Para escolher o seu destino, os serviços que você não quer (e provavelmente não vai) usar são fundamentais

O Vale de Papenoo, a beleza selvagem do interior da ilha de Tahiti

Seja para aproveitar em família uma praia num all inclusive, seguir um grupo organizado num circuito continental, explorar  sozinho caminhos  exclusivos, sonhar a dois frente a paisagens românticos,  enriquecer sua cultura – e dos seus filhos-  em sítios marcantes ou eventos excepcionais, ou simplesmente seguir em liberdade a vida de um morador, a escolha de um destino turístico ainda é uma alquimia muito pessoal.  Os desejos e os gostos de cada viajante se misturam com a beleza do lugar, o património, os preços, as infraestruturas, os serviços, os lazeres, a acessibilidade, o imaginário, e, ultimamente, até a facilidade de ser explorado nas mídias sociais. Assim, buscando o destino com o máximo e o melhor dos critérios seus, o turista define o seu destino entre a Riviera maia, Lisboa, Machu Pichu, Tahiti, Paris ou Nova Iorque.

Ministerios das relações exteriores publicam mapas dos riscos por pais

A segurança virou nos últimos trinta anos um critério fundamental, o primeiro para 67% dos viajantes europeus e norte americanos. Um critério que as autoridades e as operadoras estão levando muito a sério. Ele explica em parte tanto as dificuldades dos países do sul do Mediterrâneo e da América Latina (inclusive o Brasil), que o sucesso crescente dos países da Europa do Norte ( Islândia, Noruega, Suécia, Dinamarca) ou da Oceania (Austrália, Nova Zelândia ou Polinésia francesa). A segurança é em primeiro lugar a tranquilidade em relações as agressões e a violência contra as pessoas, mas inclui também o recuso absoluto de enfrentar riscos climáticos ou sanitários. Esses desafios devem hoje ser integrados a qualquer politica de desenvolvimento turístico.

Serviços de urgência integram as preocupações dos profissionais e dos turistas

Mas tem mais um fator essencial que deve ser considerado na escolha de um destino, são as infraestruturas e os serviços de saúde. Tendo sido recentemente colocado frente a um banal mas grave acidente, percebi a que ponto era importante dispor de uma assistência total em termos de urgências, de médicos, ou de hospitais. Participando de um seminário de turismo na Polinésia francesa, e durante uma excursão de bicicleta elétrica, a minha esposa caiu numa descida do vale do Papenoo, e, mesmo usando capacete, teve um traumatismo craniano alem de varias fraturas das costas e da clavícula. Foi um acidente que precisava de tratamento de extrema urgência, uma operação complexa, devendo ser realizada no máximo cinco horas depois do choque, enquanto o local era um vale isolado no final de uma trilha onde os celulares não pegavam.

Do terraço do hotel, olhando para o mar e esperando os pulos das baleias jubarte

O happy end desse drama mostrou toda a importância de uma cadeia completa de serviços funcionando perfeitamente: bombeiros chegando a tempo no local com o material necessário, hospital com todos os equipamentos de neurologia, neurocirurgião altamente qualificado de plantão, UTI de padrão internacional, enfermeiras e médicos competentes e atenciosos. E ainda uma impressionante equipe de Europ Assistance que se encarregou de toda a parte administrativa e financeira, e ainda organizou o repatriamento com conforto e carinho. A eficiência do sistema de saúde francês, a competência e a gentileza dos colegas e atendentes de Tahiti foi apesar do estresse um excepcional reconforto.

O sorriso da criança com seu tambor chamando para gente voltar

Claro que não viajamos pensando em acidente ou em ficar doente. Mas na longa lista de critérios de escolha do destino da nossa próxima viagem, verificar se existe por perto as infraestruturas e as competências para qualquer eventualidade é uma garantia que a sua viagem sempre terá um final feliz. Foi o caso para nos essa vez, talvez ajudado pela força do Mana, esse axé da Polinésia sempre lembrado pelos moradores. Mauruuru Tahiti, voltaremos.
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Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

A Córsega, destino destaque da Forbes para 2018!

