Caribe Amazônico: ninguém vai acreditar!

No Rio Tapajós, praias de cair o queixo! Credito imagem Claudia Buss

Alguns anos atrás, querendo mudar a sua imagem carregada dos sofrimentos do famoso “Papillon” imortalizado pelo Steve McQueen, a Guiana Francesa lançou uma campanha cujo lema era “Ninguém vai acreditar”. Os visuais mostravam como era possível, na Amazônia francesa, andar de canoa numa correnteza, caminhar no meio duma imensidão verde, beijar um filhote de jacaré, seguir os passos de uma tartaruga na praia ou dormir olhando para um céu estrelado. Aquém do Oiapoque, seria mesmo possível de pegar o mesmo lema, adicionando ainda muitas experiências que só podem ser vividas nos rios, nas matas, nas praias, nas cidades ou nas comunidades da Amazônia brasileira.

÷ A Guiana francesa  já apostou nas inacreditáveis experiências amazônicas

Na Amazônia brasileira, algumas das mais inacreditáveis experiências podem ser vividas na região de Alter do Chão, nas águas do rio Tapajós e dos seus afluentes, ou nas florestas preservadas – parques naturais, reservas extrativistas, reservas indígenas, ou terras quilombolas –  que tocam as suas margens e seus arredores. A imensidão desses rios é sem dúvida a maior especificidade amazônica, oferecendo a oportunidade de chegar a pontos mais exclusivos, de desfrutar de paisagens mágicos e de chegar as comunidades mais distantes para intercambiar com os moradores sobre a sua cultura, o seu artesanato, a sua culinária ou simplesmente descobrir o modo de vida desse Brasil tão peculiar. 

Batismo no encontro das águas, o grupo em volta das madrinhas do Dolphin . Credito imagem Claudia Buss

Ninguém vai acreditar que nesses rios podem agora encontrar o conforto e até o luxo de dois barcos de turismo, mas é porém a oferta feita pela Amazon Rio Negro em parceria com a Turismo Consciente. O Belle Amazon, há dois anos navegando no Tapajós, ganhou agora uma irmão maior. No dia 2 de Novembro, no encontro das águas azuis do Tapajós e das águas barrentas do Amazonas, as madrinhas Andrea Delfino e Caroline Putnoki batizaram o todo reformado Amazon Dolphin com a tradicional explosão de uma garrafa de Chandon e os aplausos de participantes dentre dos quais o empresário Raimundo Delfino, amigo e compadre, o Laurent Suaudeau, chef e consultor gastronômico, e o Ruy Tone da Turismo Consciente. 

Dá para acreditar? Credito imagem Claudia Buss

O que ninguém mesmo vai acreditar sobre esse Caribe da Amazônia, são as praias exclusivas, de águas translúcidas, azuis ou alaranjadas, mas sempre de areia branca, onde o Amazon Dolphin pode agora levar os visitantes. Para relaxar depois de percorrer uma trilha ou de visitar uma comunidade, para desfrutar do sol e da água quente olhando os seus filhos brincar, ou para tomar um aperitivo servido junto com bolinhos de piracuí ou macaxeira frita, o comandante vai saber escolher o ponto certo para atracar e aproveitar o serviço atencioso e eficiente da equipe de bordo. E, acredite ou não, cada refeição é a ocasião de provar e harmonizar um prato da prestigiosa cozinha paraense, porque não um pato no tucupí com um Pinot noir de Provence?

Jean Philippe Pérol

 

Os 36 metros e as 12 cabines de charme e conforto do Amazon Dolphin Credito imagem Claudia Buss

Alter do Chão, além das praias, a História da Amazônia brasileira

 

A praia da Ilha do Amor em Alter do Chão

Pode ter sido uma surpresa para muitos leitores do New York Times ler na edição de 20 de março deste ano que Alter do Chão merecia de ser listada entre as melhores cidades de praia do mundo. É mesmo difícil, para quem não conhece a Amazônia,  imaginar que águas azuis podem banhar praias de areias brancas a quase mil quilômetros do mar, no coração da floresta equatorial. É, porém, isso que os visitantes podem aproveitar em Alter, caminhando à beira do rio Tapajós,  mergulhando nas águas transparentes, praticando o paddle ou o kite surf, tomando sol na Ilha do Amor, ou simplesmente sentando num dos charmosos bares que ficam frente  ao Lago Verde ou o vilarejo de Pindobal.

