Vendas diretas das operadoras, uma tendência irresistível?

Consumidor europeu na briga das agencias e das companhias pelas vendas diretas

Com viajantes cada vez mais informados e mais atentos para encontrar o melhor preço, as vendas diretas viraram um assunto de primeira importância para todos os atores do trade. No meio de uma polêmica com as agências europeias sobre a transparência e o custo de tais vendas, as companhias aéreas vêem nessa comercialização sem intermediários não somente um meio de reduzir seus custos, mas também uma ferramenta para criar ligações diretas com seus clientes.  Segundo um estudo da IATA de 2016,  as companhias aéreas já antecipam para 2021 a seguinte repartição de suas vendas: 9% de vendas com as OTA (-2%), 21% com as agências corporate (+1%), 16% com as agências tradicionais (que teriam uma queda de 4% de sua participação no mercado) e 52% de vendas diretas (+5%), um número que até pode ser superado no Brasil, onde algumas companhias já passam de 45%.

O espaço Braztoa no WTM Latin América

A batalha das vendas diretas deve em breve mudar de campo e as Operadoras serão, talvez, os atores que irão enfrentar agora as maiores mudanças. Sempre discretas sobre seus projetos de desenvolvimento em direção ao consumidor – e ainda no Brasil muito respeitosas às agências de viagem -, elas podem antecipar as evoluções olhando as tendências dos grandes mercados emissores. Assim, na França, a Associação das Operadoras (SETO, equivalente da BRAZTOA) mostrou as mudanças dos comportamentos de compra dos viajantes nos últimos cinco anos e a conclusão mais forte foi um espetacular crescimento das vendas diretas, que passaram de 31% a 45% entre 2012 e 2017, e até de 56% a 68% se incluir as agências pertencentes a estas operadoras.

Evolução por canal das vendas das operadoras francesas de 2012 a 2016

Os grandes vencedores desse novo mapa da distribuição são os sites B2C das operadoras, que dobraram sua faixa de mercado. As agências tradicionais continuam sendo o primeiro canal de vendas – especialmente nos pacotes mais caros-, mas são as grandes perdedoras, com uma queda de 27,3% em quatro anos. Estas evoluções não impedem, porém, as operadoras de serem muito cautelosas e de respeitar os comportamentos dos viajantes. Consumidores cada vez mais atentos, eles seguem utilizando vários canais, procurando na web, olhando nas mídias sociais, pedindo conselhos e dicas a um agente capacitado, reservando no call center ou se juntando a um grupo organizado por sua empresa. E, se o crescimento das vendas diretas é uma tendência irresistível nos mercados internacionais, os agentes tradicionais deveriam continuar a atrair os consumidores mais exigentes.

Jean-Philippe Pérol

Com 335.000 pacotes, as Ilhas Canárias são o destino mais vendido pelas operadoras francesas

30 anos de turismo francês, evoluindo com os atores do trade e os proprios viajantes!

O bicentenário de 1789 foi um dos maiores impulsos para o turismo francês

Deixando esse mês a Diretoria Américas da Atout France, fico impressionado com a importância das mudanças que o “marketing de destino” enfrentou no Brasil nos últimos 30 anos. Além do cotidiano, comparando o primeiro escritório da Maison de la France, onde duas funcionárias distribuíam duas toneladas de folhetos por mês, a toda informação e à comunicação que hoje são concentradas na nova plataforma web onde está sendo hospedado o site france.fr, o novo banco de dados e a gestão das mídias sociais, com nosso milhão de fãs brasileiros. Três evoluções do setor turístico no Brasil transformaram completamente o papel da Agência de Desenvolvimento Turístico da França e das secretarias de turismo dos seus principais concorrentes.

Os novos viajantes empurrando o Brasil como terceiro mercado fora da UE

A primeira foi o crescimento do Brasil como mercado emissor para a França, passando de menos de 200.000 turistas a quase 700.000, sendo somente ultrapassado, fora da Europa, pela China e pelos Estados Unidos. Esse crescimento não foi somente quantitativo, mas gerou novos perfis de viajantes. A França manteve seus clientes tradicionais – casais ou pequenos grupos de amigos da classe A,  francófilos e bons conhecedores da arte de viver à francesa -, mas agora também recebe outros brasileiros. Os novos turistas são mais novos, pertencem às classes A ou B, precisam de mais apoio, viajam mais em grupo, visitam mais países na Europa, voando para outras capitais ou rodando de ônibus. Com muita vontade de viajar pelo mundo, mas como menos de 10% deles fazem uma viagem internacional por ano, eles representam o maior potencial para os 1,5 milhões de turistas que a França tem como objetivo no Brasil.

