A Amazonia pode não estar em chamas, mas o turismo brasileiro não deve correr risco!

Tweet do Presidente francês ilustrando as queimadas de 2019

As fotos assustadoras de queimadas (antigas ou recentes) na Amazônia brasileira podem ser uma distorção da realidade – os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de fogo está muito longe dos picos atingidos entre 2002 e 2007 –, mas são também, infelizmente, uma fonte de grande preocupação. Em primeiro lugar é a angústia dos moradores da região, sejam índios, caboclos ou habitantes das grandes cidades, que estão vendo o seu meio ambiente e a sua qualidade de vida ameaçados. É a tristeza de todos os brasileiros que ficam solidários e preocupados com o futuro desse patrimônio nacional cuja soberania traz a responsabilidade de proteger e desenvolver. É, no mundo inteiro, a incompreensão dos amigos do Brasil e dos defensores do meio ambiente que só recebem notícias distorcidas e ausências de soluções.

O Belle Amazon num dos roteiros nas comunidades do Tapajós

Além de compartilhar essa tristeza e essa solidariedade, os profissionais do turismo são também colocados à frente das consequências dessa emoção mundial sobre o setor, tanto emissivo quanto receptivo. As trocas de mensagens e de vexames entre os responsáveis políticos deixam apreensivos os viajantes brasileiros sobre o atendimento em vários países da linha de frente da luta ecológica, e muitos parceiros estrangeiros ficam preocupados em vir fazer promoção no Brasil para não associar a sua imagem a um assim chamado desastre ecológico. Para o turismo receptivo, as consequências dos artigos negativos das revistas do trade internacional podem ser maiores ainda, não somente na Amazônia mas também nas outras regiões do País.

80% dos desmatamentos ocorrem ao longo das estradas como a Cuiabá Santarém

Mesmo se as soluções estão muito além do turismo, os profissionais brasileiros devem também contribuir nesta batalha de comunicação. Não devem desprezar as críticas nem as suas fontes. Mesmo ilustradas com imagens antigas, mesmo baseadas em estatísticas distorcidas, mesmo motivadas pelo forte antagonismo político contra o atual governo, as emoções são sinceras e devem ser respondidas com atenção e pedagogia. A primeira reação deve ser, sem dúvida, de não negar o problema. Há, sim, incêndios na Amazônia, milhares de queimadas causadas pelo preparo das roças de índios ou caboclos até grandes ações de desmatamento ilegal. Estas últimas são reais no sul do Pará, no Acre ou em Rondônia e nas beiras das grandes estradas como a Cuiabá – Santarém, onde o cultivo da soja está se aproximando do Parque do Tapajós.

No Parque do Jaú, a imensidão das áreas protegidas

Mas é importante, ao mesmo tempo, informar as operadoras e agências de viagens da Europa ou América do Norte do tamanho exato do problema e, especialmente, do fato que 85% dos 4 milhões de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica são ainda hoje completamente preservados, e que os 25 milhões de habitantes da região (dos quais 250 mil índios) estão comprometidos com o desenvolvimento sustentável. Devemos lembrar a todos que não houve incêndios incontroláveis na ilha de Marajó, nas margens do Tapajós ou do Rio Negro, e que Manaus e Belém não tiveram nenhuma destruição dos seus fascinantes patrimônios. A todos aqueles que querem ajudar a Amazônia devem dizer que o turismo é um dos setores mais envolvidos na valorização do meio ambiente, bem como na ajuda às comunidades ribeirinhas ou aos moradores das cidades da região. No Marajó, em Belém, no Tapajós, em Manaus, no Rio Negro, em Novo Airão, Barcelos ou no Acre, o turismo continua sendo uma formidável oportunidade de desenvolvimento que deve tirar as lições da crise atual, mas não merece ser afetada por ela.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Longe das queimadas, o Mercado Adolpho Lisboa, um dos mitos mor do turismo amazônico

 

O Tropical de Manaus, saudades de um sonho que não pode acabar

Frente as águas negras do Rio, o Tropical de Manaus

Que tristeza de ler hoje, no querido  jornal manauara A Critica, que o Tropical Hotel de Manaus irá a leilão no dia 25 de julho, e que valor arrecadado será utilizado para o pagamento de dívidas trabalhistas em processos que tramitam no tribunal regional do trabalho. Mesmo esperada desde a suspensão das atividades do hotel em maio – quando a luz foi cortada por falta de pagamento-, essa noticia abalou todos os profissionais do turismo bem como os apaixonados pela Amazonas. Emblemático da nossa saudosa VARIG, o Tropical de Manaus marcou os anos dourados do turismo de Manaus, quando o sucesso da Zona Franca, os oito voos diários para São Paulo, e as ligações internacionais da própria VARIG, mas também da Braniff, da LAP e da Air France atraiam turistas do mundo inteiro no coração da Amazônia brasileira.

