Comprar vinhos na França, e as sugestões 2019 de “De Vinis illustribus”

De Vinis Illustribus, vinhos e atendimentos especiais no coração de Paris

Se vinhos de grandes qualidades podem ser encontrados mais perto, em Mendonça, no Vale de Colchagua, ou até nos arredores de São Paulo, os vinhos continuam sendo para os brasileiros uma das mais vantajosas opções de shopping na França. Podendo trazer de uma viagem internacional até doze litros, dentro do limite dos US$ 500 autorizados, volta cada ano a mesma pergunta: quais vinhos escolher, eonde comprá-los? O melhor conselho é de seguir seus gostos pessoais, e de priorizar as compras nas próprias vinícolas. Se os preços não são muito diferenciados, a beleza dos locais, a riqueza dos encontros, a descoberta e a compreensão de novos vinhos  sempre justificam a visita. Smith Haut Lafitte e Malescot Saint-Exupery em Bordeaux, Château La Coste na Provence, Ruinart e Moët & Chandon na Champagne, Corton Charlemagne, Domaine Long-Depaquit ou  Drouhin Laroze na Borgonha oferecem assim experiências inesquecíveis.

Sala de degustação do Smith Haut Lafitte

Para quem não tem a opção de ir nas vinícolas, e fora das liquidações das cadeias de supermercados, as lojas especializadas são sempre uma boa opção. Assim, em Bordeaux, existem a Vinothèque e a espetacular L’intendant que sempre têm ofertas interessantes. Em Paris , recomende-se a Lavinia ou a Bordeauxthèque das Galeries Lafayette. Entre a possibilidade de provar os vinhos, de encontrar garrafas excepcionais e de conseguir preços em conta, vale a pena experimentar uma pequena loja em Paris chamada “De Vinis Illustribus”. No coração do Quartier Latin, o enólogo Lionel Michelin e sua esposa Dominique oferecem seus “vinhos de aniversario” , vinhos de safra correspondentes ao ano de nascimento da pessoa presenteada. Lionel tem uma excepcional adega de vinhos raros e divide sua paixão oferecendo pessoalmente, com sua esposa Dominique, degustações e refeições harmonizadas para grupos ou individuais.

Degustação no De Vinis Illustribus

Pelo quarto ano consecutivo,  Lionel aceitou mandar as suas sugestões, uma seleção de seis vezes duas garrafas  cabendo nos US$ 500 autorizados pela Receita Federal. A seleção 2019 de DE VINIS ILLUSTRIBUS é a seguinte:

Champagne rosé GEOFFROY  : US$ 47

Um rosé elaborado com 100% de pinot noir Premier Cru. Com uma linda cor framboeza e bolinhas finas, redondo e suavo, esse champagne repleto de aromos de frutas é perfeito para um aperitivo festivo.

Meursault rouge “Les Criots” MILLOT  : US$ 37

Um raridade, esse vinho tinto representa somente 1% da apelação Meursault onde o domínio dos vinhos brancos é absoluto. Fácil de beber, impressionante de frutas vermelhas, este vinho elegante e suave é típico do pinot noir da Borgonha: fruta, fruta e ainda fruta. É perfeito para uma harmonização com vitela ou aves.  

Lionel escolheu dois Meursault na sua seleção 2019

Château MAUCAILLOU  2005 : US$ 51

Na margem esquerda de Bordeaux, tocando o terroir de Margaux, Moulis produz vinhos poderosos, densos, com bom potencial de guarda. O château MAUCAILLOU combina 58% de cabernet sauvignon, 35% de merlot e 7% de petit Verdot. Sua safra 2005, que recebeu 90/100 da revista Wine Spectator é um sucesso absoluto. Um nariz complexo abre com aromas de framboesa, cassis e cerejas. Na boca, esse vinho é amplo, com taninos macios. Um grand Bordeaux.

“Quadratur” COUME DEL MAS  2016 : US$ 37

Proveniente dos terroirs de xistos da região de Roussillon, esse vinho potente e concentrado combina uvas grenache e mourvèdre. Sua profundidade e seus taninos  permitem evoluções com a guarda, mas este Quadratur já oferece muito prazer quando harmonizado com cordeiro ou pratos com especiarias.

