No Benim, turismo de memória e trilhas espirituais nas raizes do Candomblé

Uidá, a porta do não retorno

Da cidade de Abomei, até o porto de Uidá, uma trilha de 125 quilometros é a grande esperança do turismo do Benim. Seguindo um traçado definido por um sobrevivente da última travessia de um navio negreiro americano, Cudjo Lewis, essa trilha foi o caminho onde pisaram mais de um milhão de escravos vendidos pelos Reis do Daomé aos traficantes portugueses, ingleses, holandeses, franceses, dinamarqueses e brasileiros instalados no então Forte de São João Baptista de Ajudá. E durante duzentos anos, apoiados num temido exercito cujas tropas de elite eram amazonas guerreiras, a dinastia Fon jogou nesses caminhos escravos capturados no Norte do pais ou nos estados vizinhos de Allada, Oyo ou Ketu.

Os palacios dos Reis de Abomei, inscritos no patrimonio mundial

O patrimônio cultural do Benim faz sonhar os profissionais do turismo que já viram as chegadas internacionais  aumentar de 25% nos últimos seis anos. No inicio da trilha, em Abomei, os palácios dos doze reis que se sucederam de 1625 à 1900, seus recintos e seus baixos relevos, já foram restaurados e são agora inscritos pela UNESCO ao património mundial da humanidade. E em Uidá os fãs do turismo memorial poderão não somente visitar a cidade velha ou o antigo Forte português, mas também passar por baixo da “Porta do não-retorno”, erguida em 1995 pela própria UNESCO em homenagem as vítimas do comercio atlântico de escravos.

Influência brasileira na peculiar mesquita de Porto Novo

Alem do turismo de memória, o Benim é também para o turista brasileiro um destino único pela influência que o Brasil teve nas populações e na cultura local. Descendentes de escravos libertados ou de traficantes, milhares de beninenses se orgulham das suas origens brasileiras, começando com mais de 400 sobrenomes de origem portuguesa. Alguns deles – os chamados “Agudás” – festejam o Carnaval e homenageiam a Nossa Senhora do Bonfim. Em Porto Novo, a influencia da arquitetura colonial luso-brasileira é visível em varias casas  do século bem como na surpreendente mesquita construída a partir de 1911, inspirada da Catedral de Salvador da Bahia. E algumas casas antigas de Uidá teriam acolhidas os exilados da Revolta dos Malês.

Templo de Legba (Exú) em Abomei

Alem do turismo memorial e de intercâmbio cultural, o Benim oferece ao turista brasileiro uma volta para as raízes das religiões afro-brasileiras. A trilha definida pelo Cudjo Lewis começa em Abomei perto de um templo de Legba (Exú) e acaba em Uidá no Templos das serpentes, com dezenas de pitões vivos honrando Dan/Oxumaré, e um iroko sagrado velho de 600 anos. No nome das batalhas dos guerreiros da etnia Fon (Jejê), encontra se a origem dos escravos mandados para o Brasil – Oyo, Ketu, Abeokuta …- que levaram do outro lado do Atlântico os seus orixás. A grande festa do vodú é o dia 10 de janeiro, um festival onde os brasileiros vão reconhecer sem dificuldades o nome das divinidades locais, como Ogum, deus do Ferro, ou Xangô, deus do Trovão.

Templo vodú em Uidá

Hoje o maior edifício religioso de Uidá é a basílica da Imaculada Conceição, mas o Benim continua guardando uma especificidade espiritual que deve muito a seu passado afro-brasileiro.  E se o pais conta agora com 30% de católicos, 20% de muçulmanos e alguns protestantes, ele tem também 100% de “vodunsi”. Uma unanimidade espiritual que ajuda a esquecer as feridas do passado.

Jean Philippe Pérol

Os Agudás festejando o Bonfim

 

Chacha I, brasileiro, mestiço, traficante mas vice rei e heroi dos Agudás

 

 

 

 

 

 

Parabens para o Turismo do Portugal!

Os cais da Ribeira e a ponte Dom Luis no Porto

Ganhando o título de melhor destino europeu nos World Travel Awards 2017 no último mês de Setembro na Rússia, o Portugal confirmou brilhantemente os seus sucessos dos últimos anos como estrela crescente do turismo europeu. Depois de levar 14 Oscars do turismo em 2015, e 24 em 2016, os profissionais portugueses conseguiram a façanha inédita de levar 37 prêmios, incluindo o melhor terminal de cruzeiros (Lisboa), a melhor ilha turística (Madeira), o melhor destino de praia (Algarve), o melhor orgão oficial de turismo (Turismo de Portugal), bem como varios destaques para a TAP, os hotéis Pestana, Quinta do Lago e Vila Joya. Os World Travel Awards recompensaram assim o Portugal pela sua nova imagem, sua segurança e seus preços competitivos, e o atendimento dado seus 21 milhões de turistas.

A Secretária Ana Godinho recebendo o WTA 2017

Se os World Travel Awards foram um justo reconhecimento dos sucessos do turismo português ao nível internacional, o Brasil é sem dúvidas um dos países onde a progressão foi a mais espetacular, tanto pela mudança radical na imagem que pelos resultados. Quem se lembra do mercado brasileiro dos anos 90 sabem que o Portugal nem aparecia no pódio dos principais destinos europeus. O Portugal só vinha em quinto lugar das preferências dos brasileiros, atrás da França, da Itália, da Espanha e até da Inglaterra. O Brasil era então uma exceção na América Latina como o único pais a não dar uma posição de destaque para sua ex potencia colonizadora, todos os “hermanos” escolhendo a Espanha como primeiro destino.

O Palácio da Pena em Sintra

A imagem do Portugal – então considerado antiquado, atrasado e depreciativo – era a primeira responsável por essa singular colocação, e impactava todos os profissionais lusitanos, as vezes com maiores injustiças. Lembro assim duma pesquisa feita pela Air France nos anos setenta sobre a imagem das companhias aéreas no Brasil. Destacava a força global da Varig e logo depois da Air France, única transportadora estrangeira a se aproximar da saudosa Viação Riograndense, mas classificava também as  empresas por cada fator de julgamento. Assim em termo de segurança, a TAP era considerada a menos seguras da 15 companhias internacionais operando no Brasil, enquanto era a única da lista a nunca ter sofrido um único acidente (a primeira colocada era uma empresa americana que tinha lamentada 5 acidentes naquele ano …).

Roof top bar em Lisboa

Mas hoje o quadro mudou completamente, a imagem do país passou a ser moderna, segura, acolhedora e descontraída. A TAP quase virou uma companhia nacional brasileira, com mais de 70 voos semanais saindo de 10 capitais. Destino na moda para jovens, ativos ou aposentados, o Portugal lidera agora os destinos europeus favoritos dos brasileiros. Desde 2016 passou na frente da França, líder histórico, crescendo de 13,7% mesmo com a crise e chegando então a 625.000 visitantes.  Os números de 2017  deverão mostrar novo recorde histórico e talvez ultrapassar os 700.000 visitantes, consolidando o primeiro lugar nas preferências dos viajantes. A tendência deveria continuar em 2018, os bookings das grandes centrais de reservas internacionais são promissores, e o jornal Estado de São Paulo já definiu no seu suplemento Viagem que o Portugal será o melhor destino de 2018, na frente da Rússia e do Canadá. Parabéns para o Turismo do Portugal!

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Tudo azul para as companhias de cruzeiros, os cruzeiristas e os estaleiros!

O Aidanova, construído na Alemanha

Não são apenas as companhias marítimas e as agências de viagem que estão aproveitando o constante crescimento dos cruzeiros, 4% em 2017 e 5% esperados em 2018, com 27,2 milhões de passageiros – estes, cada vez mais europeus e chineses. Os grandes estaleiros – o coreano Hyundai, o italiano Fincantieri, o francês STX Saint Nazaire ou o alemão Werft – estão com 46 bilhões de euros de encomendas, um recorde que representa um mínimo de 90 navios até 2025. Só esse ano, cerca de 15 navios devem zarpar pela primeira vez, vários com mais de 4.000 passageiros. São o « Symphony of the Seas », da Royal Caribbean International (5.400 passageiros), o « Norwegian Bluise » da Norwegian Cruise Line (4.200 passageiros), o  “MSC Seaview” (4.150 passageiros) da MSC Cruises e o « Aidanova » da Aida Cruises (5.200 passageiros)

Carnival festejando as cervejas ParchedPig fabricadas a bordo

Olhando 2018 com muitas ideias novas – incluindo a fabricação artesanal de cervejas a bordo -, Carnival é líder do mercado com mais de 100 navios e um leque completo de marcas. Possui Carnival Cruise Line (principalmente para o mercado americano), Princess Cruise, Holland America Line, Seabourn, Cunard, Aida Cruises (focada no mercado alemão), Costa (mais popular na Itália, França e Espanha), P&O Cruises. Em 2018 vai agregar à sua frota quatro novos navios para Carnival Cruise Line, Seabourn, Holland America Line e AIDA Cruises. Mas com a programação de várias vendas de navios obsoletos, a capacidade global do grupo só deve aumentar em 1,9 %.

Mein Schiff 5, cooperação da Royal Caribbean com a TUI

Royal Caribbean Cruises é um outro grande grupo americano, com seis companhias de cruzeiros, sendo as principais Royal Caribbean International, Celebrity Cruises, Pullmantur (mercado hispânico) e Azamara Club Cruises. O grupo escolheu desenvolver uma colaboração muito estreita com grandes operadoras de turismo, chegando a gerenciar navios através de parcerias com a TUI (na TUI Cruise, focada no mercado alemão) e com a Ctrip (na SkySea, voltada para a espetacular expansão do mercado chinês).

Operando as marcas Norwegian Cruise Line, Oceania Cruises e Regent Seven Seas Cruises, a Norwegian Cruises festeja seus 25 anos com uma frota de 25 navios e uma politica comercial bastante agressiva para justificar os sete novos navios que receberá até 2025).

Comemoração da primeira flutuação do MSC Seaview

Mas o crescimento mais espetacular das companhias de cruzeiro pertence, sem dúvidas, à companhia ítalo-suíça MSC. Hoje dona de 12 navios, ela encomendou em novembro passado dois “Seaside Evo”de 4.560 passageiros que serão entregues em 2021 e 2023, além dos 10 já encomendados até 2026. Um investimento de 10 bilhões de dólares dobrará a frota da empresa, a máxima ambição permitida pela capacidade de produção dos estaleiros capazes de construir os novos gigantes dos mares.

Para a MSC e para todas as companhias de cruzeiros, o futuro parece mesmo tão azul quanto as águas do Caribe ou do Mediterrâneo A não ser uma improvável subida do preço do barril de petróleo acima de 100 dólares, que ameaçaria a rentabilidade de muito navios, as projeções são de um crescimento de 7% ao ano para os próximos dez anos, sendo que, depois,  the sky is the limit...

Esse artigo foi traduzido e adaptado de um artigo original de Serge Fabre na revista profissional online La Quotidienne 

 

Lançamento da temporada 2018 da MSC , com saídas da Martinica

A Torre Eiffel se preparando para os J.O. 2024 e a Exposição Universal 2025!

A Dama de Ferro, o Rio Sena e a ponte Alexandro III

Talvez impressionada pelo sucesso da Dama de Ferro – que festejou em setembro 300 milhões de visitantes desde a sua inauguração em 1889, a Prefeitura de Paris anunciou um importante projeto de renovação dos acessos da Torre Eiffel. Pressionados pelos 7 milhões de visitantes e 20 milhões de passantes com crescentes exigências tanto de atendimento que de segurança, a Prefeita e o Presidente da Torre anunciaram uma licitação para escolher os arquitetos e os urbanistas que terão a difícil tarefa de facilitar o acesso e a circulação nessa área. Esperando uma forte contribuição dos moradores e dos turistas, a escolha do projeto vencedor será feita em janeiro de 2019, e as obras deverão ser realizadas entre 2021 e 2023, sem que seja fechada em nenhum momento até uma inauguração em 2024.

Os famosos pilares que inspiraram muitos artistas até no Brasil

Alem de melhorar a circulação dos pedestres e de agilizar as entradas dos turistas, o novo circuito deverá oferecer mais bancos, banheiros ou restaurantes, e dar mais informações para os visitantes, especialmente na área cultural que será reforçada com mais visitas guiadas valorizando o patrimônio. A prefeitura lembrou aos concorrentes que o projeto deverá ser bonito, ecológico, e respeitoso da historia desse monumento. Terá que ser ambicioso mas sóbrio, ágil e evolutivo, dentro de um orçamento sem surpresas. Mostrando muita criatividade, arquitetos, urbanistas e paisagistas internacionais vão assim concorrer para fazer do “Grand Site Tour Eiffel” uma vitrina emblemática do turismo parisiense oferecendo aos visitantes e aos moradores uma nova e agradável experiência.

Luar iluminando o Palais de Chaillot e a Torre

Para viabilizar o projeto, o vice prefeito encarregado do turismo, Jean François Martins, anunciou uma verba de 50 milhões de Euros, dentro de um investimento global de renovação de 300 milhões incluindo também obras  de manutenção bem como equipamentos de segurança – paredes de vidro blindadas ou proteções a prova de balas. Os financiamentos serão feitos diretamente pela empresa publica que gerencia a Torre Eiffel, a SETE. Com um faturamento anual de 70 milhões de Euros, a SETE trabalha com vários parceiros – lojas, banco, um bar, o restaurante 58 Tour Eiffel com seu “pique-nique chic”, e o famosíssimo “Jules Verne” de Alain Ducasse, lugar de “sonho e magia” com uma estrela Michelin e onde jantaram até os casais Trump e Macron. Com o “Grand site Tour Eiffel” não foram anunciadas as previsões de aumento dos fluxos turísticos, mas muitas pessoas se lembrem que a inauguração do “Grand Louvre” triplicou as entradas….

Casais Trump e Macron no Jules Verne do Alain Ducasse

129 anos depois da sua inauguração, a obra mestre do Gustave Eiffel está pronto para uma nova vida. Hoje monumento mais famoso do mundo (sua imagem foi avaliada em 2012 numa pesquisa da Câmara de Comércio da Itália em 434 bilhões de Euros, cinco vezes mais que o Coliseu, seis que a Torre de Londres), sempre soube se renovar. Obra provisória da Exposição Universal de 1889, não foi desmontada porque a cidade de Paris concedeu a exploração ao Eiffel  para pagar suas dívidas. Por falta de público ia ser destruída quando foi salva pelo sucesso da Exposição de 1900, e escapou em 1944 de uma ordem do Hitler para explodir-la. Renovado para Exposição Universal de 1937, a Dama de Ferro estará pronta para os grandes eventos que Paris vai hospedar na próxima década, especialmente os Jogos Olímpicos de 2024 e a Exposição Universal de 2025.

Jean-Philippe Pérol

A Torre Eiffel na inauguração da Exposição de 1889

 

Alter do Chão, além das praias, a História da Amazônia brasileira

 

A praia da Ilha do Amor em Alter do Chão

Pode ter sido uma surpresa para muitos leitores do New York Times ler na edição de 20 de março deste ano que Alter do Chão merecia de ser listada entre as melhores cidades de praia do mundo. É mesmo difícil, para quem não conhece a Amazônia,  imaginar que águas azuis podem banhar praias de areias brancas a quase mil quilômetros do mar, no coração da floresta equatorial. É, porém, isso que os visitantes podem aproveitar em Alter, caminhando à beira do rio Tapajós,  mergulhando nas águas transparentes, praticando o paddle ou o kite surf, tomando sol na Ilha do Amor, ou simplesmente sentando num dos charmosos bares que ficam frente  ao Lago Verde ou o vilarejo de Pindobal.

Festa religioso de Sairé, evento mor da cultura Borari

Ganhando fama como “Caribe da Amazônia”, Alter do Chão impressiona também pela riqueza histórica da vila e de toda a região do Tapajós. Fundada em 1626, foi local de uma missão jesuíta, onde se agruparam índios Borari, que foram catequizados e  tiveram que aprender o nheengatu, mas conseguiram conservar suas tradições. Hoje seus descendentes, numerosos na população,  perpetuam a cultura de seus ancestrais, em eventos populares como o “Festival Borari”, que acontece todos os anos no mês de julho, e o “Sairé”, uma das festas religiosas mais antigas dos Boraris, realizada no mês de setembro. A festa reúne rituais indígenas e tradições católicas, rezas em nheengatu, latim e português, com agradecimento a Tupã pela fartura da colheita. Tem também seus momentos profanos com danças regionais e o festival dos Botos com dois grupos competindo ao som do carimbó, encenando para o publico de moradores e de turistas as encantarias do mundo Borari .

Wickham, herói ou bandido, do Tapajós ao Jardim Botânico de Londres

Foi também nas margens do Tapajós que começou em 1876 a maior tragédia da história econômica da Amazônia. Encarregado pelo Cônsul inglês em Belém de encontrar sementes de seringueira, o famoso aventureiro Wickham conseguiu ajuda de ex-confederados instalados em Boim – vila ribeirinha do alto Tapajós -, que indicaram as terras altas como lugar preferencial, e de índios Tapuia, que recolheram e embrulharam as tão delicadas sementes.  Se é provável que não foram contrabandeadas e que as autoridades paraenses estavam perfeitamente a par dos acontecimentos,  as 70.000 sementes que atravessaram o Atlântico  entraram na história como o símbolo de uma biopirataria que transferiu para a Ásia, depois de 1912, o domínio da produção de borracha, e levou à falência a quase totalidade dos seringais da Amazônia.

Na beira do Tapajós, o urbanismo do Oeste americano

Pensando que as terras de origem das sementes do Wickham eram o melhor local para suas plantações no Brasil, foram também às margens do Tapajós que Henry Ford escolheu para o seu projeto Amazônico. A oito horas de barco de Alter do Chão, os enviados do lendário empresário receberam do corrupto governador do Pará mais de 10.000 quilômetros quadrados, isenções alfandegárias e privilégios fiscais em troca da promessa de plantar 400 hectares de seringueiras e, mais ainda, de reproduzir na selva Amazônica o urbanismo do oeste americano. Sem nenhum conhecimento e sem nenhuma concessão ao clima, à agronomia, às condições sociais e à cultura da região, o sonho utópico do Ford virou um fracasso de USD 20 milhões.

Em Belterra, as mesmas casas que no Michigan ou no Canadá

Hoje o visitante ainda pode ver em Fordlândia a caixa d’água, a igreja e as casinhas abandonadas,  as ruínas dos edifícios saqueados pelo funcionários inconformados com o policiamento de suas vidas, bem como as raras seringueiras que sobreviveram às invasões de lagartas e aos ataques do inevitável fungo. Em Belterra, construída com mais respeito à natureza amazônica, as seringueiras também morreram e as máquinas foram abandonadas, mas a cidade sobreviveu. As casas, a prefeitura, a igreja batista, o museu, a caixa d’água e até os hidrantes ainda ligam moradores e turistas ao projeto utópico de Henry Ford, testemunhando que, na luta entre o então maior empresário do mundo e as forças da natureza das margens do Tapajós, venceu a selva.
Jean-Philippe Pérol

No meio das seringueiras doentes, o maquinário abandonado

Vendas diretas das operadoras, uma tendência irresistível?

Consumidor europeu na briga das agencias e das companhias pelas vendas diretas

Com viajantes cada vez mais informados e mais atentos para encontrar o melhor preço, as vendas diretas viraram um assunto de primeira importância para todos os atores do trade. No meio de uma polêmica com as agências europeias sobre a transparência e o custo de tais vendas, as companhias aéreas vêem nessa comercialização sem intermediários não somente um meio de reduzir seus custos, mas também uma ferramenta para criar ligações diretas com seus clientes.  Segundo um estudo da IATA de 2016,  as companhias aéreas já antecipam para 2021 a seguinte repartição de suas vendas: 9% de vendas com as OTA (-2%), 21% com as agências corporate (+1%), 16% com as agências tradicionais (que teriam uma queda de 4% de sua participação no mercado) e 52% de vendas diretas (+5%), um número que até pode ser superado no Brasil, onde algumas companhias já passam de 45%.

O espaço Braztoa no WTM Latin América

A batalha das vendas diretas deve em breve mudar de campo e as Operadoras serão, talvez, os atores que irão enfrentar agora as maiores mudanças. Sempre discretas sobre seus projetos de desenvolvimento em direção ao consumidor – e ainda no Brasil muito respeitosas às agências de viagem -, elas podem antecipar as evoluções olhando as tendências dos grandes mercados emissores. Assim, na França, a Associação das Operadoras (SETO, equivalente da BRAZTOA) mostrou as mudanças dos comportamentos de compra dos viajantes nos últimos cinco anos e a conclusão mais forte foi um espetacular crescimento das vendas diretas, que passaram de 31% a 45% entre 2012 e 2017, e até de 56% a 68% se incluir as agências pertencentes a estas operadoras.

Evolução por canal das vendas das operadoras francesas de 2012 a 2016

Os grandes vencedores desse novo mapa da distribuição são os sites B2C das operadoras, que dobraram sua faixa de mercado. As agências tradicionais continuam sendo o primeiro canal de vendas – especialmente nos pacotes mais caros-, mas são as grandes perdedoras, com uma queda de 27,3% em quatro anos. Estas evoluções não impedem, porém, as operadoras de serem muito cautelosas e de respeitar os comportamentos dos viajantes. Consumidores cada vez mais atentos, eles seguem utilizando vários canais, procurando na web, olhando nas mídias sociais, pedindo conselhos e dicas a um agente capacitado, reservando no call center ou se juntando a um grupo organizado por sua empresa. E, se o crescimento das vendas diretas é uma tendência irresistível nos mercados internacionais, os agentes tradicionais deveriam continuar a atrair os consumidores mais exigentes.

Jean-Philippe Pérol

Com 335.000 pacotes, as Ilhas Canárias são o destino mais vendido pelas operadoras francesas

30 anos de turismo francês, evoluindo com os atores do trade e os proprios viajantes!

O bicentenário de 1789 foi um dos maiores impulsos para o turismo francês

Deixando esse mês a Diretoria Américas da Atout France, fico impressionado com a importância das mudanças que o “marketing de destino” enfrentou no Brasil nos últimos 30 anos. Além do cotidiano, comparando o primeiro escritório da Maison de la France, onde duas funcionárias distribuíam duas toneladas de folhetos por mês, a toda informação e à comunicação que hoje são concentradas na nova plataforma web onde está sendo hospedado o site france.fr, o novo banco de dados e a gestão das mídias sociais, com nosso milhão de fãs brasileiros. Três evoluções do setor turístico no Brasil transformaram completamente o papel da Agência de Desenvolvimento Turístico da França e das secretarias de turismo dos seus principais concorrentes.

Os novos viajantes empurrando o Brasil como terceiro mercado fora da UE

A primeira foi o crescimento do Brasil como mercado emissor para a França, passando de menos de 200.000 turistas a quase 700.000, sendo somente ultrapassado, fora da Europa, pela China e pelos Estados Unidos. Esse crescimento não foi somente quantitativo, mas gerou novos perfis de viajantes. A França manteve seus clientes tradicionais – casais ou pequenos grupos de amigos da classe A,  francófilos e bons conhecedores da arte de viver à francesa -, mas agora também recebe outros brasileiros. Os novos turistas são mais novos, pertencem às classes A ou B, precisam de mais apoio, viajam mais em grupo, visitam mais países na Europa, voando para outras capitais ou rodando de ônibus. Com muita vontade de viajar pelo mundo, mas como menos de 10% deles fazem uma viagem internacional por ano, eles representam o maior potencial para os 1,5 milhões de turistas que a França tem como objetivo no Brasil.

Hotel Urbano, um dos novos atores mudando a distribuição

A segunda grande mudança foi da distribuição. A França era principalmente comercializada através de grandes operadores europeias de circuitos (Polvani, Melia, Pullmantur, Marsans, Abreu, Transocean), ou através de operadoras brasileiras especializadas, tais como Bon Voyage, Imperial, Elantur, Oremar, Wagons-lits, Renocar. Se hoje o DNA da Atout France continua sendo uma forte ligação com operadoras e agências, os atores mudaram. A brasileiríssima CVC ficou em um disparado primeiro lugar com a metade dos pacotes para França, as agências on-line pegaram a sua fatia do mercado. As operadoras tradicionais devem contar com concorrentes criativos, tais como Hotel Urbano, mas também com novos canais de distribuição: blogueiros, plataformas de receptivo ou atores da economia colaborativa.

Parceria com o trade, especificidade e força da Atout France

A Atout France teve também que se adaptar a uma profunda evolução das expectativas dos seus parceiros. Enquanto a estratégia da Maison de la France era de atrair empresas de turismo para construir com elas ações de marketing, duas novas exigências tiveram que ser integradas aos planos da Atout France. A crescente necessidade de medir os resultados de cada investimento levaram a privilegiar as ações de vendas com retorno imediato.  E a importância estratégica do “branding” leva cada empresa e cada destino  a administrar com muito ciúme sua imagem, aceitando com dificuldade que ela seja diluída em uma ação coletiva, campanha de publicidade ou até evento. O marketing do destino França teve, então, que evoluir, se apoiando cada vez mais em produtos e declinando a marca França em cerca de 40 “brands”, de Bordeaux à Toulouse-Pyrénées, dos Alpes-Mont Blanc à Guiana Amazônia, ou de Biarritz Pays Basque à Normandia.

Esse capacidade de evoluir em função das novas expectativas dos turistas e de acompanhar as mutações do trade é, sem dúvidas, responsável pelo sucesso da França como grande destino turístico – esse ano será quebrado um novo recorde, com 89 milhões de entradas. Frente a nossos grandes concorrentes, especialmente os Estados Unidos e a China, ela será também a chave para se manter no primeiro lugar dos desejos dos viajantes.

Jean-Philippe Pérol

Perto de Bordeaux, a primeira experiência de uma viajante brasileira de amanhã

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Carcassona, inscrita duas vezes ao Patrimônio da UNESCO

O luar iluminando a cidade de Carcassona

Enquanto a UNESCO está sendo violentamente criticada pelo Presidente Trump pelas suas escolhas patrimoniais,  Carcassona festeja os vinte anos da sua inscrição ao Património mundial da humanidade mostrando os acertos dessa lista que conta hoje mais de mil monumentos. A cidade fortificada recebe hoje mais de 2 milhões de turistas – sendo a quinta cidade mais visitadas da França, e o reconhecimento da sua importância cultural pela UNESCO foi sem duvidas um fator chave da sua popularidade junto aos viajantes franceses e internacionais. Sendo ainda atravessada pelo “Canal du Midi” – outro monumento francês pertencendo ao Patrimônio mundial- o conjunto oferece um acervo cultural único e duas vezes premiado.

As impressionantes muralhas da cidade fortificada

Conhecidas desde os últimos séculos do Império Romano, as fortificações foram reforçadas de 1082 a 1209 pela dinastia dos Viscondes de Trencavel que tentavam consolidar um estado independente entre a França e a Espanha. Tendo tolerado nas suas terras a heresia dos Cátaros e seu ascetismo místico, o ultimo visconde – Raymond Roger Trencavel-, teve que enfrentar a partir de 1209 uma cruzada militar que acabou com a devolução do seu feudo para o Rei da França. Durante os reinados de Saint Louis e dos seus sucessores, a cidade fortificada foi ampliada para corresponder a seu novo estatuto de fortaleza real, e uma segunda muralha de 3 quilômetros e 32 torres foi erguida. Um novo centro urbano, a Bastide Saint-Louis, foi construído, dando ao conjunto o aspecto que ele tem até hoje.

Mas se Carcassona parece ainda hoje mostrar a gloria de Saint Louis, Rei da França, é porque ela foi completamente restaurada logo no século XIX, em 1853, quando o arquiteto Viollet le Duc conseguiu convencer Napoleão III de financiar as obras de reabilitação, uma obra gigantesca que demorou quase 60 anos mas já atraiu 50.000 turistas em 1913! Agora as ruas estreitas da cidadela, as salas abertas para as visitas (sendo a mais procurada a Camera Rotunda e suas pinturas murais), e a basílica romana e gótica com seus espetaculares vitrais são lotadas de visitantes durante o dia. Mas, a noite,  são exclusivas dos 35 moradores e dos hospedes dos dois hotéis que ficam dentro da cidade fortificada, o MGallery Hotel de la Cité e o Best Western Le Donjon.

A Praça Carnot e a Fonte de Neptuno

Atravessando o Rio Aude, a antiga Bastide Saint Louis é hoje o centro da cidade, com suas ruas herdadas do século XIV vibrando de vida e de cultura. Feiras livres, pequenos empórios, lojas inesperadas, livrarias e terraços de cafés acolhedores são paradas obrigatórias depois de uma visita do Museu das Belas Artes, ou de um passeio nas margens do Canal do Midi. E se Carcassona têm dois restaurantes gastronômicos estrelados pela Michelin (La table de Frank Putelat et le Domaine d’Auriac), vale a pena experimentar nos pequenos bares ou bistrôs as duas especialidades da região: o seu vinho, o “Cité de Carcassonne”, produzido nos 160 hectares de vinhedos que cercam a cidade, e seu “cassoulet”,  esse prato mítico da cozinha occitana que alguns fãs gostariam de inscrever como terceiro Patrimônio mundial de Carcassona.

Jean Philippe Pérol

O porto fluvial de Carcassona no Canal du Midi

A alma de Carcassona se encontra também lendo a historia dos cátaros

 

Napoleão III (e Eugênia de Montijo) patrocinando mais um Palace francês…

Napoleão III e Eugênia de Montijo

Pelo número de estações turísticas inauguradas e de hotéis construídos durante o seu reinado, é de se perguntar se Napoleão III não foi de certa forma o pai do turismo francês. Foi por espírito pioneiro, por vontade de desenvolvimento, por favores concedidos a seus companheiros, ou por perdões a pedir à sua ciumenta esposa Eugênia de Montijo, que ele mandou criar ou ampliar estações como Biarritz, Deauville, Cabourg, Houlgate, Arcachon ou Le Touquet. Foi também para ela, madrinha do local que ela tinha descoberto durante uma viagem de Biarritz para sua Espanha natal, que ele decretou a abertura da estação termal de Eugénie-les-Bains. Recebendo hoje da Atout France a invejada distinção de Palace, o badaladíssimo hotel da cidade, os Prés d’Eugénie, se junta aos 24 hotéis franceses que beneficiam desse prestígio pelos próximos 5 anos.

Ambiance champêtre dans le parc. © Les Prés d'Eugénie.

O parque dos Prés d’Eugénie

Depois de um longo período de esquecimento, uma nova saga dos Prés d’Eugénie começou em 1966, quando a atual proprietária, Christine Guerard vem ajudar o seu pai a renovar o hotel e a se juntar aos Relais & Châteaux. Casada em 1972 com o brilhante chef Michel Guerard, ela conseguiu convencer o seu marido a deixar o já famoso bistrô estrelado que ele tinha aberto em Asnières, perto de Paris, e a experimentar as suas novas e revolucionárias ideias no restaurante do hotel. Chegando em Eugenie-les-Bains, e vendo os seus clientes tentarem seguir os regimes para emagrecer, ele inventou a “Grande Cuisine Minceur”, que logo conseguiu uma fama internacional. Recebendo uma primeira estrela Michelin em 1975, a segunda em 1976 e a terceira em 1977!

Michel Guérard dirige les cuisines. Depuis 1977, la Table des Prés d'Eugénie affiche 3 Macarons dans le guide Michelin. © C Clanet

Depois de muitas ampliações, os Prés d’ Eugénie são hoje um verdadeiro conjunto da excelência à francesa. Depois da restauração de um antigo convento do século XVIII em 1989, da Auberge de La Ferme aux Grives em 1993, da Ferme Thermale en 1996, dos Salões e das suítes da Imperatriz em 2009, do Instituto Michel Guerard e do Café Culinaire Mère Poule & Cie em 2013, os Prés d’Eugénie reúnem hoje uma equipe de 180 pessoas que gerenciam 5 prédios, 45 quartos e suítes, 8 jardins e parques, 3 restaurantes, um spa e um vinhedo, um total de 8 hectares de luxo e de elegância. E para quem não quer dispensar uma praia, Michel abriu no litoral dos Landes, a 100 quilômetros do hotel, um “Beach House”, onde os mais aventureiros encontrarão os mesmos valores.

O Beach House do Michel Guerard em Huchet

Às vezes desastroso e outras visionário, Napoleão III foi, sem dúvida, inspirado quando favoreceu o lançamento de Eugénie les Bains, sendo assim, um distante padrinho do Prés d’Eugénie, assim como ele havia sido o padrinho de outro hotel que viraria Palace, o hotel do Palais em Biarritz. Tendo incentivado a construção de numerosos hotéis, inclusive o Grand Hotel de Paris, onde um outro Imperador, Dom Pedro II, gostava de se hospedar, ele também ajudou na divulgação do turismo de praia e do termalismo, convidando políticos de toda Europa nas estações que ele frequentava. Foi assim a entrevista decisiva para o apoio da França, e a unidade italiana deve tudo à pequena cidade termal de Plombières, onde o Cavour conseguiu do Imperador o apoio militar necessário para liberar a Itália. Se esse papel do Napoleão III na promoção do turismo é, por vezes, esquecido, ele é sempre lembrado em Eugénie-les-Bains, nas comemorações da pequena cidade, na elegância ou no refinamento do Palace do Michel Guerard.
Jean-Philippe Pérol

A suíte imperial, homenageando Eugênia

Turismo para família combinando Disney, parques, outlets … e cultura? Paris Ile de France, claro!

Disneyland Paris, primeira atração turística da Europa

As comemorações dos 25 anos da Disneylândia Paris mostraram o sucesso desse empreendimento – hoje a atração turística mais visitada da Europa com 13,4 milhões de entradas -, bem como o impacto que ele teve sobre o turismo francês. O Mickey com sotaque atraiu novos perfis de visitantes e deu um novo impulso não somente nos mercados de proximidade mas também na Ásia e nas Américas. No Brasil, que até então dava para a Flórida a quase exclusividade dos parques de lazer, foram mais de 80.000 viajantes (um crescimento de quase 40%) que descobrirão em 2017 a Disney à francesa. A crescente presença de brasileiros nos grandes parques como Asterix, o Puy du Fou e o Futuroscope, ou nos 250 outros parques  espalhados na região Paris Ile de France e nas outras regiões francesas, mostram que a França é cada vez mais considerada no Brasil como um destino para famílias com crianças grandes ou pequenas.

A Fondation Vuitton, encostada no Jardin d’Acclimatation

Em 2018, a reabertura do saudoso Jardin d’Acclimatation, encostado na Fondation Vuitton e nas florestas urbanas do Bois e Boulogne, vai dar mais um impulso na atratividade da região para o turismo de famílias. O mais antigo parque de Paris, aberto em 1860 pelo Imperador Napoleão III, está sendo completamente renovado e o seu proprietário, o grupo de luxo LVMH, tem a ambição de atrair em breve mais de 2 milhões de visitantes. O projeto inclui a renovação do patrimônio arquitetural herdado do Império, dos estábulos, do pombal, e dos aviários, bem como a valorização das atrações mais queridas dos parisienses –  Trenzinho (aberto em 1878), Rio Encantado (aberto em 1927), ou Casa dos Espelhos. Além das 23 atrações já existentes, 17 serão abertas, todas no mesmo espírito “retro-futurista” inspirado em Jules Verne. Apostando na complementaridade com a Fondation Vuitton, combinando parque e cultura, a LVMH espera atrair turistas internacionais de todas as idades.

Grandes marcas e pequenos preços no outlet La Vallée Village

Não bastassem os parques, a região Paris Ile de France está agora seduzindo as famílias pelas opções de shopping. As medidas tomadas para facilitar as aberturas de loja nos domingos, bem como a simplificação dos procedimentos de reembolso de até 16 % de impostos já agradaram os turistas. A multiplicação dos outlets  foi mais um passo. A França tem hoje 21 “vilarejos de marcas”, sendo oito perto de Paris e três em Troyes, na Champagne vizinha. Os maiores, tais como o One Nation Paris, as Marques Avenues, o Usine Center, ou o Usine Mode et Maison, chegam a juntar lojas de fábricas, lojas de departamentos (inclusive cinco Galeries Lafayette) ou até lojas tradicionais, com preços de liquidações. Pela proximidade da Disney, ou talvez das 190 lojas do shopping Val d’Europe, hospedando 120 marcas francesas e internacionais, o La Vallée Village , que hospede 120 marcas francesas e internacionais, é o mais popular junto aos turistas brasileiros.

Em Vaux le Vicomte, cultura e diversão para toda família

Na concorrência com os grandes destinos de turismo em família curtidos pelos brasileiros, a região de Paris Ile de France tem acima de tudo um trunfo importante, um acervo cultural excepcional que surpreende pelas numerosas ofertas para crianças de todas as idades. Em Paris mesmo, a Cité des Sciences, o Palais de la découverte, o Musée des Arts forains são algumas opções para as famílias, bem como o Museu do Homem, o Museu da Marinha ou o próprio Louvre, se o roteiro escolhido for adaptado – mostrando que a cultura pode também ser atual e divertida. Nos arredores da capital, os mais prestigiosos castelos, incluindo Versalhes, Fontainebleau ou Vaux le Vicomte, oferecem animações ou eventos  para adultos e crianças. Para os turistas brasileiros, que exigem das suas viagens para França uma forte dimensão cultural, será talvez um argumento decisivo para escolher Paris e sua região como o outro destino para famílias juntando parques de lazer, shopping … e cultura.

Jean-Philippe Pérol

Os Etangs de Corot, exemplo de canto escondido de Paris Ile de France