O Presidente Giscard num seringal do Mamuri em 1978

A tristeza leva a perguntar quais são as razões que levaram a esse desastre. Alem do desaparecimento da VARIG e das dificuldades da Tropical hotéis, o hotel da Ponta Negra fechou também pelo paradoxo da queda do turismo na Amazonia brasileira num momento da historia aonde o eco-turismo e o turismo verde atraiam cada vez mais viajantes. Enquanto Manaus recebeu nos anos 70 e 80 o Presidente da França, o Rei da Suécia ou o Chanceler da Alemanha, enquanto artistas, escritores, ricos e famosos do mundo inteiro se hospedavam nos quartos do Tropical, são hoje os lodges da Costa Rica, do Vietnã ou da Indonesia  que recebem os maiores fluxos de ecoturistas. E quando esses escolham mesmo de ficar na Amazônia, percebe se a concorrência das Amazônias peruana, colombiana, equatoriana, surinamense ou até francesa.

O charme e o luxo sustentável do Mirante do Gavião

O turismo em Manaus tem porem umas imensas oportunidades com a atualidade das preocupações internacionais para preservar a floresta amazônica, e com a procura de destinos turísticos respondendo as novas tendências do ecoturismo. Num setor de concorrência extrema, o sucesso virá pelos números projetos que já existem, tanto de alojamento – do EcoPark ao Mirante do Gavião, do Juma Lodge ao Hotel Amazônia, ou do Anavilhanas Lodge ao novo Casa Perpetua-, de lazeres  – do Museu da Borracha e do MUSA ao Festival de Ópera-, de cruzeiros – da Katerre ao Aria ou ao Belle Amazon-, ou de restaurantes – do Caxirí ao Banzeiro-. Eles já estão mostrando que o setor soube evoluir, e criar produtos e serviços oferecendo as experiencias que os viajantes procuram.

A Pousada Uacari, a excelência em termo de turismo sustentável

Para crescer mesmo, e deixar a gente sonhar numa reabertura de um grande hotel international na Praia da Ponta Negra, o turismo na Amazônia terá talvez que aproveitar três ideias. A primeira é que a expectativa internacional de proteção do meio ambiente nessa região é imensa, trazendo um dever de excelência nesse setor. O desenvolvimento do turismo será olhada de muito perto, e qualquer desrespeito das práticas exemplares em termo de sustentabilidade, qualquer aceitação de atividades ecologicamente incorretas, terão um enorme impacto em comunicação, e afugentarão os viajantes. A segunda é que o turismo de Manaus só pode ser exclusivo, os fluxos serão sempre pequenos porque o acesso é difícil e as experiencias intimistas. Com poucos visitantes, devem se privilegiar o luxo e o charme. E os produtos e serviços têm que ser de forte valor agregado para trazer ao estado e aos  habitantes os retornos econômicos indispensáveis.

O Teatro Amazonas foi decisivo para construir o mito de Manaus

A terceira ideia é que, marcas excepcionalmente conhecidas no mundo inteiro, Manaus e a Amazônia devem. para voltar a atrair os fluxos de viajantes que necessitam, apostar não somente na natureza, nas matas e nos rios, mas também nas suas Historias – a riqueza do patrimônio, começando pelo Teatro, ou a força do passado terrível do ciclo da borracha-, e nos seus povos – tradições culturais ou, mais ainda, vida autentica das suas comunidades ribeirinhas. Morreu o Hotel Tropical, mas os ingredientes de um novo ciclo do turismo em Manaus existem e podem deixar acreditar que o Fenix pode talvez pousar um dia na praia da Ponta Negra.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Barco regional de alto padrão, o Belle Amazon navegue nos rios Amazonas, Tapajós e Rio Negro

Novidades e tendências do turismo de aventura

Cada vez mais popular junto aos viajantes de todas as idades e de qualquer orçamento, o turismo de aventura está de vento em poupa. Segundo a revista on line Reseau de Veille, cinco tendências se destacaram em 2018 para explicar esse entusiasmo. A primeira foi  o crescimento da natureza e do meio ambiente na frente das temáticas mais procuradas. As atividades verdes são consideradas fontes de bem estar físico e mental,  momentos ideais para favorecer as emoções positivas da luz e do verde. A natureza coloca também seus fãs na primeira linha das ações contra as mudanças climáticas, as operadoras sendo cuidadosas nos detalhes mostrando o seu empenho. A popularidade do turismo de aventura cresceu também com a Instagram onde oferece algumas das fotos ou dos selfies mais espetaculares.