As torres, testemunhas do passado genovês

Agora destacada pela atualidade politica – os lideres pro-autonomia ganharam as ultimas eleições-, a Córsega está crescendo como destino turístico internacional. Na sua edição do 11 de Fevereiro, o magazine Forbes selecionou a “Ilha da Beleza” como o lugar mais deslumbrante para visitar em 2018. A seleção da conceituada revista, com foco nas paisagens, na cultura e na gastronomia, tinha como outros finalistas a Sicília, o Vale do Douro, a cidade austríaca de Innsbruck e o cantão suíço de Vaud. O destaque dado para Córsega foi talvez aquele “ooh-la-la”de uma geografia exuberante e diversa, com mais de 1500 quilômetros de litoral pitoresco, praias de cartão postal, rios cintilantes, trilhas desafiadoras, florestas exuberantes e montanhas acidentadas.

Em Ajáccio, as Jornadas napoleónicas comemoram o Imperador

Para Forbes, a personalidade peculiar da Córsega tem suas raízes próprias, mas integrou a alegria de viver e o carisma a francesa, bem como a historia e  a cultura italiana, visíveis nas torres ou nas fortalezas genoveses , e nos antigos vilarejos agarrados nos morros. Destino único e cativante, a Ilha surpreende até pela sua bandeira, a cabeça de mouro com uma faixa na testa, símbolo herdado seja da luta contra os mouros invasores seja do domínio dos reis aragoneses. A gloria passada é encontrada também em Ajáccio, cidade natal do Napoleão, que seduz pela sua catedral, sua fortaleza e mais ainda pelos bares espalhados na Praça do Maréchal Foch.

As praias cercam a cidade de Porto Vecchio

Nos pontos altos do patrimônio cultural da Córsega, os jornalistas destacaram Bonifácio e suas falésias brancas, Porto Vecchio e seu colar de praias charmosas, Corte, a capital histórica, e sua fortaleza cercada de imponentes montanhas, Cargese orgulhosa do seu passado grego, e Bastia com a faixada artística da igreja de São João Batista. A atualidade da cultura local impressionou também esses visitantes, seja pelos numerosos eventos organizados pelas prefeituras, ou pela presencia da musica tradicional, cantos polifônicos masculinos que são ouvidos em concertos ou improvisados em festas de família, nas albergues e até nos bares frente as praias.

Patrimônio arquitetural e “maquis” ao longo das trilhas

O parques naturais da ilha foram também lembrados pela Forbes, pelo  deslumbrante Golfo de Porto, inscrito no património mundial pela UNESCO, ou pelas trilhas mágicas onde  os esportistas podem caminhar, andar de bicicleta, olhar os pássaros, ou simplesmente cheirar os perfumes da vegetação característica da região, o “maquis” – um ecosistema as vezes comparado a caatinga nordestina. É nesse mato que se encontram as castanhas portuguesas, que os moradores utilizam para fazer farinha, e os diferentes tipos de mel,  os escuros “miellats du maquis”, ou os perfumados méis de primavera.

Embutidos da Córsega

Ingredientes únicos somente encontrados na ilha, tradições gastronômicas específicas, encontros com as culinárias francesa e italiana, a cozinha da Córsega surpreendeu e agradou os jornalistas da Forbes, com guisado de javali, cordeiro assado, vitela com azeitonas, ou torta de farinha de castanha. Cada prato pode ser harmonizado com um dos vinhos locais, elaborados com uvas originais,  Niellucciu ou Sciaccarellu para os tintos,  Vermentinu para os brancos. Pouco conhecidos, os vinhos corsos são porem interessantes e calorosos, especialmente quando acompanhando os bem temperados embutidos da Corsega – presuntu, copa ou salsichão- , ou os inesquecível brocciu, queijo de leite de ovelha comprado nas feiras livres diretamente dos produtores.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original da Laura Menske na revista Forbes 

Os cantos polifônicos, orgulho da cultura corsa

“Vive la différence”, o Brexit favorecendo o turismo?

