14 Juillet: uma data, um desfile, uns fogos, uns bailes e muita festa!

 

feu d'artifice du 14 juillet 2012 sur le sites de la Tour Eiffel

O 14 de Julho, também chamado de Dia da Bastilha em alguns países amigos, virou festa national da França em 1880 com um voto da Câmara dos deputados que oficializou mas não deixou claro o motivo exato da escolha dessa data. Tomada da Bastilha Para alguns, era a comemoração do 14 de Julho 1789, a sangrenta tomada da fortaleza real da “Bastille”, símbolo da prepotência e do autoritarismo da monarquia, pelo povo parisiense que procurava armas para se opor as tropas militares hostis as reformas políticas. Charles_Thévenin_-_La_Fête_de_la_FédérationPara outros, era a festa da Federação, no dia 14 de Julho 1790, quando meio milhão de parisienses e de soldados “federais” vindo da França inteira assistiram a uma missa solene durante a qual o rei Louis XVI jurou fidelidade aos princípios da jovem Revolução.

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A festa do “14 Juillet” tem três imprescindíveis tradições. A primeira é o desfile militar, homenagem as Forças Armadas nas quais todo povo confiava nesse final do sigilo XIX para enfrentar a ameaça alemã e recuperar as “províncias perdidas”, a Alsácia e a Lorena.Desfile do 14 de Julho 2015 Até 1914 o desfile era no hipódromo de Longchamps, e foi a partir da vitoria de 1919 que ele virou tradição, descendo os Champs-Elysées.Banda das Agulhas Negras em Paris Juntos com os militares franceses, desfilem também tropas de países amigos – ingleses em 2004, africanos em 2010, argelinos o ano passado, mexicanos esse ano, e mesmo os cadetes brasileiros das Agulhas Negras em 2005! -.  O desfile é tradicionalmente encerrados pela Legião estrangeira – com um passo mais lento que as tropas regulares, ela não pode desfilar na frente -, pela Guarda Republicana a cavalo e pelos aviões da “Patrouille de France” (a esquadrilha da fumaça francesa).

Fogos de artificios em Carcassonne

As duas outras tradições que fazem a alegria dos moradores e dos visitantes são os fogos de artifícios e os bailes, ambos organizados em quase todos os 36.000 municípios do pais. Tradição da realeza francesa, que comemorava assim as vitorias militares, os casamentos ou os nascimentos da família real, os  fogos de artificio viraram durante a Terceira Republica uma tradição popular. Ela foi se repetindo desde a primeira festa do 14 de Julho, em 1880,  quando rodas de fogos escreverem na noite parisiense as palavras “Vive la République” para a alegria dos espectadores presentes.

Bailes populares 14 de Julho

Os bailes são os outros grandes momentos dos 14 Juillet, sendo o mais tradicional de todos o “Bal des Pompiers”, o baile dos bombeiros. Organizado desde os anos trinta em Paris, ele exista hoje em milhares de municípios que se orgulham dessa festa que junta a população, os turistas e os mais populares dos militares (pelo menos na França, mas também em muitos outros países) , os bombeiros. Baile dos bombeiros!Famosos pelos seus “accordeonistes” (sanfoneiros ), os bailes dos bombeiros se abriram agora as musicas mais contemporâneas, virando grandes eventos populares em cidades como Dijon, Nice, Estrasburgo, Toulouse ou Nancy.

14 de Julho em Manaus

O  “14 Juillet” é também festejando em muitos lugares do mundo, incluindo no Brasil onde São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Manaus tiveram eventos populares para comemorar uma festa nacional que quer, desde o seu inicio, ser a festa de todos os amantes da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

Jean Philippe Pérol

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Os vinhedos da Champagne e da Borgonha no Patrimônio mundial da Humanidade!

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Gastrónomos,  bons vivants, enófilos, ou simples amadores de bons vinhos e de festas alegres adoraram de ler ontem que  a UNESCO aprovou a entrada dos vinhedos da Champagne e da Borgonha  na lista do patrimônio mundial da Humanidade. Reunido em Bonn, na Alemanha, o comité do patrimônio  da organização internacional reconheceu que o conjunto dos vinhedos, das adegas, dos prédios históricos e do “savoir-faire” dessas duas regiões representavam paisagens culturais únicos no mundo.  Como cada um dos 1027 sítios já registrados (sendo 19 no Brasil), a Champagne e a Borgonha entraram na lista como uma homenagem a suas especificidades.

