Uma retomada começando pelo turismo domestico, apenas em 2021 e fugindo do overturismo?

 
Pesquisa foi feira em parceria pelo M&E e pela Cap Amazon

Mais uma rodada da pesquisa TERMÔMETRO DO TURISMO, realizada em parceria pelo Mercado & Eventos e pela Cap Amazon, foi divulgada nesta quarta-feira (30). Os resultados mostram que s agentes de viagens estão mais pessimistas em relação a retomada do que nos levantamentos anteriores. Para 45% dos profissionais que responderam o questionário, a volta das viagens e das vendas ocorrerá no primeiro semestre de 2021, 19% apostam no segundo semestre do ano que vem, enquanto outros 19% apontam o mês de dezembro. Foram ouvidos cerca de 300 profissionais de todo o Brasil, com ênfase em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Manaus e Belém. Das agências pesquisadas, 74% são especializadas em lazer, 9% em corporativo e 17% especializada em nichos específicos. A grande maioria (90%) tem menos de dez funcionários, 8% de dez a 50% e 2% mais de 50. As respostas foram colhidas entre os dias 10 a 30 de setembro. “Lá no começo da pandemia, todos achavam que era uma crise forte, mas que iria passar em um tempo menos. Agora, os agentes de viagens estão percebendo que as perspectivas são muito imprevisíveis”, disse Jean Phillipe Pérol, diretor da Cap Amazon. “Os agentes estão bastante pessimistas se compararmos com a primeira pesquisa, realizada em maio”, completou o executivo, lembrando que na época a maioria apontou que a retomada teria início no mês de setembro.

Anderson Masetto, editor chefe do Mercado & Eventos, acredita que os resultados atuais apontam mais para uma realidade mais clara do que um aumento do pessimismo. “Em maio, tínhamos o exemplo de países que já tinham saído da crise. Na China, onde tudo começou, por exemplo, ela demorou um tempo menor. Agora, as vendas já estão acontecendo e, por isso, o agente de viagens consegue ter uma perspectiva melhor sobre o que deve acontecer nos próximos meses”, explicou. Outra hipótese levantada por Pérol é o fato da retomada já ter começado e estar sendo encaminhada pelos destinos domésticos, uma vez que – antes da pandemia – muitas destas vendas acabavam não passando pelas mãos dos agentes de viagens. “A diferença de percepção da retomada em maio e agora pode vir deste fato”, disse. A oferta de produtos é outro fator que também pode justificar este pessimismo maior do agente de viagens. Segundo Pérol, os voos, por exemplo estão acontecendo, mas em um volume muito menor do que em 2019.

Nas pesquisas anteriores, os agentes de viagens apontaram as viagens pelo Brasil como o principal carro-chefe da retomada. Por isso, nesta terceira rodada foi incluída uma pergunta sobre quais regiões do País teriam uma volta mais rápida do fluxo de turistas. Como esperado o Nordeste ficou na liderança, com 37%, seguido do Sudeste, com 30%, Sul com 22% e Norte com 8%. O Centro Oeste ficou com 2%. “O doméstico é, de longe, o que está mais adiantado em termos de retomada. Aparentemente, o Nordeste é aquele que está aproveitando isso melhor”, destacou Pérol. “Nenhuma surpresa em ver o Nordeste na frente, mas é importante destacar o Sudeste em segundo lugar com 30%. A região é o maior pólo emissor do País e isso reflete a tendência de viagens a lugares próximos neste início de retomada, como o paulista viajando pelo próprio estado, por exemplo”, complementou Masetto. Para Pérol, existem dois fatores que podem ser explicados neste resultado. O primeiro é a viagem para a visita de familiares e amigos, colocada como uma das primeiras modalidades a retornar. O outro, que é um fenômeno mundial, são as viagens de carro para destinos a até 250 quilômetros de distância. “Isso aumentou muito e substitui, em muitos casos, a viagem de avião. Acredito que há muito mais paulistas que viajam para as praias próximas e interior hoje e o mesmo ocorre em outros estados. As pessoas estão indo conhecer pontos turísticos mais próximos”, contou. “Acredito que esta tendência irá continuar no pós-pandemia”, completou.