Festa religioso de Sairé, evento mor da cultura Borari

Ganhando fama como “Caribe da Amazônia”, Alter do Chão impressiona também pela riqueza histórica da vila e de toda a região do Tapajós. Fundada em 1626, foi local de uma missão jesuíta, onde se agruparam índios Borari, que foram catequizados e  tiveram que aprender o nheengatu, mas conseguiram conservar suas tradições. Hoje seus descendentes, numerosos na população,  perpetuam a cultura de seus ancestrais, em eventos populares como o “Festival Borari”, que acontece todos os anos no mês de julho, e o “Sairé”, uma das festas religiosas mais antigas dos Boraris, realizada no mês de setembro. A festa reúne rituais indígenas e tradições católicas, rezas em nheengatu, latim e português, com agradecimento a Tupã pela fartura da colheita. Tem também seus momentos profanos com danças regionais e o festival dos Botos com dois grupos competindo ao som do carimbó, encenando para o publico de moradores e de turistas as encantarias do mundo Borari .

Wickham, herói ou bandido, do Tapajós ao Jardim Botânico de Londres

Foi também nas margens do Tapajós que começou em 1876 a maior tragédia da história econômica da Amazônia. Encarregado pelo Cônsul inglês em Belém de encontrar sementes de seringueira, o famoso aventureiro Wickham conseguiu ajuda de ex-confederados instalados em Boim – vila ribeirinha do alto Tapajós -, que indicaram as terras altas como lugar preferencial, e de índios Tapuia, que recolheram e embrulharam as tão delicadas sementes.  Se é provável que não foram contrabandeadas e que as autoridades paraenses estavam perfeitamente a par dos acontecimentos,  as 70.000 sementes que atravessaram o Atlântico  entraram na história como o símbolo de uma biopirataria que transferiu para a Ásia, depois de 1912, o domínio da produção de borracha, e levou à falência a quase totalidade dos seringais da Amazônia.

Na beira do Tapajós, o urbanismo do Oeste americano

Pensando que as terras de origem das sementes do Wickham eram o melhor local para suas plantações no Brasil, foram também às margens do Tapajós que Henry Ford escolheu para o seu projeto Amazônico. A oito horas de barco de Alter do Chão, os enviados do lendário empresário receberam do corrupto governador do Pará mais de 10.000 quilômetros quadrados, isenções alfandegárias e privilégios fiscais em troca da promessa de plantar 400 hectares de seringueiras e, mais ainda, de reproduzir na selva Amazônica o urbanismo do oeste americano. Sem nenhum conhecimento e sem nenhuma concessão ao clima, à agronomia, às condições sociais e à cultura da região, o sonho utópico do Ford virou um fracasso de USD 20 milhões.

Em Belterra, as mesmas casas que no Michigan ou no Canadá

Hoje o visitante ainda pode ver em Fordlândia a caixa d’água, a igreja e as casinhas abandonadas,  as ruínas dos edifícios saqueados pelo funcionários inconformados com o policiamento de suas vidas, bem como as raras seringueiras que sobreviveram às invasões de lagartas e aos ataques do inevitável fungo. Em Belterra, construída com mais respeito à natureza amazônica, as seringueiras também morreram e as máquinas foram abandonadas, mas a cidade sobreviveu. As casas, a prefeitura, a igreja batista, o museu, a caixa d’água e até os hidrantes ainda ligam moradores e turistas ao projeto utópico de Henry Ford, testemunhando que, na luta entre o então maior empresário do mundo e as forças da natureza das margens do Tapajós, venceu a selva.
Jean-Philippe Pérol

No meio das seringueiras doentes, o maquinário abandonado

No Rio Negro, temporada de pescaria, pós-pescaria, praias e esportes náuticos !