Domes Charlevoix, novos hospedagens misturando design e ecologia

Na dinâmica do glamping, novos hospedagens juntando qualidade, design e ecologia, estão se multiplicando. Escolhendo lugares privilegiados, arquitetos e designers dão o maior cuidado a valorização do local,  a otimização da luz, a utilização de materiais recicláveis e de energias alternativas. Algumas ofertas procuram ser simples, como  o hotel CABN, na Austrália, com trailers de madeiras privilegiando o conforto e a menor pegada ecológica, ou as casas da Getaway que oferecem essa simplicidade perto das grandes cidades dos Estados Unidos. No Quebec, a Dômes Charlevoix, está propondo quartos de luxo com design inspirado dos iglus esquimós. A criatividade do setor é impressionante, incluindo casas flutuantes nos EE-UU, malocas ribeirinhas na China e até cabanas cobertas de espelhos na mata canadense.

As operadoras de turismo estão também  investindo em ofertas originais para viajantes que procuram experiências diferençadas ou até únicas. Durante o verão da Alaska, o resort Tordrillo Mountain Lodge oferece pacotes de helibiking, de helihiking ou de helifishing. Na região de Vancouver, a Glacier Raft Company  consegue um acesso exclusivo ao Rio Kicking Horse, chegando de helicóptero e descendo depois num raft. A pesca esportiva de caiaque está renovando a imagem dessa atividade e atraia novas clientelas, inclusive no Amazonas com a pousada Juma Lodge. O snowyoga – ioga na neve- ganha muitos adeptos e tem seus lugares prediletos em Boulder, no Colorado, na Finlândia, onde alterna com o ioga de areia, ou em  Montreal com as ofertas da POP Spirit nos parques da cidade.

Instalações icônicas ajudam a renovar o turismo de aventura

O turismo de aventura está também se renovando com instalações icónicas, estruturas inesperadas que melhoram a experiência dos visitantes e incrementam as emoções. É por exemplo o caso da ponte suspensa Charles Kuonen, exclusiva para pedestres, com 500 metros de comprimentos que apimentam a trilha de Zermatt a Grächen, na Suíça. Em Manaus, a torre de aço do MUSA, com seus 42 metros de altura, 242 degraus e 81 mde base, rivaliza em majestade com as grandes árvores da floresta e já virou uma das incontornáveis atrações do Estado do Amazonas. Na Dinamarca, o Camp Adventure Park está querer ir mais alto com uma torre de 45 metros de altura e um design espetacular para observar a cobertura da mata nórdica de Zealand.

Até agora atividade privilegiada de jovens adultos esportistas, o turismo de aventura procura agora atrair alem dos estereótipos. Travel Oregon abriu um site apresentando opções de esqui, mountain bike, caiaque ou até alpinismo para deficientes físicos. Parks Victoria, na Austrália, está fazendo testes com as Canopy — Eco Sleeper Pods, unidades de hospedagem com design contemporâneo acessíveis para deficientes. Reivindicando o acesso de todos, gordos ou magros, fortes ou fracos, jovens ou velhos, homens ou mulheres, a atividades esportivas, os  Unlikely Hiker já contam 58 000 seguidores na Instagram, com o apoio de grandes marcas como REI et Columbia. O turismo de aventura ainda tem muitos adeptos pela frente!

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Claudine Barry na revista profissional on-line Reseau de veille en tourisme, Chaire de tourisme Transat 

Hotel ou barco, qual opção para viver a Amazônia brasileira?

A vila flutuante da Jangada de Jules Verne

No seu famoso livro “La Jangada”, Jules Verne descrevia a maneira então mais luxuosa de viajar e de descobrir a Amazônia. Numa balsa de 300 metros de comprimentos e de 20 de largura, com uma casa grande, dois alojamentos para 80 empregados,  uma cabine de comando, vários armazéns e uma capela, o herói Joam Garal descia o Solimões, parava em São José da barra do Rio Negro (hoje Manaus) e seguia o Amazonas até chegar a Belém. Hospedado com o máximo de conforto permitido na época, dispondo de varias canoas para descer em terra, fez uma viagem extraordinária, parando onde queria para explorar a selva, mergulhar nos rios, visitar as cidades e entrar em contato com as comunidades ribeirinhas.

O Mirante do Gavião e sua arquitetura inspirada dos barcos regionais regionais

Sem essa opção, o viajante moderno tem que escolher entre navegar num barco ou se hospedar num hotel, escolher entre a cidade e a selva, entre a terra e a água. Numa região aonde o nível dos rios variam cada ano de 6 a 17 metros segundo as estações do ano, mudando completamente as paisagens e os hábitos de vida das populações, a época da viagem vai também ajudar na escolha. De setembro a fevereiro é época de praias, de abril a agosto, tempo de igapós. O nível das águas, e a necessária ligação com o rio, deixam poucas opções de hotéis com localizações capazes de seduzir o viajante o ano inteiro. É porem justamente o atrativo dos dois melhores estabelecimentos de luxo da Amazônia, ambos em Nova Airão, o Mirante do Gavião e o Anavilhanas lodge, ambos escondidos nas arvores mas olhando para o Rio Negro.