Os clichês de Londres mais procurados depois do Brexit

Os clichês britânicos mais procurados depois do Brexit

Se os políticos e os economistas do mundo inteiro foram muito negativos sobre as consequências do Brexit, os turistas internacionais parecem ter aprovado a decisão dos ingleses. Aproveitando  uma queda da libra de quase 10% – a moeda atingiu seu nível mais baixo dos últimos 30 anos-, as entradas de turistas subiram de 4,3% em julho. Se as chegadas da Europa ainda são fracas (em recuo de 1,8% mas caiam de 6,8% antes do plebiscito) , a alta é puxada pelos os chineses, os americanos, os canadenses e a maior parte dos não-europeus que crescem de 8,6%. E se ainda é cedo para desenhar tendências a longo prazo, a alta deve se prolongar nos próximos meses: as reservas da International Net bookings, que eram em queda de 2,8% em maio, estão agora também em alta de 4,3%.

American tourist in London

Turista americano em Londres

Os americanos são há muito tempo os mais numerosos turistas internacionais na Inglaterra. Foram 3,3 milhões em 2015, um crescimento de 10% em relação a 2014, e, segundo Visit Britain – a agencia nacional de promoção do turismo, vários indicadores mostram que a popularidade do pais cresceu depois do Brexit. Os números estão bastante impressionante na Internet: 38% de visitantes a mais no próprio site da VisitBritain, mas também  138% a mais nas pesquisas no site da British Airways nos Estados Unidos, 30% a mais no site e nas vendas da Expedia. Os hoteleiros ingleses confirmam um crescimento das reservas, especialmente os “last minut bookings”.

O distrito financeiro de Londres

O distrito financeiro da City

A  fraqueza da libra depois do Brexit é dada pelos profissionais como a primeira razão desse crescimento surpreendente. Num destino visto há anos como muito caro, ela não somente impulsionou as reservas internacionais, mas impactou também as viagens dos próprios britânicos. Com um poder aquisitivo diminuído e já impactando os destinos ligados ao dólar,  eles estão  aumentando sua procura de viagens domésticos, e a  Airbnb já anunciou que a  procura de apartamentos no mercado inglês subiu de 122% desde o plebiscito. Essa tendência favorecendo as “staycations” está sendo observada também pela Expedia.

Abbey Road, um dos imperdíveis clichês de Londres

Abbey Road, um dos imperdíveis clichês

O maior impacto do Brexit sobre o turismo na Grã Bretanha deverá porem se medir em termo de imagem. Em primeiro lugar pelo reposicionamento em termo de preços que os hoteleiros já perceberam e ampliaram com uma seria de iniciativas para dar aos visitantes “more value for money”, oferecendo up-grades, diárias de cortesia ou serviços complementares. A libra barata reforça a atratividade da marca, e deve aumentar ainda mais sua força nas clientelas mais jovens e nos mercados emergentes. JPP LONDRESMas o maior impulso dado a imagem do pais será de mostrar a sua diferencia. Enquanto os destinos turísticos devem cada vez mostrar uma identidade forte e um conteúdo que justifica a escolha de viajantes internacionais cada vez mais experientes, o novo posicionamento britânico vai ser uma extraordinária oportunidade. Frente a uma Europa aonde a “harmonização” poderia levar a uma banalização, a Grã Bretanha poderá atrair ainda mais pelo sua peculiaridade. Para os destinos turísticos,  é importante  lembrar que “Vive la différence”.

Jean Philippe Pérol

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Entre a Europa e o mar aberto, a Grã Bretanha sempre deverá escolher o mar aberto

Esse artigo foi publicado na revista profissional Mercados e Eventos   

Os destinos turísticos devem agora ficar inteligentes!

