A Borgonha e o enoturismo no surpreendente (e sustentável) ranking 2022 da Lonely Planet

As Ilhas Cook foram a grande surpresa do Top Ten 2022

Património cultural, belezas naturais e tolerância destacaram Omã

Atras das pequenas ilhas da Polinésia se destacaram destinos já confirmados e lugares menos conhecidos. Foram assim premiados a Noruega (pela sustentabilidade e os novos museus), a Ilha Maurice (pela biodiversidade, especialmente em Rodrigues), Belize (pela barreira de coral e os vestigios maias de Lamanai), a Eslovénia (pelo cicloturismo bem como a enogastronomia), e Anguilla (pela reconstrução sustentável depois do furacão Irma). Constam também na lista Omã (pela cultura tolerante e as belezas naturais), o Nepal (pelo reconstrução sustentável depois do terremoto), o Malaui (pelo ecoturismo e a proteção de especies animais ameaçadas)e o Egito (pelo património histórica e a gestão comunitárias de vários projetos turísticos).

Merida foi justamente lembrada como capital do Yucatán

Os top ranking das cidades valorizam também os esforços feitos para a sustentabilidade, a diversidade e as energias renováveis, em Auckland, Taipé, Friburgo, Atlanta, Dublin ou mesmo Firenze. A presencia de Lagos na Nigeria, Nicosia em Chipre, ou de Gyeongiu na Coreia do Sul foram porem surpresas interessantes, assim que a homenagem a Merida (México). O seu Gran Museo del Mundo Maya , os seus passeios de bicicletas para Uxmal ou Chichen Itza,  e a sua gastronomia incorporando influências maias, caribenhas e europeias foram as atrações principais justificando a sua presencia na lista como mais atrativo destino do Yucatán.

Shikoku, um Japão tradicional com 88 templos e um vanguardismo ecológico

As regiões foram selecionadas com os mesmos critérios, e uma forte influencia das preocupações ambientais que as autoridades souberem integrar na Virginia ocidental (Estados Unidos), no Kent (Inglaterra), na Cenic Rim (Australia) e em Vancouver (Canada). Se a presencia da Islândia recompensa o sucesso de um turismo criativo e pioneiro, e se Porto Rico é incentivada  a continuar seus esforços de recuperação, três destinos são mesmo achados para 2022: Atacama (Chile) com o desenvolvimento do seu turismo sustentável e comunitário, Xishuangbanna (China), com sua mosaica étnica. seus elefantes e sua gastronomia, e  Shikoku (Japão), com suas paisagens, seus 88 templos e seu envolvimento na sustentabilidade.

Enquanto o vinho é uma das temáticas que mais cresce no turismo, a Borgonha, com seus 84 apelações (incluindo 33 Grands Crus), não podia não ter sido escolhida para fechar os destaques da Lonely Planet. Pioneira do enoturismo responsável com um programa bem sucedido de certificação de vinhedos, ela vai também inaugurar em 2022 dois projetos exemplares, a Cité internationale de la Gastronomie et du Vin (CIGV), em Dijon, e a Cité des Vins et des Climats de Bourgogne nas três cidades emblemáticas de Beaune, Chablis e Macon. Alem do vinho e da gastronomia, o júri quis também destacar a natureza e as paisagens da região, e os esforços bem sucedidos para desenvolver o ecoturismo e as trilhas nos seus morros, lagos e rios. 

De Porto Rico a Salvador, e de Olkhon a Tahiti, os 52 destinos 2019 do New York Times

Salvador, único destino brasileiro da lista

Publicando a sua seleção 2019 dos 52 destinos sugeridos para o ano, o New York Times conseguiu mais uma vez inovar e surpreender. Iniciada em outubro, e liderado pela editora chefe do caderno de turismo do jornal, o processo mobilizou não somente a equipe nova iorquina mas os correspondentes, jornalistas e fotógrafos que o NYT tem nos cinco continentes. Alem dos critérios próprios de cada destino, foram também avaliados as novidades do local, o seu acervo cultural, a sua sustentabilidade, bem como os seus cuidados com o overturismo. É provável que nenhum turista – a não ser Sebastian Modak, o jornalista que foi escolhido para isso – vai visitar esses 52 lugares, mas a lista será sem dúvidas uma fonte de inspiração para muitos viajantes que querem seguir os novos trends do turismo mundial.

A Grécia, um dos destinos esquecidos nessa seleção 2019

O sério do jornal e a transparência do processo não impedem as primeiras críticas sobre as escolhas feitas. A lista é sem dúvidas muito “americana” com 11 destinos estadounidenses e 2 canadenses. A Europa é bem representada com 19 destinos, mas a Ásia (6), a América latina (4), a África (2), e o Oriente Medio (4) não parecem despertar o mesmo interesse. E se alguns destinos são incontestáveis boas dicas para 2019, outras parecem ter sido escolhidas somente para esbanjar originalidade, impedindo talvez a entrada de concorrentes mais atraentes e mais promissores. A notoriedade do New York Times e a qualidade do trabalho da equipe da editora chefe fazem assim mesmo da publicação das “52 places to go in 2019” um evento para todos aqueles que querem seguir os novos trends do turismo mundial.

Porto Rico liderando os destinos 2019 do NYT

Porto Rico, Hampi (na Índia) e Santa Barbara são os três destinos que dividem o pódio. Porto Rico parece ter sido mais premiado pela sua garra em se recuperar dos estragos feitos pelo furacão Maria, já que nenhuma das três novidades anunciadas – A programação do  Centro de Bellas Artes Luis A. Ferré , o anuncio do novo centro de lazer de San Juan, o District Live! , ou a nova escala dos navios de cruzeiros em Port das Américas, no litoral sul da ilha-, parece justificar a transformação do pequeno Estado associado na maior e mais excitante atração do turismo mundial. Hampi, sitio  tombada pela UNESCO agora mais acessível e com algumas infraestruturas novas, merece atrair os apaixonados de cultura indiana com suas mil construções preservadas desde o século XVI. Ao contrario parece surpreendente que um simpático foodie market seja suficiente  para por Santa Barbara em terceiro lugar.

As Ilhas de Tahiti foram merecidamente confirmadas na lista

A lista muitos acertos merecedores. O New York Times premiou alguns destinos tradicionais mas que devem ser relembrado como os Açores, Zadar e a costa da Croácia, o Irã, Tunis, Cadiz, ou as Ilhas de Tahiti. Lembrou também que grandes experiências podem ser vividas fora das grandes capitais, em Plovdiv na Bulgária, em Lyon ou Marselha na França, em Aalborg na Dinamarca ou em Perth na Austrália. Deve ser anotado alguns premios de criatividade, como as Ilhas Maluinas, a trilha de Paparoa (na Nova Zelândia), a ilha de Olkhon (no meio do lago Baical), ou o vale de Elqui no deserto do Atacama. O Brasil só teve um destino na lista, Salvador de Bahia, mas com um brilhante décimo quarto lugar apoiado na sua nova Casa do Carnaval , na abertura dos Fera Palace Hotel e do Fasano Salvador, ou do sucesso da franco-brasileira  Regata Transat Jacques Vabre. E agora, quais destinos brasileiros entrarão na lista 2020?

Jean-Philippe Pérol

Olkhon no lago Baical, uma escolha prêmio de criatividade!