O Belle Amazon num dos roteiros da Turismo Consciente

Para viver as experiências da Amazônia, o barco oferece uma opção diferente ao viajante. Escolhido pelo seu conforto e sua segurança, com motor potente mas pouco calado, ele pode levar grupos pequenos nos cantos mais escondidos de uma região onde o respeito da natureza e dos moradores descarta o turismo de massa. O barco permite o acesso a lugares ou comunidades inacessíveis por terra, libera dos constrangimentos ligados as flutuações do nível das águas ou aos tempos de chuva. Mais ainda, ele é o lugar privilegiado para sentir a imensidade dos rios, suas praias, suas intimidades com a floresta, e aproveitar esse extraordinário sentimento de grandeza e de liberdade que eles só oferecem na Amazônia brasileira.

Com a Turismo Consciente, força dos momentos passados numa aldeia Mundurucu

Que seja o hotel ou o barco, a escolha do viajante experiente deve levar em consideração as três imprescindíveis características de um bom roteiro amazônico: permitir a descoberta dos rios e da mata, oferecer um máximo de conforto e se possível de luxo, integrar uns intercâmbios autênticos e sinceros com as comunidades. Caboclas, quilombolas ou indígenas, essas comunidades hospedem os melhores guias para entender e aproveitar esse tão peculiar mundo da Amazônia brasileira. O barco é assim indispensável, tanto para transporte que para hospedagem, mesmo quando parte da estada é feita nos hotéis (e restaurantes!) de Manaus, Alter do Chão e Belém, ou nos requintados hotéis de selva de Nova Airão, Autazes ou Barcelos.

Por-do-sol no Rio Tapajós

Para viver o mundo amazônico descrito com tanto pioneirismo pelo Jules Verne, tanto o hotel que o barco podem ser a chave de uma viagem extraordinária. Pela liberdade de ir e vir que ele oferece, pela sua capacidade de transformar tempos de transportes ou traslados em passeios, pelo simplicidade de ter uma hospedagem só durante todo um roteiro, pela praticidade dos acessos que ele permite o ano inteiro, pela corrente que ele favorece entre os participantes e até com os tripulantes, confesso minha preferência pelo barco, reforçada na minha última experiência na Turismo Consciente. Quatro dias a bordo do Belle Amazon durante os quais tomamos banho de rio, jogamos futebol com os índios Mundurucus, trançamos chapéus de palha numa comunidade, seguimos nove quilômetros de trilha, e fizemos um churrasco na praia tomando aulas de carimbó. De dar ciúme para o Joam Garal?

Jean Philippe Pérol

Turismo Consciente, a emoção de um encontro com uma artesã de Urucureá

Acessível com os barcos da Katerre, a cachoeira do Parque do Araçá

O luxo amazônico no Anavilhanas Lodge

Uma outra visão da Amazônia com o Mirante do Gavião

Um olhar da Amazônia francesa sobre os novos empreendimentos turísticos do Rio Negro

Brasil à Francesa

Durante uma recente estadia na minha região brasileira predileta, descobri o Mirante do Gavião, um hotel surpreendente no meio da natureza, a um pouquinho mais de duas horas de Manaus. Meio lodge de selva e meio hotel design, o conceito agrada amantes de natureza, viajantes em busca de experiência e clientes sofisticados acostumados ao melhor conforto e atendimento.

A arquitetura do hotel é muito diferente de todos os hotéis que já vi na Amazônia. Inspirado dos barcos de madeira tradicionalmente construídos na região, a estrutura redonda dos quartos e do restaurante se integra naturalmente e suavemente no meio ambiente. Nenhuma arvore foi cortada do terreno. A suite familiar de dois andares, que oferece uma vista imperdível sobre o Rio Negro, foi construída em volta de uma castanheira enorme.

Mirante do Gavião. © Foto Sitah

O hotel conta com 7 suites só. O restaurante Camu Camu, cujo cardápio rivalisa…

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No Rio Negro, os caminhos do Eldorado revisitados com charme e sustentabilidade

A piscina e o restaurante do Mirante do Gavião

Desde que foi descoberto em 1541 pelo Francisco Orellana, o Rio Negro sempre atraiu  viajantes e aventureiros. Espanhóis, portugueses, franceses, ingleses e holandeses  procuraram – e nunca encontraram-  as riquezas do El Dorado e os caminhos do lago Manoa. Procuraram – e encontraram- o canal do Cassiquiare, mítico defluente que interliga as bacias do Orinoco e do Rio Negro, delimitando as Guianas.  Nos primeiros tempos da colonização portuguesa, quando a capital ainda era Barcelos e quando Airão Velho ainda não tinha sido invadida pela (falsa) lenda das formigas, o Rio Negro foi a rota principal dos desbravadores buscando das “drogas do sertão”. E mesmo depois dos dois ciclos da borracha, os viajantes continuaram a percorrer o rio, procurando seja os peixes ornamentais seja os mistérios da Bela Adormecida ou dos Seis Lagos.