A abadia de Hautvillers visto do ceu photo_fenouil

A UNESCO explicou que a escolha da Champagne premiou seus “coteaux, maisons et caves” (sejam, vinhedos, casas de produção e comercialização, e adegas). Foram nesses lugares que foi desenvolvida o método de elaboração dos vinhos espumantes com a segunda fermentação, isso desde a sua invenção no século XVII até sua industrialização no decorrer do século XIX.

O beneditino Pierre Perignon

A inscrição dos Coteaux, Maisons et Caves de Champagne na lista do patrimônio se refira a três sítios cuidadosamente escolhidos no dossiê de candidatura. CIVC-DINER EN TETE A TETE-SIPA PRESS-JP BALTEL Paris-FRANCE, le 07/12/07O primeiro é o morro Saint Nicaise em Reims, com sua abadia de Saint Pierre d’Hautvillers onde o beneditino Pierre Perigon (mais famoso como Dom Perignon) teria inventado as seleções de uvas, a dupla fermentação, a rolha de curtiço e a taça flauta.  Na parte subterrânea do morro ficam as fabulosas adegas de Ruinart, Pommery, Clicquot et Heidsick. O segundo sitio inclui três vinhedos históricos da Champagne, Hautvilliers, Aÿ e Mareuil-sur-Aÿ, incluindo as adegas da Bollinger. Fort Chabrol em EpernayO terceiro é a Avenida da Champagne em Epernay, onde ficam as mais prestigiosas casas de negociantes bem como as seus quilômetros de adegas, seus espaços de vinificação e seus imponentes estoques de milhões de garrafas. O Fort Chabrol, centro de pesquisa enológica  foi também inscrito no projeto que cobre assim todo o processo de produção do Champagne.

O vinhedo de Clos Vougeot

Na Borgonha, a UNESCO homenageou os “Climats“, vinhedos cuidadosamente delimitados nas “Côtes de Nuits” e “Côtes de Beaune“, no Sul da capital, Dijon. A cada uma dessas propriedades – no total são 1247 – corresponde um tipo de solo, uma uva, e o “savoir-faire” dos homens que conseguiram assim dar a cada vinho um sabor único. Vinhedos da Bourgogne Essa nova paisagem cultural (é a categoria atribuída pela UNESCO) foi listada com duas partes diferentes. A primeira cobre todos os vinhedos bem como os centros de vinificação , quarenta vilarejos com nomes mágicos (Aloxe-Corton, Chambolle-Musigny, Gevrey-Chambertin, Pommard, Vosne Romanée …), bem como a cidade de Beaune. A segunda é o centro histórico de Dijon, a cidade onde a UNESCO reconheceu que foram tomadas as decisões políticas que, desde a época da gloria do Ducado de Borgonha, levaram a formação do sistema dos “climats”.

A França pode agora se orgulhar de 41 sitios classificados no Patrimonio cultural da Humanidade, três dos quais – os vinhedos da Champagne e da Borgonha, e a cidade de Saint Emilion- sendo uma homenagem a sua tradição vinícola.

Jean Philippe Pérol

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Kir Royal ou Kir Impérial?

Brasil à Francesa

iStock_000001706060LargeDepois da Mostarda de Dijon, achei interessante falar do Cassis, outro ingrediente típico da Borgonha, tão curtido pelos brasileiros que a saboreiam na creme de papaia. Na França, o cassis é associado à bebida Kir, coquetel inventado na Borgonha no início do século XX e cujo nome vem do cônego Félix Adrien Kir. Eclesiástico bon vivant que se tornou prefeito da cidade de Dijon em 1945 por 23 anos, ele contribui ativamente na promoção do blanc-cassis (literalmente vinho branco com cassis) e deu seu nome à bebida mais famosa dos Apéritifs à la française.Parisian street cafe table with traditional French aperitif kir

No final do século XIX, dois Dijonnais (habitantes de Dijon), o destilador Claude Jolly associado a Auguste Denis Lagoute, desenvolveram um licor de uma variedade de groselhas negras de Borgonha (a Noir de Bourgogne), maceradas em açúcar e álcool. Outras casas, em seguida, compartilharam a produção do creme de Cassis de Dijon. Entre as mais respeitadas:…

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Mostarda de Dijon… ou Mostarda da Borgonha?

