O coronavirus e o underturismo

O Louvre fechado por causa de coronavirus

Verdadeiro choque para os profissionais do mundo inteiro, o cancelamento do salão Internacional do Turismo de Berlim virou o símbolo da crise que a economia turística está atravessando. A recessão já atingiu os grandes mercados da Asia, quatro dos quais – a China, a Coreia, o Japão e Taiwan- sendo listados no top ten dos  países emissores publicado pela Mastercard. A progressão do virus na Europa, e especialmente na Itália, está agora atingindo em cheio os maiores mercados receptivos do mundo, e as praças desertas de Veneza ou o fechamento do Louvre ilustram o impacto  do coronavirus. Para as empresas do setor, as ameaças sobre as receitas do setor (somente na França as perdas são estimadas a um bilhão de euros por mês), e mais ainda sobre milhões de empregos, mostram de forma espetacular os riscos do “underturismo”. 

Veneza abandonada pelos turistas

É verdade que até a explosão da epidemia na Italia, as preocupações públicas giravam mais em torno do problemas que o turismo de massa estava trazendo, o overturismo era o a ameaça-mor. Em Barcelona, Amsterdão, Roma, Veneza ou Paris, os responsáveis procuravam, as vezes com sucesso, soluções criativas para conciliar visitantes, moradores e profissionais do setor, e permitir aos grandes destinos turísticos internacionais de escolher os “melhores” turistas em função das suas despesas, das suas sazonalidades, dos destinos associados ou das atividades procuradas. Os problemas perduram, e moradores e profissionais exigem com razão soluções duradouras e sustentáveis. A brutal queda das reservas lembram agora as autoridades, aos empresários e a todos os funcionários do setor, que o turismo do século XXI  pode também ser ameaçado pelo sumiço dos viajantes, e que o “underturismo” é tão preocupante que o overturismo.

As companhias aéreas sofrem com os cancelamentos de viagens

Os esforços dos médicos, as medidas dos governos, e a chegada da primavera no hemisfério norte, vão com certeza conseguir vencer a crise do coronavirus. A resiliência extraordinária do turismo vai com certeza trazer de volta em alguns meses os fluxos a seus níveis anteriores, e até ajudar a recuperar perdas. Mas, com a mesma certeza, é possível antecipar que todos os atores que foram castigados com a queda dos fluxos turísticos  -companhias aéreas, hotels, museus, espetáculos, parques ou comercio – vão integrar as suas visões do futuro do setor umas importantes lições. Sem discutir a necessidade de trazer soluções para o overturismo, a economia dos destinos, o sucesso dos empresários, os empregos e a vida dos moradores, vão pressionar para que este novo turismo, focado em experiencias sustentáveis e respeitosas dos moradores, descarta tambem de vez o risco de “underturismo”.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue do autor na revista profissional on line Mercado e Eventos

Em Manaus, um novo ciclo do turismo?

O Caxirí, um grande endereço da gastronomia amazonense

Pode parecer um paradoxo, mas somente alguns meses depois do chocante fechamento do mítico Hotel Tropical, Manaus parece aproveitar um grande momento de renovação turística. A cidade, descrita na sua infância pelo génio criativo de Jules Verne, e  marcada no seu auge pela extravagancia de Eduardo Ribeiro, sempre acumulou projetos ou realizações  que favorecerem o urbanismo, a vida cultural, as tradições culinárias e o turismo. Mas, desde do fim do ciclo da zona franca comercial, na época de ouro durante a qual o barco Jumbo da Selvatur levava 300 visitantes por dia para Janauari, a Air France pousava duas vezes por semana, e oito voos por dia chegavam de Sao Paulo, parece que nunca teve tantas novidades hoteleiras e gastronômicas, e tantas ambições  para o turismo do Amazonas .

A Casa Perpetua, a aconchegante herança da borracha

As novidades hoteleiras estão pipocando, mas duas delas mostram claramente as novas tendencias que Manaus está seguindo nas reabilitações exemplares do Largo São Sebastião e das cercanias do Teatro Amazonas. A saudade assumida da grandeza do inicio do seculo passado se vê na Casa Perpetua aonde a empresaria Claudia Mendonça conseguiu transformar uma mansão construída em 1897 pelo desembargador Vidal Pessoa num aconchegante hotel boutique. Com o apoio dos atuais proprietários,  herdeiros do segundo dono, o libanês de cultura francesa François Harb, a casa conseguiu acomodar oito quartos, dois salões, um restaurante e um charmoso patio com uma mini piscina. Dos tradicionais assoalhos bicolores até os impressionantes pé direitos, a arquitetura interna e a decoração são piscar de olhos a época gloriosa (e confusa) da cidade.

O domo do restaurante do Juma Opera olhando as telas do Teatro

Esperado há quase 15 anos, a abertura do Hotel Juma Opera demorou mas não decepcionou os fãs do bem conceituado lodge pertencendo ao mesmo grupo. Escolhendo um casarão do centro histórico, espetacularmente localizado frente a “Opera”, os arquitetos decidiram de manter o espírito da época da borracha, mas de combinar lo com uma decoração apurada, moderna, e com muita inspiração amazônica nas fotos, nos objetos e no ambiente. Um grande lance foi a construção do restaurante no patio, com  uma enorme cúpula de aço e vidro que responde a cúpula coberta de telhas coloridas da Alsácia  do Teatro Amazonas. Assinando um cardápio de pratos regionais,  a chefe Sofia Bendelak mostrou as suas ambições de se juntar ao grupo dos melhores restaurantes gastronômicos amazônicos que já conta com dois grandes talentos manauaras no Banzeiro e no Caxirí.

