Em Nice, o pioneirismo no turismo virando patrimônio da UNESCO

A orla marítima da cidade é o coração do projeto

Na lista dos 34 sítios promovidos pela UNESCO no último dia 27 de Julho, constam não somente o jardim Roberto Burle Marx do Rio de Janeiro, legado do paisagista brasileiro que criou o conceito de jardim tropical moderno, mas  também três maravilhas culturais da França. Viraram assim patrimônio da humanidade o farol de Cordouan ,- construído perto de Bordeaux, na foz do rio Gironde, no final do século XVIII-, a cidade termal de Vichy,- com seus 2000 anos de termalismo e seu urbanismo misturando Segundo Império e Art Nouveau-, e parte da área urbana de Nice, premiada pela sua arquitetura de estância de inverno que nasceu aproveitando o clima e as paisagens excepcionais da Riviera.

A igreja Saint Nicolas num cartão postal de 1932

Trabalhando há 13 anos sobre essa nomeação, o prefeito de Nice, Christian Estrosi, comemorou um evento excepcional, único na historia de “Nissa la bella” pela sua repercussão internacional. Extremamente detalhada, a decisão da UNESCO não se refere a toda cidade, mas exclusivamente as áreas urbanizadas desde o final do século XVIII, bairros onde os primeiros turistas deixaram um rico patrimônio. Eram aristocratas ingleses ou russos, milionários  austríacos ou americanos, que seguiam os passos da Imperatriz Josephine, dos tsars da Russia e da Rainha Vitória, construindo palácios, casas, hotéis ou igrejas, com uma arquitetura cosmopolita original.

O Castelo do inglês (ou Castelo cor de rosa), folia arquitetural de 1856

Icomos, o conselho internacional dos monumentos e sítios que analisou o dossiê, deu a maior importância a definição do perímetro escolhido – que devia ser estritamente ligado ao desenvolvimento turístico da cidade-, e aos esforços bem sucedidos pela sua preservação – garantido pelos compromissos da prefeitura nesse sentido. Foi necessário fortes apoios dos países participando do voto – especialmente da Russia, muito ligado a essa página da história de Nice– para chegar ao compromisso final, a escolha de uma área de 522 hectares de património mundial cercada de 4.243 hectares de áreas protegendo a coerência arquitetural e urbanística do conjunto.

A beleza natural do parc da Colline du Château

Para inscrever Nice na lista do Patrimônio mundial, a UNESCO destacou seu pioneirismo e seus atrativos específicos. A cidade aproveita uma paisagem excepcional e um clima ensolarado. O urbanismo  aproveita harmoniosamente a localização entre mar e montanhas, com avenidas e passeios concebido desde 1831 para atrair os visitantes. Nice foi pioneira em “vegetalizar” suas ruas, plantando arvores e palmeiras, bem como um imenso jardim botânico. O patrimônio arquitetural impressiona, tanto pelas origens italianas, russas, ou inglesas, que pela diversidade de estilos, neo-classicismo, Art Nouveau, Art Déco ou modernismo, que esbanjam um peculiar arte de viver, um exotismo e um bem estar que sempre fascinou turistas e artistas do mundo inteiro.

A praça Massena, o “filho querido da vitória”

A área inscrita pela UNESCO inclui desde uma parte da cidade medieval, com o Cours Sleya, os Ponchettes, a Opera, e toda a orla até a icônica Promenade des Anglais, e o Cours Albert 1ero. Não podia deixar de fora a famosa Place Massena – nome do general mais querido do Napoleão, o “filho querido da Vitória”. E pela outrora Avenida da Vitória, hoje chamada de Jean Medecin, chega-se a Basílica Nossa Senhora da Assunção e, depois de entrar na Avenida Thiers, a estacão de trem e a Basílica russa de Saint Nicolas. A UNESCO aceitou também de incluir alguns pontos mais periféricos como o bairro de Cimiez, suas arenas romanas e seu (ex) hotel Excelsior Regina que hospedou três vezes a Rainha Vitória.

Na praça Garibaldi, a estátua do herói dos dois mundo

Gauchos e catarinenses  lamentarão (juntos com uruguaios, italianos, franceses e amantes da Liberdade do mundo inteiro) que a praça Garibaldi não foi inclusa nessa área. Mesmo com muita insistência da delegação francesa, os especialistas alegaram que, mesmo batizada do nome do herói dos dois mundos, a praça foi inaugurada em 1773, seja antes da era do turismo de estância de inverno que a UNESCO premiou. O prefeito prometeu porem que vai tentar uma redefinição do perímetro premiado até o próximo mês de dezembro. Candidata a capital europeia da cultura em 2028, Nice terá ainda muitas ocasiões de prestigiar o mais famoso dos seus filhos.

Jean-Philippe Pérol

O Hotel La Ponche, o espírito de Saint Tropez


A pequena mas muito badalada praia da La Ponche

Em Saint Tropez, frente a pequena praia do mesmo nome, o lendário hotel La Ponche está reabrindo depois de oito meses de obras. O La Ponche é um dos hotéis icônicos da Riviera francesa, onde os artistas chegaram já nos anos 50, antes e depois de ter hospedado a equipe do filme « E Deus criou a mulher». Passaram ai muitas vedetes das artes, da política e do cinema: Boris Vian, Michel Piccoli, Pierre Brasseur, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Pompidou, Kenzo, Jack Nicholson, Catherine Deneuve. Vários casais famosos se esconderam nos seus quartos: Brigitte Bardot e Gunter Sachs, Bernard Buffet e  Annabel, Romy Schneider e Daniel Biasini.

No lobby, a Provence, o verão, o farniente e os anos 60

Renovar uma lenda foi o desafio imposto a Fabrizio Casiraghi, o arquiteto responsável das obras e da nova decoração do hotel. Ele foi buscar nos brechós e nos antiquários objetos, poltronas, luminárias, o Sul, a Dolce Vita, os anos 60, o mar e as férias, para criar um ambiente misturando a Provence e o verão. Nos 21 quartos (incluindo 5 suites), as paredes são brancas e as madeiras de nogueira preta. Os pisos são de terracota e nas paredes são pendurados quadros de Cordier e litografias originais de Picasso. O quarto excepcional é o numero 8, aquele onde sempre se hospedavam a Romy Schneider e o Daniel Biasini. O terraço é do mesmo tamanho que o quarto e domina os telhados de Saint Tropez, a cidadela, a torre da igreja e o mar.

Do restaurante, uma vista mágica para o Mar Mediterráneo

Com somente  29 anos, o chef Thomas Danigo, calmo e rigoroso, viajou no mundo inteiro, trabalhou em Chartres e Paris, mas voltou para propor um cardápio mediterrâneo valorizando os legumes da região, os peixes e as vibrações cotidianas da feira livre. « Sem frescuras e sem exageros, uma cozinha virada para os produtos e os sabores regionais ». Oferece gaspacho de ervilhas frescas, lagosta grelhada, a famosa “bouillabaisse”, pratos do dia no forno de carvão e sobremesas trabalhadas com frutas da estação. Para o almoço, são servidos no terraço os pratos tradicionais da casa, enquanto o cardápio valorise na hora do jantar as criações pessoais do chef num ambiente mas sofisticado.

O novo Bar Saint Germain desenhado pelo do Fabrizio Casiraghi

Para sentir o espirito de um hotel, o melhor lugar é sem dúvidas o bar. A história – e o sucesso- do hotel começaram no Saint-Germain-des-Prés-La Ponche, ponto de encontro de pescadores e de artistas, cuja renovação foi muito caprichada pelo Fabrizio Casiraghi. Levou uma parede de espelhos atrás do bar, instalou umas luminárias para valorizar as garrafas, cobriu o teto com nogueira preta, e escolheu um piso de azulejos pretos e brancos. A lareira, as mesas de ferro forjado e as poltronas criaram um ambiente aconchegante para aproveitar a qualquer hora do dia ou da noite um surpreendente cardápio de cocktails e de fingerfood, um ambiente digno do passado do La Ponche e da Dolce Vita.

No porto de Saint Tropez, o luxo e a simplicidade

A nova diretora, Audrey Brémond, é uma “tropezienne” da gema que já trabalhou no grupo Oetker. Teve experiências bem sucedidas em Courchevel, em Vence e nos hotéis Monsieur, « boutiques-hôtels » parisienses pertencendo a empresa HN6 ACTIVE, hoje também proprietária do La Ponche. Mesmo se tomou a decisão de sair da cadeia Esprit de France, a empresa liderada pelo empresário Nicolas Saltiel quer dar uma nova vida para o La Ponche, reencontrar o borbulho das origens e o ambiente dos anos 60, o hino ao sol, a simplicidade, ao Mediterrâneo, ultrapassar a simple noção de hospedagem para liberar a dimensão cultural de uma experiência peculiar com o espirito de Saint Tropez.

Jean-Philippe Pérol

“E Deus criou a mulher”, inicio do namoro da Brigitte Bardot com Saint Tropez

 

A França, mais segura e acolhedora para os seus visitantes

Policiais mais visíveis nos lugares mais turísticos da capital

Policiais mais visíveis nos lugares mais turísticos da capital

Quebrando com a tradição ufanista que caracteriza a comunicação do turismo, o primeiro ministro da França apresentou o seu plano para impulsionar o setor anunciando um recuo de 8,2% das chegadas internacionais. “É claro que com os atentados terroristas de novembro e julho, as greves, os assaltos a turistas asiáticos ou os roubos de personalidades, o turismo francês atravessa um momento difícil. No final de setembro, praticamente todos os mercados estavam em queda, seja os visitantes tradicionais da Europa (-10%), da América do Norte (-6,9%) ou do Japão (-39%), ou os mercados emergentes – Rússia, Brasil e China (de -15% a -30%) “.

O Castelo de Chambord, um dos 30 monumentos com segurança reforçada

O Castelo de Chambord, já com segurança reforçada

Lembrando a importância do turismo para França, 7,5% da economia nacional e 2 milhões de empregos,  o Primeiro Ministro fez questão de anunciar pessoalmente uma série de medidas para reforçar a segurança dos turistas, deslanchar uma campanha de promoção nacional e internacional e apoiar os profissionais nos investimentos necessários para melhorar a qualidade dos estabelecimentos e dos serviços. O objetivo será de recuperar o mais rapidamente possível os dois milhões de turistas e o bilhão de euros de faturamentos perdidos, especialmente nos hotéis e restaurantes de Paris.

A Cote d'Azur

A Riviera francesa, segunda região mais destacada do Plano

A segurança dos turistas vai ser tratada de forma específica, com um coordenador nacional. O patrulhamento dos metrôs e dos trens será ampliado, especialmente em Paris e na Côte d’Azur. Os 30 monumentos mais visitados vão ter os seus acessos monitorados com mais câmeras e uma verba especial vai ser distribuída para ajudar os grandes eventos culturais e os festivais a reforçar sua segurança. Para afastar os delinquentes, e para atender com mais rapidez eventuais vítimas, inclusive no registro de Boletim de Ocorrência, 30 postos móveis de polícia serão inaugurados. Um aplicativo com dicas de segurança em 30 idiomas será também colocado a disposição dos turistas.  Os profissionais serão sensibilizados sobre as precauções e as medidas que podem contribuir ao conforto e a segurança dos seus clientes, e um selo « SECURITE SITE TOURISTIQUE » será atribuído a aqueles que farão os investimentos necessários.

Criatividade cultural como forte temática das campanhas de promoção

O Primeiro Ministro anunciou também um reforço de 10 milhões de Euros na promoção internacional da Atout France, com destaque para os mercados mais atingidos, mas já dando sinais de recuperação, o caso do Brasil. Uma campanha direta para os consumidores, um investimento na “e-reputação” da França na internet e nas mídias sociais, a ampliação da nossa presença nos grandes encontros do trade, e uma promoção específica dos grandes eventos culturais de Paris  serão os eixos principais de um plano de marketing que será iniciado nas próximas semanas com a parceria dos principais destinos turísticos franceses. Devido a importância do turismo doméstico para esses destinos, estarão também incluídas algumas ações complementares no mercado francês.

Shopping mais fácil e detaxe mais rápida

Shopping mais fácil e detaxe mais rápida

Reforçar a confiança dos viajantes no turismo francês exige também de apoiar as melhorias necessárias nos produtos bem como no atendimento. O governo vai ajudar os investimentos no wifi grátis para os clientes dos restaurantes, nas melhorias nos sistemas de reserva on-line para os pequenos hotéis, bem como na capacitação profissional na hotelaria e no ensino de idiomas estrangeiros para os funcionários do setor. Para facilitar o shopping, as aberturas de lojas nos domingos serão ampliadas, as opções de pagamentos ampliadas e o processo da “detaxe”  será simplificado. Com essas medidas, a França quer continuar a merecer a sua posição de primeiro destino turístico mundial frente a seus concorrentes, hoje americanos e amanha chineses. Uma preferência que só pode ser conservada oferecendo aos visitantes não somente um belo patrimônio cultural e natural, mas também a segurança, o atendimento e a qualidade de infraestruturas que eles tem direito.

Bienvenue en France!

A Ryder Cup 2018, evento de destaque do Plano de promoção

A Ryder Cup 2018, evento esportivo privilegiado do Plano de promoção

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Mais três “Palaces” em Paris, na “Côte d’Azur” e no Caribe francês

Le Cheval Blanc Saint Barth Isle de France, primeiro Palace do Caribe francês

Le Cheval Blanc Saint Barth Isle de France, primeiro Palace do Caribe francês

A mais espetacular novidade da classificação hoteleira francesa foi sem duvidas a inauguração em 2010 de uma categoria “Palace”, uma exclusividade mundial concebida pela Atout France, a agência de desenvolvimento turístico da França. Premiando hotéis 5 estrelas com uma situação geográfica excepcional, um interesse histórico e patrimonial, um serviço perfeito e uma fama internacional, a distinção é atribuída por 5 anos por uma comissão de personalidades da cultura, da imprensa, da economia e do turismo. Depois da sua ultima reunião, foi anunciado dia 22 de Julho que o restrito clube dos Palaces franceses estava se abrindo para três novos estabelecimentos em Paris, na Côte d’Azur e em Saint Barthelemy.

O Peninsula renovando a tradição do Majestic

O Peninsula renovando a tradição do Majestic

Em Paris, foi destacado o Peninsula, hotel da avenida Kleber pertencendo ao grupo de Hong Kong que já abriu dez hotéis de luxo em Xangai, Chicago, Tókio, ou Nova Iorque. O novo Península reabriu em 2014  num dos prédios com a mais prestigiosa historia da hotelaria parisiense. Construído no local de um palácio pertencendo à rainha da Espanha, ele foi inaugurado em 1908 com o nome de Hotel Majestic, ponto de encontro da alta sociedade da Belle Époque. Depois da segunda guerra virou um centro de congressos internacionais do ministério das Relações exteriores (aí foram negociados os acordos de paz finalizando a guerra do Vietnã), foi reaberto como hotel depois de uma longa, criativa, requintada e espetacular renovação que o deixou com 200 quartos sofisticadas e um requinte de “Palace” muito parisiense.

 

O Eden Roc, o lendário hotel da Côte d'Azur

O Cap Eden Roc, o lendário hotel da Côte d’Azur

Na Côte d’Azur, a Riviera Francesa, é o hotel Cap Eden Roc de Antibes que recebeu a distinção, construído em 1870, pelo fundador do famoso diário francês Le Figaro, Hippolyte de Villemessant, o hotel, então chamado de Villa Soleil, foi desde a sua inauguração um refugio para artistas, escritores e celebridades. Quartos e salões lembram as estadias de hóspedes como Marc Chagall, o duque e a duqueza de Windsor, George Bernard Shaw, Francis Fitzgerald, ou os grandes eventos que marcaram o hotel e suas dependências. Hoje pertencendo ao grupo Oetker Collection, o Cap Eden Roc terminou em 2013 uma longa renovação  que o projetou como um irresistível candidato para a distinção de Palace.

O luxo do Cheval Blanc frente a praia de Saint Barthelemy

O Cheval Blanc frente a baia dos Flamengos em Saint Barthelemy

Enquanto os “Palaces” reconhecidos até hoje são todos localizados na França “europeia”, a comissão decidiu pela primeira vez premiar um hotel localizado no Caribe francês, na exclusiva ilha de Saint Barthelemy já famosa por hospedar sete hotéis de cinco estrelas – incluindo o Guanahani, o Eden Roc ou o Sereno–  nos seus procuradíssimos 21 quilômetros quadrados (é menor que Fernando de Noronha). A comissão entregou para o hotel Cheval Blanc Saint Barth a primeira distinção Palace ultra-marina. Comprado em 2013 pelo grupo LVMH, o novo Palace é um pequeno hotel de 40 quartos localizado na Baia dos Flamengos, no norte da Ilha. Famoso pelo seu SPA e pela qualidade do seu restaurante franco caribenho, ele é o segundo hotel do grupo a conseguir a prestigioso distinção já alcançada pelo Le Cheval Blanc de Courchevel. Um sucesso que levará sem dúvidas vários prestigiosos concorrentes a se preparar para a próxima reunião da comissão de atribuicão da distinção Palace, já anunciada pelo Secretario do Turismo francês Mathias Fekl.

O Cheval Blanc de Courchevel, primeiro Palace do grupo LVMH

O Cheval Blanc de Courchevel, primeiro Palace do grupo LVMH

19 estabelecimentos receberam até hoje a distinção  “Palace” :
– Hôtel du Palais – Biarritz
– Hôtel Les Airelles – Courchevel
– Hôtel Le Cheval Blanc – Courchevel
– Hôtel Le K2 – Courchevel
– Hôtel Four Seasons George V – Paris
– Hôtel Le Bristol – Paris
– Hôtel Le Mandarin Oriental – Paris
– Hôtel Le Meurice – Paris
– Hôtel Le Park Hyatt Paris Vendôme – Paris
– Hôtel Le Plaza Athénée – Paris
– Hôtel Le Royal Monceau – Raffles Paris – Paris
– Hôtel Le Shangri-La – Paris
– Hôtel Le Peninsula – Paris
– L’hôtel La Réserve – Ramatuelle
– Hôtel Le Grand-Hôtel du Cap-Ferrat – Saint-Jean-Cap-Ferrat
– Hôtel Le Cap Eden Roc – Antibes
– Hôtel Le Byblos – Saint-Tropez
– Le Château de la Messardière – Saint-Tropez
– Hôtel Le Cheval Blanc Saint-Barth Isle de France – Saint-Barthélemy

 

Em Nice, nos passos dos ingleses, do Rei Carnaval e … de Garibaldi!

PRAÇA GARIBALDI

Foram os ingleses que lançaram o turismo na Riviera francesa. Logo no século XVIII, Nice era o destino favorito dos jovens aristocratas. Assim como o Tobias Smollet, que escreveu entre 1763 e 1765 o primeiro Guia de Turismo da região, esses primeiros ingleses gostavam das belasHOTEL REGINA CIMIEZ paisagens, do panorama excepcional dos azuis do mar e do céu, da proximidade das montanhas, e, acima de tudo, do clima de liberdade imposto pelos habitantes, longe da austeridade e das restrições britânicas. Na Belle Époque, a própria Rainha Vitoria  passou cinco temporada na cidade, nas colinas de Cimiez onde aproveitava as arenas romanas e os jardins do mosteiro. Alem do Hotel Regina – hoje transformado em apartamentos-, os ingleses deixaram varias igrejas, dois cemitérios, e, acima de tudo, a famosa “Promenade des Anglais”. Promenade des anglaisIniciada em 1822 pela comunidade britânica como obra de caridade para dar trabalho aos desempregados, foi primeiro um simples “caminho dos ingleses”. Beirando a praia da Baie des Anges, ele foi pouco a pouco esticado até o Rio Var  onde foi finalizado em 1904. Hoje, entre as praias de pedras e as palmeiras, do Jardim Albert I até o Museu Massena e o Hotel Negresco, este caminho é o mais imperdíveis dos passeios de Nice. Atualmente preparando uma ciclovia e duas novas fileiras de palmeiras, a “Promenade des Anglais” é agora candidata ao Patrimônio Mundial da Humanidade.

HOTEL NEGRESCO

Para o viajante brasileiro, Nice é também desde 1970 a cidade gêmea do Rio de Janeiro, sede do maior Carnaval da França, um dos mais antigo do mundo, já elogiado em 1294 pelo seu soberano, o Conde de Provence.Carnaval NICE 2012 Mas foi somente em 1830 que começaram os desfiles de Carnaval, com umas trinta carruagens homenageando o Rei e a Rainha de Piemonte Sardenha. Os foliões fantasiados se jogavam confetis de papel, ovos, farinha ou gesso. Em 1873 um Comité começou a organizar os desfiles, montar as arquibancadas, criar os carros alegóricos grotescos e coloridos tão característicos, e inventar as espetaculares “Batalhas de flores”. Realizadas hoje na “Promenade des anglais”, elas são o ponto alto dos 15 dias de festas. Cercados de músicos e bailarinos vindos dos quatro cantos do mundo, montados em carros decorados de espetaculares composições florais, destaques vestidos com roupas extravagantes jogam para os espectadores mimosas, gerberas ou lírios.

carnaval 2016

Será nos cais do porto, e nas ruas estreitas da cidade velha, que o viajante encontrará os passos do mais famoso dos filhos de Nice. garibaldi em sao pauloGiuseppe Garibaldi, campeão da unidade italiano, comandante da marinha farroupilha, defensor da independência uruguaia e líder carismático das Camisas Vermelhas , herói dos dois mundos, nasceu em Nice, então francesa,  em 1807. As duas casas onde ele viveu não existem mais, mas ficavam frente ao porto, em baixo do morro do Castelo onde os turistas podem ainda hoje desfrutar duma vista maravilhosa sobre o velho Nice. No porto Lympia, hoje cercado de restaurantes típicos, o pai, Domenico, tinha um barco de pesca e foi com ele que o jovem Giuseppe aprendeu as técnicas de navegação com as quais brilhou depois na Lagoa dos Patos. LE COMTE DE NICE EN IMAGESFoi junto a multidão de artesãos, de marinheiros e de doqueiros, nesses bairros onde ainda se fala o patuá “nissart”, que ele começou a sonhar das aventuras que o levarão até o Rio Grande do Sul. Na Praça Garibaldi,  a sua estátua lembra que a sua cidade natal, agora francesa desde 1860, não esqueceu o seu grande herói italiano e gaúcho.

 

Jean-Philippe Pérol