Por do sol em São Gabriel da Cachoeira

O turismo virou nos últimos anos uma das principais atividades da bacia do Rio Negro, com uma oferta dividida entre a pesca esportivo do Tucunaré na região de Barcelos – em barcos ou nos lodges especializados-, e as trilhas de aventura levando para São Gabriel e o Pico da Neblina. Mas frente as incertezas das pescarias – mudanças nos ritmos das águas e rarefação dos peixes grandes, e as precárias infraestruturas de turismo de aventura, era hora de ver novas opções aparecer, um turismo sustentável trazendo benefícios econômicos  e respeitando não somente os ecossistemas da região, mas  também o desenvolvimento sócio cultural das comunidades ribeirinhas. Essa escolha, combinada com o charme e até o luxo de um empreendimento excepcional, foi feita pelo Mirante do Gavião Amazon Lodge.

Cada detalhe do Mirante combina luxo e sustentabilidade. É a própria arquitetura do hotel, desenhado pelo Atelier O’Reilly mas inspirado dos barcos regionais e que foi realizado por marceneiros de Nova Airão. São os jardins paisagistas que respeitaram toda vegetação inicial, não sendo cortada uma só arvore durante a construção, e oferecem a cada hospede uma perfeita privacidade. São os quartos amplos com uma decoração regional enriquecida com alguns acessórios de conforto internacional -como um banheiro com ofurô- e uma varanda para gozar da vista espetacular. Surpresa ainda no restaurante gastronómico, com um cardápio assinado pela Debora Shornik misturando ingredientes amazônicos e receitas internacionais, e onde os pratos são servidos “a francesa”.

A suite Samauma do Mirante do Gavião

Nos novos caminhos turísticos abertos pelo Mirante do Gavião, as atividades e as excursões são também um grande ponto de destaque. O viajante vai descobrir  não só a natureza selvagem, mas também os seus moradores e as comunidades que vivem em comunhão com o rio e a floresta. Os guias e os tripulantes, todos oriundos da região, desenharam roteiros exclusivos durante os quais os intercâmbios,  espontâneos ou preparados na Fundação Almerinda Malaquias que trabalha em Nova Airão para reconciliar turismo, meio ambiente, geração de rendas, e respeito as culturas dos moradores. Com charme e sustentabilidade, o exemplo do Mirante do Gavião mostra que turismo pode ser um Eldorado do século 21,  abrindo novos caminhos nas beiras do Rio Negro.

Jean-Philippe Pérol

O Jacareaçu da Katerre com seus itinerarios saindo do Mirante

O Teatro Amazonas, o mito e o fascínio da “Opera de Manaus”

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As galerias do Teatro Amazonas

O mito do Teatro Amazonas – ou da “Ópera de Manaus”-, assim chamado na Europa ou nos Estados Unidos-, exerce um fascínio que parece não ter lógica. Carlos Fermín Fitzcarrald, o Fitzcarraldo, nunca poderia ter assistido a um espetáculo no Teatro que ainda não estava inaugurado quando ele passou em Manaus. Caruso nunca cantou no Teatro Amazonas, veio para o Brasil mas não saiu do Rio Janeiro. 00000305 - copie 2Sarah Bernard, a famosa atriz francesa, nunca viajou para Manaus e não poderia ter gritado para seu motorista a gloriosa frase “Chauffeur, à la forêt vierge!”. E no Amazonas da época da borracha, é provável que as tropas francesas que se apresentavam no Teatro fossem mais parecidas como as Folies Bergères que como os Balês do Palais Garnier. A ironia da História é que os dois cantores mais conhecidos que se apresentaram em Manaus foram talvez Mireille Mathieu em 1977 e Sacha Distel em 1978 , ambos levados pela Air France para eventos excepcionais do então tão concorrido Prêmio Molière.

O Teatro Amazonas

Vista geral do teatro com seu domo coberto de telas da Alsácia

Além do mito, o Teatro Amazonas atrai também por sua própria história. A partir da louca ideia lançada em 1881 de construir um teatro lírico em uma cidade com então 20.000 habitantes,IMG-20120513-00333 - copie  foram 17 anos para a construção com arquiteto e material vindo da Itália e da França, empurrada pela vontade do governador, Eduardo Ribeiro, até sua inauguração em dezembro de 1896. Transformado em entreposto de borracha na época da decadência, o Teatro começou a renascer nos anos 70 com a primeira renovação, e o voltou a brilhar nos últimos vinte anos com uma rica programação cultural. Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera reatou com a tradição lírica da “Ópera de Manaus”.