No mercado municipal, a escola de Gustave Eiffel

A espetacular reabilitação do centro de Manaus se vê também descendo para a beira rio e chegando no Mercado Adolfo Lisboa, cuja beleza a moda de Eiffel combina hoje com um ambiente seguro e limpo. E o visitante tem agora varias opções para beber um suco de taperebá olhando os numerosos “motores de linha” prontos a zarpar para as cidades do interior. A riqueza cultural da cidade encontra aqui a beleza  do Rio Negro, os trunfos do Amazonas para virar um destino turístico “top of mind” no Brasil e no exterior. Há muito tempo sonho de desenvolvimento sustentável da região, o turismo precisa confirmar esse novo impulso resolvendo o seu maior problema, a conectividade. Pronto a oferecer o que for necessário aos possíveis candidatos, a Presidente da Amazonastur, Rosilene Medeiros, conta com um apoio total do governo estadual para aumentar suas ligações aéreas internacionais com os Estados Unidos, o Caribe, e – pourquoi pas?- l’Europe.

Jean Philippe Pérol

 

A espetacular piscina do Juma Opera

O “New York Times” e o “Le Monde”, duas visões das tendências turísticas de 2020

Não mencionada pelo NYT, Olinda seduziu o júri do Le Monde

Enquanto os 52 destinos do New York Times já são uma seleção consagrada, destacando tendências antecipadas pelos leitores, os profissionais do setor turístico e um comité de jornalistas especializados, o  prestigioso jornal francês Le Monde decidiu publicar agora uma seleção de 20 destinos escolhidos com critérios novadores. Sem recorrer aos leitores, mas consultando especialistas,  levaram em consideração não somente beleza, novidade e conteúdo cultural, mas também a “consciência ecológica ” e a pegada carbone de cada viagem, favorecendo as estadas longas e as distancias curtas. Os dois ranking são assim completamente diferentes, mas é interessante de constatar  que algumas escolhas são bem próximas, que algumas temáticas estão virando tendências internacionais, e que três destinos constam das duas listas.

Casas tradicionais nas Ilhas Faroe

Americanos e franceses concordaram na escolha de algumas regiões,  mas com destaques diferentes. Foi assim nas ilhas do litoral atlântico da França onde o NYT escolheu a surpreendentemente  “perfeita” Belle Ile en Mer na Bretanha, enquanto o Le Monde preferiu o charme escondido e a tranquilidade fora-do-tempo da ile d’Aix. Na Scandinavia,  o NYT destacou as surpresas arquiteturais de Jevnaker na Noruega e as trilhas da Suécia ocidental, enquanto o Le Monde ficou fascinado pela beleza selvagem, os pássaros e as tradições culturais das Ilhas Faroe. Menos esperada, a Polonia ficou também nas preferencias dos dois júris, porem foi Cracóvia, sua arquitetura e sua bem sucedida reconversão industrial, que levou as preferencias dos americanos, a escolha  dos franceses sendo a cidade de Gdansk (outrora a alemã Danzig),  seu urbanismo medieval e a longa historia do seu porto hanseático.

Inventada antes dos barros gauleses, a vinificação da Georgia utiliza jarras de barro chamadas kveris

Ambas listas mostram algumas tendências das viagens internacionais. A primeira é a importância cada vez maior dos meios de transportes alternativos. O sucesso do trem explica o destaque dado a Suíça e ao Bernina Express e aos seus 152 quilômetros de trilhos atravessando uma área tombada pela UNESCO, a procura de lugar “bike friendly” está valorizando a Holanda e sua capital Haia. A segunda tendência é o força das viagens temáticas, com destaque para o enoturismo e as vinícolas. Sem nenhum chauvinismo, os franceses escolheram assim a Georgia e os vinhedos da Cachétia. Perto do Mar Negro, vinhos bem peculiares são produzidos com umas técnicas milenares, amadurecendo em jarras de barro enterradas no solo. Já servidos na corte do imperador da Persia no século V, esses vinhos são degustados por enoturistas do mundo inteiro.

Washington foi escolhida pelos dois júris

Num ano de eleição, quando a capital americana vira o centro do mundo e mergulha num ambiente digno deHouse of Cards, era lógico que tanto o New York Times que o Le Monde escolhesse Washington como um destino incontornável. Em 2020, não se deve perder o memorial de Lincoln, o Capitol, ou os tesouros artísticos da  National Gallery of Art (NGA). A cidade  está mudando, com novos museus, incluindo o “Smithsonian National Museum of African American History and Culture” inaugurado em 2016 e já constando como um dos mais procurado. Os jovens da cidade gostam de levar os visitantes até a U Street, num bairro afro-americano repleto de galerias de arte, de bares e de restaurantes ligados. De noite, o bairro residencial de  Dupont Circle vira uma trepidante área de vida noturna com famosos estabelecimentos LGBT e bares esportivos animadíssimos. 