Meursault “Les Petits Charrons” MILLOT 2017 : US$ 42

Um grande Meursault  Côtes de Beaune, com vindimas feitas a mão que valorizam a quintessência do chardonnay. Com visual amarelo pálido, nariz rico e promissor, este vinho desenvolve aromas de flores brancas, de pêssegos e de amêndoas. O melhor da Borgonha numa grande safra.

INOPIA 2015 : US$ 28

Uma raridade vindo do Sul da França mas elaborado por  Lucien LE MOINE, um famoso viticultor vindo da Borgonha, com uvas grenache e syrah. Esse Côtes du Rhône tinto tem sabores de frutas vermelhas, de azeite e de mato da Provence. de fruits noirs, d’olive et de garrigue. Rico porém bem balanceado, é o companheiro ideal de pratos com especiarias.

Obrigado Lionel pelas suas sugestões 2019, e saúde, à ta santé!

Os hipermercados Leclerc, imperdíveis liquidações de vinho

Invino Wine Travel Summit, a hora do enoturismo

Na Borgonha, um dos oito vinhedos do mundo tombado pela UNESCO

Faltando menos de um mês para a sua inauguração, a expectativa em torno da primeira edição do Invino Wine Travel Summit  já está mostrando que o enoturismo é mesmo um setor que despertou o interesse dos profissionais brasileiros do turismo e do vinho. Patrocinado pela Air France, a Chandon e a Bourgogne, apoiado pela Atout France,  a Wine Paths, o Palace Sources de Caudalie, a Guaspari, a Rouge Brasil, o Forum de Enoturismo e os Wines of Chile, beneficiando da experiência de palestrantes e expositores vindo do Chile, da França, da Argentina e do Brasil, Invino já confirmou as inscrições das mais destacadas operadoras e agencias do setor.

Tradição e qualidade nos vinhedos do Chile

O sucesso do enoturismo é um tendência internacional. Com um indiscutível pioneirismo das vinícolas da costa Oeste americana (líder mundial até hoje com 15 milhões de enoturistas, sendo 3 milhões de estrangeiros), os “Wine tours” se espalharam em todos os grandes destinos produtores, especialmente na França cujas vinícolas recebem 10 milhões de visitantes,  4,2 milhões vindo do exterior. Hoje o mundo tem mais de 40 milhões de enoturistas que  visitam o Stellenbosch ou a Napa Valley, a Rioja espanhola ou o Vale McLaren da Australia, os “climats da Borgonha” ou a rota dos vinhos do Vale Maipo, sem falar dos procuradíssimos  vinhedos da Toscana e da Provence. No Brasil também, o sucesso das rotas gaúchas, catarinenses ou paulistas já atrai mais de um milhão de visitantes por ano.

Les Sources de Caudalie, onde enoturismo combina com bem estar e gastronomia

Os encontros de Invino são importantes devido as evoluções do enoturismo. Para os produtores, o turismo passou da simples atividade complementar a uma ferramenta chave para incrementar e diferenciar a notoriedade das marcas, uma fonte de receitas representando até 20% ou mais das vendas totais. Se transformou em uma grande oportunidade de investimentos, seja nas próprias adegas seja na hotelaria ou no bem estar.  Os perfis dos enoturistas mudaram completamente também. Enquanto os pioneiros, enólogos ou enófilos, exigiam um atendimento completamente focado em numerosas visitas e degustações, o novo enoturista é simplesmente um “bon vivant” ou até um viajante a procura de novas emoções. O vinho vira assim um dos componentes de uma viagem que incorpora também experiências culturais e gastronómicas, momentos para compras e para bem estar, ou passeios para apreciar as belezas naturais de lugares as vezes tombados pela UNESCO.

As vinicolas de Mendonça combinam com proezas arquiteturais

Para os profissionais do turismo que precisam de novos produtos e serviços com forte valor agregado, Invino vai ser um momento privilegiado para descobrir valiosas experiências. Algumas operadoras tanto de receptivo que de exportativo já investiram há muitos anos no enoturismo, e o Brasil tem valiosas realizações em ambas atividades.  Mas um grande trabalho de capacitação ainda tem que ser feito para que os agentes consigam responder aos viajantes interessados, oferecendo o destino, o vinho e o produto mais adaptados para cada perfil.  O potencial é imenso, reforçado pelo fato que os grandes países de enoturismo são ,seja vizinhos – Chile, Argentina ou Uruguai -, seja muito familiares – EEUU, França, Portugal, Itália e Espanha. Mostrando os sucessos e os “savoir-faire” adquiridos, o Invino Wine Travel Summit pode ajudar as agencias a responder a essa nova grande tendência do turismo mundial.