Hotel Urbano, um dos novos atores mudando a distribuição

A segunda grande mudança foi da distribuição. A França era principalmente comercializada através de grandes operadores europeias de circuitos (Polvani, Melia, Pullmantur, Marsans, Abreu, Transocean), ou através de operadoras brasileiras especializadas, tais como Bon Voyage, Imperial, Elantur, Oremar, Wagons-lits, Renocar. Se hoje o DNA da Atout France continua sendo uma forte ligação com operadoras e agências, os atores mudaram. A brasileiríssima CVC ficou em um disparado primeiro lugar com a metade dos pacotes para França, as agências on-line pegaram a sua fatia do mercado. As operadoras tradicionais devem contar com concorrentes criativos, tais como Hotel Urbano, mas também com novos canais de distribuição: blogueiros, plataformas de receptivo ou atores da economia colaborativa.

Parceria com o trade, especificidade e força da Atout France

A Atout France teve também que se adaptar a uma profunda evolução das expectativas dos seus parceiros. Enquanto a estratégia da Maison de la France era de atrair empresas de turismo para construir com elas ações de marketing, duas novas exigências tiveram que ser integradas aos planos da Atout France. A crescente necessidade de medir os resultados de cada investimento levaram a privilegiar as ações de vendas com retorno imediato.  E a importância estratégica do “branding” leva cada empresa e cada destino  a administrar com muito ciúme sua imagem, aceitando com dificuldade que ela seja diluída em uma ação coletiva, campanha de publicidade ou até evento. O marketing do destino França teve, então, que evoluir, se apoiando cada vez mais em produtos e declinando a marca França em cerca de 40 “brands”, de Bordeaux à Toulouse-Pyrénées, dos Alpes-Mont Blanc à Guiana Amazônia, ou de Biarritz Pays Basque à Normandia.

Esse capacidade de evoluir em função das novas expectativas dos turistas e de acompanhar as mutações do trade é, sem dúvidas, responsável pelo sucesso da França como grande destino turístico – esse ano será quebrado um novo recorde, com 89 milhões de entradas. Frente a nossos grandes concorrentes, especialmente os Estados Unidos e a China, ela será também a chave para se manter no primeiro lugar dos desejos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Perto de Bordeaux, a primeira experiência de uma viajante brasileira de amanhã

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Diversificação da hospedagem virou chave do sucesso do turismo francês!

Paris plage, uma nova imagem da cidade luz!      @Loic Lagarde

Enquanto a França reencontra os turistas internacionais – 6% de crescimento das chegadas no primeiro semestre, com um destaque especial para o Brasil que teve um aumento de 22,7%, e um novo recorde de 89 milhões de turistas anunciados pelo ministro das relações exteriores-, uma das suas principais ambições é de oferecer hospedagens em sintonia com as novas exigências dos viajantes. Junto com os investimentos para melhorar a qualidade e a quantidade, os esforços bem sucedidos para diversificar as hospedagens são uma das principais razões da volta dos turistas tanto em Paris que nos principais destinos franceses.

O Restaurante do Mama Shelter de Paris

A criatividade dos novos alojamentos turísticos pode ser comprovada em muitos projetos, dos hotéis boutique até os “Mama Shelter” ou os “glamping”, mas duas categorias estão se destacando nesses esforços bem sucedidos combinando iniciativa dos profissionais e responsabilidade das autoridades para ampliar uma oferta respondendo a procura de viajantes  cada vez mais diversificados. O sucesso da “Distinction Palace” contribuiu muito para consolidar a liderança de Paris e da França na hotelaria de altíssimo padrão. Criada em 2014, essa categoria muito especial, premiando estabelecimentos já titulares de 5 estrelas assim selecionados por uma comissão de personalidades independentes, ja reune 23 hotéis – 10 em Paris, 12 nos outros destinos da Franca metropolitana e um em Saint Barthelemy.

As Sources de caudalie, um dos Palaces premiados em 2016

Exclusividade francesa, os “Palaces” foram não somente um reconhecimento do “savoir faire” desses profissionais do luxo, mas também um forte incentivo a renovação ou até a abertura de novos estabelecimentos. Em 2016, sete hotéis ganharam a distinção, vários deles muito acostumados  com brasileiros como o Eden Roc na Riviera, o Cheval d’Argent en Saint Barthelemy ou as Sources de Caudalie perto de Bordeaux. Para 2017 e 2018 mais candidatos estão se preparando, especialmente os lendários Hotel Lutetia e Hotel de Crillon. Construído em 1758, essa prestigiosa mansão, que foi transformado em hotel de luxo em 1909 e participou da aventura da Route du Bonheur e dos Relais & Châteaux, reabriu agora depois de dois anos de renovação.