Nas ruinas de Gondar, as marcas da herança portuguesa

Destino fora do comum, a Etiopia  ganhou um nova impulse esse ano com o premio Nobel da Paz do seu primeiro ministro Abiy Ahmed. “Terra das origens”, esse pais peculiar deve ter fascinado os jornalistas de Paris e Nova Iorque da humanidade pelas suas beleza naturais, da grande falha até o deserto do pais Dankali e as cataratas do Nilo azul. Mais antigo estado cristão do mundo com a Arménia, o antigo Reinado do Preste João oferece ao turista suas quatro antigas capitais, Axum nos passos da Rainha de Sabá, Lalibela e as igrejas monolíticas dos usurpadores Zagué , Gondar e sua arquitetura influenciada pelos então aliados portugueses liderados pelo filho de Vasco da Gama, e Addis Abeba, a “nova flor”  do emperador Menelik II, hoje a borbulhante metrópole de um pais de mais de 100 milhões de habitantes .

A escolha de Minorca pelos dois júris foi uma surpresa

É talvez por ser muito menos famosa que suas duas irmãs, Maiorca e Ibiza, que Minorca foi selecionada como uma das tendências 2020. Terra de camponeses e de fazendas, a pequena ilha das Baleares tem menos de 100 000 habitantes e mais de 200 praias, abertas ou escondidas. Passeando a cavalo pelo caminho costeiro  « Cami de Cavalls », o visitante descobre a areia vermelha da praia de Cavalleria, as aguas turquesa da Cala Mitjana, ou as dunas selvagens da Cala de Algarien. Com a capital Port Mahon, sua igreja, sua prefeitura e sua fortaleza, e com a força do seu agroturismo de luxo desenvolvido em estabelecimentos muito badalados como  a finca Torre Vella ou a antiga fazenda Menorca Experimental, Minorca seduz por ter escapada do overturismo que tanto preocupa as outras ilhas da região. Um sucesso que os jurados tanto do New York Times que do Le Monde querem talvez ver se espalhar para outros destinos em 2021.

Jean-Philippe Pérol

Os jornalistas do NYT acreditam na trilha da mata atlântica

 

 

 

Mama shelter, mais um success story dos Trigano!

As barracas foram o primeiro sucesso da família Trigano

A historia da família Trigano é sempre associado ao génio criativo do Gilbert, o homem que projetou o Club Med e o transformou na “mais bela ideia desde a invenção da felicidade”, tentou empurrar a paz no Oriente Medio com sua Universidade franco-israelo-palestina, e se destacou como o maior empresario do turismo francês – chegando a presidir a Maison de la France. Mas não se deve esquecer que o sobrenome Trigano deve ser associado a outros sucessos. Foi assim em 1935, quando Raymond Trigano com seus dois filhos lançaram as barracas populares que viraram durante três décadas sinônimas de turismo popular na França e na Europa, barracas que eram então vendidas para primeiro dono do Club Med, o suíço Gerard Blitz. E hoje, com essa imponente herança de criatividade, a nova geração de Trigano esta associada a um novo conceito hoteleiro que esta seduzindo tanto os viajantes quanto os investidores.

O design “millennial” dos Mama Shelter

Lançado em 2008 num bairro do Leste parisiense, Mama Shelter é uma das mais atraentes pequenas bandeiras da hotelaria do século XXI. Com a abertura em dezembro passado do segundo hotel em Paris, o grupo conta hoje com 12 estabelecimentos. Escolhendo endereços populares e “trendy”, apostando nos talentos do famoso designer Philippe Stark,  com restaurantes animados e comida “festiva”, os “Mama” estão agora espalhados na França (Marselha, Lyon, Bordeaux, Lille e Toulouse) e também nos Estados Unidos (Los Angeles), na Sérvia (Belgrado),na Inglaterra (Londres), na República Tcheca (Praga) e no Brasil (Rio de Janeiro).  Reencontrando o espirito dos primeiros Club Med, apertando os preços, Serge Trigano se orgulha de juntar millenials, turistas de lazer ou jovens executivos que gostam desse novo “lifestyle” à francesa.

O primeiro Mama do Brasil fica em Santa Teresa, no Rio de Janeiro

Enquanto foi as vezes acusado de ser um péssimo administrador, Trigano mostrou logo no primeiro ano que o novo conceito podia ser rentável. Em 2014, conseguiu atrair no capital da empresa o grupo Accor Hotels que viabilizou combinar criatividade, ousadia e crescimento rápido: 35% realizados em 2019, 50% estimados para 2020 e uma previsão de 100% cada três anos no plano estratégico. O número de hotéis deve chegar a 21 em 2022 e 45 em 2025, com aberturas em novos países como Luxemburgo, Bahrein, Romênia, Itália, Líbano, Senegal, Chili ou Colômbia. Alem da França, os Estados Unidos e o Brasil são dois mercados chaves para o grupo se consolidar antes de atacar os países da Ásia. Esta estratégia de crescimento combina com as ambições da Accor que subiu em 2018 a participação de 35% para 49% e firmou com Trigano um acordo que lhe dará em 2020 o controle de 70% da Mama Shelter.