No caso das viagens internacionais, Portugal “roubou” a primeira colocação da América do Sul nesta terceira rodada. 21% dos agentes de viagens acredita que este será o destino a se recuperar mais rápido. Os destinos sulamericanos vêm em seguida com 19%, seguidos de América do Norte (18%) e Caribe (18%). 14% escolheram outro destino da Europa e 4% outros. Embora isso seja também reflexo da desaceleração da pandemia na Europa, o editor chefe do M&E acredita que estes resultados têm relação também com a oferta de voos. “Embora o desenrolar da pandemia pese, temos visto que as pessoas tem tido confiança nos protocolos e vão viajar. E, em paralelo a isso, os voos estão voltando, com companhias da Europa voltando a operar no Brasil e muitas que não voltaram ainda, já marcaram data. Portanto, é também uma questão de mobilidade. Antes não era possível chegar porque não tinha voos. Agora os voos estão aumentado gradativamente”, afirmou. Para Pérol outro ponto que contribui é que boa parte dos países da América do Sul permanece com as fronteiras fechadas. “Com a falta de previsão de abrir, a América do Sul caiu muito. Outro fator é que a Europa se tornou mais atraente do que os Estados Unidos por vários motivos, um deles é que a imagem do País caiu muito e a pandemia não está controlada, além do fato das fronteiras estarem fechadas”, explicou. “Outro fator é que há um número muito grande de brasileiros com passaporte europeu. Então, eles podem viajar com mais facilidade na Europa”, adicionou.

O primeiro segmento a viajar, para os agentes que participaram da pesquisa, é o lazer, com 41%, seguido da visita a família e amigos, com 35% e do corporativo com 16%. Os cruzeiros são apontados por 5%, feiras e MICE por 2% e 1% outros. O destaque é a queda do corporativo que registrou 30% em maio, 23% em julho e agora caiu ainda mais. “No início da crise os especialistas já diziam isso, mas na nossa pesquisa os agentes de viagens se mostraram mais otimistas. Agora, sentimos uma preocupação muito grande, porque pode ser um fenômeno que vai durar, uma vez que muitas empresas perceberam que podem substituir parte das viagens por reuniões virtuais”, reiterou Pérol. “Este foi o segmento mais atingido e deve passar por algumas mudanças mesmo no pós-pandemia”, completou.

Em relação a motivação e os temas das viagens, não há uma mudança significativa em relação as pesquisas anteriores. Entre as temáticas mais procuradas, os agentes de viagens apontam o Bem Estar (27%) como o preferido. Em seguida vem o Ecoturismo empatado com Negócios, ambos com 13%. Depois Cultura com 12% e Gastronomia com 9% são os mais citados. “O bem estar veio para ficar. Será uma condição básica para qualquer viagem. Esta é uma tendência muito forte que envolve spas e tudo que é ligado a saúde”, destacou Pérol.

Entre as novas tendências, 35% dos agentes de viagens acreditam que os destinos menos procurados terão a preferência no período pós-covid. Ao mesmo tempo, 34% cita a preocupação com a saúde e 20% a segurança. “Há uma evolução em relação ao overturismo. Isso já era tendência, mas hoje se tornou essencial. Acredito que esta é uma grande oportunidade para receptivos, pois isso vai aumentar o interesse para cidades menores e menos frequentados”, ressaltou Pérol.

O noticiário mostra o início de uma segunda onda da pandemia em diversos países da Europa. Os responsáveis pela pesquisa foram, então, questionados se isso pode se refletir nesta retomada e nos resultados do próximo TERMÔMETRO DO TURISMO. Para Masetto, a resposta é não. Para ele, há uma confiança muito grande nos protocolos e estão voltando às atividades que faziam antes, inclusive viajar. “Já foi muito noticiado o quanto é seguro estar dentro de um avião e também sobre a capacidade de proteção das máscaras. A não ser que as fronteiras sejam fechadas, as pessoas não irão mais adiar os seus planos”, ressalta. Pérol também é enfático. Para ele, “a retomada é irreversível”. Para ele, é claro que as pessoas irão escolher os destinos em função da situação sanitária dos países. “Estamos vendo na Europa que há uma resistência muito grande em fechar restaurantes e comércio para enfrentar esta segunda onda”, lembrou.

Veja como foi a apresentação dos resultados:

 

 

O otimismo adiado dos agentes de viagens

pesquisa

O otimismo diminui em relação aos meses de abril e maio. No entanto, as perspectivas de futuro mostram-se mais robustas. Esta é uma das conclusões da segunda edição da pesquisa realizada pela Cap Amazon e M&E com agentes de viagens do Brasil inteiro sobre a retomada do setor no pós-pandemia. Responderam as questões cerca de 400 profissionais, sendo que 84% são de agências com menos de dez funcionários, 10% de dez a 50 e os outros 6% com mais de 50 colaboradores. A mostra também revela que 77% trabalham com lazer e 13% corporativo. Os estados com mais respondentes foram São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.

