Saint Martin: depois das primeiras urgências, a certeza de uma reconstrução rápida e sustentável!

 

Saint Martin, a ilha amiga no Caribe francês

De Anguilla a Key West, passando pelas Ilhas Virgens e Cuba, o furacão Irma deixou uma trilha de devastação material e de dramas humanos, arrasando regiões muito queridas no Brasil, tanto pela proximidade geográfica e cultural que pela familiaridade com os seus grandes destinos turísticos. As ilhas francesas de Saint Martin e Saint Barthelemy, visitadas a cada ano por mais de 10.000 brasileiros, foram duramente atingidas. Mas depois do choque, começou uma impressionante operação de ajuda que levou o proprio Presidente da Republica francesa a visitar as duas ilhas para mostrar o seu apoio às populações. Daniel Gibbs, Presidente da Coletividade de Saint-Martin, descreveu  a situação de seu território após a passagem do furacão no último dia 6 de setembro de 2017, anunciando as três etapas da reconstrução que as autoridades já estão liderando.

A primeira fase da organização pós-furacão consistiu em gerenciar  as urgências dos cuidados às pessoas feridas, doentes ou em dificuldades, e na evacuação dos turistas ainda bloqueados nas ilhas – quase todos eles já tendo sido repatriados para seus países de origem. Foi também assegurada a segurança do território através da chegada de importantes reforços do Exército e da polícia militar da França. Essa primeira Fase já está concluída e a segurança do território está sob controle. O Presidente e sua equipe trabalham agora com seus parceiros na segunda fase da organização pós-furacão,  dando priorizando a limpeza dos escombros, dos itens volumosos e dos detritos gerados e transportados pelo furacão, a distribuição de água, comida e de material, assim como a reabilitação das redes de água, saneamento básico e eletricidade.

A terceira fase das ações da coletividade será lançar o mais rapidamente possível a reconstrução do território para a população e as empresas poderem retomar as suas atividades habituais. O encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, na última terça-feira 12 de setembro de 2017 permitiu ao presidente Gibbs expor as necessidades urgentes, bem como as medidas de acompanhamento que devem ser negociadas entre a França e a Coletividade. Nesta fase, ainda em curso, a recuperação do turismo é uma prioridade, e um conjunto de peritos deve avaliar o estado dos hotéis, residências e guest houses para ajudar na reconstrução das infraestruturas turísticas.

O trabalho do Presidente da coletividade de Saint Martin e das suas equipes têm agora dois objetivos maiores: o acompanhamento de todos os momentos dos moradores, com foco  na ajuda aos trabalhadores desempregados e no apoio às empresas, e a reconstrução rápida e durável do território para que Saint-Martin possa retomar sua atividade econômica. O presidente Gibbs e sua equipe farão de tudo que está em seus poderes para que o território retome sua atratividade. Ele agradece calorosamente a todos os parceiros e operadores de turismo que se mobilizaram para Saint-Martin e que acompanham agora os são-martinhenses para que a “Ilha amiga do Caribe francês” volte a ser um dos destinos mais apreciados do Caribe.

Vista aérea de Saint Martin

 

 

A Martinica, entre a Pompei tropical e o Paris do Caríbe

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

Para os brasileiros, a Martinica será sem dúvidas a grande novidade dos cruzeiros caribenhos do verão.  A partir do 19 de dezembro, a MSC Cruzeiros oferecerá um roteiro completo de sete noites, saindo de Fort de France e  com escalas em varias ilhas francesas – alem da Martinica, Saint Martin, Saint Barthelemy e a Guadalupe. mscA viagem aérea de ida e volta entre São Paulo e Fort de France, aproveitará um vôo da companhia Gol, fretado pela MSC e que ligará diretamente as duas cidades pela primeira vez. Ainda pouco conhecida no Brasil – ainda que todos já cantaram Chiquita Bacana ou Banana Real -, a Martinica acredita que o sucesso dessa operação será uma grande oportunidade para os brasileiros descobrir melhor um destino que já foi  conhecido como o Paris das Antilhas.

Martinique - Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Martinique – Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Mas que suas praias pretas ou brancas,  seu mar turquesa, ou suas flores exuberantes que encantaram o Cristovo Colombo e lhe deram o seu nome (Madinina, a Ilha das Flores) , foi o vulcão Montagne Pelée (a Montanha Pelada) que marcou a historia da Martinica. A sua então capital, Saint Pierre, era em 1902 a cidade mais rica e mais avançada do Caríbe. Tinha industrias de açúcar e de rum, tinha um porto modernismo, ruas pavimentas com  iluminação publica, tinha um bondinho, um jardim botânico e um teatro de 800 lugares copiado do teatro de Bordeaux.Saint Pierre, o dia seguinte No dia 8 de Maio, as 7h52 da manhã, o Paris tropical virou a Pompei do Caríbe. Vindo do cratera do vulcão, uma nuvem de cinzas e de gases, com uma temperatura de mais de 1000 graus, arrasou todos os prédios, fundiu grades e portas de ferros, e matou todos os seus 30.000 habitantes.  A cidade foi reconstruída, perdeu o seu status de capital da ilha para Fort de France, mas a visita dos seus monumentos reconstruídos – Igreja ou Câmara de comercio, dos seus dois museus históricos , a caminhada nas ruínas e a visão da prisão onde era encarcerado Louis Cyparis, o único sobrevivente (protegido pelas paredes dos subterrâneos, ele saiu ileso depois do calor derreter todas as grades), são momentos de grande emoção para o visitante.

A Camara de comercio e a igreja de Saint-Pierre

A igreja e a Câmara de comercio de Saint Pierre

Com os navios da MSC acostando no centro de Fort de France, os brasileiros vão poder caminhar nesse cidade que guardou o espírito parisiense que rodeava as ruas de Saint Pierre. Mesmo misturando as culturas francesa e “créole”, mesmo vibrando tanto com a melodias francesas que com os ritmos do Zouk local, A igreja de BalataFort de France continua com um “je ne sais quoi” de Paris. Pode ser a igreja de Balata que lembra o Sagrado Coração de Montmartre, pode ser a presencia permanente da Josephine, esposa do Napoleon nascida na Ilha, pode ser as estilosas butiques com famosas marcas francesas, pode ser suas numerosas opções de restaurantes. Talvez, mais do que isso, deve ser a paixão pela cultura, a procura permanente pela elegância , e essa pitada de arrogância parisiense que os moradores porem gostam, espírito caribenho obriga, de abandonar frente aos visitantes.

Jean-Philippe Pérol

A praia do Club Med

A praia do Club Med

Cuba: vai ter uma revolução no turismo Caribenho!

www-logoCom as novas relações entre Cuba e os Estados Unidos, todos os especialistas concordarão sobre a ideia que as consequências vão ser impressionantes não somente para o turismo cubano – o objetivo de 3 milhoes de turistas na ilha será sem duvidas ultrapassado- mas também para toda economia turística do Caribe que vai acordar com um terrível concorrente no seu maior mercado.

O embargo ainda continua, mas varias medidas vão facilitar as viagens dos americanos:OLYMPUS DIGITAL CAMERA os bancos dos Estados Unidos podem trabalhar com as instituições cubanas, o teto para remessas entre os dois países vai passar de 500 a 2000$ por trimestre, os viajantes americanos poderão utilizar os seus cartões de créditos e poderão voltar com 400$ de compras, incluindo 100$ de charutos! No imediato, só vão ser favorecidos pela nova politica do Presidente Obama as doze categorias de cidadões já autorizados a viajar para Cuba: familiares, jornalistas, professores, religiosos, esportistas ou homens de negócios. Hoje já são 90.000 mas esse numero vai com certeza dobrar ou triplicar a curto prazo.

Scenes_of_Cuba_(K5_02403)_(5981661729) (1)Não tem duvidas também que com as relações normalizadas, Cuba vai voltar a ser o primeiro destino turístico no Caribe e ver o seu fluxo de turistas americanos passar de 2, 3, 4 ou até 5 milhoes de turistas. As operadoras canadenses (o Canada passa do milhão de visitantes em Cuba) já se preparam para isso, temendo altas de preços mas antecipando novos investimentos e grandes oportunidades. E a própria Carnival está analisando a abertura de novos roteiros incluindo os portos cubanos. Os projetos do governo cubano, ampliar em 40% a oferta hoteleira até 2020, terão que ser reforçados, abrindo mais oportunidades não somente para empresas já instaladas como Accor, Pestana, Iberostar ou Melia mas também para as grandes bandeiras americanas. Viñales_ValleyCom praias excepcionais em Varadero, Cayo Santa Maria ou Cayo Coco, com pontos turísticos imperdíveis em Havana, Trinidad ou no Vale de Vinhales, uma Cuba livre do embargo e aberta aos investimentos do vizinho do Norte vai também ser um impressionante concorrente para os seus vizinhos do Caribe. A reorientação dos fluxos de turismo americano vai com certeza impactar nSanteria-1ão somente os grandes destinos como Santo Domingo ou a Jamaica, mas também todo os destinos caribenhos que vão ter que repensar sua oferta e sua promoção para enfrentar o que será sem duvida um novo gigante do turismo mundial. Sob o olhar do filho do Che montado numa Harley, e com a bença de Xango, de Ogum, de Iemanjá e de todos os deuses santeiros, vai ser mesmo uma revolução para qual todos os profissionais do turismo do Caribe devem se preparar.

Jean-Philippe Pérol

 

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De Belém, o impulso ao projeto brasileiro da Martinica.

baignoire-de-josephine1Se todas as regiões da Franca tentam seduzir os viajantes brasileiras, a Martinica tem algumas razoes bem especificas. A ilha caribenha, chamada de Madinina (ilha das flores) pelo Cristóvão Colombo, quer tirar toda vantagem da sua proximidade com o Brasil, especialmente com o Pará distante de somente duas horas de voo da sua capital Fort de France. fotoVisitando Belem, o governador Serge Latchimy fez questão de explicar aos empresários, políticos e profissionais do turismo que o objetivo dele era de estabelecer uma forte cooperação entre parceiros martiniqueses e brasileiros preocupados com crescimento sustentável, biodiversidade, biotecnologias, com intercâmbio equilibrado e, acima de tudo, com desenvolvimento humano.

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Caribenha pelo clima e a geografia, a Martinica destaque se pela sua historia e sua ligação com a Franca. A riqueza do passado se revela na memoria de Josephine, grande amor e depois esposa do imperador Napoleão, que nasceu na ilha (numa casa que virou um museu), cresceu na plantação  La Pagerie, e tomava banho de mar num lugar onde os turistas ainda hoje podem desfrutar da “banheira da Josephine”. Martinique - Saint-Pierre26 mai 2008A ocupação inglesa fez da Roca do Diamante um Gibraltar do Caribe, até hoje saudado pela marinha britânica. O glorioso passado da Martinica é tambem visível nas ruínas de Saint Pierre, antiga capital que foi totalmente destruída em 1902 numa erupção vulcânica que matou todos os seus 30.000 habitantes. A visita do museu, a caminhada nessa Pompeia do Caribe, a visão da prisão onde estava encarcerado o único sobrevivente (protegido pelas paredes dos subterrâneos, ele saiu ileso depois do calor derreter todas as grades), são momentos de grande emoção. 447853_KV2R1F2H5OR2BKEPG88PS5RHOGG6MG_coucher-de-soleil-sur-le-rocher-du-diamant_H121117_L

Praias de águas cristalinas, hotéis para todos os gostos, cassinos e oportunidades de shopping lembram ao visitante que a Martinica é mesmo caribenha, mas a especificidade francesa é sempre presente. O melhor hotel da ilha é o Relais Chateaux Cap Est, e tem um Club Med espetacular. comida3Restaurantes estrelados fazem questão de honrar a gastronomia francesa ou internacional, mas é também muito gostoso de se provar um accra (acarajé local) com um copo de vinho rosé numa das cantinas do mercado municipal. E nao faltam as Galeries Lafayette para o visitante poder escolher o seu perfume preferido ou os últimos lançamentos da moda parisiense. A rigorosa proteção ambiental gerou passeios imperdíveis como  as caminhadas no Jardin de Balata ou, para os mais aventureiros, as trilhas da Montagne Pelée.

Se a capital Fort de France é hoje mais acessível via Miami ou via Panamá, a ambição dos dois governadores da Martinica e do Pará é de trabalhar a abertura duma linha aérea direta saindo de da capital do Para. Para os paraenses seria só duas horas para aproveitar desse ilha agora irmã. foto[1]Para os turistas do sul do Brasil seria a ocasião duma parada no caminho do Caribe a francesa para aproveitar um tacacá na praça da República ou um açaí no Ver o Peso. E, olhando para o Teatro da Paz, podemos sonhar que a Franca, primeiro destino dos brasileiros na Europa, poderia também virar amanha, atravês da Martinica, mas também da Guadalupe, de Saint Martin ou de Saint Barth, um grande destino dos brasileiros no Caribe?


Jean-Philippe Pérol

 

Saint Martin, lado francês. O charme da diferença.

Pinel ©Laurent Benoit (copy)Do requinte do hotel Samanna até o agito do bar de praia ” Los Calmos”, Saint Martin surpreende o viajante brasileiro, que tendo em mente as imagens de Sínt Marteen, a irmã holandesa, espera uma ilha de hotéis americanizados, paraíso dos sacoleiros, e a parada muito bem organizada de quase todos os grandes navios de cruzeiros.

Os turistas que escolhem o lado francês vão viver uma experiência completamente diferente, com três pontos chaves que justificam minha preferência.

DSCN6373O primeiro é uma grande proteção ambiental que se percebe logo que se atravessa a invisível fronteira. A paisagem é logo liberada, com menos prédios, praias mais protegidas, florestas bem  preservadas. Uma reserva natural cobre uma boa parte da ilha, os morros, os mangues, incluindo as águas territoriais e as várias ilhotas (inclusive a famosa Ilet Pinel e sua praia bem organizada). Na floresta, a cabeceira do único rio da ilha é também aproveitada com bom gosto pelos donos do local, uma antiga fazenda que o primeiro dono ganhou em um sorteio, daí o nome de Lottery Farm, com seus bares e jogos aquáticos.

DSCN6010A hospedagem também surpreende. Talvez estimulada pela proximidade de Saint Barth, a ilha francesa vizinha, Saint Martin oferece várias opções de altíssimo padrão: a Samanna, que a Orient Express transformou num verdadeiro palácio, combinando um design elegantíssimo, um serviço atencioso, num local de beleza e de tranquilidade. A sofisticação se encontra também nas numerosas casas para alugar nos arredores do hotel. O Radisson, em seu estilo Louisiane, é também uma excelente opção de quatro estrelas muito merecidas. Mais em conta ainda, há o simpático Mercure, perto de Marigot, com quartos amplos e oferecendo sua praia na Lagoa, e o Petit Hotel no charmoso vilarejo de Grand Case.

DSCN6344Sendo francesa, Saint Martin não podia não brilhar pela gastronomia. A surpresa vem da criatividade e do profissionalismo dos chefes do Pressoir, da Cigale e do Sental . Mas vem também dos numerosos pequenos bares e restaurantes. O Calmos, em Grand Case, para beber e escutar música com os pés na areia. O restaurante do Coco em Marigot, para comer um peixe grelhado depois das compras ou antes do Ferry para Anguilla . E se quiser mesmo dançar nas mesas, o bom é ir ao Waikiki Beach na praia do Oriente .

DSCN6189Claro que um viajante brasileiro vai querer também encontrar nesse pedaço de França um pouco de cultura. Em Marigot, na avenida do General de Gaulle, ele vai encontrar isso, e muito mais. Numa linda casa de 1840, ele vai encontrar cores, paixão, história e, claro, os quadros do pintor-mór de Saint Martin, Richard Richardson. Se tiver sorte, é possível encontra-lo, no seu ateliê ou no seu exuberante jardim junto às antigas casas de pedra do século 18.

Saint Martin, o lado francês, diferente e charmoso.

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Jean-Philippe Pérol