Praias do Rio Negro

Quando acaba o inverno – no Norte, a época da chuva -, as águas dos rios do Amazonas começam a baixar, e os oito a dezessete metros da vazão mudam em algumas semanas todas as suas paisagens. Depois da explosão de beleza e de alegria do Festival de Parintins, começa para o viajante a melhor época do ano para aproveitar o espetacular leque de oportunidades que a natureza oferece nessa tão peculiar região.

Pescaria no por do sol

A mais tradicional é a pesca esportiva. Outrora pouco respeitosas do meio-ambiente, oferecendo condições de conforto as vezes precárias, e  exclusivas de grupos de homens a procura de troféus – tucunarés acima de 10 kilos-, as pescarias souberem se diversificar e se adaptar as novas exigências dos turistas. Tucunaré PacaExigindo o “catch and release”, cuidadosos com a gestão dos dejetos, valorizando as comunidades, os programas oferecidos tem também de se adaptar a crescente presencia de pescadoras ou de acompanhantes mais exigentes na qualidade dos quartos ou das cabinas, mais preocupadas com a dietética e a gastronomia, e mais sensibilizadas as belezas da natureza. Assim como no esqui – onde o “après-ski” virou fundamental – , o “pós-pescaria” está virando um argumento chave para ir pescar no Amazonas. IMG-20121229-00250O Rio Negro Lodge, o maior e mais tradicional dos lodges de pesca, oferece não somente atividades  no seu imponente Club House, mas também uma piscina de agua tratada e mais de 4 quilômetros de trilhas para caminhadas ou passeios de quads.  A preocupação com atividades é a mesma nos barcos de luxo, onde aparecem cursos de Yoga, onde os cardápios são mais sofisticados e onde no descanso dos pescadores constam birdwatching, caiaques ou esportes náuticos .

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As praias e as atividades aquáticas  são atrações únicas de certos rios da Amazônia – sendo os mais conhecidos o Rio Negro, o Tapajós ou o Araguaia.c8 Por ser o mais selvagem, o menos povoado, e ter uma agua preta acida demais para os mosquitos, o Rio Negro é para o turista o mais exclusivo. Enquanto os cruzeiros ecológicos estão disparando em toda a bacia amazônica, suas águas quentes e transparentes, suas praias de areias brancas ou suas imensidões oferecem opções que não podem ser encontradas nas águas barrentas do Peru, do Equador, da Bolívia ou do próprio Rio Amazonas. Nos roteiros dos melhores barcos da região estão agora incluindo paradas nas praias – será do Tupé, das Anavilhanas ou de Barcelos – , esqui náutico de mono ou bi-esquis, pratica de wakeboard, de caiaque ou de paddle, e até passeios de ultra-leve amfibio.

O Belle Amazon com seus dois caiaques

Há quarenta anos, na época que o turismo doméstico apenas começava, Peter Schwabe, um dos maiores profissionais do ramo, jà falava que dois destinos no Brasil tinham as melhores praias do mundo para os turistas: a Ilha de Fernando de Noronha e os rios da Amazônia.Ultra leve amfibio O “Best Traveller choice” da Trip advisor, atribuindo a praia da Baia do Sancho, comprovou a visão dele para Fernando de Noronha. Será que a temporada que começou agora nas águas do Rio Negro comprovará que a profecia era também certa para a Amazônia?

Jean-Philippe Pérol

Aproveitando a praia

 

 

Litoral francês: Vamos à la plage!

Plage Deauville et Impressionnisme © Patrice Le Bris

Vender praias para brasileiros, donos de algumas das mais bonitas praias do mundo, seja em Fernando de Noronha, na Ilha Grande, no Sul da Bahia, no Ceará ou no Rio Negro, pode parecer difícil. Mas é o desafio que três executivas do comitê do turismo litorâneo francês, liderado pela Nathalie Garcia, de Deauville, estão enfrentando com sucesso frente a profissionais de São Paulo e Rio em uma turnê organizada pela Atout France.

Do Tahiti a Bretanha, da Córsega ao País Basco ou da Riviera até Saint Martin, o litoral francês é caracterizado por ‘plages’ maravilhosas, de areia branca ou de pedrinhas, imensas ou pequenininhas, urbanizadas ou completamente selvagens. Mas os maiores atrativos para os brasileiros, que já frequentam alguns lugares como Cannes, Saint Tropez, Porto Vecchio, Deauville ou Biarritz, são o estilo de vida, as experiências e a badalação que só se encontram nas praias francesas.

Nos 25 destinos oferecidos nessa promoção, escolher a sua ‘plage’ na França é algo muito particular e vai depender de muitos critérios. Mesmo banhado por três mares ou oceanos (Mancha, Atlântico, Mediterrâneo),  mais o Pacífico, só vale tomar alguns exemplos bem pessoais.

Se for com pressa, amante de pintura, saudoso dos anos 20, interessado por corrida de cavalos, Deauville é a solução. A duas horas de Paris esse vilarejo da Normandia brilha pelos hotéis glamour (o mais famoso sendo o Hotel Normandie) e sua famosíssima passarela ‘les planches’ beirando a praias e onde cada um tem que ver e ser visto. PPort de Honfleur - station balnéaire de la Côte Fleuriearaíso dos golfistas, ele também oferece muitas excursões nos arredores, sendo o meu preferido o pequeno porto de Honfleur. Muito frequentado pelos impressionistas, ele foi também no século 16 o ponto de partida de muitos contrabandistas de pau-brasil, esses normandos, aliados dos Tupis, que brigavam com os portugueses nas costas do nordeste brasileiro. Foi por sinal em Rouen, também na Normandia, que foi organizado em 1550 a primeira festa brasileira na Europa com 50 índios, 100 franco-brasileiros, muitos papagaios e alguns macacos. Uma longa tradição de badalação!

Biarritz Vue du Phare © Balloide-Photo

Perto da fronteira espanhola, Biarritz atrai pelo beleza e a força da sua paisagem. Um lugar que atraiu a esposa do Napoleon III, a Eugenie de Montijo que conseguiu até a construção de um palácio (o atual Hotel do Palais) para compensar as numerosas ‘puladas de cerca’ do marido …Biarritz Rocher de la Vierge Le Doaré (3) O espetáculo do mar e das ondas podem ser vistos por toda parte, desde a beira mar onde é realçado pelo Rocher de la Vierge, até o golfe de BiarritzLe Phare ou  as praias de Anglet, paraíso dos surfistas franceses. Passeios pelo País Basco e seus vilarejos tradicionais, visita do porto de pescadores de Saint Jean de Luz ou esticada do outro lado da Fronteira no Guggenheim de Bilbao são varias opções para completar uma estada.

Mas desde as aventuras de Brigitte Bardot em Búzios, a nossa praia mais famosa no Brasil é Saint Tropez. Em 1887, quando ainda era somente uma charmosa vila de pescadores, Saint Tropez já era chamada de turbulenta pelo famoso escritor Guy de Maupassant. port-saint-tropez-bDesde as origens foi um ponto de encontro de artistas, vedetes ou personalidades vindos do mundo inteiro. Pode ser só para tomar um rosé de Provence ou um pastis no Bar du Port, ou ficar olhando os jogadores de ‘boules’ (uma espécie de bocha) da place des lices. Pode ser para olhar os iates estacionados na marina, ou para fazer a turnê das boates começando pelo famosíssimo Les Caves du Roy. Vivendo 24 horas, Saint Tropez assume ainda uma identidade cheia de paradoxos, juntando suas origens humildes e discretas com sua modernidade de luxo e de buchicho.

E para quem está pensando numa lua de mel ou em viagem de aniversário, o destino rei é sem duvida também francês. Uma paixão nascida ou reaquecida na lagoa e na areia de Bora Bora não morre nunca! Vamos à la plage?

Jean-Philippe Pérol

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