Brasil à Francesa

potsTem uma expressão francesa famosa que diz “La moutarde me monte au nez“. Significa literalmente “A mostarda está subindo no meu nariz ». Se você já consumiu uma mostarda de boa qualidade, experimentou essa sensação de picante que faz até chorar. A expressão francesa significa também um estado perto da raiva, tipo “estou começando a ficar nervoso!”. IMG_1398Inventada na região da Borgonha, hoje la moutarde de Dijon pode ser produzida em qualquer lugar do mundo.  A região perdeu a exclusividade da denominação e “Dijon” somente refere-se ao processo de fabricação. Visitando na semana passada, em Beaune, a última fabrica independente e familiar – desde 1840 – da Moutarde Fallot, redescobri a verdadeira mostarda forte que me fazia sempre chorar quando era criança.

Como se fabrica a mostarda?

No inicio, os Borgonheses fabricavam o condimento com os grãos de mostarda da região, adicionado ao “verjus”  – outro nome para suco de uva…

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Borgonha: da fé nasceu o vinho …

 

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Na Borgonha, é talvez no tradicional leilão dos Hospices de Beaune que a estreita ligação entre a fé e o vinho têm a sua maior expressão. Essencial para o ritual da missa católica, o vinho era desde o século V trabalhado na Borgonha pelas comunidades de monges, especialmente os cluniacenses ( a partir de 909 perto de Mâcon e em algumas áreas famosas como a Romanée-Saint-Vivant.) e os cistercienses (a partir de  1098 nas regiões de Côte de BeauneCôte de Nuits, e Chablis). DSCN0138 - copieEm 1443, na auge do ducado de Borgonha, quando as vinícolas ganharam um novo impulso com a proibição do Gamay e a obrigatoriedade do Pinot Noir, o chanceler do duque Nicolas Rolin, homem de muita fé, mandou construir um hospital, os Hospices de Beaune. E para sustentar seu funcionamento, doou também uns 60 hectares de vinhedos. Até hoje, mais de 500 “peças” (barris de 228 litros) leiloadas no terceiro domingo de novembro são os principais recursos dessas obras caritativas. Foi assim que a fé, que criou esses vinhos maravilhosos , foi depois financiada por eles….

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Hoje na Borgonha, os vinhos continuam guiando os passos do viajante. Os nomes dos lugares desfilam feito as ofertas dum grande cardápio de vinho: Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges, Savigny-les-Beaune, Meursault… Vindo do Brasil, as visitas imprescindíveis vão com certeza incluir o castelo do Clos Vougeot, os vinhedos da Romanée e também algumas propriedades que se destaquem: SAO JORGE DALIo Chateau de Pommard com suas impressionantes esculturas de Dali -, o “domaine” de Drouhin Laroze – com suas adegas que podem ser o cenário dum jantar inesquecível, ou o Chateau de Velle com sua animadíssima demonstração de tonelaria. A descoberta das sutilezas do Pinot noir – a uva preferida dos duques porque transmita ao vinho todas as sutilezas dos mil “terroirs” da Borgonha, acontece também nas inúmeras propriedades – quase 5000, com uma media de menos de 7 hectares- onde os produtores gostam de explicar suas especificidades e de deixar o visitante experimentar os seus vinhos antes de poder comprar los.

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A fé sempre fica por perto. Em Vezelay fica uma das maiores basílica do mundo católico, ponto alto dum dos caminhos de Santiago, o Caminho de Limoges, 75 dias de caminhada de Namur até Compostela. O santuário e a abadia ficam numa colina sagrada desde a época dos gauleses, um desses lugares onde sopra o espírito. MARC MENEAUE nos flancos da colina, os vinhedos de Chardonnay chegam até o pequeno vilarejo de Saint-Père onde se esconde o extraordinário restaurante L’espérance do chefe Marc Meneau.  A fé se vê também nas outras 29 abadias que marcam as paisagens da Borgonha: das mais importantes, Fontenay, fundada pelos cistercienses em 1119 e  hoje patrimônio da humanidade , Citeaux, ou Cluny, outrora sede da maior igreja da cristandade, até as menores as vezes transformadas em hotel como o Relais Chateaux Abbaye de la Bussière.

AUXERREE nos confins da Borgonha, já perto da Champagne, a visita dos vinhedos de Chablis, dos seus solos ricos em fósseis e dos seus sutis chardonnay acabará com certeza em Auxerre, nas ruas estreitas que levam a sua catedral gótica e a sua cripta romana. Frente ao altar onde a Joana d Arc rezou em 1429, o visitante poderá meditar sobre esses monges beneditinos ou cistercienses que conseguiram, com trabalho, técnica e criatividade, inventar na terra fria e difícil da Borgonha esses vinhos singulares que foram os preferidos do Louis XIV e do Napoleão.

Jean-Philippe Pérol

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