O Hotel de Crillon agora renovado

As obras combinaram o total respeito da faixada e das partes tombadas do Hotel, as necessárias inovações para atender as exigências dos viajantes do século 21, e criatividade de grandes designers para os restaurantes (Minossian), os quartos (Vergniol) e as suites assinadas pelo Karl Lagerfeld que dedicou uma delas a sua gata Choupette …. O novo Crillon tem assim menos quartos (124 em vez de 147), mas com 33 suites e 10 suites “Signature” de altíssimo padrão. O restaurante gastronômico não fica mais no salão dos Embaixadores mas numa sala menor chamada L’Ecrin com o jovem chef Christopher Hache e uma adega de 43.000 garrafas. Nas novidades mais esperadas constam um bar espetacular,  uma piscina e um spa (num segundo subsolo cavado especialmente), bem como um “cigar loundge” para os amadores de charutos. Detalhes que ajudarão a reforçar a imagem de Paris no segmento de turismo de luxo.

Bordeaux, cidade pioneira na regulamentação dos alugueis C2C

Mas o provável novo recorde de turistas internacionais que a França deve atingir esse ano se deve também ao espetacular sucesso  de hospedagens alternativos que mostram a forte diversificação da oferta francesa. Assim a hospedagem não comercial (parentes e amigos), que chega a 34% dos pernoites, com um forte crescimento nos últimos anos  junto aos viajantes vindo da Asia ou das Américas ((o não comercial representa hoje 22,5% dos 8,2 milhões de pernoites de turistas brasileiros na França).  Assim os alugueis “de pessoa a pessoa” da AirBnb e dos seus concorrentes. Representando hoje 26,7% dos pernoites comerciais, essa forma de hospedagem atrai especialmente os  turistas provenientes dos Estados Unidos, da Australia e do Brasil (seriam mais de 1,5 milhões de pernoites de brasileiros). Agora mais regulamentada para respeitar tanto os concorrentes que os moradores, ela deve continuar a crescer, contribuindo a ampliar e diversificar a oferta de hospedagem na França. Uma diversificação que atrai novos viajantes e  consolida a  liderança francesa no turismo mundial.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

O glamping, glamour e camping, chegou com toda força

Turismo internacional, o ótimismo e a confiança

As viagens internacionais antecipando a retomada do crescimento brasileiro

Com um crescimento de 20% das viagens internacionais e de 50% das despesas no exterior durante o primeiro trimestre, os profissionais brasileiros do turismo estão hoje muito otimistas em relação a 2017. As projeções anuais variam de 5% até 20%, deixando quase certa uma recuperação dos clientes perdidos em 2016 e talvez até em 2015, especialmente  junto aos novos viajantes de lazer. Os “emergentes”  estão de novo transformando o Brasil numa grande potência turística internacional, empurrando o crescimento das vendas das operadoras, com taxa de dois e as vezes de três dígitos.

A nova campanha bem sucedida de Paris para atrair os visitantes

Castigada durante dois anos seguintes, a França está voltando a ser o destino favorito dos brasileiros na Europa, com um crescimento de 25,6% de janeiro a março, e umas perspectivas de quase 50% nos próximos seis meses. Alem de recuperação de demanda reprimida, esses resultados se devem aos esforços dos profissionais e das autoridades no atendimento, na segurança e nos preços, bem como ao cambio favorável ao euro e as facilidades de viagem – fatores que impactam de forma negativo o grande concorrente americano.

Paris se preparando para receber os Jogos de 2024

O otimismo dos franceses em relação as chegadas de turistas brasileiros é agora reforçado com os novos rumos da política da França. Um Presidente jovem, trazendo ideias de abertura ao mundo, de respeito as diversidades culturais e de orgulho de pertencer a um pais acolhedor, deve ajudar os turistas do mundo inteiro a escolher nosso pais . O turismo parece também ser uma das prioridades do novo Presidente, e os profissionais notaram com muita satisfação que o primeiro compromisso oficial que ele assumiu domingo foi de receber o Comité Olímpico Internacional para empurrar a candidatura de Paris para os Jogos 2024.

O Airbus 380, uma das opção para aumentar a oferta de assentos no Brasil

Para esse otimismo ser confirmado com números, o turismo brasileiro precisa agora de confiança. Confiança dos viajantes na retomada, mesmo gradual, da economia bem como na estabilidade do cambio. Confiança também dos profissionais que o setor está mesmo voltando a crescer. Dois gargalos só poderão ser resolvidos com essa confiança. O primeiro é a oferta de voos internacionais que caiu de 25% esse ano, o Brasil tendo menos voos, menos assentos e menos gateways internacionais. Agora com somente 5 voos diários, Paris é um dos destinos onde a situação ficou mais critica. Com saudade de ligações regulares para Brasília, Recife, Salvador ou Manaus, temos que esperar a ampliação de numero de assentos prevista pela Air France e torcer para ver a LATAM – ou uma outra companhia brasileira-  voltar a por a mesma confiança no destino França que a saudosa VARIG.