Em Nantes, o pioneirismo em destino turístico inteligente

Em Nantes, o pioneirismo em destino turístico inteligente

Depois do sucesso dos edifícios inteligentes, capazes de interligar e racionalizar segurança, consumo de energia, recolhimento de dados e conforto dos moradores, as mesmas inovações estão chegando ao nível das cidades e até dos territórios , ajudando os atores do turismo a melhorar a experiência dos seus visitantes misturando criatividade humana e inovações numéricas. As cidades inteligentes – smart cities em inglês – estão se espalhando no mundo, e a Forbes considerou Barcelona, Nova Iorque, Londres, Nice e Singapura as mais avançadas. Na França já são  vinte, incluindo grandes metrópoles como Paris, Marselha, Toulouse, Lyon, Montpellier ou Bordeaux, mas também cidades menores como Rennes, Chartres, Mulhouse ou Angers. Os critérios para entrar nessa lista seleta não exclusivamente numéricos (transparências dos dados, facilidade de acesso ao wi-fi …), mas também tocam a ecologia, a gestão da energia (smart grid), os transportes públicos ou a gestão participativa, para o beneficio dos moradores e dos visitantes.

Encontros das francofonias do turismo 2016

Encontros das francofonias do e-turismo 2016

Alem da cidade inteligente, a temática dos encontros das Francofonias do e-turismo em Quebec foi esse ano de definir as expectativas do turista nos destinos turísticos inteligentes, territórios onde o humano e o numérico devem se misturar para oferecer ao visitante um espaço mais  fácil de entender e mais confortável para viver. Com o objetivo de desenvolver a atractividade do local e de mobilizar os seus moradores, a organização de um território inteligente é uma combinação de fatores tecnológicos, humanos e institucionais. As autoridades municipais ou estaduais devem abrir todos os seus dados (big data), criar parcerias publico-privado, envolver a população, informar os visitantes e, mais ainda, investir nas infra-estruturas indispensáveis dos territórios turísticos  inteligentes: wi-fi acessível para todos, outdoors numéricos de informação, códigos QR, transportes urbanos eficientes e sustentáveis incluindo tomadas para recarga de carros elétricos, controle permanente da qualidade do meio-ambiente …

Bluecab, os carros elétricos da cidade de Bordeaux

Bluecab, os carros elétricos da cidade de Bordeaux

No destino turístico inteligente, a analise do “big data” ajuda a melhorar a experiência do visitante entendendo os seus trajetos, os seus comportamentos e sua percepção. Pode ser o controle das filas de espera durante um festival, o envio de informações sobre os transportes, as mudanças na programação de eventos em função da meteorologia ou da poluição, a colocação de telas informativas na recepção dos hotéis ou a oferta de lugares nos estacionamentos. Pode também ser a existência de plataformas ou de aplicativos onde o visitante deixa seus comentários e suas impressões sobre a sua estadia.  Com o apoio das autoridades, as inovações em aplicativos são decisivas para melhorar a experiência do visitante nos destinos inteligentes. Depois do sucesso dos modelos mundiais de transporte e alojamento (Airbnb ou Uber), as novidades são agora esperadas ou para serviços em regiões delimitadas (por exemplo trajetos em carros particulares em Paris) ou para segmentos específicos (Stay22 para eventos , Share Shed  para os amadores de camping …).

Montreal, investindo na inovação numérica inteligente

Montreal, investindo 100 milhões de CAD na inovação numérica inteligente

Se os investimentos e os ferramentas tecnológicos são importantes para os territórios querendo desenvolver o turismo inteligente, as exigências éticas e humanas devem ser sempre priorizadas inclusive nos aspectos legais como a proteção dos dados, a privacidade dos usuários ou a transparência das decisões.  Para os especialistas reunidos nas Francofonias do e-turismo em Quebec, o destino turismo inteligente deve nascer da colaboração entre as coletividades, os especialistas das novas tecnologias e os profissionais do turismo, reunidos para construir um território mais acessível, mais ergonômico, mais humano e mais acolhedor, pelo maior beneficio dos turistas, dos moradores e de todos os atores econômicos.

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Aude Lenoir na revista on-line Reseau Veille Tourisme de la chaire de tourisme Transat

Rennes, no top 10 das cidades inteligentes da França

Rennes, no top 10 das cidades inteligentes da França

Cidades ou regiões, o “new deal” dos destinos turísticos

O Mont Saint Michel, o monumento mais visitado da França fora de Paris

O Mont Saint Michel, campeão de visitas  no interior da França

Enquanto o cenário visto do Brasil pode parecer pessimista, a OMT acabou de revelar uma boa notícia, com 1,181 bilhão de entradas de turistas internacionais em 2015 e um crescimento de 4,4% do turismo mundial. Se a França deve confirmar sua liderança, os sucessos dos Estados Unidos, da China e de vários países do Sudeste da Ásia, guizhou-landscape-1800_x2as perturbações temporárias de novas potências turísticas como Turquia ou Dubai mostram porem que a concorrência entre os destinos receptores é cada vez mais forte. O quadro dado pelo OMT esconde na verdade evoluções bem maiores porque a competição pelos novos consumidores não é hoje tanto a nível de países, mas muito mais a nível de destinos turísticos. E na sua seleção dos 52 lugares a visitar em 2016, o respeitadíssimo New York Times definiu como “imperdíveis” somente 3 países frente a 18 cidades, 27 regiões, e 4 parques ou estações de esqui.

O Castelo de Chambord, destino Vale de Loire

O Castelo de Chambord, destino Vale de Loire

No mundo inteiro são assim uns 300 “destinos” que estão agora competindo pensando nos 1,8 bilhões de viajantes do final da próxima década. Para cada um desses destinos, será necessário adaptar a oferta para as novas exigências dos consumidores do século XXI, bem como valorizar os fatores de diferenciação que justificarão a escolha desses turistas. Os critérios para ser bem sucedidos são numerosos. São também muito diversos assim como pode ser observados nos quase 40 destinos que a França está promovendo nos mercados internacionais – de Paris ao Mont Saint Michel, de Bordeaux a Borgonha, da Auvergne a Martinica, dos Castelos do Loire até o Taiti, ou de Courchevel até Biarritz.

Fernando de Noronha nos grandes destinos de Trip Advisor

Fernando de Noronha nos grandes destinos de Trip Advisor

Visto do Brasil, dois fatores de sucesso parecem porém ser fundamentais. O primeiro é de conseguir juntar todos os atores de cada destino – profissionais, políticos e moradores ,– tanto para a construção dos produtos que para a promoção –, num projeto que vai assim beneficiar não somente os turistas mas a própria comunidade. O segundo é conseguir aproveitar e fortalecer as características do local – que sejam suas belezas naturais, suas tradições, seu artesanato, sua gastronomia e seu jeito de viver – sem esquecer de garantir os requisitos básicos como infraestruturas, saúde e segurança. Ilha de PascuaEssas características serão sem dúvidas indispensáveis aos novos destinos internacionais para integrar a lista dos países, das cidades ou das regiões conseguindo o seu desenvolvimento econômico e humano através do turismo. Mostrar sua personalidade, contar sua historia, e satisfazer as exigências básicas num consenso de todos será para cada destino a chave para se posicionar não somente frente a concorrentes mais ágeis, mas ainda frente aos paraísos artificiais ou as “Fakelandias”, de terra ou de mar, que atraiam pela garantia de lazer insosso, mas com risco zero.

Nessas novas regras do jogo dos destinos, o Brasil, e a França, com as suas excepcionais diversidades de regiões e cidades de renome internacional, têm, com certeza, grandes oportunidades de se posicionar.