Serge, Jeremie e Benjamin , a terceira e a quarta geração dos Trigano

Mesmo se a Accor deixar aos Trigano – Serge como Presidente, Jérémie como Diretor Geral e Benjamin como Diretor artístico – toda liberdade para administrar o grupo, o novo controle acionista vai levar a mudanças na liderança. Com 73 anos, Trigano é convencido que o sucesso da Mama Shelter está garantindo – inclusive nos Estados Unidos, um sonho que ele carregou desde os tempos do Club Med- , e já pensa em outros investimentos. Com a venda das suas ações, ele deve continuar a tradição familiar e levar adiante outros projetos nas áreas da hotelaria e do turismo. Sem a mínima vontade de se aposentar, depois do lifestyle econômico a francesa para os “millenials”, estaria trabalhando num novo conceito de resorts de luxo, sendo o primeiro projeto em Portugal.

Jean-Philippe Pérol

Festuris em Gramado, o turismo brasileiro que dá certo!

Mesmo esperado, o sucesso da Festuris impressionou

Pela sua 31° edição, o mais charmoso dos grandes encontros do turismo brasileiro bateu recordes e superou as expectativas. A FESTURIS, Feira Internacional de Turismo de Gramado, contou essa ano com 17 mil participantes, incluindo 11 mil visitantes profissionais, um crescimento global de 5% que mostrou que o evento deixou de ser limitado a região Sul do pais. 35% dos agentes registrados vieram dos outros estados do Brasil ou dos países do Mercosul . E nos 25 mil metros quadros do Serra Park, os organizadores celebraram a presença de 2.700 marcas expostas vindo dos quatro cantos do Brasil e de 65 destinos internacionais. Mostrando eficiência e produtividade, a FESTURIS teve também como destaque mais de 4 mil agendas de reuniões que geraram novos recordes de faturamento para os participantes.

Gramado e seus moradores são o primeiro fator de sucesso

Se o sucesso de FESTURIS se deve a vários fatores, o primeiro é sem dúvida a própria cidade de Gramado. Assim como Deauville para a  antiga Top Résa, Cannes para o ILTM, ou Marrakech para Pure Life Experience, Gramado oferece para o seu maior evento um quadro perfeito. São infraestruturas reunidas num espaço pequeno que facilitam os deslocamentos, hotéis de todos os níveis de conforto mas todos de qualidade, um palácio dos festivais  e um centro de convenções extremamente prático. Mas importante ainda para o viajante é a visível apropriação pelos moradores da vocação turística da cidade. Alem de limpeza e segurança, os Gramadenses oferecem aos visitantes um atendimento e um respeito que fazem das ruas da cidade locais aconchegantes onde multiples animações podem ser oferecidas.

O espaço Wedding foi um dos lançamentos mais bem sucedidos

Iniciada pelos organizadores há alguns anos, a segmentação das ofertas foi sem dúvidas uma visão de futuro. O turismo de niche e a procura de experiências especificas é uma grande tendência desses últimos anos, e FESTURIS soube responder com espaços personalizados respondendo as especificidades dos expositores de cada atividade ou segmento.  Ao tradicional Espaço Luxury, se somaram os espaços Termalismo e Bem-Estar, Viagem pela Cultura e Costumes, Business, Tech e Corporativo, Sustentabilidade e Acessibilidade, Entretenimento, Gastronomia, um muito concorrido salão Wedding e uma ampla area para o turismo LGBT. Esses espaços, bem como os potenciais de outras ofertas temáticas ou de outros segmentos de mercado, contribui muito ao sucesso de FESTURIS 2019.

No jantar do Guilherme Paulus, Eduardo Sanovicz, Magda Nassar, Newton Cardoso, Caroline Putnoki e Jean-Philippe Pérol

Durante as solenidades  da festa de abertura, nas emoções das entregas dos Troféus Amigos do Festuris, no concorrido e sofisticado jantar que Guilherme Paulus organiza no Saint Andrews, nas palestras ou nas mesas redondas da “Meeting Festuris”, nos encontros casuais nos corredores da feira, Marta Rossi e Eduardo Zorzanello souberam também criar um clima descontraído e profissional que atrai cada vez mais os lideres e os influenciadores do trade. Na competição entre as grandes feiras de turismo do Brasil, onde destacam-se outras fortes lideranças brasileiras como Carolina Perez, Luciana Leite e Magda Nassar, a capacidade de gerar encontros, debates, palestras e discussões informais, contribuindo assim a entender e definir as grandes tendencias do mercado, é hoje para FESTURIS um fator importante de sucesso.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue” do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos

Os cruzeiros apostando agora na sustentabilidade

Os veleiros da Star Clippers, campiões de sustentabilidade

Quase dobrando em dez anos, o mercado dos cruzeiros deve chegar este ano a 30milhões de pessoas, divididos em mais de 300 navios, dos charmosos veleiros da Star Clippers até os cada vez mais impressionantes gigantes da MSC Cruzeiros ou da Royal Caribbean. Construído em Saint Nazaire – o mesmo estaleiro francês que entregou em dezembro o badalado MSC Grandiosa -, o  Symphony of the Seas,da Royal Caribbean, atinge 362 metros de comprimento e 66 metros de largura. Para hospedar e divertir os 6314 passageiros, tem 2745 cabines, 20 restaurantes, 30 bares, 11 piscinas, simuladores de ondas para surfe, dois teatros, dois spas, um casino, um minigolfe, e uma pista de patinação, com 2394 tripulantes cuidando do conforto e da segurança de todos. Mais de 100 outros navios serão entregues até 2027, um investimento de US$ 65 milhões para uma capacidade de 130 mil cabinas.

O impressionante crescimento dos cruzeiros na China

O sucesso dos cruzeiros se mede também pela diversificação da clientela. Enquanto os norte americanos representavam mais de 90% dos 7 milhões cruzeiristas do século XX, essa proporção baixou para 83,9% em 2006, 69% em 2011 e menos de 50% hoje. Ainda predominantes, muito cortejados, o mercado dos Estados Unidos continua crescendo mas sem o dinamismo dos mercados europeus e asiáticos. Na Europa, os alemães e os ingleses já são 2 milhões a escolher cruzeiros para suas férias, abandonando talvez  em contrapartida grandes destinos na França ou na Itália que sofrem com essa concorrência. No outro lado do mundo, a China triplicou em cinco anos como mercado emissor, chegando esse ano a mais de 2,5 milhões de cruzeiristas. O Brasil também é destaque, com 16% de crescimento em 2019, 670 mil  cruzeiristas e boas perspectivas tanto nacionais como internacionais.

Os gases tóxicos são a principal preocupação dos moradores dos portos

Tamanho desempenho não podia não chamar a atenção sobre o impacto ecológico desses gigantes do mar. Com exceção de raros veleiros, os navios de cruzeiros são movidos a combustível pesado, um óleo quase bruto, barato, pagando pouquíssimos impostos, e extremamente poluidor. Chegando a queimar mais de 300 mil litros por dia, essas embracações são assim alguns dos maiores responsáveis pelas emissões de óxido de enxofre (segundo uma recente pesquisa da ONG T & E, os 94 navios da Carnival teriam emitidos em 2017 dez vezes mais desse gás tóxico que os 260 milhões de carros da União Européia), bem como de óxido de azoto e de partículas ultrafinas. Mais do que o despejo no mar de aguas não tratadas – hoje proibido pela Cruise Lines International Association (CLIA) -, são essas emissões de gases emitidos até nos portos 24 horas por dia que preocupam  ecologistas e autoridades sanitárias.

Cannes exige o respeito de um código de sustentabilidade

Frente a essas críticas, e para antecipar tanto as novas normas adotadas pela OMI (o regulador das Nações Unidas) que a multiplicação das areas de emissão “controladas” na América do Norte, no mar Báltico, no mar do Norte e em alguns portos do mar Mediterrâneo, as companhias de cruzeiros já estão reagindo. Segundo a CLIA, investimentos de US$ 6 bilhões já foram decididos para diminuir as emissoes de carbono dos motores atuais e para utilizar a energia elétrica fornecida pelos portos durante as escalas. Marselha anunciou assim que quer ser o primeiro porto 100% elétrico até 2025. A médio e longo prazos, os motores híbridos, ou funcionando com gás natural liquefeito (GNL), são a solução escolhida por várias companhias. Dois navios desse tipo, o Aida Nova e o Costa Smeralda, já estão navegando e 20 outros já foram encomendados.

O Roald Admunsen quer ser ecologicamente exemplar

As preocupações de sustentabilidade das grandes companhias de cruzeiros vão agora alem da redução das emissões de gas. A MSC está programando um objetivo “zero carbone print”, acreditando em novas tecnologias e com investimentos compensatórios em projetos carboneutros de grandes entidades internacionais. A Norwegian Cruise anunciou o fim dos plásticos de uso único nos seus navios, e Hurtigruten quer fazer do seu híbrido  “Roald Amundsen” um exemplo de boas práticas nas suas rotas polares. Mostrando que a sustentabilidade deve incluir responsabilidades globais, algumas companhias de cruzeiros  estão participando dos programas da Travel Corporation’s Treadright Foundation. Com importantes realizações, mas ainda com importante caminho a percorrer, o setor afirma agora ser convencido de fazer os investimentos necessários para atingir a exemplaridade ambiental e social que o sucesso requer.

Jean-Philippe Pérol

Do Reino Unido até o Brasil, o choque da queda de um ícone do turismo

A primeira viagem organizada pelo Thomas Cook

O anúncio da falência da Thomas Cook, a mais antiga operadora de turismo do mundo, foi um choque brutal não somente para os seus clientes – 600 mil dos quais vão ter que encontrar um meio de voltar das suas ferias-, para seus 22 mil funcionários, e para todos os profissionais. Para todos, é difícil entender como uma empresa nascida em 1841, ícone do setor e muito tempo pioneira, passou em poucos dias de uma situação de dificuldade financeira a uma verdadeira falência. Esquecendo famosos exemplos do setor – desde a Pan Am até a VARIG-, muitos pensaram até a última hora que o governo inglês iria injetar os 200 milhões de libras que ainda faltavam para fechar um plano de salvação da firma de Petersborough. Mas o governo simplesmente lembrou que o contribuinte não podia financiar “patos aleijados”.