A Travel week, encontro mor dos profissionais do turismo de luxo

A confiança é também necessária para ver os profissionais estrangeiros voltar a investir em promoção no mercado brasileiro. Os últimos eventos do trade – WTM bem como Travel Week- mostraram queda de 20% e mais nas participação de expositores internacionais, sejam as companhias aéreas, os destinos, os receptivos ou os hotéis. A retomada do mercado só poderá ser definitiva se esses incontornáveis parceiros voltam a investir no Brasil, adaptando os seus serviços e as suas ofertas, e, mais ainda, investindo em ações de promoção. A nos, profissionais brasileiros, o dever de repassar essa confiança, e a convicção que o Brasil continua de ser um dos maiores mercados emergentes do mundo global.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

A França com menos turistas, mas uma liderança confirmada e muitos eventos pela frente!

Biarritz, o Vieux Port e a Pedra da Virgem

Biarritz, o Vieux Port e a Pedra da Virgem

Em visita oficial em Biarritz, no Pais Basco, o Ministro francês das Relações Internacionais e do Turismo divulgou os primeiros resultados do turismo para 2016. Confirmou a queda que os profissionais e a imprensa tinham antecipados tanto na França que nos grandes mercados emissores, inclusive no Brasil. Os números ainda não são definitivos, mas a estimativa é de 82,5 a 83 milhões de turistas estrangeiros, seja uma baixa de 2,3% a 2,9% sobre os resultados de 2015. O ministro confirmou que os trágicos atentados sofridos em Paris e em Nice foram os principais motivos dessa evolução, e que as greves do segundo trimestre e as chuvas do verão tiveram também um impacto negativo.
Na Riviera francesa, muitas esperanças para um grande ano turístico 2017

Na Riviera francesa, muitas esperanças para um grande ano turístico 2017

 Mas mesmo com a queda, o turismo francês tem boas razões para confiar no futuro. França  deverá guardar em 2016 a sua posição de primeiro e preferido destino dos turistas internacionais, na frente dos Estados Unidos, da Espanha e da China. Uma forte tendência de alta apareceu nos últimos meses do ano passado – os pernoites chegando a superar o nível recorde de 2014- e está se confirmando no inicio de 2017, especialmente nos mercados mais atingidos em 2016:  Russia, Japão, Brasil. Os brasileiros estão voltando mesmo em Paris, com 26,5% de alta das chegadas em Janeiro e uma expectativa de mais de 40% para os próximos meses.
A Torre Eiffel, garota propaganda de Paris para 2024

A Torre Eiffel, garota propaganda de Paris para 2024

As boas perspectivas ajudaram a reafirmar o objetivo de 100 milhões de turistas que a França definiu para 2020, aproveitando os seus importantes investimentos tanto para melhorar a segurança dos seus visitantes que para reestruturar a sua oferta nos seus grandes destinos já conhecidos internacionalmente. Na véspera de grandes eventos internacionais, da Ryder Cup até a Expo 2025, e poucos meses antes da decisão do CIO sobre a candidatura de Paris aos Jogos Olímpicos de 2024, Biarritz e o Pais Basco, conhecidos dos brasileiros tanto pelas suas ondas de surfe que pelos seus campos de golfe, eram sem dúvidas o perfeito local para passar uma mensagem de otimismo tanto aos profissionais franceses que aos turistas do mundo inteiro.

Jean-Philippe Pérol

O campo de golfe de Saint Quentin, pronto para Ryder Cup 2018

O campo de golfe de Saint Quentin, pronto para Ryder Cup 2018

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Destinos turísticos e gastronomias regionais, os sucessos interligados

 

Degustação de ostras no Etang de Thau

Degustação de ostras no Etang de Thau

A gastronomia e as bebidas locais enriquecem o patrimônio turístico e são sempre parte das campanhas promocionais, como sendo experiências-chave para aproveitar um destino. Uma boa chucrute vai ser um grande momento de uma viagem para Estrasburgo, um Grand Cru degustado no Bar da Praça de Saint-Emilion justificará uma viagem para Bordeaux, um copo de Chablis com uma “gougère” será um parada obrigatória na Borgonha, uma cavaquinha grelhada frente ao porto de Saint-Tropez ficará como a sua melhor imagem da Côte d’Azur, bem como um prato de ostras na beira do Etang de Thau agregará a noite inesquecível que vai lhe fazer lembrar para sempre sua viagem para Montpellier.

Paul Bocuse em Lyon, capitale francesa da gastronomia

Paul Bocuse em Lyon, capital francesa da gastronomia

Para 67% dos viajantes, a gastronomia é um critério importante para selecionar o seu destino, sendo sempre entre os dez mais citados. E para os brasileiros, a culinária francesa é a quinta razão mais lembrada para justificar uma viagem para França, 59% deles colocando experiência gastronômicas nos seus roteiros. Os sucessos  recentes de Lyon ou de Bordeaux junto aos turistas vindo do Brasil se devem sem dúvidas em grande parte para a primeira ao prestígio do Paul Bocuse, das suas grandes mesas estreladas (ou dos seus pequenos “bouchons”), e para a segunda a justificada fama dos vinhos de Pomerol, de Côtes de Bourg, de Pessac Leognan ou de Margaux.