AMAZON SANTANA CRUISING IN JAU NATIONAL PARK

A beleza das matas e das águas navegando no Rio Jaú

Mas o mito do Teatro vem também do fascínio pela selva amazônica, da folia da expedição de Aguirre, da busca desesperada pelo Casiquiari, dos sonhos de Jules Verne, do drama dos seringueiros  ou da louca aventura de Galvez.Museu do Seringal em Manaus E o visitante sentado nas poltronas de veludo vermelho tira parte da sua emoção ao juntar a sofisticação do espetáculo com as emoções da descoberta das águas, das matas e das tradições dos ribeirinhos do Amazonas e do Rio Negro.  Assim para o Festival 2016, a Secretaria da Cultura, liderada pelo incansável e criativo Robério Braga, programa duas operas, Médée de Cherubini, e Adriana Lecouvreur de Cilea . BOTOCombinada com o encontro das águas, o espetáculo do botos cor de rosa, o emocionante Museu do Seringal ou a casa de farinha duma comunidade cabocla, a estada do visitante terá talvez como outro momento emocionante as músicas e danças  dos índios Dessana. Dando palestra no mundo inteiro, incluindo no famoso Musée des Arts Premiers de Paris, o Cacique Raimundo e sua família, recem-chegados do alto Rio Negro, conseguem manter em sua Oca as tradições culturais que também  são as raízes dos  mitos da Amazônia.

Jean-Philippe Pérol

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Danças dos Indios Dessana

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Barco acostado na Praia do Tupé

No Rio Negro, temporada de pescaria, pós-pescaria, praias e esportes náuticos !

Praias do Rio Negro

Quando acaba o inverno – no Norte, a época da chuva -, as águas dos rios do Amazonas começam a baixar, e os oito a dezessete metros da vazão mudam em algumas semanas todas as suas paisagens. Depois da explosão de beleza e de alegria do Festival de Parintins, começa para o viajante a melhor época do ano para aproveitar o espetacular leque de oportunidades que a natureza oferece nessa tão peculiar região.

Pescaria no por do sol

A mais tradicional é a pesca esportiva. Outrora pouco respeitosas do meio-ambiente, oferecendo condições de conforto as vezes precárias, e  exclusivas de grupos de homens a procura de troféus – tucunarés acima de 10 kilos-, as pescarias souberem se diversificar e se adaptar as novas exigências dos turistas. Tucunaré PacaExigindo o “catch and release”, cuidadosos com a gestão dos dejetos, valorizando as comunidades, os programas oferecidos tem também de se adaptar a crescente presencia de pescadoras ou de acompanhantes mais exigentes na qualidade dos quartos ou das cabinas, mais preocupadas com a dietética e a gastronomia, e mais sensibilizadas as belezas da natureza. Assim como no esqui – onde o “après-ski” virou fundamental – , o “pós-pescaria” está virando um argumento chave para ir pescar no Amazonas. IMG-20121229-00250O Rio Negro Lodge, o maior e mais tradicional dos lodges de pesca, oferece não somente atividades  no seu imponente Club House, mas também uma piscina de agua tratada e mais de 4 quilômetros de trilhas para caminhadas ou passeios de quads.  A preocupação com atividades é a mesma nos barcos de luxo, onde aparecem cursos de Yoga, onde os cardápios são mais sofisticados e onde no descanso dos pescadores constam birdwatching, caiaques ou esportes náuticos .

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As praias e as atividades aquáticas  são atrações únicas de certos rios da Amazônia – sendo os mais conhecidos o Rio Negro, o Tapajós ou o Araguaia.c8 Por ser o mais selvagem, o menos povoado, e ter uma agua preta acida demais para os mosquitos, o Rio Negro é para o turista o mais exclusivo. Enquanto os cruzeiros ecológicos estão disparando em toda a bacia amazônica, suas águas quentes e transparentes, suas praias de areias brancas ou suas imensidões oferecem opções que não podem ser encontradas nas águas barrentas do Peru, do Equador, da Bolívia ou do próprio Rio Amazonas. Nos roteiros dos melhores barcos da região estão agora incluindo paradas nas praias – será do Tupé, das Anavilhanas ou de Barcelos – , esqui náutico de mono ou bi-esquis, pratica de wakeboard, de caiaque ou de paddle, e até passeios de ultra-leve amfibio.

O Belle Amazon com seus dois caiaques

Há quarenta anos, na época que o turismo doméstico apenas começava, Peter Schwabe, um dos maiores profissionais do ramo, jà falava que dois destinos no Brasil tinham as melhores praias do mundo para os turistas: a Ilha de Fernando de Noronha e os rios da Amazônia.Ultra leve amfibio O “Best Traveller choice” da Trip advisor, atribuindo a praia da Baia do Sancho, comprovou a visão dele para Fernando de Noronha. Será que a temporada que começou agora nas águas do Rio Negro comprovará que a profecia era também certa para a Amazônia?