A força da Fosun não foi suficiente para salvar o grupo

Com um prejuízo de 1,5 bilhão de libras em 2018, 15% do seu faturamento, a má situação financeira do grupo fundado em 1841 era conhecido de todos. Além da concôrrencia do outro gigante europeu, a TUI, das migrações dos clientes mais jovens para as vendas diretas on-line, do desafeto do mercado para os pacotes fechados, e do sucesso das companhias low cost, a Thomas Cook teve de enfrentar na Inglaterra as incertezas do Brexit e a queda da libra. Para se livrar do peso da sua dívida, o grupo ainda tentou durante o verão de renegociar com seus principais acionistas, o chinês Fosun, bancos ingleses e fundos americanos, um plano de reestruturação de 900 milhões de libras. Mas esta esperança sumiu na sexta-feira passada quando os “hedge funds” exigiram 200 milhões suplementares que inviabilizaram o projeto.

A agencia da Wagons lits//Cook no Brasil, Rio de Janeiro Abril 1936

Pela sua peculiar história, a Thomas Cook teve também uma presença no Brasil. Tendo sido comprada em 1928 pela Compagnie Internationale des Wagons lits et du tourisme, ela participou até os anos oitenta da sua epopeia. Fusionando as duas redes de agências, as duas empresas tinham divido o mundo entre a Wagons lits que operava na Europa e na América Latina, e a Thomas Cook que operava no Reino Unido, na América no Norte e nas antigas colônias inglesas. Assim as primeiras agências da Wagons lits abertas em 1934 no Rio de Janeiro e em 1936 em São Paulo se chamavam Wagons lits//Cook. Mudaram de nome somente em 1976 quando o acordo entre as duas empresas caducou, mas uma forte ligação foi ainda mantida durante mais de dez anos. As agências brasileiras – oito em 1980, treze em 1985- passaram a se chamar Wagons lits turismo, associadas a Thomas Cook.

As 430 agencias da Thomas Cook na França preocupadas com o futuro

Durante a década de 1980, as duas se separam completamente, assumindo escolhas estratégicas totalmente opostas. Após de passar sob o controle da SODEXO e depois da Accor, a Wagons lits fusionou com a americana Carlson, e abandonou suas agências e suas operadoras para se concentrar nos serviços corporate e virou a segunda maior empresa mundial neste setor. A Thomas Cook fez a escolha inversa, se aproximou da alemã Neckerman assim como da francesa Havas, e apostou nas agências e no turismo de lazer, favorecendo a verticalização com a compra de hotéis e o desenvolvimento da sua própria companhia aérea. Trinta anos depois, a situação das duas mostrou que a Accor e os então dirigentes da Wagons lits tinham feito a escolha certa.

As companhias aereas do grupo ainda esperam sobreviver

As consequências da falência serão pesadas para todo o setor, e em numerosos países onde a Thomas Cook era muito forte como a Alemanha, a Bélgica, a Índia, a França. Os hoteleiros dos destinos mais vendidos pelas suas agências – Espanha, Turquia, Tunisia – se preparam também para graves prejuízos diretos e indiretos, falta de pagamentos e dificuldades para encontrar como substituir as clientelas. Os administradores judiciais, Alix Partners e KPMG, deveriam agora tentar vender as atividades e as filiais separadamente, com prioridade para as companhias aéreas – especialmente a Condor- que ameaçam parar a qualquer momento. Longe de se alegrar, os grandes concorrentes estão também preocupados pela desconfiança dos investidores que a queda desse leader pode trazer para o turismo. Um fim triste depois de 178 anos de atividade.

Jean-Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

A Amazonia pode não estar em chamas, mas o turismo brasileiro não deve correr risco!

Tweet do Presidente francês ilustrando as queimadas de 2019

As fotos assustadoras de queimadas (antigas ou recentes) na Amazônia brasileira podem ser uma distorção da realidade – os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de fogo está muito longe dos picos atingidos entre 2002 e 2007 –, mas são também, infelizmente, uma fonte de grande preocupação. Em primeiro lugar é a angústia dos moradores da região, sejam índios, caboclos ou habitantes das grandes cidades, que estão vendo o seu meio ambiente e a sua qualidade de vida ameaçados. É a tristeza de todos os brasileiros que ficam solidários e preocupados com o futuro desse patrimônio nacional cuja soberania traz a responsabilidade de proteger e desenvolver. É, no mundo inteiro, a incompreensão dos amigos do Brasil e dos defensores do meio ambiente que só recebem notícias distorcidas e ausências de soluções.

O Belle Amazon num dos roteiros nas comunidades do Tapajós

Além de compartilhar essa tristeza e essa solidariedade, os profissionais do turismo são também colocados à frente das consequências dessa emoção mundial sobre o setor, tanto emissivo quanto receptivo. As trocas de mensagens e de vexames entre os responsáveis políticos deixam apreensivos os viajantes brasileiros sobre o atendimento em vários países da linha de frente da luta ecológica, e muitos parceiros estrangeiros ficam preocupados em vir fazer promoção no Brasil para não associar a sua imagem a um assim chamado desastre ecológico. Para o turismo receptivo, as consequências dos artigos negativos das revistas do trade internacional podem ser maiores ainda, não somente na Amazônia mas também nas outras regiões do País.