O Rosé , seduzindo por ser o espirito da Provence

O Rosé, seduzindo por ser o espírito da Provence

Se é então indiscutível que a culinária reforça a atratividade dos destinos, não se deve subestimar o quanto a imagem de um destino pode ajudar na divulgação dos produtos regionais. O exemplo mais famoso é talvez o Rosé de Provence. Produzido há mais de dois milênios, esse Rosé é hoje um sucesso mundial, 141 milhões de garrafas, 16 milhões das quais são exportadas (1,7% no Brasil). Esse sucesso se deve talvez à qualidade das suas uvas, ao charme das suas cores, ou a originalidade dos seus aromas. Mas, quem gosta desse vinho gosta antes de tudo da Provence. Beber esse Rosé com alguns amigos em dia de sol é beber a Provence, beber as oliveiras, os campos de lavanda, beber os jogadores do “bocha” na praça do vilarejo ou o canto das cigarras. A força da imagem da região deu ao seu vinho um prestígio que o transformou.

A Volvic no Japão, ligando sua imagem com os vulcões da Auvergne

A Volvic no Japão, ligando sua imagem à dos vulcões da Auvergne

Muitos pratos ou produtos das gastronomias tradicionais devem sua popularidade à atratividade das imagens dos seus países ou das suas regiões de origem, consolidadas através do turismo, de lembranças de férias ou de festas inesquecíveis. Na França, é assim que a Córsega exporta os seus embutidos, a Britânia sua cidra, a Auvergne suas águas minerais, o Pais Basco o seu queijo de ovelha, ou os Alpes sua “fondue” ou seu Genepi. Exemplos que mostram que se a gastronomia é um grande atrativo dos destinos, o sucesso turístico pode também ser um grande atrativo para a divulgação de gastronomia de um território.

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

O Pâté de pommes de terre da Auvergne revisitado pelo chef Laurent Suaudeau

A influência dos destinos sobre a valorização das suas respectivas culinárias é ainda mais forte quando se trata de viajantes ou de consumidores com raízes familiares. E, devo confessar que a minha paixão pelo “Pâté de pommes de terre”, que eu já dividi com amigos em Nova Iorque, Quito, Manaus ou São Paulo, se deve muito mais ao meu amor e ao meu orgulho das minhas origens na Auvergne que pela qualidade gastronômica dessa torta de batatas coberta de creme de leite. Mais um destino que soube ajudar a popularizar a sua culinária!

Jean-Philippe Pérol

Chablis com "Gougère", o pão de queijo a francesa

Chablis com “Gougère”, o pão de queijo à francesa

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Em Gramado, um grande encontro do turismo brasileiro

Gramado na véspera do Natal, em tempo de Festuris

Gramado na véspera do Natal, em tempo de Festuris

É difícil voltar da Festuris de Gramado sem ter sido seduzido não somente pelo charme dessa estância turística onde a arquitetura, o atendimento, as infraestruturas e as animações lembram as montanhas dos Alpes europeus, mas também pela importância crescente dessa feira nos roteiros dos profissionais do turismo brasileiro.

No La Hacienda, o requinte de um pique nique a taitiana

No La Hacienda, o requinte de um piquenique a taitiana

Desde que a tão querida Feira da ABAV  parou de andar pelos Brasis para se fixar primeiro no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, nenhum dos grandes encontros do turismo brasileiro conseguiu se firmar como a indiscutível cúpula dos profissionais do ramo, seja pela representatividade dos expositores presentes ou, mais ainda, pelo números de visitantes – agentes de viagens ou operadores. atout-france-wtm-2016-by-arnaldo-cellani-junior-2016_03_29-18_43_27-0723 A própria Feira das Américas ganhou um novo impulso esse ano, mostrando uma capacidade de se renovar com uma melhor integração dos parceiros da BRAZTOA e uma valorização das formações propostas na Vila do Saber. Seu concorrente direto, o WTM conseguiu nas suas ultimas edições, com a forca da Reed International,  trazer novos expositores e mostrar sua experiência em organização de grandes encontros. Mas nenhum dos dois ainda atraiu o volume de visitantes necessário a um indiscutível  sucesso.