Jean-Philippe Pérol

Aproveitando a praia

 

 

Turismo e comunidades indigenas: qual caminho seguir?

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Familia Dessana apresentando seus rituais tradicionais Foto: Amazon Santana

Existe num mundo inteiro uma procura importante dos viajantes para encontros autênticos com comunidades e culturas indígenas. ML.tourisme_autochtone_Canada_image_UNE-350x350Se no Brasil, parece as vezes difícil devido as precauções extremas exigidas pela FUNAI ou ao radicalismo de ONG estrangeiras, muitos projetos bem sucedidos foram desenvolvidos no exterior. Em Quebec, durante o 4rto congresso internacional do turismo nativo, foram apresentados dia 25 de Março as melhores praticas de comunidades indígenas no mundo, especialmente no Canada, no Peru e na Nova Zelândia. Esses exemplos mostraram claramente  cinco condições essenciais para oferecer aos visitantes uma experiência de qualidade e para chegar ao sucesso.

O projeto deve ser elaborado pela comunidade, sendo dirigido e explorado por ela. Ele terá que criar empregos no local, gerar benefícios diretos e incentivar outras iniciativas empreendedoras. whale-watch-kaikouraEm Quebec, a pesquisadora Sonya Graci deu o exemplo dos maoris da tribo Kati Kuri de Kaikoura, na Nova Zelandia que desenvolveram cruzeiros de observações de baleias. Começaram com um único barco tipo Zodiac, e com pouca ajuda de banqueiros relutantes.  Mas os turistas aprovaram, e logo conseguiram comprar um barco maior e quatro catamarãs. O sucesso da “Whale Watch” levou a ampliar o porto e estimulou os investimentos da comunidade em restaurantes, hotéis e galerias de artesanato local. Hoje são 90 % da população que vivem do turismo.

O produto turístico apresentado deve ser autentico, fruto da realidade da comunidade, valorizando as suas verdaCN_tourisme_autochtone_bonnes_pratiques_2deiras tradições, a sua língua e a sua cultura, e deixando todos os moradores orgulhosos. Também na Nova Zelândia, a aldeia Whakarewarewa é um excelente exemplo de autenticidade. Desde o inicio do século XIX, a população recebe e hospede os visitantes nas casas e nos jardins, ensinando como pode se aproveitar a geotermia para cozinhar, tomar banho ou experimentar a sauna. Os visitantes são convidados a reviver a historia da aldeia e a conhecer as suas  tradições contadas por guias  cujas famílias fundaram o vilarejo há cinco gerações.

Para ajudar tanto nos financiamentos que no profissionalismo, é necessário uma estreita colaboração entre as comunidades e parceiros experientes da industria turística.posada_amazonas-2 No Peru, o projeto Posada Amazonas dos índios  Ese’Eja em Infierno é uma parceria bem sucedida com a Rainforest Expeditions que administra o lodge e entrega a comunidade 60% das receitas. O acordo, com prazo de vinte anos, estipula que a Rainforest Expeditions deve cuidar da formação profissional dos moradores e assegurar vagas de trabalho tanto na construção e manutenção que no atendimento aos clientes e na diretoria do projeto.  Para o município carente de Infierno, o sucesso do ecolodge levou ao crescimento econômico e social.

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Como qualquer empreendimento empresarial, um projeto de turismo numa comunidade indígena  precisa de lideres convictos, capazes de mobilizar os moradores e de comunicar uma visão de desenvolvimento. Foi assim que os irmãos Mike e Doug Tamaki, na Nova Zelândia, reconstruíram em 1989 uma aldeia maori respeitando a historia e o espírito dos seus ancestrais.globalstoreytellers11 Os visitantes participam a reconstituição de cerimonias tradicionais, conhecem os modos de viver da civilização guerreira anterior a chegada dos ingleses. O sucesso do Tamaki Heritage Group, que conta hoje com 120 funcionarios, levou a abertura duma segunda aldeia em Christchurch e a um terceiro projeto em Auckland.

O sucesso do turismo nas comunidades indígenas só pode ser garantido se tiver preservação  dos recursos naturais, viabilidade econômica e respeito de todos os componentes da cultura local, seja se são seguidos os princípios do desenvolvimento sustentável.CN_tourisme_autochtone_bonnes_pratiques_6 Um excelente exemplo é mostrado pela tribo MoCreebec em Moose Factory, no Canada, que inaugurou em 2000 o seu primeiro “Cree Village EcoLodge” em conformidade com os valores tradicionais, ecológicas e culturais dos índios Cris.    O prédio é moderno, mais foi planejado pelos lideres da comunidade para oferecer em cada detalhe o máximo de conforto e o mínimo de impacto sobre o meio ambiente.

