco, um bar, o restaurante 58 Tour Eiffel com seu “pique-nique chic”, e o famosíssimo “Jules Verne” de Alain Ducasse, lugar de “sonho e magia” com uma estrela Michelin e onde jantaram até os casais Trump e Macron. Com o “Grand site Tour Eiffel” não foram anunciadas as previsões de aumento dos fluxos turísticos, mas muitas pessoas se lembrem que a inauguração do “Grand Louvre” triplicou as entradas….

Casais Trump e Macron no Jules Verne do Alain Ducasse

129 anos depois da sua inauguração, a obra mestre do Gustave Eiffel está pronto para uma nova vida. Hoje monumento mais famoso do mundo (sua imagem foi avaliada em 2012 numa pesquisa da Câmara de Comércio da Itália em 434 bilhões de Euros, cinco vezes mais que o Coliseu, seis que a Torre de Londres), sempre soube se renovar. Obra provisória da Exposição Universal de 1889, não foi desmontada porque a cidade de Paris concedeu a exploração ao Eiffel  para pagar suas dívidas. Por falta de público ia ser destruída quando foi salva pelo sucesso da Exposição de 1900, e escapou em 1944 de uma ordem do Hitler para explodir-la. Renovado para Exposição Universal de 1937, a Dama de Ferro estará pronta para os grandes eventos que Paris vai hospedar na próxima década, especialmente os Jogos Olímpicos de 2024 e a Exposição Universal de 2025.

Jean-Philippe Pérol

A Torre Eiffel na inauguração da Exposição de 1889

 

Vendas diretas das operadoras, uma tendência irresistível?

Consumidor europeu na briga das agencias e das companhias pelas vendas diretas

Com viajantes cada vez mais informados e mais atentos para encontrar o melhor preço, as vendas diretas viraram um assunto de primeira importância para todos os atores do trade. No meio de uma polêmica com as agências europeias sobre a transparência e o custo de tais vendas, as companhias aéreas vêem nessa comercialização sem intermediários não somente um meio de reduzir seus custos, mas também uma ferramenta para criar ligações diretas com seus clientes.  Segundo um estudo da IATA de 2016,  as companhias aéreas já antecipam para 2021 a seguinte repartição de suas vendas: 9% de vendas com as OTA (-2%), 21% com as agências corporate (+1%), 16% com as agências tradicionais (que teriam uma queda de 4% de sua participação no mercado) e 52% de vendas diretas (+5%), um número que até pode ser superado no Brasil, onde algumas companhias já passam de 45%.

O espaço Braztoa no WTM Latin América

A batalha das vendas diretas deve em breve mudar de campo e as Operadoras serão, talvez, os atores que irão enfrentar agora as maiores mudanças. Sempre discretas sobre seus projetos de desenvolvimento em direção ao consumidor – e ainda no Brasil muito respeitosas às agências de viagem -, elas podem antecipar as evoluções olhando as tendências dos grandes mercados emissores. Assim, na França, a Associação das Operadoras (SETO, equivalente da BRAZTOA) mostrou as mudanças dos comportamentos de compra dos viajantes nos últimos cinco anos e a conclusão mais forte foi um espetacular crescimento das vendas diretas, que passaram de 31% a 45% entre 2012 e 2017, e até de 56% a 68% se incluir as agências pertencentes a estas operadoras.

Evolução por canal das vendas das operadoras francesas de 2012 a 2016

Os grandes vencedores desse novo mapa da distribuição são os sites B2C das operadoras, que dobraram sua faixa de mercado. As agências tradicionais continuam sendo o primeiro canal de vendas – especialmente nos pacotes mais caros-, mas são as grandes perdedoras, com uma queda de 27,3% em quatro anos. Estas evoluções não impedem, porém, as operadoras de serem muito cautelosas e de respeitar os comportamentos dos viajantes. Consumidores cada vez mais atentos, eles seguem utilizando vários canais, procurando na web, olhando nas mídias sociais, pedindo conselhos e dicas a um agente capacitado, reservando no call center ou se juntando a um grupo organizado por sua empresa. E, se o crescimento das vendas diretas é uma tendência irresistível nos mercados internacionais, os agentes tradicionais deveriam continuar a atrair os consumidores mais exigentes.

Jean-Philippe Pérol

Com 335.000 pacotes, as Ilhas Canárias são o destino mais vendido pelas operadoras francesas