80% dos desmatamentos ocorrem ao longo das estradas como a Cuiabá Santarém

Mesmo se as soluções estão muito além do turismo, os profissionais brasileiros devem também contribuir nesta batalha de comunicação. Não devem desprezar as críticas nem as suas fontes. Mesmo ilustradas com imagens antigas, mesmo baseadas em estatísticas distorcidas, mesmo motivadas pelo forte antagonismo político contra o atual governo, as emoções são sinceras e devem ser respondidas com atenção e pedagogia. A primeira reação deve ser, sem dúvida, de não negar o problema. Há, sim, incêndios na Amazônia, milhares de queimadas causadas pelo preparo das roças de índios ou caboclos até grandes ações de desmatamento ilegal. Estas últimas são reais no sul do Pará, no Acre ou em Rondônia e nas beiras das grandes estradas como a Cuiabá – Santarém, onde o cultivo da soja está se aproximando do Parque do Tapajós.

No Parque do Jaú, a imensidão das áreas protegidas

Mas é importante, ao mesmo tempo, informar as operadoras e agências de viagens da Europa ou América do Norte do tamanho exato do problema e, especialmente, do fato que 85% dos 4 milhões de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica são ainda hoje completamente preservados, e que os 25 milhões de habitantes da região (dos quais 250 mil índios) estão comprometidos com o desenvolvimento sustentável. Devemos lembrar a todos que não houve incêndios incontroláveis na ilha de Marajó, nas margens do Tapajós ou do Rio Negro, e que Manaus e Belém não tiveram nenhuma destruição dos seus fascinantes patrimônios. A todos aqueles que querem ajudar a Amazônia devem dizer que o turismo é um dos setores mais envolvidos na valorização do meio ambiente, bem como na ajuda às comunidades ribeirinhas ou aos moradores das cidades da região. No Marajó, em Belém, no Tapajós, em Manaus, no Rio Negro, em Novo Airão, Barcelos ou no Acre, o turismo continua sendo uma formidável oportunidade de desenvolvimento que deve tirar as lições da crise atual, mas não merece ser afetada por ela.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Longe das queimadas, o Mercado Adolpho Lisboa, um dos mitos mor do turismo amazônico

 

Acordo Mercosul/ União Europeia: o turismo também?

Depois quase 20 anos, a perspectiva de um acordo histórico

Assinado  no último dia de Junho depois de quase 20 anos de negociação, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não deixou ninguém indiferente. De ambos lados do Oceano Atlantico e do Ecuador, políticos e defensores de interesses corporativistas já estão brigando – muitas vezes sem nem ter lido o texto – para defender ou atacar a sua ratificação pelo 31 países da nova área de libre comercio. Trata-se de o intercambio comercial de Euros 122 bilhões entre o segundo e o sexto maiores blocos econômico do mundo, o acordo não toca o diretamente o turismo, porém vai tem um impacto significativo na vida (e, portanto, nas viagens) de quase 800 milhões de pessoas, cancelando 91% dos direitos alfandegários, cuidando de bem estar e de liberdade dos consumidores, assim como de proteção do meio ambiente.

Os vinhos e os queijos franceses devem beneficiar-se com a queda das taxas

Desta forma, o consumidor brasileiro vai ver nos próximos anos o preço dos carros, das roupas e dos sapatos europeus cair em 35%, dos queijos franceses ou holandeses em 28%, dos vinhos franceses, portugueses ou italianos em 27%, do chocolate belga em 20%, dos biscoitos dinamarqueses entre 16 a 18%, e dos remédios franceses ou alemães em 14%. Ao mesmo tempo, a Europa ampliará as cotas e acabará com as taxas que hoje bloqueiam as exportações de setores extremamente competitivos, principalmente (mesmo se não somente) o agronegócio cujas produções de frango, carne bovina ou suína, sucos naturais ou frutas, têm a qualidade, o preço e o respeito da sustentabilidade  para competir com os melhores produtos da agricultura europeia.

A competitividade do agronegócio brasileiro deve aproveitar a abertura

A proteção das origens é um ponto crucial do acordo, sejam geográficas (Parme, Porto, Camembert ou whisky irlandês) ou “apelações” especificas (cachaça brasileira, vinho de Mendoza argentino), bem como a proteção das marcas ou dos direitos autorais. De forma geral, os serviços, que representam hoje mais do quarto dos intercâmbios entre a Europa e o Mercosul, não foram esquecidos no acordo. Correios, bancos, seguros, telecomunicações, transportes, investimentos ou aberturas de filiais serão facilitados. A grande maioria das empresas tanto do Mercosul quanto da Europa sendo pequenas ou medias, é prevista uma série de medidas para melhorar a sua competitividade e para ajudá-las a aproveitar as novas oportunidades que surgirão.

O e-comercio deve ser muito impactado pelo acordo

Mesmo se as viagens internacionais e o turismo não são mencionados em lugar nenhum, o acordo deve, com certeza, impactá-los por duas series de razões. Em primeiro lugar algumas das medidas anunciadas se aplicam também ao setor. As novas regras referentes ao e-comercio, suprimindo bloqueios desnecessários, dando mais garantias jurídicas as empresas e protegendo os dados dos consumidores vão ter consequências para as OTA (agencias on line), as operadoras e até as agencias tradicionais. As novas regras referentes a circulação de profissionais, a instalação ou a transferência de funcionários  devem incentivar as viagens de negócios bem como multiplicar os encontros MICE. Em segundo lugar, e mais importante ainda, o acordo Mercosul- Europa deve criar um clima de segurança e de otimismo, fortalecendo o Real, impulsionando a Bolsa. Serão, com certeza, fatores essenciais para o tão esperado crescimento do turismo receptivo e exportativo entre ambos os blocos. Aos profissionais resta torcer pela ratificação para aproveitar essa imensa oportunidade.

Jean-Philippe Pérol

Em três números, os motivos para o Brasil ser otimista

O Tropical de Manaus, saudades de um sonho que não pode acabar

Frente as águas negras do Rio, o Tropical de Manaus

Que tristeza de ler hoje, no querido  jornal manauara A Critica, que o Tropical Hotel de Manaus irá a leilão no dia 25 de julho, e que valor arrecadado será utilizado para o pagamento de dívidas trabalhistas em processos que tramitam no tribunal regional do trabalho. Mesmo esperada desde a suspensão das atividades do hotel em maio – quando a luz foi cortada por falta de pagamento-, essa noticia abalou todos os profissionais do turismo bem como os apaixonados pela Amazonas. Emblemático da nossa saudosa VARIG, o Tropical de Manaus marcou os anos dourados do turismo de Manaus, quando o sucesso da Zona Franca, os oito voos diários para São Paulo, e as ligações internacionais da própria VARIG, mas também da Braniff, da LAP e da Air France atraiam turistas do mundo inteiro no coração da Amazônia brasileira.

O Presidente Giscard num seringal do Mamuri em 1978

A tristeza leva a perguntar quais são as razões que levaram a esse desastre. Alem do desaparecimento da VARIG e das dificuldades da Tropical hotéis, o hotel da Ponta Negra fechou também pelo paradoxo da queda do turismo na Amazonia brasileira num momento da historia aonde o eco-turismo e o turismo verde atraiam cada vez mais viajantes. Enquanto Manaus recebeu nos anos 70 e 80 o Presidente da França, o Rei da Suécia ou o Chanceler da Alemanha, enquanto artistas, escritores, ricos e famosos do mundo inteiro se hospedavam nos quartos do Tropical, são hoje os lodges da Costa Rica, do Vietnã ou da Indonesia  que recebem os maiores fluxos de ecoturistas. E quando esses escolham mesmo de ficar na Amazônia, percebe se a concorrência das Amazônias peruana, colombiana, equatoriana, surinamense ou até francesa.

O charme e o luxo sustentável do Mirante do Gavião

O turismo em Manaus tem porem umas imensas oportunidades com a atualidade das preocupações internacionais para preservar a floresta amazônica, e com a procura de destinos turísticos respondendo as novas tendências do ecoturismo. Num setor de concorrência extrema, o sucesso virá pelos números projetos que já existem, tanto de alojamento – do EcoPark ao Mirante do Gavião, do Juma Lodge ao Hotel Amazônia, ou do Anavilhanas Lodge ao novo Casa Perpetua-, de lazeres  – do Museu da Borracha e do MUSA ao Festival de Ópera-, de cruzeiros – da Katerre ao Aria ou ao Belle Amazon-, ou de restaurantes – do Caxirí ao Banzeiro-. Eles já estão mostrando que o setor soube evoluir, e criar produtos e serviços oferecendo as experiencias que os viajantes procuram.

A Pousada Uacari, a excelência em termo de turismo sustentável

Para crescer mesmo, e deixar a gente sonhar numa reabertura de um grande hotel international na Praia da Ponta Negra, o turismo na Amazônia terá talvez que aproveitar três ideias. A primeira é que a expectativa internacional de proteção do meio ambiente nessa região é imensa, trazendo um dever de excelência nesse setor. O desenvolvimento do turismo será olhada de muito perto, e qualquer desrespeito das práticas exemplares em termo de sustentabilidade, qualquer aceitação de atividades ecologicamente incorretas, terão um enorme impacto em comunicação, e afugentarão os viajantes. A segunda é que o turismo de Manaus só pode ser exclusivo, os fluxos serão sempre pequenos porque o acesso é difícil e as experiencias intimistas. Com poucos visitantes, devem se privilegiar o luxo e o charme. E os produtos e serviços têm que ser de forte valor agregado para trazer ao estado e aos  habitantes os retornos econômicos indispensáveis.

O Teatro Amazonas foi decisivo para construir o mito de Manaus

A terceira ideia é que, marcas excepcionalmente conhecidas no mundo inteiro, Manaus e a Amazônia devem. para voltar a atrair os fluxos de viajantes que necessitam, apostar não somente na natureza, nas matas e nos rios, mas também nas suas Historias – a riqueza do patrimônio, começando pelo Teatro, ou a força do passado terrível do ciclo da borracha-, e nos seus povos – tradições culturais ou, mais ainda, vida autentica das suas comunidades ribeirinhas. Morreu o Hotel Tropical, mas os ingredientes de um novo ciclo do turismo em Manaus existem e podem deixar acreditar que o Fenix pode talvez pousar um dia na praia da Ponta Negra.

Jean Philippe Pérol

Esse artigo foi inicialmente publicado no Blog “Points de vue”  do autor na revista profissional on line Mercados e Eventos 

Barco regional de alto padrão, o Belle Amazon navegue nos rios Amazonas, Tapajós e Rio Negro