No mundo inteiro, o turismo pode oferecer a essas comunidades estratégias de desenvolvimento econômico e social sustentáveis, com um conteúdo cultural muito forte que ajuda na preservação e na divulgação das línguas, das tradições e dos artesanatos dos grupos envolvidos. dscn0513Os exemplos apresentados no Congresso de Quebec ajudaram a definir os fatores de sucesso. Sendo claro o respeito das condições especificas de cada comunidade é imperativo, o Brasil, que têm um imensa potencial nesse setor, pode se inspirar dos projetos canadenses, neozelandeses ou quebequenses para fazer do turismo não uma ameaça mas uma grande oportunidade . Nas aldeias indígenas do Amazonas, nos quilombos do Nordeste e no pais inteiro, os brasileiros podem encontrar seus próprios caminhos para esse  intercâmbio autentico tão procurado pelos viajantes internacionais.

Esse artigo foi traduzido e adaptado dum artigo original de Chantal Neault para o Globe Veille, Chaire de tourisme Transat 

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Por do Sol no Canumã Foto: Amazon Santana

Cruzeiros fluviais: crescendo na França e no mundo. E no Brasil?

Cruzeiros fluviais Honfleur

Populares desde os anos 70 no Reno ou no Danúbio, os cruzeiros fluviais são também cada vez mais procurados no Rio Sena. Se o primeiro navio, o “Normandie”, só inaugurou essa rota em 1989, a oferta se ampliou nos últimos anos. VIKING SPIRITHoje são navios que hospedaram em 2014 um total de quase 100.000 passageiros. Para a clientela internacional (70% a 100% dos cruzeiristas dessa rota), navegar no Rio Sena oferece opções de escalas ou passeios excepcionais, com uma forte dimensão cultural e artística : Paris, Rouen, Le Havre e o charmoso porto de Honfleur na Normandia. Excursões de ônibus são também propostas para Giverny, as falésias de Etretat, as praias do D Day ou o Mont Saint Michel.

Fiesta Brasil

 « Era necessário encontrar novos destinos para nossos clientes tradicionais que já tinha esgotado as opções do Reno ou do Danúbio», explicou Christian Schmitter, presidente de CroisiEurope, uma das maiores companhias de cruzeiros francesas. Baseada em Estrasburgo, oferece agora seis roteiros diferentes no Rio Sena (inclusivo um roteiro de dois dias chamado Fiesta Brasil). Junto com os outros onze operadores, a CroisiEurope é responsável pela explosão do número de cruzeiristas, 300% desde 2011 entre Paris e Le Havre, com destaque para o porto de Rouen que cresceu de 60% o ano passado.

MS SEINE PRINCESS

Os responsáveis da Haropa, a empresa que administra os portos do Rio Sena, já tem projetos para para abrir novos portos – em La Roche Guyon, perto de Giverny e dos jardins de Claude Monet, ou em Issy-les-Moulineaux». Todos os normandy_-_white_water_lilies_1899_by_claude_monet_osa102atores do setor esperam também o final das obras do Canal Sena-Norte que vai interligar em 2022 o Rio Sena com as redes fluviais da Bélgica e da Holanda, permitindo cruzeiros entre Paris e Amsterdã. Até là algumas companhias, inclusive Viking River Cruises, jà pediram para lançar navios maiores. Hoje limitado a 110 metros, o comprimento máximo poderia passar a 135 inclusive dentro de Paris.  “O turismo fluvial no Rio Sena oferece assim grandes perspectivas de desenvolvimento para essas regiões, com receitas animadores se todo é feito para otimizar o serviço oferecido aos cruzeiristas” confirmou Marc Papinutti, diretor geral das Vias navegáveis da França (VNF).

AQUA MEKONG

A paixão dos turistas para os cruzeiros fluviais e as perspectivas oferecidas não é especifica do Rio Sena e da França. Na Rússia, nos Estados Unidos, e até na China, no Vietnã ou no Peru, o crescimento do setor é espetacular, tanto pelo numero de turistas atraídos que pela qualidade e o luxo esbanjados por alguns desses barcos. BENJAMIN GUIMARAESNo Brasil, dono da maior bacia fluvial do mundo, os cruzeiros fluviais ainda esperam a atenção das autoridades e dos investidores. Os produtos ainda são poucos, seja no Amazonas ou no São Francisco. Mas enquanto continua  o embalo mundial dos cruzeiros que outros destinos, inclusive a França, souberam aproveitar, existem oportunidades que não devem ser perdidas.

Jean-Philippe Pérol

 SANTANA 1, FESTIVAL DE OPERA DE MANAUS 2014