Jean-Philippe Pérol

A Guiana Francesa, um "contrato de destino" de ecoturismo

A Guiana Francesa, um “contrato de destino” de ecoturismo

 Esse artigo foi publicado no Blog “Point de vue” da revista profissional Mercados e Eventos

Montpellier, capital da França dos 40 destinos turísticos!

Montpellier, sede do Rendez vous en France 2016

Montpellier, sede do Rendez vous en France 2016

No próximo dia 5 de Abril, 740 expositores franceses e 900 profissionais e jornalistas de turismo vindo de 70 países, incluindo 38 brasileiros, vão se encontrar em Montpellier para participar da 11a edição do Salão Rendez-vous en France. 56791583961092591037010415rendezvousfrance0223Maior encontro turístico da França, ultimamente organizado pela Atout France em Toulouse, Clermont-Ferrand e Paris, o “Rendez vous” tem, desde as suas origens, dois objetivos principais: atualizar os contatos entre os grandes atores do turismo francês, e mostrar a diversidade da oferta das regiões francesas – mais especialmente os 80% do território nacional que recebem menos de 20% dos visitantes.

Galeria das Batalhas em Versalhes

Galeria das Batalhas em Versalhes, Rendez vous en France 2002

A vontade de promover destinos novos sempre caracterizou os eventos organizados pelo turismo francês. Nos anos 80, já com o apoio da Air France, a “Bienvenue France” colocava frente a frente, nos salões do Concorde Lafayette, operadores internacionais, hotéis parisienses e agentes receptivos. Eram então privilegiadas as excursões em ônibus circulando pela França inteira ou pela Europa, com os circuitos de Paris Vision, Cityrama ou Transocean. RVEF 2015A partir de 94, a vontade de mostrar a riqueza turística das regiões levou a criação de salões especializados. A então “Maison de la France” desenvolveu, ao lado do “Rendez vous en France”, o “Grand Sud” – reunindo Aquitânia, Midi Pyrénées, Languedoc, Provence e Córsega, o “Cap à l’Ouest” – juntando Britânia, Vale do Loire, Poitou e Normandia, e as “Routes du goût Grand Est” – contando com Borgonha, Champagne, Lorena, e Alsácia. Virou um evento excepcional – chegando em 2002 a encher  até o Palácio de Versalhes -, mas o seu gigantismo e seus dez dias de duração obrigaram então a pensar num outro esquema. Surgiu a ideia de um salão itinerante – inspirado do Pow How americano -, que vigorou a partir de 2006, alternando Paris e cidades candidatas de outras regiões francesas, mas sempre combinando encontros profissionais e roteiros de descobertas.

A praça do Capitole, em Toulouse Pyrénées

O Capitole, em Toulouse Pyrénées, Rendez vous en France 2013

Se o Rendez vous en France sempre foi uma grande ocasião de promover as regiões francesas, o encontro de Montpellier vai ter um destaque especial. Em primeiro lugar porque as regiões vão aparecer pela primeira vez com os novos agrupamentos definidos em janeiro desse ano, seja 17 regiões em vez de 26, sendo agora reunidas as duas Normandia, o Norte e a Picardia, a Alsácia, a Lorena e a Champagne, Midi Pyrénées e o Languedoc, a Auvergne e Rhône Alpes, e a Borgonha (ex ducado) com o seu antigo “franco condado”.  635-rdvefO encontro será também a ocasião de testar, junto aos profissionais convidados, o apelo das novas marcas mundiais que a Franca quer agora promover, marcas tradicionais como Provence, Bordeaux ou Champagne, mas também marcas mais recentes como Alpes-Mont-Blanc, Biarritz-Pays-Basque, Toulouse-Pyrénées ou Languedoc-Méditerranée. Um total de 40 destinos empolgados a oferecer o melhor atendimento aos visitantes vindo do mundo inteiro, e mais especialmente do Brasil!

Jean-Philippe Pérol

 

O Puy de Dome, inesquecível cenario do Rendez vous en France 2014

O Puy de Dome, inesquecível cenario do Rendez vous en France 2014