Jean Philippe Pérol

 

A alegria do vinho nos roteiros gauchos

Cassoulet, pimentas e Gevrey Chambertin, sugestões brasileiras para a feijoada a francesa

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Cassoulet com pimentas e Gevrey Chambertin 2004

Cassoulet e Gevrey-Chambertin, uma sugestão para um domingo de noite

de Edson Costa, enólogo, gourmet, musicólogo e poeta.

Reza uma das lendas mais difundidas do cassoulet que Castelnaudary, cidade situada na região de Occitânia, foi cercada durante a Guerra dos Cem Anos pelos ingleses que dominavam o sudoeste desde Bordeaux,  e ficou semanas sem abastecimento. A população, para não passar fome, fazia ensopados com tudo que houvesse a disposição: feijões brancos (típicos da agricultura local), pedaços de carne de porco, aves, legumes… Assim teria nascido um dos pratos mais tradicionais da França. E Castelnaudary ficou conhecida como a capital mundial desta iguaria.

A cidade de Castelnaudary, na beira do Canal do Midi

A cidade de Castelnaudary, na beira do Canal do Midi

A lenda é muito discutida até hoje. Os historiadores lembram que o feijão chegou na Europa vindo das Américas, seja  depois do Cristovo Colombo, e que receitas parecidas, mas a base de favas, são conhecidas na região desde o século X. Mas o cassoulet virou famoso, e é um prato tão importante na cultura local que três cidades desta região disputam a fama de fazer o melhor de todos. Para manter a paz regional, os franceses decidiram que o cassoulet é o Deus da gastronomia, e as três cidades são o Pai (Castelnaudary), o Filho  (Carcassonne) e o Espírito Santo (Toulouse].

A Confraria do Cassoulet de Castelnaudary

A Confraria do Cassoulet de Castelnaudary

Guardadas as devidas e necessárias tradições, cada Chef tem sua receita para a elaboração dessa feijoada a francesa. Nesta proposta, personalizada mas inspirada da receita original da Grande Confraria do Cassoulet de Castelnaudary , foram incluídos: feijão branco, coxa de pato confitada e assada, costela de porco, linguiça calabresa, costeleta de porco defumada, lombo de porco, alho assado, bacon em pedaços, cebola roxa, sal e pimenta do reino moída na hora. Todo servido na “cassole”, o prato de cerâmica tradicional cuja origem vem do século XIV.

O castelo de Gevrey-Chambertin

O castelo de Gevrey-Chambertin na Borgonha

Para harmonizar o cassoulet com um vinho, as escolhas tradicionais são o Cahors ou o Corbières, mas vale a pena de fazer outras experiências. Vale combinar com um Gevrey Chambertin, o vinho que era o favorito do Napoleão, aqui um Racines du temps do René Bouvier, safra 2004.  Com seus vinhedos situado perto de Cluny – sede da famosa abadia e das ruinas da maior catedral do Ocidente cristão-, esse “terroir” caracteriza-se por apresentar vinhos unicamente tintos. São vinhos de longa guarda, potentes, estruturados, tânicos e ao mesmo tempo aveludados, de cor intensa, e com aromas e sabores de cassis, cereja, alcaçuz e couro, mas que também são capazes de desenvolver aromas terciários na maturidade, como de mata e de caça.

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Gevrey-Chambertin Racines du Temps 2004

O Domaine René Bouvier é uma empresa familiar fundada em 1910 pelo avô de Bernard Bouvier, Henry Bouvier na Côte de Nuits, Borgonha, França. Tem 13 hectares de Pinot Noir e 4 de Chardonnay Noiret 4 para um total de 18 DOCs na Borgonha, Cotes de Nuits Villages, Fixin, Marsannay e Gevrey-Chambertin, todas com Premier cru e Grand Cru. O Gevrey-Chambertin Racines Du Temps René Bouvier 2004, como é determinado na Borgonha, é um vinho varietal Pinot Noir (100%) que envelheceu em barricas novas de carvalho francês por 18 meses.