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Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 27 de abril e 11 de maio mostrava que a maioria dos agentes de viagens apostava em uma retomada das viagens no mês de setembro. Desta vez, no entanto, o cenário mudou um pouco. O levantamento aconteceu entre os dias 1 e 13 de julho e apontou que 35% dos profissionais esperam a volta das viagens apenas em janeiro de 2021. Em segundo lugar veio o mês de setembro, apontado por 33% dos agentes, seguido de dezembro, com 22%. E 43% ja projetam a retomada em 2021.

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Em relação aos seus negócios nos próximos três meses, os agentes de viagens acreditam em uma queda acentuada em relação a 2019. Entre os pesquisados, 79% afirma que a queda o faturamento será muito abaixo em relação ao ano passado. Outros 18% preveem um resultado um pouco abaixo e, por fim, 2% espera que seja igual, enquanto apenas 1% projeta crescimento.

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DOMÉSTICO E LAZER PRIMEIRO

O número de agentes que aposta em destinos internacionais, especialmente na América Latina aumentou. No entanto, a maioria das respostas segue colocando o doméstico como o primeiro destino da retomada. No total, 62% das respostas coloca que o nacional terá uma recuperação mais rápida. Em seguida veio a América Latina e o Caribe, com 21%. depois a Europa com 8% e América do Norte ainda distante – talvez pelo impacto das noticias da pandemia-  com 6% .

4Ao mesmo tempo viagens de lazer e visitas a amigos e parentes serão as principais motivações de viagens, cada uma delas com 35%. O corporativo vem agora em terceiro com somente 22%. Feiras e Mice com 4% e cruzeiros com 2% fecham a lista. “A retomada é vista como mais lenta, agora de setembro até março, e as viagens de negócios parecem ter mais dificuldades a se recuperar que o lazer, umas dificuldades que podem perdurar no longo prazo com o aumento das reuniões virtuais”, afirma Jean Philippe Pérol, diretor da Cap Amazon.

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NOVO CONSUMIDOR

O consumidor será diferente, mas as mudanças serão, em grande parte, prorrogações de tendências já existentes como bem estar, segurança, sustentabilidade e fuga do overturismo. Entre as temáticas mais procuradas, os agentes de viagens apontam o Bem Estar (25%) como o preferido. Em seguida vem o Ecoturismo empatado com Negócios, ambos com 14%. Depois Cultura com 13% e Gastronomia com 8% são os mais citados.

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Novas tendências devem aparecer. A principal delas, citada por 28% dos pesquisados é a preocupação com a saúde. A procura por destinos nacionais é uma tendência colocada por 24%, seguida da segurança, respondida por 19%. A fuga de aglomerações e de destinos com o chamado overturism será uma tendência também na opinião de 17% dos agentes. “As preocupações com saúde e segurança estão impactando as escolhas de destinos, favorecendo o domestico, a America Latina e a Europa, enquanto parece frear a procura de America do Norte e de destinos exóticos, alem dos cruzeiros”, conclui Pérol.

Veja abaixo a apresentação completa e os comentários sobre os resultados:

 

Pesquisa mostra que os agentes de viagens esperam retomada para setembro

 

Jean-Philippe Perol, da Cap Amazon e Roy Taylor, do M&E

Jean-Philippe Perol, da Cap Amazon e Roy Taylor, do M&E

Os agentes de viagens são responsáveis por mais de 80% das vendas no setor do Turismo. E, nesta crise sem precedentes, eles ainda não tinham sido ouvidos. M&E e Cap Amazon resolveram dar voz a estes profissionais que movem a indústria do Turismo em uma pesquisa inédita. Entre os dias 27 de abril e 11 de maio, cerca de 400 agentes responderam ao questionário e os resultados demonstram um sentimento otimista.