O espaço luxo, uma novidade da Feira

O espaço luxo, uma novidade da Festuris

Mesmo se sentindo falta do charme e do carisma da sua fundadora Carolina Peres, a Travelweek continua sendo uma excelente opção de encontro profissional, juntando duas características muito procuradas tanto pelos expositores que pelos compradores: um evento especializado para umas clientelas e uns produtos bem definidos, e um numero garantido de encontros “face to face”. img_7762Um custo extremamente elevado – o contato útil acaba saindo por mais de 200 Usd- , e uma acertada vontade de focar exclusivamente o segmento luxo, impedem esse conceituado evento de atrair todos os lideres de opinião do trade. E se alguns destinos conseguiram nos últimos anos usar a Travelweek para se projetar – foram os casos da África do Sul, da Franca, da Espanha, do Portugal ou da Suíça -, o próprio conceito continua sendo dos hoteleiros de luxo vendendo através das agencias especializadas, deixando pouco espaço formal ou informal para os outros profissionais.

img_1094

O estante da Air France e dos parceiros Skyteam

Cada vez mais procurada, guardando seu lado exclusivo que combina tão bem com a aconchegante cidade de Gramado, a Festuris conseguiu esse ano atrair  400 expositores, inclusive 16 destinos internacionais, e 8000 compradores vindo principalmente dos três estados do sul do Brasil, mas também de São Paulo e de vários países da América do Sul, argentinos, uruguaios, chilenos ou peruanos. img_1084Com um alto índice de satisfação dos participantes, a Festuris tem vários trunfos para se firmar como uma das feiras favoritas dos profissionais do setor: uma qualidade (e quantidade) de visitantes querendo mesmo fazer negócios (fala-se de mais de R$ 250 milhões de contratos fechados), uma programação equilibrada entre as palestras, os seminários, os estantes e os agendamentos, umas experiências inovadoras como o espaço luxo, um custo extremamente razoável, e enfim as numerosas opções de networking.

O Relais Châteaux Saint Andrews, um dos pontos de encontros da Festuris

O Relais Châteaux Saint Andrews, um dos pontos de encontros da Festuris

Desde as solenidades  da festa de abertura até os almoços, coquetéis ou jantares organizados pelos expositores, desde o concorridissimo jantar no Saint Andrews até as discussões mais informais nos corredores da feira, a descontraída organização da Festuris cria o perfeito clima para atualizar seus contatos e perceber as evoluções do trade. Enquanto o futuro dos grandes salões de turismo ainda é um debate acirrado entre os profissionais brasileiros, e que crescem os workshops especializados, a  Feira de Gramado deve atrair cada vez mais as  principais lideranças do setor, podendo assim ainda crescer como  um grande encontro do turismo no Brasil.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

A Feira da ABAV, liderando os eventos do setor

A Feira da ABAV, liderando os eventos do setor

 

Em tempo de crises, a OMT destaca a resiliência, a busca de segurança e a dinâmica regional do turismo internacional

Menos turistas na França em 2016, mesmo se a liderança continuará

Menos turistas na França em 2016, mesmo se a liderança continuará

Enquanto o turismo internacional enfrenta no Brasil (e na França) um clima de morosidade, a Organização Mundial do turismo acabou de publicar resultados animadores do primeiro semestre , uma alta de 4% em relação a 2016 com um total de chegadas de turistas passando de 540 a 561 milhões. Comemorando esses números, o Secretario Geral da Organização, Taleb Rifai, destacou a resiliência da economia turística, continuando a criar milhões de empregos em tempos de crise, interligando pessoas de todas origens em tempos de guerra e de insegurança.  Lembrou que o turismo voltará a crescer mais ainda se os governos conseguem trabalhar juntos para melhorar  a tranquilidade e a segurança que aparecem sempre como os primeiros critérios de decisão dos viajantes.

Com 7,9% de crescimento, Tahiti contribui ao sucesso da região Asia Pacifico

Com 7,9% de crescimento, Tahiti contribuiu ao sucesso da Ásia Pacifico

 

Os grandes destinos turísticos tiveram resultados muito diferenciados. Os maiores crescimentos -9%-  foram registrados na Ásia e no Pacifico. Com um forte  impulso das chegadas provenientes da própria região, a dinâmica foi compartilhada por quase todos, com destaque para a Austrália, a China e o Vietnã.  A Europa ficou com um crescimento de somente 3%, mas com grande desigualdade. Enquanto a Escandinávia ou a Republica Tcheca  registrava  altas de 5%, os países do Mediterrâneo cresciam de 2%, e os da faixada atlântica ficaram  em somente 1%. Na África, os destinos ao sul do Saara conheceram um impressionante sucesso com 12% de turistas internacionais a mais, mas a África do Norte e o Egito, desgastados pela insegurança, sofreram um queda de 9% que colocou o setor em crise. A mesma queda, pelas mesmas razões, foram observadas pela OMT nos países do Oriente Médio. Nas Américas, as chegadas de turistas internacionais seguiram o crescimento mundial, com uma alta de 4%, sendo mais forte na América Latina (+7%), incluindo no Brasil.

Os chineses liderando o crescimento do turismo mundial

Os chineses liderando o crescimento do turismo mundial

A evolução dos mercados emissores confirmou as tendências que o dinamismo  das economias e a força das moedas já tinham indicadas. A China, hoje líder mundial, aumentou de 20% seus gastos em viagens internacionais no primeiro trimestre do ano. Aproveitando a evolução do dólar, os Estados Unidos, segundo mercado, gastaram 8% a mais até julho, e a Alemanha 4%. Nos destaques anota-se os fortes crescimentos das viagens internacionais na Espanha (+20%), na Noruega (+11%) e da Austrália (+10%). E como era de se esperar, as maiores quedas foram observadas na Rússia e no Brasil (- 28,6% de janeiro a agosto).

omt

A OMT é também otimista para o segundo semestre do ano, tradicionalmente mais forte, especialmente nos países do hemisfério norte. Os especialistas já anotaram que o crescimento continuou em julho e agosto, e que as reservas para os últimos meses do ano seguem a mesma tendência. Um clima de otimismo poderia até impactar os fluxos de turistas internacionais para a Ásia, o Pacifico, a África e as Américas. A evolução da Europa e do Meio Oriente é vista com mais cautela, mas pode até surpreender  se foram superados o impacto dos eventos trágicos que abalaram a imagem de segurança desses destinos.

O bem sucedido êxito dos JO vai beneficiar o turismo brasileiro

Crescimento e criação de empregos mesmo em tempo de crise, segurança como critério-mor da escolha dos destinos, peso cada vez maior dos mercados asiáticos, fluxos intra-regionais  crescentes, especialmente na América latina, a publicação pela OMT do balance do primeiro semestre desse ano traz não somente otimismo para o turismo internacional, mas também algumas ideias de prioridades para argumentar novas estratégias e aproveitar novas oportunidades.

Jean-Philippe Pérol

dscn0930-copie

A Turquia, um dos destinos turísticos mais atingidos no Oriente Medio

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Barcelona cansada do turismo?

A Sagrada Familia

A Sagrada Familia

A nova prefeita de Barcelona, Ada Colau, deve apresentar nas próximas semanas um projeto de “des-crescimento turistico”, parte do programa que a ajudou a ser eleita nas eleições de 2015. Pode parecer estranho numa cidade que é considerado um exemplo-mor do turismo internacional, um modelo de estratégia de desenvolvimento que começou com os J.O. de 1992, atraindo hoje 29 milhões de turistas e sustentando 160.000 empregos, 14% do seu PIB, mas a capital catalã parece hoje vitima do seu sucesso. E um sucesso que deve ainda se ampliar com novas oportunidades trazidas pelas companhias low cost, e pelos cruzeiros atraídos pelo terminal marítimo onde quase 3 milhões de passageiros devem chegar esse ano.

"Turisme és misèria" nas paredes de Barcelona

“Turisme és misèria” nas paredes de Barcelona

Mas, desde 2014, os moradores, os comerciantes e as associações de bairros (El Raval, Barceloneta ou Barri Gotic) se queixavam do disparo dos alugueis, da transformação de mais de 30.000 apartamentos em residência de turismo, da inflação da alimentação, da saturação dos transportes coletivos, das brigas noturnas, e do congestionamento dos lugares turísticos nos arredores da Rambla, da Sagrada Familia ou do Parque Guell. Nas ruas do centro, e até no famoso mercado La Boqueria, os comercios tradicionais – a vida e a alma da cidade – estariam se transformando em lojas de souvenirs, em fast-food, em locadoras de bicicletas ou em discotecas para « turismo de borrachera ».

A Rambla durante o mês de Agosto

A Rambla durante o mês de Agosto

Querendo preservar a identidade de Barcelona, capital do Mediterrâneo da festa, do sol, da praia e da vida cultural, a prefeita já suspendeu 38 projetos hoteleiros – inclusive um Four Seasons -, mandou controlar a legalidade dos alugueis de apartamentos e multou a AirBnb. No seu projeto final, a cidade terá o zoneamento em três áreas, reduzindo a oferta de apartamentos na cidade velha, bloqueando o crescimento nos bairros da Sagrada Família e da Vila Olímpia, e autorizando de forma controlado o desenvolvimento na periferia. Esta sendo também estudada uma taxa especial para os cruzeiristas cujas receitas, juntas com as outras taxas turísticas, seriam agora utilizadas não mais para promoção mas exclusivamente para melhorias das infra-estruturas.

O Parque Guell, escolhido por 2,6 milhões de visitantes

O Parque Guell que atrai 2,6 milhões de visitantes

Barcelona vai  dar uma importante virada em direção a um turismo sustentável, mais em fase com os seus moradores. Mas as decisões que serão tomadas pela perfeita, os vereadores, o Consorcio Turismo Barcelona e o recém criado Conselho municipal do turismo (onde encontram-se moradores, ecologistas, hoteleiros e comerciantes) deverão respeitar duas considerações. A primeira é a importância do turismo como primeira atividade econômica da cidade, tanto nos hotéis que conseguem agora manter uma taxa anual de ocupação de 85%, no porto que recebe 750 escales de 40 navios gerando 400 milhões de euros de receitas, que nos milhares de restaurantes ou de comércios. Mas esse sucesso, especialmente junto aos “melhores” turistas, só poderá perdurar se a cidade guardar as suas características, preservar o seu patrimônio e seu modo de viver, respeitar a diversidade dos seus bairros, aproveitar os seus comércios e suas animações genuínas, e acima de tudo, continuar com a participação e o carinho dos seus moradores.

A animação do mercado La Boqueria

Barcelona vai sem duvidas contribuir a inventar um novo turismo urbano mais sustentável e mais respeitoso do jeito de viver dos seus habitantes. A capital catalã está sendo seguindo com muita atenção  por cidades como Amsterdã, Bruges, Berlim, Roma, Lisboa ou até Veneza. Todas elas querem também seguir um caminho combinando, de um lado, o sucesso económico, e , do outro, o bem estar dos moradores cuja felicidade é , cada vez mais, um componente chave de um destino turístico bem sucedido.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog  “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Por do Sol em Barcelona

Por do Sol em Barcelona

“Vive la différence”, o Brexit favorecendo o turismo?

Os clichês de Londres mais procurados depois do Brexit

Os clichês britânicos mais procurados depois do Brexit

Se os políticos e os economistas do mundo inteiro foram muito negativos sobre as consequências do Brexit, os turistas internacionais parecem ter aprovado a decisão dos ingleses. Aproveitando  uma queda da libra de quase 10% – a moeda atingiu seu nível mais baixo dos últimos 30 anos-, as entradas de turistas subiram de 4,3% em julho. Se as chegadas da Europa ainda são fracas (em recuo de 1,8% mas caiam de 6,8% antes do plebiscito) , a alta é puxada pelos os chineses, os americanos, os canadenses e a maior parte dos não-europeus que crescem de 8,6%. E se ainda é cedo para desenhar tendências a longo prazo, a alta deve se prolongar nos próximos meses: as reservas da International Net bookings, que eram em queda de 2,8% em maio, estão agora também em alta de 4,3%.

American tourist in London

Turista americano em Londres

Os americanos são há muito tempo os mais numerosos turistas internacionais na Inglaterra. Foram 3,3 milhões em 2015, um crescimento de 10% em relação a 2014, e, segundo Visit Britain – a agencia nacional de promoção do turismo, vários indicadores mostram que a popularidade do pais cresceu depois do Brexit. Os números estão bastante impressionante na Internet: 38% de visitantes a mais no próprio site da VisitBritain, mas também  138% a mais nas pesquisas no site da British Airways nos Estados Unidos, 30% a mais no site e nas vendas da Expedia. Os hoteleiros ingleses confirmam um crescimento das reservas, especialmente os “last minut bookings”.

O distrito financeiro de Londres

O distrito financeiro da City

A  fraqueza da libra depois do Brexit é dada pelos profissionais como a primeira razão desse crescimento surpreendente. Num destino visto há anos como muito caro, ela não somente impulsionou as reservas internacionais, mas impactou também as viagens dos próprios britânicos. Com um poder aquisitivo diminuído e já impactando os destinos ligados ao dólar,  eles estão  aumentando sua procura de viagens domésticos, e a  Airbnb já anunciou que a  procura de apartamentos no mercado inglês subiu de 122% desde o plebiscito. Essa tendência favorecendo as “staycations” está sendo observada também pela Expedia.

Abbey Road, um dos imperdíveis clichês de Londres

Abbey Road, um dos imperdíveis clichês

O maior impacto do Brexit sobre o turismo na Grã Bretanha deverá porem se medir em termo de imagem. Em primeiro lugar pelo reposicionamento em termo de preços que os hoteleiros já perceberam e ampliaram com uma seria de iniciativas para dar aos visitantes “more value for money”, oferecendo up-grades, diárias de cortesia ou serviços complementares. A libra barata reforça a atratividade da marca, e deve aumentar ainda mais sua força nas clientelas mais jovens e nos mercados emergentes. JPP LONDRESMas o maior impulso dado a imagem do pais será de mostrar a sua diferencia. Enquanto os destinos turísticos devem cada vez mostrar uma identidade forte e um conteúdo que justifica a escolha de viajantes internacionais cada vez mais experientes, o novo posicionamento britânico vai ser uma extraordinária oportunidade. Frente a uma Europa aonde a “harmonização” poderia levar a uma banalização, a Grã Bretanha poderá atrair ainda mais pelo sua peculiaridade. Para os destinos turísticos,  é importante  lembrar que “Vive la différence”.

Jean Philippe Pérol

quote-if-britain-must-choose-between-europe-and-the-open-sea-she-must-always-choose-the-open-winston-churchill-126-97-15

Entre a Europa e o mar aberto, a Grã Bretanha sempre deverá escolher o mar aberto

Esse artigo foi publicado na revista profissional Mercados e Eventos