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Tempero a brasileira: molho de pimenta  dedo de moça

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Tempero a brasileiro: molho de pimenta murupi

Um cassoulet servido na "Cassole"

Um cassoulet servido na “Cassole”

Borgonha: da fé nasceu o vinho …

 

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Na Borgonha, é talvez no tradicional leilão dos Hospices de Beaune que a estreita ligação entre a fé e o vinho têm a sua maior expressão. Essencial para o ritual da missa católica, o vinho era desde o século V trabalhado na Borgonha pelas comunidades de monges, especialmente os cluniacenses ( a partir de 909 perto de Mâcon e em algumas áreas famosas como a Romanée-Saint-Vivant.) e os cistercienses (a partir de  1098 nas regiões de Côte de BeauneCôte de Nuits, e Chablis). DSCN0138 - copieEm 1443, na auge do ducado de Borgonha, quando as vinícolas ganharam um novo impulso com a proibição do Gamay e a obrigatoriedade do Pinot Noir, o chanceler do duque Nicolas Rolin, homem de muita fé, mandou construir um hospital, os Hospices de Beaune. E para sustentar seu funcionamento, doou também uns 60 hectares de vinhedos. Até hoje, mais de 500 “peças” (barris de 228 litros) leiloadas no terceiro domingo de novembro são os principais recursos dessas obras caritativas. Foi assim que a fé, que criou esses vinhos maravilhosos , foi depois financiada por eles….

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Hoje na Borgonha, os vinhos continuam guiando os passos do viajante. Os nomes dos lugares desfilam feito as ofertas dum grande cardápio de vinho: Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges, Savigny-les-Beaune, Meursault… Vindo do Brasil, as visitas imprescindíveis vão com certeza incluir o castelo do Clos Vougeot, os vinhedos da Romanée e também algumas propriedades que se destaquem: SAO JORGE DALIo Chateau de Pommard com suas impressionantes esculturas de Dali -, o “domaine” de Drouhin Laroze – com suas adegas que podem ser o cenário dum jantar inesquecível, ou o Chateau de Velle com sua animadíssima demonstração de tonelaria. A descoberta das sutilezas do Pinot noir – a uva preferida dos duques porque transmita ao vinho todas as sutilezas dos mil “terroirs” da Borgonha, acontece também nas inúmeras propriedades – quase 5000, com uma media de menos de 7 hectares- onde os produtores gostam de explicar suas especificidades e de deixar o visitante experimentar os seus vinhos antes de poder comprar los.

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A fé sempre fica por perto. Em Vezelay fica uma das maiores basílica do mundo católico, ponto alto dum dos caminhos de Santiago, o Caminho de Limoges, 75 dias de caminhada de Namur até Compostela. O santuário e a abadia ficam numa colina sagrada desde a época dos gauleses, um desses lugares onde sopra o espírito. MARC MENEAUE nos flancos da colina, os vinhedos de Chardonnay chegam até o pequeno vilarejo de Saint-Père onde se esconde o extraordinário restaurante L’espérance do chefe Marc Meneau.  A fé se vê também nas outras 29 abadias que marcam as paisagens da Borgonha: das mais importantes, Fontenay, fundada pelos cistercienses em 1119 e  hoje patrimônio da humanidade , Citeaux, ou Cluny, outrora sede da maior igreja da cristandade, até as menores as vezes transformadas em hotel como o Relais Chateaux Abbaye de la Bussière.

AUXERREE nos confins da Borgonha, já perto da Champagne, a visita dos vinhedos de Chablis, dos seus solos ricos em fósseis e dos seus sutis chardonnay acabará com certeza em Auxerre, nas ruas estreitas que levam a sua catedral gótica e a sua cripta romana. Frente ao altar onde a Joana d Arc rezou em 1429, o visitante poderá meditar sobre esses monges beneditinos ou cistercienses que conseguiram, com trabalho, técnica e criatividade, inventar na terra fria e difícil da Borgonha esses vinhos singulares que foram os preferidos do Louis XIV e do Napoleão.

Jean-Philippe Pérol

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