Entre os respondentes, 54,1% esperam que as viagens retomem no mês de setembro. Em segundo lugar, com 16,9%, vêm aqueles que acreditam em uma volta apenas em 2021. Em seguida, 13,4% responderam dezembro e 11,4% julho. Os outros 5,2% esperam que as pessoas voltem a viajar já no mês de junho. “Já tínhamos ouvido bastante a opinião de especialistas, que é em geral mais pessimistas e também dos clientes. Os agentes são otimistas, mas cautelosos, sendo que a metade deles espera uma retomada para setembro. Alguns pensam um pouco antes e uma boa parte que será no fim do ano”, disse Jean-Philippe Pérol, diretor da Cap Amazon. Para o editor-chefe do M&E, Anderson Masetto, para que as viagens realmente retornem em setembro, há todo um movimento que deve acontecer antes disso. “Hoje as prateleiras das agências estão vazias, com hotéis fechados e voos suspensos. Se as viagens começam em setembro, a promoção e as vendas têm início um ou dois meses antes”, concluiu.

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Já sobre as preferências dos clientes, os agentes puderam indicar até duas alternativas. Quase 300 deles indicaram o turismo doméstico como aquele que dominará as vendas pós-pandemia. Ao mesmo tempo, 250 agentes apostam também em destinos da América do Sul. Menos de 50 profissionais colocaram Europa e Estados Unidos como opção. “A opinião dos agentes bate com tudo que se fala no mercado. É uma maioria muito forte para o mercado doméstico e também com o que está acontecendo na China, onde tudo começou, que já teve 100 milhões viagens domésticas”, destacou Pérol. “Há também a questão financeira. Por conta das viagens domésticas serem mais baratas, é certo que serão as primeiras a serem retomadas”, completou Masetto. Pérol destacou ainda que hoje entre os viajantes brasileiros 50% viaja para perto e 50% para longe, diferente de outros grandes mercados, onde apenas 20% vai para destinos mais distantes. Para ele, isso deve mudar e países vizinhos, como Argentina, Chile, Perú e Colômbia, por exemplo, devem receber mais brasileiros.

A mesma metodologia, permitindo duas respostas foi aplicada para que os pesquisados apontassem qual segmento será o primeiro a retomar. Com quase 200 respostas, o lazer ficou na frente, seguido por viagens para visitar amigos e parentes e depois pelo corporativo. Feiras, eventos e congressos, bem como os cruzeiros marítimos, tiveram menos de 50 respostas. “Este foi um resultado surpreendente e mostrou que os três principais segmentos, lazer, visita a amigos e familiares e corporativo tiveram resultados parecidos, na casa dos 30%. Outro ponto é o ‘família e amigos’, que às vezes a gente esquece e será muito importante. Será mais um nicho para os agentes explorarem quando acabar o confinamento”, disse Pérol. “As empresas irão em busca de diminuir despesas e hoje as viagens podem estar até em segundo lugar nos gastos das companhias, portanto, podem sofrer cortes”, completou Masetto.

Com a premissa de que os viajantes darão prioridade a novos hábitos, perguntamos aos agentes de viagens qual serão as temáticas de viagens mais procuradas. Cada um dos pesquisados podia apontar até três alternativas e, disparado, os dois primeiros colocados foram Bem Estar e Ecoturismo, seguido de Cultura, Gastronomia e Luxo. Uma particularidade do turista brasileiro, Compras, ficou a frente, por exemplo de Negócios.

Ainda sobre os hábitos dos viajantes, os agentes apostam que a maior preocupação do viajantes no pós-crise será com a Saúde, seguida por destinos menos frequentados e por um maior interesse no Turismo Nacional.

As respostas nos permitem concluir que, na visão das agências de viagens, a retomada deve acontecer antes do fim do ano e será, provavelmente, mais rápida e mais larga que se pensa. O consumidor vai mudar, mas as mudanças serão lentas e serão, em grande parte, prorrogações de tendências já existentes, como a busca pelo bem estar, por exemplo.

Nessas novas tendências, os destaques devem ser a exigência de valorização da viagem, e a procura de destinos com menor aglomeração, fugindo do chamado overtourism, que vinha sendo muito discutido nos últimos anos.

Acreditamos, ainda, que essas novas exigências, bem como o provável aumento dos preços das viagens devem levar a um papel reforçado dos agentes, uma vez que as preocupações do consumidor irão além do preço e qualidade dos serviços contratados. Eles serão mais exigentes no que diz respeito a informações prévias dos destinos, segurança etc, e sobre condições de adiamentos e cancelamentos.

Veja aqui a apresentação completa da pesquisa em live apresentada pelo jornalista Igor Regis e com a participação de Jean-Philippe Pérol e Anderson Masetto: