A Martinica, entre a Pompei tropical e o Paris do Caríbe

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

O Rochedo do Diamante visto de Sainte Anne

Para os brasileiros, a Martinica será sem dúvidas a grande novidade dos cruzeiros caribenhos do verão.  A partir do 19 de dezembro, a MSC Cruzeiros oferecerá um roteiro completo de sete noites, saindo de Fort de France e  com escalas em varias ilhas francesas – alem da Martinica, Saint Martin, Saint Barthelemy e a Guadalupe. mscA viagem aérea de ida e volta entre São Paulo e Fort de France, aproveitará um vôo da companhia Gol, fretado pela MSC e que ligará diretamente as duas cidades pela primeira vez. Ainda pouco conhecida no Brasil – ainda que todos já cantaram Chiquita Bacana ou Banana Real -, a Martinica acredita que o sucesso dessa operação será uma grande oportunidade para os brasileiros descobrir melhor um destino que já foi  conhecido como o Paris das Antilhas.

Martinique - Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Martinique – Saint-Pierre e a Montagne Pelée

Mas que suas praias pretas ou brancas,  seu mar turquesa, ou suas flores exuberantes que encantaram o Cristovo Colombo e lhe deram o seu nome (Madinina, a Ilha das Flores) , foi o vulcão Montagne Pelée (a Montanha Pelada) que marcou a historia da Martinica. A sua então capital, Saint Pierre, era em 1902 a cidade mais rica e mais avançada do Caríbe. Tinha industrias de açúcar e de rum, tinha um porto modernismo, ruas pavimentas com  iluminação publica, tinha um bondinho, um jardim botânico e um teatro de 800 lugares copiado do teatro de Bordeaux.Saint Pierre, o dia seguinte No dia 8 de Maio, as 7h52 da manhã, o Paris tropical virou a Pompei do Caríbe. Vindo do cratera do vulcão, uma nuvem de cinzas e de gases, com uma temperatura de mais de 1000 graus, arrasou todos os prédios, fundiu grades e portas de ferros, e matou todos os seus 30.000 habitantes.  A cidade foi reconstruída, perdeu o seu status de capital da ilha para Fort de France, mas a visita dos seus monumentos reconstruídos – Igreja ou Câmara de comercio, dos seus dois museus históricos , a caminhada nas ruínas e a visão da prisão onde era encarcerado Louis Cyparis, o único sobrevivente (protegido pelas paredes dos subterrâneos, ele saiu ileso depois do calor derreter todas as grades), são momentos de grande emoção para o visitante.

A Camara de comercio e a igreja de Saint-Pierre

A igreja e a Câmara de comercio de Saint Pierre

Com os navios da MSC acostando no centro de Fort de France, os brasileiros vão poder caminhar nesse cidade que guardou o espírito parisiense que rodeava as ruas de Saint Pierre. Mesmo misturando as culturas francesa e “créole”, mesmo vibrando tanto com a melodias francesas que com os ritmos do Zouk local, A igreja de BalataFort de France continua com um “je ne sais quoi” de Paris. Pode ser a igreja de Balata que lembra o Sagrado Coração de Montmartre, pode ser a presencia permanente da Josephine, esposa do Napoleon nascida na Ilha, pode ser as estilosas butiques com famosas marcas francesas, pode ser suas numerosas opções de restaurantes. Talvez, mais do que isso, deve ser a paixão pela cultura, a procura permanente pela elegância , e essa pitada de arrogância parisiense que os moradores porem gostam, espírito caribenho obriga, de abandonar frente aos visitantes.

Jean-Philippe Pérol

A praia do Club Med

A praia do Club Med

De Belém, o impulso ao projeto brasileiro da Martinica.

baignoire-de-josephine1Se todas as regiões da Franca tentam seduzir os viajantes brasileiras, a Martinica tem algumas razoes bem especificas. A ilha caribenha, chamada de Madinina (ilha das flores) pelo Cristóvão Colombo, quer tirar toda vantagem da sua proximidade com o Brasil, especialmente com o Pará distante de somente duas horas de voo da sua capital Fort de France. fotoVisitando Belem, o governador Serge Latchimy fez questão de explicar aos empresários, políticos e profissionais do turismo que o objetivo dele era de estabelecer uma forte cooperação entre parceiros martiniqueses e brasileiros preocupados com crescimento sustentável, biodiversidade, biotecnologias, com intercâmbio equilibrado e, acima de tudo, com desenvolvimento humano.

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Caribenha pelo clima e a geografia, a Martinica destaque se pela sua historia e sua ligação com a Franca. A riqueza do passado se revela na memoria de Josephine, grande amor e depois esposa do imperador Napoleão, que nasceu na ilha (numa casa que virou um museu), cresceu na plantação  La Pagerie, e tomava banho de mar num lugar onde os turistas ainda hoje podem desfrutar da “banheira da Josephine”. Martinique - Saint-Pierre26 mai 2008A ocupação inglesa fez da Roca do Diamante um Gibraltar do Caribe, até hoje saudado pela marinha britânica. O glorioso passado da Martinica é tambem visível nas ruínas de Saint Pierre, antiga capital que foi totalmente destruída em 1902 numa erupção vulcânica que matou todos os seus 30.000 habitantes. A visita do museu, a caminhada nessa Pompeia do Caribe, a visão da prisão onde estava encarcerado o único sobrevivente (protegido pelas paredes dos subterrâneos, ele saiu ileso depois do calor derreter todas as grades), são momentos de grande emoção. 447853_KV2R1F2H5OR2BKEPG88PS5RHOGG6MG_coucher-de-soleil-sur-le-rocher-du-diamant_H121117_L

Praias de águas cristalinas, hotéis para todos os gostos, cassinos e oportunidades de shopping lembram ao visitante que a Martinica é mesmo caribenha, mas a especificidade francesa é sempre presente. O melhor hotel da ilha é o Relais Chateaux Cap Est, e tem um Club Med espetacular. comida3Restaurantes estrelados fazem questão de honrar a gastronomia francesa ou internacional, mas é também muito gostoso de se provar um accra (acarajé local) com um copo de vinho rosé numa das cantinas do mercado municipal. E nao faltam as Galeries Lafayette para o visitante poder escolher o seu perfume preferido ou os últimos lançamentos da moda parisiense. A rigorosa proteção ambiental gerou passeios imperdíveis como  as caminhadas no Jardin de Balata ou, para os mais aventureiros, as trilhas da Montagne Pelée.

Se a capital Fort de France é hoje mais acessível via Miami ou via Panamá, a ambição dos dois governadores da Martinica e do Pará é de trabalhar a abertura duma linha aérea direta saindo de da capital do Para. Para os paraenses seria só duas horas para aproveitar desse ilha agora irmã. foto[1]Para os turistas do sul do Brasil seria a ocasião duma parada no caminho do Caribe a francesa para aproveitar um tacacá na praça da República ou um açaí no Ver o Peso. E, olhando para o Teatro da Paz, podemos sonhar que a Franca, primeiro destino dos brasileiros na Europa, poderia também virar amanha, atravês da Martinica, mas também da Guadalupe, de Saint Martin ou de Saint Barth, um grande destino dos brasileiros no Caribe?


Jean-Philippe Pérol